regresso à bibliografia

 Manuel Abranches de Soveral

 

 

 

Famílias de Ribeira de Pena 


Subsídios para a sua Genealogia
(séculos XV a XVIII)

§1  Leitão e Almeida

1.            Damião Leitão, cavaleiro fidalgo da Casa Real e governador de Cabo Verde, conforme é referido na carta de armas de seu bisneto. Nasceu cerca de 1490 e terá casado cerca de 1507 com uma senhora Almeida, mas a carta de armas nada diz a este respeito. O Anuário da Nobreza refere uma tradição familiar segunda a qual esta senhora seria irmã do vice-rei D. Francisco de Almeida, portanto neta dos 1ºs condes de Abrantes, mas julgo isso totalmente fantasioso, não só porque é anacrónico mas também porque não há notícia dessa irmã do vice-rei. Além de que, se o fosse, a carta de armas certamente o referiria. A mulher de Damião Leitão devia ser filha João Álvares, escudeiro d’el rei, que é citado em 1517 no foral novo de Ribeira de Pena como senhor do prazo do vale de Senra de Baixo. E Damião Leitão devia ser irmão de Fernão Leitão, que foi morador em Negreiros, termo de Barcelos, e abade reitor da igreja do Salvador de Ribeira de Pena, onde instituiu em 1520 a capela de S. Pedro, concluída a 22.1.1521 (esta capela tem um escudo, certamente religioso, composto por uma cruz e dois leões assaltantes), e ambos filhos de Álvaro Leitão, tabelião do judicial (17.7.1482) e juiz das sisas de Aguiar de Pena (6.5.1490), referido em Leitão.

1.1.    Francisco Leitão (de Almeida), que segue.

 

 

2.           Francisco Leitão (de Almeida), n. cerca de 1509 e falecido cerca de 1570, que sucedeu na quinta do Outeiro, em Salvador de Ribeira de Pena, e viveu em Vila Real, onde casou cerca de 1530 com Beatriz Correa (da Mesquita), referida no meu Ensaio sobre a Origem dos Mesquita como filha de João Correa (da Mesquita). A justificação de nobreza (1718) do seu descendente António Leitão de Meirelles, senhor da antedita quinta, diz serem "descendentes legítimos dos verdadeiros Farias, Leitões, Almeidas, Borges, Correas e Mesquitas destes Reynos". Francisco Leitão ainda vivia a 23.7.1567 quando testemunhou um casamento em Vila Real. Beatriz Correa sucedeu a seu pai, em 2ª vida, como senhora do prazo do casal de Donelo, em S. Pedro da Cova (Vila Real). Algumas genealogias, como Gaio, dão este Francisco Leitão como filho de um Cristóvão Leitão, capitão de Arzila, e de D. Josefa Hidalgo, filha de D. Isidoro Hidalgo, de Briche (Galiza), mas é fantasia.

2.1.    Cristóvão Leitão de Almeida, que segue.

2.2.    Isabel Leitão, que sucedeu em 3ª vida no prazo do casal de Donelo, que a Mitra de Braga lhe renovou a 15.5.1592, já seus pais Francisco Leitão e Beatriz Correa, moradores em Vila Real, tinham falecido. Faleceu solteira e nomeou em 2ª vida do prazo sua sobrinha Filipa Correa da Mesquita, mulher de João de Macedo Sottomayor.

2.3.   António Leitão de Almeida, escrivão do público, judicial e notas, Câmara, almotaçaria e órfãos do concelho de Ribeira de Pena e sucessor na quinta do Outeiro, onde viveu. Casou cerca de 1580 com Isabel Gomes. Destes foram filhos, pelo menos:

2.3.1.   Ana da Mesquita, que casou cerca de 1601/2 com Gervásio Leitão, cirurgião, filho de Francisco Vaz, escudeiro fidalgo (filho de D. Maria Telles), e de sua mulher Maria Leitão, com geração na quinta de Surribas, em Vizela.

2.3.2.   Francisco de Almeida (Leitão), que se documenta irmão da antedita Ana da Mesquita. Também se documenta morador no Outeiro com sua mulher Isabel Pacheco no assento de casamento do filho António, pelo que sucedeu na quinta do Outeiro. C. depois de 1637 c. Isabel Pacheco (de Meirelles), n. cerca de 1618, que herdou a quinta da Senra, em Stº Aleixo, e viveu casada na quinta do Outeiro, em Salvador, referida adiante no §2.

2.3.2.1.     António Leitão de Meirelles, n. cerca de 1638 e fal. depois de 1711, senhor da dita quinta do Outeiro, escrivão do público, judicial e notas, Câmara, almotaçaria e órfãos do concelho de Ribeira de Pena (23.2.1666 - RGM, AVI, 9, 49v), que a 19.2.1718 teve mercê para que a pessoa que casar com sua filha possa suceder neste cargo (RGM, JV, 9, 392). Casou a 11.10.1666 com sua prima Leonor de Andrade, referida adiante no §2. Este assento vem transcrito na justificação de nobreza de seu bisneto Ventura de Meirelles de Almeida, referido adiante.

2.3.2.1.1.    Francisca de Andrade, n. em 1667, que herdou de sua avó a quinta de Senra, em Stº Aleixo, onde fal. a 31.8.1704, com 3 ofícios de 10 padres cada um. C. em 1679 c. Francisco Carvalho, fal. a 24.1.1715, ib, diz o óbito que em Bragagas, na quinta de seu genro Miguel Dias. Era filho de Domingos Gonçalves e sua mulher Senhorinha Gonçalves. De Francisca de Andrade e seu marido foi filha Maria, b. a 22.2.1680 em Stº Aleixo, e filho sucessor Pedro de Meirelles Leitão, que serviu os cargos nobres da governação de Ribeira de Pena, sendo nomeadamente vereador e juiz ordinário, como se diz e documenta no processo de justificação de nobreza de seu filho, e que casou com sua prima Marinha de Almeida da Guerra, b. a 19.4.1683 em Cerva (assento transcrito no dito processo), referida adiante no §3. Este Pedro e sua mulher foram pais, nomeadamente (pela cronologia seria o filho mais novo), de Ventura de Meirelles e Almeida, bat. em Stº Aleixo a 23.11.1724, que a 24.4.1772 teve carta de armas para Carvalho, Meirelles, Leitão e Almeida, tendo feito um processo de justificação de nobreza que está no Cartório da Nobreza (TT).

2.3.2.1.2.    Miguel Leitão de Meirelles, que a 16.7.1693 sucedeu no cargo de escrivão do público, judicial e notas, Câmara, almotaçaria e órfãos do concelho de Ribeira de Pena (RGM, PII, 13, 80v). Terá fal. solteiro, s.g.

2.3.2.1.3.   Cristóvão Leitão de Almeida, que a 20.2.1726 sucedeu no dito cargo de escrivão do público, judicial e notas, Câmara, almotaçaria e órfãos do concelho de Ribeira de Pena (RGM, CJV, 9, 392). Como filho de António Leitão de Meirelles e sua mulher Leonor de Andrade, moradores na quinta do Outeiro, em Salvador de Ribeira de Pena, c. a 12.9.1706 em Ronfe c. Margarida Rodrigues de Azevedo, aí senhora da quinta de São Miguel, com geração.

2.3.2.1.4.   Maria Francisca, madrinha em Stº Aleixo em 1686.

2.3.2.1.5.   Leonor de Andrade, n. cerca de 1680. C. a 25.12.1711 em Stª Marinha c. José Domingues, filho de António Domingues e sua mulher Senhorinha Gonçalves, moradores en Cimo de Vila (Stª Marinha).

2.3.2.2.    ?Jerónimo Leitão de Almeida, que em 1681 era vigário de Stº Aleixo.

2.4.   Gonçalo Leitão da Mesquita, que viveu em Vila Real, onde casou, constando no respectivo assento como Gonçalo Leitão, filho de Francisco Leitão e Beatriz Correa. Mas a 27.12.1590, numa escritura que fez a seus cunhados, consta como "Snr Gonçalo Leitão da Mesquita". Casou a 6.2.1570 em Vila Real com Violante Guedes, filha de Pedro Álvares Galego e sua mulher Filipa Dias, ricos cristãos-novos, como bem trata Luiz de Mello Vaz de São Payo no seu livro "Sottomayor Mui Nobre", 1999. Destes foi filha D. Filipa Correa da Mesquita que casou com João de Macedo Sottomayor, sendo pais de D. Pedro Taveira de Sottomayor Mui Nobre, bat. a 20.9.1598, ib., com geração conhecida.

2.5.    Pedro da Mesquita Leitão, segundo Gaio, que diz ter casado em Mirandela.

2.6.    Ana da Mesquita, segundo Gaio, que diz ter casado em Mirandela.

2.7.    Maria Correa de Almeida, que casou com contracto antenupcial de 1575 com Jerónimo de Souza Machado [1] , da casa de Eiriz, em Vila Pouca de Aguiar, de ascendência conhecida, fidalgo da Casa Real que depois esteve em Alcácer Quibir, onde ficou cativo, sendo remido em 1583, sendo então alcaide do castelo de Aguiar até 1594, data em que foi viver para Ribeira de Pena, onde instituiu o morgadio de Stº António de Trezena em Salvador do Outeiro, a que vinculou a casa que aí mandara fazer e o prazo do vale de Senra de Baixo, foreiro à Casa de Bragança, que sua mulher levara em dote e era então a principal propriedade agrícola de Ribeira de Pena.

2.7.1.   António de Souza, abade reitor de Santa Marta da Montanha, no Alvão (Vila Pouca de Aguiar), "bom pregador, muito lettrado e versado nas Sagradas Escripturas", c.g. nos Souza daí.

2.7.2.   Catarina Correa de Souza, n. cerca de 1583, que sucedeu no morgadio de Stº António de Trezena, em Salvador do Outeiro, e no prazo do vale de Senra de Baixo, que lhe estava vinculado. C.c. Agostinho de Meirelles de Andrade, capitão-mor de Ribeira de Pena, referido no §2, onde segue.

2.7.3.   Maria de Souza Machado, n. cerca de 1584. C. cerca de 1609 c. seu primo Pedro Machado [2] , capitão da Ordenança de Vila Pouca de Aguiar e aqui escrivão e tabelião do público, judicial e notas (4.6.1624) e senhor da casa da Tapa, c.g. num ramo de Souza Machado e Machado de Souza de Vila Pouca de Aguiar.

2.7.4.   Isabel Correa de Almeida, que c.c. António de Chaves, que antecedeu seu cunhado como escrivão e tabelião do público, judicial e notas de Vila Pouca de Aguiar (30.3.1610). c.g.

 

 

3.           Cristóvão Leitão de Almeida, que capitão da Ordenança de Ribeira de Pena e aí senhor da quinta do Bruxeiro. Terá sucedido na capela de S. Pedro, instituída por seu presumível tio na igreja do Salvador de Ribeira de Pena. N. cerca de 1508. Não sei com quem casou (a IG do neto José Leitão de Almeida não é consultável).

3.1.    Jerónimo Leitão da Mesquita, que serviu na Índia e morreu na defesa de Ormuz, como se diz na mercê da Ordem de Santiago a seu sobrinho José, herdeiro dos seus servicos

3.2.   ?Cristóvão de Almeida, n. cerca de 1543, foi abade reitor do Salvador de Ribeira de Pena e sucessor na quinta do Buxeiro e na capela de S. Pedro.

3.2.1.  (N) Marinha de Almeida, n. cerca de 1565. Casou com Gaspar Borges, ou teve dele natural um filho que sucedeu na quinta das Pereiras de Cima, em Salvador de Ribeira de Pena, armoriada de Borges em pleno. Este Gaspar Borges é dado nas genealogias como filho sucessor de Fernão Borges de Azevedo, 1º senhor da dita quinta das Pereiras, e de sua mulher Isabel Gomes de Abreu, filha de João Gomes de Abreu, senhor da quinta do Outeiro, em Cerva (Mondim de Basto). Mas a cronologia não o permite, pois este Gaspar Borges não podia ter nascido depois de 1560 e Fernão Borges de Azevedo nasceu depois de 1550 e sua mulher Isabel Gomes de Abreu cerca de 1570. Assim, não podendo Gaspar Borges ser filho, só podia ser irmão sucessor de Fernão Borges, que portanto não teria tido filhos do seu casamento. Sendo certo que Fernão Borges teve um irmão chamado Gaspar Borges, justamente nascido entre 1550 e 1560. O problema é que este irmão foi clérigo, vigário geral do bispado e inquisidor de Coimbra e comissário do Stº Ofº (1609), que como Gaspar Borges, n. em Miranda, filho de Pedro Borges, se matriculou Cânones na UC em 1581, tirando o bacharelato a 28.4.1584 e a formatura a 12.12.1585. O pai de ambos (Fernão e Gaspar), Pedro Borges de Louzada, 1º desembargador da Relação do Porto, ouvidor do rei em Mesão Frio, juiz de fora no Porto, Mesão Frio e Penamacor, provedor da comarca de Viseu, etc., que depois de viúvo de Guiomar Moutinho de Azevedo (com quem casou cerca de 1550) foi abade de Vilar (Besteiros, Viseu), nasceu cerca de 1523 e matriculou-se em Leis na Universidade de Coimbra em 1547, tirando o bacharelato a 24.7.1550. Parece evidente que Pedro Borges de Almeida, n. cerca de 1582, sucedeu ao tio Fernão Borges de Azevedo na quinta das Pereiras. Resta saber se o pai Gaspar Borges chegou a casar com a mãe Marinha de Almeida. Este casamente pode ter acontecido, se Marinha de Almeida morreu muito cedo, porventura de parto deste seu único filho conhecido. Neste caso, tal como o pai, Gaspar Borges, depois de viúvo pode ter-se ordenado clérigo, indo antes para Coimbra formar-se em Cânones. Tanto mais que Gaspar Borges deve ter nascido cerca de 1552, tendo portanto já 29 quando se matriculou na Universidade. Gaspar teria assim deixado o filho entregue ao irmão Fernão, que o criou e que, como não teve filhos próprios, o fez seu herdeiro.

