regresso à bibliografia

 Manuel Abranches de Soveral

 

 

 

Pinto, Moura Coutinho e Carvalho 

de Santa Marinha de Zêzere (Baião)

Subsídios para a sua Genealogia

 

 

1.           Pedro Aires Pinto, fidalgo, n. cerca de 1441, filho Aires Pinto, senhor da quintã da Torre da Lagariça, na freguesia de S. Cipriano (Resende), e de muitos bens na região de Riba de Bestança, que em geral lhe vinham dos Fonseca, e de sua mulher Cecília de Faria, filha de Frei Sebastião de Faria, cavaleiro da Ordem de S. João (Malta). Aparecem documentados nesta época pelo menos três indivíduos chamados Aires Pinto, pelo que é difícil saber quem é quem. Este Aires Pinto, nascido cerca de 1410, parece ser o que a 15.8.1454 teve carta de privilégio de fidalgo para o Entre-Douro-e-Minho e para a Beira, sendo então dito morador na cidade do Porto. E o que, com Gomes Pinto, provavelmente seu irmão ou primo, teve forte querela com terceiros, de que resultaram três cartas de perdão para três indivíduos moradores no termo de Felgueiras entre 1441 e 1451. E ainda o Aires Pinto que foi implicado na

Pedra de armas da torre da Lagariça.

É curiosa a colocação de estrelas no campo, que terá sido uma diferença nas armas deste ramo, evocando a origem Fonseca. Esta pedra deve ter sido colocada na torre na 2ª metade do séc. XV por Aires Pinto, pai do Pedro Aires Pinto em epígrafe. Esta torre não ficou para este Pedro Aires mas sim para sua irmã Briolanja Pinto ou directamente para o filho desta, João Pinto, que aí vivia quando a 27.6.1538 teve carta de armas de Pinto com uma brica de verde carregada com um J. Não terá sido portanto este João a colocar a pedra, que nesse caso seria a da carta de armas. Possivelmente foi justamente por ter herdado a torre que João Pinto pediu armas de Pinto, talvez mesmo com a diferença das estrelas usada pelo avô materno, o que pelos vistos não lhe foi concedido, levando mesmo a brica correspondente à quebra de varonia.

