Biografias

 

 

 

 

Capa do 1º número da revista "Rabiscos"

 

Dr. Ramiro de Soveral Soares de Albergaria

(1886-1950)

Eminente advogado nos distritos de Viseu e Coimbra, ensaísta, várias vezes provedor da Santa Casa da Misericórdia de Viseu, etc., nasceu a 21 de Janeiro de 1886 em Cabanas de Viriato (Carregal do Sal - Viseu) e faleceu a 3 de Outubro de 1950 na cidade de Viseu, onde viveu quer na sua casa do Soar quer na sua quinta de Rio de Loba.

Bacharel (1912, com 16 valores) formado (1913, com 17 valores) em Direito pela Universidade de Coimbra, foi talvez o maior especialista português do seu tempo em Direito de águas, no que sucedeu a seu tio materno o Prof. Doutor António José Teixeira de Abreu, ministro da Justiça de D. Carlos, e a seu avô materno, o Dr. José Soares de Brito e Albergaria Cabral, também eles os principais especialistas do seu tempo nessa área.

Ocupou alguns anos o cargo de provedor da Santa Casa da Misericórdia de Viseu, foi presidente da Junta Monárquica deste distrito e opositor do regime, o que o afastou, por vontade própria, de todos os cargos públicos e políticos.

Articulista e ensaísta, com inúmeros artigos nos jornais e revistas da região, nomeadamente no "Renascimento", publicou várias obras jurídicas, entre elas: «O conluio entre licitantes», Viseu 1941; «Um caso de embargos de terceiro a uma execução hipotecária», Viseu 1939, e «Uma Questão de Águas», Viseu 1938.

Entre 1908 e 1909, ainda estudante universitário, fundou em Viseu e dirigiu a revista literária "Rabiscos", de que se publicaram seis números. Foram redactores desta publicação Tristão Ferreira de Almeida (engenheiro que veio a ser presidente da Câmara de Viseu), Jacinto Rodrigues, Valentim Marques (advogado, que veio a ser administrador do concelho de Viseu com Sidónio Pais) e Carlos de Lemos e Sousa.

Juntamente com Alexandre de Lucena e Vale, José Coelho, Albano de Almeida Coutinho, Aquilino Ribeiro, Henrique de Mello e Lemos e seu cunhado Silvério de Abranches, entre outros, foi um dos sócios fundadores do Instituto Cultural da Beira, criado em Viseu a 3 de Agosto de 1949.

Sobre ele disse a Imprensa local, quando da sua morte, que foi uma «das figuras mais destacadas da Beira».

«Ás altas qualidades de carácter e de inteligência - escreveu o "Diário de Viseu" -, juntava o Sr. Dr. Ramiro de Soveral uma fidalguia de trato, uma correcção e uma lealdade já hoje, infelizmente, bem raras. Verdadeiro fidalgo, pelos pergaminhos do sangue e pelos primores de uma educação e de uma formação social superiores, o Sr. Dr. Ramiro de Soveral podia criar adversários neste ou naquele sector da sua actividade, mas seria impossível criar um inimigo, tão alto se erguia a sua figura moral e o seu nobre caracter de homem bom e de servidor lealíssimo e devotado de uma Ideia. Foi durante muitos anos Presidente da Junta local da Causa Monárquica e manteve sempre a mais completa fidelidade à Casa de Bragança e à memória dos seus Reis.»

O jornal "Renascimento" traçou-lhe o perfil: «Advogado distintíssimo, foi grande entre os maiores e cedo se revelou uma autoridade no fôro, com grande prestígio entre os colegas e magistrados. Homem de espírito requintado, dava gosto ouvi-lo na roda de amigos, com as suas graças por vezes irónicas e causticas, mas sempre a tempo. Orador fluente, brilhava pela perfeição das suas deduções e pela análise exacta dos factos, sabendo prender a curiosidade dos auditórios. Homem duma só fé... É um estribilho que se ouve com frequência mas que se adapta perfeitamente ao saudoso extinto. As suas ideias monárquicas afastaram-no das lides políticas, mas foi sempre o mesmo. Viveu da sua profissão e para a família, honrando uma e outra. Foi honesto em todos os seus actos e modesto nos seus proventos. Amigo leal e bom conselheiro, quantos e quantos se abeiraram das suas nobres qualidades!... O próprio "Renascimento", além de arquivar uma já vasta colecção de primorosos artigos da sua autoria, soube escutar e seguir o caminho por ele indicado em muitos dos momentos difíceis que atravessou. O Dr. Ramiro de Soveral, mesmo dentro da sua teimosa modéstia, foi um dos maiores valores que passou pela nossa terra

Era filho do Dr. Eduardo de Soveral Tavares e de sua mulher e prima D. Júlia Soares de Albergaria Paes e Mello.

Casou em Viseu com sua parente D. Cristiana Maria de Abranches de Lemos e Souza de Menezes, aí nascida a 20 de Dezembro de 1888 e falecida a 27 de Outubro de 1974, filha do General Eng. Silvério de Abranches de Lemos e Menezes.

 

Dr. Ramiro de Soveral pouco antes de morrer

Dr. Ramiro de Soveral quando estudava na Universidade de Coimbra

 

 

D. Cristiana Maria de Abranches de Lemos e Souza de Menezes

D. Cristiana Maria de Abranches de Lemos e Souza de Menezes

 

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