3.2.1.1.     Pedro Borges de Almeida, n. cerca de 1581, sargento-mor e capitão-mor de Ribeira de Pena, sucedeu ao tio na quinta das Pereiras de Cima. C. a 4.10.1604 na Colegiada de Nª Sª da Oliveira (Guimarães) c. Maria Jorge da Guerra, sobrinha do D. Manuel Afonso da Guerra, bispo de Cabo Verde. Era filha de Jorge Gonçalves Mendes, rico mercador de Guimarães, e de sua mulher Leonor Afonso, irmã do dito bispo bem como de Isabel Gomes da Guerra casada com Bento Gonçalves. No assento de casamento da filha vêm referidos como Pedro Borges e Maria da Guerra, moradores em S. Salvador de Ribeira de Pena, sendo testemunhas do dito casamento Francisco Borges e o Padre Belchior Borges.

3.2.1.1.1.    Catarina da Guerra (de Almeida), n. cerca de 1610, que sucedeu na quinta das Pereiras de Cima. Casou a 5.2.1638 em Ribeira de Pena (assento transcrito no processo de justificação de nobreza de seu bisneto Ventura de Meirelles de Almeida) com Ambrósio Gonçalves (Pena), sargento-mor de Ribeira de Pena, referido no §3, onde segue. 

3.3.    Camila Leitão, que segue.

 

4.            Camila Leitão, n. cerca de 1550, sucessora na quinta do Buxeiro e capela de S. Pedro. C.c. João Fernandes de Almeida, a que a carta de armas de seu filho, onde consta apenas como João Fernanandes, não indica a filiação (falta ver a IG do Stº Ofº do filho, que não é consultável). Na mercê da Ordem de Santiago do mesmo filho consta como João Fernandes de Almeida.

4.1.   José Leitão de Almeida, que segue.

4.2.   ?Gervásio Leitão de Almeida, que instituiu a capela de Nª Sª do Amparo ou de Copacabana, na Ribeira de Baixo (Salvador).

4.3.   Maria Leitão de Almeida, n. cerca de 1580. C.c. António Gonçalves de Matos, provavelmente dos Matos da casa de Terças, em Stª Marinha de Ribeira de Pena.

4.3.1.  Catarina de Almeida, n. cerca de 1608. C.c. Domingos Carvalho [3] , moço da câmara da Casa Real, juiz dos órfãos de Ribeira de Pena, senhor da quinta das Bragadas de Além Tâmega, em Stº Aleixo, onde fal. a 7.7.1668, deixando herdeiro e dotado seu filho Miguel Carvalho.

4.3.1.1.     Miguel Carvalho de Almeida, n. cerca de 1630, capitão de infantaria dos Auxiliares de Ribeira de Pena, sucessor na quinta das Bragadas de Além Tâmega, em Stº Aleixo, onde fal. a 6.4.1695, ficando pelo bens de alma seu filho Domingos Carvalho. C.c. Helena Gonçalves de Matos, fal. a 15.9.1684 em Stº Aleixo, provavelmente sua parente, filha de Domingos Dias de Matos (provavelmente dos Matos da casa de Terças, em Stª Marinha de Ribeira de Pena) e de sua mulher Senhorinha Gonçalves.

4.3.1.1.1.    Miguel Carvalho de Almeida, n. em Stº Aleixo em 1664, que tirou IG em Braga a 22.7.1689. Foi abade de Ribeira de Pena, capelão fidalgo da Casa Real e instituiu do vínculo e capela de Nª Srª da Assunção, junto à casa de Senra de Cima. A 2.12.1697, sendo sacerdote da hábito de S. Pedro, vigário da Vara e cura da freguesia de Rodellas, no Sertão de Rio de São Francisco, bispado de Pernambuco, tendo 33 anos, foi acusado pela Inquisição de Lisboa (processo 10016) de fingir ser oficial do Santo Oficio e, por sentença de 11.2.1699, lida na Mesa, foi advertido que se tornar a cair em semelhante culpa será rigorosamente castigado.

4.3.1.1.2.    Domingos Carvalho de Almeida (ou Domingos de Carvalho e Almeida, como também aparece), moço da câmara da Casa Real (12.1.1699), cavaleiro da Ordem de Cristo (9.3.1699), com 12.000 reais de tença, capitão-mor de Ribeira de Pena, familiar do Santo Ofício (16.9.1700), que teve a 4.10.1710 carta de armas para Carvalho e Almeida. Foi senhor da quinta de Bragadas, em Stº Aleixo, e da quinta de Senra de Cima, em Salvador de Ribeira de Pena, esta armoriada de escudo partido de Carvalho e Almeida. A 2.3.1699 teve mercê de uma tença de 38.000 reais. C.c. D. Maria Gonçalves de Carvalho (ou D. Maria de Carvalho, como também aparece), fal. a 15.4.1720 em Senra (Salvador) e vindo sepultar à igreja de Stº Aleixo, onde tem assento de óbito, por disposição do seu testamento, com 2 ofícios de 35 capades cada um. No assento o marido é referido como Capitão Domingos Carvalho de Almeida.

4.3.1.1.2.1. D. Maria de Almeida, n. cerca de 1695. C. a 20.1.1714 em Stª Marinha c. Baltazar Pacheco de Andrade, 3º morgado da casa de Stª Marinha de Ribeira de Pena e capela de S. Francisco Xavier, referido no §3, onde segue.

4.3.1.1.2.2. D. Helena de Almeida, que casou em Fontes.

4.3.1.1.2.3. Luiza, b. a 11.2.1703 em Stº Aleixo, sendo padrinhos Domingos de Meirelles e Isabel, filha de Miguel Dias. O assento tem averbado à margem "Faleceo".

4.3.1.1.2.4. Miguel de Carvalho e Almeida, b. a 3.8.1704, ib, sendo padrinhos Domingos Dias de Matos, de Senra, Salvador, e Ângela, solteira, filha que ficou de José da Silva. Tirou IG em Braga a 31.12.1721.

4.3.1.1.2.5. Rosa, b. a 25.9.1707, ib, sendo madrinha Camila, solteira, filha que ficou de Paulo da Cunha, da Bouça Nova, Salvador.

4.3.1.1.2.6. Domingos, b. a 21.12.1710, ib, sendo o pai referido como capitão-mor, sendo padrinhos o Capitão António Carvalho de Almeida e Maria, filha de Miguel Francisco.

4.3.1.1.2.7. Francisco, b. a 25.3.1714, ib, sendo o pai referido como capitão-mor, sendo padrinhos Pedro Gonçalves de Stª Marinha e sua mulher Catarina Pacheco.

4.3.1.1.3.    António Carvalho de Almeida, moço da câmara da Casa Real (12.1.1699), cavaleiro da Ordem de Cristo (9.3.1699), com 12.000 reais de tença, capitão de Infantaria, mestre de campo de Auxiliares em Chaves, capitão-mor de Natal, no Rio Grande do Sul (Brasil), familiar do Santo Ofício (8.3.1702), e escrivão proprietário do público, judicial e notas do concelho de Cabeceiras de Basto e dos coutos de Refoios e Abadim (16.5.1745). A 2.3.1699 teve mercê de uma tença de 38.000 reais. C.c. D. Maria Teresa Pereira Rebello Leite, c.g.

4.3.1.1.4.    Inocêncio Carvalho de Almeida, capelão fidalgo da Casa Real (12.12.1699).

4.3.1.2.     Gaspar Carvalho de Almeida, que c.c. Senhorinha Gonçalves, fal. a 30.9.1642 em Stª Marinha, na sequência do parto de seu filho Domingos, nascido a 22 desse mês. Este Domingos de Carvalho casou com Maria de Souza Machado, c.g.

4.3.1.3.     Catarina de Almeida, n. cerca de 1640 e fal viúva a 17.10.1703 em Stº Aleixo, deixando herdeiro do seu casal o filho Cristóvão da Silva. C.c. José da Silva Carvalho, morador em Bragadas, Stº Aleixo, onde fal. a 21.11.1687, c.g. (nomeadamente pais do antedito Cristóvão e de Antónia, b. a 21.2.1669, ib)

 

  

5.           José Leitão de Almeida, n. cerca de 1571 em Ribeira de Pena, foi cavaleiro fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Santiago com 20.000 reais de pensão (8.11.1639), serviu em Ceuta, foi vedor do 2º correio-mor do reino e familiar do Santo Ofício a 22.5.1629 (este processo, Habilitações, José, 1, 5, não é consultável na TT, onde alegam para tanto o seu mau estado de conservação). Era morador em Lisboa quando a 18.3.1629 tirou carta de armas para Leitão. Sucessor na quinta do Buxeiro e capela de S. Pedro. Na mercê da Ordem de Santiago consta como José Leitão de Almeida, cavaleiro fidalgo, natural de Ribeira de Pena, filho de João Fernandes de Almeida, e teve o hábito e pensão pelos serviços que prestou em Ceuta e pelos serviços de seu tio Jerónimo Leitão da Mesquita, morto na defesa de Ormuz (RGM, Portarias do Reino, I, 18). Não sei com quem casou, o que talvez se apure quando for possível consultar a sua habilitação para o Santo Ofício.

5.1.    Francisco Leitão de Almeida, n. cerca de 1610, sucessor na quinta do Buxeiro e capela de S. Pedro. A "Corografia Portuguesa" (1706) diz: "A quinta, & Morgado do Buxeiro, com Capella na mesma Igreja, de que he senhor Francisco Leitão de Almeyda" (tomo 1, pag. 171). C. cerca de 1665 c. Filipa de Souza, filha de Jorge Vaz Ferreira, senhor da casa da Seara de Selhariz, e de sua mulher Isabel Machado, filha esta de António Machado, "o Gordo", capitão-mor (1613-35) e alcaide (1601) de Vila Pouca de Aguiar, etc., e de sua mulher Filipa de Chaves.

5.1.1.   Maria de Souza e Chaves, n. cerca de 1667, c.c. Baltazar Álvares Mourão, familiar do Stº Ofº (20.3.1696), filho de João Correa Machado e sua 2ª mulher Maria Mourão. C.g. conhecida

5.1.2.   José Leitão de Almeida, sucessor na quinta do Buxeiro e capela de S. Pedro. C.c. Isabel Pereira Mourão, c.g. nos senhores da quinta do Buxeiro.

5.1.3.   Francisco Leitão de Souza, n. cerca 1675 em S. Salvador de Ribeira de Pena. Tirou ordens menores em Braga a 9.3.1684. 