conspiração contra D. João II, do que teve sentença a 30.8.1485 (G. II, 2, 32). O Aires Pinto pai de Pedro Aires era filho de Gonçalo Vaz Pinto, nascido cerca de 1375 e falecido antes de 9.7.1438, que terá sido quem fez a torre da Lagariça, em S. Cipriano. Era senhor da torre de Angra, em Aregos, e da honra de Loivos, em Baião (não é, portanto, o Gonçalo Pinto, "homem fidalgo", escudeiro e vassalo d'el rei, que a 2.1.1443 teve de D. Afonso V carta de seu apaniguado e a 24.6.1443 numa tença anual de 4.286 reais) e de sua mulher e prima Briolanja Pinto, senhora da quintã e honra de Nogueira, em S. Cipriano, filha de João Aires, vassalo de D. João I e morador em Armamar quando sua mulher foi legitimada, e de sua mulher Aldonça Rodrigues de Galafura, legitimada por carta real de 29.5.1415 (CJI, 3, 152v), como filha de Gonçalo Rodrigues de Galafura, abade de S. Martinho de Valdigem, e de Estevaínha Martins, mulher solteira. Esta Aldonça pôde assim herdar a quintã e honra de Nogueira, em S. Cipriano (apesar de ter um meio-irmão de pai, que não terá tido geração, chamado Gonçalo Rodrigues, legitimado por carta real de 15.6.1413, havido em Leonor Vasques, que terá ficado com a honra de Jazente, em Amarante), que nas inquirições de 1288 se documenta que era do cavaleiro Rui Martins de Galafura, aparentemente seu avô, apesar da dilatada cronologia. O antedito João Aires seria filho de Aires Pires e sua mulher Guiomar Pinto, provável filha do Vasco (Martins) Pinto referido adiante. Gonçalo Vaz Pinto e sua mulher e prima Briolanja Pinto é que terão mandado erguer a torre da Lagariça na honra e quintã de Nogueira, em S. Cipriano, no início do séc. XV. Sendo certo que esta torre não existia nas inquirições de 1288, que a ela não fazem referência, mas apenas à honra e quinta de Nogueira de Rui Martins Galafura. Embora existisse já o lugar da Lagariça, pois um dos lavradores que testemunham na freguesia de S. Cipriano é referido como "Pero Perez da Laguariça". Sendo de referir que muito provavelmente Gonçalo Vaz Pinto já teria bens na Lagariça, uma vez que julgo que sua avó materna era filha de um Martim de Novaes a quem D. Pedro I aforou uma herdade na Lagariça, no julgado de Aregos. Voltando ao Gonçalo Vaz Pinto marido de sua prima Briolanja Pinto, é o que terá tido, segundo as genealogias tardias, a alcunha de Solardo ou Salordo, e não seu pai, que também aparece documentado como Gonçalo Vaz Calado, que seria a sua alcunha. Com efeito, o Gonçalo Vaz Pinto nascido cerca de 1380/5 era filho de outro Gonçalo Vaz Pinto "Calado", nascido cerca de 1339 e falecido depois de 1393, senhor do lugar de Mesão Frio (Inquirições de D. Afonso IV) ou honra de Vila Marim, da honra e quintã de Loivos, em Stª Maria Madalena (Baião), co-herdeiro da torre da Chã (prazo que estes Pinto tinham em Ferreiros de Tendais), que foi alcaide-mor de Lamego em sucessão de seu sogro, etc., e de sua mulher Leonor Afonso da Fonseca, herdeira da antedita torre de Angra, em Aregos, e de muitos bens nesta região, onde a sua família era dominante. As inquirições de 1288 no julgado de Aregos não referem a torre de Angra, que portanto ainda não existiria, mas referem a quintã honrada que aí tinha o escudeiro Pedro Martins, muito possivelmente irmão de Maria Martins de Medas casada com Vasco Mendes da Fonseca, trisavós de Leonor Afonso da Fonseca. Esta Leonor Afonso, nascida cerca de 1360, era filha de Afonso Mendes da Fonseca, alcaide-mor de Lamego, nascido cerca de 1336, sendo este filho de Mem Rodrigues da Fonseca, "miles" (cavaleiro e fidalgo), que em 1342 era co-senhor da honra e paço de Fonseca, em S. Martinho de Mouros, em 1355 consta do testamento de seu pai e em 1357 já estava casado com Constança Gil Peixoto, certamente sua 2ª mulher. A 4.3.1364 D. Pedro I julgou uma questão, segunda a qual as inquirições tinham apurado que "no senhorio e honrra e tomadia de quintaãs dos loyuos que estam no concelho de boyam, freguesia de sancta maria madanella que som de gonçallo uasquez pinto scudeyro de linhagem", o dom abade