Manuel Abranches de Soveral

 

 

 

Casa da Trofa

origens

armas

1º senhor

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6º senhor

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8º senhor

9º senhor

10º senhor

descendência

sangue real

representação

análise

bibliografia

 

Duarte de Lemos

5º senhor da Trofa (1576)

DUARTE DE LEMOS, 5º senhor da Trofa, Álvaro, Pampilhosa, Jales e Alfarela, por carta de confirmação de 1.8.1576 do rei D. Sebastião, de quem foi moço fidalgo e do Conselho, e a quem acompanhou a Alcácer-Quibir. Sucedeu ainda como 7º morgado do Calhariz e senhor da honra e torre de Silva e foi senhor das quintãs e torres de Cambra e Stª Mª de Ventosa (Vouzela). Foi também cavaleiro da Ordem de Cristo e nesta Ordem comendador de Cambra. Nasceu cerca de 1540 e faleceu a 11.2.1616 na sua Casa da Trofa, indo a sepultar no panteão da família.

Regressado do desastre africano, foi incansável partidário do prior do Crato, de quem foi fronteiro e capitão-general da comarca de Aveiro (27.8.1580), e principal responsável pela sua aclamação nesta comarca. Duarte de Lemos esteve no Porto com D. António, em 1580, e após a sua derrota procurou manter o espírito de rebeldia entre as populações do Norte para que lutassem contra os espanhóis. O general vitorioso D. Sancho de Ávila escreve ao rei a 4.11.1580 dizendo que Duarte de Lemos andava então no termo de Aveiro "haziendo mill vallacarias" e que no seu solar dera acolhida ao príncipe perseguido.

Ficou célebre por, em 1582, se ter atirado ao rio, a cavalo, da ponte de Coimbra, para nem se cruzar com o rei D. Filipe II, e assim ter de lhe tirar o chapéu, nem recuar. Acrescenta a história que "o cavalo arrebentou mas o fidalgo ficou de pé"... E que o rei terá comentado: "É a raiva de Gois!".

Acabou por ser preso em Lisboa e sentenciado à morte, do que foi perdoado por intervenção da Igreja e da Câmara de Lisboa, sendo então degradado uns anos e vindo falecer à sua Casa da Trofa com cerca de 76 anos de idade. Em 1583 ainda estava preso, conforme refere o infante D. António numa carta que escreveu de Rueil ao papa Gregório XIII. E já estava preso a 10.09.1582, data em que o rei D. Filipe o exclui de um indulto então proclamado.   

Duarte de Lemos casou com D. Maria de Távora, filha de Jorge Garcia Maldonado, fidalgo da Casa Real, feitor de Ormuz, natural  da Régua, que a 7.10.1535 tirou carta de armas para Maldonado, e de sua mulher D. Isabel de Távora, irmã de Martim de Távora (de quem vêm os condes de Campo Belo). Jorge Garcia Maldonado, como se diz na carta de armas (em campo vermelho, cinco flores de lis de ouro em aspa, e por diferença uma estrela de prata; elmo de prata aberto guarnecido de ouro, paquife de ouro e vermelho, e por timbre meia lebre de prata com um colar de ouro ao pescoço), era filho de Gonçalo Garcia Maldonado e neto de João Álvares Maldonado, "do tronco desta geração e fidalgo muito honrado". Sua mulher D. Isabel de Távora (que casou a 2ª vez com João Gomes de Lemos, 4º senhor da Trofa) era filha de Jerónimo de Távora, senhor dos direitos reais de Távora e do solar dos Távora, em Souro Pires, e de sua mulher D. Joana Pinto; e neta paterna de Bernardo Anes do Campo, senhor de Tamame (Zamora), e de sua mulher D. Isabel de Távora, senhora dos direitos reais de Távora e do solar dos Távora, em Souro Pires (Pinhel).

Esta D. Isabel de Távora era filha de Pedro Lourenço de Távora, senhor de juro e herdade de Mogadouro e de S. João da Pesqueira (12.7.1381), senhor de Távora, alcaide-mor de Miranda (1470), etc., e de sua mulher D. Inez de Souza e Alvim, sendo esta neta paterna de Álvaro Gonçalves Camelo, 3º senhor de Baião, e de sua mulher D. Inez de Souza, filha de Martim Afonso de Souza e de sua mulher e prima D. Margarida Gonçalves de Souza, ambos bisnetos do rei D. Afonso III.