§2    Pacheco, Andrade, Meirelles e Frazão

1.           Salvador Pacheco de Andrade, que nasceu cerca de 1545, faleceu a 17.5.1631 e foi sepultado na igreja do Salvador de Ribeira de Pena em túmulo armoriado (escudo esquartelado de Pacheco e Andrade, conforme desenho junto). Tudo indica que este Salvador era irmão mais novo Cristóvão Pacheco, vigário de S. João de Cavez (Cabeceiras de Basto) e de Francisco Pacheco de Andrade, escudeiro fidalgo, senhor da quinta da Igreja, em Stª Senhorinha de Basto, que casou com Maria de Andrade (Gaio também lhe chama, erradamente, Maria de Gouveia), filha mais velha de Rodrigo Rebello (de Meirelles), senhor da quinta do Marinhão, em Moreira de Rei, escrivão da Câmara (CJIII, 54, 321) e das sisas (ib, 71, 314) de Montelongo (hoje Fafe), etc., e de sua mulher Camila de Magalhães. Este Rodrigo Rebello era irmão mais velho de Álvaro de Meirelles (Rebello), capitão-mor e juiz dos órfãos (CJIII, 60, 114) de Cabeceiras de Basto, casado cerca de 1539 com Camila Leite (de Moraes), senhora da quinta de Vilar, em S. Tiago da Faia, e da quinta de Caínhos, em Stª Senhorinha de Basto, e pais do António de Meirelles de Andrade que a 26.1575 teve carta de armas para Meirelles, Rebelo, Leite e Andrade. Rodrigo e Álvaro eram filhos de Cristóvão Rebelo (de Meirelles), senhor da dita quinta do Marinhão, que adiante se detalha, e de sua mulher Maria de Andrade, dama do Paço. Com efeito, daquele Francisco Pacheco de Andrade e sua mulher Maria de Andrade foi filho António de Gouveia, que sucedeu na quinta da Igreja de Stª Senhorinha, e certamente a Margarida de Andrade que casou cerca de 1577 com Domingos Gonçalves, senhor da quinta de Conselheiros (também dita das Pereiras), em S. Miguel de Refoios de Basto, que foram pais, entre outros, de Belchior Pacheco de Andrade, capitão do couto de Refojos, sucessor na dita quinta, b. a 8.2.1588, ib, e fal. depois de 1655, que casou a 29.4.1620, no Arco de Baúlhe, com sua prima (dispensa no 4º grau de consanguinidade) Maria Rebelo Leite, fal. a 23.5.1634 na quinta de Conselheiros, filha de António Rebello de Meirelles, fal. a 9.2.1619 no Arco de Baúlhe (irmão mais novo de Luiz Álvares de Subágua, senhor da casa do Telhado, no Arco do Baúlhe) e de sua mulher Senhorinha João Teixeira, e neta paterna de António Luiz Ribeiro, senhor da dita casa do Telhado, e de sua mulher Camila Leite de Meirelles. Esta Camila era filha de Francisco Álvares de Subágua e sua mulher Maria de Andrade, sendo esta filha dos anteditos Álvaro de Meirelles de Andrade e sua mulher Camila Leite de Moraes. Portanto, Belchior Pacheco de Andrade e sua mulher Maria Rebelo Leite, eram parentes dentro do 4º grau, conforme foram dispensados. O respectivo assento de casamento diz apenas que "não houve impedimento algum mais do q. o de quarto grao de consanguinidade pª o qual ouverão dispensação de Sua Santidade". Não fica portanto claro nesta redacção se o parentesco era no ou dentro do 4º grau, mas não pode deixar de ser dentro do 4º grau, ou seja, havia um desnível de gerações e Belchior Pacheco de Andrade era parente no 4º grau de António Rebello de Meirelles, pai de Maria Rebelo Leite, que assim era sua parente dentro do 4º grau. Portanto, Belchior Pacheco de Andrade era trineto e Maria Rebelo Leite era 4ª neta de Cristóvão Rebello (de Meirelles) e sua mulher Maria de Andrade, dada do paço. Voltando a Salvador Pacheco de Andrade e seu irmão mais velho Francisco Pacheco de Andrade, eram filhos de uma Maria de Andrade, herdeira da dita quinta da Igreja de Stª Senhorinha, e de seu marido, um Pacheco. Tendo em conta a cronologia, o estatuto, a geografia e a onomástica, julgo que este Pacheco era o Francisco Pacheco que foi juiz dos órfãos (CJIII, 14, 140) e tabelião (ib, 45, 141v) de Cabeceiras de Basto, a quem Gaio chama Francisco Pacheco de Araújo e diz "q fez justificacao da sua ascend.a (fez esta Justiflcação em Ponte do Lima no anno de 1552 perante o Corr.or de Vianna António Lopes e pello es.am Bartolomeu Gonçalves e T.as D. António de Mello Comendatario de Pombeiro e Jeronimo de Sá e Menezes, Jorge de Lima, Francisco Machado e outros)", sendo filho de Heitor Borges Pacheco e de sua mulher Inez Rodrigues de Araújo (legitimada por carta real de D. Manuel I, PeL, LN, 1, 5, sendo filha de Álvaro Rodrigues de Araújo, capitão da guarda do infante D. Henrique, comendador de Rio Frio na Ordem de Cristo e senhor donatário das igrejas de Linhares e Guilhedezes, etc.), e neto paterno de Lopo Fernandes Pacheco. Tendo em conta que se documenta como António de Gouveia o filho de Francisco Pacheco de Andrade, a Maria de Andrade mãe deste Francisco, proposta mulher de Francisco Pacheco de Araújo, nascida cerca de 1524, não podia deixar de ser filha de Leonor de Andrade e seu marido Rui Pires de Gouveia, nascido cerca de 1500, moço fidalgo da Casa de D. João III, que viveu em Santa Cruz de Lumiares (Armamar), onde foi ouvidor do duque de Coimbra, e teve carta de D. João III para deixar certa renda ao convento de Stº Eloi de Requião (CJIII, 50, 9v). Mas esta Leonor de Andrade, nascida cerca de 1507, não podia ser, como dizem as genealogias, filha de Luiz Machado, senhor de Sandomil (12.1.1450), etc., pois este já tinha casado a 20.3.1450. Rui Pires de Gouveia era filho de Martim ou Martinho Vaz de Gouveia [5], fidalgo da Casa Real e do Conselho de D. Manuel I (1518), que a 16.7.1512 deu quitação a sua sogra Dona Mayor de 50.000 reais que esta lhe devia do dote de casamento. E a 10.4.1511 Diogo de Almeida, capelão do rei, teve uma tença anual de 8.000 reais, até perfazer o pagamento de 1.000 coroas que lhe foram trespassados por Martim Vaz de Gouveia, fidalgo da Casa Real, em escambo de certos casais na Beira. As 1.000 coroas foram dadas a Martim Vaz, por sua sogra, Dona Maior, pelo casamento de sua filha. Esta houvera-as de seu marido, Gomes Ferreira, a quem tinham sido trespassadas por falecimento de seu irmão Martim Ferreira, que as recebera em casamento, segundo se sabe por um público instrumento feito no Porto a 14.3.1501, por Fernão Garcez, tabelião nessa cidade (CMI, 8. 50v). E a 30.4.1520 D. Manuel I doou ao licenciado Pedro de Gouveia, do seu Conselho e desembargo, e a seu filho Martim Vaz de Gouveia, para toda a sua vida, a renda das saboarias do almoxarifado de Portalegre (ib, 36, 64v). Com efeito, Martim Vaz de Gouveia casou com D. Joana de Távora [6], que era sua viúva em 1526, ano em que ela recebeu as ditas rendas das saboarias de Portalegre. Sendo D. Joana filha de Gomes Ferreira [7], porteiro-mor de D. João II, que recebeu ordens menores em Braga a 18.12.1456 e foi moço fidalgo (1462) e cavaleiro fidalgo (1474) da Casa de D. Afonso V (vide o meu Ensaio sobre a origem dos Ferreira) e de sua mulher (casados em 1486) D. Maior de Sottomayor [8], nascida em 1466, filha de D. Pedro Álvares de Sottomayor, o célebre Pedro "Madruga", 12º senhor de Sottomayor, conde de Caminha (4.3.1476) e visconde de Tui (referido como tal em carta real de 5.6.1476), etc., e de sua mulher (casados em 1465) a portuguesa D. Tereza de Távora, falecida em 1496, filha de Álvaro Pires de Távora, senhor de Távora e Mogadouro e dos direitos reais de Caminha e Vila Nova de Cerveira, etc., e de sua mulher D. Leonor da Cunha. Martim Vaz de Gouveia era filho do licenciado Pedro de Gouveia, do Conselho e chanceler-mor de D. Manuel I, e de sua mulher mulher Beatriz de Almeida, nascida cerca de 1448, que sucedeu na capela de Lourenço Martins de Avellar, sendo nela confirmado seu marido em 1488. Com seu marido o Dr. Pedro de Gouveia, recebeu do Cabido de Viseu, a 19.8.1480, o prazo em três vidas da "possessão" de Rio de Loba. Era filha de Martim ou Martinho de Almeida, fidalgo da Casa Real e coudel-mor do reino, e de sua mulher Maria de Ornellas; neta paterna de Martim Lourenço de Almeida, fidalgo do Conselho, reposteiro-mor de D. João I, alcaide-mor da Covilhã, etc., e de sua mulher Inez Vaz de Castello-Branco; e neta materna de Lopo Esteves de Ornellas e sua mulher Tereza Martins de Figueiredo. O licenciado Pedro de Gouveia foi legitimado por carta real de 21.5.1459 (CAV, 36, 108v), sendo filho de Maria Fernandes, solteira, e de Gonçalo Dias de Gouveia, cónego e mestre-escola da Sé de Viseu, vigário geral da diocese e bacharel em Degredos. A filiação deste Gonçalo Dias (como normalmente aparece) é incerta e não é certamente a que lhe atribuem as genealogias. Julgo que é filho de um Diogo e de uma senhora Gouveia. O licenciado Pedro de Gouveia nasceu cerca de 1442 e ainda vivia em 1520. Estudou na Universidade de Paris e chegou a cavaleiro do Conselho de D. Manuel I, seu chanceler-mor, do seu Desembargo e dos Agravos da Casa da Suplicação e seu juiz dos feitos. Tudo indica que seja já o Pedro de Gouveia, escudeiro, fidalgo da Casa Real, que a 26.1.1458 teve de D. Afonso V uma tença anual de 7.200 reais (CAV, 35, 15). E a 26.8.1475 a doação vitalícia das rendas da pensão dos tabeliães da cidade de Lamego (CAV, 30, 45v). Bem assim como o homónimo que D. João II a 20.7.1482 nomeou corregedor da Estremadura (CJII, 2, 169). Era juiz dos feitos da Casa da Suplicação desde o início do reinado de D. Manuel I, rei que a 16.1.1500 nomeou o licenciado Pedro de Gouveia no ofício de desembargador dos agravos da Casa Real e da Suplicação, além dos 5 que já estavam ordenados na dita Casa, com o mantimento anual de 60.000 reais, como é ordenado haver cada um dos outros desembargadores dos agravos (CMI, 14, 38). Em 1502 desempenhava o cargo de chanceler-mor, pois numa carta de 12 de Julho o rei refere o licenciado Pedro de Gouveia, de seu Conselho e que agora tem o cargo de seu chanceler-mor (ib, 2, 64v). A 21.10.1515 o mesmo rei doou uma tença de 20.000 reais ao licenciado Pedro de Gouveia, do seu Conselho e desembargador dos agravos da Casa da Suplicação, que deixou o ofício de juiz dos feitos reais (ib, 24, 150). E ainda vivia a 24.8.1520, quando o mesmo rei fez mercê ao licenciado Pedro de Gouveia, do seu Conselho e desembargo, de outra tença 20.000 reais, por toda a sua vida (ib, 36, 64v). Mas a antedita Maria de Andrade, dama do paço, casada com Cristóvão Rebelo (de Meirelles), não podia ser, como dizem as genealogias, filha dos referidos Rui Pires de Gouveia e sua mulher Leonor de Andrade. Estes, como vimos, nasceram no início do século XVI e não podiam ter nascido mais cedo. Já Cristóvão Rebelo (de Meirelles) [4] nasceu o mais tardar dos tardares em 1470. Foi escudeiro da Casa Real, escrivão das sisas e dos órfãos de Montelongo e tabelião do público, judicial e órfãos de Moreira de Rei, onde foi senhor da quinta de Marinhão. E seus filhos é que nasceram no início do séc. XVI. Este Cristóvão era filho de Fernão Nunes (de Meirelles), escudeiro, que o antecedeu nestes cargos e ofícios e viveu em Basto, e de sua mulher Maria Rebelo, irmã de Pedro Rebello, que a 23.3.1448 tirou ordens menores em Braga, como filho de João Álvares Rebello e sua mulher Aldonça Gonçalves, moradores em Golães. A 16.3.1471 D. Afonso V nomeou Fernão Nunes, escudeiro, morador em Basto, para o cargo de escrivão das sisas régias de Montelongo e seu termo, em substituição de João Álvares Rebello, que morrera. E a 1.8.1471 confirmou a nomeação de Fernão Nunes, genro de João Álvares Rebello, para o cargo de escrivão dos órfãos do julgado de Montelongo, em substituição de seu sogro, que morrera. João Álvares Rebello foi escudeiro e vassalo de D. Afonso V, senhor da quinta de Golães, criado de Gonçalo Pereira e coudel das suas terras, escrivão das sisas de Montelongo, Moreira e Cepães (6.11.1451), procurador de Guimarães (1456), etc. A 24.7.1442 D. Afonso V perdoou a justiça régia e a prisão a João Álvares Rabello, criado de Gonçalo Pereira, pela morte em Ponte de Lima de João Gonçalves, escudeiro de Martim Gil de Viana, na sequência do perdão geral. A 30.9.1445 o mesmo rei nomeou, por cinco anos, Vasco Gil, escudeiro de Gonçalo Pereira, para o cargo de coudel de todas as terras do dito Gonçalo Pereira, em substituição de João Álvares Rebello. A 6.11.1451 nomeou João Álvares Rabelo, escudeiro, morador na vila de Guimarães, criado de Gonçalo Pereira, para o cargo de escrivão das sisas régias e dos seus feitos no julgado de Cabeceiras de Basto, situado no julgado do almoxarifado de Guimarães, que era desempenhado por Fernão Pires, que os perdera por os ter vendido a João Afonso sem licença régia. A 4.11.1452 privilegiou João Álvares Rebello, escudeiro, escrivão das sisas e dos órfãos de Moreira de Rei e do julgado de Montelongo, morador em Golães, termo de Guimarães, concedendo-lhe licença para que possa pôr sinal público nas escrituras que pertencem ao seu ofício. A 28.4.1452 nomeou João Álvares Rebello, seu vassalo régio em Golães, a pedido de D. Leonor de Berredo, para o cargo de escrivão das sisas régias de Monte Longo, Moreira de Rei e da terra de Cepães, em substituição de Álvaro Gonçalves, que morrera. A 4.6.1456 confirmou a nomeação a João Álvares Rebello para o cargo de escrivão dos órfãos do julgado de Montelongo. A 28.6.1456 D. Afonso V, nas cortes de Lisboa de 1456, na sequência dos capítulos especiais apresentados pelo concelho e homens bons da cidade de Guimarães, por seu procurador, João Álvares Rebello, escudeiro e vassalo régio, decidiu sobre os agravos que recebe o povo e lavradores de toda a comarca de Entre-Douro-e-Minho quanto áo pagamento e carregamento do pão para a cidade de Ceuta. Regressando ao Salvador Pacheco de Andrade em epígrafe, foi casar a Ribeira de Pena, cerca de 1576, com Maria Frazão de Meirelles, provavelmente sua parente, daí natural, que julgo tia ou irmã de Francisco Frazão de Meirelles, pai de Domingos Frazão de Meirelles, morador em Ribeira de Pena, que em 1643 teve foro de cavaleiro fidalgo da Casa Real. E destes é certamente parente um Gaspar Frazão, cavaleiro fidalgo da Casa Real (6.3.1652), natural de Ribeira de Pena e filho de Gonçalo Pires.