de Serzeda e os moradores diziam que o dito Gonçalo Vaz Pinto não devia ter a dita honra nem senhorio e tomadia, dizendo este que sempre seus antecessores "padre e auoos e bisauoos ouuerom o senhorio e honrra e tomadia de Roupa e palhas e galinhas e heruas e carnes", o que o inquiridores apuraram ser verdade, determinando o rei que "o dicto senhorio e honrra e tomadia das dictas qujntaãs e freguesia de sancta Maria madanella perteencem aas dictas qujntaãs e ao dicto gonçallo Vasquez". E a 20.1.1393 D. João I privilegiou "gonçallo uaasquez calado caualeyro nosso uassalo" para que na "sua honrra dos loyuoos que he no Julgado de bayom freguesia de sancta Maria madanella" os homens daí sejam escusados de serem mobilizados para a guerra ou outros serviços. Nas inquirições de 1288 aparece Vasco Pinto (avô paterno deste Gonçalo Vaz Pinto) como tendo casa no lugar do Outeiro, na freguesia de S. João de Grilo, no julgado de Baião, com quintã e honra de 13 casais, que tudo fora de D. Pedro Ponço, ou seja, de D. Pedro Ponces de Baião que casou com D. Sancha Rodrigues de Briteiros, sem geração. Também na freguesia de Santa Maria de Frende, no mesmo julgado de Baião, Vasco Pinto tinha a quintã e honra de Frende, de apenas um casal, não sendo contudo referido na limitrofe freguesia de Loivos. Contudo, tendo em conta o que diz a antedita carta do rei D. Pedro I, os 10 casais que as inquirições em Loivos dizem que são de fidalgos, sem os nomear, certamente pertenciam, pelo menos boa parte deles, a Vasco Pinto e seriam contíguos ao antedito casal de Frende. Com o tempo, como a maioria dos casais ficava em Loivos, a honra passou a chamar-se de Loivos em vez de Frende, como é dita em 1288. Aquele último Gonçalo Vaz Pinto era filho de Aires Vaz Pinto, nascido cerca 1302, senhor da dita honra e quintã de Loivos (ou de Frende, como ficou dito). Dizem as genealogias que casou com Constança Rodrigues, senhora da quintã de Vila Marim (Mesão Frio) ou lugar de Mesão Frio e padroeira do mosteiro de S. Nicolau de Mesão Frio, que as genealogias dizem filha de Rui Gonçalves Pereira e sua mulher Beringeira Nunes Barreto. Mas a Constança Rodrigues Pereira, filha destes, é referida com seus irmãos em 1365 como natural do mosteiro de Grijó, portanto ainda solteira. E seu pai Rui Gonçalves Pereira foi legitimado por carta real de 8.8.1312. Este casamento não é, portanto, cronologicamente possível. Mas, como seu filho aparece como senhor do lugar de Mesão Frio, Aires Vaz Pinto deve de facto ter casado com uma Constança Rodrigues (não a Pereira), senhora da quintã de Vila Marim (Mesão Frio) e padroeira do mosteiro de S. Nicolau de Mesão Frio. As inquirições de 1288 referem a honra de Vila Marim, que foi de D. João Ranha (D. João Viegas de Baião) e era então dos filhos de Lopo Gato e que em Mesão Frio tinha casa Leonor Afonso Gato. Aquele Lopo Afonso Gato, falecido antes de 1279, casou com D. Sancha Pires de Gondar, filha de D. Pedro Lourenço, adiante referido. Aquela Constança Rodrigues, nascida cerca de 1320, podia ser bisneta deles. Seu marido Aires Vaz Pinto era filho do antedito Vasco (Martins) Pinto, nascido cerca de 1268, que o conde D. Pedro, referindo-se a Egas Mendes de Gondar, diz que dele descendem, além dos Rego e dos Picanço, "Vaasco Pimto de rriba de Bestamça e seus irmãaos". É certamente o que se documenta a 26.7.1307 como "Vasco Martins Pinto cavaleiro" quando testemunhou no mosteiro de Tarouquela. Teve aforada pelo rei a quintã da torre da Chã, como garantem todas as genealogias, sendo pelo menos certo que seu filho (ou neto) Rui Vaz Pinto a possuía, uma vez que o filho deste, Vasco Rodrigues Pinto, chamado o de Ceuta por se achar na tomada desta praça em 1415, vassalo de D. João I, pelos serviços que em Ceuta prestou e pelos que seu pai já tinha prestado, teve deste rei mercê a 13.3.1423 de haver por livre a quintã da torre da Chã, da qual até então pagavam foro à coroa. Vasco (Martins) Pinto em 1300 aforou a quintã do Crasto, em Cinfães, ao mosteiro de Tarouquela, como se diz na confirmação