Aquele Bernardo Anes do Campo (ou Bernald Eanes ou Bernal Yanes do Campo) diz Alão que era filho de um Garcia do Campo, "fidalgo muito antigo e nobre, que viveu em Samora" e descendente de Bernal Yanes do Campo, "cavaleiro galego da terra de Sant'Iago e que foi o que, de dentro de Samora, avisou a el-Rei D. Sancho que se guardasse de Belhido". Este mais antigo Bernal Yánez do Campo e sua mulher D María viviam a 24.3.1388 quando compraram os bens dos Mariños da Mahía. E ainda vivia a 1.12.1402 quando D. Fadrique, duque de Arjona, comprou em Segóvia os bens que foram dos ditos Mariños. O Libro do Concello de Santiago refere este Bernal Yañez do Campo em 1421, já ele tinha falecido, quando "Rui Sánchez de Moscoso, vasalo do Rei, lembra que o seu tío Bernal Yañez do Campo foi pusuidor dunha táboa do selo do Concello da cidade e que a el como herdeiro do seu tío pertenecíalle agora tela. Acéptao o Concello e tómalle o xuramento do preito homenaxe". Diz o texto: "Luus, dous dias do mes de juyo, este dito dia, estando Ruy Sanches de Moscoso, vasalo de noso señor el rey enno monasteiro de San Payo d’Antealtares da çidade de Santiago e presentes ende Martin Serpe e Gomes Rodriges, alcalles e Martin Galos, Fernan Gonçales do Preguntoiro, Sancho Sanches de Moscoso, Afonso Fernandes Abril e Juan Ares da Cana, regidores, jurados e homes bõos da dita çidade e presentes outrosy a mayor parte da comonidade da dita çidade e en presença de min Fernan Eanes, notario publico de noso señor el Rey Fernan Eanes. notario publico de noso señor el Rey enna sua Corte e en todos los seus regnos e escusador por Ruy Martines, notario publico jurado da dita çidade e dos testemoyas adeante escriptos; enton o dito Rui Sanches, diso que ben sabian os ditos alcalles, regidores, jurados e homes bõos e comonidade da dita çidade en como Bernald Yanes do Canpo, seu tio, fora tedor de hua das tavoas do selo do conçello da dita çidade a qual tavoa logo mostrou, e que el devia de t?er a dita tavoa do dito seelo por lo dito conçello segundo que a tevera o dito Bernald Yanes en cujo lugar el soçedia por seer seu herdeiro e por ende que requiria e requireu aos ditos alcalles jurados e regedores e comonidade que presentes eran que disesen e declarasen se lles prasia de el, o dito Rui Sanches, t?er a dita tavoa segundo que a tevera o dito Bernald Yanes ou de a entregar, e logo os ditos alcalles, jurados, regidores e homes bõos diseron que eles non demandavan nen entendian de demandar ao presente a dita tavoa do dito seelo e a comonidade da dita çidade que presentes eran a hua voz diseron que lles prasia e querian e mandavan e outorgavan que o dito Rui Sanches tevese a dita tavoa do dito seelo, segundo que a tevea o dito Bernald Eanes e que quitavan e quitaron o dito pleito e menaj?e que o dito Bernald Eanes que por ela ouvera feyto e o dito Rui Sanches diso que recebia e recebeu a dita tavoa en seu poder e feso pleito e omenaj?e en mããos de Fernan Ares Xarpa para que tevese e gardase a dita tavoa, segundo que a teveren e gardaran seus antecesores e pedio testimoios para garda do seu dereito. Esto foy enno dito monesteiro, anno, dia e mes sobreditos. Testemoyas que a esto foron presentes: Fernan Ares Xarpa, Pero Eanes Abraldes, Vasco Peres Abril. Juan Ares Chantreiro, Vasco Gomes de Marçoa, Juan Gonçales da Cana e Juan Serpe e Juan Fernandes da Cana, vesiños da dita çidade". Em 1444 Payo Mariño casou com D. María do Campo, irmã de um Bernal Yáñez do Campo, tendo como protector “El Pertiguero Mayor” Ruy Sánches de Moscoso e seu filho Ruy de Moscoso. Portanto, Ruy Sánches de Moscoso foi herdeiro de seu tio, o mais antigo Bernal Yáñez do Campo, já falecido em 1421. Ora, Ruy Sánches de Moscoso era filho de Martim Becerra de Cances e sua mulher D. Urraca Rodrigues do Campo, que pelo patronímico não seria irmã de Bernal Yáñez do Campo, mas já sua sobrinha, sendo portanto Ruy Sánches de Moscoso sobrinho-neto de Bernal Yáñez do Campo. O Bernal Yáñez do Campo referido com sua irmã em 1444 foi o neto sucessor de Ruy Sánches de Moscoso, filho de Rui de Moscoso, também aí referido. Este Bernal Yáñez do Campo, que casou com D. Joana de Luna, faleceu em 1466 sem geração, sucedendo-lhe um sobrinho materno, D. Lope Sanches de Moscoso, 1º conde de Altamira e 1º visconde de Finisterre, falecido em 1500.
O Garcia do Campo de que fala Alão não era nem podia ser desta linha Moscoso/Campo, mas certamente de um ramo colateral do mais antigo Bernal Yáñez do Campo, sendo possivelmente descendente de uma irmã mais nova da antedita D. Urraca Rodrigues do Campo. Finalmente, um João Anes de Campo tirou ordens de epístola em Braga a 19.3.1451, sendo filho de João de Campo, cavaleiro, e sua mulher Petronilla, de S. Jorge de Rema, bispado de Agusta, com licença do seu maior. Quando a 24.4.1451 tirou ordens de evangelho, os pais constam como da cidade de Aosta, paróquia de S. Jorge de Roma, bispado de Augusta.  