1.1.    Agostinho de Meirelles de Andrade, n. cerca de 1576, capitão-mor de Ribeira de Pena, que depois de viúvo se ordenou e passou a viver eremita na serra do Alvão (Vila Pouca de Aguiar), assinando-se "Padre Agostinho Hermytam" e morrendo com fama de santo. C. cerca de 1605 c. Catarina Correa de Souza, n. cerca de 1583, que sucedeu no morgadio de Stº António de Trezena, em Salvador do Outeiro, e no prazo do vale de Senra de Baixo, que lhe estava vinculado, referida no §1, filha de Maria Correa de Almeida e de seu marido Jerónimo de Souza Machado, alcaide-mor de Vila Pouca de Aguiar.

1.1.1.    Filhos, que não vingaram.

1.1.1.    ?Salvador Pacheco de Meirelles, cónego da Sé do Funchal (21.6.1663).

1.1.2.   Catarina Correa de Souza de Meirelles, n. cerca de 1615, que sucedeu no morgadio de Stº António de Trezena, em Salvador do Outeiro, e no prazo do vale de Senra de Baixo, que lhe estava vinculado. C. cerca de 1632 c. Manuel de Valadares Vieira, fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo, mestre de campo de Infantaria, governador das praças de Montalegre e Salvaterra, vereador e juiz de Guimarães (1678), donde era natural, filho de João Vieira, escudeiro, e sua mulher Jerónima Valente; neto paterno do Dr. Sebastião de Valadares, cavaleiro da Ordem de Malta, "lettrado que foi de grande fama n'estes reynos", e de sua mulher Maria Monteiro.

1.1.2.1.     Jerónimo de Valadares de Meirelles e Souza, sucessor, cavaleiro da Ordem de Cristo, que serviu na Índia e fal. solt. s.g. antes de 1706.

1.1.2.2.     João de Valadares Vieira de Meirelles e Souza, n. cerca de 1635 e fal. depois de 1706, cavaleiro da Ordem de Cristo (16.7.1667), com 30.000 reais de tença, que sucedeu ao irmão no morgadio de Stº António de Trezena, em Salvador do Outeiro, e no prazo do vale de Senra de Baixo, que lhe estava vinculado, e onde viveu. A 7.9.1663 teve mercê de 20.000 reais de pensão, pelos serviços de seu pai Manuel de Valadares Vieira, e a 12.7.1664 carta padrão de 120.000 reais, consignados nos 180.000 reais de juro. A "Corografia Portuguesa" (1706) diz: "A quinta de Freume, com suas casas nobres, que possue João de Valladares Vieira, Cavalleiro da Ordem de Cristo" (tomo 1, pag. 171). C. cerca de 1670 c. sua prima Maria Lopes da Guerra, referida no §3, herdeira da quinta de Freume, filha do sargento-mor Ambrósio Gonçalves Pena e sua mulher Catarina da Guerra de Almeida.

1.1.2.2.1.    (N) António Pacheco de Andrade, n. cerca de 1658, que Gaio (Ribeiro, §13) diz ter sido morgado de Friume e ter casado com Maria Thomaz. E, de facto, um António Pacheco, n. em S. Salvador, a 22.7.1689 tirou ordens menores em Braga, sendo filho de António Pacheco e Maria Thomaz. (falta ver a IG). Mas, pela cronologia, António Pacheco de Andrade não podia ser filho do casamento com Maria Lopes da Guerra, ainda solteira em 1669.

1.1.2.2.1.1.    António Pacheco de Andrade, n. em Stª Marinha cerca de 1680, que tirou IG em Braga a 22.7.1689. Deve ter sido padre ou ter fal. s.g.

1.1.2.2.1.2.   Catarina Pacheco de Andrade, que Gaio diz ter sido a herdeira e ter casado com seu primo José Pacheco de Andrade, referido adiante.

1.1.2.2.2.    João de Valadares Vieira e Souza, n. cerca de 1671 e fal. depois de 1721. Sucedeu no morgadio de Stº António de Trezena, em Salvador do Outeiro, e no prazo do vale de Senra de Baixo, que lhe estava vinculado, onde viveu, e foi senhor da quinta de Paços de Bom-Regalo, em Lamas de Orelhão (que vendeu) e cavaleiro da Ordem de Cristo. A 16.7.1721 teve carta de armas para Vieira Valadares, Meirelles e Souza. C. a 20.1.1706 em Stª Marinha c. Maria Thomaz, referida no §3, filha do Cap. Francisco Gonçalves Pena e sua 1ª mulher Domingas Gonçalves de Almeida.

1.1.2.2.2.1.   Catarina de Valadares Vieira, 7ª morgada de Stº António de Trezena, etc., c. cerca de 1733 c. seu primo Gervásio Pacheco de Meirelles, referido adiante. C.g. nos barões de Ribeira de Pena.

1.1.2.2.2.2.    Manuel de Valadares Vieira, n. em Salvador, cerca de 1716, com IG em Braga de 13.3.1731, que "por amores" se ordenou presbítero, "vivendo vida recolhida e sendo bom músico de rabeca".

1.1.2.2.2.3.   João de Valadares Vieira, n. ib, com IG em Braga de 14.4.1731, que também se ordenou clérigo, vindo a fal. vigário-geral de Minas Gerais (Brasil).

1.1.2.2.3.    Teodósia de Valadares Vieira, n. cerca de 1685. C. cerca de 1708 c. Ponciano da Silva, senhor da casa e capela da Aldeia de Ouro, em Stª Marinha, filho herdeiro de António Antunes Pimenta e sua mulher Senhorinha Lopes da Silva.

1.1.2.2.3.1.   Manuel de Valadares Vieira, b. a 31.12.1711 em Stª Marinha, sendo padrinhos Baltazar Pacheco "morador neste assento de Sancta Marinha", a Maria Thomaz, mulher de Joãob de Valadares, de Senra. Tirou IG em Braga a 13.11.1733.

1.2.    ?Doutor Paulo de Meirelles Pacheco, provedor de Guimarães em 1631.

1.3.    Maria Pacheco de Meirelles, que segue.

 

2.            Maria Pacheco de Meirelles, nascida cerca de 1585. Casou cerca de 1605 com Miguel Domingues de Andrade, sepultado na igreja de Stº Aleixo. Foram moradores na quinta de Picanhol (na carta de armas do neto vem Penhacol), em Salvador de Ribeira de Pena. Este Miguel Domingues, certamente seu parente, julgo que era irmão mais velho de Belchior Pacheco de Andrade, senhor da quinta de Conselheiros, em S. Miguel de Refoios de Basto, onde foi bat. a 8.2.1588, filho de Domingos Gonçalves e sua mulher Margarida de Andrade. Esta Margarida já aparece em Refojos como madrinha em 1578, pelo que é de supor que tenha casado neste ano. O primeiro filho cujo assento de baptismo aparece em Refojos, a 14.4.1580, chamou-se Gaspar, sendo padrinhos André de Araújo e Leonor de Andrade (muito possivelmente a avó de Margarida ou uma sua tia). Depois, só a 2.8.1585 volta a aparecer o baptismo de um filho deles, sendo padrinhos António de Gouveia (o tio materno) e a mulher Amador de Araújo. Depois nascem mais três, até 1592. Mas há pelo menos uma sua filha documentada (casada em 1607 com Pedro Machado), Senhorinha de Andrade, cujo baptismo não consta. Assim, julgo que quer esta Senhorinha quer Miguel terão nascido entre 1581 e 84 noutra freguesia, onde os pais também viveram, talvez Stº Aleixo, onde se documenta que Miguel foi sepultado. Miguel teria assim usado o patronímico do nome do pai (Domingos = Domingues) e o nome de família da mãe. Miguel Domingues de Andrade seria assim primo dentro do 2º grau de consanguinidade da mulher, sendo ele bisneto e ele neta de Francisco Pacheco (de Araújo) e sua mulher Maria de Andrade.

2.1.   Salvador Domingues (Pacheco de Andrade), que segue.

2.2.   Cristóvão Frazão de Meirelles, nascido em Salvador de Ribeira de Pena cerca de 1608, e morador na sua quinta de Choupica, em Stª Marinha de Ribeira de Pena, e depois na quinta do Outeiro, em Stº Aleixo, com sua capela de Nª Sª da Conceição na matriz, onde fal. nonagenário a 30.6.1703, dizendo o óbito que fez testamento, deixando nele ordem para ser sepultado na sua capela da Sª da Conceição, sita nesta igreja, e que por sua alma se fizesse um trintário, repartido em três ofícios, cada um de 10 padres, e que de esmola deixava meio tostão a cada confraria desta igreja. Deixou herdeira e testamenteira sua nora Maria da Costa, que ficou obrigada aos bens de alma e às suas dívidas, especificadas no testamento. C. cerca de 1635 c. Ana Ribeiro, n. cerca de 1615 e fal. a 7.12.1677 em Stº Aleixo, dizendo o óbito que foi sepultada na sua capela, deixando 4.000 reais para bens de alma. Talvez filha de Gregório Ribeiro, escrivão das sisas de Ribeira de Pena (CFII, 7, 127v).

2.2.1.   Agostinho Frazão de Meirelles, dotado com a quinta da Choupica, em Stª Marinha de Ribeira de Pena, onde nasceu cerca de 1636 e fal. depois de 1697. C. em Setembro de 1671 c. Maria Gonçalves Pena, n. cerca de 1638 e fal. depois de 1697, referida no §3 como filha do sargento-mor Ambrósio Gonçalves Pena.

2.2.1.1.     Pedro, b. a 2.6.1672 em Stª Marinha de Ribeira de Pena, sendo padrinhos Domingos de Meirelles e sua irmã Antónia de Andrade, de Stº Aleixo, referidos adiante.

2.2.1.2.     Catarina Pacheco de Meirelles, sucessora na quinta da Choupica, onde nasceu, b. a 4.2.1675 em Stª Marinha, sendo padrinhos Francisco Gonçalves Penha "e sua cunhada Catarina Frazão" (ambos referidos no §3) e fal. antes de 1741. C. a 13.10.1697, ib, c. seu primo Domingos Gonçalves de Souza [9], da casa de Touças, em Stª Marta da Montanha (Alvão), que viveu casado na quinta da Choupica, onde fal. antes de 1741. Era filho de Francisco Gonçalves de Souza e sua mulher Maria Ambrósia de Faria, sendo este Francisco neto de António de Souza, reitor de Stª Marta da Montanha, referido no §1.

2.2.1.2.1.     Francisca Pacheco, b. a 21.12.1698 em Stª Marinha e fal. solt. a 15.10.1759 na quinta da Choupica, sendo sepultada na matriz.

2.2.1.2.2.    Agostinho Frazão de Meirelles, n. a 8.3.1702 na quinta da Choupica e b. a 15 seguinte, ib, sendo padrinho João Lopes da Guerra, da Temporã. Fal. solt. antes de 1741.

2.2.1.2.4.     António (Gonçalves) de Souza Pacheco, n. a 19.5.1709 na quinta da Choupica e b. a 27 seguinte, ib. Sucessor na quinta da Choupica, onde viveu e fal. depois de 1792. C. a 28.11.1742, ib, c. Maria Ambrósia Ferreira de Matos, n. cerca de 1725, ib, filha natural do Capitão Domingos Ferreira de Matos, senhor da casa de Terças, ib, e de Catarina Ambrósia, solteira do Sobrado Velho. Destes foi filha Maria Tereza de Souza Pacheco, n. em 1760, ib, que casou a 29.7.1781, ib, com José Marques Pipa, senhor da casa da Lixa, na Lixa do Alvão, onde fal. a 4.1.1784, c.g.