que a abadessa D. Aldonça Martins de Resende faz a seu filho Estêvão Vaz Pinto. Também em 1300 tinha aforada pelo rei a quintã de Covelas, em Ferreiros de Tendais, quintã que a 8.1.1385 D. João I tornou livre a seu neto Gonçalo Esteves Pinto, escudeiro, que então tinha o dito prazo. Teve também o padroado da igreja de Stº Estêvão de Regadas, na freguesia de Celorico de Basto (hoje no concelho de Fafe), como se documenta na doação de sua filha Inez Vaz. É ainda o Vasco Martins, dito Pinto, que em 1285 (teria 17 anos) fez uma composição com sua tia Tereza Martins de partilhas de Lagoa da herança de Martim Gonçalves e sua mulher D. Maria (cópia do Cartório da Casa de Balsemão), e o que, com sua mulher Guiomar Afonso, em 1292 outorgou um contracto de composição com Aires Pires e sua mulher D. Guiomar, e com Lourenço Esteves e sua mulher Constança Lourenço (ib). Aquele Martim Gonçalves e sua mulher D. Maria são certamente os seus avós, portanto pais de sua tia Tereza Martins e de seu pai, um virtual Martim Martins. Aquela D. Guiomar (casada com Aires Pires) e aquele Lourenço Esteves (casado com Constança Lourenço) devem ser irmãos, filhos de Estêvão Gonçalves, irmão do antedito Martim Gonçalves. Estes Estêvão e Martim Gonçalves seriam ainda irmãos de Soeiro Gonçalves, todos filhos de Gonçalo Rodrigues, netos de Rui Viegas e bisnetos de Egas Mendes de Gondar. Muito provavelmente Vasco Pinto teve também a honra e quintã de Tabuado, actualmente no concelho do Marco. Nas inquirições de 1288, diz-se que a freguesia de S. Salvador de Tavoado, no julgado de Gestaçõ e Gouveia, era couto da igreja. Neste julgado ficava a freguesia de Santa Maria de Gondar, onde estava a quintã e honra de Gondar, que as inquirições dizem que fora de D. Pedro Lourenço (de Gondar), sobrinho do antedito Egas Mendes de Gondar. E a linhagem dos de Gondar são os principais proprietários no julgado de Gestaçõ e Gouveia. Quer o antedito D. Pedro Lourenço quer sua prima D. Toda Lourenço e seu primo Gomes Fernandes e seus filhos Rui Gomes e Aires Gomes, todos da linhagem dos de Gondar. Ora, nas mesmas inquirições, é referido o fidalgo Estêvão Freriz, que tinha o casal honrado de Freriz na freguesia de S. Salvador de Lufrei, onde D. Toda Lourenço tinha a quintã de Mouri, e na mesma freguesia dizem que os filhos dos fidalgos Gonçalo Travanca e João Esteves defendem por honra seis casais da dita freguesia, um de Lousada e outro de Arães, "porque dizem que forom de sa avoenga". E na freguesia de Santo André de Várzea de Ovelha, limítrofe da de Taboado, a quintã honrada de Marcelhi era dos filhos de Gonçalo Travanca. E na freguesia de Santo Estêvão de Vila Chã Gomes Fernandes (de Gondar) tinha tido uma quintã honrada que então era de seu filho Rui Gomes, sendo que nesta freguesia havia quatro casais que os filhos de Gonçalo Travanca e o dito Rui Gomes defendiam por honra. Parece-me, por tudo isto, que este Gonçalo Travanca, assim chamado certamente por ter casa honrada num lugar deste nome, era da linhagem dos de Gondar e muito provavelmente o antedito Gonçalo Rodrigues que identifiquei como bisavô paterno de Vasco Pinto. Gonçalo Rodrigues, assim dito Travanca, terá nascido cerca de 1195 e seria neto de Egas Mendes de Gondar, sendo portanto da geração de Rui Gomes, Aires Gomes e D. Toda Lourenço. Seu seu pai, o virtual Rui Viegas, seria primo-direito de D. Pedro Lourenço e de Gomes Fernandes. Tendo Gonçalo (Rodrigues) Travanca nascido cerca de 1195, é natural que em 1288 ainda fossem vivos alguns dos seus filhos, que atrás referi como sendo Martim Gonçalves, casado com D. Maria (avós de Vasco Pinto), Soeiro Gonçalves e Estêvão Gonçalves, pai de Lourenço Esteves. Como também já ficou dito, em 1285, teria Vasco Pinto 17 anos, já seu avô Martim Gonçalves tinha falecido e, dada a natureza do documento de partilha, também seu pai o virtual Martim Martins, que assim teria falecido antes do respectivo pai. Portanto, os filhos de Gonçalo Travanca referidos nas inquirições de 1288 eram os restantes, ou seja, Soeiro