De Bernardo Anes do Campo e sua mulher, além de Jerónimo de Távora, foram filhos: 1) António do Campo (de Távora), n. cerca de 1470, cavaleiro fidalgo da Casa de D. João III (CJIII, Privilégios, 2, 112; e CJIII, 52, 175v), que lhe deu carta de privilégio de fidalgo (ib, 3, 127), que esteve com Duarte Pacheco Pereira no combate travado em Cochim, contra o Samorim de Calecut, foi com Afonso de Albuquerque e Pedro de Ataíde a Coulão, carregar as embarcações de pimenta, regressou a Portugal a 13.7.1504, foi capitão de uma das naus da armada da Índia de 1506, esteve com Afonso de Albuquerque em Socotorá e depois a Ormuz, em Setembro de 1508, sob o comando de Pedro Barreto de Magalhães, patrulhou a costa de Calecut e Baticalá, participou na batalha de Diu, a 12 de Dezembro desse ano, e morreu com o vice-rei, no regresso a Portugal, na aguada do Saldanha; e 2) Manuel do Campo, que era morador da Casa d’el rei quando em 1505 embarcou na armada do 1º vice-rei da Índia D. Francisco de Almeida (ECI, p. 8), onde terá falecido solteiro. António do Campo sucedeu no senhorio de Tamane, em Zamora, tendo casado com D. Ana da Silva, filha de Pedro Borges, senhor do couto de Jou (Valpaços) e da quinta da Veiga de Lila (Chaves), prazos do mosteiro de Refoios de Basto, e de sua mulher (casados cerca de 1489) Filipa de Souza. Daquele António do Campo e sua mulher foi filho sucessor D. Alonso de Távora, nascido em Zamora, clérigo e senhor de Tamame, a quem seu tio materno Luiz Gonçalves de Menezes nomeou seu sucessor, nomeadamente na quinta de Jou. Deste D. Alonso era irmã D. Isabel de Távora, que casou com D. Alonso de Miranda, fidalgo de Burgos, e deles foi filho sucessor D. António de Miranda y Távora, que sucedeu a seu tio no senhorio de Tamame e na quinta do couto de Jou, deixando esta quinta, por sua morte, a Pedro Lopes de Azevedo.

FILHOS DO 5º SENHOR DA TROFA

  • João Gomes de Lemos, comendador de Cambra e Stª Maria de Ventosa, teve ainda uma das comendas de Tanger, onde serviu com D. Duarte de Menezes. Esteve com D. Sebastião em Alcácer Quibir, onde ficou cativo, sendo remido. Faleceu antes de seu pai, a 26.5.1615, em S. Miguel de Aveiro, com testamento, deixando viúva D. Tereza. Casou com D. Tereza de Andrade, filha de Miguel de Cabedo e sua mulher D. Leonor de Vasconcellos. S.g.
  • Jerónimo de Távora, que morreu na Índia, solteiro, s.g.
  • Diogo Gomes de Lemos, que segue.
  • Fernão Gomes de Lemos, que foi para a Índia na armada de 1608, do vice-rei conde da Feira, e faleceu na viagem, solteiro. Alão diz que teve um filho natural, Diogo Gomes de Lemos, que serviu na Índia, onde casou.
  • D. Madalena da Silva, freira em Arouca.
  • D. Mafalda de Mello, freira em Arouca.
  • D. Catarina da Silva, freira em Arouca.
  • D. Bernarda de Távora, freira em Arouca.
  • D. Paula de Azevedo, freira em Arouca.
  • D. Luiza de Mello, freira em Arouca.
  • D. Maria de Távora, que faleceu solteira.
  • Álvaro Gomes de Lemos, que dizem as genealogias ter vivido entrevado em casa de seu irmão Diogo. Contudo, aparece várias vezes como padrinho na Trofa, onde fal. a 17.9.1645. Dizem também que teve uma filha natural, D. Isabel de Lemos, que casou em Lafões com André de Almeida Borges, "o Tope", s.g.