2.2.1.2.5.    Tereza Pacheco, n. a 14.3.1712 e b. a 17 seguinte, ib, pelo Padre Baltazar de Souza, de Soutelo de Aguiar, sendo padrinhos Francisco Gonçalves, de Braga, e Maria, filha de António Francisco, de Stª Marta. Fal. solt. a 6.10.1759 na quinta da Choupica, sendo sepultada na matriz.

2.2.1.3.     Maria, bat. a 25.9.1682, ib, sendo padrinhos João de Valadares, de Senra (referido atrás), e Maria, solteira, filha de Maria da Silva, de Salvador.

2.2.2.   Pascoal Pacheco de Meirelles, reitor de Stª Marinha de Ribeira de Pena e antes de Santiago de Soutelo (1664).

2.2.3.   Domingos de Meirelles, n. cerca de 1640 e fal. a 1.11.1677 em Stº Aleixo, dizendo o óbito que foi sepultado na sua capela com três ofícios de 9 padres cada um.

2.2.4.   Alexandre de Meirelles Pacheco, n. em Salvador de Ribeira de Pena cerca de 1642 e morador em Stº Aleixo, onde foi dotado com a quinta do Outeiro e capela de Nª Sª da Conceição, e onde fal. a 16.4.1701, antes de seu pai, dizendo o óbito que foi sepultado na sua capela de Nª Sª da Conceição nessa igreja, com 3 ofícios de 12 padres cada um, e ficaram seus filhos e mulher em poder e cabeça do casal. Foi padrinho em 1670 em Stº Aleixo, sendo referido como Alexandre, filho de Cristóvão Frazão de Meirelles, sendo madrinha Isabel Pacheco, filha de Maria Pacheco, Dona viúva, todos deste lugar. C. cerca de 1670 c. Maria da Costa, n. cerca de 1650 e fal. depois de 1707, herdeira e testamenteira do sogro, filha do Dr. Gonçalo Francisco da Costa, de Pedraça.

2.2.4.1.     Bernarda de Meirelles Pacheco, n. cerca de 1671. C.c. Gregório João.

2.2.4.1.1.    Padre Pedro de Meirelles Pacheco, com IG em Braga de 21.1.1711, n. em S. Salvador e morador em Stº Aleixo, onde instituiu uma capela vinculada a um padrão de juro de 50.000 réis por testamento de 25.4.1736.

2.2.4.2.     Jerónimo, b. a 4.8.1672 em Stº Aleixo, sendo padrinhos Domingos de Meirelles, seu irmão (do pai) e Leonor de Andrade, mulher de António Leitão, da fregiesia do Salvador.

2.2.4.3.     Padre Pedro de Meirelles Pacheco, b. a 23.10.1673 em Stº Aleixo, sendo padrinhos o Licenciado Reverendo Pedro de Meirelles e sua irmã Maria Pacheco. Tirou IG em Braga a 21.3.1695.

2.2.4.4.     Maria, b. a 26.6.1675 em Stº Aleixo, sendo padrinhos Manuel de Valladares Vieira, da quinta de Senra, na freguesia do Salvador, e Isabel Pacheco, solteira, filha de Maria Pacheco, dona viúva desta freguesia.

2.2.4.5.     Isabel Pacheco de Andrade, b. a 3.4.1677 em Stº Aleixo, sendo padrinhos Domingos de Meirelles e sua irmã Antónia de Meirelles. Vivia solt. em 1707.

2.2.4.6.     Agostinho de Meirelles, b. a 19.2.1679, ib, sendo padrinho seu pai (do pai) Cristóvão Frazão de Meirelles e sua tia (do pai) Maria Pacheco viúva que ficou de Gaspar Francisco. Fal. solt. a 19.1.1719, ib, dizendo o óbito que foi sepultado na sua capela, não fez testamento e teve 3 ofícios de 10 padres cada um.

2.2.4.7.     Teodósia, b. a 13.7.1681 em Stº Aleixo, sendo padrinhos João de Valadares e Souza, da Senra, em Salvador, e Catarina Pacheco, de Stª Marinha, mulher de Pedro Gonçalves Penha.

2.2.4.8.     Luiza, b. a 6.11.1683 em Stº Aleixo, sendo padrinho o Padre Filipe do Vale, vigário do Couto de Dornelas. Vivia solteira em 1708.

2.2.4.9.     João, b. a 18.4.1686 em Stº Aleixo, sendo padrinho o Licenciado Ambrósio Gonçalves Lopes e Maria Francisca, filha de António Leitão de Meirelles, ambos do Salvador.

2.2.5.   Pedro de Meirelles, n. cerca de 1645, que foi padrinho em 1670 e 1671 em Stº Aleixo, sendo referido como filho de Cristóvão Frazão de Meirelles. No 1º baptismo foi madrinha Maria Pacheco, filha de Maria Pacheco, dona viúva. No 2º foi madrinha Maria da Costa, mulher de Alexandre de Meirelles. Viveu na quinta do Outeiro. Casou cerca de 1701 com Marinha de Almeida.

2.2.5.1.     Maria, b. a 19.3.1702, sendo padrinhos João Lopes da Guerra, da Temporã, e Maria, solteira, filha de Francisco Carvalho.

2.2.5.2.     Domingos, b. a 18.1.1705, ib, sendo padrinhos Domingos de Meirelles Pacheco e Leonor, solteira, filha de António Leitão de Meirelles, do Outeiro, Salvador.

2.2.5.3.     Isabel, b. a 8.4.1707, ib, sendo padrinhos Agostinho de Meirelles, solteiro, e sua irmã Isabel, solteira, filhos de Maria da Costa, viúva que ficou de Alexandre de Meirelles.

2.2.5.4.     Caetano, b. a 30.12.1709, ib, sendo padrinhos António Carvalho de Almeida, capitão de Infantaria, de Bragadas, e Mariana, solteira, filha de José Pinto, de Friume.

2.2.5.5.     Marinha, b. a 17.2.1713, ib, sendo padrinhos Francisco Carvalho, solteiro, filho de Francisco Carvalho, e Serafina, solteira, filha de António Martins, de Cerva.

2.2.6.   Isabel Pacheco de Meirelles, n. cerca de 1647, moradora na quinta da Choupica e depois em Stº Aleixo, onde em 1679 é referida como dona viúva. Já fal. em 1703. C.c. Gaspar Martins, já fal. em 1679.

2.2.6.1.     António Frazão, bat. a 19.4.1671 em Stª Marinha de Ribeira de Pena, sendo madrinha Isabel Pacheco de Meirelles, acima, e padrinho António Leitão, do Outeiro (Salvador), referido no §1. C. a 1ª vez Stª Marta da Montanha (Alvão) c. sua prima Isabel Francisca Gonçalves de Souza, irmã de Domingos Gonçalves de Souza, referido atrás como marido de Catarina Pacheco de Meirelles. C. a 2ª vez 18.11.1708 em Stª Marinha c. Domingas Francisca, filha de Gervásio Domingues e sua mulher Isabel Fernandes. Deste 2º casamento foi filha Domingas Francisca, b. a 9.11.1711, ib, que casou a 3.11.1730, ib, com Ambrósio Gonçalves de Castro, de Senra, filho de Domingos Gonçalves da Guerra.

2.2.6.2.     Isabel Pacheco, bat. a 17.2.1674, ib, sendo padrinho Francisco Gonçalves Penha, de Stª Marinha (referido no §3). Casou a 19.8.1703, ib, com António Gonçalves, de Salvador.

2.2.6.3.     Maria, bat. a 13.3.1678, ib, sendo padrinhos Gonçalo Pacheco, de Picanhol, e Catarina Frazão, de Stª Marinha, ambos solteiros (referidos adiante).

2.2.6.4.     Gaspar Frazão, bat. a 28.7.1680, ib, sendo padrinhos Agostinho Frazão, da Choupica, e Páscoa da Silva, das Calhelhas (Salvador). Casou a 7.1.1705, ib, com Maria Fernandes, de Fonte do Mouro, ib.

2.2.6.5.     Páscoa Pacheco de Meirelles, n. cerca de 1682. Casou a 2.6.1705, ib, com Domingos Ferreira, de S. Tiago da Faia (Basto).

2.2.7.   Maria Frazão de Meirelles, n. cerca de 1649, moradora na quinta da Choupica, já fal. em 1701. C.c. Lourenço Martins (Teixeira), já fal. em 1703.

2.2.7.1.     Ângela, bat. a 12.1.1671 em Stª Marinha de Ribeira de Pena, sendo padrinhos Ambrósio Gonçalves Lopes e sua filha Maria, da Temporã (referidos adiante).

2.2.7.2.     Domingas Teixeira, bat. a 11.12.1672, ib, sendo padrinhos Pedro Frazão e sua mulher Senhorinha Gonçalves, de Stº Aleixo. Casou a 8.8.1701, ib, com António Lopes, do Couto de Dornelas.

2.2.7.3.     Domingos de Meirelles, cura de Stº Aleixo, bat. a 17.5.1674, ib, sendo padrinhos Domingos Frazão, da Granja Nova, e Páscoa, filha de Maria da Silva, das Calhelhas (Salvador).

2.2.7.4.     Paula de Meirelles, bat. a 26.3.1678, ib, sendo padrinhos Domingos de Meirelles (referido adiante) e sua irmã (não nomeada), solteiros de Stº Aleixo. C. a 25.1.1703, ib, com Francisco Gonçalves Pena, filho de Francisco Gonçalves Pena, que viveu na Granja Nova, "hoje morador em Brunhado", e de Catarina da Costa, da Granja Nova.

2.3.   Maria Pacheco de Meirelles (na carta de armas do filho vem com Dona), nascida cerca de 1610 em Salvador de Ribeira de Pena e fal. viúva em Stº Aleixo a 8.12.1700, dizendo o óbito que fez testamento e deixou por sua alma 3 ofícios de 10 padres cada um e 200 missas para rezar nessa igreja, onde foi sepultada na sepultura de seu pai. C. cerca de 1630 c. Gaspar Francisco de Carvalho, senhor da quinta da Fêxa ou do Fexo de Além-Tâmega, em Stº Aleixo, onde viveu, filho de António Pires de Carvalho e sua mulher Catarina de Carvalho, senhores e moradores na mesma quinta. Provavelmente parentes de Domingos de Carvalho, moço da câmara, juiz dos órfãos de Ribeira de Pena, senhor da quinta das Bragadas de Além Tâmega, em Stº Aleixo, referido no §1.  

2.3.1.   Padre Licenciado Pedro de Meirelles de Andrade, reitor de S. Martinho de Bornas (Vila Pouca de Aguiar), n. cerca de 1631 e fal. a 15.11.1682 em Stº Aleixo, sendo sepultado na matriz.

2.3.2.   Maria Pacheco, madrinha com seu irmão o Rev. Lic. Pedro de Meirelles em 1670 em Stº Aleixo e madrinha de seu sobrinho Pedro em 1673.

2.3.3.  Antónia (de Andrade) de Meirelles, madrinha em 1672 em Stª Marinha com seu irmão Domingos (como Antónia de Andrade) e em 1676 em Stº Aleixo como Antónia de Meirelles, filha de Maria Pacheco, viúva desta freguesia. Casou como Antónia de Meirelles a 30.5.1696 em Stº Aleixo com seu primo Duarte Pacheco de Andrade, de Picanhol, referido adiante.

2.3.4.  Ângela, madrinha em 1672 em Stº Aleixo com seu irmão Domingos.

2.3.5.   Isabel Pacheco, n. cerca de 1640 em Stº Aleixo. Foi madrinha em 1672 em Stº Aleixo com seu irmão Domingos, sendo ditos filhos de Maria Pacheco, viúva deste lugar, e em 1670 com seu irmão o Padre Pedro de Meirelles. Ainda estava solteira em 1675. Parece ser a Isabel Pacheco casada com Gonçalo Fernandes, de Paçô, ib.

2.3.6  Domingos de Meirelles Pacheco, n. cerca de 1645 e fal. depois de 1728, senhor da quinta da Fêxa (Fecha) ou do Fexo de Além-Tâmega, em Stº Aleixo, onde vivia quando a 9.8.1716 teve carta de armas para Pacheco, Meirelles, Carvalho e Andrade, escudo que está no portal da dita quinta. É aqui curioso verificar, mais uma vez, que estes Meirelles usavam o escudo de armas hoje atribuído aos Meira, muito parecido com os Pereira, a saber: de vermelho, cruz florida de ouro, vazia do campo. Na carta de armas consta como morador na sua quinta do Fexo, em Stº Aleixo, filho de Gaspar Francisco de Carvalho e sua mulher D. Maria Pacheco de Meirelles, moradores que foram na mesma quinta, neto paterno de António Pires de Carvalho e sua mulher Catarina de Carvallho, e neto materno de Miguel Domingues de Andrade e sua mulher D. Maria Pacheco. Foi padrinho em Stº Aleixo em 1671, sendo referido como Domingos de Meirelles da Fecha. C. cerca de 1695 c. Ângela da Silva Barbosa, n. em Veade (Celorico de Basto) cerca de 1675 e fal. a 23.1.1728 em Stº Aleixo. Era filha de António Fernandes de Linhares, senhor da casa da Foz, ib, e de sua mulher Francisca da Silva Barbosa, da casa de Surribas, em Valdebouro.

