regresso à bibliografia

 Manuel Abranches de Soveral

 

 

 

«Ascendências Visienses  Ensaio genealógico sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVII»

Porto 2004  .   2 volumes

«Soares, Melos, Amarais, Cardosos,

Casteisbrancos, Almeidas e Loureiros,

Costas, Homens, Abreus, Serpes, Ribeiros,

Carvalhos, Queiroz, Lemos e Viçosos;

Vasconcellos e Pereiras generosos,

Bulhões, Campos, Soverais e Monteiros,

Veigas, Morais, Mirandas verdadeiros,

Albuquerques, Leitões, Mesquitas e Barrosos;

Pais, Rebelos, Machados e Figueiredos,

Gusmões, Alvelos, Barros e Botelhos,

Nápoles, Sousas, Lopes e Silveiras,

Pachecos, Andrades, Cunhas e Azevedos,

com Gouveias, Moreiras, bons Coelhos,

São de Viseu as gerações primeiras!»

(Soneto transcrito nas «Memórias dos Bispos de Viseu» do Padre Leonardo de Sousa)

Errata e aditamentos última actualização: 19.6.2014

vol.

pag.

linha

onde se lê

deve lêr-se

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462

262

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Para a ascendência de D. Vasco Ermiges de Cardoso, bem assim como para ver a origem comum dos Cardoso, Matos e Amaral, ver o meu estudo Os Ribadouro. Proposta de reconstituição genealógica (http://www.soveral.info/mas/Ribadouro - origens.htm)

I

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Beatriz Saraiva, casada com Fernão Cardoso, de facto devia ser irmã de Afonso Saraiva, como também digo, mas não filha de Lopo Cardoso e Beatriz Saraiva, como vai proposto. Com efeito, tal como Afonso Saraiva, Beatriz Saraiva seria filha de Vicente Fernandes Saraiva, referido adiante, que também refiro na pag. 299 do II Volume, como avô da Isabel Saraiva casada como Diogo de Albuquerque.
Os Saraiva são uma família que surge no início do séc. XV em Trancoso, não se sabendo a origem anterior. Algumas genealogias dizem que vieram de Castela, mas isso não quer dizer nada, pois é o que invariavelmente costumam dizer quando não sabem a origem... Devem todos descender de um virtual Fernão Saraiva, pai de Vicente (ou Vasco) Fernandes Saraiva e seus irmãos, que terá vivido em Trancoso e nascido cerca de 1365/70. Alão refere, solto, um Fernão Vaz Saraiva, morador em Trancoso, que diz ter vivido no reinado de D. Manuel I. Não sei onde foi buscar a informação, nomeadamente sobre a sua cronologia. Mas se esta cronologia está errada, e viveu no reinado de D. João I, pode tratar-se do mesmo Fernão.
É possível que tenham origem em cavaleiros acontiados e homens-bons, tendo este virtual Fernão Saraiva crescido de estatuto no apoio ao mestre de Avis. Tanto mais que a 14.2.1442 D. Afonso V privilegiou um Afonso Anes Saraiva, besteiro do conto, a pedido de João Rodrigues [Peegados], isentando-o de ser apurado para ir para Ceuta. O que significa que o nome já existia (se bem que pudessem ser famílias distintas) e que pelo menos este Afonso Anes não era nobre. Documentando-se também que um Vasco Anes Saraiva, morador no Porto, porventura irmão deste Afonso Anes, esteve em Alfarrobeira pelo infante D. Pedro, pelo que perdeu os seus bens, juntamente com Fernando Álvares da Maia, Álvaro Vaz, genro do "barba meia" (João Álvares Barba Meia, morador no Porto), e Gonçalo Anes do Mu.
Deste virtual Fernão Saraiva devem ser filhos: 1) Pedro Saraiva (referido na pág. 30 do I Volume, como marido de Aldonça Cardoso), que segue; 2) Vicente Fernandes Saraiva (referido na pag. 299 do II Volume, como avô de Isabel Saraiva casada como Diogo de Albuquerque), que segue; 3) Nuno Fernandes Saraiva, que segue; e 4) a antedita Beatriz Saraiva, casada com Lopo Cardoso, todos moradores em Trancoso.
1) Pedro Saraiva, o mais velho, nascido mais cerca de 1398 (e não 93, como proponho), casado com Aldonça Cardoso, foi escudeiro do bispo de Évora, escrivão dos órfãos e das sisas e tabelião do público e notas de Trancoso, como refiro. Com efeito, a 16.1.1440 D. Afonso V nomeou Pedro Saraiva, escudeiro do bispo de Évora, do seu Conselho, e a seu pedido, para o cargo de escrivão das sisas régias gerais e da feira da vila de Trancoso, em substituição de Fernando Afonso, que fora destituído por ter sido acusado de assassínio. Sobre seu filho Gonçalo Saraiva, além do que refiro, posso acrescentar que a 30.9.1483 D. João II o confirmou como escrivão dos órfãos e tabelião de Trancoso, bem como escrivão das sisas (neste documento consta como Gonçalo Pires Saraiva). E que a 28.3.1491 o nomeou alcaide das sacas de Noudar e a 7 do mês seguinte contador dos gados do mesmo lugar. Sobre o filho Álvaro Saraiva, posso acrescentar que a 1.3.1475 D. Afonso V privilegiou Álvaro Saraiva, abade de S. Jorge da vila de Trancoso, concedendo-lhe licença para ter uma casa que comprara na dita vila; que a 18.5.1487 D. João II o autorizou a comprar bens de raiz; que a 21.10.1512 Diogo Gomes de Andrade, beneficiado no bispado de Coimbra, teve confirmação da permuta do seu benefício pela igreja de S. Pedro na vila de Trancoso, em substituição de Álvaro Saraiva, seu abade, que a permutou pelo benefício no bispado de Coimbra; e que a 5.6.1486 teve legitimadas por carta real duas filhas (Isabel e Catarina), havidas em Beatriz Afonso, mulher solteira, moradora em Trancoso, que a 16.7.1498 teve carta de perdão, a seu pedido, por afeição carnal com Álvaro Saraiva, abade de São João, morador na dita vila, tendo pago 2.000 reais para a Piedade.
2) Vicente Fernandes Saraiva, casado com Leonor Vaz da Fonseca, que Gaio diz que era Vasco e não Vicente, nascido cerca de 1400. Além do abade Pedro Saraiva da Fonseca, que refiro (pag. 299 do II Volume), foram pais de Afonso Saraiva, nascido cerca de1429; Isabel Fernandes Saraiva; Leonor Vaz da Fonseca e, ao que proponho, da Beatriz Saraiva que casou com Fernão Cardoso, como ficou dito. Conforme refiro, a 25.10.1475 D. Afonso V doou vitaliciamente em sesmaria a Afonso Saraiva e a Fernão Cardoso, escudeiros da sua Casa, certas terras na vila de Trancoso e seu termo. Acrescento agora que a 29.3.1480 o mesmo rei perdoou a Afonso Saraiva, morador em Trancoso, qualquer pena em que tenha incorrido por ter passado gado e outras coisas defesas para Castela, sem licença régia. Gaio diz que este Afonso Saraiva casou com Berenguela Dias da Fonseca, filha de Ozorio Dias, senhor de Figueiró da Granja, e sua mulher Beatriz da Fonseca, embora Luiz de Mello Vaz de São-Payo apenas dê aquela Berenguela casada com Martim Ferreira. Mas o seu casamento com Afonso Saraiva é possível do ponto de vista cronológico e social (eram primos-direitos). E Gaio diz que deste casamento nasceu, entre outros, o Vasco Saraiva, senhor do reguengo de Trancoso, que refiro na pág. , Vasco Saraiva que eu, seguindo Alão, não filiei. Aquela Leonor Vaz da Fonseca (que Alão erradamente chama Leonor Ozorio da Fonseca, mas não tinha Ozorio na ascendência) casou com seu primo-direito Lourenço Saraiva, referido adiante. Sua irmã Isabel Fernandes Saraiva casou com Antão Vaz, escrivão dos contos régios da cidade da Guarda, e foram pais de João da Fonseca, capitão donatário das ilhas das Flores, Corvo e Stº Antão, casado com Margarida de Alcáçova, e de Antão Saraiva. A 18.12.1471 D. Afonso V nomeou Antão Saraiva, filho de Antão Vasques, para o cargo de escrivão dos contos régios da cidade da Guarda, em substituição de seu pai, ficando este vitaliciamente com o mantimento que usufruía (carta de renúncia de 2.12.1471). A 20.12.1471 privilegiou Antão Saraiva, escudeiro, escrivão dos contos régios na cidade da Guarda, concedendo-lhe licença para pôr sinal público nas escrituras e causas. A 23.7.1482 D. João II confirmou-o como escrivão dos contos da Guarda, autorizando-o para fazer sinal público. A 30.3.1496 Antão Saraiva, escudeiro do rei, morador na Guarda, foi confirmado por D. Manuel I no ofício de escrivão dos contos nessa comarca e almoxarifado. A 13.11.1497 Leonel Henriques, morador na Guarda, teve confirmação do aforamento em três vidas dumas casas na rua Nova que foi judiaria da cidade, pagando de foro anual 3 reais de prata de 114 reais o marco. Apresenta incluso instrumento de aforamento feito por Gomes de Paiva, porteiro dos contos da cidade, na Guarda, a 27.10.1497, em que Antão Saraiva, escrivão dos contos reais da cidade, que tem o cargo de contador no lugar de Fernão Velho, aforou umas casas d'el rei na Rua Nova e paga de foro 126 reais. Alão diz que Antão Saraiva foi pai, entre outros, de um João Saraiva que casou na Madeira. Que deve ser o João Saraiva, nosso moço de câmara, que a 17.3.1503 D. Manuel I nomeou escrivão dos almoxarifados e da alfândega da ilha da Madeira, na parte do Funchal.
3) Nuno Fernandes Saraiva, que Alão diz irmão de Vicente, sem o nomear. Contudo, os seus editores dizem que se devia chamar Nuno Fernandes e ser também o pai da Branca Saraiva que casou com Nicolau de Carvalho e foram pais do doutor António Saraiva de Carvalho casado no Porto em 1538 com Maria Carneiro. Foi pai do antedito Lourenço Saraiva casado com sua prima-direita Leonor Vaz da Fonseca, c.g.

I

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e

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42

e

seg.

Rui Gonçalves de Sequeira deve ser o Rui Gonçalves, escudeiro, morador em Tarouca, que a 13.9.1453 D.Afonso V nomeou para o cargo de juíz das sisas desse lugar e seu termo, em substituição de Rui Vasques, que morrera. E o Rui Gonçalves, vassalo, morador em Tarouca, a quem a 14.3.1466 D. Afonso V concedeu carta de privilégio para todos os seus mordomos e apaniguados na comarca da Beira. A 1.2.1455 D. Afonso V nomeou Fernando Afonso, criado de Rui Gonçalves, escudeiro da sua Casa, morador na vila de Tarouca, para o cargo de escrivão dos pedidos e das coisas que a elas pertencerem, na comarca de Tarouca, em substituição de Heitor Rodrigues, que morrera. Mas não pode ser o homónimo que Gaio diz filho de Gonçalo de Sequeira, tesoureiro da Casa de Ceuta, e de sua mulher Beatriz (na verdade Guiomar) de Souza, pois este é demasiado tardio. Na verdade, a 12.2.1462 D. Afonso V legitimou Guiomar de Souza, mulher de Rui de Sequeira, fidalgo da sua Casa, filha de Gonçalo Rodrigues de Souza, do seu Conselho e capitão-mor dos ginetes, e de Catarina de Casada, mulher solteira, a pedido de seu pai.
Quanto a Gonçalo Monteiro, genro de Rui Gonçalves, nas cartas de armas dos netos verm como morador em Arouca, como ficou dito. É, portanto, o Gonçalo Monteiro, morador em Tarouca, a quem a 25.3.1454 D. Afonso V privilegiou, concedendo-lhe licença para que possa andar de besta muar de sela e freio. Seria então recém-casado, tendo nascido cerca de 1429. Pelo que ainda pode ser o Gonçalo Monteiro que era tabelião de Tarouca a 12.2.1500, data em que fez um instrumento de perdão que Martim Afonso, morador em Quintela, termo de Tarouca, concedeu a Estêvão Gonçalves, também aí morador.

São vários os homónimos que na mesma cronologia se documentam:

A 28.9.1450 D. Afonso V doou a Gonçalo Monteiro, almoxarife da cidade da Guarda, todos os bens móveis e de raiz que pertenceram a Nuno Álvares, sequiteiro do infante D. Pedro, que os perdeu por ter estado na batalha de Alfarrobeira ao lado do dito infante.

A 12.5.1451 D. Afonso V fez quitação a Gonçalo Monteiro, almoxarife da cidade da Guarda, de 1.104.218 reais brancos das rendas, direitos e pedidos do ano de 1449.

A 30.5.1453 D. Afonso V fez quitação a Gonçalo Monteiro, reposteiro régio das infantas, de toda a prata, panos de ouro, seda, entre outras coisas, que recebera das ditas infantas enquanto exercera o cargo.

A 6.2.1462 D. Afonso V nomeou Fernão Lopes, escudeiro de D. Fernando, e a seu pedido, para almoxarife das rendas régias e direitos do almoxarifado da Guarda, da sisa régia dos panos que chegavam de Castela, em substituição de Gonçalo Monteiro, pai de João Monteiro, que renunciara.

19.10.1463 D. Afonso V privilegia Afonso Lourenço, oleiro, morador na cidade de Lisboa, a pedido de Gonçalo Monteiro, escudeiro da sua Casa, escrivão do quarto dos ingleses, isentando-o do pagamento de diversos impostos e encargos ao concelho, de ser posto por besteiro do conto, bem como do direito de pousada.

A 26.6.1472 D. Afonso V privilegiou João Dias, sapateiro, morador na cidade de Lisboa, a pedido de Gonçalo Monteiro, escudeiro da sua Casa, escrivão da sisa do quarto dos ingleses na dita cidade, isentando-o dos serviços, encargos, ofícios e do pagamento de diversos impostos ao concelho, de ir com presos e dinheiros, de ser tutor e curador, de ser posto por besteiro do conto, de ser acontiado, de comparecer no alardo, bem como do direito de pousada.

A 30.5.1475 D. Afonso V perdoou a justiça régia e concedeu carta de segurança a Gonçalo Monteiro, morador na vila de Castelo Rodrigo, juiz que foi na dita vila, a fuga da prisão da vila de Pinhel, tendo pago 700 reais para a arca da Piedade, contanto que se livre de direito do que fora acusado.

Uma carreira que passa de Tarouca à Guarda, depois a Lisboa, daí a Castelo Rodrigo, e depois de volta a Tarouca, é demasiado movimentada. Tudo indica, portanto, que coexistiram pelo menos três homónimos. O Gonçalo Monteiro, almoxarife da Guarda, é assim indivíduo distinto, e este é que foi pai da Catarina Monteiro casada com João de Matos, referida na pág. 33. Bem assim como do Álvaro Monteiro que foi coudel da Guarda, que ponho, mal, a hipótese de ser o homónimo filho do Gonçalo Monteiro de Tarouca, que foi tabelião do Porto, também referido na pág. 33.
Aliás, também coexistiram vários homónimos deste nome. Além do Álvaro Monteiro que foi tabelião do Porto, temos o antedito Álvaro Monteiro quefoi coudel da Guarda de 1472 até 20.2.1475 (data em que lhe sucedeu Afonso Tavares). Este Álvaro Monteiro, que era então escudeiro do conde de Monsanto, foi a 10.1.1475 nomeado para o cargo de recebedor da sisa régia das távolas do haver do peso da cidade de Lisboa, em substituição de Lopo Afonso, que renunciara. Outro foi reposteiro régio: a 6.3.1468 D. Afonso V privilegiou Pedro Afonso, acontiado em besta de polé, morador em S. Pedro de Rio Seco, termo da vila de Castelo Bom, a pedido de Álvaro Monteiro, resposteiro régio, concedendo-lhe aposentação sem ter atingido a idade de 70 anos. Um outro Álvaro Monteiro, escudeiro da Casa Real, a 7.4.1468 foi nomeado r[ecebed]or do porto de Almeida, em substituição de Diogo Afonso, escudeiro da Casa Real, que renunciara. E um outro Álvaro Monteiro, moço do monte (monteiro) da Casa Real, a 2.6.1481 foi nomeado tabelião do cível e crime de Pinhel, cargo para que foi confirmado a 10.4.1483. Este último julgo que foi pai do cónego da Sé de Coimbra Gonçalo Monteiro, que teve vários filhos legitimados por D. Manuel I. Quanto ao Álvaro Monteiro coudel da Guarda, certamente filho do Gonçalo Monteiro almoxarife da Guarda (e de uma Figueiredo, da Guarda), julgo que era cunhado de Afonso Tavares, que lhe sucedeu como coudel, Afonso Tavares este (referido na pag. 34 como pai de Tristão Tavares) cuja mulher se desconhece. Assim, O Gonçalo Monteiro almoxarife da Guarda seria filho do Gonçalo Monteiro tabelião de Lamego, falecido em 1441, e este irmão de Lopo Martins Monteiro.
Gonçalo Monteiro, de Tarouca, dizem as cartas de armas dos netos que era filho de Lopo Martins Monteiro, «fidalgo muito honrado», do verdadeiro tronco desta linhagem. Gaio diz que viveu no Porto no tempo de D.Duarte e D. Afonso V, «como consta de um Padrão que diz viu Manuel de Sousa da Silva». Na carta de armas de José Anacleto Pereira da Silva (20.12.1738) diz-se que Lopo Martins Monteiro era filho de Martim Afonso Monteiro, que foi vereador do Senado da Câmara do Porto em 1425, neto de Afonso Nunes Monteiro, também morador no Porto (que se documenta apenas como Afonso Monteiro na legitimação do filho Rodrigo Afonso a 8.12.1390), bisneto de Nuno Martins Monteiro e trineto do Martim Pais Monteiro de que fala o conde D. Pedro. Este Martim Pais era irmão de Gonçalo Pais Monteiro, cónego da Sé de Lamego e abade de Sandim, que teve um filho João Monteiro, legitimado por carta real de D. Dinis (CDinisI, 3, 143v). Numa carta de D. Pedro I (CPI, 1, 136) refere-se um João Monteiro, alcaide-mor de Sabugal no reinado de D. Afonso IV, que é certamente este.
De Nuno Martins Monteiro foi filho Gonçalo Martins Monteiro. A 21.10.1384 D. João I fez doação para sempre a Gonçalo Martins Monteiro, parente de Gonçalo Vasques Coutinho, e a todos os seus herdeiros e sucessores, de todos os bens móvies e de raiz que tinham Paio Rodrigues, de Mesão Frio, Gil Martins, abade de Valadares, e seus filhos, e João Monteiro, de Sedellas (sic, deve ser Sedielos, então termo de Mesão Frio), escudeiro de João Rodrigues de Portocarreiro, que os perderam por estarem em deserviço. Gonçalo Martins Monteiro era parente de Gonçalo Vasques Coutinho porque este era trineto de Tereza Anes de Leomil (e seu 2º marido Rui Mendas da Fonseca) e Gonçalo Martins era bisneto da mesma (e de seu 1º marido Lopo Monteiro). O referido O referido João Monteiro, de Sedielos, pode ser seu filho deste nome, que veio a ser Dom prior do mosteiro de Folques. De Fernão Monteiro, filho do antedito Gonçalo Martins Monteiro, foi filha Beatriz Monteiro, que casou com Álvaro Ozorio da Fonseca. senhor de Figueiró da Granja.
Como disse, julgo que Lopo Martins Monteiro era irmão do Gonçalo Monteiro que era escrivão do almoxarifado da cidade de Lamego quando a 14.12.1439 teve carta real para sinal público e faleceu em 1441, ano em que, por sua morte, foi substituído no cargo por Rui Lopes, escudeiro do infante D. Pedro. E irmão, ainda, de um João Martins Monteiro que foi tabelião do cível e crime da vila de Almeida. Com efeito, a 25.3.1454 D. Afonso V nomeou João Monteiro para o cargo de tabelião do cível e crime da vila de Almeida, em substituição de João Martins Monteiro, seu pai, que morrera. Este João Monteiro a 10.4.1439 foi confirmado no cargo de escrivão dos órfãos de Castelo Rodrigo, para que fora nomeado a 7.1.1434. Mas faleceu pouco depois. A 24.10.1456 D. Afonso V confirmou a nomeação de João Gomes, escudeiro, vassalo régio, morador em Castelo Rodrigo, para o cargo de juiz dos órfãos na dita vila, em substituição de João Monteiro, que morrera. E a 22.11.1456 nomeou João Gomes de Figueiredo, morador em Castelo Rodrigo, para o cargo de juiz das sisas régias da dita vila, em substituição de João Monteiro, que morrera. Deste João Monteiro deve ser filho o Álvaro Monteiro, escudeiro da Casa Real, que a 7.4.1468 foi nomeado r[ecebed]or do porto de Almeida, em substituição de Diogo Afonso, escudeiro da Casa Real, que renunciara. Bem como um Gonçalo Monteiro que foi juiz em Castelo Rodrigo. A 30.5.1475 D. Afonso V perdoou a justiça régia e concedeu carta de segurança a Gonçalo Monteiro, morador na vila de Castelo Rodrigo, juiz que foi na dita vila, pela fuga da prisão da vila de Pinhel, tendo pago 700 reais para a Arca da Piedade, contanto que se livrasse de direito do que fora acusado
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Finalmente, resta dizer que aos filhos de Gonçalo Monteiro, de Tarouca, faltou referir Rui Monteiro, que vem referido como «homem fidalgo» na carta de armas do filho. É o Rui Monteiro, escudeiro, morador na vila de Bertiande (Lamego), que a 9.2.1518 foi nomeado novamente recebedor das sisas da vila de Tarouca, com o mantimento anual do que as rendas renderem à razão de 60 reais o milheiro até quantia de 3.000 reais, à custa dos rendeiros, quando as rendas forem arrendadas e, quando não, à custa da coroa. Casou com Leonor de Alvarenga e tiveram muitos filhos, entre eles António Monteiro, que a 30.12.1540, sendo referido como morador em Vila Maior, concelho de Baião, tirou carta de armas para Monteiro, com uma flor de lis verde por diferença. Além dos pais, é referido como neto de Gonçalo Monteiro, fidalgo muito honrado, e bisneto de Lopo Martins Monteiro, do verdadeiro tronco desta linhagem. Foi ainda pai de João Rodrigues Monteiro, que foi casar a Viseu com senhora cujo nome ainda não foi possível apurar, sendo pai de Francisco Monteiro de Vasconcellos, referido na pág. 126 do Vol. II, como sogro de D. Helena de Mello e Abreu.
Quanto a Álvaro Monteiro, filho de Gonçalo Monteiro, de Tarouca, a 1ª mulher foi Isabel (não Maria) Moutinho e a 2ª é que foi Filipa de Almeida. Do 1º casamento, teve o Álvaro Monteiro que indico, que foi tabelião do Porto por carta de D. João III (CJIII, 25, 71), e ainda Maria Moutinho. Do 2º casamento, para além da Catarina de Almeida que indico, teve Gonçalo Monteiro, que casou com Joana de Montarroyo, e foram pais de Fernão Monteiro, que foi sucessivamente tabelião da Esgueira, tabelião, escrivão dos órfãos e recebedor das sisas de Ançã e finalmente tabelião de Abrantes, e Cristóvão de Montarroyo, fidalgo da Casa de D. João III, alcaide-mor e provedor dos defuntos de Ormuz, capitão de navio do trato de Sofala, etc., que casou com sua prima Francisca Lopes de Montarroyo e foram pais do Dr. Fernão Monteiro de Montarroyo que refiro na pág. 48 do Vol II como marido de Eugénia Alcoforado Girão. Ao contrário do que aí digo, seu tio o abade Dr. Francisco Lopes não era irmão ou meio-irmão de seu pai, mas sim irmão de sua mãe, a referida Francisca Lopes de Montarroyo.
Sobre Gonçalo Monteiro e parte da sua descendência vide também o meu Ensaio sobre a origem dos Proença.

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35

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Como a numeração indica, Simão Tavares e seus irmãos Fernão e Tristão são filhos de Leonor Monteiro de Carvalho, pelo que falta o respectivo recuo do texto para a direita. Sobre estes vide o meu Ensaio sobre a origem dos Proença.

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Manuel Homem Carvalho Mem Homem Carvalho

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2.3.2.2. Diogo Rodrigues Cardoso, que segue em CARDOSO 3

 

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Silvarinho talvez seja Silvarinhos, hoje na freguesia de Cavernães.

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13

em COSTA 1

em COSTA

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Proponho no livro Martim Anes Cardoso como filho de João Vaz do Amaral ou de seu alegado irmão bastardo João Vaz. Como aí digo, Martim Anes Cardoso é referido na carta de armas de 24.9.1539 para Almeida e Cardoso de seu bisneto Baltazar de Almeida Cardoso. Aí se diz que Baltazar de Almeida Cardoso, fidalgo da Casa Real, natural de Viseu, era filho natural de João de Almeida Cardoso, neto de Antão Martins Cardoso e de Aldonça de Almeida, bisneto de Martim Anes Cardoso, que foi fidalgo muito honrado e do tronco da geração dos Cardoso, bem assim a dita Aldonça de Almeida era filha de Pedro de Almeida, que também foi fidalgo e do tronco dos Almeida.
Como também aí digo, Alão distingue dois João Vaz do Amaral, um filho legítimo e outro filho bastardo de Vasco Paes Cardoso. Mas um bastardo de Vasco Paes não podia ser Amaral. Alão diz que o bastardo foi amo do conde de Barcelos. Se na verdade existiram dois João Vaz, um legítimo e um bastardo, o legítimo é certamente, como também aí digo, o João Vaz do Amaral morador nos Coutos quando a 7.2.1453 foi nomeado por D. Afonso V para o cargo de escrivão da Coudelaria da cidade de Viseu e seu termo. Este casou com Genebra Mendes de Vasconcellos.
O bastardo, se existiu, só se chamou João Vaz/Vasques, com ou sem Cardoso, pois não era Amaral, uma vez que este nome vem pela mulher de Vasco Paes Cardoso.
Martim Anes Cardoso é dado como natural de Lamego nas fontes açorianas e referido como tendo tido a alcunha de “o pequenino”. Martim Anes Cardoso teria assim nascido cerca de 1437 em Lamego.
Além do antedito Antão Martins Cardoso, Martim Anes é dado nas fontes açorianas como pai de Inez Martins Cardoso (mulher do primeiro capitão da Praia Álvaro Martins Homem) e de Henrique Cardoso.
Dizem as fontes açorianas que o primeiro capitão da Praia Álvaro Martins Homem foi para Terceira já casado com Inez Martins Cardoso, e que seu cunhado Henrique Cardoso o acompanhou, casando aí com Beatriz Afonso Homem (sobrinha do dito Álvaro Martins Homem), sendo pais de Nuno Cardoso.
Henrique Cardoso deve ser o homónimo que em 1501 se documenta tabelião e escrivão dos órfãos da vila da Praia.
Nuno Cardoso documenta-se bem: a 20.4.1501, sendo morador na Terceira, teve perdão real pela morte de um seu escravo, que fugira. Casou com Isabel Rodrigues Evangelho e a 10.10.1531 faleceu seu filho Henrique Homem, ainda menor. Nuno Cardoso fez testamento em 1518, sendo então todos os seus filhos menores de idade.
Assim, Nuno Cardoso terá nascido cerca de 1480. Seu pai Henrique Cardoso terá nascido cerca de 1458, sendo portanto tabelião e escrivão dos órfãos da Praia em 1501.
O que aponta o nascimento de Martim Anes Cardoso para cerca de 1437, tendo também em conta que seu bisneto teve carta de armas em 1539.
Assim, seu pai João Vaz (ou Vasques) teria nascido cerca de 1415.
Este João Vaz bastardo, se existiu, era certamente mais novo do que o meio-irmão João Vaz do Amaral. Se este nasceu cerca de 1405, como proponho, o bastardo podia bem ter nascido cerca de 1415. O pai, Vasco Paes Cardoso nasceu cerca de 1366 e ainda se documenta vivo em 1441, teria então cerca de 75 anos.
João Vaz, o bastardo, corresponde certamente ao João Vaz Cardoso que Alão dá como filho de Luiz Vaz Cardoso (que na verdade seria seu meio-irmão mais velho) e casado com uma Maria Nunes de Faria, filha de um Duarte Nunes de Faria, que não entronca, e que Gaio identifica mal com um Duarte de Faria, bem posterior (vide o meu “Ensaio sobre a origem dos Faria”).
Diz Alão que João Vaz Cardoso e Maria Nunes foram pais de Duarte Nunes Cardoso, casado com Antónia Carneiro, irmã do secretário António Carneiro, dos quais foram filhos Cristóvão Nunes Carneiro e Francisca Carneiro casada com João ou Simão de Faria, físico-mor de D. Manuel I. Na verdade, o físico-mor deste rei não se chamou nem João nem Simão, mas sim Doutor Diogo de Faria, como digo na nota final do antedito “Ensaio sobre a origem dos Faria”. Estes Faria eram judeus e não descendiam da linhagem.
Diz também que João Vaz Cardoso foi pajem ou servidor da toalha de D. Manuel I, mas não o encontrei como tal. Concomitantemente, diz que João Vaz, o bastardo de Vasco Paes Cardoso, foi amo do conde de Barcelos, coisa que também não encontrei. Mas nem uma coisa nem outra são cronologicamente aceitáveis.
Julgo, portanto, que o bastardo João Vaz (erradamente dito do Amaral por Alão) e João Vaz Cardoso são a mesma pessoa. João Vaz (Vasques), o bastardo de Vasco Paes Cardoso, muito provavelmente não usou Cardoso mas apenas o prenome e patronímico, tanto mais que não se documenta nenhum João Vaz/Vasques Cardoso.
Seu filho Martim Anes talvez tenha recuperado o Cardoso do avô, se bem que também não se documente nenhum Martim Anes Cardoso. Provavelmente só os filhos deste Martim recuperaram o nome.
Seu outro filho Duarte Nunes também não deve ter usado Cardoso, pois o filho deste Duarte também não o usou. Com efeito, este filho, a quem Alão chama Cristóvão Nunes Carneiro, já o documento: trata-se do Cristóvão Nunes, “sobrinho do Secretário”, que consta na lista dos moços da câmara da Casa de D. João III com 406 reais de moradia. E que julgo tratar-se do Cristóvão Nunes que foi escrivão da Chancelaria dos Contos de Lisboa (CJIII, 42, 115).
Para casar com uma irmã do secretário António Carneiro, aquele Duarte Nunes devia estar também ligado à administração real. Pelo que julgo tratar-se do Duarte Nunes, besteiro de cavalo de D. João II, que a 28.2.1496 D. Manuel I confirmou no ofício de escrivão da Chancelaria dos Contos de Lisboa, assim e pela maneira que até aí fora por carta de D. João II.
Cristóvão Nunes teria assim sucedido no cargo a seu pai Duarte Nunes. Cargo que já viria do avô, pois julgo que o bastardo João Vasques é o João Vasques, escudeiro, criado da rainha D. Isabel, que a 27.11.1452 teve justamente o cargo de escrivão da Chancelaria dos Contos de Lisboa. E portanto o João Vasques, escudeiro, criado da rainha D. Isabel, que a 30.5.1456 teve carta de privilégio, por ser vassalo régio, para todos os seus caseiros, apaniguados e mordomos.
O bastardo João Vasques pode bem ter nascido em Lamego, pois Vasco Paes Cardoso, que viveu em Viseu, foi senhor da honra de Cardoso, em S. Martinho de Mouros, que é próximo de Lamego.
Martim Anes Cardoso, se era seu filho, pode assim ter nascido em Lamego cerca de 1437, indo pequeno com seu pai para Lisboa.
Portanto, o bastardo João Vasques, podendo ter nascido em Lamego, cedo foi para Lisboa, como criado da rainha D. Isabel. E se seu filho Duarte Nunes lhe sucedeu no cargo de escrivão da Chancelaria dos Contos de Lisboa, já se entende bem o casamento deste Duarte com uma irmã do secretário António Carneiro, como já referi.
O bastardo João Vasques teve assim pelo menos dois filhos: Martim Anes (Cardoso), que usou patronímico certo (Anes = filho de João); e Duarte Nunes, que é óbvio que teve o prenome e patronímico do avô materno, coisa que nesta cronologia já acontece. O que significa que Maria Nunes era filha de um Duarte Nunes, como diz Alão, embora lhe acrescente Faria, que certamente não era. Aliás, Gaio também o refere uma vez como Duarte Nunes de Faria, de Besteiros. Ora Besteiros é junto à cidade de Viseu.
O bastardo João Vasques pode, na verdade, ter casado duas vezes, tendo do 1º matrimónio o Martim Anes e do 2º (com Maria Nunes) o Duarte Nunes. Mas se só casou uma vez, não havendo motivo para pensar que casou duas, o pai de Maria Nunes, que certamente se chamou Duarte Nunes, não pode ter nascido depois de 1400, sendo provavelmente de Besteiros (Viseu). Se foi Faria, este Duarte Nunes só podia ser filho (natural) ou neto materno do celebrado Gonçalo Nunes de Faria, que se fez clérigo e era já abade de Santa Ovaia de Rio Covo quando teve legitimados por cartas reais de 1386 e 1388 os filhos Pedro, Fernão e Nuno e a filha Violante Nunes. Mas, como não foi legitimado, não deve ser filho, podendo quando muito ser neto, filho da antedita Violante Nunes, nascida cerca de 1386 (vide o meu antedito "Ensaio sobre a origem dos Faria").

Portanto, se Maria Nunes nasceu em Viseu ou Besteiros, o bastardo João Vasques terá aí casado, regressando à terra natal Lamego, onde teve os filhos, voltando depois a Lisboa, onde em 1452, com cerca de 37 anos, foi escrivão dos Contos.
Alão não dá ao bastardo João Vasques os filhos Martim Anes e Duarte Nunes, dando este último como filho de um João Vaz Cardoso alegadamente neto de Vasco Paes Cardoso. Mas dá ao bastardo João Vasques um filho Pedro Vaz do Amaral e uma filha Leonor Vaz do Amaral. Como ficou dito, pelo uso do nome Amaral estes só podiam ser filhos do legítimo João Vaz do Amaral.

I

69

1

Ana Rodrigues (Botelho) faleceu cerca de 1522. A 3.3.1523 Francisco Paes declara que recebera, como tutor dos órfãos filhos que ficaram de Ana Rodrigues, mulher que fora do licenciado Pedro Lopes Cardoso, 6.430 réis que a mesma tinha de tença no almoxarifado de Viseu, por um padrão do rei D. João III, incluso nesse documento. Assim sendo, Ana Rodrigues terá nascido cerca de 1465 (e não 1462) e casado cerca de 1479, tendo seu filho mais novo Simão Botelho Cardoso nascido cerca de 1507 (e não 1490), tendo portanto cerca de 17 anos em 1523.

I

70

12

Domingos Cardoso, que é dado como o 1º morgado de Corpo Santo, em Lisboa, com a sua capela de Santa Ana no Colégio da Conceição, não terá sido o seu instituidor, pois foi instituído em 12.4.1516 por Maria de Rebelo, viúva de Diogo Ferreira Corrêa. Esta Maria de Rebello era seguramente parente próxima de Domingos Cardoso, julgo que sua tia materna. Aliás, deve ser este o motivo porque os sucessores no dito morgadio usaram o nome Rebello.

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74 e 75

12 e 35

Manuel de Mesquita Cardoso, nascido e morador em Viseu, fez inquirições de genere para qualquer efeito, processo hoje perdido. Dele resta, contudo, na Câmara Eclesiástica de Lisboa (maço 460, processo 1), umas inquirições, feitas em Alenquer a 25.4.1739, sobre seu pai, José Cardoso do Amaral, nascido na quinta da Boavista da vila de Alenquer, freguesia de S. Pedro, e os avós paternos, Pedro Lopes de Rebello e sua mulher D. Isabel de Lima, moradores que foram na dita quinta. É ouvida uma única testemunha, o visconde de Ponte de Lima, então aí morador na sua quinta dos Fornos, com mais de 70 anos de idade, que diz que conheceu José Cardoso do Amaral, que foi rapaz para Viseu, que era pessoa nobre e bem nascida na quinta da Boavista, que viveu de suas fazendas. Acrescenta que não chegou a conhecer os pais, Pedro Lopes de Rebello e sua mulher D. Isabel de Lima, que já tinham falecido (Pedro Lopes de Rebello faleceu viúvo em 1659), mas sabia que viveram na sua quinta da Boavista de suas fazendas e eram pessoas muito nobres. Este visconde, que assina o depoimento apenas como Bisconde, só pode ser D. Tomaz de Lima e Vasconcellos, nascido em 1674, que não teve filhos varões e a 20.1.1718 teve de D. João V mercê para poder passar o seu título à pessoa que viesse a casar com sua filha. José Cardoso do Amaral, contudo, foi baptizado em Alenquer a 23.1.1639 e casou em Viseu a 15.9.1672, tudo, portanto, antes do visconde nascer. José Cardoso do Amaral era, portanto, muito mais velho do que o visconde, na verdade mais velho que o próprio pai do visconde. O conhecimento que tinham é portanto posterior, já José Cardoso do Amaral vivia em Viseu, onde faleceu a 18.6.1715, sendo natural que se tenha deslocado varias vezes a Alenquer, onde tinha irmãos e sobrinhos e muito provavelmente propriedades, e onde se terá relacionado com o visconde, que desta forma soube que ele era natural da quinta da Boavista, onde provavelmente ainda ficava, e que tinha ido novo para Viseu.  