Gonçalves e Estêvão Gonçalves, sendo que este terá falecido em 1292. Aliás, este Estêvão Gonçalves deve ser o antedito Estêvão Freriz, que tinha o casal honrado de Freriz na freguesia de S. Salvador de Lufrei. Se bem que, ainda na antedita freguesia de S. Salvador de Lufrei, as inquirições digam que, no lugar chamado Vila Nova, os filhos do fidalgo Gonçalo Freriz e os netos do fidalgo Mem Gomes defendiam por honra 4 casais nessa freguesia e dois em Vila Cova, que tinham sido de seus antepassados. Julgo, contudo, que Gonçalo Freriz e Gonçalo Travanca são a mesma pessoa, ou seja, Gonçalo Rodrigues de Gondar, não sendo raro nas inquirições a mesma pessoa aparecer com chamadouros diferentes, já que estes nomes derivavam do nome das casas e eram informais. Convém ainda referir que não se pode confundir, o que além do mais seria anacrónico, Vasco (Martins) Pinto com Vasco Martins Leitão, que refiro no meu estudo Leitão. Linha ascendente dos senhores do paço da Torre de Figueiredo das Donas, filho legitimado (carta real de 6.6.1338, teria 8 anos de idade) do 3º mestre da Ordem de Cristo (1327-1335) D. Martim Gonçalves Leitão. Esta confusão pode resultar do facto de Gonçalo Lourenço (de Gomide), 1º senhor de Vila Verde dos Francos (24.4.1396), fidalgo do Conselho e escrivão da puridade de D. João I (antes de 1390), etc., que a 17.12.1390 teve deste rei confirmação da coutada da sua quintã de Pero Vermoiz e do montado de Val de Francas, que lhe pertencia, tudo no termo de Cadaval, que "forom sempre coutados onrrados em tempo de vaasco mjz pinto caualeyro". Ora, Gonçalo Lourenço (de Gomide) casou antes de 22.1.1387 com Inez Leitão, que as genealogias dizem filha do antedito Vasco Martins Leitão, mas que se documenta filha de Estêvão Leitão, certamente irmão (não legitimado) deste Vasco Martins Leitão. O texto da confirmação de D. João I não aponta para que o cavaleiro Vasco Martins Pinto que tinha a quinta no termo de Cadaval fosse o Vasco Martins Pinto que viveu na longínqua Riba de Bestança um século antes, mas sim para um indivíduo bem mais próximo no tempo e no espaço, anterior proprietário da quintã. Mas este pode bem ser um neto do Vasco Martins Pinto original, e ser avô materno de Inez Leitão, tanto mais que não se sabe com quem casou seu pai Estêvão Leitão. Esta hipótese, de resto, pode encontrar algum fundamento no facto de Gonçalo Lourenço (de Gomide) e sua mulher Inez Leitão trocarem a 11.4.1396 esta quintã do termo do Cadaval pelo senhorio de Vila Verde dos Francos com Violante Vasques (casada com Afonso Rodrigues Alardo), que aí se diz prima co-irmã de Estêvão Leitão, pai dela, Inez Leitão. Voltando ao original Vasco Martins Pinto, como se viu casou, cerca de 1292, com uma Guiomar Afonso, e não com Urraca Rodrigues de Souza, como dizem as genealogias tardias, o que já era muito de duvidar, pois esta Urraca Rodrigues de Souza era dita filha de Rui Vaz de Souza, senhor de Panoias. Ora, Rui Vaz nasceu o mais tardar em 1200, e provavelmente nasceu antes, e apenas se lhe conhece uma filha, Tereza Rodrigues de Souza, casada com Estêvão Rodrigues da Fonseca. Este Estêvão Rodrigues era filho (2º, ao que parece) de Rui Mendes da Fonseca, que ainda vivia em 1289, e neto paterno de Mem Gonçalves da Fonseca, que vivia casado com sua 1ª mulher em 1229 e depois disso ainda casou uma 2ª vez. Tudo considerado, Rui Mendes deve ter nascido cerca de 1210/20 e seu filho Estêvão Rodrigues cerca de 1235/45. Podia portanto, perfeitamente, ter casado com uma filha de Rui Vaz de Souza. Já Vasco Pinto, nascido cerca de 1268, não era crível que fosse cunhado de Estêvão Rodrigues. Como ficou dito, Vasco (Martins) Pinto teve casa e honras no julgado de Baião, sendo que pelo menos algumas delas tinham sido de D. Pedro Ponces de Baião, poderoso rico-homen que faleceu sem geração em 1283. Como Vasco Pinto entrou na posse deste bens da herança de D. Pedro Ponces? A compra seria a resposta mais evidente, mas nas inquirições, feitas poucos anos após a morte de D. Pedro, essa compra não é referida. Poderia