2.3.6.1.     Gervásio Pacheco de Meirelles, b. a 27.8.1696 em Stº Aleixo, pelo Padre Domingos de Meirelles, cura desta igreja, sendo padrinhos Damaso Barbosa de Queiroz, abade de Stª Eulália, e D. Jerónima, mulher de José Leite. Em 1726 vivia na sua quinta em Stº Aleixo "com mui lusimento" (Craesbeeck). C.c. sua prima Catarina de Valadares Vieira, referida acima, 7ª morgada de Stº António de Trezenas, c.g. nos barões de Ribeira de Pena. De Gervásio Pacheco de Meirelles foi nomeadamente filho Domingos José Pacheco de Valadares e Meirelles (TSO, Habilitações incompletas, doc. 1353). 

2.4.    Isabel Pacheco (de Meirelles), n. cerca de 1618. Herdou a quinta da Senra, em Stº Aleixo, e viveu casada na quinta do Outeiro, em Salvador. C. cerca de 1637 c. Francisco de Almeida (Leitão), referido no §1, onde segue.  

 

3.            Salvador Domingues (Pacheco de Andrade), n. cerca de 1606 na quinta de Picanhol, que foi senhor da quinta de Fontes (ou da Fonte), ib, onde viveu, como nomeadamente se diz na carta de armas do neto. Dada a impossibilidade cronológica de seus filhos serem da mesma mãe, terá casado duas vezes. Da 1ª mulher (a), com quem terá casado cerca de 1630, não se sabe o nome. Sendo certo que casou (2ª vez), cerca de 1650 c. Maria Ambrósia (Gonçalves Pena) (b), n. cerca de 1628, referida no §3, filha do sargento-mor de Ribeira de Pena Ambrósio Gonçalves (Pena), dita D. Maria Ambrósia e moradora na quinta de Fontes na referida carta de armas. No assento de casamento da filha Leonor da Andrade constam como Salvador Domingues e Maria Ambrósia, da Fonte.

3.1.    (a) Salvador Pacheco de Andrade, sargento-mor de Ribeira de Pena, n. cerca de 1631, que sucedeu na quinta da Picanhol. C. a 10.1.1652 em S. Miguel de Refojos de Basto c. Francisca Vieira da Rocha, filha de Henrique de Novaes, da casa da Bouça, em S. Nicolau, e de sua mulher Catarina Vieira da Rocha, da casa de Carrazedo.

3.1.1.   Francisco Pacheco de Andrade, n. cerca de 1653 e fal. a 18.1.1707 em Ribeira de Pena. Sucedeu na quinta de Picanhol e foi capitão de Infantaria de Granadeiros e depois capitão-mor de Ribeira de Pena, cargo em que faleceu. C.c. sua parente Antónia de Andrade de Gouveia, nascida na quinta da Cal, em Ermelo. A "Corografia Portuguesa" (1706) diz: "A quinta de Picanhol, com suas boas casas, que possue Francisco Pacheco de Andrade, Capitão mór daquelle cõcelho" (tomo 1, pag. 171). Crasbeeck (1726) diz que então a quinta de Picanhol era de Alexandre Pacheco de Andrade, filho de Francisco Pacheco de Andrade e neto de outro homónimo, capitão-mor do concelho, "de que trata a Corografia Portuguesa". Gaio (Ribeiro, §13) também dá o Francisco em epígrafe como avô de Alexandre Pacheco de Andrade, a que chama Pacheco de Barros. Dizendo que este Francisco teve de sua mulher (Antónia de Andrade de Gouveia) o seguinte filho:

3.1.1.1.     Francisco Pacheco de Andrade, n. cerca de 1675 e fal. antes de 1726, que sucedeu na quinta de Picanhol. Segundo Gaio (Ribeiro, §13) foi senhor da quinta de Carrezedo, em S. Miguel de Refoios de Basto, e casou duas vezes, a 2ª das quais com D. Joana de Barros, que depois casou com o Dr. Domingos Rodrigues Mozes. Esta D. Joana, era filha de Gaspar Ribeiro de Andrade, senhor da quinta de Vinha Nova, em S. Miguel de Refojos, que teve em dote de casamento, onde instituiu capela, e de sua mulher Mariana de Guimarães, filha herdeira de Pedro Ferraz de Barros, senhor da quinta da Vinha Nova, e de sua mulher Joana Vaz de Campos. Aquele Gaspar Ribeiro era filho Damásio Ribeiro de Andrade, senhor da quinta da Igreja, em S. Senhorinha, e de sua mulher Leonor de Freitas (de Sampaio), senhora da quinta da Quintã, em Sendim (Felgueiras), sendo Damásio filho de Gaspar Ribeiro, escudeiro fidalgo, juíz dos órfãos de Cabeceiras de Basto, e de sua mulher Filipa Machado, filha de António de Gouveia, senhor da quinta da Igreja, em S. Senhorinha, e sua mulher Inez Rebello (Machado), e neta paterna de Francisco Pacheco, escudeiro fidalgo, senhor da quinta da Igreja, em Stª Senhorinha, e sua mulher Maria de Gouveia ou de Andrade, referidos acima. Este Francisco Pacheco, como refiro acima, era irmão de Salvador Pacheco de Andrade, pelo que D. Joana de Barros era prima do marido, ambos 4ºs netos daqueles irmãos.

3.1.1.1.1.    Alexandre Pacheco de Andrade, que em 1726 (Crasbeeck) vivia na sua quinta de Picanhol, em Salvador de Ribeira de Pena, armoriada de Pacheco, Andrade, ? (cinco flores de lis em aspa) e Vieira. O 3º quartel (cinco flores de lis em aspa) talvez seja a forma antiga ou uma variante de Frazão (três flores de lis com chaveirão de prata). Relativamente próximo, em Jales, na igreja de S. Miguel de Tresminas, existe na capela-mor, sob um arco, um túmulo muito antigo, sem inscrições, que ostenta o mesmo escudo de armas (cinco flores de lis em aspa). Pode também tratar-se do escudo de armas dos Soverosa, que está no 2º e 3º quartéis das armas usadas pelos Albuquerque. Segundo Gaio, Alexandre Pacheco de Andrade casou (não lhe nomeia a mulher) e teve duas filhas, D. Senhorinha e D. Violante, solteiras.

3.1.1.1.2.    José Pacheco de Andrade, segundo Gaio, que diz ter sucedido na quinta de Carrezedo e casado com sua prima Catarina Pacheco de Andrade, referida acima, e terem sido pais do Dr. Serafim dos Anjos Pacheco de Andrade, cavaleiro da Ordem de Cristo, juiz de fora de Montalegre e Portalegre e desembargador da Relação do Rio de Janeiro "neste ano de 1763".

3.1.2.   Gonçalo Pacheco, n. cerca de 1654 na quinta de Picanhol, onde vivia solteiro quando em 1678 foi padrinho em Stª Marinha. 

3.1.3.   Duarte Pacheco de Andrade, morador em Picanhol. Casou a 30.5.1696 em Stº Aleixo com sua prima Antónia (de Andrade) de Meirelles, referida acima.

3.2.   (a) Isabel Pacheco de Andrade, n. em 1640 e fal. depois de 1672. Foi a 2ª mulher de seu primo o Cap. Francisco Gonçalves Pena, morgado da casa de Stª Marinha de Ribeira de Pena, referido no §3.

3.3.   (b) Leonor de Andrade, n. cerca de 1651, referida como filha de Salvador Domingues e sua mulher Maria Ambrósia, moradores na Fonte, todos do Salvador de Ribeira de Pena, no assento do seu casamento. Casou a 11.10.1666, ib (assento transcrito no processo de justificação de nobreza de seu bisneto Ventura de Meirelles de Almeida), com seu primo António Leitão de Meirelles, referido no §1, onde segue.

3.4.   (b) Pedro Pacheco de Andrade, n. cerca de 1654 e fal. em 1688, que sucedeu como senhor da casa de Fontes. Casou com Margarida Borges, natural de Carrazedo da Cabugueira, irmã de António Borges, abade de Cavalões, no termo de Barcelos, e do Padre Ventura Borges.

3.4.1.  Maria Borges Pacheco, n. cerca de 1675 e fal. em 1733, sendo sepultada em Santa Marinha. C. cerca de 1693 c. seu primo em 3º e 4º graus Francisco Gonçalves Pena, referido no §3, onde segue.

3.4.2.  (Pedro) Pacheco de Andrade, abade de Stª Marinha.

3.5.   (b) Catarina Pacheco de Andrade, nascida cerca de 1660, que em nova aparece como Catarina Frazão, ainda se documentado com este nome, solteira, moradora em Stª Marinha, em 1678. Na carta de armas do filho diz-se que viveu com seu marido na quinta de Santa Marinha. C. a 10.6.1680 em Stª Marinha c. Pedro Gonçalves Pena, morgado de Stª Marinha de Ribeira de Pena, referido no §3, onde segue.

§3  Gonçalves Pena 

1.            Domingos Gonçalves, n. cerca de 1570 e fal. depois de 1637, que desde 1618 foi reitor de Santa Marinha de Ribeira de Pena e provavelmente antes aí foi pároco. A 17.12.1637 foi passada ao reitor Domingos Gonçalves carta de confirmação de aforamento do assento de Santa Marinha, da comenda de Santa Marinha da Ordem de Cristo (Livro 33, f. 115, Ordem de Cristo), tendo sido passada 26.8.1636 uma provisão para aforar a comenda de Santa Marinha (Livro 28, f. 308v). Dada a recorrência do invulgar nome Ambrósio na sua descendência, talvez seja descendente (neto?) do Ambrósio Rodrigues, feitor das terras de Aguiar e Pena, que a 29.8.1523 teve confirmação real do arrendamento dessas terras. Domingos Gonçalves teve em Maria Tomaz, de Ferreiros, o filho Francisco, legitimado por carta real de 23.3.1634, não se sabendo se esta Maria Tomaz é também mãe de Ambrósio, mas não deve ser, pois este Ambrósio era bem mais velho do que Francisco. Como quer que seja, sabe-se que Ambrósio sepultou sua mãe na matriz de Stª Marinha, como se diz adiante.

1.1.   (N) Ambrósio Gonçalves [10], n. cerca de 1594. Foi contador de Ribeira de Pena (CFII, 29, 238v) e juiz dos órfãos (ib, 32, 119v), confirmado por D. João IV contador, inquiridor e distribuidor do concelho (6.4.1641 - RGM, MTT, 15, 323v). Foi também sargento-mor da Ordenança de Ribeira de Pena, e aí senhor da quinta do Cabo de Freume (ou Friume). Está sepultado na igreja de Stª Marinha com o seguinte letreiro: "S.a q. mandou fazer Ambrozio Gz de Freume a sua mai e sua mulher M.na Lopes. Erd.os. 1645". Casou cerca de 1616 com Marinha Lopes, fal. cerca de 1645. E que viveu com sua mulher em Freume (ou Friume), como se diz no assento de casamento do filho Ambrósio.

1.1.1.   Ambrósio Gonçalves Lopes (ou Pena), n. cerca de 1617 e fal. depois de 1706, senhor da quinta do Cabo de Freume. Foi sargento-mor da Ordenança de Ribeira de Pena e contador, inquiridor e distribuidor do concelho (13.4.1655 - RGM, MTT, 21, 259 a 260), tendo no dia segunte mercê para poder renunciar o cargo num filho (ib, 22, 401 s 402). Comprou a quinta da Temporã (Salvador) e a 8.4.1687 instituiu aí a capela de Nª Sª da Conceição, depois construída por seu filho João. A "Corografia Portuguesa" (1706) diz: "A quinta da Temporam com suas casas nobres, que foy de Luis Peixoto da Sylva, & hoje possue por compra Ambrosio Gonçalves Penha" (tomo 1, pag. 171). Casou a 5.2.1638 em Ribeira de Pena (assento transcrito no processo de justificação de nobreza de seu bisneto Ventura de Meirelles de Almeida) com Catarina da Guerra (de Almeida), referida no §1, herdeira das quintas das Pereiras de Cima e da Temporã.

1.1.1.1.     Maria Lopes da Guerra, que também aparece apenas como Maria da Guerra, n. cerca de 1639. C.c. João de Valadares Vieira, cavaleiro da Ordem de Cristo, 4º morgado de Stº António de Trezena, etc., referido no §2, onde segue.

1.1.1.2.     João Lopes da Guerra, n. cerca de 1640 e fal. depois de 1700, senhor da quinta do Cabo de Freume e da capela de Nª Sª da Conceição de Temporã. Foi sargento-mor da Ordenança de Ribeira de Pena. Construiu a dita capela de Nª Sª da Conceição, deixando na padieira da capela a seguinte inscrição "c(o)nfirmat deip(arem) et concepsione(m) in primo instanti liberam operam / decorata(m) expensis Joannis Lopes Guerra suaeque uxoris". Padrinho em 1672, vivendo já em Temporã. C. cerca de 1661 c. Filipa Borges, fal. depois de 1700.