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78

Leg.

portão da quinta e S. Miguel

portão da quinta de S. Miguel

I

91

3

D. Filipa de Mesquita e seu marido Manuel de Loureiro de Campos, 4º morgado de Stª Luzia de Loureiro, conhecido como morgadio de Cardoso, tiveram dois filhos: Manuel, b. a 12.1.1602 em Silgueiros, que como refiro já tinha fal. solt. s.g. em 1645; e Pedro de Mesquita de Loureiro, “o Moço”, sucessor, que no livro refiro apenas que foi familiar do Stº Ofº a 2.1.1619, sem o remeter para SOARES DE ALBERGARIA, onde o volto a referir, de forma mais completa, a propósito do casamento a 15.9.1654, em Silgueiros, de sua filha Filipa de Mesquita Cabral com Fernão Soares de Albergaria. Com efeito, Pedro de Mesquita de Loureiro, fal. a 16.1.1654, ib, casou com Micaela de Figueiredo Cabral, fal. a 1.1.1642, ib, e foi (em sucessão de seu sogro) meirinho, contador, inquiridor e distribuidor da correição da comarca da Guarda (CFIII, 22, 73v), com alvará para ter as suas aposentadorias (ib, 31, 328) e comissário das madeiras dos galeões da Ribeira do Ouro da cidade do Porto (10.11.1654), conforme tudo ficou dito em SOARES DE ALBERGARIA.

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95

38

Nesta página, por lapso, Duarte de Loureiro consta como filho do cónego Filipe de Loureiro, mas era seu irmão, como bem se diz em LOUREIRO I. Nesta mesma pág. também faltou indicar que Isabel Afonso e Duarte de Loureiro iniciam o § intitulado LOUREIRO 3.

I

96

1

Pedro Rodrigues Cardoso foi ainda recebedor do almoxarifado de Viseu. A 27.1.1525 Fernando Rodrigues de Palma declara que recebeu de Pedro Rodrigues Cardoso duas arrobas de cera. E a 26.2.1535 D. João III manda que se levar em conta a Pedro Rodrigues Cardoso, recebedor que foi do almoxarifado de Viseu, 26.338 reais do que pertencia no 1% do dinheiro que entregou a Fernando Rodrigues.

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97

26

Leonardo Cardoso, referido em CARDOSO 2, onde segue.

Leonardo Cardoso, s.m.n.

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99

28

Sobre a ascendência de Afonso Botelho Machado ver a próxima nota e adiante o aditamento à pág. 284 deste volume. Afonso Botelho Machado era irmão mais velho de André Botelho Machado e de Pedro Ribeiro Botelho. André Botelho Machado casou com Isabel Pimentel (filha de Luiz Jácome e sua mulher Beatriz Correa) e foram pais de António Botelho Pimentel, familiar do Stº Ofº (13.6.1630). No seu processo para familiar testemunha Afonso Botelho, alcaide-mor de Vila Real, que diz ter 65 anos mais ou menos e ser parente do habilitado no 4º grau. Bem assim como Francisco Botelho Carneiro, de 72 anos, parente do habilitado no 4º grau, que diz que ainda conhecera Isabel Ribeiro Botelho, dona viúva de Diogo Rodrigues de Barros, bisavós do habilitado. O outro irmão, Pedro Ribeiro Botelho, também nascido em Vila Real, viveu casado em Braga com Isabel Fernandes de Távora (filha de Martim Fernandes de Sequeira e sua mulher Filipa Dias de Távora). Foram pais de Afonso Botelho, familiar do Stº Ofº (1610), nascido em Braga, que viveu em S. Miguel (Açores) casado com Águeda Meirinho, daí natural.

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100

1

O Licenciado António Machado, nascido em Vila Real cerca de 1490, casou aí cerca de 1520 com Helena Botelho, nascida cerca de 1506, filha mais velha de Diogo Rodrigues de Barros e sua mulher Isabel Ribeiro Botelho, cuja ascendência ficou referida no adidamento à pag.284. O Licenciado António Machado era irmão de Maria Colaço, que de Lançarote Pinto, abade de Jacente, teve um filho também chamado Lançarote Pinto, que foi moço da câmara de D. João III, que o legitimou por carta real. Este casou com Violante de Freitas e foram pais de Simeão Pinto Machado, inquiridor, contador e distribuidor de Basto, senhor da casa de Refontoura, em S. Miguel de Gémeos, etc., que casou a 23.9.1584, em S. Romão do Corgo, com Ana da Mesquita, com geração nos Pinto de Mesquita. O Licenciado António Machado foi também irmão de Violante Colaço, nascida cerca de 1485, que casou com Sebastião Rodrigues, da governança de Lamego, e tiveram seis filhos, cinco dos quais seguiram o nome Machado (com a mesma origem), entre eles António Machado, que viveu casado na cidade de Beja, Jerónimo Machado, que foi procurador, vereador e juiz almotacé de Lamego, e Ana Machado, que casou com Braz Coelho, escrivão de Lamego.
O Licenciado António Machado e suas irmãs eram ambos filhos de Pedro Anes Machado, abade de Lordelo (Vila Real), nascido cerca 1450, e de Violante Colaço, que teria a mesma idade,
sendo esta filha de João Colaço, escudeiro, vassalo, juiz dos resíduos, inquiridor e contador de Vila Real, escrivão da Chancelaria da comarca e correição da Beira, escrivão das obras dos paços e castelos de Lisboa, etc., e de sua mulher Catarina Anes Regadas. Sobre aquele abade Pedro Anes, Gaio diz que seus descendentes afirmam que era filho de Diogo Machado e neto de Vasco Machado, acrescentado contudo que «este dito não merece crédito até não haver mais provas». Tendo em conta o uso do nome Machado pelo, que assim se documenta como Licenciado António Machado nomeadamente nas habilitações para o Stº Ofício dos netos, parece certa a existência deste abade Pedro Anes (Machado), e a cronologia permite que fosse neto de Vasco Machado, embora se adequasse mais se fosse bisneto. O patronímico, contudo, em situações normais indica que era filho (quando muito neto) de um João. Há, porém, a possibilidade de o Diogo Machado que lhe dão por pai ser o que foi prior de Vilela. Com efeito, 12.1.1468 D. Afonso V perdoou a justiça régia a Isabel Afonso, moradora na freguesia de Duas Igrejas, por ter sido manceba de Diogo Machado, prior de Vilela, do bispado do Porto, contanto que viva bem e honestamente e não volte a cometer o mesmo pecado (CAV, 35, 105). Esta Isabel Afonso é muito tardia para mãe do abade Pedro Anes (Machado), que seria filho de uma (...) Anes, sendo assim chamado Pedro Anes, com o patronímico da mãe, e só depois Machado, se é que chegou a usar este nome, que porém passou ao filho. Gaio põe em dúvida esta ascendência Machado do abade Pedro Anes porque se convenceu de que Machado era Violante Colaço ( a quem chama sem fundamento Violante Colaço Machado, e eu inadvertidamente segui), chamando ao seu pai João Colaço Machado, que diz ter sido alcaide-mor de Sintra. Tendo em conta a cronologia da filha e dos netos, este João Colaço teria que ter vivido nos reinados de D. Duarte e D. Afonso V. Ora, nestes reinados não só a alcaidaria-mor de Sintra não foi dada a nenhum João Colaço, como foi entregue em 1461 a João da Silva, em substituição de Fernão Telles (CAV, 1, 24), e o castelo doado em 1480 à princesa D. Joana, com a respectiva vila (CAV, 32, 8v). Por outro lado, não se documenta nenhum João Colaço Machado, nem ele na verdade era Machado, mas apenas João Colaço. Na época co-existiram vários homónimos com o nome João Colaço. Mas, dado que a filha Violante era de Vila Real, tudo indica que se trate do João Colaço, escudeiro do infante D. Fernando, que a 18.10.1435 foi nomeado por D. Duarte para o cargo de juiz dos resíduos de Vila Real, com todos os seus poderes e jurisdição na área do seu almoxarifado, sendo a 26.3.1439 confirmado no cargo por D. Afonso V (CAV, 18, 35, onde se transcreve a carta de D. Duarte, que não consta na respectiva chancelaria). E é certamente o João Colaço, morador em Vila Real, que a 16.5.1446 D. Afonso V nomeou para o cargo de inquiridor e contador dos feitos da dita vila e seu termo, em substituição de Álvaro Vasques (CAV, 5, 50v), Bem assim como o João Colaço, morador em Vila Real, que a 17.5.1446 o mesmo rei nomeou para o cargo de procurador do número de Vila Real, em substituição de Afonso Gonçalves, que morrera (CAV, 5, 45). Mantivera-se entretanto com juiz dos resíduos e contador de Vila Real, cargos de que foi destituído antes de 12.7.1460, data em que o rei para eles nomeou Lopo Martins, escudeiro do conde de Vila Real, em substituição de João Colaço, morador em Vila Real, que fora destituído do cargo por cometer erros no dito ofício (CAV, 38, 41v). E deve ainda ser o João Colaço que foi nomeado escrivão da Chancelaria da comarca e correição da Beira, em carta que não encontrei, cargo que perdeu por o ter vendido sem licença régia, pois a 29.4.1453 D. Afonso V nomeou Gonçalo Gil, criado de Nuno Martins da Silveira, para o cargo de escrivão da Chancelaria da comarca e correição da Beira, em substituição de João Colaço, que vendera o ofício a João Anes, sem licença régia (CAV, 3, 40v). Finalmente, pode ainda ser o João Colaço, já vassalo da Casa Real e criado de Nuno Martins da Silveira, rico-homem, escrivão da puridade, vedor-mor das obras e coudel-mor do reino, que a 22.1.1453 D. Afonso V nomeou para o cargo de escrivão das obras dos paços e castelos de Lisboa, em substituição de João Lourenço, que renunciara (CAV, 3, 18). Este cargo, que poderia incluir o castelo de Sintra, é que mais se aproxima com a referida informação genealógica de ter sido alcaide-mor de Sintra.
A mulher, Catarina Anes Regadas, segundo as genealogias era filha de Pedro Anes Regadas e sua mulher Leonor Álvares do Souto. Contudo, a 19.11.1418 D. João I legitimou Maria Anes, filha de Pedro Anes Regadas, clérigo de ordens sacras e cónego da Sé de Lisboa, e de Senhorinha Esteves, mulher solteira (CJI, 4, 9v). E a 3.3.1440 D. Afonso V perdoou a prisão e a justiça régia a Catarina, moça solteira, moradora em Lisboa, acusada por Pedro Anes Regadas, cónego da Sé da de Lisboa, de alcovitar Maria Regadas, sua filha, guardando às partes o direito de a demandar civilmente, na sequência do perdão geral outorgado para povoamento de alguns lugares do reino (CAV, 20, 67v).

I

113

32

D. Francisca de Castello-Branco, casada como Dr. Manuel de Figueiredo Castello-Branco, não era filha de Roque de Mello e Souza, como por distracção deixei ficar na sequência do que em 1998 tinha publicado no artigo "Melo e Souza. Descendência legítima na comarca de Viseu", in Armas e Troféus. Como digo no livro, em FIGUEIREDO CASTELLO-BRANCO, volume I, pág. 402, D. Francisca de Castello-Branco era filha de outro Dr. Manuel de Figueiredo Castello-Branco e sua mulher Antónia de Barros e casou com seu primo Dr. Manuel de Figueiredo Castello-Branco, como tudo se apura na habilitação que este fez para o serviço de Sua Majestade, conforme digo no livro.

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128

43

Martim Afonso de Miranda foi legitimado por carta real de 1.6.1394, onde consta como Martinho, filho de D. Martinho, bispo de Coimbra, e de Emilia (Emjllia) Gonçalves, mulher solteira. Seu pai, D.Martinho Afonso da Charneca, arcebispo de Braga (1398-1416), foi antes bispo de Coimbra e do Conselho de D. João I. Deste D. Martinho existem vários selos heráldicos com as suas armas, um escudo com uma aspa acantonada de quatro flores de lis, depois ditas dos Miranda. O nome Miranda, que seguiram seus filhos, tidos de diferentes mulheres, é na origem um locativo relacionado com a quinta que tinha em Miranda a par de Coimbra, onde esses filhos foram criados. D. Martinho Afonso documenta-se como filho de Constança Esteves quando, já bispo de Coimbra e do Conselho, a ele e à dita sua mãe D. João I a 11.12.1392 confirmou a doação que fizera a Afonso Pires da Charneca, filho da dita Constança Esteves e irmão do dito bispo, do lugar de Alcáçovas, de umas vinhas e lagares «aallem d aRoyos e partem com o caminho da charneca» (chamado Lagares del Rei), e de umas casas em Sintra. D. Martinho instituiu o morgadio da Patameira. E é certamente este o morgadio a que se refere D. João I quando a 7.12.1395 lhe doa, a seu pedido, o padroado da igreja de S. Cristóvão, em Lisboa, referindo que «dom martinho bispo de coj.m do nosso cselho nos dise que elle fazia queria fazer hua capeella na igreia de sam chr.ouam que he na nossa muy nobre leal cidade de lixboa E esso mesmo queria hordenar huu moorgado de seus bees. E que nos pedia por mercee que pea a dcta capella mooorgado seer mjlhor mais nobr lhe desemos pa sempre o nosso padroado da igeia de sam chr.ouam que o ouuese elle todos aqles que elle hordenar que depos elle socedam aiam o dcto moorgado».
Seu irmão Afonso Pires da Charneca foi, como se disse, senhor de Lagares del Rei, que por casamento passaria depois aos Almada, em quem se mantém até hoje. A 24.8.1385 D. João I doou a «Afom priz da charneca caualeiro nosso uasallo», de juro e herdade, para sempre, as vinhas e seus lugares que são no termo da cidade de Lisboa «aallem d aRoyos caminho da charneca as quaaes sooe d andar co a nossa adega da dcta cidade». Afonso Pires da Charneca foi armado cavaleiro pelo mestre de Avis antes da batalha de Aljubarrota, em cuja lista vem referido como Afonso Pires da Charneca, irmão do Doutor Martim Afonso. A "Monarquia Luzitana" de Fr. Manuel dos Santos (cap. VIII, pag. 748) diz, sobre Aljubarrota, que «na ala esquerda, que sahia da outra parte oposta, puserão outras duzentas lanças em que entravam alguns Ingleses auxiliares, mandados de Inglaterra pelos Embaixadores que estavam em Londres; sua bandeira a de S. Jorge; e seus Capitães Antão Vasques de Almada, João Monferrara e Martins Paulo; ........Os Fidalgos e Escudeiros de nome que eram presentes no exército, e ganharam com El-Rei esta batalha de tanta glória forão: O Arcebispo Primaz D. Lourenço Vicente, o Condestável D.Nuno Alvares Pereira, Diogo Lopes Pacheco, ......o Doutor João das Regras, o Doutor Gil Docena, o Doutor Martim Affonso da Charneca, .......estes já eram armados Cavaleiros; os seguintes eram Escudeiros: João Vasques de Almada, Antão Vasques de Almada, Ruy Braz de Castellobranco, Affonso Pires da Charneca».
Dada a onomástica (sua e de seu irmão), o arcebispo D. Martinho Afonso era filho de um virtual Afonso Pires da Charneca, falecido antes de 11.12.1392, certamente um rico homem-bom de Lisboa e cavaleiro "acontiado".

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132

35

Diogo Gil de Figueiredo foi legitimado por carta real de 2.11.1385, dizendo-se que esteve em Aljubarrota e era filho de Gil Vasques de Figueiredo, que «foe casado e quite per sentença da sancta igreja», e de Maria Anes, mulher solteira, ambos já falecidos. Diogo Gil não podia, portanto, ter nascido depois de 1367 e provavelmente nasceu antes. Assim sendo, seu pai Gil Vasques nasceu antes de 1325 e não podia ser filho, como ponho a hipótese, do Vasco Fernandes de Figueiredo, escudeiro em 1369, e muito menos neto de um Fernão Gonçalves de Figueiredo nascido cerca de 1327.
Portanto, tendo o legitimado Diogo Gil nascido antes de 1367 dificilmente se aceita que possa ser pai do Gil de Figueiredo que foi escrivão da câmara do infante D. Fernando e a 4.12.1465 foi substituído no cargo, por acabar o seu tempo, se bem que possa ter sido pai do Gil Vasques que casou com Tereza Rodrigues de Figueiredo, com filhos que começaram a nascer cerca de 1425, como refiro na pag. 137 do volume 1.
Em alternativa, Gil Vasques de Figueiredo, nascido entre 1300 e 1325, podia ser filho de Vasco Esteves de Figueiredo, que refiro na pag. 260 do volume 1. Este Vasco Esteves nasceu cerca 1276 e faleceu depois de 1334. A 17.3.1326 testemunha a entrega ao mosteiro de Grijó, que fazem Afonso Pires Ribeiro e sua 2.ª mulher Clara Anes de Paiva, da quintã de Macinhata, deixada a este cenóbio pelo tio dele, João Afonso Ribeiro. A 3.4.1334 assistiu à cerimónia da trasladação do corpo de Margarida Pires Ribeiro, 1ª mulher de Martim Pires de Alvim, cavaleiro, para o mosteiro de Grijó, do qual ela era natural. Este Vasco Esteves terá adoptado o nome Figueiredo por ser senhor de Figueiredo de Alva, o que se documenta nas inquirições de 1307. Era filho de Estêvão Martins de Alvellos, 1º morgado de Alvellos (27.12.1302), cavaleiro, meirinho de Lamego por D.Dinis, nascido cerca 1245 e falecido depois de 9.2.1320, data em que Estêvão Martins, cavaleiro de Alvellos, declara que mandou vender por 12 libras um manto que seu filho Pedro Esteves confiscara a Maria Anes, por uma dívida de 20 libras.
Vasco Esteves de Figueiredo terá tido, assim, pelo menos três filhos: 1) Martim Vasques de Alvellos, cónego da Sé de Lamego, nascido cerca 1300 e falecido a 14.5.1324 em Lamego, sendo seu testamenteiro seu tio Pedro Esteves de Alvellos; 2) o referido Gil Vasques de Figueiredo;  3) Afonso Vasques de Figueiredo, escudeiro, referido na lista de Pedroso, proposto pai do Diogo Afonso de Figueiredo referido na pág. 260 do volume 1.

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133

32

E acrecenta

E acrescenta

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23

filha bastarda de Luiz de Loureiro, «o Grande»

meia-irmã de Luiz de Loureiro, «o Grande»

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139

32

Lopo Esteves de Ornellas não era irmão de D. João de Ornellas, como ponho a hipótese, mas sim seu sobrinho (irmão de Catarina Esteves, contemplada no testamento de seu tio o dito D. João), ambos filhos de um virtual Estêvão de Ornellas. Lopo Esteves casou assim duas vezes, a 1ª com Maria de Ayala, com geração na Madeira, e a 2ª vez com Tereza Martins de Figueiredo. 

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141

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Sobre Pedro (não Vasco) Lourenço Ferreira e sua mulher Beatriz de Mello ver on-line o meu Ensaio sobre a origem dos Ferreira (http://www.soveral.info/mas/Ferreira.htm).

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147

27

que c.c. (…) de Vilhegas.

que c.c. António Pessanha de Vilhegas.

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156

43

As fonte genealógicas que segui dão a Luiz Dias de Figueiredo uma filha chamada Águeda de Figueiredo, casada um Martim Fernandes de Proença, cavaleiro da Ordem de Santiago, sendo estes pais de Diogo Lopes de Figueiredo, casado com Briolanja de Figueiredo, filha de Luiz de Loureiro, como inadvertidamente também publiquei. Esta alegada Águeda de Figueiredo terá nascido cerca de 1489. Por outro lado, no meu Ensaio sobre a origem dos Proença, não encontrei nenhum Martim Fernandes de Proença. Estou assim convencido que não era Proença, podendo contudo ser natural de Proença a Velha. E que ela não se chamou Águeda mas sim Maria Lopes, justificando assim o patronímico do filho, de outra forma inexplicável. Seria, portanto, a Maria Lopes de Figueiredo que a 11.17.1510 recebeu do Cabido de Viseu, com seu marido Martim Fernandes, cavaleiro, o prazo de um casal em Silgueiros, como refiro na pág. 383. Tanto mais que o filho, Diogo Lopes de Figueiredo, como digo na mesma pág., viveu em Silvares (freguesia de Silgueiros). Mas isto impede Maria Lopes de Figueiredo, casada com Martim Fernandes, cavaleiro, provavelmente natural de Proença a Velha, fosse filha de Luiz Dias de Figueiredo, como consta das genealogias e eu segui inadvertidamente. Tanto mais que eu próprio, nas pág.s 139 e 383, propus que o Diogo Lopes de Figueiredo casado com Briolanja de Figueiredo fosse neto do Diogo Lopes de Figueiredo que foi escudeiro do infante D. Henrique e justamente morador em Silvares (Silgueiros), onde a 21.4.1447 recebeu do Cabido de Viseu o prazo de três casas. Tudo se conjuga, portanto, para que Maria Lopes de Figueiredo, nascida cerca de 1480 e casada cerca de 1500, seja filha do Diogo Lopes de Figueiredo que refiro na pag. 139 e, como digo, mãe do Diogo Lopes de Figueiredo nascido cerca de 1501 e casado cerca de 1540 com Briolanja de Figueiredo, meia-irmã de Luiz de Loureiro, o Grande, referida na pág. 383.
Sendo assim, Luiz Dias de Figueiredo não teve uma filha chamada Águeda de Figueiredo, pelo menos uma casada com Martim Fernandes e mãe de Diogo Lopes de Figueiredo.

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159

33

Talvez o Manuel de Vargas casado com Inez Viegas, moradores em Viseu e já falecidos a 24.10.1591 quando sua filha Catarina Viegas, cristã-velha natural de Viseu, de 20 anos, solteira, moradora em Salvador da Baía, foi detida a mando do Tribunal da Inquisição de Lisboa (processo 1277), acusada de atitude contrária à norma do Santo Ofício, por ter divulgado uma denúncia, tendo no dia seguinte sentença de absolvição.
A antedita Inez Viegas devia ser filha de Domingos Viegas ou de seu proposto irmão João Viegas, referidos em BOTELHO.

I

178

32

assim irmão inteira

assim irmã inteira

I

182

33

Luácio de Carvalho

Inácio de Carvalho

I

183

2

Em vez de Figueiredo de Aveiro teria sido mais preciso dizer Figueiredo da Esgueira (vila hoje integrada na cidade de Aveiro).

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183

21

 e duque de Aveiro D. Jaime

e senhor de Aveiro D. Jorge
I 193 15 Gonçalo Dias de Gouveia (casado com Beatriz de Figueiredo) é certamente o homónimo, cavaleiro, que a 29.11.1537 teve de D. João III alvará de lembrança dos 30.000 reais que ficaram por pagar dos 70.000 do seu casamento.

I

193

24

A habilitação para o Stº Ofº (9.3.1594 - 4, 159) do jesuíta Francisco de Gouveia vem resolver a dúvida que ficou sobre se o avô paterno de Gonçalo Dias de Gouveia, senhor de Negrelos, se chamou João Gonçalves de Gouveia (e casou com uma Mouta) ou João Gonçalves da Mouta (e casou com uma irmã do doutor Pedro de Gouveia). Chamou-se João Gonçalves de Gouveia e nasceu em Viseu, como seria de esperar. O processo não nomeia a mulher, mas casou portanto com uma Mouta. O pai do referido jesuíta consta como Miguel da Mouta, meirinho da corte, nascido em Melo ou Gouveia, e que viveu numa quinta no Lumiar (Lisboa) casado com Ana Filipe, filha do desembargador Augusto Afonso e sua mulher Marta Filipe. O jesuíta teve outro irmão também da Companhia de Jesus, chamado João de Gouveia, e uma irmã que casou com Francisco Carneiro.
João Gonçalves de Gouveia era portanto irmão do doutor Pedro de Gouveia, que também aparece em novo como Pedro Dias de Gouveia, licenciado, que estudou na Universidade de Paris e chegou a cavaleiro do Conselho de D. Manuel I, seu chanceler-mor, do seu Desembargo e dos Agravos da Casa da Suplicação e seu juiz dos feitos. Tudo indica que seja já o Pedro de Gouveia, escudeiro, fidalgo da Casa Real, que a 26.1.1458 teve de D. Afonso V uma tença anual de 7.200 reais (CAV, 35, 15). E a 26.8.1475 a doação vitalícia das rendas da pensão dos tabeliães da cidade de Lamego (CAV, 30, 45v). Bem assim como o homónimo que D. João II a 20.7.1482 nomeou corregedor da Estremadura (CJII, 2, 169). Era juiz dos feitos da Casa da Suplicação desde o início do reinado de D. Manuel I, rei que a 16.1.1500 nomeou o licenciado Pedro de Gouveia no ofício de desembargador dos agravos da Casa Real e da Suplicação, além dos 5 que já estavam ordenados na dita Casa, com o mantimento anual de 60.000 reais, como é ordenado haver cada um dos outros desembargadores dos agravos (CMI, 14, 38). Em 1502 desempenhava o cargo de chanceler-mor, pois numa carta de 12 de Julho o rei refere o licenciado Pedro de Gouveia, de seu Conselho e que agora tem o cargo de seu chanceler-mor (ib, 2, 64v). A 21.10.1515 o mesmo rei doou uma tença de 20.000 reais ao licenciado Pedro de Gouveia, do seu Conselho e desembargador dos agravos da Casa da Suplicação, que deixou o ofício de juiz dos feitos reais (ib, 24, 150). E ainda vivia a 24.8.1520, quando o mesmo rei fez mercê ao licenciado Pedro de Gouveia, do seu Conselho e desembargo, de outra tença 20.000 reais, por toda a sua vida (ib, 36, 64v). O doutor Pedro de Gouveia, que n. cerca 1442, era filho legitimado por carta real de 21.5.1459 (CAV, 36, 108v) de Gonçalo Dias de Gouveia, cónego e mestre-escola da Sé de Viseu, vigário geral da diocese e bacharel em Degredos, e de Maria Fernandes, solteira, a pedido de seu pai.
Este cónego, cuja filiação é incerta, teve, além deste Pedro e do antedito João Gonçalves (não encontrei a legitimação), mais pelo menos três filhas, a saber: Catarina Dias de Gouveia, que casou 1º com João Nunes Cardoso e depois com o doutor Pedro Vaz de Castello-Branco, também chanceler-mor do reino, como digo no livro; Maria Gonçalves de Figueiredo, que casou cerca de 1500 com João Afonso de Figueiredo, como também digo no livro; e finalmente Isabel de Gouveia, legitimada por carta real de 21.1.1467, a pedido de seu pai, havida em Margarida Anes, mulher solteira (CAV, 28, 8).
O doutor Pedro de Gouveia, como refiro no livro (ALMEIDA), casou com Beatriz de Almeida, filha de Martim ou Martinho de Almeida, coudel-mor do reino. Acrescento agora que foram pais de Martinho ou Martim Vaz de Gouveia, fidalgo da Casa Real e do Conselho de D. Manuel I (1518), que a 16.7.1512 deu quitação a sua sogra Dona Mayor de 50.000 reais que esta lhe devia do dote de casamento, o qual Martim Vaz de Gouveia casou com D. Joana de Távora, senhora das rendas das saboarias de Portalegre (1526), c.g., conforme refiro no meu trabalho sobre as Famílias de Ribeira de Pena.

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Para a ascendência de D. Mécia Rodrigues da Costa ver o meu Ensaio sobre a origem dos Lemos portugueses, in Casa da Trofa (http://www.soveral.info/casadatrofa/default.htm) - Origens.

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Catarina de Brito, referida adiante

Catarina de Brito, referida atrás

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Câmara pela desta cidade

Câmara desta cidade

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Diogo Paes de Castello-Branco teve foro de escudeiro fidalgo da Casa Real (Ementas, 3, 67v).

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Diogo Paes de Castello-Branco deve ser o homónio que foi capitão de viagem à Índia (CFI, 10. 170) e teve uma tença de 30.000 reais (ib, 10, 169v).

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No livro digo que Maria de Seixas, filha de André Ferraz e Isabel de Seixas, casou cerca de 1608 com Francisco Carvalho, filho do cónego Manuel Carvalho. De facto casou neste ano, mas não se chamou Maria de Seixas, mas sim Joana Paes de Castello-Branco, tendo portanto usado os apelidos do bisavô materno Diogo Paes de Castello-Branco. As fontes visienses, que usei, trocaram as irmãs, desconhecendo aparentemente esta Joana. Mas Maria de Seixas existiu, só que terá ficado solteira. De facto, em 1607 Isabel de Seixas renunciou a um prazo em Prime a favor de seus filhos António Ferraz e Maria de Seixas (doc 239 do Cabido da Sé). Em 1611, estes renunciam ao prazo em favor de Joana Paes (doc 255, ib). Finalmente, a 6.1.1608 casou em Viseu (Oriental) (Jo)Ana Paes de Castello-Branco, filha de André Ferraz e sua mulher Isabel de Seixas, com Francisco Carvalho, filho do cónego Manuel Carvalho e de Violante Gomes.

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Há um Frei Pedro de Santar, da ordem de Cister do mosteiro do Bouro, que com licença de seu maior tirou em Braga ordens menores a 12.3.1446 e ordens de Epístola a 2.4.1446. Suspeito que este Frei Pedro de Santar era filho natural de Fernão Soares de Albergaria, senhor do Prado.

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Lopo Soares de Albergaria tirou ordens menores em Braga a 12.4.1449, como Lopo Soares, nascido em Santa Maria do Prado, filho de Fernão Soares e sua mulher D. Isabel.

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A 30.9.1522 a viúva e filhos de João Álvares da Cunha passou em Pombeiro procuração a Rui Pires, seu criado, para poder arrecadar todas as suas dívidas em qualquer parte do reino e dar as respectivas quitações. E a 4.7.1524 têm provisão real para se pagar 40.000 reais de tença aos herdeiros de João Álvares da Cunha . E a 18.7.1527 nova provisão de D. João III para o almoxarife de Coimbra dar aos herdeiros de João Álvares da Cunha 32.000 reais de tença separada. A 16.5.1517 ainda estava vivo, pois Simão da Cunha, fidalgo da Casa Real, fez procuração a seu irmão João Alves da Cunha para cobrar tudo quanto lhe for devido. E a 18.5.1517 João Álvares da Cunha, fidalgo da Casa Real, tem provisão para receber 60.000 reais de tença.

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Álvaro Soares de Albergaria foi assassinado não apenas antes de 1475, como refiro, mas concretamente em finais de 1463 ou início de 1464. Com efeito, Fernão de Magalhães foi por esta morte degredado um ano para Alcácer Seguer, mas a 14.2.1464 D. Afonso V perdoou-lhe este degredo, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada real em Ceuta. Assim, há mais uma razão para dizer que Álvaro Soares de Albergaria não chegou a suceder a seu pai no senhorio do Prado, pois este só deve ter falecido em 1475, embora em rigor só o consegui documentar até 1463. Por outro lado, apesar de ter tirado ordens menores em 1456, Álvaro Soares de Albergaria não deve ter nascido em 1444, como proponho, mas sim lá para 1440. Portanto, seu filho natural Tristão Soares de Albergaria não nasceu cerca de 1473, como proponho, mas sim em 1463 ou mesmo póstumo em 1464, em Monção, onde devia viver a mãe, sendo depois criado em Viseu por sua avó paterna D. Isabel de Mello.  

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Conforme ficou dito no livro, documenta-se na inquirição de genere (21.9.1659) de seu trineto o Padre Dr. Francisco Soares de Albergaria, que Tristão Soares de Albergaria era natural de Monção e sua mulher Joana Fernandes de Robles natural de Oliveira do Conde.
Com o assassinato de seu pai Álvaro Soares de Albergaria em 1464, Tristão, que teria um ano de idade, foi criado em Viseu por sua avó paterna D. Isabel de Mello.
Foi depois escudeiro de Nuno Martins da Silveira, senhor de Góis e Oliveira do Conde, do Conselho e escrivão da puridade de D. Manuel I e D. João III, vedor-mor das obras e regedor do reino, etc., nascido cerca de 1454 e falecido depois de 1525 (pai do 1º conde de Sortelha), bem como ouvidor e feitor da sua terra de Oliveira do Conde, cargo que ainda exercia em 1525. Com efeito, a 14 de Setembro deste ano, Nuno Martins da Silveira passou uma procuração a Tristão Soares, seu escudeiro e feitor na sua terra de Oliveira, para que em seu nome recebesse 36.135 reais do almoxarifado de Nisa (CC, II, 128, 108).
Nascido em 1463 (era portanto cerca de 9 anos mais novo do que Nuno Martins da Silveira), Tristão Soares tinha na data desta procuração 61 ou 62 anos de idade, e Nuno Martins 70 ou 71 anos.
Tendo em conta a cronologia dos filhos, Tristão Soares casou cerca de 1510, teria 47 anos de idade. Sua mulher devia ser bem mais nova, nascida entre 1490 e 95, devendo ser irmã do João Fernandes de Robles, morador em Oliveira do Conde, que a 16.5.1516 D. Manuel I nomeou juiz das sisas do concelho de Lafões (CMI, 25, 71).
Robles é nome de uma linhagem castelhana, pelo que Joana Fernandes devia ter esta origem. Dado tratar-se de um nome quase desconhecido em Portugal, sobretudo nessa época, é possível supor que estes sejam filhos de um virtual Fernão Rodrigues de Robles, que porventura terá servido em Oliveira do Conde Diogo da Silveira e sua mulher D. Beatriz de Góis, ou mesmo já seu filho, o antedito Nuno Martins da Silveira, sendo aquele Fernão filho do Rodrigo de Robles a quem a 3.8.1480 D. Afonso V privilegiou, na sequência do tratado de paz celebrado com os reis católicos, mandando restituir-lhe todos os bens de raiz que possuía na cidade de Lisboa (CAV, 32, 143v).   
 

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O Cristóvão Soares de Albergaria filho de Tristão Soares de Albergaria que as genealogias visienses dizem que foi para Lisboa não pode ser, como dizem as genealogias tardias e eu segui, o Dr. Cristóvão Soares Soares de Albergaria que instituiu a capela de Nª Sª do Alecrim, pois a cronologia não o permite. Na verdade, o Cristóvão Soares, filho do Tristão, que foi para Lisboa, que terá nascido cerca de 1513/6, é certamente o que teve de D. João III a comenda de Stª Mª de Loures (CJIII, Privilégios, 4, 309v), e aí casou ou apenas teve o Dr. Cristóvão Soares de Albergaria, nascido cerca de 1550, que em 1578 foi nomeado juiz de fora em Ponta Delgada, chegando a desembargador da Casa da Suplicação, e que com sua mulher D. Ana de Vilhena instituiu, por disposição testamental de 6.6.1628, a capela de Nª Sª do Alecrim, em Lisboa. A existência destes dois homónimos, pai e filho, terá feito com que as genealogias o congregassem num só, fenómeno aliás recorrente.
De Tristão Soares de Albergaria, portanto irmão do Cristõvão Soares de Albergaria (o pai), foi também certamente filho o Jorge Soares de Albergaria, moço da câmara de D. João III, que terá nascido cerca de 1517 e faleceu em Goa a 16.6.1547, sendo sepultado na igreja de Nª Sª do Rosário, com lápide que tem a seguinte inscrição:«Esta sepultura he de Jorge Soiares Doliveira de Comde, e de seus erdeiros. Moço da camara delrei noso sõr. Faleceo a xbi dias de junho de 547 anos». 
 