Vasco Pinto ainda ser parente de D. Pedro Ponce e, de alguma forma, participar na sua vasta herança? Nas inquirições de 1288 verifica-se que os principais proprietários no julgado de Baião tinham sido, como é natural, D. Lopo Afonso de Baião, senhor e governador (1205-20) de Baião, e seu sobrinho D. Pedro Ponces de Baião, e que então era Lourenço Soares (de Valadares), sobrinho materno deste D. Pedro. Caso os bens que aí tinha Vasco Pinto viessem da herança de D. Pedro Ponces, como parece, dado pelo menos que a honra do Outeiro lhe pertencia cinco anos antes, que parentesco teriam? Os avós de Vasco Pinto são aproximadamente da geração de D. Pedro Ponces. Poderia a avó paterna de Vasco Pinto, a antedita D. Maria, nascida lá para 1220 e falecida antes de 1285, ser co-irmã (prima-direita) de D. Pedro Ponces, por parte de sua mãe? Ou seja: ser neta paterna de D. Pedro Fernandes de Bragançãos? Neste caso, na terminologia da época, Vasco Pinto seria "sobrinho" de D. Pedro. Esta possibilidade é aliciente, pois vinha explicar a heráldica dos Pinto, que é igual à dos Bragançãos, mudando apenas a cor e o esmalte! Voltando finalmente ao Pedro Aires Pinto em epígrafe, casou cerca de 1462 com sua parente Clara da Fonseca Coutinho, que era tia de D. Jorge Osório, o célebre humanista e teólogo que foi bispo do Algarve (1564-80), filho de seu irmão João Osório da Fonseca, ouvidor-geral da Índia, bem assim como irmã de D. Osório da Fonseca, prior do mosteiro de Folques (Arganil), cargo que já exercia quando tirou ordens de subdiácono em 1482; de Joana da Fonseca Osório, casada com Luiz de Carvalho, morgado de Cepões (Lamego); e de Diogo Osório da Fonseca, almoxarife da Guarda, que a 16.1.1529 tirou carta de armas para Fonseca, com uma merleta vermelha por diferença. Este Diogo aparece nesta carta de armas como Diogo dosouro da Fonseca e na documentação da chancelaria apenas como diogo dosouro ou dosoiro. A 11.7.1497 Diogo dosouro, cavaleiro da Casa Real, foi nomeado juiz dos órfãos da Guarda, cargo que fora dado a Fernão de Pina, que o trespassou na irmã para ser servido pelo cunhado, transacção feita com o consentimento dos oficiais do concelho (CMI, 30, 44v). A 24.11.1500 Diogo dosoiro, cavaleiro da Casa Real, teve mercê do oficio de almoxarife do almoxarifado da Guarda (ib, 12, 57), documentando-se neste cargo até pelo menos 1521. Na carta de armas não é referida a sua ascendência, nem sequer a sua filiação, dando-se a entender que descendia por varonia da linhagem dos Fonseca ("prova dessender por linha direita dos da fonsequa") e recebendo consequentemente apenas uma diferença e não uma brica, como teria se as armas lhe viessem por via feminina. Contudo, como veremos adiante, Diogo Osório era Fonseca pela avó paterna. Restando saber se o uso de dosouro era o patronímico correcto ou já uma apropriação do nome usado então em Portugal por uma outra família, com origens distintas, que assinava justamente de Osouro (ou de Osoiro), na qual pontificava então D. João Lopes de Osouro (geralmente dito de Ozorio), comendatário de Paço de Sousa (5.11.1484). A dúvida é pertinente, porque o pai de Diogo Osório documenta-se coevamente como Alvaro Osoriz. Mas o avô documenta-se, também coevamente, como Dosoiro Diaz. Assim sendo, o patronímico seria Dosoiro ou Dosouro, em rigor Dosoiriz ou Dosouriz. Ao contrário do que efabularam as genealogias tardias (e ao contrário do que provavelmente acontece com os do antedito D. João Lopes de Ozorio), estes Osório não têm a origem ilustre que lhe atribuem. O nome começa justamente com o patronímico daquele Dosoiro Diaz, considerado pelas genealogias como senhor de Figueiró da Granja (Algôdres) e de Stª Eufémia da Matança e Vieiro (Pinhel), as quais acrescentam que foi alcaide-mor de Trancoso, cargo que na verdade pertenceu a Gonçalo Vasques Coutinho e depois a seu filho o 1º conde de Marialva. O certo é que Dosoiro Diaz viveu em Trancoso e foi coudel de Figueiró da Granja. Com efeito, a 7.10.1455 D. Afonso V nomeou por 5 anos Dosoiro Diaz, morador em