1.1.1.2.1.     António Borges da Guerra, senhor da quinta do Cabo de Freume, n. cerca de 1663 e já fal. em 1708. C. cerca de 1683 c. Maria Borges (a), também já fal. em 1710. Casou 2ª vez com Francisca de Almeida (b), já fal. em 1708.

1.1.1.2.1.1.   (a) Maria Borges da Guerra, sucessora, n. cerca de 1684 e já fal. em 1710. C. cerca de 1700 c. José Pinto Borges, da quinta de Alijó, filho de Simião Borges Moutinho e sua mulher Domingas de Carvalho, de Murça. José Pinto Borges, morador em Freume, já viúvo da antedita Maria Borges da Guerra, casou a 2ª vez a 21.9.1710 com Bárbara Pereira, de Ponte de Lima. Maria Borges da Guerra e seu marido foram pais de: Dr. Caetano Pinto Borges, senhor da quinta do Cabo de Freume [11] em 1726; António Pinto Borges, com IG em Braga a 30.10.1719; e José Pinto Borges, com IG em Braga a 25.5.1720.

1.1.1.2.1.2.   (b) Luiza da Guerra, b. a 8.12.1688 em Stª Marinha. C. a 29.5.1708, ib, c. Domingos Gonçalves, de Senra (Salvador), filho de Domingos de Castro e sua mulher Isabel de Chaves, ambos já falecidos.

1.1.1.2.1.3.    (b) Filipa, b. a 15.1.1700 em Stª Marinha, sendo padrinhos João Lopes da Guerra e Filipa Borges, de Temporam.

1.1.1.2.2.    Catarina Borges da Guerra, n. cerca de 1665, que julgo irmã de António Borges da Guerra. C.c. Nicolau Pinto da Mesquita, de Cerva (Ribeira de Pena), e foram pais de António Borges da Guerra, n. em Cerva cerca de 1705, com IG em Braga de 25.10.1726, sendo este António certamente irmão de Natália Borges da Mesquita, n. cerca de 1686, que casou com António Domingues, de Lama, na vizinha freguesia de Alvite (Cabeceiras de Basto), pais de Inocência Borges Pinto da Mesquita, n. cerca de 1703, casada com Pedro Gonçalves, moradores em Cerva. Estes foram pais de António Gonçalves, n. em Cerva cerca de 1721, que tirou ordens menores a 20.11.1730 em Braga, e de Maria Gonçalves casada com Francisco Gonçalves Lage, morador em Macieira (Limões, Ribeira de Pena), c.g. nos Gonçalves Lage, da quinta do Covêlo, em Bilhó (Mondim de Basto).

1.1.1.3.     Ambrósio Gonçalves Lopes (ou Pena), licenciado, que em 1683 vivia na quinta da Temporã. Em 1673 foi padrinho em Stª Marinha com sua irmã Marinha, sendo referido como Ambrósio, filho de Ambrósio Gonçalvez Lopes da Temporam. Certamente o Ambrósio Gonçalves Pena que em 8.8.1709 foi escrivão dos órfãos de Ribeira de Pena (RGM, JV, 3, 28v).  Ambrósio Gonçalves Lopes, da Temporã, teve em Luiza, solteira do Cano, um filho, Simão Lopes, que era viúvo quando casou a 25.11.1705 em Stª Marinha com Águeda Francisca.

1.1.1.4.     Cristóvão Vaz Leitão da Guerra, senhor da quinta das Pereiras de Cima, em Stª Marinha. C.c. Helena Borges.

1.1.1.4.1.    António Borges Leitão, juiz dos órfãos de Ribeira de Pena, e também proprietário dos ofícios de contador, inquiridor e distribuidor do concelho. Era senhor da quinta das Pereiras de Cima em 1726 (Crasbeeck). Deve ser pai do João Lopes da Guerra que a 8.7.1734 foi contador, inquiridor e distribuidor de Ribeira de Pena (RGM, JV, 23, 483).

1.1.1.5.    Marinha de Almeida da Guerra, que n. em Ribeira de Pena cerca de 1645. Madrinha em 1671, ib. Viveu casada em Burgães (Cerva). Casou com António Martins, b. a 25.8.1642, ib (assento transcrito no processo de justificação de nobreza de seu neto Ventura de Meirelles de Almeida), filho de Gonçalo Martins e sua mulher Paula Martins, moradores em Burgães.

1.1.1.5.1.    Marinha de Almeida da Guerra, bat. a 19.4.1683 em Cerva (assento transcrito no processo de justificação de nobreza de seu filho Ventura de Meirelles de Almeida), que viveu casada em Stº Aleixo. Casou com seu primo Pedro de Meirelles Leitão, referido no §1, como filho de Francisca de Andrade e seu marido Francisco Carvalho.

1.1.1.6.     ? Maria Gonçalves Pena, n. cerca de 1646, que a 12.1.1671 foi com seu pai Ambrósio Gonçalves Lopes, da Temporã, madrinha de Ângela, filha de Maria Frazão de Meirelles, irmã de seu futuro marido. C. em Setembro de 1671 c. Agostinho Frazão de Meirelles, morador na sua quinta da Choupica, no termo de Stª Marinha de Ribeira de Pena, referido no §2, onde segue, filho de Maria Pacheco de Meirelles e seu marido Miguel Domingues de Andrade.

1.1.2.   Maria Ambrósia (Gonçalves Pena), n. cerca de 1628, que casou cerca de 1650 com Salvador Domingues (Pacheco de Andrade), senhor da casa de Fontes, referido no §2, onde segue.

1.2.    (L) Francisco Gonçalves Pena (ou Penha), n. cerca de 1610 e fal. depois de 1690, legitimado por carta real de 23.3.1634, o 1º que sempre aparece com o nome Penha, claramente retirado da terra onde viveu e foi criado, embora deva ter nascido em Ferreiros, donde era e onde vivia sua mãe e donde provavelmente seu pai também era natural. Foi cavaleiro da Ordem de Cristo e capitão de Volantes nas guerras da Restauração. A 16.6.1679 instituiu o morgadio e capela de S. Francisco Xavier em Stª Marinha de Ribeira de Pena. Na carta de armas de seu neto diz-se que serviu Suas Majestades, que Deus guarde, no posto de capitão de Volantes, que levantou sem despesa para a Real Fazenda, sustentando também no Real Serviço um cavalo aparelhado durante sete anos e meio. C. a 1ª vez cerca de 1647 com Domingas Gonçalves de Almeida (a), filha de Gonçalo Gonçalves Ferreira e de Marinha Gonçalves de Miranda, da casa de Ferreiros. C. a 2ª vez cerca de 1665 c. sua prima Isabel Pacheco de Andrade (b), n. em 1640 e fal. depois de 1672, referida no §2, filha de Salvador Domingues Pacheco de Andrade, senhor da quinta de Fontes.

1.2.1.   (a) Pedro Gonçalves Pena, n. cerca 1648, 2º morgado da casa de Stª Marinha de Ribeira de Pena e capela de S. Francisco Xavier. Na carta de armas do filho diz-se que viveu na sua quinta de Stª Marinha. C. a 10.6.1680 em Stª Marinha c. Catarina Pacheco de Andrade, n. cerca de 1660, referida no §2, meia-irmã da 2ª mulher de seu pai, ambas filhas de Salvador Domingues Pacheco de Andrade.

1.2.1.1.     Josefa, b. a 7.3.1683 em Stª Marinha de Ribeira de Pena, sendo padrinhos Francisco Gonçalves Penha e o Licenciado Ambrósio Gonçalves Lopes, da Temporam (Salvador), referidos acima.

1.2.1.2.     Baltazar Pacheco de Andrade, 3º morgado da quinta de Stª Marinha de Ribeira de Pena e capela de S. Francisco Xavier, onde em 1726 vivia "com bom tratamento" (Craesbeeck). B. a 14.1.1686, ib, sendo padrinhos Pascoal Pacheco de Andrade, reitor de Stª Marinha, e Leonor de Andrade, mulher de António Leitão. Foi cavaleiro da Ordem de Cristo, capitão de Infantaria na Guerra da Liga, e fidalgo de Cota de Armas (14.6.1720 - escudo partido de Pacheco e Andrade), tendo colocado estas suas armas no cunhal da casa de Stª Marinha. Nesta carta de armas diz que mora na sua quinta de Stª Marinha e serviu Sua Majestade, nas guerras próximas e passadas, com honrada satisfação, no posto de Infantaria dum Terço Auxiliar daquela Comarca (Guimarães). Em 1735 era sargento-mor e em 1753 capitão-mor da Ordenança de Ribeira de Pena. Parece que fal. em 1755. C. a 20.1.1714 em Stª Marinha c. D. Maria de Almeida, referida no §1, filha do capitão-mor Domingos de Carvalho e Almeida e de sua mulher D. Maria Gonçalves de Carvalho.

1.2.1.2.1.    Francisco Xavier de Andrade e Almeida, capitão-mor e monteiro-mor (6.5.1780) de Ribeira de Pena, 4º morgado da casa de Stª Marinha de Ribeira de Pena e capela de S. Francisco Xavier, onde nasceu, tendo tirando IG em Braga a 9.1.1735. C. a 3.12.1735 em Stª Marinha c. sua prima D. Maria de Souza, já viúva de do mestre de campo David Borges da Cunha, moradora na quinta da Ribeira (Salvador), filha de Gervásio Leitão de Souza e sua mulher Filipa Álvares da Costa, já falecidos. Francisco Xavier e sua mulher foram pais do Doutor Francisco Xavier de Souza Andrade e Almeida, sucessor, capitão-mor e monteiro-mor de Ribeira de Pena, cavaleiro da Ordem de Cristo, etc. (pai do 1º barão de Ribeira de Pena) e do Dr. José Caetano de Andrade e Almeida, que tirou IG em Braga a 11.8.1760.

1.2.1.2.2.    Luiz António de Almeida de Andrade, n. ib, com IG em Braga de 18.4.1752.

1.2.1.2.3.    Baltazar Caetano de Almeida, n. ib, com IG em Braga de 13.9.1754.

1.2.1.2.4.    António Luiz de Andrade e Almeida, n. ib, com IG em Braga de 21.11.1760.

1.2.1.2.5.    D. Antónia Teresa de Almeida e Andrade, n. ib. C. a 4.2.1753, ib, c. Francisco José de Miranda e Ataíde, n. na vila de Montalegre (Stª Mª da Assunção), filho de Sebastião de Miranda, já fal., e de sua mulher D. Sebastiana de Ataíde. De D. Antónia e seu marido foram filhos Joaquim José de Miranda e Ataíde e Sebastião José de Ataíde e Almeida, nascidos ib, que tiraram IG em Braga respectivamente a 10.11.1777 e 27.11.1777.  

1.2.2.  (a) Ambrósio Gonçalves (Pena), n. cerca de 1650, morador em Senra, documentado em 1696 como irmão de Francisca Thomaz.

1.2.3.  (a) Francisco Gonçalves Pena, capitão da ordenança de Ribeira de Pena, n. cerca de 1655. Morava no assento da igreja de Stª Marinha quando casou a 1ª vez. C. a 1ª vez 2.3.1693 em Stª Marinha c. Domingas Gonçalves (a), de Ferreiros, ib. C. a 2º vez cerca de 1697 em Salvador c. Maria Borges Pacheco (b), sua prima em 3º e 4º graus, fal. em 1733 e sepultada em Santa Marinha, referida no §2, filha herdeira de Pedro Pacheco de Andrade e sua mulher Margarida Borges.

1.2.3.1.     (a) Maria Thomaz, n. cerca de 1694 e fal. em 1742. C. a 20.1.1706 em Stª Marinha c. João de Valadares Vieira, 6º morgado de Stº António de Trezena, referido no §2, onde segue, filho de outro João de Valadares Vieira e sua mulher Maria Lopes da Guerra.

1.2.3.2.     (b) Francisco Gonçalves Pena, n. em 1701, c.c. Domingas Machado.

1.2.3.3.   (b) Sebastião Gonçalves Pena, n. cerca de 1703. C.c. Senhorinha Borges, herdeira da casa e quinta do Mato.

1.2.3.3.1.    David Borges Pacheco, n. em Salvador cerca de 1732.Tirou IG em Braga a 30.1.1745.

1.2.3.4.   (b) Dr. Caetano Borges Pacheco, n. em Salvador, licenciado em Cânones pela Universidade de Coimbra, que exerceu no Brasil vários cargos eclesiásticos e tirou IG em Braga a 15.10.1716. Instituiu a capela e vínculo de Sant´Ana, junto à casa de Fontes.

1.2.3.5.     (b) Baltasar Pacheco de Andrade

1.2.3.6.     (b) António de Andrade Borges Pena, n. ib, com IG em Braga de 7.3.1737.