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240 e 241

 

O Pedro Soares de Albergaria Freire que consta no nº 5.5.2.3.1. (pág. 240) está confundido com o Dr. Pedro Soares de Albergaria Freire que está no nº 5.5.2.4. (pág. 241). Na verdade, Cristóvão Soares de Albergaria teve um filho natural Pedro Soares, havido numa Isabel, que ele baptizou a 15.10.1675, mas que veio a falecer solteiro, com 23 anos, a 1.6.1698. Cristóvão Soares de Albergaria teve ainda uma filha natural da mesma Isabel, b. a 15.9.1678, cujo nome no assento está em branco e faleceu criança. E ainda um filho Manuel, havido em Maria Ribeiro, que foi baptizado a 16.10.1683 e faleceu jovem. Portanto, não foi o antedito Pedro, filho natural de Cristóvão, que casou com Maria Domingas de Andrade. Aliás, esta Maria Domingas (ca 1634-1716) não casou; mas do antedito Dr. Pedro Soares de Albergaria Freire (irmão de Cristóvão), b. a 24.5.1645 e fal. com 42 anos a 19.2.1688, teve dois filhos naturais: António Soares de Andrade e Albergaria, b. a 13.12.1679 e fal. solteiro a 23.11.1751; e Tereza Soares de Andrade e Albergaria, b. a 10.7.1684 e fal. em Novembro de 1726, sendo casada com Bernardo da Fonseca (1695-1770). Estes foram os únicos filhos do Dr. Pedro Soares de Albergaria Freire, ao contrário do que digo no livro. Quando Cristóvão Soares de Albergaria (irmão do Dr. Pedro Soares de Albergaria Freire) faleceu a 27.11.1716, também sem geração legítima, nomeou no seu vínculo uma prima, D. Victória Pessoa de Andrade Freire. Com efeito, na sua parte da quinta de Oliveira do Conde tinha instituído com seu irmão Pedro o morgadio e capela de Nª Sª da Conceição de Oliveira do Conde, com clausula de só seguir em linha legítima. Por acordo estabelecido com seu irmão, nenhum dos dois legitimaram os respectivos filhos naturais, que assim não sucederam no morgadio. Mas Cristóvão Soares de Albergaria deixou a seu sobrinho António Soares de Andrade e Albergaria (filho natural de Pedro), para além de outros bens, a quinta de Oliveirinha, com a indicação para que ele aí instituísse morgadio. No seu testamento de 14.11.1716 (Tombo das Capelas de Oliveira do Conde) Cristóvão Soares de Albergaria diz que António Soares de Andrade "assiste na minha Casa, há muitos anos assistindo nas minhas doenças com todo o amor, e ao governo da minha Casa", deixando-lhe a quinta de Oliveirinha e "dinheiro para comprar e compor" a Casa de Oliveirinha, mais as seguintes propriedades: uma vinha no limite de Albergaria; o olival do Seixal no limite de Vila Meã; o chão e vinha de Almoninha "que parte com Luiz Alvares"; as terras e vinhas de S. Payo; a tapada, terras e courelas da Rapozeira, no limite de Fiais; e o olival de Labaros, no limite de Carregal. A sua prima D. Victória Pessoa de Andrade Freire, a quem nomeou no morgadio de Oliveira do Conde, e seu marido o Dr. José de Abranches Quaresma, familiar do Santo Ofício e juiz de Alpedrinha, pede que "não contendam com o dito António Soares de Andrade a causa das ditas propriedades, aprovando tudo o que eu tenha feito e o favoreça daqui em diante em tudo o mais que puder, porque entendo que ainda lhe devo mais". Cristóvão Soares de Albergaria deixou ainda a sua sobrinha Tereza (irmã deste António) "huma escritura de quarenta e outo mil reis que me deve Manuel Esteves do lugar de Oliveirinha, os quais quarenta e outo mil reis lhe deixo com os juros que estiverem vencidos". António Soares de Andrade e Albergaria efectivamente instituiu o morgadio de Oliveirinha, que deixou a sua sobrinha Rosa Maria Soares de Andrade e Albergaria (1720-1799), filha única de sua irmã Tereza e do marido Bernardo da Fonseca, a qual viria a casar a 1.8.1752 com seu primo o Capitão José António de Soveral Tavares (1728-1804), o qual em 1778 pediu e obteve a extinção do dito morgadio de Oliveirinha, que tinha o encargo de oito missas anuais, ao abrigo de uma nova lei de 1770, que permitia a extinção de vínculos com um rendimento inferior a 100.000 réis, tendo pago 540 réis da licença.
O Dr. Pedro Soares de Albergaria Freire (1645-1688) matriculou em Leis na Universidade de Coimbra em 1668, tirando o bacharelato a 28.5.1675 e a formatura a 10.6.1676. Foi habilitado ao serviço de Sua Majestade (26.6.1679), em cujo processo se diz ser "fidalgo" e "muito nobre e de boa qualidade".Faleceu solteiro, com testamento, deixando herdeiro o irmão Cristóvão.
Deste Pedro e seu irmão Cristóvão foram ainda irmãs Maria Soares de Andrade, b. a 26.9.1638, freira em Sá (Aveiro) como Soror Maria da Nactividade; e Susana Borges de Castro, b. a 9.10.1641, que faleceu solteira.

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Pedro Vaz Soares, feitor em Sofala, a 30.6.1515 escreve uma carta a D. Manuel I sobre coisas da dita feitoria. 

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Gomilhães

Gominhães

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em 1648 se documenta morador em Arrifana

na inquirição do neto Domingos Homem Soares, em 1648, ele e sua mulher são referidos como moradores (que foram) em Arrifana de Santa Maria (Feira)

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Pedro Homem da Costa, de Vouzela, segundo Alão,

Pedro Homem da Costa, de Vouzela, segundo Alão, que é certamente o Pedro Homem da Costa que com sua mulher Violante de Alvellos, moradores no Porto, tinham em 1594 do mosteiro de Paço de Sousa o prazo do Casal de Atães, em Stª Cruz de Jovim,

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Pedroso, certamente irmão de Vasco

Pedroso, certamente filho de Vasco

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filha de João Anes de Paiva

irmã de João Anes de Paiva

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bisneto de João Anes de Paiva

sobrinho-neto de João Anes de Paiva

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Gonçalo Vaz de Castello-Branco de facto casou com Leonor Vasques, como se diz. A 25.3.1386 D. João I confirmou a Gonçalo Vasques de Castello-Branco o couto e honra de Sobrado, em Paiva, como já tinham «paay soarez e dona Jnes e teuam paã auoos de lionor uaasqz sua molher».
Portanto, Leonor Vasques era neta de Paio Soares de Paiva e sua 2ª mulher D. Inez Rodrigues Ribeiro, mas não filha de Estêvão Paes de Paiva, filho primogénito de Paio Soares, como dizem as genealogias tardias mas que o patronímico dela já recusava. Assim, Leonor Vasques era seguramente filha de Vasco Paes de Paiva, irmão ou meio-irmão mais novo daquele Estêvão Paes.

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ambos filhos do Manuel de Lemos

ambos filhos do prior de Recardães António de Lemos, como vai na pág. 158 deste volume.

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Gonçalo de Barros era já Dom abade do mosteiro de Stº André de Rendufe quanto tirou ordens de missa em Braga a 22.9.1464. Devendo ser o Gonçalo Nunes de Barros que tirou ordens de Epístola a 13.3.1456, também em Braga, sendo referido como natural de S. Salvador de Bravães e «de soluto genitus e soluta». Rendufe e Bravães não ficam nos Arcos de Valdevez, mas sim Rendufe em Amares e Bravães em Ponte da Barca.

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Do Doutor Lourenço Vaz Pereira existe uma carta de 27.6.1559 para D. Sebastião, escrita e assinada por ele, com muito bonita letra, onde diz que o rei o mandou ao mestrado de Avis, como seu ouvidor, e expondo que João Mendes, alcaide de Avilla de Fronteira, se ausentara com receio dos erros do dito ofício, que repreendera o juiz de fora Gonçalo de Almeida, que por injustas suspeições que Luís Soeiro movia na Vila de Avis tirava aos pobres muitas fazendas, e requerendo provisão para devassar sobre os casados, amancebados e alcoviteiras de Benavente e Coruche.
O doutor Lourenço Vaz Pereira não casou a 1ª vez com Branca Afonso de Gouveia, como admito possível. Na verdade, quem casou com esta Branca, aliás Homem de Gouveia, foi um Lourenço Vaz da Gama, sendo pais do doutor António da Gama, célebre jurisconsulto, desembargador da Casa da Suplicação, etc., que nasceu na Madeira em 1520, matriculou-se na UC em 1537, foi depois estudar para a Universidade de Bolonha, foi lente de Código na UC em 1546 e fal. a 30.3.1595, com 75 anos.

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Rui Barreiros de Seixas foi ainda contador do almoxarifado. A 15.5.1533 D. João III manda ao almoxarife de Viseu que pague as despesas que o contador daquela comarca fez com os homens que foram com lanços à fazenda, até à quantia de 4.000 reais, na sequência do que Rui Barreiros, cavaleiro da Casa Real e contador do almoxarifado da mesma cidade, manda aquele almoxarife pagar a diversas pessoas as porções conteúdas nos mandados.

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40

Isabel de Barros terá nascido cerca de 1667 e não 1460 e, também ao contrário do que indico no livro, não seria filha de Lopo de Barros mas sim sua sobrinha, filha de sua irmã Filipa de Barros, referida na pág. 279, e de seu 3º marido Rodrigo Álvares (de Araújo). No livro chamo-o João Rodrigues de Araújo e digo que foi o 2º marido, seguindo o que era corrente. Com efeito, Gaio chama-lhe João Rodrigues de Araújo ou Rodrigo Álvares de Araújo e Alão diz que Filipa de Barros casou a 2ª vez na Galiza, o que significa que casou com um galego, que ele não nomeia. Mas deve ter sido de facto Rodrigo Álvares, sendo certamente o que foi morto por seus primos em 1468. Com efeito, a 10.5.1468 D. Afonso V doou a Fernão de Lima, fidalgo da sua Casa, todos os direitos e bens que pertenceram a Paio Rodrigues de Araújo e a Lopo de Araújo, que os perderam por terem morto Rodrigo Álvares, escudeiro, morador em Pousada, terra da Nóbrega, Gonçalo Álvares e outros homens, e por terem fugido para o senhorio da Galiza. Tendo em conta a cronologia dos filhos de Filipa de Barros, este Rodrigo Álvares (de Araújo) foi necessariamente o 3º marido, e não o 2º como dizem as genealogias.
De Filipa de Barros e deste seu 3º marido Rodrigo Álvares parece certo, apesar da confusão que grassa nas genealogias, que era filho o Gonçalo de Barros que era tabelião em Braga e aí morador na freguesia da Cividade com sua mulher Isabel Vaz (de Macedo) quando o filho Jorge de Barros tirou ordens menores a 12.3.1502 (fls. 202). Deste Gonçalo de Barros e Isabel Vaz (de Macedo) foi também filha Maria de Barros, casada em Braga com Afonso Pequeno Chaves, c.g.
Filipa de Barros, nascida cerca de 1425, casou portanto a 1ª vez com António Mendes de Vasconcellos, s.g., a 2ª vez com Rui Barreiros, de quem terá tido apenas outro Rui Barreiros, nascido cerca de 1452, e a 3ª vez com Rodrigo Álvares (de Araújo), de quem terá ficado viúva em 1468, com filhos menores.
Não sei se os inúmeros filhos que as genealogias apontam a Filipa de Barros foram ou não dela. Mas o Gonçalo de Barros que a 4.11.1523 tirou cartas de armas para Araújo e Barros e casou com Catarina Ledo, esse de certeza que não é. Pode mesmo apontar-se este caso como paradigmático da falsificação (ou estupidez) genealógica de Gaio. O marquês de Montebelo, muito naturalmente, entroncou este Gonçalo de Barros com base na sua própria carta de armas, onde se diz filho de Álvaro Afonso de Araújo e sua mulher Inez de Barros e neto de Afonso Gonçalves de Araújo. Pois, apesar desta evidência, Gaio retorceu toda a verdade (até a data da carta de armas mudou para 1548!) e deu este Gonçalo de Barros como filho de Filipa de Barros. Não contente com isso, em Araújos, mudou o nome do pai para Afonso “Rodrigues” de Araújo, para assim o poder fazer filho de Rodrigo Álvares de Araújo!
Na verdade, o avô Afonso Gonçalves de Araújo era certamente filho de Pedro Anes de Araújo, senhor de Lobios (Ourense), senhor de juro e herdade (20.5.1398) e alcaide-mor (16.8.1398) de Lindoso, etc. Portanto, irmão de Pedro Gonçalves de Araújo, como expressamente diz a carta de armas (16.11.1535, para Araújo) do neto deste (filho de Francisco de Araújo) Álvaro Pires de Araújo.
Assim, o Gonçalo de Barros que tirou carta de armas em 1523 era, pelo Araújo (desconheço o parentesco pelos Barros), primo no 3º grau do Gonçalo de Barros tabelião de Braga, esse sim indubitavelmente filho do 3º casamento de Filipa de Barros. Na verdade, Rodrigo Álvares (de Araújo), pai do tabelião, era filho de Álvaro Rodrigues de Cadorniga, senhor de Mugueimes (Ourense), e de sua mulher Beatriz de Araújo (ou Velho), justamente irmã daquele Afonso Gonçalves de Araújo, portanto ambos filhos do antedito Pedro Anes de Araújo e sua mulher Leonor Gonçalves Velho e netos paternos de Gonçalo Rodrigues de Araújo, senhor de Lobios, alcaide-mor de Lindoso e Castro Laboreiro (12.10.1382 e 20.4.1383), que apoiou o partido da rainha D. Beatriz, e de sua 1ª mulher Maria Ribeiro. Este Gonçalo Rodrigues de Araújo casou 2ª vez, s.g., com Froile (ou Maria) Afonso de Magalhães.
A Álvaro Rodrigues de Cadorniga e sua mulher dão as genealogias vários filhos, entre eles um Fernando Rodrigues (de Araújo), cónego da Sé de Braga, e um Diogo Rodrigues (de Araújo) que Gaio diz ter sido alcaide-mor de Guimarães. Mas não existe nenhum alcaide de Guimarães com este nome, sendo que nesta alcaidaria serviram então Fernão Pereira e depois (14.8.1484) Fernão de Lima. No entanto documento um Diogo Rodrigues que a 30.12.1486 foi coudel de Guimarães e a 5.1.1487 foi vedor em Guimarães. Mas é possível que este Diogo Rodrigues de facto tenha servido como alcaide interino de Guimarães, nomeadamente sob a autoridade de Fernão Pereira, pois em 1471 ocupou tal posto um Pedro de Barros, provável irmão de Filipa de Barros, portanto cunhada (viúva) deste Diogo Rodrigues. Com efeito, a 15.10.1471, D. Afonso V perdoou a justiça régia a Pedro de Barros, alcaide por Fernão Pereira no castelo de Guimarães, culpado da fuga de três presos, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e conquista da vila de Arzila e cidade de Tânger, bem como mediante o perdão das partes. A este Pedro de Barros, escudeiro de Fernão Pereira, alcaide-mor de Guimarães, tinha a 21.7.1464 D. Afonso V concedido carta de privilégio de fidalgo, por estar pronto para servir na guerra, isentando todos os seus caseiros, amos, lavradores e apaniguados que estiverem em suas casas e herdades, de qualquer imposto, encargo e ofício concelhio, de ir com presos e dinheiros, de ser tutor e curador, de ser posto por besteiro do conto e do cavalo, de servir por mar e terra, na guerra, bem como do direito de pousada.
Como vimos, o 3º marido de Filipa de Barros, o escudeiro Rodrigo Álvares (de Araújo), então morador em Pousada, na terra da Nóbrega, foi morto em 1468, tendo os bens dos seus matadores, que fugiram para a Galiza, sido doados justamente a Fernão de Lima. Desde logo, esta Pousada em que vivia Rodrigo Álvares é certamente a torre de Pousada, hoje na freguesia de Calvelo, concelho de Ponte de Lima, que pertenceu ao comendatário Gonçalo Nunes de Barros, pai de Filipa de Barros, e depois passou para seu filho Lopo de Barros, irmão inteiro de Filipa. Mas é muito natural que Filipa tenha sido co-herdeira da torre e quinta de Pousada, e por isso aí vivesse com seu marido. Ou, em alternativa, vivessem na quinta do irmão e cunhado, até porque este vivia na cidade de Braga, nas suas casas à rua do Pai Manta, como se documenta. Sendo que a designação genérica de terra da Nóbrega incluía ainda no séc. XV as terras limianas. Os matadores de Rodrigo Álvares, Paio Rodrigues de Araújo e Lopo de Araújo, era seus primos-direitos, ambos filhos de Paio Rodrigues de Araújo, senhor de Lobios, senhor de juro e herdade de Lindoso, de Castelo Rodrigo (26.11.1433) e de Monção, que foi guarda-mor de D. João I, alcaide-mor de Lindoso, comendador de Rio Frio e Rio Caldo, embaixador a Castela, etc., e netos do antedito Pedro Anes de Araújo.
Voltando a Diogo Rodrigues (de Araújo), putativo alcaide-mor interino de Guimarães, mas seguramente coudel e vedor desta vila, é natural que após a morte do irmão, deixando filhos menores, tenha apoiado e assistido a viúva, assumindo-se até como tutor, formal ou informal, dos sobrinhos, que, como vimos, foram pelo menos dois: Gonçalo de Barros, nascido cerca de 1463, que foi tabelião de Braga, e Isabel de Barros, nascida cerca de 1467 (portanto um ano antes de seu pai ter sido morto) e que casou com Gonçalo Vaz do Rego, cavaleiro da Casa d'el rei, alcaide-mor do Vimioso (28.3.1496), nascido cerca 1463 e falecido em 1519.
A principal razão que me leva a alterar a filiação de Isabel de Barros é o prenome e patronímico de seu filho Diogo Rodrigues de Barros. Se ela fosse filha de Lopo de Barros, como dizem as genealogias e eu segui no livro, não existia qualquer razão para a onomástica do filho. Já se ela fosse sobrinha de Lopo de Barros, portanto filha de Filipa de Barros e seu 3º marido Rodrigo Álvares (de Araújo), não só existia uma razão formal para o patronímico Rodrigues como, sobretudo, uma razão muito plausível para o conjunto Diogo Rodrigues. Com efeito, como ficou dito, é muito provável que o coudel, vedor e putativo alcaide-mor interino de Guimarães Diogo Rodrigues (de Araújo) tivesse ajudado a cunhada viúva a criar os filhos menores. Não é portanto de estranhar que sua sobrinha Isabel de Barros tivesse dado ao seu 2º filho o nome e patronímico do tio, que até devia ter sido padrinho de baptismo da criança, uma vez que Diogo Rodrigues de Barros nasceu cerca de 1485 e Diogo Rodrigues (de Araújo) ainda se documenta vivo em 1487.
Diogo Rodrigues de Barros nasceu no castelo de Vimioso e viveu casado em Vila Real, onde faleceu cerca de 1550, com 65 anos aproximadamente. Não foi alcaide-mor de Vimioso, como dizem as genealogias e eu inadvertidamente segui. Quem ocupou este cargo foi seu irmão mais velho João do Rego. Diogo Rodrigues de Barros casou com Isabel Ribeiro Botelho, senhora da quinta do Paço, em Borbela, junto a Vila Real. No processo para habilitação do Stº Ofº (13.6.1630) de António Botelho Pimentel, a testemunha Francisco Botelho Carneiro, de 72 anos, parente do habilitado dentro do 4º grau, diz que ainda conhecera esta Isabel Ribeiro Botelho, dona viúva de Diogo Rodrigues de Barros, bisavós do habilitado. Tiveram geração, nomeadamente a que refiro no livro, mas também a que refiro na pág. 99 e seguintes deste volume. Com efeito, de Diogo Rodrigues de Barros e sua mulher foi filha mais velha Helena Botelho, nascida cerca de 1506, que casou em Vila Real cerca de 1520 com o Licenciado António Machado, aí nascido cerca de 1490, conforme mais detalhadamente já ficou dito neste aditamento.
Regressando a Isabel de Barros e seu marido Gonçalo Vaz do Rego, tiveram, além de Diogo Rodrigues de Barros, pelo menos mais seis filhos: João do Rego, o primogénito, nascido cerca de 1484, cavaleiro da Casa de D. Manuel I, a quem este rei a 10.10.1519 fez mercê de alcaide-mor de Vimioso, da maneira que seu pai Gonçalo Vaz do Rego tinha o dito ofício, tendo já a 28.6.1514 João do Rego, cavaleiro do rei, tido confirmação de uma horta, um lameiro e uma vinha velha em Vimioso, que tinham pertencido a seu avô (na verdade bisavô) Estêvão Mendes; Gonçalo Vaz do Rego, nascido cerca de 1488, que como Gonçalo tirou ordens menores em Braga a 12.3.1502, sendo natural da freguesia de S. Vicente de Vimioso, onde viviam os pais (fls. 198) e como Gonçalo Vaz do Rego foi confirmado como alcaide das sacas de Vimioso por D. João III (3, 128v); Simão, que tirou ordens menores em Braga a 1.5.1504, sendo natural da freguesia de S. Vicente de Vimioso, onde viviam os pais (fls. 281); Amaro, ib; Fabião, ib; e Sebastião, ib.
Gonçalo Vaz do Rego, o marido de Isabel de Barros, a 28.3.1496, sendo referido com este nome e como cavaleiro da Casa Real, teve mercê da alcaidaria-mor de Vimioso. A 9.5.1496, sendo referido apenas como Gonçalo Vaz, cavaleiro da Casa d'el rei, alcaide-mor do Vimioso, teve confirmação do privilégio do couto da Torre de Moncorvo, podendo viver no dito castelo vinte homiziados de quaisquer malefícios em que sejam culpados, não sendo presos, nem tirados do dito couto. Todavia, sendo tais os malefícios que não gozem do privilégio e imunidade da Igreja, nesses casos não é válido este privilégio de couto. Este privilégio vale apenas para os homiziados cujos malefícios forem cometidos até dez léguas do dito couto (inserido o diploma confirmado de 27.2.1494 a seu pai). A 4.1.1498 Gonçalo Vaz do Rego, cavaleiro da Casa Real e alcaide-mor do castelo do Vimioso, teve padrão de 3.000 reais de tença para toda a sua vida. A 14.3.1508 Gonçalo Vaz do Rego, morador e alcaide-mor na vila do Vimioso, atendendo ao facto de ele fazer e acrescentar umas suas casas sitas no dito lugar para servirem de estalagem, teve privilégio para ter estalajadeiro, com as isenções e garantias inerentes ao cargo, extensivas aos que com ele residem. A 10.10.1519 D. Manuel I fez mercê de alcaide-mor da vila do Vimioso a João do Rego, cavaleiro da sua Casa, da maneira que seu pai Gonçalo Vaz do Rego tinha o dito oficio. A 15.6.1520 Afonso Homem, cavaleiro da Casa Real, contador das obras terças e resíduos da comarca de Trás-os-Montes e recebedor do dinheiro das terças dessa comarca, teve quitação de todo o dinheiro que recebeu e despendeu no ano que começou em S. João de 1509 e acabou no mesmo dia de 1510, do ano que começou em S. João de 1511 até ao mesmo dia de 1515 e de seis meses, começando no dia de S. João até ao fim de Dezembro e daí em diante de Janeiro a Janeiro de 1516, 1517 e 1518. Entre o que recebeu constam 56.694 reais relativos a 1518, indicando as quantias das terças, penas, que recebeu dos herdeiros de Gonçalo Vaz do Rego, alcaide-mor que foi de Vimioso, por os não ter gasto nas obras da vila, e do resto da conta que tomou a Gonçalo de Revoreda, vedor e recebedor das obras de Miranda.
Este Gonçalo Vaz do Rego era filho de outro Gonçalo Vaz do Rego, cavaleiro, também alcaide-mor de Vimioso, e de sua mulher Francisca Mendes de Antas, filha sucessora Estêvão Mendes de Antas, senhor e alcaide-mor de Vimioso (11.1.1482). Este Gonçalo Vaz do Rego, o Velho, nascido cerca de 1432 e falecido em 1496, em 1495, sendo referido como Gonçalo Vaz do Rego, escudeiro, morador em Vimioso, teve confirmação como alcaide das sacas desta vila e seu termo, como havia por carta d’el rei D. João II, com todos os próis e percalços, rendas e direitos. Como Gonçalo Vasques do Rego a 20.6.1483 foi nomeado escrivão das sisas de S. Romão e Vila Cova e deve ser o Gonçalo Vaz que D. João II nomeou a 31.10.1483 meirinho da correição de Trás-os-Montes e chanceler da comarca de Trás-os-Montes (29.11.1483). Julgo que este Gonçalo Vaz do Rego era filho de João Vaz do Rego, pajem do infante D. Pedro, como se diz na carta de armas para Rego (19.12.1561) de seu bisneto Tristão Rodrigues do Rego, cavaleiro fidalgo da Casa Real, filho de Gonçalo Rodrigues do Rego, neto de Diogo Vaz do Rego e bisneto do dito João. E este João Vaz do Rego talvez fosse irmão de Fernão Vaz do Rego, escudeiro do infante D. Pedro, que a 23.6.1442 teve mercê real do cargo de inquiridor, contador e distribuidor dos feitos da vila de Óbidos, a 12.3.1443 de escrivão dos órfãos da almotaçaria da gafaria das balas da mesma vila, a 9.4.1468 de procurador do número e a 1.12.1469 de coudel desta vila. E João e Fernão Vaz do Rego podiam ser netos do Gonçalo Vaz do Rego que teve várias mercês de D. Fernando I, nomeadamente a quinta da Ribeira de Loures, no termo de Lisboa, e a renda da colheita da Arruda.
A antedita Francisca Mendes de Antas, mulher do alcaide-mor de Vimioso Gonçalo Vaz do Rego, o Velho, era irmã mais velha de Leonor Mendes de Antas, que segundo as genealogias casou com Baltazar Mendes, sendo destes filho Mendo Afonso, que viveu em Vimioso numa torre que herdou de sua mãe, casado com Beatriz Feijó. Com efeito, por carta de D. Manuel I Beatriz Feijó, mulher viúva de Mendo Afonso, homem que foi do Vimioso, teve a 10.5.1496 confirmação da tença anual de 6.000 reais de prata, em sua vida, os quais lhe foram dados a 20.8.1495 por alguns direitos reais que a coroa tinha no almoxarifado da Torre de Moncorvo. Para além disso, foram-lhe concedidos mais 60.000 reais, para seus filhos, pela outra metade, que por isso mesmo forem entregues a seu tutor, e por um alvará em que lhe ficam de dar ajuda de casamento a cada um deles, quando se casarem. E a 3.3.1521 Álvaro Mendes, cavaleiro da Casa Real, teve uma tença anual, desde Janeiro que passou em diante, em sua vida, de 6.000 reais, os quais tinha Beatriz Feijó sua mãe, mulher que foi de Mem Afonso, morador no Vimioso, pela sua metade da torre do dito lugar que lhe pertencia e o rei lhe comprou. E além desta tença foram-lhe dados mais 60.000 reais a seus filhos pela outra sua metade e foram entregues a seu tutor. Beatriz Feijó renunciou no dito Álvaro Mendes seu filho por um público instrumento de renunciação feito e assinado por Afonso Galego, tabelião em Vimioso a 28 de Novembro. A quantia foi mandada assentar no almoxarifado da Torre de Moncorvo. André Dias a fez. E esta compra foi feita à dita Beatriz Feijó por el rei D. João meu primo que Deus haja.
Além do referido Álvaro Mendes, Mendo Afonso e sua mulher Beatriz Feijó tiveram ainda uma filha chamada Isabel Mendes (de Antas), nascida cerca de 1492 em Vimioso, que casou com Nuno Navarro e foram pais de Inez Navarro de Antas (ou Dantas), nascida cerca de 1512 e falecida depois de 1580, que casou com Pedro de Moraes, nascido (cerca de 1500) e morador no Mogadouro, onde exerceu cargos nobres e da governança, que é certamente o Pedro de Moraes que foi escrivão da Câmara e das sisas de Mogadouro no reinado de D. João III (CJIII, 48, 18 e 128). Destes foi filho Belchior de Moraes de Antas (ou Dantas), nascido cerca 1532 em Mogadouro, que em 1579 fez uma justificação de nobreza, em princípio para tirar uma carta de armas que terá obtido em 1586, mas da qual não há notícia, salvo a referência a ela feita pela carta de armas de seu descendente Manuel de Moraes Faria Antas da Silva, de 30.4.1724, para Antas, Moraes, Gonçalves e Rodrigues. Nesta justificação, «diz Belchior de Moraes Dantas morador na villa de Monxagate (Muxagata) que a elle lhe é necessário um publico instrumento com fé de testemunhas de que se espera de ajudar de como é verdade que elle supplicante é filho nascido de legitimo matrimonio de Pedro de Moraes e sua mulher Ignez Navarra Dantas moradores que foram nesta villa de Mongadouro e de como o dito Pedro de Moraes pae delle supplicante era de geração dos Moraes legítimos deste reino que todos foram e são fidalgos da casa de el-rei nosso senhor e outrosim sua mãe delle supplicante Ignez Navarra Dantas foi filha de Nuno Navarro e de sua mulher Izabel Mendes Dantas e outrosim da geração dos Mendes Dantas legítimos do dito reino de Portugal e seus avos della a dita Ignez Navarra Dantas e bisavos delle supplicante foram todos senhores da villa de Vimioso e tiveram sempre a jurisdicção della e foram fidalgos de geração nos livros do dito senhor como hoje em dia o são os que delles descenderam filhos netos parentes dos avos delle supplicante e se lhe guardam todas as preeminências que tem as pessoas de suas qualidades e o dito pae delle supplicante Pedro de Moraes foi fidalgo de geração dos Moraes nobres deste reino e de quem se elle serviu em muitos cargos nas comarcas de Trás-los-Montes e Entre-Douro e Minho e na da Beira e sempre gosou das ditas liberdades tendo sempre armas e cavallos e criados e mais usanças de nobreza e fidalguia como hoje em dia tem o dito Belchior de Moraes seu filho e sempre teve armas e cavallos e o mais e andou no habito e geração e fidalguia que procede dos que foram senhores da dita villa do Vimioso e de outras notáveis pelo que pede elle supplicante a vossas mercês que com as fés das testemunhas que apresentar e fés de vossas mercês lhe mandem dar do conteúdo nesta petição seu instrumento em publica forma e receberá justiça e mercê». Acrescentado depois as testemunhas que «o avô da mãe do dito Belchior de Moraes Mendo Afonso Dantas que foi senhor da villa do Vimioso». Mas esta parte é mentira e, de resto, as testemunhas são posteriores a Mendo Afonso. O facto é que o senhorio de Vimioso, após a morte de Estêvão Mendes de Antas, não foi renovado, vindo pouco anos depois a ser doado em condado a D. Francisco de Portugal. A documentação coeva refere que Mendo Afonso (sem Antas) tinha de facto uma torre em Vimioso, que D. João II comprou à viúva, mas não era senhor da vila. E quem sucedeu a Estêvão Mendes de Antas como alcaide-mor foi o genro Gonçalo Vaz do Rego. Por isto, e pela onomástica e pela cronologia, Mendo Afonso não era nem podia ser filho de Estêvão Mendes de Antas. Era, sim, seu neto materno, filho de sua filha mais nova Leonor Mendes de Antas, como ficou dito. Quanto a Pedro de Moraes, que a antedita tardia carta de armas de 1724, por habilidade de redacção, faz crer que também era Antas, fica evidente que não era. Com efeito, bem lida esta carta de armas, este Pedro de Moraes seria filho de um Francisco Rodrigues de Moraes e de mulher desconhecida e neto de um Vasco Rodrigues de Moraes e sua mulher Micaela de Albuquerque. Este Vasco Rodrigues terá nascido cerca de 1440/50 e aparentemente seria do Mogadouro. Ora, como seu alegado neto Pedro de Moraes foi escrivão da Câmara e das sisas de Mogadouro, bem me parece que se trata do Vasco Rodrigues que a 29.10.1484 D. João II nomeou escrivão da Câmara de Mogadouro, e o Vasco Rodrigues que foi destituído do cargo de escrivão das sisas de Mogadouro, por erros no ofício, tendo a 9.3.1475 D. Afonso V nomeado em sua substituição Nuno Rodrigues, escudeiro que foi de Álvaro Pires de Távora, talvez seu irmão. Se assim é, como parece, e dado que Vasco Rodrigues não consta como Moraes, devia sê-lo pela mãe. Sendo que esta devia ser irmã do Afonso de Moraes, morador no lugar de Remondes, termo do Mogadouro, a quem a 21.6.1441 D. Afonso V perdoou a justiça régia, sendo culpado na morte de João Gonçalves Picão, na sequência do perdão geral outorgado para repovoamento de alguns lugares do reino, ficando reservado às partes o direito de o demandar civilmente pelas injúrias e danos.
Portanto, Estêvão Mendes de Antas e sua mulher Maria de Madureira não deixaram filhos varões, mas apenas duas filhas: Francisca Mendes de Antas, casada com Gonçalo Vaz do Rego, que sucedeu como alcaide-mor de Vimioso e em mais bens (como se documenta), e Leonor Mendes de Antas, que herdou nomeadamente uma torre em Vimioso e casou com Baltazar Mendes, sendo pais de Mendo Afonso, sucessor na dita torre, a quem foi dado o prenome e patronímico do bisavô (Mendo Afonso, pai de Estêvão Mendes). Maria de Madureira é referida na carta de 1724, invocando a alegada carta de armas de 1586. Devia ser filha ou irmã do abade D. Luiz de Madureira. A 12.7.1455 D. Afonso V legitimou Álvaro Anes de Madureira, filho de D. Luiz de Madureira, abade do mosteiro de Stº Estêvão de Avelãs, termo da vila de Bragança, e de Isabela Dias, mulher solteira, a pedido de seu pai. Este Álvaro Anes de Madureira foi a 16.10.1464 nomeado alcaide das sacas e portos da comarca de Trás-os-Montes.
Quanto a Estêvão Mendes de Antas, referido assim nas genealogias e cartas de armas, na documentação primária coeva consta apenas como Estêvão Mendes, o que não impede que fosse Antas. Nomeadamente quando a 11.1.1482 teve de D. João II a doação de Vimioso e seu castelo (CJII, 6, 6). Gaio, que pomposamente lhe chama Estêvão Mendes de Moraes de Antas, diz que foi «Sr de Vemiozo, e demandou sobre o m.mo senhorio a D. Francisco de Portugal pello direito q dezia ter pella condição de hum testam.to, ou titulo q retificou o Sr Rey D. João 2º na volta da Guerra, a qual causa correo na Correcção de Vizeu, e ficou develuto o senhorio». Esta demanda terá sido contudo com Gonçalo Rodrigues de Castanheda, pois a 8.2.1481 D. Afonso V doou a Gonçalo Rodrigues de Castanheda, fidalgo da sua Casa, o lugar de Vimioso e seus termos, que haviam pertencido a Estêvão Anes, escudeiro, morador em Bragança, mediante certas condições (o documento está parcialmente ilegível). Este Estêvão Anes era Estêvão Anes de Bragança, primo de Estêvão Mendes. Em rigor, este Estêvão Mendes não tinha direito à sucessão, pois o senhorio foi dado a Estêvão Anes de Bragança, para si e seus descendentes, e este Estêvão Mendes era primo e não descendente. Mas conseguiu, não sei por que artes, obter o senhorio.
Estêvão Mendes era filho de Mendo Afonso de Antas, cavaleiro, corregedor da correição da Beira e da Estremadura, etc., e de sua mulher Maria de Vasconcellos (o nome desta tem origem na antedita carta de armas). A 25.6.1439 D. Afonso V confirmou a nomeação de Mendo Afonso Dantas, corregedor da correição da Beira, para que fora nomeado a 12.12.1437, no cargo de corregedor da correição da Estremadura, em substituição de João Anes, que fora nomeado para corregedor de Entre-Tejo-e-Odiana. A 25.3.1442 o mesmo rei nomeou Fernão Gonçalves, criado de Mendo Afonso de Antas, corregedor da correição da Beira, para o cargo de escrivão da chancelaria da comarca e correição da Beira, em substituição de Lopo Afonso, que renunciara. E a 29.6.1443 nomeou Lopo Álvares, escolar e seu vassalo, para o cargo de corregedor na comarca e correição da Beira, em substituição de Mendo Afonso Dantas. Mendo Afonso de Antas vem referido na antedita carta de armas como senhor de Vimioso, o que não é verdade, pois este senhorio teve seu primo Estêvão Anes de Bragança, como ficou dito. Mas pode ter sido por ele alcaide-mor, e aí teve certamente propriedades, tal como tinham também seus antepassados. Com efeito, Mendo Afonso era filho de Afonso Mendes de Antas e sua mulher Alda (Aldonça) Gonçalves de Moraes, sendo Afonso Mendes de Antas irmão mais novo de João Mendes de Bragança, pai do antedito Estêvão Anes de Bragança que teve o senhorio de Vimioso e deixou apenas filhos ilegítimos, que por isso não sucederam. A 24.10.1386 D. João I deu a Estêvão Anes, seu escudeiro, o senhorio da aldeia de Vimioso, de juro e herdade, para si e seus descendentes, como até aí tivera Fernão Rodrigues de Escovar e assim outros castelões. E a 14.8.1399 o mesmo rei doou a «steu eans de bragaça seu scudeiro» a terra de Sobradelo, no almoxarifado de Guimarães. Estêvão Anes de Bragança teve uma demanda com a Câmara de Vimioso, que queria impedi-lo de coutar uma herdade que fora de seu pai João Mendes e já fora de seu bisavô Estêvão Anes.

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 Sobre a origem dos Almeida ver on-line o meu Ensaio sobre a origem dos Almeida (http://www.soveral.info/mas/Almeida.htm).

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Álvaro Fernandes de Almeida foi legitimado por carta real de 23.1.1395, carta esta onde seu pai vem referido como criado e vedor da Casa do rei (D. João I), sendo solteiro, e a mãe vem como Maria (e não Catarina, como disse) Lourenço, também solteira.

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O texto que começa por «4.1.1. ?(N) Rui Lopes de Almeida» deve ir recuado. Este Rui Lopes é filho de Lopo Martins de Almeida.

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mulher Martim Coelho

mulher de Martim Coelho

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Joana de Almeida, donzela da infanta Dona Catarina, casada com Fernão Martins de Souza, que vai com interrogação como possível filha de Martim Lourenço de Almeida, na verdade foi erro de leitura e não é Almeida mas sim Almada. Trata-se de Joana de Almada, filha de João Afonso de Brito, que casou com Fernão Martins de Souza, que faleceu antes de seu pai, e foram pais de João Fernandes de Souza, 4º senhor de juro e herdade de Baião. Vide o meu estudo Argollo. Uma família brasileira de 1500 (http://www.soveral.info/mas/argollo.htm).

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Este licenciado Pedro de Gouveia foi o 1º marido marido de Beatriz de Almeuda, de quem teve Martim ou Martinho Vaz de Gouveia, fidalgo da Casa Real e do Conselho de D. Manuel I (1518), que a 16.7.1512 deu quitação a sua sogra Dona Mayor de 50.000 reais que esta lhe devia do dote de casamento. E a 10.4.1511 Diogo de Almeida, capelão do rei, teve uma tença anual de 8.000 reais, até perfazer o pagamento de 1.000 coroas que lhe foram trespassados por Martim Vaz de Gouveia, fidalgo da Casa Real, em escambo de certos casais na Beira. As 1.000 coroas foram dadas a Martim Vaz, por sua sogra, D. Maior, pelo casamento de sua filha. Esta houvera-as de seu marido, Gomes Ferreira, a quem tinham sido trespassadas por falecimento de seu irmão Martim Ferreira, que as recebera em casamento, segundo se sabe por um público instrumento feito no Porto a 14.3.1501, por Fernão Garcez, tabelião nessa cidade (CMI, 8. 50v). E a 30.4.1520 D. Manuel I doou ao licenciado Pedro de Gouveia, do seu Conselho e desembargo, e a seu filho Martim Vaz de Gouveia, para toda a sua vida, a renda das saboarias do almoxarifado de Portalegre (ib, 36, 64v). Com efeito, Martim Vaz de Gouveia casou com D. Joana de Távora, que era sua viúva em 1526, ano em que ela recebeu as ditas rendas das saboarias de Portalegre. Sendo D. Joana filha de Gomes Ferreira, porteiro-mor de D. João II, que recebeu ordens menores em Braga a 18.12.1456 e foi moço fidalgo (1462) e cavaleiro fidalgo (1474) da Casa de D. Afonso V (vide o meu Ensaio sobre a origem dos Ferreira) e de sua mulher D. Maior de Sottomayor, filha dos condes de Caminha e Tui. De Martim Vaz de Gouveia e sua mulher foi filho Rui Pires de Gouveia, nascido cerca de 1500, moço fidalgo da Casa de D. João III, que viveu em Santa Cruz de Lumiares (Armamar), onde foi ouvidor do duque de Coimbra. Teve carta de D. João III para deixar certa renda ao convento de Stº Eloi de Requião (CJIII, 50, 9v).
O licenciado Pedro de Gouveia foi legitimado por carta real de 21.5.1459 (CAV, 36, 108v), sendo filho de Maria Fernandes, solteira, e de Gonçalo Dias de Gouveia, cónego e mestre-escola da Sé de Viseu, vigário geral da diocese e bacharel em Degredos, a que me refiro várias vezes nesta obra, a propósito de filhas que teve. A filiação deste Gonçalo Dias (como normalmente aparece) é incerta e não é certamente a que lhe atribuem as genealogias. Julgo que é filho de um Diogo e de uma senhora Gouveia.
O licenciado Pedro de Gouveia nasceu cerca de 1442 e ainda vivia em 1520. Estudou na Universidade de Paris e chegou a cavaleiro do Conselho de D. Manuel I, seu chanceler-mor, do seu Desembargo e dos Agravos da Casa da Suplicação e seu juiz dos feitos. Tudo indica que seja já o Pedro de Gouveia, escudeiro, fidalgo da Casa Real, que a 26.1.1458 teve de D. Afonso V uma tença anual de 7.200 reais (CAV, 35, 15). E a
26.8.1475 a doação vitalícia das rendas da pensão dos tabeliães da cidade de Lamego (CAV, 30, 45v). Bem assim como o homónimo que D. João II a 20.7.1482 nomeou corregedor da Estremadura (CJII, 2, 169). Era juiz dos feitos da Casa da Suplicação desde o início do reinado de D. Manuel I, rei que a 16.1.1500 nomeou o licenciado Pedro de Gouveia no ofício de desembargador dos agravos da Casa Real e da Suplicação, além dos 5 que já estavam ordenados na dita Casa, com o mantimento anual de 60.000 reais, como é ordenado haver cada um dos outros desembargadores dos agravos (CMI, 14, 38). Em 1502 desempenhava o cargo de chanceler-mor, pois numa carta de 12 de Julho o rei refere o licenciado Pedro de Gouveia, de seu Conselho e que agora tem o cargo de seu chanceler-mor (ib, 2, 64v). A 21.10.1515 o mesmo rei doou uma tença de 20.000 reais ao licenciado Pedro de Gouveia, do seu Conselho e desembargador dos agravos da Casa da Suplicação, que deixou o ofício de juiz dos feitos reais (ib, 24, 150). E ainda vivia a 24.8.1520, quando o mesmo rei fez mercê ao licenciado Pedro de Gouveia, do seu Conselho e desembargo, de outra tença 20.000 reais, por toda a sua vida (ib, 36, 64v).

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314

33

Pedro de Almeida (5.5.2) não pode cronologicamente ser identificado (como no texto ponho a hipótese) com o Pedro Fernandes (de Almeida), aliás Pedro Anes, que casou com Leonor Afonso (de Abranches). Quando muito, este Pedro, que nasceu cerca de 1500, pode ser seu filho, dado que tudo indica que Pedro de Almeida tenha ido casar a Cassurães, onde este Pedro viveu.

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314

41

que depois de vivo foi cónego

que depois de viúvo foi cónego

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324

nota

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328

11

D. Jorge de Almeida (2.6.) tirou ordens menores em Braga a 19.5.1464

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329

9

Pedro Botelho era certamente irmão do Lopo Botelho que com sua mulher Leonor Gil viviam em Santa Maria de Pombal, do bispado de Coimbra, quando o filho de ambos Lopo Lopes tirou em Braga a 24.4.1451 ordens menores, com licença de seu maior (pelo que seria professo ou noviço). No Tombo da Ordem de Cristo (Comenda de Pombal) de 1508, são referidos, nas confrontações, os herdeiros de Lopo Botelho, que foi amo de D. João Tello, que deve ser este. No mesmo Tombo são ainda referidos, com vários bens em Pombal e Soure, Nuno Botelho, Vasco Botelho e Rui Botelho, que devem ser também seus filhos. De qualquer forma, não podia ser, como avento, o Pedro Botelho que com seu irmãos Aires Botelho, Álvaro Botelho, Branca Rodrigues e Joana Rodrigues foram legitimados por carta real de 3.1.1398, como filhos de Pedro Botelho, craveiro da Ordem de Cristo, e de Joana Rodrigues, mulher solteira. Além da impossibilidade cronológica, esse Pedro Botelho não teve geração. Mas este Pedro Botelho era seguramente filho de um dos ditos irmãos, Aires ou Álvaro Botelho, que em 1398 viviam em Coimbra. Com efeito, um dia antes da referida legitimação, D. João I doou a Pedro Botelho, seu criado, «por muitos serujços que recebemos daquelles donde el descende e del», umas casas em Coimbra, na Almedina, «acima de sam bras», bem como as casas da Falcoaria, na Almedina, em que morava João Anes Gago, determinando que por sua morte possam ficar a seu irmão Álvaro e por morte deste a seu irmão Aires, e depois passem para «o primeiro filho ou neto de cada huu dos dictos jrmaãos sempre o mayor», se os tiverem. Dá assim ideia que estava fora de causa que Pedro Botelho pudesse ter filhos, talvez por ser clérigo.
O Pedro Botelho casado com Briolanja de Almeida foi ainda comendador e alcaide-mor de Pombal e documenta-se como Pedro Botelho, cavaleiro, regedor e ouvidor da Casa do Cível, quando a 23.8.1476 teve mercê real de uma tença anual de 20.000 reais de prata, e Pedro Botelho, comendador de Pombal da Ordem de Cristo, quando a 4.3.1475 D. Afonso V lhe deu licença para arrendar por três anos a sua comenda.
O Pedro Botelho craveiro da Ordem de Cristo e depois comendador-mor era filho de Diogo Afonso Botelho e sua 1ª mulher Inez Martins. Nascido em Vila Real cerca de 1323 e falecido depois de 1385, Diogo Afonso Botelho aparece em 1339 como infanção na lista dos padroeiros de Mancelos, com seu irmão e sua mãe, e em 1344 documenta-se como escudeiro e vassalo do rei. Em 1365 não aparece na lista de Grijó, ao contrário do que acontece com seu irmão, mas não teria já falecido, como suspeita Pizarro, pois casou 2ª vez cerca de 1375. O mais provável é que estivesse fugido em Castela, por desentendimentos com D. Pedro, tendo regressado depois de 1367 com o reinado de D. Fernando. Em 1344 Mestre Pedro, cirurgião, e sua mulher Maria Gonçalves, compraram uma quinta em Varatojo, no termo de Lisboa, a Diogo Afonso Botelho, escudeiro, vassalo d'el rei, e a sua mulher Inez Martins, moradores em Paços, termo de Vila Real. Portanto, Diogo Afonso casou uma 1ª vez, teria 21 anos, com Inez Martins, de quem devia ser a dita quinta em Varatojo. Os filhos mais velhos do 2º casamento podem ser do 1º e só estabelecendo com rigor a sua cronologia se poderá ter uma ideia. Sendo que do 1º casamento é o filho Pedro Botelho, craveiro da Ordem de Cristo, que nasceu necessariamente antes de 1350, devendo também ser os filhos Fernão Dias Botelho, alcaide-mor de Almeida (29.12.1377), e Martim Afonso Botelho, que D. Fernando I nomeou alcaide-mor de Braga, doou os direitos reais de Geraz e deu 130 libras de tença. Como ficou dito, Diogo Afonso Botelho em 1344 vivia em Paços, termo de Vila Real. Tudo indica que vivesse na quinta do Paço, em Borbela, termo de Vila Real, também chamada Paço de Borbela, quinta que estava na posse da sua descendência. O filho mais velho, Pedro, é certamente o Pedro Botelho que é contemplado no testamento de sua avó D. Sancha Martina Alvernaz, feito em Lisboa a 25.8.1376. Era portanto filho da 1ª mulher Inez Martins, que era assim filha de D. Sancha e de seu marido o francês Pedro de Corbigny, que aqui foi chamado mestre Pedro das Leis, doutor em ambos os Direitos pela Universidade de Orléans, lente na Universidade de Lisboa, sendo desembargador, embaixador e cavaleiro do Conselho de D. Afonso IV. Diogo Afonso Botelho casou 2ª vez cerca 1375 com Maria Fernandes de Carvalho, e tiveram Inez Dias Botelho (casada com Pedro Rodrigues da Fonseca), Diogo Botelho (casado com Leonor Afonso Valente, referidos adiante), e Afonso Botelho, cavaleiro da Casa do conde de Vila Real, com geração nos Botelho, alcaides-mores de Vila Real, e nos Correa Botelho, daí (ver o que digo no meu Ensaio sobre a origem dos Correa).

I

329 e 330

 

O filho mais velho de Briolanja de Almeida e seu marido Pedro Botelho não se chamou Pedro Botelho, como está no livro por engano, mas sim Lopo Botelho. Este é que se documenta como alcaide-mor de Pombal, portanto alcaide-mor na comenda de seu pai, então ainda vivo. Com efeito, a 25.11.1471 D. Afonso V perdoou a justiça régia a Fernando de Almeida, escudeiro do infante D. Fernando, morador na vila do Pombal e encarregado da alcaidaria da dita vila por Lopo Botelho, seu irmão, acusado de ter deixado fugir alguns presos, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e conquista da vila de Arzila e da cidade de Tânger, e mediante o perdão das partes. Refere instrumentos públicos de perdão de 11 e 20.11.1471. Este Lopo aparece mais tarde como Lopo de Almeida, talvez por erro do escrivão. Com efeito, em 1508 testemunhou a demarcação de uma vinha da comenda de Santa Ovaia da Ordem de Cristo em Travassós: «lopo d almeida filho de briolanja d almeida veuua molher que foy de pero botelho que ora possue os beens que foram de martim vaaz e perteençem aa quintãa de trauaços» (Tombos da Ordem de Cristo, Comendas do Vale do Mondego).
Contudo, Briolanja de Almeida e seu marido Pedro Botelho também devem ter tido um filho chado Pedro Botelho, que seria, portanto, o Pedro Botelho que refiro, escudeiro, que era morador em Vila de Rei (Besteiros, Viseu), quando a 27.5.1472 foi nomeado coudel de Besteiros e seu termo. A presença deste Pedro Botelho em terras de Viseu compreende-se bem dadas as propriedades que sua mãe aí tinha, como direi adiante. Mas este Pedro Botelho tem mais que se lhe diga, pois é afinal o tronco dos condes de S. Miguel. Com efeito, as genealogias muito inventaram sobre a filiação deste Pedro Botelho tronco dos condes de S. Miguel, dizendo as mais tardias que era filho de Diogo Botelho e sua mulher Leonor Afonso Valente, herdeira do morgado da Póvoa de S. Martinho. Mas estes, para além de muito anteriores, só tiveram um filho varão que lhes sobreviveu e sucedeu, Martim Afonso Valente, que foi sogro de D. Gonçalo de Castello-Branco, senhor de Vila Nova de Portimão, que por sua mulher sucedeu no dito morgado. Alão começa a linha dos condes de S. Miguel num Pedro Botelho que foi juiz da alfândega de Lisboa no reinado de D. João II. E, com efeito, este rei a 23.1.1483 nomeou um Pedro Botelho juiz da alfândega e dizimeiro de Lisboa. Diz Alão que este Pedro Botelho era filho de um dos três filhos legitimados do craveiro da Ordem de Cristo e depois comendador-mor Pedro Botelho. Mas, como ficou dito, o único neto deste comendador e craveiro chamado Pedro Botelho foi o marido de Briolanja de Almeida, que não pode ser identificado com o homónimo juiz da alfândega, além do mais porque viveu numa cronologia incompatível, tendo sido vedor da fazenda interino até 8.5.1475, data em que assumiu seu cunhado, o futuro 2º conde de Abrantes, tendo falecido pouco depois. Este Pedro Botelho teve vários filhos documentados, nascidos entre 1450 e 1465, nomeadamente o primogénito, o antedito Lopo Botelho, que em 1471 era alcaide-mor de Pombal. Ora, o Pedro Botelho que em 1483 foi juiz da alfândega de Lisboa era certamente irmão deste Lopo. Até porque seu filho mais velho e sucessor como juiz da alfândega de Lisboa se chamou justamente Lopo Botelho. Portanto, o juiz da alfândega Pedro Botelho não era, como diz Alão, neto do craveiro Pedro Botelho, mas sim bisneto, como convém à cronologia de ambos. Além do dito Lopo, o juiz da alfândega Pedro Botelho teve ainda um filho chamado Diogo Botelho, que se documenta guarda-roupa e camareiro do infante D. Luiz pelo menos de 1518 a 1524, que foi pai de um Pedro Botelho, que era fidalgo da sua Casa de D. Manuel I quando a 10.6.1518 este rei o nomeou porteiro-mor do infante D. Luiz, e de Francisco Botelho, comendador de S. Martinho de Santarém (CJIII, 16, 105), que foi pai do governador do Brasil (1602-7) Diogo Botelho, sendo este avô paterno de Francisco Botelho, 1º conde de S. Miguel (1633).
O filho mais novo de Briolanja de Almeida e seu marido Pedro Botelho, João Lopes de Almeida, que segue no nº 4 (pág. 330), faleceu em finais de Fevereiro ou princípios de Marco de 1526. Além dos filhos nomeados no livro, indicou outros, s.g. Tenho agora documentado que entre estes estão pelo menos os seguintes: Henrique de Almeida, que parece ser o mais velho, e Cid de Souza. Sua mãe, Briolanja de Almeida, ainda vivia em 1514, tendo então uma tença de 8.000 reais no almoxarifado de Vila do Conde que herdara de Diogo de Almeida, seu filho. Estas são as principais conclusões a tirar da documentação que segue:
Em 1508 testemunhou a demarcação de uma vinha da comenda de Santa Ovaia da Ordem de Cristo em Travassos (S. Pedro de France, Viseu) «lopo d almeida filho de briolanja d almeida veuua molher que foy de pero botelho que ora possue os beens que foram de martim vaaz e perteençem aa quintãa de trauaços» (Tombos da Ordem de Cristo, Comendas do Vale do Mondego). No mesmo Tombo verifica-se, pelas delimitações, que Briolanja de Almeida também tinha o vizinho Casal de Esporão (S. Pedro de France).
A 10.1.1514 Briolanja de Almeida passou procuração, em pública forma, a seu filho João Lopes de Almeida para cobrar do almoxarife ou recebedor de Vila do Conde a tença de 8.000 reais, que seu filho Diogo de Almeida tinha, e de quem ela era herdeira.
A 15.51515 João Lopes de Almeida teve provisão real para receber no almoxarifado de Viseu 15.333 reais de graça por tença. Assina o recibo Lopo de Almeida, certamente o seu irmão deste nome.
A 4.2.1523 João Lopes de Almeida, fidalgo da Casa Real, fez procuração a seu filho Henrique de Almeida poder receber e cobrar do almoxarifado de Viseu 15.333 reais de sua tença.
A 28.8.1525 João Lopes de Almeida teve provisão para receber no almoxarifado de Viseu 15.333 reais de tença.
A 21.2.1526 João Lopes de Almeida, fidalgo da Casa d’el rei, morador em Figueiredo, do concelho de Lafões, fez procuração a Henrique de Almeida e Cid de Souza, seus filhos, para poderem receber a tença que seu irmão Diogo de Almeida e Briolanja de Almeida, sua mãe, têm assentada no almoxarifado de Vila do Conde.
A 16.10.1525 Henrique de Almeida mandou seu procurador cobrar do almoxarife dos portos de Vila do Conde 16.000 réis de sua tença e de seus irmãos.
A 16.3.1526 D. Guiomar de Souza, viúva de João Lopes de Almeida, fidalgo da Casa d’el rei, fez em Viseu procuração a seu filho Henrique de Almeida, em nome dos demais herdeiros, para receber e arrecadar do almoxarife ou recebedor da Alfandega de Vila do Conde, tudo o que se lhes montar e for obrigado a pagar de um desembargo do rei de 8.000 réis.
A 20.6.1536 D. João III mandou que se leve em conta ao recebedor que foi do almoxarifado de Viseu os 8.000 reais que pagou a D. Guiomar de Souza, viúva de João Lopes de Almeida, em parte de sua graça por tença.
Cid de Souza é portanto o homónimo, referido como irmão de Henrique de Almeida, que casou com Maria de Novais, irmã de Francisco de Novais e de Duarte de Novais, segundo Alão. Mas não deve ter tido geração, tendo em conta que foi a irmã que herdou a quintã do paço da Torre de Figueiredo das Donas.
Henrique de Almeida pode ser o homónimo que foi tabelião e escrivão da almotaçaria de Lafões (Chancelaria de Dom Sebastião, Dom Henrique e Dom António, 29, 258). E ainda o Henrique de Almeida, fidalgo da Casa Real, que a 20.6.1522 teve provisão para receber no almoxarifado de Aveiro 48.000 reais do primeiro terço do seu casamento. Mas não terá tido descendência, pela mesma razão.
Pode ainda concluir-se que a mãe de Briolanja de Almeida era filha herdeira de Martim Vaz, senhor da quintã de Travassos e na sua época de longe o principal proprietário em S. Pedro de France. Este Martim Vaz, por isso muito referido no dito Tombo, parece ser o Martim Vasques Moreira, porteiro da Câmara Real, referido como irmão de Afonso Vasques quando a 23.7.1437 este foi confirmado por D. Afonso V no cargo de juiz dos órfãos dos concelhos de Algôdres e Pena Verde e seus termos, como o era em vida de D. Duarte. Sendo estes possivelmente sobrinhos ou filhos de uma Margarida Moreira, moradora em Travassos, já falecida a 4.5.1417 quando o Cabido de Viseu tomou posse de um lameiro que esta lhe tinha deixado em testamento para obrigação de missas por sua alma. Sendo esta Margarida talvez filha do Gil Anes de Moreira que fez testamento em Viseu a 5.5.1360. Sendo certamente todos descendentes de Aires Gonçalves «cavaleiro de Moreira», que com sua mulher Maria Soares fizeram a 6.8.1308 a doação ao Cabido de Viseu de umas propriedades em Silvarinho para este lhes fazer quatro comemorações anuais quando morressem. Esta Maria Soares era irmã de Mem Soares, cavaleiro, pois ambos possuíam a quintã de Órgens, tendo o dito Aires Gonçalves vendido a terça da mulher ao cónego Durão Martins da Matta. Aquele Mem Soares era irmão de Lourenço Soares, cavaleiro, que a 1.6.1346 (1308) lhe fez doação de todos os bens que herdou de seus avós João Pires e Dona Tereza, moradores que foram em Órgens. De Maria, Mem e Lourenço pode ainda ser irmão um Pedro Soares, cuja viúva, D. Urraca, filha de D. João Ermiges, doou vários bens ao Cabido de Viseu em 22.3.1342 (1306). Sabe-se também que Mem e Lourenço Soares eram filhos de Soeiro Mendes (de Mello), cavaleiro, que em Setembro de 1308 autorizou estes seus filhos a vender ou emprazar ao Cabido de Viseu os bens que têm da parte de João Peres e D. Tereza de Órgens, seu avós (maternos).
Do que não parece poder duvidar-se é que aquele Martim Vaz e sua neta (ou pelo menos herdeira) Briolanja de Almeida seriam descendentes de Fernando Afonso, cavaleiro, a quem D. Afonso IV a 26.2.1342 confirmou as honras e quintãs de Travassos e da Pena, na freguesia de S. Pedro de France, julgado de Viseu, que pertenceram aos seus antepassados (CAIV, 4, 94). Acrescenta esta carta que, consultadas as inquirições de D. Dinis, se verificou que a quintã de Travassos foi de S.o eAns e incluía a aldeia de Travassos, sendo honra, e a quintã de Pena foi de Pero Ponço, tinha 14 casais e também era honra, pelo que assim deviam continuar.

I

336

16

de Covelha, do Castelo de Ferreiros

de Covelas, do Casal de Ferreiros

I

346

19

João Martins Ferreira documenta-se como cavaleiro fidalgo da Casa de D. João III numa mercê  de 12.2.1548, na qual este rei, «em respeito aos serviços que me tem feito» e por o servir bem no ofício de juiz da alfândega de Goa, lhe renova o cargo por mais três anos. Foi o 3º morgado dos Ferreira, com a sua capela de Jerusalém no mosteiro de S. Domingos, no Porto, e respectiva Casa do Patim, como refiro no meu Ensaio sobre a origem dos Ferreira (http://www.soveral.info/mas/Ferreira.htm).

I

351

5

D. Mariana de Vasconcellos

D. Margarida de Vasconcellos

I

352

37

Heitor Lopes de Almeida, sendo referido como Heitor Lopes, morador em Arrifana de Stª Mª, foi a 10.10.1520 reconduzido no cargo de procurador do número do concelho e terra de Stª Mª da Feira.

I

356

9

A numeração de Manuel de Almeida de Souza está incorrecta, ficando portanto incorrecta toda a numeração subsequente. A sua numeração correcta deveria ter sido 4.1.2, tendo os filhos começado em 4.1.2.1 e terminado em 4.1.2.11. Os irmãos D. Margarida e Francisco de Souza deviam assim ter tido a numeração 4.1.3 e 4.1.4, respectivamente.

I

365

5

Vasco Martins de Castello-Branco

Gonçalo Martins de Castello-Branco

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367

última

Álvaro de Carvalho só é certo que tenha sido governador de Mazagão. De Álvaro de Carvalho, governador de Mazagão, existem várias cartas para o rei e o secretário Pedro de Alcáçova Carneiro entre 1552 e 1561. Nomeadamente uma carta de 16.11.1553 para D. João III, em que o governador de Mazagão Álvaro de Carvalho dá conta ao rei do estado em que se achava aquela praça e da necessidade que tinha de mais 100 soldados, para se defenderem dos inimigos que continuamente a perseguiam, pedindo ainda que o socorresse com mantimentos e munições (CC, I, 91, 46). A situação deve contudo ter-se mantido na mesma, pois são vários os pedidos deste teor ao longo dos anos seguintes. Em carta de 15.11.1560 para a rainha regente, o governador Álvaro de Carvalho diz que está doente e pede-lhe licença para ir a Lisboa curar-se (CC, I, 104, 52). O que não aconteceu, pois a 12.4.1561 volta a escrever à mesma rainha, dando-lhe conta que o xarife se dispunha para vir contra Mazagão, praça que estava muito destruída e incapaz de lhe resistir, pedindo-lhe que com brevidade a mandasse socorrer do necessário (CC, I, 104, 106). A 31.5.1557 escreveu a D. João III (que morreu uns dias depois), dizendo-lhe que tinha ajustado o casamento de sua filha com D. Fernando Henriques e que, tendo com isso feito muitos gastos, lhe pedia para poder renunciar na dita sua filha e genro a tença de 12.000 cruzados que o rei lhe prometera (CC, I, 36,100). Seu pai Pedro Álvares de Carvalho é que foi governador de Alcácer-Seguer entre 1521 e 1535. A 20.7.1520 Pedro Álvares de Carvalho, fidalgo da sua Casa, teve provisão de D. Manuel I para se pagar a sua mulher D. Maria, filha de D. Martinho de Távora, 126.000 reais do último terço de seu casamento (CC, II, 90, 144). E a 6.4.1522 o Cabido de Viseu escreveu ao rei, pedindo-lhe que fizesse justiça na demanda que tinha com Pedro Álvares de Carvalho e D. Catarina de Eça, sua mãe, sobre o prazo de Canas de Senhorim (CC, I, 28, 2).     

I

371

27

O Doutor Luiz Anes de Loureiro tirou em Braga ordens de Epístola  a 18.12.1451 e de Evangelho a 4.3.1452, sendo referido como Luiz Anes, escolar do bispado de Viseu, filho de clérigo e solteira.

I

375

12

Uma vez que foi necessariamente entre 1481 e 1499, Pedro Ferreira não esteve propriamente na Índia mas na expansão marítima que aí conduziu.

I

375

18

n. cerca de 1562, que ainda vivia em 1514

n. cerca de 1462, que ainda vivia em 1514

I

381

42

Lúcia da Câmara

Mécia da Câmara

I

385

13

e de sua mulher Ana de Gouveia

e de sua mulher Beatriz de Gouveia

I

389

3

Stª Mª de Lordelo

S. Martinho de Lordelo

I

393

14

António de Campos é certamente o António Varela de Campos que teve foro de escudeiro fidalgo da Casa Real (Ementas, 3, 86v). E seu pai, Pedro Rodrigues de Ferreira, deve ser o Pedro de Ferreira, criado do bispo de Viseu, que a 1.6.1481 teve carta de perdão real, sendo acusado de ter participado num arroído.

I

397

18

Sobre o cónego Pedro de Lemos ver em Origens, no meu trabalho sobre a Casa da Trofa (http://www.soveral.info/casadatrofa/default.htm).

I

405

1

Sobre a origem dos Mesquita ver on-line o meu Ensaio sobre a origem dos Mesquita (http://www.soveral.info/mas/Mesquita.htm).

I

406

13

O cónego Lopo Álvares da Ventura deve ser, ainda jovem, o Lopo da Ventura que a 30.5.1522 teve provisão de D. João III para receber a sua tença de 5.000 reais no almoxarifado de Viseu, assinado o recibo António da Ventura, certamente o seu irmão deste nome que Alão diz que foi (veio a ser) cavaleiro da Ordem de Cristo.

I

407

nota

Lamos de Mendonça

Lamas de Mendonça

I

416

21

3.2.3.5. Frei Gaspar, pregador da Ordem e S. António

3.2.3.5. Frei Gaspar de Stº António, pregador da Ordem de Stº António

I

422

36

Margarida Martins do Amaral e seu marido Gonçalo Rodrigues de Moreira devem ter tido mais um filho chamado Mem Gonçalves, por sua vez pai de Lourenço Mendes de Moreira e avô de João Lourenço do Amaral. A 4.7.1340 João Lourenço do Amaral, filho de Lourenço Mendes de Moreira, vende em Lamego a Gonçalo Homem, cavaleiro de Cambar, e a sua mulher Guiomar Esteves, um casal a que chamam a Torre, em Bermedo. 

I

423 e 424

 

Faltando-me dados mais concretos, supus que as genealogias tinham confundido avô e neto homónimos, juntando-os num só, o que a cronologia não permitia. Propus assim que do mordomo-mor de D. Afonso IV João Lourenço do Amaral fosse filho Afonso Martins do Amaral, chanceler do mesmo rei, cargo que exercia em 1344, e que usou o patronímico do avô, Lourenço Martins do Amaral, irregularidade que já se aceita no séc. XIV. E que deste Afonso Martins fosse filho um outro João Lourenço, pai dos filhos que as genealogias anacronicamente atribuem ao avô homónimo. Encontrei, entretanto, um documento que vem refutar esta hipótese. E percebo agora porque os investigadores, entre eles eu, não conseguiram resolver esta questão: é que nenhum destes indivíduos aparece então na documentação com o nome Amaral, mas apenas com prenome e patronímico, sendo portanto muito difícil identificá-los. Mas o facto de nenhum deles usar o nome Amaral, que só mais tarde recuperarão, vem levantar a questão da sua legitimidade ou, em alternativa, da sua varonia Amaral.
Começando pelo princípio,
razão tinham as mais antigas informações genealógicas visienses que afirmavam que Maria Anes (casada com João Anes de Loureiro) era irmã de dois bispos, um de Viseu e outro de Évora. Porque o tal documento é a carta de legitimação real de 22.3.1390 de Gonçalo Anes, filho de João Anes, clérigo de ordens sacras e deão de Viseu, e de Marinha Gonçalves, mulher solteira, acrescentando-se na carta que «o dicto seu padre he ora bispo d evora» (CJI, 2, 5v). sendo que a 17.5.1391 D. João I contou a D. João, bispo de Évora, do nosso Conselho, uma herdade na ribeira de Coruche, para si e todos os bispos que lhe sucedessem (CJI, 2, 58v e 59).
Portanto, a referida Maria Anes era irmã deste D. João Anes, bispo de Évora (1383-1404), depois de ter sido deão de Viseu, e ainda de um outro irmão que foi bispo de Viseu. Pela cronologia, este só podia ser D. João Martins, que era bispo em 1378, ou D. Pedro Lourenço, que faleceu em 1385.
Mas é aceitável que estes três irmãos pudessem ser filhos do chanceler
Afonso Martins do Amaral? Descontando já a questão da irregularidade patronímica, que poderia ser explicada, o que verdadeiramente não se explica é que nenhum dos seus filhos bispos use o nome Amaral. Sou portanto levado a concluir que não seriam filhos de Afonso Martins, que não teria tido geração, mas sim do D. João Anes que no livro proponho como seu irmão. Sendo que este D. João Anes, porque também se documenta sem o nome Amaral, poderia ser só seu meio-irmão, portanto filho bastardo do mordomo-mor João Lourenço do Amaral.
A ser assim, o irmão que foi bispo de Viseu provavelmente foi D. Pedro Lourenço, que usou o patronímico do avô, sendo que esta hipótese evita que dois irmãos se chamem João (se bem que isso não é invulgar). E os restantes filhos, D. João Anes e Maria Anes, usaram o devido patronímico do nome do pai. Este pai, o antedito D. João Anes, dado como irmão do chanceler Afonso Martins do Amaral, era, como digo no livro, chantre quando a 4.8.1312 foi feito deão da Sé de Viseu. Mas, ao contrário do que lá refiro, não era certamente o D. João Anes que ainda era deão a 28.11.1365 e que a 5.11.1358, sendo deão, era também tesoureiro da Sé e do Cabido. Este não podia deixar de ser o D. João Anes que foi bispo de Évora em 1583 e que era deão quando lhe nasceu o filho Gonçalo (cerca de 1367), portanto o seu proposto filho homónimo, que lhe sucedeu no cargo.
Quanto ao bispo de Évora, não encontrei mais cartas de legitimação, pelo que os irmãos de Gonçalo Anes (do Amaral), nomeadamente Beatriz Anes, a Escassa, não terão sido legitimados.
Gonçalo Anes foi vassalo de D. João I e é expressamente dito filho do bispo de Évora quando este rei o fez alcaide-mor de Alenquer a 17.7.1392 (CJI, 2, 69). Deve ser o Gonçalo Anes «de mjdoões» a quem D. João I deu a 5.4.1385 (ainda não estava legitimado) a colheita de Coja como parte da sua quantia (moradia). E é certamente, como digo no livro, o Gonçalo Anes que a 17.1.1434 teve mercê real de escrivão das sisas de Midões, confirmada a 25.5.1439. Gonçalo Anes terá nascido cerca de 1367 em Midões. Sua mulher Catarina Vicente Pereira, que também daí seria natural, parece filha do Rodrigo Álvares, escudeiro de Midões, que era criado do arcebispo de Braga D. Martim Afonso de Miranda quando em 1414 testemunhou uma doação a um filho do dito arcebispo (CJI, 3, 114 a 116).

I

424

39

Pelo invulgar prenome, Hilária Leite (5.4.2.3.), casada com Tomé da Costa, pode ser a Hilária do Amaral casada com Braz Vilela. Ou, ainda mais provável, esta Hilária do Amaral seria filha da Hilária Leite ou sua sobrinha, por exemplo filha de Diogo Leite do Amaral (5.4.2.1.)

I

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5

Afonso de Torres diz que Francisca do Amaral casou com Nuno Fernandes Lobo, morgado de S. Pedro de Évora, e que seu filho Rui Lopes Lobo casou com D. Isabel de Carvalho (filha do Dr. Francisco Duas do Amaral, referido na pág. 444 do volume I), com geração extinta.

I

430

10

Para a ascendência e descendência de António das Póvoas vide «Os Póvoas - Subsídios para a sua genealogia», de Luís Cabral de Moncada, in Armas e Troféus, 2008.

I

432

14

Existiram, dois e não apenas um Belchior de Montalvo. Com efeito, o Belchior referido nasceu em Viseu cerca de 1525 e faleceu antes de 1615. É referido como «cavaleiro e fidalgo» a 19.2.1581 quando, com sua mulher Ana Rebello, recebe do Cabido de Viseu o prazo da «possessão» de Requexe. Em 1582 foi inquiridor, contador e distribuidor geral da comarca de Viseu (Chancelaria de D. Filipe I, PeD, 4, 90), cargo em que sucedeu seu genro. Sua mulher faleceu viúva em Viseu a 1.8.1615. Deve assim ser o Belchior de Montalvo que teve foro de escudeiro fidalgo da Casa Real (Ementas, 4, 18).
O outro Belchior de Montalvo, que também teve foro de escudeiro fidalgo da Casa Real (Ementas, 2, 173), faleceu a 27.7.1596 em Lisboa (Sé), na rua que vai para S. Jorge, sendo enterrado em túmulo próprio na Sé e deixando testamenteira sua mulher Águeda Cordeiro, que ainda vivia em 1598 em Lisboa quando é testamenteira de Guiomar Monteiro, viúva de Manuel Pinto, escrivão. E este Belchior é certamente o que foi tabelião de Lisboa (1570, Chancelaria de D. Sebastião e D. Henrique, 26, 41), com carta para ter ajudante no ofício em 1572 (ib, 9, 294v), e depois tabelião da ilha da Madeira (ib, 30, 28), ofício a que renunciou (1581, ib, 46, 319).
Este segundo Belchior de Montalvo era irmão de Joana Cardoso de Montalvo, que casou com Jorge de Gouveia, de Seia, onde viveram, pois são ambos ditos naturais de Seia no Índice Notas Tabeliães Lisboa (tomo 4, p. 281). Os filhos deste casal, que usam o nome Cardoso de Montalvo, são herdeiros do dito Belchior de Montalvo, seu tio, e de sua viúva Águeda Cordeiro.
Dado que a conjugação onomástica é demasiada para se tratar de uma mera coincidência, podemos partir do princípio de que os de Seia/Lisboa descendiam do Dr. Francisco de Montalvo e sua mulher Filipa Rodrigues Cardoso. Por outro lado, por razões cronológicas e patrimoniais, não se pode aceitar como hipótese que o Belchior de Lisboa e sua irmã Joana sejam filhos do Belchior de Viseu. Resulta assim, por exclusão de partes, que o Belchior de Lisboa e sua irmã Joana deviam ser filhos de um desconhecido irmão mais velho do Belchior de Viseu. Este irmão terá ido casar a Seia, donde é dita natural a Joana. Este irmão terá nascido cerca de 1515 e poderia chamar-se Francisco (como o pai) ou Rodrigo (como o avô materno). Poderia usar o nome Montalvo, ou o nome Cardoso. Em hipótese mais extrema o nome Homem, ou até Rodrigo Álvares Homem, exactamente como o avô materno, um fidalgo importante.
Dou também como possível irmão mais velho do Belchior de Viseu um Jerónimo de Montalvo que foi cavaleiro da Ordem de Santiago (8.10.1543). A hipótese baseia-se apenas na onomástica (invulgar) e na cronologia. Contudo, parece que era de Medina del Campo (Francis Dutra, e Humanista, 2002, 2,150). Infelizmente a carta de hábito (Mesa Consciência Ordens, livro 20, Ordem Santiago, livro 3 supl., Convento de Palmela, pp. 21) é sucintíssima e não indica a naturalidade. Mas se de facto foi natural de Medina del Campo, poderia ser filho natural ou de um primeiro casamento de Francisco de Montalvo, tendo acompanhado o pai a Portugal.