1.2.3.7.     (b) Senhorinha Pacheco Borges

1.2.4.   (a) Francisca Thomaz (Pena), n. cerca de 1662, que morava no assento da igreja de Stª Marinha quando casou. Casou a 3.10.1693, ib, com Francisco Thomaz, de Ferreiros, ib. Destes foi filha, entre outros, Francisca Thomaz Pena, b. a 9.2.1710, ib, que casou a 15.11.1741, ib, com com o Capitão David de Miranda e Cunha, de Senra (Salvador).

1.2.5.   (a) Catarina Thomaz (Pena), n. cerca de 1664 e fal. a 5.11.1729 em Ribeira de Pena. C. a 29.1.1696, ib, c. José Machado de Souza Carvalho, n. a 22.8.1680, ib, já fal. em 1715, filho de Domingos Carvalho e sua mulher Maria de Souza Machado, referidos no §1. De Catarina Thomaz e seu marido foi filha, entre outros, Maria Machado de Souza, b. a 6.4.1697 em S. Salvador de Ribeira de Pena, que casou a 28.8.1715, ib, com Sebastião Gonçalves, de Brunhedo Destes foi filho Pedro Francisco Machado, n. em S. Salvador, que tirou IG em Braga a 13.11.1733. Bem assim como Baltazar Machado Pena, que foi bisavô de Afonso Pena, presidente da República do Brasil. 

 

 

2002

 

 
Notas


[1] Vide "Machado de Vila Pouca de Aguiar", Porto 2000, do autor deste trabalho.

[2] Vide "Machado de Vila Pouca de Aguiar", Porto 2000, do autor deste trabalho.

[3] Este Domingos de Carvalho devia ser parente de outro Domingos de Carvalho c.c. Catarina Fernandes, que foram pais de Marinha de Carvalho c.c. João Barbosa, sendo estes pais de Luiza Barbosa de Carvalho c.c. Francisco Dias, pais de Veríssimo Dias de Carvalho, natural de S. Salvador de Ribeira de Pena, que a 26.2.1757 teve carta de armas para Dias, Barbosa, Carvalho e Gonçalves. 

[4] Irmão, presumivelmente mais novo, de Rodrigo Rebelo de Gouveia, moço de câmara dos reis D. João III e D. Sebastião, tabelião e escrivão da Câmara e almotaçaria do concelho de Montelongo, escrivão das sisas e órfãos do mesmo concelho, e tabelião do público, judicial e órfãos do couto de Moreira de Rei, tudo em sucessão a seu pai e avô paterno

[5] Pelos muitos serviços de Martinho Vaz de Gouvea, então já falecido, seu filho Pedro de Gouvea recebeu de Dom Manuel I, a 30.4.1520, as saboarias do almoxarifado de Portalegre. Este Pedro de Gouvea deve ter falecido pouco depois, sem geração, pois parece que em 1528 recebeu esta saboarias sua mãe D. Joana de Távora. Martinho Vaz de Gouvea, como se documenta na referida doação de 1520, era filho do licenciado Pedro de Gouvea, fidalgo do Conselho de D. Manuel I, desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação e juiz dos Feitos, etc.

[6] Irmã de Francisco Ferreira e António de Sotto Mayor, que receberam ordens menores em Braga a 22.3.1505, e de Diogo de Souto Mayor, que as recebeu a 8.9.1525, ib.

[7] Vide Ensaio sobre a origem dos Ferreira, do autor deste trabalho. Gomes Ferreira vivia com sua mulher Dona Mayor de Sottomayor em S. Pedro de Ferreira (Paços de Ferreira) quando seus filhos receberam ordens menores - vide nota anterior. Gomes Ferreira, sendo referido como fidalgo da Casa de D. João II e seu porteiro-mor, com sua mulher Dona Mayor de Sottomayor, receberam deste rei, por cartas de 27.9.1487 e 27.10.1490, em vida de ambos, em satisfação dos serviços que ele prestara no reino, em África e na guerra de Castela, as rendas de várias povoações dos almoxarifados de Barcelos e Guimarães, que tinham sido confiscadas ao duque de Bragança. Mais tarde Dom Manuel I quis restitui-las à Casa de Bragança, pelo que logo Gomes Ferreira e sua mulher Dona Mayor delas renunciaram, tendo sido compensados com uma tença anual de 100.000 reais a receber no almoxarifado de Vila do Conde (10.3.1501).

[8] Dona Mayor de Sottomayor, perfeitamente documentada como filha do conde Dom Pedro Álvares de Sottomayor, que a refere no seu testamento, nasceu em 1466 e teve um 1º curto casamento com Diogo de Reinozo, de quem teve pelo menos Fernão Anes de Sottomayor, fidalgo da Casa de D. Manuel I (já o era a 1.9.1514), que casou com D. Maria Dias de Aguiar, c.g. nos Reinozo de Sottomayor.

[9] Vide "Machado de Vila Pouca de Aguiar", Porto 2000, do autor deste trabalho.

[10] Há um Padre Ambrósio Gonçalves, dos Ferreiros, nascido cerca de 1627 e fal. em 1700, que foi muitos anos vigário de Stª Marinha de Ribeira de Pena, tendo antes de se ordenar combatido nas guerras da Restauração. Pela onomástica parece pertencer a esta família, mas não o consigo entroncar na descendência do reitor Domingos Gonçalves, não podendo ser este Ambrósio Gonçalves nem seu filho homónimo. No livro 1 de baptismos de Stª Marinha (1669-1713) tem um texto não assinado (pela letra parece escrito pelo reitor Teodósio de Castro Pereira, que sucedeu a Ambrósio Gonçalves) que diz o seguinte: "Este livro serviu no tempo do Pe Ambrozio Glz Vigrº; e Soldado q tinha sido no alevantamento deste reyno, foy homem demaziado em m.las atte os 73 annos, em q faleceo sem reparo a serem irmãos, ou parentes, os q aqui pos fºs da Pohoa e lhes deu diversos pays he termo falso; porque sam seus filhos e por taes erão avidos, e tidos de toda a gente, e delle mesmo; so Francº e Ilena, e outra mais nova não, nunca foy castigado, antes sabendoo os ministros publicam.te de todo isto passavão nesta materia foy espanto, e nas mandas". Seguem-se as seguintes declarações, também não assinadas (porventura dos restantes clérigos da paróquia): 1) "Tudo o que se acha escrito asima esta aprovado por grandes (...)"; 2) "Sou do mesmo parecer"; 3) "Com tudo me conformo"; 4) "He falço o ut supra escripto, (...) P.es terem filhos só se foi no tempo de soldado e per isso não aja (...)"; 4) "Não me conformo com o supra escripto por ser uma callunia não podia um registo (resto do texto ilegível)". Sejam ou não verdade, as acusações do texto inicial não ficam muito claras. O que se apura sobre o Padre Ambrósio Gonçalves é que em 1669, quando começa o livro, ainda não era vigário ou reitor, sendo então reitor Manuel de Matos de Andrade e coadjutor o Padre João Rodrigues. Só a 5.5.1673 aparece pela 1ª vez o Padre Ambrósio Gonçalves, dos Ferreiros, a fazer um baptismo. E logo em Junho seguinte já se diz vigário desta igreja, mantendo-se coadjutor o Padre João Rodrigues. E Ambrósio Rodrigues mantém-se como vigário de Stª Marinha até 14.7.1700, aparecendo a 27.8.1700 Teodósio de Castro Pereira como reitor. Se bem que em 1697 e no início de 1700 Ambrósio Gonçalves se diga vigário de Santiago de Soutelo de Aguiar, "ora residindo nesta igreja", logo em assentos seguintes já se diz vigário desta igreja. Se de facto morreu com 73 anos, portanto em Julho de 1700, nasceu em 1627, certamente no lugar de Ferreiros.

[11] Por partilhas ou venda ou troca terá ficado com esta quinta, que em 1706 era de seu tio-avô João de Valadares Vieira. Aliás, sua filha herda a quinta do Bom-Regalo, que o dito João de Valadares Vieira  vendeu. O Dr. Caetano Pinto Borges casou com D. Maria Carneiro e foram pais de D. Josefa Margarida de Almeida Carneiro Pinto Guedes, que casou com Rodrigo Teixeira de Miranda Vahia, capitão-mor de Vila Pouca de Aguiar, morgado de Nª Sª da Piedade de Vila Meã de Bornes, com geração.

 

Soltos

Indivíduos dos finais do séc. XVII princípios do XVIII, com prováveis ligações familiares (ainda a investigar), colhidos nas IG (inquirições de Genere) de Braga e outras fontes:

Jerónimo de Souza Machado, filho de António Machado. A 8.7.1716 teve mercê do ofício de tabelião do público, judicial e notas de Ribeira de Pena para seu filho Pedro Borges de Andrade, o qual assumiu o cargo a 1.3.1717. Este provavelmente é antepassado do Manuel Borges de Andrade que a 18.8.1777 assumiu o mesmo cargo.

Ambrósio Gonçalves, n. Stª Marinha, IG de 1.2.1684, filho de Ambrósio Gonçalves e Maria Gonçalves.

António Dias, n. em S. Salvador, IG de 17.4.1691, filho de Pedro Frazão e Catarina Fernandes

Domingos de Meirelles, n. em S. Salvador, IG de 17.4.1691, filho de António Domingues e Marinha Gonçalves.

António da Guerra, tabelião do público e reguengos do concelho de Ribeira de Pena (19.12.1709), irmão de Isabel da Guerra, que a 15.6.1707 teve mercê deste ofício, ambos filhos de António Domingues.

André da Mesquita, n. em S. Salvador, IG de 14.11.1721, filho de Gervásio Borges e Maria da Mesquita. Deste casal foi também filho Francisco Borges, cavaleiro da Ordem de Cristo, que vivia na cidade do Porto quando teve carta de armas a 25.8.1739 para Borges, Mesquita, Gonçalves e Coutinho, onde se diz que era neto paterno de Domingos Gonçalves e sua mulher Maria Borges, morador em Salvador de Ribeira de Pena; e neto materno de António Fernandes Coutinho e de sua mulher Maria Luiz, moradores em Stª Mª de Erneiros.

João Baptista Moutinho, n. em S. Salvador, IG de 11.8.1691, filho de Diogo de Almeida e Páscoa de Miranda

António Martins de Almeida, n. em Cerva, IG de 4.7.1732, filho de António Borges e Maria Martins

Tomaz Martins de Almeida, irmão do anterior, n. ib, IG ib.

João de Araújo, n. em Stª Marinha, IG de 21.3.1732, filho de João de Araújo e Maria Pacheco

João Dias de Carvalho, n. em S. Salvador, IG de 30.1.1713, filho de Gaspar Dias e Maria Gonçalves

Manuel Dias de Carvalho, n. em Stº Aleixo, IG de 2.8.1713, filho de Agostinho Dias e Isabel de Carvalho

Veríssimo Dias de Carvalho, n. em S. Salvador, que a 26.2.1757 teve carta de armas para Dias, Barbosa, Carvalho e Gonçalves, filho de Francisco Dias e de Luiza Barbosa de Carvalho; neto paterno de António Dias e Domingas Fernandes; neto materno de João Barbosa e Marinha de Carvalho, sendo esta filha de Domingos de Carvalho e Catarina Fernandes.

Francisco Lopes de Carvalho, n. em S. Salvador, IG de 1.12.1713, filho de António Gonçalves de Carvalho e Mariana da Cunha

Francisco de Carvalho, n. em S. Salvador, IG de 7.8.1714, filho de Francisco de Carvalho e Ângela Francisca

Manuel Francisco de Carvalho, n. em S. Salvador, IG de 25.3.1719, filho de Manuel Francisco e Maria de Carvalho

Miguel de Carvalho, n. em Stª Marinha, IG de 4.5.1730, filho de Domingos de Carvalho e Ângela Vaz Ferreira, da Granja Velha (b. a 1.9.1709, ib).

Sebastião de Carvalho, n. em S. Salvador, IG de 3.5.1732, filho de Francisco de Carvalho e Maria Borges

Domingos de Carvalho, n. em S. Salvador, IG de 20.11.1733, filho de António Fernandes e Isabel Gonçalves

Francisco José de Carvalho, n. em Salvador, IG de 14.2.1778, filho de Manuel Leitão da Cunha e Mariana de Oliveira.

Gregório Ribeiro Leitão, n. em S. Salvador, IG de 15.7.1732, filho de Gervásio Leitão e Filipa da Costa

Bibliografia e fontes

"Machado de Vila Pouca de Aguiar", Porto 2000, de Manuel Abranches de Soveral

"Souzas de Vila Pouca de Aguiar" de Francisco Canavarro de Valladares (Ribeira de Pena), in Archivo Nobiliarchico Portuguez, 1919.

"Famílias de Chaves", de Luiz de Mello Vaz de São Payo, in Raízes e Memórias.

"Sottomayor Mui Nobre", 1999, de Luiz de Mello Vaz de São Payo.

"Memórias Ressuscitadas da Província de Entre Douro e Minho", 1726, de Francisco Xavier da Serra Craesbeeck.

Anuário da Nobreza de Portugal - Carvalho e Almeida.

Genealogias manuscritas.

Arquivos Distritais de Vila Real e Braga.

Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

 
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