I

433

18

Frei Tristão do Amaral, além da filha Ana referida, teve outro filho, André, ambos legitimados por carta real (Chancelaria de D. João III, Perdões e Legitimações, 5. 90).

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433

34

Pode haver a tentação de identificar este António Godinho (8.5.) com o homónimo iluminista, tanto mais que este parece que também foi casado com uma Ana Feio. Tudo indica, contudo, que foi o de Viseu e não o iluminista que casou com Ana Feio.

I

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24

Gaspar Correa, fal. em Viseu a 5.11.1639, não é identificável, como coloquei a hipótese, com seu irmão Gabriel Correa de Bulhões, que foi para o Brasil, sendo nomeado por D. Filipe II feitor de Pernambuco (CFII, 11, 252v). Nem o irmão de ambos, António de Bulhões, referido adiante, é identificável, como coloquei a hipótese, com o Dr. António Correa de Bulhões que a 14.4.1642 era ouvidor-geral do Rio de Janeiro, pois este era seu sobrinho, filho do dito Gabriel.
Este António de Bulhões, irmão de Gabriel, foi também para o Brasil, combateu na guerra contra os holandeses e viveu em Pernambuco, onde casou com D. Maria Feio, aí co-herdeira do engenho São João Baptista (depois chamado de Bulhões), na freguesia de Jaboatão, filha de Bento Luiz de Figueiroa, que a 4.5.1593 comprou o dito engenho a Pedro Dias da Fonseca, e sua mulher D.Maria Feio, que aí faleceu viúva a 12.11.1609. Seu irmão Gabriel Correa de Bulhões já era em 1613 proprietário do ofício de almoxarife da Fazenda Real da capitania de Pernambuco, cargo que ainda exercia no a 29.8.1618, como se documenta, e casou com uma irmã de sua cunhada, igualmente co-herdeira do dito engenho São João Baptista. A 20.10.1649 este Gabriel Correa de Bulhões, dito apenas Gabriel de Bulhões, filho de António Correa, teve mercê da pensão de 20.000 reais numa comenda da Ordem de Cristo, com o hábito, para quem casasse com uma das suas filhas, e de um ofício de justiça, fazenda ou guerra que caiba na qualidade da pessoa, para quem casar com a outra sua filha, tudo em paga dos seus serviços de 36 a 45 anos com feitor e almoxarife da fazenda real, de que foi proprietário onze anos, na defesa de Pernambuco e nos aprestos das armadas que por vezes subiram daquele porto por jornadas que se fizeram ao sertão, e ainda no cargo de pagador geral do exército e adail da mesma capitania, com grande dispêndio de sua fazenda, até de todo perder a muita que possuía por não ficar com os holandeses, passando-se com sua família à Baía, onde o governador o ocupou no cargo de provedor-mor das fazendas de Sua Majestade e dos defuntos e ausentes.
Além destas filhas, provavelmente de um 2º casamento, dada a cronologia e a mercê, deste Gabriel foi também filho o dito Dr. António Correa de Bulhões que a 14.4.1642 era ouvidor-geral do Rio de Janeiro, pois que se matriculou na Universidade de Coimbra a 13.11.1632, como natural de Pernambuco e filho de Gabriel Correa, tendo tirado o bacharelato (15.06.1640) e a formatura (14.01.1641) em Cânones. Deve ser este o António Correia de Bulhões, cavalheiro da Ordem de Cristo, que no primeiro livro (1648) das vereações da Câmara do Senado de Olinda, constava que em Dezembro daquele ano fora ele um dos eleitores para o pelouro que se fez a 30 do referido mês.
Do dito António de Bulhões (irmão de Gabriel) e de sua mulher nasceu Zacarias de Bulhões, que sucedeu no dito engenho, e que casou com com D. Jerónima da Cunha, filha do coronel Pedro da Cunha de Andrade e de sua segunda mulher D. Cosma Fróis. Zacarias e sua mulher foram pais de pelo menos três filhos: 1) D. Jerónima da Cunha, casada com Gonçalo Novo de Brito, que foram pais do Cap. Filipe de Bulhões da Cunha, sucessor no engenho a seu tio homónimo;
2) António de Bulhões da Cunha, que morreu solteiro; e 3) Filipe de Bulhões da Cunha, morador e proprietário do engenho São João Batista, na freguesia de Jaboatão, que casou mas não deixou geração. Este Filipe teve de D. João IV a Ordem de Cristo, que tinha sido dada a seu avô António de Bulhões, pois sucedeu nos seus serviços, tendo então já falecido seu irmão António.
Sobre Helena Correa do Amaral, irmã dos ditos António de Bulhões e Gabriel Correa de Bulhões, que casou com o juiz dos órfãos de Viseu Jorge Montez da Fonseca, cabe acrescentar que seu filho mais novo, João Correa de Bulhões, foi b. em Viseu a 4.6.1622, sendo padrinho o tio António de Bulhões. E foi de facto juiz dos órfãos de Viseu, pois é certamente a ele que respeita a sepultura na Sé que diz «Sep. do Dr João Correa de Bulhões, Juiz dos Órfãos desta Cidade de Viseu e seus herdeiros», e porque seu filho António Correa de Bulhões e Vasconcellos, que se ordenou e foi  abade de Carvalhais (S. Pedro do Sul), a 27.5.1702 renunciou em seu irmão João Correa a propriedade do cargo de juiz dos órfãos de Viseu, herdado do seu bisavô, seu avô, sua avó e seu pai.
Da dita Helena Correa do Amaral e seu marido foi filho, como refiro, o Dr. Paulo Montez da Fonseca, que além dos filhos apontados teve pelo menos mais um, Luiz Correa de Bulhões, certamente o que era vereador do Senado da Câmara de Viseu em 1711. Com efeito, José Correa Montez, filho legitimado de Jorge Montez da Fonseca e neto do Dr. Paulo Montez da Fonseca, a 9.4.1723 pede justiça contra João de Nápoles e seus tios Estêvão da Cunha, António de Figueiredo e Luiz Correa, os quais, assim que faleceu seu pai, lhe impediram a fruição dos bens da herança.

I

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28

D. Maria Tereza de Mello e Souza

D. Francisca de Mello e Souza

I

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21

Certamente a Ana de Araújo casada com António Francisco, de Mosteirinho, pais de um Francisco (de Araújo), baptizado no Couto de Baixo a 11.10.1651.

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35

sua prima Luiza de Loureiro

sua prima Maria de Loureiro

I

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27

3.7.1.1 Sebastião de Mendalha

3.7.1.1 Sebastião de Mendanha

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17

casal em Carvavelos

casal em Carvavelos (freguesia de Vil de Soito)

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Casal Galego

Casal da Galega (hoje Póvoa da Galega, freguesia de S. Cipriano)

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Manuel de Carvalhais, de Morim do Couto

Manuel de Carvalhais de Morim, do Couto

I

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3

A Maria bap. em 1675 é muito provavelmente a Joana Maria Vilhegas que a 16.5.1719 foi detida pela Inquisição de Coimbra (processo 363) acusada de Molinismo, sendo solta a 8.7.1720, com termo de segredo. Vem referida como cristã-velha, solteira, nascida no Fial, freguesia de S. Miguel do Outeiro, Viseu, cidade onde vivia, filha de Manuel Vilhegas de Castello-Branco, fidalgo, e de sua mulher Maria Rodrigues.

I

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15

Miguel Paes do Amaral

Simão Paes do Amaral

II

5

6

Albuquerque 244

Albuquerque 294

II

6

2

Sobre a ascendência de Pedro da Costa ver o meu Ensaio sobre a origem dos Costa medievais (http://www.soveral.info/mas/Costa.htm).

II

10

6

A bordadura de estrelas ou cometas não foi sequer uma diferença acrescentada pelos Pessoa, uma vez que já do bispo de Viseu (1392-1425) D. João Homem há um selo armoriado, inventariado pelo marquês de Abrantes, que consta de cinco crescentes dispostos em aspa, com uma bordadura carregada de estrelas.

II

10

16

Os casamentos de Luiz Pessoa, o Velho, devem ter tido ordem inversa à que indico, tendo em conta a informação de que estava sepultado na igreja de Santa Catarina, na matriz de S. Martinho, onde jazia em túmulo com sua estátua, dois escudos de armas (Pessoa e Costa) e a inscrição: «Nsta sepultura jaz o muito onrado fidalgo, e de mui nbre, e antiga gerasãm dos Pessoas Luis Pessoa com sua molher Mesia Quaresma a qual falesceu no ano de 1524, e ele na era de 1531». Mécia Quaresma (da Costa) terá assim sido a sua 2ª mulher e Margarida Anes da Veiga a 1ª. Assim, os filhos dados a Mécia eram de Margarida, e inversamente, salvo pelo menos o caso de Beatriz da Costa Homem, que pela cronologia era certamente filha de Mécia.

II

15

5

De facto, como filhos de Pedro Homem, cavaleiro da Casa Real, e Leonor Rodrigues (de Viveiro?) são legitimados por carta real de D. Manuel I, a pedido do pai, através de um instrumento próprio, feito e assinado por Gonçalo Pires, tabelião do rei, a 11.3.1497, os seguintes filhos: Beatriz de Viveiro e João de Viveiro (LN, 2, 95v) e Isabel Nunes e Mécia da Costa (ib, 68v). Lucrécia de Viveiro ou Viveiros não consta, salvo se é a Beatriz. Mas o pai, Pedro Homem, não pode ser o que no livro coloco como hipótese, pois é demasiado tardio, devendo na verdade ser seu bisavô Pedro Homem da Costa, que refiro na pág. 9 do mesmo volume.

II 25 11 referido em SOVERAL / CÁCERES, s.g. referido em SOVERAL / CÁCERES, c.g.

II

29

6

Pedro da Costa de Gouveia é recorrente dizer-se (vide por exemplo «Novos elementos para o estudo da grande família dos Gouveias humanistas», 1965, de António Pedro de Sousa Leite, in Boletim da Academia Portuguesa de Ex-Libris, nºs 31 a 34) que estudou em Paris, licenciou-se em Cânones e foi desembargador da Casa da Suplicação, o que segui. Mas com uma investigação mais aturada conclui que é confusão com seu parente o licenciado Pedro de Gouveia, que de facto foi desembargador e até chanceler-mor de D. Manuel I, já referido acima.

II

31

11

privilégio de fidalgo e Diogo Nunes

privilégio de fidalgo a Diogo Nunes

II

31

39

D. António Botelho da Costa Homem nasceu em Alcântara (Castela) e de sua mulher D. Águeda de Figueiredo teve mais um filho que não referi, Miguel de Almeida Sottomayor, n. em Viseu, que casou com D. Maria de Barros, também n. em Viseu, filha de Francisco de Lemos de Barros e de sua mulher Mariana Dias Ferreira, naturais de Viseu, que refiro em BARROS. Deste casal foi filho Francisco Coelho Sottomayor, n. em Viseu, familiar do Stº Ofº e cavaleiro da Ordem de Cristo a 26.5.1724 (OC, Francisco, 34, 96).

II

34

24

Maria de Queiroz Castello-Branco e seu marido o licenciado Belchior Lourenço, de quem foi 1ª mulher, não tendo filhos, resolveram fundar um convento de Jesus de Viseu, de freiras beneditinas. Para esse fim, a dita senhora doou todos os seus bens, em testamento de 17.4.1569, ao bispo D.Jorge de Ataíde, com a condição de ser admitida no projectado convento uma sua sobrinha. Se o convento não se fizesse, deixava a testadora todos os seus bens à capela de S. Luís. D. Jorge de Ataíde (1568-1578) deu início às obras mas não as concluiu. De 1579 até 1585 foi bispo de Viseu D. Miguel de Castro, que não se importou com o dito convento. Em 1586 sucedeu-lhe o bispo D. Nuno de Noronha, que se entendeu com os herdeiros de Belchior Lourenço, activou as obras e, em menos de 5 anos, ultimou o convento. Dotou-o, então, com o rendimento da igreja de S. Cipriano e, depois de obter permissão do papa e do rei, nele instalou as primeiras religiosas, vindas do convento de Ferreira de Aves, também beneditino. A abertura do novo convento aconteceu no dia 27.9.1592, na presença de toda a nobreza, cabido e muitos cidadãos que foram esperar o bispo D. Nuno e as religiosas vindas de Ferreira de Aves (Vide Fundo do Convento de Jesus de Viseu).
O Dr. Belchior Lourenço é portanto o Dr. Belchior Lourenço Tenreiro, referido em TENREIRO, que casou então pela 2ª vez com Maria Paes de Castello-Branco, fal. a 13.6.1631. 

II

38

27

Sobre Luiz Pessoa de Eça refiro no livro a informação disponibilizada por Alão, segundo a qual viveu em Meãs do Campo (Montemor-o-Velho) e foi preso pela Inquisição e condenado às galés. Diz ainda que foi «régulo» de Meãs e «terrível homem». Segundo o mesmo autor c.c. D. Maria, cristã-nova, que morreu nos cárceres da Inquisição e depois foi queimada em estátua, filha de (...) Brandão e de sua mulher D. Antónia, mãe de António de Macedo. Ainda segundo o mesmo autor, tiveram quatro filhos, presos pela Inquisição, onde pelo menos uma filha, D. Joana, morreu com sua mãe, sendo ambas depois queimadas em estátua. Pude entretanto verificar que, de facto, a mulher de Luiz Pessoa de Eça era ½ cristã-nova e se chamou D. Maria Brandão, embora não tenha encontrado nenhum processo sobre ela na Inquisição nem sobre sua filha D. Joana. Existe, sim, o processo sobre o seu filho Luiz Pessoa de Eça, ¼ cristão-novo, natural de Meãs, termo de Montemor, fidalgo da Casa Real que vivia de suas fazendas, filho de Luiz Pessoa de Eça, que vivia de suas fazendas, e sua mulher D. Maria Brandão, e casado com D. Maria de Abreu (Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, proc. 3938). Foi preso pela Inquisição de Coimbra a 5.6.1667, acusado de judaísmo, heresia e apostasia, com auto-de-fé a 26.11.1676 e termo de segredo no dia seguinte. Entretanto, vários dos seus filhos foram também presos e condenados, a saber: 1) Luiz Pessoa, solteiro, natural de Meãs, filho de Luiz Pessoa de Eça e S. Maria de Abreu, preso a 5.6.1667 e sentenciado a 18.11.1674 a confisco de bens, abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial perpétuo, sem remissão, 5 anos de degredo no Brasil e penas penitenciais e espirituais (ib, proc. 3728); 2) António Pessoa, solteiro, n. ib, filho dos mesmos, com a mesma sentença a 20.11.1674 (ib, proc. 7125); 3) Isabel Pessoa de Eça, solteira, n. ib, filha dos mesmos, que faleceu nos cárceres da Inquisição a 12.6.1668; 4) D. Luiza Pessoa, filha bastarda de Luiz Pessoa de Eça e Natália Pinto, casada com Manuel Travaços de Faria, com auto de fé a 18.11.1674, com confisco de bens, abjuração em forma, cárcere e hábito penitencial a arbítrio e penas penitenciais e espirituais, termo de soltura dois dias depois e licença para ir em segredo de 7 de Dezembro (ib, proc. 1636).
Talvez Alão tenha confundido a 1ª mulher (D. Maria Brandão) de Luiz Pessoa de Eça com a sua 2ª mulher, que se chamou D. Guiomar de Sá e também era ½ cristã-nova, pois desta já existe um processo de 1623, era já viúva e moradora em Montemor-o-Velho (Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Coimbra, proc. 1020). Embora esta D. Guiomar não tenha sido queimada. A 26.11.1623 teve auto de fé e dois dias depois termo de soltura. Depois de reconciliada, confessou as culpas a 15 de Dezembro e a 8.1.1624 foi-lhe levantado o cárcere e tirado o hábito penitencial, comutados em penitências espirituais. Sobre a família de D. Maria Brandão, julgo que era irmã de Duarte Travassos, solteiro, cristão-novo, natural de Montemor-o-Velho, filho de Francisco Travaços e sua mulher Beatriz Brandão, preso a 28.10.1621 pela Inquisição de Coimbra, acusado de judaísmo, heresia e apostasia, com auto de fé de 18.6.1623. Depois de reconciliado, confessou mais culpas a 26 de Junho e no mesmo dia foi-lhe passado termo de soltura e segredo (ib, proc. 5582). 

II

39

1

referido na nota 37

referido na nota 38

II

40

26

António Girão, abade de S. Martinho de Soalhães em 1581, são será, como na hipótese referida, filho de Amador Girão, mas sim seu sobrinho. Na verdade, deve ser o António, nascido em Tentúgal cerca de 1520, filho de Marco António e sua mulher Catarina Girão, que tirou em Coimbra ordem de prima tonsura a 17.3.1537.

II

46

38

Baltazar Girão, que dei como possível filho natural de Carlos Girão, afinal era filho natural legitimado de Manuel Girão, referido na página 42, linha 2, e portanto irmão do Manuel Girão aí referido. Com efeito, a 11.8.1607 foram legitimados por carta real de D. Filipe II os irmãos Baltazar e Manuel Girão, como filhos de Manuel Girão, viúvo, morador na quinta da Lage, no concelho de Lafões, que os teve de uma mulher solteira de nome Ana João, moradora no Reguengo de Fataúnços, pois o dito pai não tinha outros filhos e os queria fazer seus herdeiros.

II

55

14

Gonçalo Homem, que refiro como possível filho de Estêvão Pires de Froião ou de um de seus irmãos, documenta-se de facto como filho de Gil (Pires) Homem e sua mulher D. Sancha. Documenta-se ainda como casado com Guiomar Esteves e, é claro, pai de Guiomar Gil, como já tinha ficado estabelecido. A 30.3.1330 o bispo de Lamego empraza a Gonçalo Homem e sua mulher Guiomar Esteves um casal em Ribolhos (Castro Daire). A 19.11.1335 Gonçalo Homem, cavaleiro de Lafões, e sua mulher Guiomar Esteves, em seu nomes e no de D. Sancha, mãe dele, dão em Lamego emprazamento hereditário um casal em Tabuadela (Silvã de Cima, Sátão), que fora de seu pai, Gil Homem. A 4.7.1340 João Lourenço do Amaral, filho de Lourenço Mendes de Moreira, vende em Lamego a Gonçalo Homem, cavaleiro de Cambar, e a sua mulher Guiomar Esteves, um casal a que chamam a Torre, em Bermedo. Testemunham dois escudeiros de Gonçalo Homem. A 9.6.1343, em Coimbra, Fernão Rodrigues, e sua mulher Joana Gonçalves, renunciam aos seus direitos no prazo da quinta da Portela, em Lamego, a favor de Gonçalo Homem, cavaleiro, como procurador de sua mulher Guiomar Esteves. A 2.9.1348, nas suas casas de Vil de Souto, Gonçalo Homem, cavaleiro, e sua mulher Guiomar Esteves, fazem testamento. Onde se mandam sepultar na Sé de Lamego e referem Guiomar Gil com sua única filha. Vide «A sé de Lamego na primeira metade do século XIV», de Anísio Miguel de Sousa Saraiva.

II

60

20

A Tereza Anes filha deste João Homem não é a legitimada por D. João I (vide nota seguinte), pelo que seria sua filha legítima. Porventura este João Homem teria casado com uma filha de Álvaro Fernandes de Carvalho, meirinho-mor de D. Pedro I, que tinha o couto do Carvalho, que ficou para seu genro Fernando Afonso Mascarenhas, que o perdeu os seus bens da Beira (os do sogro) para este João Homem por ter apoiado a causa do rei de Castela contra o mestre de Avis. É portanto provável que João Homem fosse seu cunhado. Assim, Tereza Anes teria casado com um seu primo, pois aquele Álvaro Fernandes de Carvalho era irmão do mestre da Ordem de Santiago D. Gil Fernandes de Carvalho.

II

61

12

D. João Homem, segundo bispo de Viseu deste nome, iniciou o bispado em 1392 e não em 1386. E é dele certamente também filha a Tereza Anes, legitimada por carta real de 8.3.1390, como filha de João Homem, clérigo de ordens sacras, e de Senhorinha Afonso, mulher solteira (CJI, 2, 5v).

II

59

nota

Ao que tudo indica, Henrique Simões Homem foi avô materno e não pai de Isabel Simões Homem, que devia ser filha de Cristóvão Fernandes e sua mulher Inez Simões (Homem). Já Iria Simões Homem deve ter sido bisneta de Henrique Simões Homem, filha de Álvaro Domingues e sua mulher Inez Simões (Homem) e neta materna dos referidos Cristóvão Fernandes e sua mulher Inez Simões.

II

69

10

primaz das Índias, bispo do Funchal, primaz das Índias, etc.

primaz das Índias, bispo do Funchal, etc.

II

87

1

D. Branca de Vilhena teve três filhos do 1º casamento: João Rodrigues Coutinho, emancipado 30.9.1420, D. Beatriz Coutinho (que também aparece como D. Beatriz de Vilhena) e D. Margarida de Vilhena (que também aparece como D. Beatriz Coutinho), estas emancipadas a 18.2.1421, ainda não tinham 20 anos. Aquela D. Beatriz, que tem sido confundida nas genealogias com sua meia-irmã homónima, deve ter falecido pouco depois, em meados de 1421.

II

87

26

Fernão Coutinho, um filho tardio de seus pais, deve ter nascido cerca de 1400 e não 1410.

II

88

25

D. Joana da Guerra de seu marido João Fernandes de Souza, senhor de juro e herdade de Baião, tiveram geração. Vide o meu estudo Argollo. Uma família brasileira de 1500 (http://www.soveral.info/mas/argollo.htm).

II

91

42

A D. Maria de Vilhena que foi filha de D. Maria da Cunha não casou com o senhor de Unhão Fernão Telles de Menezes, mas sim com Diogo (Lopes) de Azevedo, senhor de juro e herdade de S. João de Rei e do Bouro (26.8.1472) e de de Aguiar (1.9.1472). A 26.8.1472 D. Afonso V doa a Diogo de Azevedo, fidalgo da sua Casa, e para todos os seus herdeiros, o usufruto de todas as rendas, direitos, tributos, jurisdição do cível e do crime, mero e misto império das terras de Boiro e de São João de Rei, na correição de Entre-Douro-e-Minho, como tivera seu pai, Diogo Lopes de Azevedo, cavaleiro da sua Casa, que morrera na conquista de Arzila, e seu avó. A 1.9.1472 o mesmo rei privilegia Diogo de Azevedo, fidalgo da sua Casa, filho de Diogo Lopes de Azevedo, doando-lhe em duas vidas a terra de Aguiar da Pena, com todas as suas rendas, tributos e direitos, com jurisdição do cível e crime, reservando o monarca para si a correição, alçada e as sisas da dita terra, isto sem prejuízo de qualquer direito que na dita terra lhe pertencia por doação de D. João I, ao seu bisavô, Lopo Dias. A 18.1.1475 confirma a convenção feita por D. Inez e Diogo de Azevedo sobre os bens móveis e de raiz que ficaram por morte de Diogo Lopes. Coube a ela a quintã dos Paços, com seus casais e bens patrimoniais, e a ele as quintãs de Soutelo e do Pinheiro. Esta quintã de Soutelo é a quinta do Freixo, em Soutelo de Aguiar. Como Diogo Lopes de Azevedo, filho de Diogo Lopes de Azevedo e sua mulher Catarina Lopes, de Sanhoane de Rey, tirou ordens menores em Braga a 24.3.1452. Esta D. Maria de Vilhena, sua 1ª mulher, deve ser a D. Maria de Vilhena cujos herdeiros (não nomeados) têm a 4.6.1505 provisão para receber os 13.171 reais que ela tinha de tença.
O senhor de Unhão Fernão Telles de Menezes também casou com uma D. Maria de Vilhena, prima-direita desta, mas filha de Martim Afonso de Mello e sua mulher D. Margarida de Vilhena, como se documenta. Dado que Fernão Telles aparece como senhor da honra de Gestaçô e sua mulher se documenta como sobrinha de D. Beatriz de Vilhena, pensei que houvesse nas genealogias uma confusão entre estas duas primas-direitas de nome D. Maria de Vilhena. Contudo, como se documenta que Fernão Telles casou com uma filha de Martim Afonso de Mello, contra factos não há argumentos...

II

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27

Sobre D. Maria da Cunha, seus maridos e descendência ver o que digo em «Os Portocarreiro ou Portocarrero. Estudo complementar».  

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9

Sobre Álvaro Sanhudo e sua ascendência ver o que digo em «Os Portocarreiro ou Portocarrero. Estudo complementar».  

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18

Nicolau de Ozorio (dosouro) faleceu na Nau Galega, em que vinha da Índia com o capitão Pedro Lopes de Souza. E tinha mais um irmão, Francisco da Cunha, que partiu para a Índia com o seu soldo. Com efeito, a 13.3.1542 D. João III envia alvará ao conde da Castanheira em que lhe mandava que assentasse Francisco da Cunha, que ia servir à Índia, com o soldo que levava Nicolau de Souro, seu irmão, que se perdera na nau Galega.

II

98

37

O filho de Pedro da Cunha Ozorio que casou na casa de Juste foi legitimado como Paulo da Cunha por carta real de 24.10.1581, havido em Maria Dias. Na mesma carta foram legitimados dois meios-irmãos, Gaspar de Ozorio e Madalena da Cunha, havidos em Florência. Julgo que também foi filha de Pedro da Cunha Ozorio a Francisca de Ozorio que casou com Amador da Fonseca Coutinho, senhor da casa de Entre-Águas, em Stª Marinha de Zêzere. Vide o meu livro «Portocarreros do Palácio da Bandeirinha», Porto 1997.

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5

Este Aires Gomes da Silva não foi senhor da honra da Silva, que ficou para sua irmã Maria Rodrigues da Silva, passando desta a seu filho Gonçalo Rodrigues de Abreu e deste a outro Aires Gomes da Silva (primo-direito do Aires em epígrafe.), pela referida doação de 13.7.1359. Sobre toda esta questão, ver o que digo em http://www.soveral.info/casadatrofa/trofa4.htm.

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Luiz Vaz da Cunha tirou ordens menores em Braga a 9.3.1448 como Luiz da Cunha.

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39

João Gomes de Sousa, que tirou ordens menores em Braga a 26.5.1453, como filho de Pedro Gomes de Abreu e sua mulher D. Aldonça de Souza, moradores em Stª Mª de Monção.

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25

Como João Gomes de Abreu, arcediago do Couto, tirou em Braga ordens de missa a 22.9.1453.

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35

João Gomes da Cunha a 19.10.1512 deu procuração bastante a João de Guimarães, morador em Viseu, para que por ele e em seu nome possa cobrar de Gonçalo da Fonseca o dote de seu casamento. E a 30.6.1513 João Gomes da Cunha teve provisão dei D. Manuel I para o recebedor dos portos da Beira lhe pagar a 67.375 reais por conta do seu casamento.
A 20.3.1515 João Gomes da Cunha, morador no lugar de Tábua, teve carta de privilégio de fidalgo para todos os seus caseiros, amos, moradores e lavradores que estão em suas terras, quintas e casais encabeçados. El rei D. Manuel I o mandou pelo D. Pedro, bispo da Guarda, e D. Diogo Pinheiro, bispo do Funchal.
João Gomes da Cunha, além do morgadio de Paços, sucedeu também no morgadio de Tábua, que seu primo Luiz da Cunha tinha tirado em demanda a sua mãe D. Mécia da Cunha. Com efeito, A 4.6.1520 D. Manuel I confirmou a João Gomes da Cunha, fidalgo da Casa Real, a administração do morgado e capela instituída no mosteiro do Souto por João Lourenço da Cunha. Refere a carta real que a capela e os seus bens foram administrados por D. Gomes Lourenço, irmão João Lourenço da Cunha, a quem foram deixados todos os bens de Coimbra e seu termo excepto a fazenda de Bazarim que fora deixada a Martim Vilarinho e sua mulher em suas vidas, revertendo depois para D. Gomes Lourenço, e o quinhão de João Pires da herdade de Vilar de Mato. Tudo isto lhe foi deixado com a condição de que metade da renda desses bens fossem para fazer uma capela no mosteiro do Souto onde se dissesse todos os dias uma missa. O que sobejasse dessa metade das rendas seria gasto em obras da capela e em dádivas aos pobres. A Martim Vasques da Cunha, seu sobrinho, deixava João Lourenço da Cunha propriedades e bens na Tábua, Vila Nova, Barrosa, Alvarelhos, Oliveira, Lameiras, Pinheiro do Vouga, Mortágua, entre outras, e também a capela e igreja de Santa Maria e a quintã da Cunha, que teve do seu irmão D. Egas. Estes bens foram-lhe deixados com a condição que metade das rendas fosse gasto na celebração diária de missas e o que ficasse seria para obras da capela e dádivas aos pobres. Se Martim Vaz falecesse antes de D. Gomes, revertiam todos os seus bens para este último e vice-versa. A fazenda e administração da capela e morgado ficariam para filho mais velho, varão, legítimo e leigo (que viria a ser o dito Martim Vasques da Cunha, pois dos dois filhos de D. Gomes Lourenço da Cunha, o primogénito, um foi cónego e o outro faleceu solteiro sem geração). Se o testamento não fosse cumprido o rei podia filhar estes bens e dá-los a um homem da linhagem do defunto. Acrescenta a carta real que Luiz da Cunha, anterior administrador, não cumprira o testamento, tendo perdido por isso a administração, isto após uma inquirição judicial. Mandou o rei que passasse a haver um livro onde se registassem todas as despesas pela alma do defunto e que o mosteiro também tenha um onde igualmente se registasse todos os bens e confrontações.
Tendo em conta esta informação, bem assim como o testamento de D. João Lourenço da Cunha, onde os irmãos D. Gomes e D. Egas vêm referidos antes de D. Vasco, é de aceitar que a ordem de nascimento dos filhos de D. Lourenço Fernandes da Cunha seja a seguinte, no que toca apenas aos mais velhos: Gomes, Egas, João, Vasco e Martim, sucedendo Martim Vasques, filho de Vasco, por os dois filhos varões de Gomes não terem sucessão (um deles até foi clérigo), Egas só ter uma filha, aliás aparentemente falecida solteira, e de João ter morrido solteiro, sem geração.

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16

morado em Viseu

morador em Viseu

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De Gaspar da Cunha de Abreu e sua mulher Grácia (Paes) Fialho foi filho, nomeadamente, o Dr. Diogo Paes da Cunha, nascido e morador em Coimbra, que casou com Jerónima Perestrello, filha de Simão Botelho, natural de Soure, e de sua mulher Isabel Perestrello, natural de Coimbra, e aí moradores. Destes foi filho, nomeadamente, Pedro Paes Botelho de Mendonça, familiar do Stº Ofº (1627),  natural de Coimbra e morador na freguesia de S. Miguel de Vila Nova de Monsarros, onde casou com D. Maria de Carvalho, daí natural, filha de António de Carvalho e sua mulher Antónia de Sousa, moradores em Vila Nova de Monsarros.

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Diogo Soares de Mello ou de Abreu, «o Rodovalho», foi legitimado por carta real de D. Manuel I (LN, 3, 22), como Diogo Soares. 

II

127

 

Gonçalo Pires Coelho não nasceu cerca de 1360 mas mais tarde, cerca de 1376, e seu filho Luiz Coelho do Campo também mais tarde, não cerca de 1389 mas sim 1398. Igualmente os irmão de Luiz Coelho nasceram depois de 1398. Gonçalo Pires era filho de Pedro Coelho, nascido cerca de 1355 e falecido velho antes de1449, ano em que fazem partilhas seu filho Estêvão Coelho (do casamento com Constança) e sua viúva Maria Carrilho e os filhos deste casamento, acordando que «Montalvo lo heredase éste, para que no se parta y agrandar el linaje» (Manuel Fernández Grueso, «De cómo los Coello se instalan en la tierra de Alarcón»).
Este Estêvão Coelho de Albornoz não nasceu antes de 1415, pois ainda vivia velho e viúvo em 1502 quando se manda enterrar com sua mulher.
Assim, Gonçalo Pires Coelho não podia ser filho do casamento de Pedro Coelho com Constança Garcia de Albornoz, pois era quase 40 anos mais velho do que o referido Estêvão. Pelo que Gonçalo Pires Coelho só podia ser filho de um 1º casamento de Pedro Coelho, ou, muito mais provavelmente, seu filho natural, havido ainda ele era novo (teria 21 anos). O que, por outro lado, ajudaria a explicar porque Gonçalo Pires não sucedeu a seu pai no senhorio de Montalvo ou Montalbo.
Gonçalo Pires acompanhou seu pai e avô a Castela em 1386 (teria 10 anos de idade) e lá casou, cerca de 1397 (com cerca de 21 anos de idade), com Beatriz do Campo, passando depois a Trancoso, onde herdou bens de sua avó paterna Maria Gonçalves Coutinho, filha do senhor de Leomil.
Sabemos que Egas Coelho foi para Castela em 1386 pois os seus bens começam a ser doados a outros neste ano.
Ao contrário do que se julga, Egas Coelho é filho de Maria Fernandes de Meira e não de Aldonça Vasques Pereira, que foi a 2ª mulher de seu pai Pedro Coelho. Com efeito, a 14.1.1398 D. João I doou ao mosteiro de Stª Mª da Batalha a quintã do Pinhal, «que foe de egas coelho e de maria frrz de meira sua molher», sendo a palavra «molher» riscada e substituída por «madre». Esta quintã tinha sido comprada aos ditos por D. João I. Esta Maria Fernandes de Meira já tinha falecido em 1338 quando Pedro Coelho se documenta casado com Aldonça Vasques Pereira, de quem teve pelo menos Gonçalo Pires Coelho, senhor de Felgueiras. Esta Maria Fernandes de Meira é necessariamente distinta da homónima que foi 2ª mulher de Estêvão Esteves Coelho (irmão de Pedro Coelho), com quem estava casada em 1365, sem geração. Esta Maria Fernandes de Meira (2ª mulher de Estêvão Esteves Coelho), nascida cerca de 1345, era filha de Paio (Fernandes) de Meira, como ela própria se identifica. Este Paio (Fernandes) de Meira, nascido cerca de 1315, seria filho de um Fernão Paes de Meira, que provavelmente era o pai da Maria Fernandes de Meira casada com Pedro Coelho. Ou seja, a 2ª mulher de Estêvão Esteves Coelho seria sobrinha da 1ª mulher de Pedro Coelho. Aquele Fernão Paes de Meira, nascido cerca de 1280/90 era seguramente filho de Paio (Rodrigues) de Meira, nascido cerca de 1265 e falecido depois de 1317 e antes de 1339, meirinho-mor de Entre-Douro-e-Minho e das terras da infanta D. Branca, senhor de Jales e Alfarela, de Entre-Homem-e-Cávado, etc., e de sua mulher Leonor Rodrigues de Vasconcellos.
Egas Coelho, que em Espanha foi senhor de Montalvo (depois Montalbo), foi cá senhor de juro e herdade de Folgosinho e Linhares (27.8.1384), de Miranda do Corvo (18.9.1384), de Miranda a par de Coimbra (6.9.1384),  de Benviver (13.5.1384), de Podentes (27.9.1384), de Valongo (12.12.1385) e de Germelo (29.8.1385), tudo bens que perdeu quando foi para Castela.
Foi ainda senhor de metade da terra de Arcos de Valdevez, como se documenta na doação da outra metade a Lopo Fernandes Pacheco a 10.12.1385. A 24.7.1397 D. João I doou a Diogo Lopes de Souza todos os bens móveis e de raiz que foram de Egas Coelho «caualeyro que foy nosso uassallo auja em nosso senhorio os quaães fiscam a nos e aa coroa dos nossos regnos porquanto seendo nosso uassalo natural se foe pa nossos emigos de castella emtrou vom elles em nossa terra a fazer guerra mal dapno poendo fogo matando roubando por out dessujços que fez cometeo tra nos tra estes regnos».
Egas Coelho era irmão de Gonçalo Pires Coelho. A 20.7.1385 D. João I, considerando o grande serviço de guerra que dele recebeu, doou de juro e herdade a Gonçalo Pires Coelho, seu vassalo, as terras de Felgueiras, Lousada, Romariz e Vieira e a quintã de Almaçor, na terra de Sá, bem como as alcaidarias destas terras. A 18.10.1385 o mesmo rei doou e confirmou a Gonçalo Pires Coelho, seu vassalo, o senhorio de juro e herdade das quintãs de Airão (que foi de seu pai e trazia Lopo Gomes de Lira, com a metade que trazia Vasco Pires de Camões), de Parada (como trazia Afonso Gomes da Silva), de Gondomil (Gomcjmur, como trazia Vasco Gomes de Abreu e fora do pai de Gonçalo Pires Coelho), de Almançor (Almeço, que já trazia), e Cancelães (Catellaães, na terra de Vieira). A 26.7.1386 confirmou a Gonçalo Pires Coelho, seu vassalo, o couto de Cancelães (Canterllas), com seu rio e montado, como já tinha seu pai e avós. A 23.1.1387 doou a Gonçalo Pires Coelho, seu vassalo, de juro e herdade para si e seus sucessores, a quintã de Xedrões, no julgado de Barroso, que foi de Gonçalo Rodrigues de Araújo que morreu em deserviço, bem como todos os bens móveis e de raiz que foram de Soeiro Afonso e seus irmãos, filhos que foram de Álvaro Soares de Tagilde, que andam em deserviço. E a 1.5.1394 confirmou de juro e herdade a Gonçalo Pires Coelho, seu vassalo, as terras de Felgueiras e Vieira, reservando para si a correição e alçada, bem como a quintã de Parada, tal como tinha Afonso Gomes da Silva, e ainda a quintã de Gondomil, como trazia Vasco Gomes de Abreu, e que fora do pai de Gonçalo Pires Coelho, bem como a quintã de Cancelães, na terra de Vieira.
Deste Gonçalo Pires Coelho foi filho sucessor Fernão Coelho. A 10.12.1433 D. Duarte confirmou a Fernão Coelho, seu vassalo, os senhorios de juro e herdade de Felgueiras e Vieira e as quintã que seu pai tivera de D. João I, por ser «o filho lidimo primeiro e herdeiro». A 21.12.1434 o mesmo rei confirmou a Fernão Coelho o couto de Cancelães, com seu rio e montado, como já tivera seu pai Gonçalo Pires Coelho e seus avós. A 10.7.1464 D. Afonso V doa a Martim Coelho e Pedro Coelho, a pedido de Catarina de Freitas, viúva de Fernão o Velho, morador em Felgueiras, os bens que herdaram de seu pai e que o rei lhes retirara quando combateram na batalha de Alfarrobeira do lado do infante D. Pedro. A 31.1.1466 D. Afonso V confirma a doação da quintã e lugar do Outeiro, na freguesia de S. Salvador de Moura, da terra de Felgueiras, de acordo com as escrituras de doação vitalícia feita a Catarina de Freitas, mulher de Fernão Coelho, seu vassalo e escudeiro do julgado de Felgueiras. Refere um instrumento público público de doação de 2.12.1440 e confirmação de 4.6.1443. A Fernão Coelho sucedeu seu filho Martim Coelho. A 12.11.1445 D. Afonso V perdoa os vinte açoites públicos a Vasco Afonso, criado e escudeiro de Martim Coelho, morador no julgado de Vieira, por ter querelado de Gil Afonso, filho de Afonso Eanes de [Sangujedo], morador no dito julgado, contanto que pague 1.000 reais para a Chancelaria. A 11.6.1449 o mesmo rei doou a Gonçalo Pereira, fidalgo da sua Casa, as terras de Felgueiras e de Vieira, que pertenceram a Martim Coelho que as perdera por ter participado ao lado do infante D. Pedro na batalha de Alfarrobeira. Mas a 13.7.1451 perdoa a justiça régia a Martim Coelho, senhor de Felgueiras, acusado de fazer algumas assuadas, de derrubar uma casa e de roubar uma quintã, tendo pago 200 reais de prata. A 4.6.1451 o mesmo rei perdoa a justiça régia a Vasco Afonso, Álvaro Martins da Várzea, Diogo de Raas, João Afonso Minhoteiro, João Afonso de Cimo de Vila e André Gonçalves, moradores no julgado de Poveiros, culpados num arroio e no derrubamento de umas casas de Martim Coelho, tendo pago cada um 200 reais de prata. A 4.6.1451 D. Afonso V perdoa a justiça régia a Gonçalo de Santa Ovaia e Pedro, seu irmão, Afonso Eanes, João Gil, João do Ribeiro, Diogo Gonçalves, João das Quintas, moradores no julgado de Felgueiras, culpados num arroido e derrubamento de umas casas de Martim Coelho, tendo pago 200 reais de prata cada um. A 5.6.1451 perdoa a justiça régia a Gil Martins, morador no julgado de Felgueiras, culpado num arroido e derrubamento de umas casas de Martim Coelho, tendo pago 200 reais de prata. A 5.6.1451 perdoa a justiça régia a Pedro Sergudo e Gonçalo de Trás Outeiro, moradores no julgado de Felgueiras, culpados num arroido e derrubamento de umas casas de Martim Coelho, tendo pago 200 reais de prata cada um. A 27.12.1451 doou para sempre a D. Fernando Coutinho, marechal, as terras de Felgueiras e Vieira, com todas as suas rendas, direitos, foros, tributos, emprazamentos, montes, fontes, rios, pescarias, jurisdição cível, crime mero e misto império, reservando para si a correição e alçada, que eram pertença de Martim Coelho que as perdera porque participara na batalha de Alfarrobeira, sendo posteriormente doadas a Gonçalo Pereira que morrera. A 10.7.1464 o mesmo doa a Martim Coelho e Pedro Coelho, a pedido de Catarina de Freitas, viúva de Fernão o Velho, morador em Felgueiras, os bens que herdaram de seu pai e que o rei lhes retirara quando combateram na batalha de Alfarrobeira do lado do infante D. Pedro. A 6.12.1468 o mesmo rei nomeia novamente Pedro Vasques, escudeiro de Martim Coelho, a pedido dos homens-bons do concelho, para o cargo de escrivão das sisas do julgado de Felgueiras (documento parcialmente ilegível). 

II

130

32

Pedro Coelho, que dei como possível filho de João do Campo Coelho, deve na verdade ser seu neto. Com efeito, Pedro Coelho terá nascido cerca de 1465/8, e não 1455 como estimei, uma vez que seus sogros ainda viviam em 1520 e seu filho António Coelho de Souza nasceu cerca de 1490 e não 1480 como estimei. Pedro Coelho seria assim filho de João Coelho (do Campo), nascido cerca de 1453.
Acresce corrigir também alguma coisa do que disse, por lapso, a propósito de António Coelho de Souza, filho do antedito Pedro Coelho. Com efeito, para além do seu nascimento cerca de 1490 e não 1480, não foi este o António Coelho de Souza que viveu na quinta de Lourosa e foi vereador do Senado da Câmara pela Nobreza em 1613, e juiz ordinário e procurador da cidade em 1624, como é bom de ver pela cronologia. Isto diz respeito a seu filho homónimo, o doutor António Coelho de Souza, nascido cerca de 1545 e não cerca de 1511, como estimei. Esta cronologia aplica-se também a Beatriz Coelho, irmã deste doutor António Coelho de Souza, que não nasceu cerca de 1510, como estimei, mas cerca de 1543. O marido de Beatriz Coelho, Sebastião de Figueiredo Corrêa, seria bem mais velho do que ela, tendo nascido cerca de 1520/25. Deles foi bisneto por via feminina António de Gouveia de Vasconcellos, que tem uma cronologia certa, pois foi baptizado a 19.11.1596. Sua mãe, Maria de Figueiredo de Carvalho, pode ter nascido cerca de 1578, e a mãe desta, Maria de Figueiredo, pode ter nascido cerca de 1560, podendo assim a mãe desta, a antedita Beatriz Coelho, ter nascido em 1543.
Dada a nova cronologia proposta, Paula Soares (de Altero) terá sido a 2ª mulher de António Coelho de Souza e não a 1ª. Portanto, a possível 2ª mulher que dei a este António, Joana Lopes de Lira, teria sido a 1ª, aparentemente sem geração. Finalmente, o doutor António Coelho de Souza (filho de António Coelho de Souza e Paula Soares), nascido cerca de 1545, obviamente não pode ser o bacharel António Coelho que esteve presente numa reunião da Câmara em 1534. Este é seu primo o Dr. António Coelho do Campo, que foi juiz almotacé nesse mesmo ano, referido na página 138.

II

143

18

referido em CARDOSO 3

referido em TENREIRO

II

152

19

Um João Afonso, filho de Afonso do Cazal e de sua mulher Beatriz Anes, moradores em S. Pedro de Rates, tirou ordens menores em Braga 18.12.1451.
Um João Anes, filho de João do Casal e sua mulher Catarina Anes, de S. Miguel de Foroços, tirou ordens menores em Braga a 19.6.1451.

II

161

2

Fernão Peres de Soveral (ou Fernando do Soveral, como também se documenta), alcaide-mor de Celorico da Beira, falecido depois de 1369, pode ter casado com uma D. Maior Soares, mas esta não podia ser a homónima que foi filha de Soeiro Gonçalves de Alfanje, como dizem as genealogias e eu segui. Esta Maior Soares casou de facto com um Fernando Soveral, mas trata-se de outro, que viveu quase um século antes, o Fernão Soares Soveral que refiro em http://www.soveral.info/mas/Ribadouro e Pacheco.htm.
Com efeito, este Fernando Soveral já estava casado com Maior Soares a 15.1.1269 quando em Celorico da Beira ambos venderam a D. Afonso III bens que tinham em Santarém. É o seguinte o teor da carta: «Noverint universi quod ego Fernandus Soveral et uxor meã Maior Suerii facimus cartam venditionis et firmitudinis vobis donno Alfonso dei gratia Regi Portugalie et Algarbii de nostris quinionibus de casis quos habemus in villa de Santarena ubi vocatur Seserigo anta sanctam Eream parvam, et ipse case fuerunt de Suerio Gundisalvi de Alfanxi patre mei Maioris Suerii. Vendimus vobis domine nostros quiniones de ipsis nostris casis pró precio quod de vobis accepimus, scilicet centum et quinquaginta marabitinos de XV solidis pro marabitino, quia tantum nobis et vobis placuit et de precio nichil remansit in debito pro dare. In cujus rei testimonium mandavimus inde vobis fieri hanc cartam per Didacum Dominici nostrum tabellionem in Celorico. Et rogavimus júdice et concilium ipsius loci quod presentem cartam sigillo concilii Celorici facerent sigillari. Facta carta XVº die mensis Jenuarri, Era Mª CCCª VIIª. Testes: Menendus Gomeci et Johannes Martini judices Celorici, Dominicus Guedaz, Stephanus Gunsalvi, Dominicus Roderici, Martinus Johannis scutifer. Et ego Didacus Dominici vester publicus tabellio in Celorico, hiis omnibus interfui hanc cartam manu propria scripsi t honc signum meum ibi feci in testimonium. Et nos judices de Celorico rogati Fernando Soveral et uxore sua Maiore Suerii hanc presentem cartam sigilli nostri munimine facimus communiri.»

II

167

Gaspar da Costa e Azevedo (6.2.1.1.2.) documenta-se como Gaspar da Costa de Ataíde. E sua mulher como D. Catarina Rosa de Lima e Teive de Souza Coutinho, conforme a mercê de Dom João V (L90 f. 57v) à dita D. Catarina, sendo viúva do sargento-mor de Batalha Gaspar da Costa de Ataíde, sobre o morgado da Ribeira Brava (dos Teive) que administrava.

II

168

14

Domingos da Costa de Soveral vem referido na justificação de nobreza (30.9.1814 - ANTT - Feitos Findos - Maço 25, nº 17) de seu alegado bisneto Manuel António Pinto de Soveral Vassalo e Souza como capitão-mor de Sernancelhe e filho de Theotónio de Soveral de Almeida, cavaleiro professo da Ordem de Cristo, sem indicação da mãe, o que poderia indiciar bastardia. Infelizmente não há paroquiais de Sernancelhe para esta época, que me permitissem confirmar esta filiação. Este Domingos vem aí indicado como casado com Margarida Clemente de Magalhães e pai de Manuel de Soveral e Souza, baptizado a 2.3.1697 em Stª Maria de Nagoselo (Lamego), freguesia que também não tem paroquiais para esta época.
Esta justificação de nobreza (e respectiva carta de armas, de 30.9.1814, para Soveral, Souza, Almeida e Pinto) veio entretanto a verificar-se completamente errada pelo menos no que respeita ao entroncamento Soveral e Souza. Com efeito, desde logo, verifica-se que Domingos da Costa e Margarida Clemente casaram a 8.8.1611 em Ervedosa, sendo ele filho de Domingos Fernandes da Costa, já defunto, e de sua mulher Domingas da Costa, e ela filha de Domingos Afonso, já defunto em 1606, e sua mulher Joana Clemente, moradora na Portela e falecida em Ervedosa a 17.9.1610. De Domingos da Costa e Margarida Clemente há o baptismo em Ervedosa de duas filhas: Maria, a 13.1.1614, e Isabel a 26.5.1616. Resulta desta cronologia que Manuel de Soveral de Souza não só não era filho, como diz a justificação de nobreza, como não podia sequer ser neto de Domingos da Costa e Margarida Clemente.
Mas há mais: no baptismo dos filhos deste Manuel de Soveral de Souza ele consta como filho de José Fernandes e sua mulher Madalena de Soveral, moradores em Nagoselo. E, de facto, uma Madalena de Soveral casou a 19.4.1694 em Póvoa de Penela, de onde era natural, com José Fernandes, natural de Nagoselo. Neste assento não constam os pais dos noivos, mas esta Madalena aparece solteira em Póvoa de Penela como irmã do padre António de Soveral, ambos filhos de Manuel Fernandes e de sua mulher Isabel de Soveral, aí falecida a 15.1.1700, casal que teve ainda pelo menos mais uma filha Maria, bat. a 2.2.1669, ib. Esta Isabel, que terá nascido cerca de 1645/50, possivelmente era de Sebadelhe da Serra e neta de Paulo de Soveral, procurador do número de Sernancelhe (CFII, 18, 136), e de sua mulher Catarina de Sequeira, com quem casou a 20.3.1612 em Ranhados. Este Paulo instituiu em Sebadelhe da Serra a capela de S. Miguel, junto da sua casa da Corredora, com a obrigação dos administradores mandarem rezar oito missas anuais por sua alma. Este vinculo foi extinto por provisão de 12.5.1774, a pedido do seu administrador Manuel de Soveral, alegando que o seu rendimento não dava para pagar os 200.000 réis fixados pela nova lei de 3.8.1770. Este Paulo de Soveral era filho André de Soveral de Barbuda e Isabel Francisca de Novais, referidos na nota que segue.

II

169 e 177

O Dr. André de Soveral, referido na pag. 169 com possível filho natural de Gaspar de Soveral, devia na verdade ser o André de Soveral de Barbuda filho de Belchior de Soveral de Barbuda (1.4.1.1) referido na pág. 177. Digo aqui que este André de Soveral Barbuda nasceu em Sebadelhe, onde seu pai viveu. Contudo, na IG para o Stº Ofº de um seu descendente diz-se que este André nasceu em Sernancelhe e foi casar com Isabel Francisca de Novais a Sebadelhe, onde viveram.

II

169

14

Isabel Godinho da Costa, que parece filho

Isabel Godinho da Costa, que parece filha

II

170

32

Quando, há bem mais de 20 anos, vi o processo para familiar do Stº Ofº do licenciado João Fernandes de Almeida, tinha junto o processo de Maria Paes para casar com o licenciado João Fernandes, filho de Pedro de Soveral e Maria de Almeida.
A precipitação e a inexperiência, aliada à falta de tempo de quem vive longe, não me levou, então, a tomar notas senão do essencial, nem tão-pouco a ler o processo. Quando da organização das «Ascendências Visienses» para publicação, muitos anos volvidos, procurei consultar e ler o processo, tanto mais que a cronologia dos filhos do doutor Pedro de Soveral e sua mulher Maria de Almeida, entretanto apurada com mais rigor, tornavam impossível que o licenciado João Fernandes de Almeida fosse filho legítimo do casal, como refiro no livro. Infelizmente, a leitura do processo foi-me então recusada, mesmo após pedido especial, por este se encontrar em muito mau estado de conservação. O processo foi, posteriormente à publicação, microfilmado (e de facto está em muito mau estado!), mas dele já não constam as inquirições de Maria Paes. Possivelmente, quando do processo de microfilmagem, verificaram, pelas datas, que não se podia tratar do mesmo João Fernandes, e abriram novo processo, mas não me foi possível localizá-lo.
No processo do licenciado João Fernandes de Almeida (20.7.1613), as testemunhas divergem quanto à sua idade, mas a maioria diz que tem mais de 30 anos. Como os filhos do doutor Pedro de Soveral e sua mulher Maria de Almeida começam a nascer em 1565, é provável que tivesse trinta e muitos anos, sendo de qualquer forma o mais novo dos 8 filhos do casal.
Não podia, portanto, ser o licenciado João Fernandes casado com Maria Paes (do Amaral), cujo neto Frei doutor Belchior do Amaral era lente da Universidade de Coimbra quando foi familiar do Stº Ofº a 16.1.1618, e outro neto, Miguel Paes (do Amaral), tinha mais ou menos 40 anos quando foi familiar do Stº Ofº a 1.10.1620.
Como refiro no livro, este licenciado João Fernandes, que não parece ter chegado a ser familiar, pelo que o seu processo terá ficado incompleto, não pode ter nascido depois de 1545, pelo que nasceu necessariamente muito antes do casamento dos pais, provavelmente nas circunstâncias que aí explico. Se Maria de Almeida tivesse 14 anos em 1545, poderia ter filhos até cerca de 1573/4, o que significa que o licenciado João Fernandes de Almeida teria de facto trinta e muitos anos.
O nome João Fernandes é recorrente na linhagem dos Soveral de Sernancelhe, mas, na ascendência directa, é preciso recuar a um 4º avô do doutor Pedro de Soveral para encontrar um João Fernandes de Soveral. É assim estanho o nome deste filho mais novo do casal, tanto mais seguindo o Almeida da família da mãe, onde não há nenhum João Fernandes. Já o nome de João Fernandes dado a um filho bastardo se entende melhor, sendo depois provável que o segundo João Fernandes fosse afilhado do 1º e a ele fosse buscar o nome.

II

179

7

Simão de Soveral Tenreiro não era filho (como dou) mas sim neto materno de Simão de Soveral e sua mulher Beatriz Vaz Tenreiro. Com efeito, era filho de Simão Lopes e sua mulher Helena de Soveral, como já digo no meu “Ensaio sobre a origem dos Proença”, 2010, pág. 25.
Como refiro no livro, Simão de Soveral nasceu em 1520 (tinha 18 anos em 1538) e terá casado cerca de 1544 (e não 1560 como avento), tendo Beatriz Vaz Tenreiro, nascido cerca de 1531 (e não 1541, como digo). Assim, Helena de Soveral teria nascido cerca de 1545 e casado cerca de 1659, tendo Simão de Soveral Tenreiro nascido cerca de 1560, cronologia que permite o seu casamento a 24.2.1582 com Leonor Botelho.
Seu irmão o Padre Manuel Vaz Tenreiro (pág. 180), beneficiado na igreja matriz de Fornos, onde faleceu a 7.1.1624, com pelo menos uma filha aí casada em 1639, pela mesma razão e pela cronologia, deve igualmente ser filho de Helena de Soveral e Simão Lopes e não de Simão de Soveral e Beatriz Vaz Tenreiro, que assim seriam seus avós maternos.

II

183

16

Em 1613, Manuel Fernandes de Figueiredo e sua mulher Antónia de Almeida Castello-Branco, sendo senhores da quinta das Cabanas e moradores em Canas de Senhorim, perderam uma demanda com o conde de Sortelha. E a 26.6.1613 apelaram sobre os direitos da sua quinta de Morais, de uma sentença contra eles e a favor do mesmo conde.

II

190

33

João Fernandes de Soveral, já cavaleiro fidalgo da Casa Real (era-o em 1578), cavaleiro da Ordem de Cristo e comendador de Tanger nesta ordem, com uma tença de 10.000 reis (3.5.1578), esteve na batalha de Alcácer Quibir, ficando muito ferido e cativo. Foi depois remido, e a 7.11.1579, sendo morador em Tânger,  teve mercê da comenda de Padrões da Ordem de Santiago, com 30.000 reais de pensão (CAOS, 1, 396v e 397), vaga por morte do anterior comendador Cristóvão de Távora, onde se confirma que combateu na batalha de Alcácer Quibir, onde ficou muito ferido e, em nota à margem, que a 24.1.1580 teve acrescento de pensão e que teve ainda a comenda de Mogadouro de S. Mamede.

II

203

19

Luiz de Mello Vaz de São Payo dá Leonor Manoel (casada com Luiz Mendes de Cáceres) como filha de D. Branca de Vilhena e seu 1º marido, o que segui, mas isso documenta-se errado. Pelo que só podia ser sua sobrinha, portanto uma filha de seu irmão D. Pedro (ou, com menos probabilidades, de seu irmão D. Fernando, os únicos irmãos legítimos que teve), havida sendo ele solteiro, ainda em Portugal, pelo que Leonor Manoel terá nascido cerca de 1396.

II

211

28

2.1.2. Rodrigo Afonso de Andrade,

2.2. Rodrigo Afonso de Andrade, (sem recuo)

II

211

29

2.1.3. (João) Freire de Andrade,

2.3. (João) Freire de Andrade, (sem recuo)

II

212

5

Sendo cerco,

Sendo certo,

II

211 a 214

Em toda a descendência de (João) Freire de Andrade a numeração deve começar por 2.3 e não 2.1.3. Deve também ter menos um recuo.

II

211

33

Martinho/Martim Homem e Ortim Homem são a mesma pessoa, que de facto aparece com os dois nomes. É como Martinho que se documenta em 1437 em Viseu com sua mulher Beatriz Seabra. E a 18.9.1451 tirou ordens de Epístola em Braga Afonso de Meira, «que per tanto tenpo quanto de direito abasta he morador em esta diocese», filho de Ortim Homem e de sua mulher Beatriz de Seabra, da freguesia de S. Pedro de Povolide, no bispado de Viseu. E, como se diz no livro, é como Martim Homem, escudeiro do infante D. Pedro, que aparece na legitimação de seu filho Lourenço de Souza, moço da câmara do infante. Legitimação esta que é de 8.6.1429 e não de 8.6.1430, como refiro no livro. 

II

214

nota

Digo nesta nota que o filho (apenas referido como tal nas genealogias coevas) de Álvaro Freire de Andrade poderá ser o homónimo capitão de Almeida que outras genealogias dizem estar na origem dos Freire de Andrade do Carapito. A cronologia, contudo, não o permite, pelo que poderá ser o próprio Álvaro Freire de Andrade o pai (natural) de Isabel da Fonseca, se bem que este Álvaro se documente várias vezes em tempos diferentes sempre a viver em Povolide, nas sua quinta de Crestelo, sem qualquer ligação à praça de Almeida ou mesmo qualquer referência a ter sido capitão.

II

215

13

É possível que Rui Freire de Andrade tenha tido um irmão. As genealogias tardias falam de um sobrinho do mestre da Ordem de Cristo D. Frei Nuno Rodrigues Freire também chamado Nuno Freire e casado com uma filha de Gomes Balieiro, copeiro-mor do infante D. Pedro. Tendo em conta que este infante nasceu em 1392 e morreu em 1449 e que D. Frei Nuno nasceu cerca de 1323 e morreu em 1372, aquele só podia ser seu sobrinho-neto, portanto filho de Rodrigo Afonso de Andrade e irmão de Rui Freire de Andrade.
O certo é que este Nuno Freire de Andrade ou Nuno de Andrade não se documenta, o que é estranho e faz duvidar da sua real existência, embora se documentem os netos que as mesmas genealogias lhe atribuem, sendo que um deles se chamou justamente Nuno de Andrade. De resto, também não se documenta o seu alegado sogro Gomes Balieiro, embora se documentem alguns indivíduos deste nome em meados do século XV justamente no Algarve, onde viviam os netos que as genealogias atribuem a este Nuno, que assim terá casado e vivido no Algarve.
Dizem as genealogias que este Nuno casou com Maria Ribeiro, filha como se disse de Gomes Balieiro, copeiro-mor do infante D. Pedro, e de sua mulher Maria Ribeiro. Os indivíduos desta família que se documentam no Algarve são um Lourenço Balieiro em Tavira em 1464, um Luiz Balieiro, escudeiro do conde de Odemira, em 1456, e um Rui Balieiro, escudeiro de Vasco Martins Moniz e tabelião de Faro, em 1469, que era filho de um Luiz Vasques, escudeiro, também tabelião de Faro.
De Nuno Freire de Andrade ou Nuno de Andrade e sua mulher dão as genealogias vários filhos que não se documentam e uma filha, que dizem ter-se chamado Maria de Andrade e casado com João Banha, de Loulé, com quem Alão começa os "Banhas de Andrade", sem lhe nomear a mulher.
Na verdade, este alegado genro de Nuno Freire de Andrade chamou-se Fernão de Banha ou da Banha, viveu de facto em Loulé e foi cavaleiro do infante D. Fernando. Seus filhos ainda eram relativamente novos em 1471, pelo que o casamento de Fernão de Banha com a filha de Nuno Freire de Andrade não se terá realizado antes de 1438, o que aponta para que esta tenha nascido cerca de 1420 e seu pai cerca de 1385, o que concorda com a cronologia de seu proposto irmão Rui Freire de Andrade, nascido cerca de 1383.
Gaio, que também chama João a Fernão de Banha, diz que era filho de um Fernão Peres Banha que serviu o mestre de Avis e o condestável, o que é bem provável, dado que Fernão Peres foi nome recuperado pela descendência. Fernão de Banha era já cavaleiro do infante D. Fernando quando a 22.2.1459, a seu pedido, D. Afonso V privilegiou João Adoz, morador em Silves, concedendo-lhe aposentação sem ter atingido a idade de 70 anos. A 27.4.1462 o mesmo rei perdoou a justiça régia e concedeu carta de segurança a João Pires, criado de Gonçalo Nunes Barreto, morador em Faro, pelo envolvimento que tivera nos arroídos entre Gonçalo Nuno Barreto e seus filhos e os filhos de Rui Lourenço e de Fernão da Banha, moradores em Loulé, sendo degredado por um ano para a vila de Alcácer. E a 26.10.1471 perdoou a justiça régia a Fernão de Banha, cavaleiro, morador em Loulé, pela morte de João de Alte, homem de pé de Gil de Ataíde, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e tomada da vila de Arzila e cidade de Tânger, e mediante o perdão das partes. E a 11 do mês seguinte perdoou a justiça régia a Gonçalo Vasques Tristão, criado de Fernão da Banha, morador na vila de Loulé, acusado de cometer vários delitos, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e tomada da vila de Arzila, bem como mediante o perdão das partes.
Alão dá-lhe dois filhos, Fernão Banha e Lisuarte de Andrade, mas documentam-se três: Fernão, Lisuarte e Nuno. A 26.10.1471 D. Afonso V perdoou a justiça régia a Fernão de Banha o Moço, filho de Fernão de Banha, cavaleiro, morador em Loulé, pela morte de João de Alte, homem de pé de Gil de Ataíde, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e tomada da vila de Arzila e cidade de Tânger, e mediante o perdão das partes. E na mesma data perdoou a justiça régia a Nuno de Andrade, filho de Fernão de Banha, cavaleiro, morador em Loulé, pela morte de João de Alte, homem de pé de Gil de Ataíde, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e tomada da vila de Arzila e cidade de Tânger, e mediante o perdão das partes. Sobre estes dois filhos não aparece mais documentação, o que indicia que terão falecido pouco depois. Já sobre Lisuarte tem muita coisa, a saber: A 26.10.1471 D. Afonso V perdoou a justiça régia a Lisuarte de Andrade, filho de Fernão de Banha, cavaleiro, morador em Loulé, pela morte de João de Alte, homem de pé de Gil de Ataíde, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e tomada da vila de Arzila e cidade de Tânger, e mediante o perdão das partes. A 18.5.1480 o mesmo rei nomeou Lisuarte de Andrade, fidalgo da sua Casa, vedor-mor da artilharia régia, para o cargo de vedor dos vassalos régios da cidade de Lisboa, em substituição de Tomaz Luiz de Chaves, que morrera. A 30 seguinte nomeou Lisuarte de Andrade, fidalgo da sua Casa, para o cargo de vedor-mor da artilharia e armazém régios, com uma tença mensal de 2.000 reais para mantimento de ofício, e que sejam assentes nos livros da fazenda régia. A 17 do mês seguinte doou vitaliciamente a Lisuarte de Andrade, fidalgo da sua Casa, vedor-mor da artilharia régia, todas as coroas de ouro pagas anualmente pelos adiceiros da adiça régia, e uma tença anual, enquanto sua mercê for, de 10.000 reais. A 12 do mês seguinte doou a Lisuarte de Andrade, fidalgo da sua Casa, vedor-mor da artilharia, enquanto sua mercê for, uma tença anual de 12.000 reais, a partir de 1 de Janeiro de 1480. A 3.1.1486 D. João II deu a Lisuarte de Andrade, fidalgo da sua Casa, uma tença de 12.000 reais. Este Lisuarte casou com Margarida Pacheco, filha de Gonçalo Pacheco, escudeiro do infante D. Henrique, tesoureiro da Casa de Ceuta (1437, renomeado a 12.2.1439), almoxarife das coisas de Ceuta (11.11.1462), alcaide do castelo de Portalegre (22.4.1441), camareiro do rei e tesoureiro das coisas de Ceuta em Lisboa (31.7.1475), etc., sendo estes pais de Fernão Peres de Andrade, armador-mor do reino, provedor dos armazéns reais, fidalgo da Casa Real, capitão na Índia, etc., e este pai de Lisuarte Peres de Andrade, capitão-mor da armada da Costa em 1550 e 1561.

II

216

e

222

11

e

15

A D. Aldonça de Andrade que deixo na página 216 como possível filha de Rui Freire de Andrade, na verdade é a filha de D. Tereza de Andrade e de seu 2º marido Fernando Álvares Cabral que vai na página 222 como D. Aldonça Cabral casada com Vasco Martins Moniz. Com efeito, a 12.5.1451 D. Afonso V doou a Dona Aldonça de Andrade, donzela da sua Casa, por seu casamento com Vasco Martins Moniz, fidalgo da sua Casa, enquanto sua mercê for, uma tença anual de 25.000 reais de prata, a partir de 1 de Janeiro de 1451, assim como a quarta parte das 2.500 coroas de seu casamento. 

II

229

19

Existiram dois bispos do mesmo nome, D. Vasco Martins de Alvellos. O que refiro, filho de Martim Anes de Alvellos, foi bispo da Guarda (14.2.1302-1313) e bispo de Lamego (1296-1302), tendo falecido a 23.10.1313 na Guarda. Este D. Vasco a 27.12.1302, em Caria, instituiu para seu irmão Estêvão Martins, cavaleiro de Alvellos, o morgadio de Alvellos, com sua capela de Stª Maria do Tesouro, na Sé de Lamego, e cabeça na honra de Alvellos (Sé, Lamego), a que vinculou a quintã da Torre de Figueiredo de Alva (S. Pedro do Sul), a aldeia de Ladreda (ib) e outros bens, todos herdados de seu pai, o cavaleiro Martim Anes de Alvellos. D. Vasco Martins de Alvellos foi ainda deão da Sé de Lamego e fez testamento em Caria (Covilhã) a 23.10.1311.
O outro, seu sobrinho-neto, foi bispo do Porto (1328-1342), bispo de Lisboa (1342-1344), e 1º morgado de Medelo, tendo falecido em 1344. Era reitor da igreja de S. Jacobi de Beja quando a 28.4.1317 seu tio D. Geraldo Domingues, bispo de Évora, lhe instituiu o morgadio de Medelo.
Este é o que refiro como D. Vasco Domingues, filho de Maria Esteves de Alvellos e Martim Domingues, irmão do dito D. Geraldo Domingues, bispo do Porto (1300), Évora (1313) e Placencia (Espanha), que a 28.4.1317 instituiu para seu sobrinho Vasco Martins o morgadio de Medelo (Almacave), Lamego, com sua capela de Stª Catarina na Sé de Lamego, com cabeça na sua quintã de Medelo e vinculando-lhe várias propriedades distribuídas por quase todo o país. Estipulou que a Vasco Martins devia suceder seu outro sobrinho, Egas, filho de seu irmão Vicente Domingues. Aquele Martim Domingues depois de viúvo foi cónego das Sés de Lamego (1270-92) e Viseu, prior da Colegiada de Stª Mª de Almacave (Lamego) e reitor de Stª Mª de Soutelo (Pesqueira). Era filho de Estêvão Domingues, reitor da igreja de Penude (Lamego) e neto de Pedro Domingues, cidadão de Lamego, e de sua mulher Maria Domingues, senhora da quinta de Medelo, filha esta de Domingos Giraldes, «criado» de D. Sancho II.
A irmã deste 2º bispo D. Vasco Esteves de Alvellos, Marinha Martins de Alvellos, foi ama de leite de D. Guiomar de Barredo (neta de D. Afonso III) e casou com Pedro Martins de Avellar, morgado de Stª Margarida de Lamego, e foram pais nomeadamente D. Afonso Pires, bispo do Porto (1359), 1º morgado de Balsemão (1361). Como D. Afonso Peres, cónego do Porto, teve confirmação a 8.7.1342 pelo bispo de Lamego do padroado das igrejas que se encontravam neste bispado e que lhe deixara em testamento D. Guiomar de Barredo. A 13.4.1342, no seu couto de Lumiares, D.Guiomar de Barredo (neta do rei Dom Afonso III), como refere, faz seu testamento, onde nomeia seu testamenteiro Afonso Peres, seu colaço e cónego no Porto, e deixa-lhe, em sua vida, todos os padroados e colheitas e serviços de todas as igrejas que tinha e era padroeira. Afonso Peres era clérigo de D. João Mendes de Briteiros e sua mulher D. Urraca Afonso (pais da dita D. Guiomar de Barredo) quando a 24.4.1319 foi por eles apresentado como abade de S. João de Figueira.
Voltando ao mais antigo bispo D. Vasco Martins de Alvellos, o instituidor do morgadio de Alvellos, era filho de Martim Anes de Alvellos, senhor da honra de Alvellos, cavaleiro, senhor da quintã da Torre de Figueiredo de Alva (S. Pedro do Sul), da aldeia de Ladreda (Figueiredo de Alva), da quinta de Curujaes, em Tarouca, etc. , que nasceu cerca 1207 e faleceu a 114.12.1296 em Lamego, e de sua mulher D. Elvira Mendes da Fonseca, falecida depois de 27.12.1302, data em que seu filho, o bispo D. Vasco, deixa na instituição do morgado a sua mãe D. Elvira Mendes da Fonseca o usufruto da quintã da Torre de Figueiredo de Alva.
Por instituição de seu irmão o bispo, o 1º morgado de Alvellos foi Estêvão Martins, cavaleiro de Alvellos, que ainda vivia a 9.2.1320 quando declara que mandou vender por 12 libras um manto que seu filho Pedro Esteves confiscara a Maria Anes, por uma dívida de 20 libras. Teve vários filhos de Tereza Anes, sendo o mais velho Pedro Esteves de Alvellos, que foi legitimado por carta real de D. Dinis (3, 145v), sucedeu a seu pai como 2º morgado de Alvellos e faleceu antes de 14.9.1342, data em que Martim Raimundes, cavaleiro morador em Alvellos e sobrinho de D.Vasco, bispo que foi de Lamego, era administrador da capela de Stª Maria do Tesouro na Sé de Lamego quando emprazou a Fernão Rodrigues de Ferreirim a quinta de Curujaens, no termo de Tarouca, que pertencia ao morgado. Neste documento Martim Raimundo diz que é o 3º administrador, por morte de seu primo Pedro Esteves, como estipulou o instituidor. Este Martim Raimundes é o que refiro como filho de Guiomar Martins de Alvellos. A este sucedeu no morgadio de Alvellos seu primo Diogo Álvares de Alvellos, com refiro (filho de Álvaro Esteves de Alvellos, irmão mais novo, não legitimado por carta real, do dito Pedro Esteves de Alvellos, 2º morgado). Seu filho, Pedro Esteves de Alvellos, 5º morgado, a 15.3.1383 teve autorização real para trocar a quinta de Curujaes, em Tarouca, pela quinta do Cabido de Vale de Goivo, em Alvellos (TT, Sé de Lamego, compras, m.3, n.5). De salientar, como vimos, que o morgadio de Alvellos incluía ainda a quintã da Torre de Figueiredo de Alva, pelo que esta não era um segundo morgadio. Por fim, não foi Heitor Homem que instituiu a capela de Nª Sª do Tesouro, que era a da instituição do morgadio de Alvellos por D.Vasco, de que este Heitor era o 9º administrador.

II

242

20

De Francisco de Mello Coelho de Lemos e Alvellos, 17º morgado de Alvellos, etc., foi filho sucessor Bernardo de Alvellos Coelho de Lemos e Mello (também aparece apenas como Bernardo de Alvellos e Lemos), como ficou dito. Este, a 12.1.1749 teve carta de administração de uma capela instituída pelo cónego António Resende de Figueiredo na Sé da Viseu (CJV, 38, 480). Deste foi filho sucessor Francisco de Assis de Lemos e Alvelos, que a 2.12.1820 foi condecorado com a Cruz de Guerra, pelos seus serviços como capitão do Estado Maior do Exército nas guerras contra o invasor napoleónico, estando então já reformado, e que ainda vivia a 11.3.1823, quando lhe foi passada uma certidão negativa, onde consta como filho de Bernardo de Alvellos e Lemos (RGM, Registo de Certidões, 1, 159v). Deste foi filho primogénito Bernardo de Alvellos e Lemos de Mello e Castro, fidalgo cavaleiro da Casa Real a 24.4.1823, foro onde é referido como natural de Viseu, filho de Francisco de Assis de Lemos e Alvellos (CJVI, 17, 87v), e que faleceu pouco depois, antes de seu pai, sucedendo o irmão, Henrique de Mello Lemos e Alvellos, nascido em 1803 em Viseu e falecido a 16.8.1859, que foi também militar e político liberal, combatendo na guerra civil pelo lado de D. Pedro IV, primeiro como coronel de Cavalaria 8 e depois como chefe do Estado Maior da segunda divisão militar, sendo reformado em 1851 como marechal de campo. Foi deputado às Cortes Constituintes, conselheiro de S.M.F., cavaleiro da Ordem Militar de S. Bento de Avis a 11.9.1839 (CMªII, 16, 50v), cavaleiro da Torre e Espada, fidalgo cavaleiro da Casa Real a 17.6.1841 com 1.600 reais de moradia por mês e 1 alqueire de cevada por dia (CMªII, 15, 55v e 56, foro onde consta como filho de Francisco de Assis de Lemos e Alvellos), tendo a 4.9.1858 novo foro moço fidalgo com honras de exercício na Casa Real (CPV, 13, 74; e 14, 85v). Deste foi filho sucessor o Dr. Francisco de Mello Lemos e Alvellos (1823-1892), Conselheiro de S.M.F, duas vezes governador civil de Viseu, chefe do Partido Progressista neste distrito, licenciado em Direito pela UC (1840-4), que com seu pai (4.9.1858) teve foro de moço fidalgo, com honras de exercício na Casa Real (CPV, 13, 74; e 14, 85v) e a 28.8.1873, como Francisco de Mello Lemos e Alvellos, teve mercê do título de visconde do Serrado em sua vida (CLI, 26, 221v). Foi o 21º e último morgado de Alvellos, morgado do paço e torres de Figueiredo de Alva e senhor da quinta do Serrado, em Viseu, onde viveu e faleceu. O regime dos morgadios foi extinto em sua vida, a 19.5.1863.

II

242

 

Os morgados de Alvellos Henrique de Mello e Lemos de Alvellos e sua mulher D. Francisca de Campos Coelho tiveram mais uma filha, que eu não refiro no livro, chamada D. Francisca Sebastiana, que foi freira da Ordem de S. Bento no convento de Jesus em Viseu. D. Francisca Sebastiana, referida como Madre, Religiosa Professa da Ordem de S. Bento no convento de Jesus; ex-Porteira do dito convento, cristã-velha, natural de S. Pedro do Sul, de 40 Anos mais ou menos, filha de Henrique de Mello e Lemos, que viveu de seu Morgado e fazendas, e de sua mulher D. Francisca de Campos Coelho, que vivia de seu Morgado e fazendas, foi detida a 12.8.1719 pela Inquisição de Coimbra (processo 7776), acusada de Molinismo, sendo sentenciada a 16.4.1720 a dois anos de cárcere no seu convento, um deles com as penitências Pro Gravioribus, sem poder ir falar à grade do convento senão com parentes até ao 2º grau, tudo isto com termo de segredo. Contudo, a 9.9.1720 foi perdoada do cárcere, e a 28.4.1721 foi perdoada do 2º ano da sentença.
O Molinismo, muito seguido entre a nobreza de Viseu dessa época, era uma doutrina que seguia o jesuíta espanhol Luiz de Molina (1535-1600) e tentava conciliar a ideia de livre arbítrio à graça e omnisciência divina. Basicamente, o Molinismo sustentava que, além de saber tudo o que acontece ou irá acontecer, Deus também sabe o que iria acontecer caso a pessoa agisse de modo diferente. O Vaticano e a Inquisição consideraram o Molinismo uma heresia, pelo que os seus defensores foram perseguidos.

II

244

35

João Álvares Rebello (2.2.2.1.) poderá ter casado 2ª vez com sua prima Inês Fernandes de Macedo, como se refere, mas é certo que casou com Aldonça Gonçalves, com quem vivia em Golães a 23.3.1448 quando o filho de ambos Pedro Rebello tirou ordens menores em Braga.

II

248

35

Diogo Lopes de Rebello foi cónego da Sé de Lamego e abade de S. Martinho de Mouros, nasceu cerca de 1385 e ainda vivia a 7.6.1452, quando D. Afonso V o privilegiou, a pedido de Lopo Afonso, do seu Conselho, concedendo-lhe licença para andar em besta de sela e freio, por todo o reino. Deixou três filhos legitimados por carta real de 17.3.1445, Lopo Dias, havido em Catarina Afonso, e Martim e Isabel, havidos em Beatriz Dias. O Martim deve ser o Martim de Rebello que em 1433 e 1434 se documenta como almoxarife de Leiria. Lopo Dias é certamente o Lopo Dias de Rebello, escudeiro, criado do conde de Marialva, que a 22.10.1441 D. Afonso V nomeou para os cargos de juiz e contador dos resíduos da cidade e almoxarifado de Lamego.
Por uma justificação dos finais de séc. XVI, sabe-se que Diogo Lopes de Rebello foi ainda pais de Rui Lopes que casou com Branca Lourenço Carvalho, com geração conhecida. Este Rui Lopes viveu em Alvelos, junto de Lamego. Sucedeu em metade da quintã de Gominhães a seus tios Gonçalo Rodrigues Carvalho e Mor Rodrigues da Fonseca (de quem vinha a quintã).
A 11.5.1440 D. Afonso V confirmou o emprazamento a Rui Lopes, seu vassalo, morador na cidade de Lamego, do souto régio de Madões (Souto d'el Rei), no termo da cidade de Lamego, pelo foro anual de 20.000 reais de prata anuais, em três vidas, com a condição de o adubar e lavrar. A 30.4.1450 D. Afonso V fez quitação a Rui Lopes, recebedor de quatro pedidos e meio do almoxarifado de Lamego, da quantia de 1 conto e 651.289 reais de prata e 9 pretos, que recebera durante os anos de 1444 a 1449. Foi procurador às Cortes por Lamego (1451 e 1455). A 14.3.1454 D. Afonso V doou a Rui Lopes, escudeiro da sua Casa e juiz das sisas da cidade de Lamego, morador na dita cidade, uma tença anual, para seu mantimento, de 3.000 reais de prata, à razão de 250 reais por mês. A 1.4.1454 D. Afonso V confirmou o perfilhamento de Rui Lopes, escudeiro da sua Casa, morador na cidade de Lamego, feito por Mécia Vasques, mulher Vasco Martins, moradores no termo da dita cidade, com todos os direitos de herança. A 2.4.1455 o mesmo rei nomeou Rui Lopes, escudeiro da sua Casa, morador na cidade de Lamego, para o cargo de contador e arrendador das sisas régias e direitos da comarca e almoxarifados da dita cidade, em substituição de Martinho Afonso do Paço. A 3.4.1455  nomeou Gonçalo Lourenço, escudeiro da sua Casa, para o cargo de juíz dos órfãos, das sisas gerais, linhos e panos de cor da cidade de Lamego, em substituição de Rui Lopes, escudeiro, morador na dita cidade, que fora nomeado para o cargo de contador régio na comarca de Lamego. No mesmo dia, nomeou o mesmo Gonçalo Lourenço, escudeiro da sua Casa, para o cargo de escrivão da Câmara da cidade de Lamego, em substituição de Rui Lopes, seu escudeiro, morador na dita cidade, que fora nomeado para o cargo de contador da comarca da cidade de Lamego. A 10.4.1455 nomeou Gonçalo Lourenço, escudeiro da sua Casa, para o cargo de vedor dos vassalo régios da cidade de Lamego e seus termos, em substituição de Rui Lopes, que renunciara. A 12.4.1455 nomeou Rodrigo Anes, escudeiro, para o cargo de tabelião das notas e das audiências da cidade de Lamego e seu termo, em substituição de Rui Lopes, que foi nomeado para contador dos almoxarifados de Viseu e Lamego. A 17.7.1455 D. Afonso V privilegiou Rui Lopes, contador da comarca dos almoxarifados de Viseu e Lamego, concedendo-lhe licença para arrendar as rendas, sisas, direitos e dinheiros da dita comarca e almoxarifados. Em 1470, por emprazamento de D. Afonso V, com obrigação de dar duas cargas de lenha cada dia aos Capuchos de Lamego, foram senhores do prazo de Souto d'El-Rei Rui Lopes e mulher Branca Lourenço, dama da rainha D. Isabel. Em 1470 Branca Lourenço, dama da rainha D. Isabel, e seu marido Rui Lopes foram confirmados no prazo de Souto d'El-Rei, por emprazamento de D. Afonso V, com obrigação de dar duas cargas de lenha cada dia aos Capuchos de Lamego. A 23.6.1473 Branca Lourenço, já viúva, teve um prazo do Cabido de Lamego.
De Rui Lopes e sua mulher foi filho sucessor Pedro Rodrigues de Carvalho. A 1.5.1480 D. Afonso V confirmou a Pedro Rodrigues de Carvalho, cavaleiro da sua Casa, morador na cidade de Lamego, o emprazamento em três vidas do souto de Madões (Souto d'el Rei) que fica no termo da dita cidade, pelo foro anual de 2.150 reais de prata, ou seu justo valor ao tempo das pagas, a ser pago no dia 1 de Setembro, mediante determinadas condições. Tem inserto a carta de emprazamento de 11.3.1440, o alvará de 20.12.1477 e o instrumento de passamento de 10.11.1478. Este Pedro Rodrigues casou com Inez Nunes de Albuquerque, com geração nos senhores de Baião.
Deste Pedro Rodrigues foram ainda irmãos os seguintes:
1) Martim de Carvalho, FCR, criado do duque de Viseu (em 1460), morgado de Cepões (Lamego), etc. A 4.7.1487 teve a autorização de D. João II para comprar casas em Guimarães. A 4.8.1487 foi nomeado juiz das sisas de S. Martinho. Fez uma composição com sua irmã Ana Rodrigues de Carvalho sobre um reguengo junto a Guimarães, confirmada por D. João II em 1488. Em 1460 o abade D. Frei Diogo Borges fez prazo de todos os frutos novos, rendas, foros e direitos da igreja de Canedo de Barroao, anexa ao mosteiro de Refoios de Basto, a Inez Dias Borges, criada de Gomes Afonso e sua mulher Isabel Borges, moradores em Guimarães, para casar com Martim Carvalho, criado do duque de Viseu. Inez Borges e seu marido Martim de Carvalho tiveram a 6.8.1484 (com confirmação de 24.11.1487, então ela já viúva), o prazo de um casal em Stª Ovaia de Riba Selho, termo de Guimarães, onde se diz que aquele Martim era irmão de Ana Rodrigues de Carvalho, mulher de Rui Mendes (de Vasconcelos), cavaleiro, contador das comarcas de Guimarães e de Ponte de Lima, a quem ela Inez Borges, senhora do mesmo casal por doação da referida Isabel Borges, o cedera. Com geração nos morgados de Cepões e nos morgados do Poço.
2) Rui Lopes de Carvalho, licenciado, contador de Lamego e Viseu (1482) e contador da comarca de Entre-Douro-e-Minho. A 26.3.1517 Rui Lopes de Carvalho já era contador da comarca de Entre-Douro-e-Minho. A 20.8.1524 D. João III deu provisão para o recebedor da Chancelaria da corte pagar ao licenciado Rui Lopes de Carvalho 1.400 reais de mantimento e ordenado.
3) Ana Rodrigues de Carvalho, que casou com Rui Mendes (de Vasconcellos), com geração, nomeadamente na Casa da Trofa. Este
Rui Mendes nasceu cerca de 1441, provavelmente em Lisboa, e faleceu com cerca de 80 anos em 1521, em Guimarães. Fez testamento em 1518, de que existe traslado de cláusula passado pelo tabelião Cristovão do Vale de 3.10.1521 (AMAP, Pergaminhos, 123084): Traslado da cláusula do testamento de Rui Mendes, cavaleiro da Ordem de S. Tiago, fidalgo da Casa de el rei, contador em Minho e Trás-os-Montes, morador na rua da Sapateira, aprovado em Junho de 1518 pelo tabelião Martim Gomes, sendo uma das testemunhas João Mendes, filho do testador, e aberto a 9 de Maio de 1521 perante o juiz ordinário de Guimarães Simão Rebelo, escudeiro, estando presentes o licenciado Cristóvão Mendes, corregedor da Beira, e Fernão da Mesquita, cavaleiro da Casa d’el rei, filho e genro do testador, e outros, pelo qual manda sepultar-se na colegiada de Guimarães ante a porta que vai para os órgãos, onde também será sepultada sua mulher a honrada Ana Rodrigues de Carvalho, porquanto "como ela sempre foi tão (...) comigo nos trabalhos que eu tive no mundo (...) se no outro mundo se deve saber para contentamento deste ajuntamento assy ser", e lega 200 reais que é quanto agora valem dez vinténs, com a obrigação de dez missas rezadas com responso e água benta sobre a sepultura.
Rui Mendes era filho de Lourenço Mendes (de Vasconcellos), senhor da honra e couto de Nomães e da honra de Ruivães, ambas no julgado de Vermoim (Vila Nova de Famalicão), e de sua mulher Beatriz Pereira. Tudo indica que este seja o Lourenço Mendes, morador no termo de Monção, que a 25.6.1456 D. Afonso V nomeou meirinho no Entre-Lima-e-Minho, em substituição de Vasco Fernandes, que morrera (CAV,13, 57). Lourenço Mendes era filho natural de João Mendes de Vasconcellos, 5º morgado de Soalhães e 2º de Arega e Fonteboa, alcaide-mor de Estremoz, etc. Apesar dos irmãos mais novos serem apoiantes do mestre de Avis e de ele vir a casar com uma irmã de Nuno Álvares Pereira, João Mendes de Vasconcellos começou por apoiar a rainha D. Beatriz e, sendo alcaide-mor de Estremoz, deu voz contra o mestre, mas fui expulso pela população. Depois da aclamação de D. João I veio servi-lo. João Mendes de Vasconcellos foi o sucessor nos bens da coroa de seu pai Gonçalo Mendes de Vasconcellos, que teve muitas mercês e a quem a 28.2.1374 D. Fernando I confirmou o couto da sua quintã de Nomães, no julgado de Vermoim. Quando faleceu em 1707 este Gonçalo Mendes de Vasconcellos ficou a dever a seu neto Rui Vasques, de quem fora tutor, uma quantia que o próprio Gonçalo Mendes, no seu testamento, avalia em 4.000 libras, mais duzentos marcos de prata lavrada e umas quintãs no Entre-Douro-e-Minho. Rui Vasques, contudo, discordou das contas do avô e requereu ao rei nova avaliação, ficando então a dívida estimada em 7.300 coroas de ouro, que o rei lhe pagou, exigindo a João Mendes (tio de Rui Vasques) que pagasse esta quantia à fazenda rel. Este ignorou a ordem e deixou correr o processo à revelia, pelo que os seus bens foram vendidos, a Louzã por 1.700 dobras, Vila Chã e Penegate por 120, Soalhães por 150. Penela por 700 e Larim por 210, sendo-lhe anunciada a arrematação. Reagiu então João Mendes, que reclamou da avaliação, acabando por acordar o seguinte: a Louzã passaria para a coroa por 4.000 coroas e as restantes 3.300 coroas seriam em parte abatidas nas rendas das restantes terras que não recebera durante o sequestro e o resto pago em dois anos. Ficou assim João Mendes com Penela, Vila Chã, Larim e Soalhães, tudo confirmado por carta de 13.9.1413. Mas, entretanto, Gonçalo Mendes deixara à fazenda real outra dívida de 2.500 dobras de ouro, pelo que o rei tomou como penhor outra vez Penela, Penagate, Landim, Vila Chã e Soalhães. Os dois filhos vivos à data da morte de Gonçalo Mendes, este João Mendes e seu irmão Mem Rodrigues, não se entenderam nas partilhas e demandaram o rei, tendo D. Duarte decidido dividir em partes iguais as terras e as dívidas, ficando João Mendes, para além dos morgadios de Soalhães, Arega e Fonteboa (bens de raiz), com o senhorio de Soalhães e metade do de Penela, e Mem Rodrigues com a outra metade de Penela e Vila Chã, Larim e Penagate. De todo este acordo, incluindo a dívida de Rui Vasques, teve João Mendes carta de quite a 8.4.1420. Entretanto, já D. João I, por carta de 27.5.1417, tinha feito mercê da dita dívida de 2.500 dobras a Gonçalo Pereira, já casado ou para casar com D. Beatriz de Vasconcellos, filha do mestre D. Mem Rodrigues, a quem seu irmão Diogo Mendes de Vasconcellos cedeu toda a sua legítima a 17 do mês seguinte. De forma que este casal acabou por ficar com metade de Penela e Vila Chã, Larim e Penagate, que a 7.6.1441 venderam ao 8º conde de Barcelos. João Mendes de Vasconcellos casou, como ficou dito, com D. Leonor Pereira, irmã do condestável D. Nuno Álvares Pereira, e deste matrimónio só teve filhas, sucedendo em todos os bens da coroa a primogénita, D. Maria de Vasconcellos, que casou com D. Afonso da Guerra, filho do infante D. João, com geração nos condes de Penela. O filho natural Lourenço Mendes herdou apenas as quintãs de Nomães e Ruivães, em Vermoim, e casou em meados de 1439 com Beatriz Pereira, por quem vem o nome Cunha usado por alguns filhos de seu filho Rui Nunes (de Vasconcellos).
Esta Beatriz Pereira, mãe de Rui Nunes, era já viúva, com geração, de João Mendes (Aguada), jurisconsulto, corregedor da corte para a comarca de Entre-Tejo-e-Odiana e além Odiana nos reinados de D. João I e D. Duarte, etc. João Mendes Já se documenta como vassalo e corregedor da corte de D. João I a 25.8.1403. D. João I encarregou João Mendes, corregedor da Corte, de compilar todas as leis extravagantes, sendo a tarefa ultimada em 1446 por seu filho homónimo, também corregedor da corte, surgindo as Ordenações Afonsinas, assim denominadas em homenagem ao monarca então reinante, D. Afonso V. A compilação consistiu em reunir as normas do Fuero Juzgo, também chamado Código Visigótico ou Lex Romana Visigothorum, legislação dos hispano-romanos e visigodos, acrescido dos forais e leis gerais, estas aplicáveis em todo o reino. Em 1495, D. Manuel I resolveu elaborar uma nova compilação, concluindo o trabalho em 1521, dando-se a este o título Ordenações Manuelinas. Documenta-se que João Mendes foi senhor da herdade coutada de Stª Margarida, em Évora, e que era neto de um Lourenço Mendes e sobrinho de Fernão Lourenço, escudeiro, sendo este pai de Lopo Fernandes e Diogo Fernandes. Com efeito, a 8.1.1435 D. Duarte confirmou o privilégio de coutada a João Mendes “corregedor que ora he na estremadura” e a Lopo Fernandes, filho de Fernão Lourenço, escudeiro, que foi morador em Évora, constante de uma carta que foi dada por D. João I a Lourenço Mendes, "padre do dcto ferna lço tio do dcto Johane mendez”. Acrescenta esta carta que D. João I ainda confirmou o couto ao dito Fernão Lourenço, numa carta onde se dizia que, depois da morte de Lourenço Mendes, “atecerom parte das herdades que assy forom coutadas das quães he hua que Jaz em logo que chama ual de maria E a outra a sta margarida termo desta cidade”. E que agora morrera Fernão Lourenço e ambas as herdades ficaram para ambos e as partiram entre si, porquanto João Mendes não tivera ainda a sua parte por morte de Lourenço Mendes, pois “esteuero sempre mjsticas em poder do dicto ferna lço”. E que ficaram para Lopo Fernandes e seu irmão Diogo Fernandes a herdade de Vale de Maria, e para João Mendes a herdade de Stª Margarida, o qual a dera a João Cerveira, morador em Évora, em dote de casamento com sua filha Inez Mendes. Documenta-se também que João Mendes era tio de um Martim Afonso, pois a 15.12.1434 D. Duarte nomeou Martim Afonso, sobrinho de João Mendes, corregedor da sua corte, para o cargo de escrivão perante o dito corregedor. A 7.4.1435 D. Duarte nomeou escrivão das sisas de Pampilhosa e Álvaro um Fernão Peres, criado de "Johane meemdez Cor da nossa corte”. A 20.5.1435 o mesmo rei legitimou Inez Mendes, filha de “Johane meendez corregedor da nossa corte” e de Aldonça Martins, mulher solteira, sendo ele casado ao tempo do seu nascimento com Branca Afonso. A 23.3.1439 D. Afonso V deu a Beatriz Pereira, mulher que foi de João Mendes, corregedor da corte, carta de privilégio de fidalga para todos os seus caseiros, enquanto for viúva. A 28.5.1440 o mesmo rei nomeou Gonçalo Fernandes, licenciado, criado do infante D. Pedro, para o cargo de corregedor da corte, em substituição de João Mendes, que morrera. E a 11.5.1441 concedeu carta de privilégio a Lopo de Mariz, escudeiro, criado da sua Casa, para todos os seus caseiros que lavrarem nas suas herdades, quintas e casais da vila de Beja e seu termo, as quais foram herança deixada por João Mendes, corregedor da corte, isentando-os de irem com presos e dinheiros, de serem tutores e curadores, de servirem na vintena do mar, bem como de serem postos por besteiros. Alão chama-o João Mendes da Guarda, di-lo corregedor da corte de D. Duarte e casado com Isabel Pereira (na verdade Beatriz, como se documenta). E considera-o irmão de D. Inez Pires (a quem erradamente chama Inez Fernandes Esteves), amante de D. João I, que depois foi comendadeira de Santos (cargo que ainda exercia em 1425), sendo ambos filhos de Fernando Esteves ou Mem da Guarda ou da Guada, sapateiro que viveu em Veiros. Também D. António Caetano de Souza aceita este João Mendes “da Guada” como irmão de D. Inez Pires (que é certo que teve um irmão Gil Pires, que se diz tio do “senhor conde”). Mas documenta que Inez Pires era filha de Pedro Esteves e Maria Anes, a quem D. João I em 1396 aforou umas casas em Lisboa, e neta materna de João Anes, marceiro, e sua mulher Constança Garçez. Portanto, o corregedor João Mendes não tinha qualquer relação com Inez Pires, e muito menos era seu irmão. Na verdade, documenta-se que João Mendes era filho de Afonso Martins e sua mulher Catarina Mendes, sendo esta filha bastarda do já referido Lourenço Mendes, havida em Catarina Afonso, legitimada por carta real de 9.7.1389 (CJI, II, 47, e 50 e 50v). Do seu 1º casamento com o corregedor João Mendes, Beatriz Pereira teve vários filhos, sendo o primogénito Fernão Pereira, fidalgo da Casa do duque de Bragança, fidalgo do Conselho de D. Afonso V, vedor das obras nas comarcas de Entre-Douro-e-Minho e Trás-os-Montes, senhor da quinta de Gege, junto ao Rio Cávado, que brevemente foi senhor de juro e herdade de Penela, Vila Chã e Larim e a 30.12.1442 foi feito senhor de juro e herdade de Castro Daire, c.g.
Beatriz Pereira era irmã de Lisuarte Pereira, 3º senhor e morgado de Águas Belas, s.g.; de Galiote Pereira, do Conselho e camareiro de D. Afonso V, cujo filho natural legitimado por carta real sucedeu no morgado e senhorio de Águas Belas; de D. Henrique Pereira, comendador-mor da Ordem de Santiago, escrivão da puridade, etc. que teve mercê de Dom em 1454, c.g.; de Gonçalo Pereira, senhor de Castro Daire, s.g., de Isabel da Cunha, solteira, e de Rui da Cunha, que a 1.6.1439 teve de D. Afonso V confirmação do cargo de escrivão da sisa dos vinhos da dita vila de Guimarães e seu termo, em substituição de Vasco Antão, criado de João Mendes, corregedor que foi da corte, que renunciara por instrumento público de 16.9.1438. Eram todos filhos de Álvaro Pereira, senhor de Sousel, 2º senhor e morgado de Águas Belas, etc., que esteve na tomada de Ceuta (1415) e recebeu de seu tio o condestável D. Nuno Alvares Pereira as rendas de Lamegal, Borba, Vila Viçosa e outras, e de sua mulher Isabel da Cunha.
Do seu 2º casamento com Lourenço Mendes teve, além de Rui Mendes (de Vasconcellos), uma filha chamada Cecília Mendes, que casou com Pedro da Costa. Gaio ( VASCONCELLOS, §67 = Quinta de Ruivains e Sres da honra de Nomaens) diz que este Pedro da Costa foi escudeiro fidalgo e pai dos sucessores de um vínculo instituído por testamento de 16.8.1518 de seu irmão Diogo da Costa, também escudeiro fidalgo da Casa Real, que a 20.12.1504 era juiz ordinário de Barcelos. Trata-se, certamente, do Diogo da Costa, escudeiro d’el rei, que a 30.12.1504 teve de D. Manuel I mercê do ofício de recebedor das sisas de Barcelos e da feira real que em cada ano aí se realizava, a assim como fora Pedro de Guimarães, que renunciara em mãos d’el-rei, e que antes de metido em posse daria fiança abastante ao almoxarife, pagando 200 reais de dízimo (CMI, 23, 45v). Que justamente já tinha falecido a 29.8.1518, quando António Pereira, escudeiro, morador em Barcelos, foi nomeado recebedor das sisas dessa vila sucedendo ao falecido Diogo da Costa (CMI, 44, 30). Dizendo ainda Gaio que eram ambos filhos de Aires Gonçalves da Costa, almoxarife de Barcelos, que é certamente o Aires Gonçalves, almoxarife do duque de Bragança na vila de Barcelos, a quem D. Afonso V a 4.1.1454 concedeu licença para andar em besta muar de sela e freio (CAV, 10, 7v). Cecília Mendes nasceu cerca de 1440 e terá casado cerca de 1458 com Pedro da Costa, tendo este nascido cerca de 1435, pelo que seria bem mais velho do que Diogo da Costa.
Rui Mendes (de Vasconcellos) nasceu cerca de 1440 e começou por ser escudeiro e vedor da Casa do bispo de Lamego (prelado em 1463, tinha 18 anos) D. Rodrigo de Noronha, do Conselho de D. Afonso V, capelão-mor do reino e regedor das justiças da Casa da Suplicação, reitor, reformador, governador e protector da Universidade de Lisboa, prior de Santa Cruz de Coimbra, etc., nascido em 1444, filho bastardo de D. Fernando de Noronha, 2º conde de Vila Real. Com efeito, já se documenta escudeiro e vedor do bispo de Lamego e capelão-mor quando a 4.9.1472 D. Afonso V lhe doou vitaliciamente a dízima do pescado de uns canais no rio Douro, no termo da cidade de Lamego (CAV, 29, 188v). No ano seguinte casou em Lamego com Ana Rodrigues de Carvalho, irmã de Pedro Rodrigues de Carvalho, cavaleiro fidalgo da Casa Real, senhor do prazo do Souto de El-Rei (20.12.1477 e 10.11.1478), etc.; de Martim de Carvalho, cavaleiro fidalgo da Casa Real, 1º morgado de Cepões (Lamego), juiz das sisas de S. Martinho (4.8.1487), etc., e do Dr. Rui Lopes de Carvalho, contador de Lamego e Viseu (1482), contador da comarca de Entre-Douro-e-Minho, etc., todos filhos de Rui Lopes (de Rebello),escudeiro da Casa Real, senhor da quinta da Granja da Figueira, contador de Lamego e Viseu (1455), etc., e de sua mulher Branca Lourenço Carvalho, dama da rainha D. Isabel, senhora do prazo de Souto d'el Rei (11.5.1440 e 1470), etc.
Rui Mendes (de Vasconcellos) passou logo a Lisboa, onde foi escrivão dos contos régios em data incerta, pois não encontrei a nomeação. Mas a 30.8.1475 D. Afonso V nomeou João de Beja, escudeiro da sua Casa, para o cargo de escrivão dos contos régios da cidade de Lisboa, em substituição de Rui Mendes, escudeiro do bispo de Lamego, que fora nomeado para o cargo de contador de Guimarães e Ponte de Lima (CAV, 30, 50) E a 11.5.1476 nomeou Dinis Anes, criado do conde de Penamacor, para o cargo de escrivão dos contos de Lisboa, em substituição de Rui Mendes, vedor do bispo de Lamego, que renunciara (CAV, 7, 114). Com efeito, a 8.4.1475 o mesmo rei tinha nomeado Rui Mendes, escudeiro do bispo de Lamego e vedor da sua Casa, para o cargo de contador régio da comarca de Entre-Douro-e-Minho, em substituição de Gonçalo Afonso, que não o pode exercer, ficando no entanto com mantimento até morrer, passando depois para Rui Mendes (CAV, 30, 91). Este Gonçalo Afonso, anterior contador de Entre-Douro-e-Minho, era Gonçalo Afonso Carvalho, que foi procurador às Cortes por Lamego e era tio-avô materno de Ana Rodrigues de Carvalho, mulher de Rui Mendes (de Vasconcellos). Apesar desta nomeação, não passou logo a exercer o cargo, tendo acompanhado o rei nas guerras com Castela (Toro, 1476). Já antes estivera com o soberano nas expedições de Anafé (1464) e Arzila (1471), devendo ter sido neste época que entrou como cavaleiro da Ordem de Santiago (de recordar que seu tio materno D. Henrique Pereira era comendador-mor desta ordem). A 24.8.1480 o rei privilegiou Rui Mendes, escudeiro e vedor do bispo de Lamego, capelão-mor e do seu Conselho, pelos serviços prestados em África e Castela, com cavalos, armas e bestas à sua custa, concedendo-lhe carta de privilégio de fidalgo para as comarcas da Beira e Entre-Douro-e-Minho (CAV, 26, 107v). Passa entretanto a cavaleiro da Casa Real e assume finalmente o cargo de contador régio da comarca de Entre-Douro-e-Minho, que manterá até 1510/11.
A 19.6.1498 Rui Mendes (de Vasconcellos) comprou em Guimarães a terra de Cunha-a-Velha, com todos os casais, reguengos da coroa, terras, foros, direitos e pensões, pela elevada quantia de 100.000 reais de prata. Não encontrei a carta de compra desta terra, mas apenas a sua confirmação por D. Manuel I a 3.5.1500 (CMI, 13, 42v), feita a Rui Mendes, cavaleiro da Casa d’el rei, de uma carta de D. Afonso V, datada de Lisboa de 12.9.1473, escrita por João Carreira e mandada por Pedro de Alcáçova, cavaleiro da Casa d’el rei e escrivão de sua fazenda, na qual se diz que Fernando Anes das Póvoas, cidadão mercador, morador na cidade do Porto, houvera por compra de João Correa, outrossim cavaleiro d’el rei, morador em Lisboa, o reguengo chamado da Cunha Velha, na comarca de Entre-Douro-e-Minho, de cuja compra houvera a respectiva carta, feita por um público tabelião e um alvará de licença. E apresentara ainda uma carta de escambo, feita e assinada por D. João I, a rainha e o infante D. Duarte, datada de Lisboa de 22.12.1449 e escrita por João Pires, na qual Gonçalo Correa, criado d’el rei dizia que, por falecimento de Fernando Afonso, seu pai, a quem el rei dera a terra de Valadares, no almoxarifado de Ponte de Lima, de juro e herdade, mas sem jurisdição, ficara a ele essa terra. E el rei, com consentimento da rainha e do infante D. Duarte, dera em escambo a Gonçalo Correa, pela terra de Valadares, a terra da Cunha Velha e casais dela, no almoxarifado de Guimarães. E ordenou ao almoxarife Diogo Martins, do almoxarifado de Guimarães, que o deixassem haver e lograr a terra da Cunha Velha a todos seus descendentes, assim e pela guisa que houvera a terra de Valadares. E mandou a Vicente Anes, seu contador, que andava na dita comarca, que logo que ao dito Gonçalo Correa fosse entregue a terra da Cunha Velha, fizesse logo tomar para el rei a terra de Valadares e pô-la no almoxarifado de Ponte de Lima. E em testemunho mandou fazer duas cartas do escambo, ambas de um só teor. E 12.8.1474, em Lisboa, Gonçalo Correa, em carta de venda feita por Fernão Rodrigues, tabelião, nas casas de morada de João Correa, cavaleiro, cidadão, vereador da cidade, e Isabel Dias de Castello Branco, sua mulher, em presença de testemunhas mencionadas, fora por ele apresentado um alvará de D. Afonso V, datado de Lisboa de 18.8.1473, escrito por Gonçalo Rodrigues, no qual dava licença a João Correa para poder vender, escambar, ou como lhe aprouvesse, o reguengo da Cunha Velha, na comarca de Entre Douro e Minho, e prometia de lhe confirmar o contrato. E os vendedores, com aprazimento de Paio Correa, seu filho, logo venderam a Fernando Anes das Póvoas, mercador, morador na cidade do Porto, a terra da Cunha Velha, no almoxarifado de Guimarães. A qual terra vendiam com seus casais, terras, rendas, foros, direitos e pensões, etc., como ele João Correa herdara por morte de Gonçalo Correa, seu pai, pelo preço de 80.000 reais de prata, de 35 libras o real, forros de sisa e demais tributos, custas e costumes. Os quais 80.000 reais os vendedores confessaram ter recebido de António Fernandes das Póvoas, filho de comprador. E se deram entregues de 246 cruzados de ouro e por 50 reais de prata em dinheiro, recontando por cruzado 325 reais e de tudo se deram por satisfeitos. E bem assim apresentou Fernando Anes das Póvoas mais duas cartas, nas quais D. João I e D. Afonso V confirmavam a dita carta de escambo a Gonçalo Correa, pai de João Correia. E, visto o alvará de licença que João Correa houvera, lhe confirmou a carta de venda e de compra da terra de Cunha Velha. E mandou a Gonçalo Afonso, seu contador na comarca e ao almoxarife desse almoxarifado, que metesse o dito Fernando Anes na posse da dita terra, e a fizesse registar no Livro dos Próprios para, depois de extinta de todo a sua linhagem, viesse à Coroa do Reino. Mais foi apresentada uma carta de venda feita por Gonçalo Anes, tabelião d’el rei na vila e julgado de Azurara, termo e jurisdição da cidade do Porto, nas casas de João Lopes e testemunhas, onde compareceu Afonso Tomé, escudeiro e cidadão da dita cidade, o qual apresentou um alvará, sendo el rei em Castela, passado pela chancelaria e assinado pela rainha, irmã d’el rei, tendo a governança, datado de Lisboa de 15.7.1498, e escrito por João Pais, no qual dava licença a António Fernandes das Póvoas para vender 10 casais que ficavam na terra da Cunha Velha, termo de Guimarães, os quais herdara de seu pai que os comprara a João Correa, morador na cidade de Lisboa. E bem assim um instrumento de procuração, feito por Fernão Roiz, público tabelião em Lisboa, a 19.6.1498, no qual António Fernandes das Póvoas, mercador, morador a São Nicolau, e sua mulher, Inez Alvares, faziam seu procurador ao honrado Afonso Tomé, cidadão do Porto, e lhe davam livre poder para vender uma terra que ele António Fernandes tinha no termo de Guimarães, chamada a Cunha Velha. Entre as testemunhas figurava Rui das Póvoas, irmão do vendedor. E Afonso Tomé vendeu a Rui Mendes, cavaleiro da Casa d’el rei e seu contador na comarca de Entre Douro e Minho, em nome de António Fernandes, a terra da Cunha Velha, com todos os casais, reguengos da coroa, terras, foros, direitos e pensões por preço de 100.000 reais de prata, da moeda de 6 ceitis o real, sem obrigação de pagar sisa nem tributo, os quais Afonso Tomé confessou receber e se deu por entregue por 250 cruzados de ouro, de justo peso, à razão de 390 reais o cruzado, e por 125 vinténs. Pedindo o dito Rui Mendes, porquanto tudo se passara devidamente, vistas as ditas cartas de compra e escambo e todos os documentos inclusos, que lhos confirmasse e lhos confirmou.
Muito embora seja aqui (1498) referido como contador na comarca de Entre Douro e Minho, designação que por vezes é substituída pela de contador de Guimarães e Ponte de Lima, cargo em que se documenta em 1496 (CMI, 26, 27v e 79) e 1497 (ib, 30, 77), a 2.5.1496 estava substituído pelo chante Fernando Alvares, embora se diga que o cargo era seu (CMI, 40, 119). E a 30.3.1501 D. Manuel I enviou uma carta a Estevão Dias, corregedor com alçada nas comarcas da Beira e a todos os juízes e justiças do reino, com conhecimento da mercê do ofício de meirinho dessa Correição feita a António Rodrigues, porquanto Rui Mendes, seu cunhado, que o servia, enviara pedir licença para o poder trespassar e colocara a sua renúncia em mão d’el rei (CMI, 1, 12v). Portanto, em algum momento, Rui Mendes (de Vasconcellos) foi também contador da Beira, cargo que apesar da antedita renúncia mantinha a 10.2.1509, quando Rui Mendes, contador na comarca da Beira, rematou a Henrique de Carvalho, morador em Azurara, os seus direitos na contadoria do almoxarifado de Ponte de Lima por 18.250 reais. Este Henrique de Carvalho era filho de Martim de Carvalho, morgado de Cepões, e sobrinho de Ana Rodrigues de Carvalho, mulher de Rui Mendes (de Vasconcellos). Portanto, apesar de Rui Mendes ter sucedido no cargo a Gonçalo Afonso Carvalho, anterior contador de Entre-Douro-e-Minho, foi Martim de Carvalho quem sucedeu nos direitos, e depois dele o filho, direitos esses que Rui Mendes (de Vasconcellos) acabou por comprar.
Nascido cerca de 1441, Rui Mendes completaria os 70 anos, então idade da aposentadoria, em 1510 ou 1511, anos em que terá deixado de exercer, sendo certo que seu filho mais novo Dr. Henrique da Cunha já se documenta contador de Entre-Douro-e-Minho em 1515. E seu filho mais velho, o Dr. Cristóvão Mendes de Carvalho, juiz de foro de Coimbra em 1518 e corregedor-mor da Beira em 1521. Portanto, quando em 1518, no seu testamento, consta como Rui Mendes, cavaleiro da Ordem de S. Tiago, fidalgo da Casa d’el rei, contador em Minho e Trás-os-Montes, este cargo de contador era já, no máximo, honorário, devendo provavelmente estar por contador que foi.
----- Para que não se espalhe, convém aqui refutar liminarmente o erro em que, já após a publicação deste livro, caiu Carlos Manuel Valentim (CMV), na sua dissertação de Mestrado na Universidade de Lisboa, intitulada “Uma Família de Cristãos-Novos do Entre Douro e Minho: os Paz”, 2007, completada pelo artigo “Mestre João de Paz e Maestre Juan Faraz. Um Reflexo de Dois Espelhos com a mesma Face”, in Cadernos de Estudos Sefarditas, nº 9, 2009, onde identifica o corregedor Rui Mendes, perfeitamente documentado como fidalgo e cristão, com um cristão-novo também assim chamado, tio de Duarte da Paz e aparentemente casado com uma irmã do Mestre João da Paz, médico, judeu castelhano que veio para Portugal em 1481 e se converteu ao Cristianismo, sendo feito vassalo real e cidadão. A identificação que faz CMV não tem qualquer fundamento, desde logo por tudo o que já ficou exposto, e baseia-se apenas na carta que Gaspar Álvares Lousada, corregedor da Inquisição do Porto, enviou a D. João III em resposta ao mandado deste rei de expulsão do país dos membros da dita família Paz. Diz estas carta, de 1542 (o negrito é meu): "Senhor a noue deste mês de Junho me foi dada hua carta de vossa Alteza na qual me escrueo que por alguns respeitos de muito seruiço de nosso senhor e seu aui por bem que João de Paz pai de Duarte de Paz e Mecia de Paz sua may e sua molher, e Ruy Mendes e Diogo de Paz irmãos do pai e may do dito Duarte de paz, e Diogo de Paz e Isidro de Paz irmãos do dito Duarte de Paz e até Francisco de Paz, Fernão Lopes, João de Paz e António de Paz, filhos de Diogo de Paz tio do dito Duarte de Paz, e Francisco Rodriguiz filho da irmãa do pai de Duarte de Paz, e Branca Rodriguiz, Guiomar Mendes, e Janebra de Paz irmãs do pay e may de Duarte de Paz, e Violante de Paz, Joana de Paz, Lianor de Paz e Violante de Paz filhas de Diogo Paz e da Janebra de Paz, e assi as molheres de cada huu dos sobreditos, e os maridos das molheres sobreditas não uiuessem nem estiuessem mais em todos seus reynos, senhorios e me mandou que tanto que a dita prouisão me fose dada, eu notificasse com huu escriuão dante mi a cada hua das ditas pessoas, que dentro de hum mês se sahissem de todos seus reinos e senhorios, e estiuessem mais nelles, e fazendo contrario auia por condemnado a cada huu delles em des annos de degredo para a Ilha de S. Thomé, sem remissão, e em perdimento de toda sua fazenda e que fizesse autos, e lhe escreuesse todo o que neste caso fizesse. Pello logo mandei uir diante de mi a Diogo de Paz e Izidro de Paz irmãos do dito Duarte de Paz e ao Doutor Vasco Leite casado com hua irmã sua e a António de Paz, e elles notifiquei a dita prouisão, e a foi notificar a Ana na pessoa molher do dito Isidro de Paz, e a Maria de Paz e a Brites de Paz, e a Isabel Rodriguiz molher que foi de Francisco de Paz, Ana Gomes molher de Antonio de Paz, e a Branca Rodriguiz e a Guiomar Mendez que ao presente são moradores e se acharão nesta cidade. Os quais todos e cada huu per si disserão que não tinham feito per que os Vossa Alteza mandasse ir do reino que elles irião ou mandarião requerer sua iustiça ante vossa Alteza. De tudo se fizerão autos e ficão em poder do escriuão que pera isso tomey.Todas mais pessoas contheudas na ditra prouisão são ausentes e falecidas e moradores em outras partes. São fallecidas João de Paz e Mecia de Paz, pai e may do dito Duarte de Paz e Ruy Mendes e Diogo de Paz, irmãos do pai e da mae de Duarte de Paz e Francisco de Paz, filho de Diogo de Paz, Janebra de Paz, Lionor de Paz molher que foi de Vasco de Sampayo e Maria de Paz molher de Manuel de Figueiredo. Os ausentes, a molher do dito Duarte de Paz que uive em Eluas, e se diz que he falecida, Fernão Lopes de Paz e João Lopes de Paz uiuem em essa cidade. Francisco Rodriguiz em Tauira, Violante de Paz em Lamego, casada com Diogo Sausedo: não mandei publicar nem notificar esta prouisão as terras donde estes ausentes uiuem por senão estender a tanto, se vossa Alteza ouuer por seu seruiço escreua-mo e logo o farei. Nosso senhor acrescente o estado real de Vossa Alteza. Do Porto a 12 de Junho de mil quinhentos e quarenta edous annos". Como é evidente, este Rui Mende não é nem pode ser o contador Rui Mendes, por variadíssimas razões, desde logo porque se o fosse seria identificado como tal por Gaspar Álvares Lousada, mas também porque constariam desta lista os seus filhos filhos. Além de que o corregedor Rui Mendes, que D. João III bem conhecia, faleceu em 1521, portanto 21 anos antes desta diligência, não fazendo qualquer sentido a informação de Lousada ao rei de que tinha entretanto falecido. Isto para já não falar, é claro, que o contador Rui Mendes (de Vasconcellos), como bem se documenta, era fidalgo e não judeu.

II

251

35

prazo da «posessão»

prazo da «possessão»

II 264 16 João de Ozorio aparece como tal no assento de casamento. Como João Ozorio, n. em Vouzela, filho de António de Escovar, tirou na UC o bacharelato (26.4.1628) e a formatura (28.4.1629) em Cânones.
II 267 33

Sobre João Afonso de Proença, e a sua ascendência e descendência, ver o meu Ensaio sobre a origem dos Proença.

II

267

39

mais paresse

mais parece

II 267   Mécia Vasques de Azevedo já aparece casada 2ª vez com Vasco Martins de Rezende e com filhos pequenos em 1329 (Vilar de Porcos, vide J. A. S. M. Pizarro), pelo que terá casado com Afonso Martins Botelho cerca de 1322, ficando viúva cerca de 2 ou 3 anos depois, com os dois filhos menores (Martim e Diogo) referidos com ela na lista de Mancelos (1339), teriam eles 15 e 16 anos de idade. Este Diogo, nascido cerca de 1323, ao contrário do que acontece com seu irmão Martim, em 1365 não aparece na lista de Grijó. Mas não teria já falecido, como suspeita Pizarro, pois casou cerca de 1375. O mais provável é que estivesse fugido em Castela, por desentendimentos com D. Pedro, tendo regressado depois de 1367 com o reinado de Dom Fernando e casado tardiamente cerca de 1375, com 51 anos de idade, sendo pai de vários filhos, o mais novo dos quais seria Afonso Botelho, nascido cerca de 1385, que ainda é referido como cavaleiro do conde de Vila Real em 1475, na carta real passada a seu filho.
II 273 42 Nuno Vaz Guedes e sua mulher Joana da Fonseca, já defuntos, moradores que foram na cidade de Lamego, documentam-se no assento de casamento de sua filha Filipa de Carvalho a 25.12.1611 em Sedielos. Documentam-se ainda que Clara da Fonseca (pag. 273), dita filha de Nuno Vaz Guedes, da cidade de Lamego, foi a 2.3.1603 madrinha em Sedielos de uma neta de Gonçalo Vaz Guedes.
Filipa de Carvalho (pag. 273), que fal. a 26.9.1665 na casa de Matos, em Sedielos, não casou com Damião Botelho. Gaio diz que foi a 2ª mulher de André Correa de Mesquita e casou também com de Rui de Carvalho Alcoforado, filho de Gregório Vaz Guedes. O certo é que era viúva (o assento não diz de quem, mas deve ser de Rui de Carvalho, como adiante se explica) quando casou a 25.12.1611 em Sedielos, sendo referida como filha que ficou de Nuno Vaz Guedes e sua mulher Joana da Fonseca, já defuntos, moradores que foram na cidade de Lamego, com António Cerqueira de Carvalho, senhor da dita casa de Matos, onde fal. a 6.2.1660, filho de Francisco Borges, então já defunto, e de sua mulher Isabel de Carvalho, da freguesia de Vila Marim. Deste António Cerqueira de Carvalho é que Filipa de Carvalho foi 2ª mulher, pois a 21.5.1630 casaram em Sedielos António Coelho Correa, mais tarde referido como capitão-mor, filho de André Coelho e Beatriz Lopes da cidade de Lisboa, e Filipa de Carvalho, filha de António Cerqueira de Carvalho e Páscoa Nunes, sua primeira mulher. Este António Coelho sucedeu na casa de Matos, onde faleceu a 20.5.1667, deixando por herdeiro seu filho André Correa, que parece ser o que Gaio dá como marido de Filipa de Carvalho (afinal 2ª mulher do seu avô).
A mulher de Damião Botelho não se chamou Filipa de Carvalho, como vem no livro, mas sim Maria de Carvalho (ver adiante).

II

274

19

D. Filipa de Magalhães deve ser a D. Filipa, filha de Jorge Botelho de Sequeira, que se documenta na chancelaria de D. Filipe III (25, 423).

II 277 27 «em que não e fala» «em que não se fala»
II 286 30 Gaspar Correa é o homónimo que foi escrivão das sisas e dos órfãos de Mondim (CFII, 6, 111; e 14, 242v).

II

287

6

Gaspar Correa foi efectivamente abade de Stº Adrião de Sever (Stª Marta de Penaguião), onde aparece com este nome e como Gaspar Correa de Lucena. Nesta freguesia aparecem alguns dos seus irmãos referidos no livro. É o caso de Damião Botelho, que aí casou a 16.8.1619 com Maria de Carvalho (o assento não dá filiações), por seu irmão Gaspar Correa, abade de Stº Adrião de Sever, sendo testemunhas Gaspar Cerqueira, cura da dita igreja, Francisco Guedes de Carvalho, António Cerqueira de Carvalho, Francisco Guedes Ferraz, Manuel Guedes, Gonçalo de (Coa) Sottomayor. Aparece a testemunhar em 1619, ib, como Damião Botelho de Lucena. Sua mulher era seguramente filha de Nuno Vaz Guedes, que ficou referido acima. Não se chamava portanto Filipa, como está no livro, mas sim Maria.
Também Maria Correa em 1611 é madrinha em Sever com seu irmão Damião Botelho. E a 1.3.1612, ib, foi b. Serafina, filha de Pedro da Fonseca Teixeira e sua mulher Maria Correa de Lucena, sendo padrinhos Francisco Correa e Isabel Botelho, mulher de Baltazar Borges, de Vila Real.
Finalmente, em 1618 foi padrinho em Sever Belchior da Fonseca Botelho, sendo madrinha Maria de Carvalho.

II 295 29 Sobre a filiação de Ângela Nunes de Albuquerque, ver o que digo o meu Ensaio sobre a origem dos Proença.

II

312

e

313

O João de Albuquerque Saraiva (9.1) referido na pág. 313 deve ser identificado com o João de Albuquerque (8.9) referido na página anterior. Assim, terá nascido cerca de 1568 e casado cerca de 1590, sendo pai de Pedro Vaz de Sequeira, Tristão Borges e Beatriz Saraiva de Albuquerque. O João de Albuquerque (8.9), de facto João de Albuquerque Saraiva, terá assim sido meirinho de Penalva e Gulfar e escrivão da Câmara de Penalva e casado em Trancoso ou Viseu com Maria Cardoso de Seixas, nascida em Trancoso.

II

313

39

9.2 (a) Catarina de Andrade

9.2 (a) Luiza de Albuquerque

II

337

5, 30 e nota 320

A ideia de que o morgadio da quinta de Azevedo, em S. Vicente de Pereira Jusã (Ovar) era prazo, e que portanto teria sido instituído por João Álvares de Azevedo, é sugerida por Alão de Moraes. Mas tudo leva a crer que, de facro, seja já o velho morgadio instituído em 1275 um Afonso Fernandes, como aquela autor começa por dizer. A origem dos Alão não está devidamente estudada, e nem Alão de Moraes a tratou. Sómente os mais tardios, como Gaio, a desenvolveram, mas o que dizem não é credível. Eu suspeito que os Alão têm a mesma varonia dos Soares de Albergaria e que D. João Soares Alão, bispo de Silves (1297- ca 1310), não tinha nada a ascendência que lhe atribuem esses tardios, que o dizem filho de um Soeiro Paes, neto de um Paio Afonso e bisneto de um Afonso Fernandes. D. João Soares Alão terá nascido cerca de 1245 e morreu cerca de 1310. Antes de ser bispo, foi em 1283 apresentado como prior da igreja de S. Miguel de Sintra e depois foi cónego da Sé do Porto. Instituiu a 31.8.1308 a capela e morgadio de Stº Eutrópio e seu hospital na igreja de S. Bartolomeu de Lisboa, e foi sepultado na capela de S. Mateus, também em Lisboa, sendo depois trasladado para a de Stº Eutrópio quando esta ficou concluída. Nomeou para administrador o bispo de Lisboa D. Domingos Jardo e, por morte deste, seu neto Gonçalo Mendes, e por morte deste o clérigo seu parente mais próximo. Na falta de parente clérigo, sucederia o parente mais próximo. Por sentença de 17.3.1387 sucedeu no morgadio e capela de Stº Eutrópio Lopo Soares de Albergaria, fidalgo, alcaide-mor e senhor do castelo de Mourão, que era 9º morgado da Albergaria e capela de S. Mateus (onde o bispo D. João Soares Alão tinha sido inicialmente sepultado, como vimos), por ser o parente mais próximo e o antedito Gonçalo Mendes ter nomeado na respectiva administração seu pai ou avô (ambos chamados Estêvão Soares de Albergaria). Ora, o avô deste Lopo Soares de Albergaria, Estêvão Soares de Albergaria, foi o 1º deste nome e era filho de Soeiro Fernandes e sua mulher e sobrinha Sancha Martins de Lisboa, também dita de Bulhão ou de Bulhões, senhora do dito morgado da Albergaria e capela de S. Mateus, ambos descendentes de D. Paio Delgado, instituidor da dita capela e albergaria. Sendo Soeiro Fernandes filho de um Fernando Ermiges (que segundo o conde D. Pedro, era um fidalgo da terra de Limia e irmão de D. Aires Vasques, bispo de Lisboa) e de sua mulher D. Maria Paes, senhora do dito morgado de S. Mateus e neta herdeira do antedito D. Paio Delgado. Esta D. Maria Paes casara a 1ª vez com D. Xira Rolim, senhor de Vila Franca (por isso de Xira) e de Azambuja, e deste 1º casamento foi neta a antedita Sancha Martins de Lisboa que casou com seu tio-avô. Ora, estou em crer que este casamento de Soeiro Fernandes (nascido cerca de 1210) com sua sobrinha-neta (ainda que de um 1º casamento da mãe) foi obviamente tardio para ele e que seria já viúvo. O filho (o único que se conhece) deste casamento tardio, Estêvão Soares de Albergaria, nasceu cerca de 1265. É portanto muito provável que o bispo D. João Soares seja filho de Soeiro Fernandes e de uma sua 1ª mulher, bem assim como Martim Soares (casado com Tereza Pires), que se documenta irmão do bispo, e cuja filha, Sancha Martins Alão, casou com João Esteves de Gaia, escudeiro, vivendo ambos no termo de Lisboa em 1344, quando fizeram doação ao hospital de Stº Eutrópio de umas casas herdadas do bispo D. João Soares Alão, tio de Sancha e irmão daquele Martim Soares. Documenta-se também que em 1339 aquela Sancha Martins tinha um irmão chamado João Martins. Sendo certo que esta geração de Martim Soares, irmão do bispo, se extinguiu, pois de outra forma Lopo Soares de Albergaria não podia ser o parente mais próximo. Assim, poderia o nome Alão vir de Soeiro Fernandes? Do pouco que Alão de Moraes diz sobre esta família, consta que em 1275 um Afonso Fernandes instituiu o morgadio dos Alão na freguesia de S. Vicente de Pereira Jusã (Ovar). Diz depois, de formo confusa, que lhe sucedeu o filho Pedro Afonso, a este o filho Fernando Afonso Alão, e a este a filha Beatriz Afonso Alão, casada com João Álvares de Azevedo, sendo esta irmã de Nuno Alão. Mas depois questiona-se Alão de Moraes se a instituição de 1275 o teria sido, ou se não seria apenas prazo, uma vez que se fosse morgadio teria sucedido o filho Nuno Alão e não a filha, como de facto sucedeu. E isto, porque se dá a Nuno Alão um filho, Nuno Gonçalves Alão, com geração nos Brito Alão. Contudo, dada a situação acima referida e o patronímico deste Nuno Gonçalves, julgo que este seria filho natural de Gonçalo Afonso Alão, natural do Porto, clérigo de missa, que a 1.6.1471 foi legitimado por carta real, a seu pedido, como filho de Afonso Pires Alão, também clérigo, e de Senhorinha Anes, mulher solteira. E assim, Nuno Alão não teve geração, sucedendo naturalmente a irmã no morgadio. De qualquer forma, há aqui grosso desacerto cronológico. O dito morgadio de S. Vicente de Pereira Jusã passou a chamar-se quintã de Azevedo, por via de João Álvares de Azevedo. Este João Álvares de Azevedo, escudeiro de João Álvares Pereira e depois da Casa Real, foi, nomeadamente, de 15.5.1439 a 5.11.1451, coudel da Feira e Cabanões, terra de João Álvares Pereira e Fernão Pereira, tendo casado com Beatriz Afonso Alão cerca de 1441. Não é portanto possível que esta Beatriz seja bisneta do Afonso Fernandes que instituiu o morgado em 1275. Mas deve de facto ser irmã de um Nuno Alão, que foi chanceler da correição de Entre-Douro-e-Minho. Com efeito, a 15.12.1452 D. Afonso V perdoou a justiça régia a Fernão de Sela, escudeiro do duque de Bragança, pela querela que tivera com Nuno Alão, contanto que a sentença do dito Nuno Alão se cumpra em todo. E a 18.11.1454 nomeou João Afonso, antigo escrivão da chancelaria régia, na comarca e correição de Entre-Douro-e-Minho, para o cargo de chanceler na dita comarca, em substituição de Nuno Alão, que renunciara. Alguns tardios dizem que o Afonso Fernandes de 1275 era filho de um Fernando Afonso e neto de outro Afonso Fernandes. Provavelmente estas duas gerações estão para baixo e não para cima, ou seja: do Afonso Fernandes de 1275 foi filho um Fernando Afonso, deste outro Afonso Fernandes, e deste é que foi filho Pedro Afonso, pai de Fernando Afonso Alão, sendo este pai de Nuno Alão e Beatriz Afonso Alão. Assim, o Afonso Fernandes que em 1275 instituiu o morgadio em S. Vicente de Pereira Jusã podia ser irmão de Soeiro Fernandes e tio paterno do bispo D. João Soares Alão. Portanto, os propostos irmãos Soeiro Fernandes e Afonso Fernandes, a que ainda há que juntar um Ermigo Fernandes, referido pelo conde D. Pedro como irmão de Soeiro, nascidos entre 1209 e 1220, eram filhos dos já referidos Fernando Ermiges, que segundo o conde D. Pedro era um fidalgo da terra de Limia (irmão de D. Aires Vasques, bispo de Lisboa), e de sua mulher D. Maria Paes, senhora do dito morgado de S. Mateus e neta herdeira de D. Paio Delgado. Nesta suposição, quando e como surge o nome Alão? Pode surgir de uma alcunha, como o timbre das respectivas armas sugere? Se é alcunha, estou em crer que o primeiro que por ela ficou conhecido foi justamente o bispo D. João, sendo depois adoptada por todos os descendentes da mesma varonia, com excepção dos Soares de Albergaria que, como herdeiros do morgadio da Albergaria de S. Mateus, instituído por D. Paio Delgado, seguiram as armas deste e adoptaram o nome Albergaria.

II

342

14

Fernão Lobo, avô da mulher de Manuel de Azevedo (4), talvez não se possa identificar, como proponho, com o homónimo que em 1473 foi coudel de Vila Real. Isto porque seu pai, Pedro Barbosa, tirou ordens menores em Chaves a 29.6.1461, onde vem como filho de Fernão Gonçalves Barbosa e Leonor Vaz, moradores em Quintiães (Paço de Aborim). Salvo se Pedro (Fernandes) Barbosa se ordenou depois de precocemente viúvo, tirando portanto ordens menores com cerca de 50 anos, ainda seus pais estavam vivos.

II

343

6

Gonçalo Anes Borges deve ter nascido cerca de 1410 e não 1420, como digo. Ao referir-me à ascendência deste Gonçalo, digo que devia ser filho de um virtual  João Vaz, neto de Vasco Gonçalves Borges e bisneto de Gonçalo Anes Borges, solução que servia melhor a cronologia. Mas estou agora convencido de que Gonçalo Anes sempre podia ser, como dizem Gaio e outros, filho de Vasco Gonçalves e neto de Gonçalo Anes, de quem teve o nome e patronímico, uma irregularidade que nessa época já se verificava. Mas, neste caso, a D. Maria (Paes) de Azevedo que Gaio dá como mulher do Gonçalo Anes mais antigo, teria de ser mulher não deste Gonçalo mas de seu filho Vasco Gonçalves, portanto mãe de Gonçalo Anes II, e seria teria o patronímico Gomes e não Paes. Esta ligação dos Borges aos Azevedo parece verdadeira, pois Gonçalo Anes Borges aparece, entre os cavaleiros e escudeiros de geração, na lista dos padroeiros do mosteiro de Grijó em 1365. Era, portanto, descendente dos padroeiros. E este direito só se vê que lhe possa ter vindo justamente pelos Azevedo. Mas os Azevedo só têm este direito pelos Vasconcellos, através do casamento de três irmãos Azevedo com três irmãs Vasconcellos. Assim, Gonçalo Anes Borges tinha de ser descendente de um destes três casamentos. E a cronologia obriga a que fossem seus avós um desses três casais. Pelo que a D. Maria de Azevedo de que fala Gaio, e outros, não podia ser sua avó mas sim sua mãe. Donde, como ficou dito, quem casou com esta D. Maria foi Vasco Gonçalves Borges e não seu pai Gonçalo Anes Borges. E de quais dos ditos casais seria filha esta D. Maria? Certamente a única Maria que não foi freira e cujo marido se desconhece, mais concretamente Maria Gomes de Azevedo, «a Má», referida pelo conde D. Pedro como filha de Gomes Paes de Azevedo e sua mulher Constança Rodrigues de Vasconcellos. Esta Maria Gomes de Azevedo era irmã, nomeadamente, de Rui Gomes de Azevedo, já falecido em 1365, a quem Pedro Martins Carpinteiro deixa 250 libras no seu testamento, feito em Burgos a 2.6.1308. O Gonçalo Anes Borges que aparece na lista de 1365 deve ter nascido cerca de 1310 e aparece nas genealogias como filho único. Sua mãe, a dita D. Maria, podia perfeitamente ter nascido cerca de 1295, pois neste ano seu pai já se documenta como alcaide-mor do castelo de Albuquerque pelo conde de Barcelos, sendo portanto já então adulto, apesar de ainda se documentar vivo em 1355. Maria Gomes de Azevedo terá portanto casado cerca de 1310, teria 15 anos de idade, com Vasco Gonçalves Borges, que teria então cerca de 60 anos, tendo um único filho, Gonçalo Anes. Não sei se o feitio de Maria Gomes de Azevedo (o conde D. Pedro chama-a «a Má») foi causa ou efeito deste casamento tão desequilibrado...

II

343

23

c. cerca de 1352

c. cerca de 1349

II

343

e

345

33

e

4

João Gonçalves Borges, que segue, aparece simultaneamente como filho mais velho e imediatamente mais novo de Gonçalo Gonçalves Borges, lapso que resulta de uma versão anterior em que este João, tal como diz Gaio, efectivamente constava como irmão mais novo de Gonçalo, e que não foi eliminada. Esta alteração (passagem do João para filho mais velho) tornou-se necessária quando se tornou evidente que Gonçalo teve descendência legítima que, de outra forma, teria sucedido na terra de Alva. Desta alteração ficou ainda o resquício da filiação de Guiomar Borges e sobretudo Duarte Borges (na página 349), proposta na circunstância de Gonçalo ser o primogénito e que não foi devidamente alterada com a mudança de situação…

II

343

e

354

29

e

16

A carta de armas (CJIII, 35, 76) para Borges, que em 20.6.1545 teve Afonso Gonçalves de Figueiredo, escudeiro da Casa do cardeal-infante, di-lo filho natural de Pedro Borges, que foi "fidalgo muito honrado", neto de D. Diogo Borges, abade que foi do mosteiro de Refoios de Basto, e bisneto de D. Gonçalo Borges. Esta informação parece suficientemente credível, por todas as razões, para justificar a alteração a filiação de Pedro Borges de Souza (pag. 343) e de D. Diogo Borges (pag. 354), recusando nomeadamente uma das informações em que se baseia: a carta em que D. Gonçalo Borges, abade de Refoios, renuncia em 1462 a favor de seu sobrinho Diogo Borges. Na verdade, sobrinho foi um subterfúgio, e Diogo Borges seria na verdade seu filho, talvez irmão inteiro da Isabel Borges legitimada em 1466. Entendendo-se bem que Diogo, já Dom abade, apresentado como sobrinho em 1462, não fosse nem precisasse de ser legitimado em 1466. Nesta ascendência fica no entanto por explicar o nome do armigerado, que só se entenderia se Pedro Borges fosse descendente de Aires Gonçalves de Figueiredo, como seria se fosse filho de D. Isabel de Souza e Gonçalo Borges, senhor de Carvalhais. Ora, esta ascendência deixa assim de ser possível. Será este facto suficiente para desacreditar a carta de armas? Mas que vantagem tinha Afonso Gonçalves de Figueiredo em alegar que era neto do abade D. Diogo Borges, neste caso duplamente bastardo, se fosse neto de Gonçalo Borges, senhor de Carvalhais, neste caso com apenas uma bastardia? É evidente que nenhuma, bem antes pelo contrário. Donde, a explicação para o seu nome poderia vir da mãe. Mas se fazemos fé na carta de armas, temos de aceitar o que ela diz. E Afonso Gonçalves de Figueiredo é aí dito filho natural de Pedro Borges, ou seja, o pai era solteiro à data do seu nascimento. Assim, temos de presumir que se a mãe de Afonso Gonçalves de Figueiredo era descendente de Aires Gonçalves de Figueiredo não estava disponível para casar, caso contrário certamente Pedro Borges teria casado com ela. Seria freira? O certo é que, se assim é, era parente de D. Isabel de Souza, casada cerca de 1470 com Gonçalo Borges, senhor de Carvalhais, primo-direito do abade D. Diogo Borges, pai do Pedro Borges em apreço. E deste Afonso Gonçalves de Figueiredo deve ser irmão inteiro o Luiz Gonçalves de Menezes que também dizem filho de Pedro Borges, mas que devia ser igualmente natural, tendo em conta a onomástica. Como ficou dito no livro, Pedro Borges casou depois, cerca de 1489, com D. Filipa de Souza, filha de Diogo de Azevedo, com geração feminina.

II

353

31

Álvaro Borges em geral é dado como filho do Duarte Borges, e assim segui. Mas afinal parece que é bem anterior. As genealogias dão-lhe, como indico, quatro filhos: Pedro Borges, Lopo Borges, Garcia Borges e Inez Vaz Borges, casada com Luiz Álvares da Grade. E esta Inez Vaz Borges é, com efeito, referida como mulher de Luiz Álvares da Grade e irmã de Pedro Borges, o Velho, Lopo Borges e Garcia Borges, fidalgos, na carta de armas para Borges que seu bisneto Diogo Borges Pacheco teve a 5.1.1504, como filho de Lopo Nunes Pacheco e sua mulher Isabel Borges Pacheco, sendo esta filha de Diogo Álvares Pacheco, filho da antedita Inez Vaz. As cartas de armas são muito ingratas no que toca à cronologia do agraciado, pois em geral não sabemos em que fase da sua vida a teve. Se Diogo Borges Pacheco foi de facto abade de Quiraz, Stº André de Riba Selo e S. Miguel da Facha, como parece, o facto de não ser referido na carta de armas sequer como clérigo ou cavaleiro indicia que era muito novo. Ele teve carta para armas de Borges, da mãe. Precisava portanto deste encartamento para as usar, porventura antes de ir servir como moço da câmara do rei ou de alguma Casa grande. Parece, portanto, que seria muito novo, tendo entre 15 e 18 anos. Digamos que pode ter nascido cerca de 1487. Assim sendo, sua bisavó Inez Vaz Borges não terá nascido depois de 1435, mas pode ter nascido neste ano. Ora, como digo, documenta-se um Álvaro Borges que já estava casado justamente em 1435 e que assim poderia ser o pai de Inez. Mas o Duarte Borges que leva por pai, mesmo que tivesse nascido um pouco antes de 1409, nunca podia ter um filho casado em 1435. Ora, não há outro Álvaro Borges que possa estar casado em 1435 a não ser este. O que me leva a concluir que não era filho de Duarte Borges, como dizem as genealogias. Portanto, das duas, uma: ou era irmão do Duarte Borges que leva por pai, ou filho do Duarte Borges referido na nota anterior, que proponho filho de João Gonçalves Borges mas que podia bem ser filho de Gonçalo Gonçalves Borges, como diz Gaio. E, assim, a questão cronológica ganha nova folga, sobretudo nesta última hipótese, podendo Inez Vaz Borges nascer bem antes de 1435. Quanto ao patronímico desta Inez Vaz, nesta época já é possível que lhe venha da mãe, que as genealogias chamam Isabel ou Inez de Souza, mas de quem ninguém sabe a filiação. O que sabemos é que D. Duarte a 28.7.1435 confirmou a Álvaro Borges, seu escudeiro, a coutada de Alcamis, no termo de Évora, que seu sogro Lopo Rodrigues tinha de D. Fernando I quando fora para Castela. Quem era este Lopo Rodrigues não sei, tanto mais que a dita mercê não aparece na Chancelaria de D. Fernando. No séc. XV (vindo já do XIV) vemos com muita frequência uma das filhas usar o nome completo da mãe, que assim por vezes passa através de várias gerações. É assim possível que a genealógica Isabel ou Inez de Souza se tivesse afinal chamado Inez Vaz, filha portanto de Lopo Rodrigues e de outra Inez Vaz. E que a Inez Vaz Borges da carta de armas se tivesse afinal chamado apenas Inez Vaz. Se bem que aquela Inez Vaz, casada com Lopo Rodrigues, podia ser de Souza, e assim a filha. Na hipótese de Álvaro Borges ser filho (provavelmente natural) do Duarte Borges mais antigo, podendo assim ter nascido bem antes de 1400, então seu filho Pedro Borges, o Velho, se nascesse cerca de 1410, já podia ser o Pedro Borges, cavaleiro e mordomo-mor de D. Afonso V e vedor da Casa do príncipe, que a 13.11.1469 obteve do rei a aposentação antecipada para Garcia Borges, que neste caso podia ser o seu irmão. E mesmo o Lopo Borges (avô do Fernão Borges que teve carta de armas em 1513), que dou como filho de Rui Lopes de Souza, podia já ser identificado com o seu filho Lopo. Neste caso, o nome deste Lopo remeteria não para D. Frei Lopo mas para o avô materno Lopo Rodrigues. E, de facto, esta parece ser a verdade, pois este Lopo vivia em Coimbra e Álvaro Borges, na inquirição para a dita carta de armas de Diogo Borges Pacheco, parece que se diz, segundo testemunha Gaio, que também assistiu em Coimbra, certamente já velho e provavelmente até em casa justamente deste filho Lopo. Este Lopo, de facto, documenta-se em Coimbra, e casou com uma filha de Pedro Afonso, prior de S. Martinho do Bispo. O Cabido de Coimbra emprazou-lhe a 28.2.1440, em três vidas, por 6 onças de prata chã e marcada, todos os direitos e foros da quinta de Grada (TT – Sé de Coimbra, 2ª incorporação, m. 28, doc. 1176). Teve contenda com Santiago, por causa de casais na Zouparria, que dela trazia emprazados, mas a 27.5.1447 acordaram na renda de 100 alqueires de pão, cada ano, pela medida nova (AUC – Santiago, TAP, I, p. 592). A 19.7.1448 renunciou a todos os prazos que trazia daquela igreja, colocando-os na pessoa de Leonor Anes, sua servidora (AUC – Santiago, TAP, III, p. 359).

II

362

21

O célebre Nuno Gonçalves de Faria foi o 1º deste nome. Quando a 26.6.1357 teve de D. Pedro I o castelo de Faria vem como Nuno Gonçalves de Ferreira. Mas quando a 14.12.1363 recebeu o préstimo de Faria do mesmo rei já vem referido como Nuno Gonçalves de Faria. É certamente o Nuno Gonçalves Ferreira que se documenta como bisneto de Pedro Gonçalves Ferreira, como digo no meu Ensaio sobre a origem dos Ferreira (http://www.soveral.info/mas/Ferreira.htm).

II

373

5/6

referido em FIGUEIREDO / ALMEIDA

referido em CAMPOS COELHO

II

380

20

O texto que começa em «1.4.1. ?Cristóvão da Veiga» deve ir recuado

II

390

Arv.

Maria de Figueiredo

Joana de Figueiredo

II

396

Arv.

ref. pag.

 

II

396

Arv.

Adiante de D. Maria de Mesquita Cardoso de Távora devia ir um círculo com o nº 34 (o nº da árvore onde segue).

II

407

Arv.

Maria de Morae

Maria de Moraes

II

410

Arv.

ref. pag.

 

II

412

Arv.

ref. pag.

 

II

412

Arv.

irmão de Ana Rebello

irmão de Isabel Rebello

II

413

Arv.

ref. pag.

 

II

417

Arv.

CFCR, ref. pag.

CFCR

II

418

Arv.

Ana Rebello

Isabel Rebello

II

418

Arv.

Leonor Barreto

Maria Barreto

II

425

Arv.

ref. pag.

 

II

430

 

Falta o nº da página

II

435

Arv.

Gonçalo Gomes de Figueiredo é irmão e não filho de Sebastião Gomes de Figueiredo

II

439

Arv.

irmã de Mécia da Costa, ref. na Arv. nº

irmã de Mécia da Costa.

II

455

Arv.

Ver acima correcção à pag. 314 do I volume

II

464

Arv.

ref. pag.

 

II

466

Arv.

Leonor Gilref. pag.

Leonor Gil

II

467

Arv.

ref. pag.

 

II

467

Arv.

ref. pag.

 

II

470

Arv.

Beatriz Pereira não é filha mas neta de Lopo Pereira e Leonor Nunes de Barros, através do filho destes Lopo Pereira.

As «gralhas» são uma praga e os enganos um aborrecimento, de que peço desculpa aos leitores, a quem desde já agradeço a informação sobre qualquer outra coisa errada que encontrem, para que aqui possa ser corrigida.

 
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