Trancoso, para o cargo de coudel de Figueiró da Granja, por o cargo se encontrar vago (CAV, 15, 130v). Esta nomeação, teria ele já quase 60 anos, impede que tivesse aqueles senhorios. Embora pudesse ter sido alcaide por delegação de Gonçalo Vasques Coutinho, tio de sua mulher, Beatriz da Fonseca, com quem casou cerca de 1429, ou já por seu filho o 1º conde de Marialva. De resto, naquela nomeação Dosoiro Diaz não é referido sequer como escudeiro e não poderia ser pessoa de estatuto elevado, pois de outra forma, em princípio, não teria sido nomeado coudel. Com efeito, nas Cortes de Santarém de 1451 ficou determinado que cavaleiros e "pessoas poderosas" não pudessem ser coudel, cargo que passou a ficar oficialmente reservado a cidadãos e escudeiros das cidades, vilas e lugares em que eram nomeados, tendo-se então assistido à substituição de muitos coudeis por essa mesma razão. Isto, embora esta determinação ou não foi cumprida com rigor ou levou muito tempo a implementar, pois mais de 20 anos depois documentam-se nomeações para coudel de indivíduos que na própria nomeação são ditos cavaleiros e até alcaides (mas das sacas). O certo é que o estatuto de Osório Dias não passava de um escudeiro local, podendo ter as quintãs de Figueiró da Granja de Stª Eufémia de Matança, mas não o senhorio destas terras. O estatuto da sua descendência deve-se sobretudo à mulher, Beatriz da Fonseca. Descendência essa que, aliás, usou o nome Fonseca/Coutinho e respectivas armas, não tendo Dosoiro Diaz nenhuma heráldica, a avaliar pelas cartas de armas dos descendentes. Clara da Fonseca Coutinho e seus anteditos irmãos eram filhos do já referido Álvaro Osório (da Fonseca), escudeiro da Casa de D. Afonso V, que terá sucedido a seu pai nas quintãs de Figueiró da Granja e Stª Eufémia da Matança, e de sua mulher Beatriz Monteiro. A 10.2.1460 D. Afonso V privilegiou Álvaro Osoriz, escudeiro da sua Casa, morador em Coja, e sua sogra, isentando-os do direito de pousada nas suas casas de Arganil, sob pena do pagamento de 6.000 soldos de encoutos. E a 10.5.1497 o arcebispo D. Jorge da Costa fez a Álvaro Osoriz o prazo de três vidas de metade do casal da quinta que trazia João Gonçalves. Aquela Beatriz Monteiro era sobrinha de D. João Monteiro, pior do mosteiro de Folques, a quem sucedeu o já referido sobrinho-neto D. Osório da Fonseca. Álvaro Osório (da Fonseca) era filho do antedito Dosoiro Diaz e de sua mulher Beatriz da Fonseca, nascida cerca de 1412, filha de Afonso Vaz da Fonseca e sua mulher Maria Lopes (Pacheco). Este Afonso Vaz da Fonseca, que algumas genealogias teimam em considerar legítimo, era um filho bastardo de Vasco Fernandes Coutinho, 1º senhor de Marialva, senhor do couto de Leomil (13.3.1372), senhor de juro e herdade de Penela (6.3.1372), rico-homem, marechal-mor e meirinho-mor do reino (25.9.1362) e da Beira (30.6.1377), alcaide-mor de Évora (28.2.1367), Caria, Nomães, Penedono, Ferreiros de Tendais e Foz Côa (13.4.1373), etc. Em 1378 Vasco Fernandes Coutinho deixou este seu filho Afonso Vaz ou Vasques, teria ele 2 ou 3 anos de idade, a criar com seu filho mais velho Gonçalo Vasques Coutinho, então já com cerca de 21 anos. Este simples facto demonstra que Afonso Vaz da Fonseca era bastardo, pois de outra forma teria ficado com a mãe, D. Beatriz Gonçalves de Moura, uma mulher de armas que sobreviveu muitos anos ao marido. Diz a carta de arma de um seu bisneto que este Afonso Vaz da Fonseca foi alcaide-mor de Marialva, Moreira e Sabugal. Mais uma vez, terá é tido estes castelos por delegação de seu meio-irmão o antedito Gonçalo Vasques Coutinho, sendo certo que Gonçalo da Fonseca, seu filho, se documenta como escudeiro do conde de Marialva e por ele alcaide de Marialva, bem assim como coudel de Longroiva, Muxagata, Vila Nova de Foz Côa e Meda (22.5.1459). E outro seu filho, Diogo da Fonseca, em 1471 pediu a D. Francisco Coutinho, 4º conde de Marialva, a alcaidaria dos castelos de Marialva e Moreira, por morte do antedito Gonçalo da Fonseca. Isto tem levado as genealogias a considerar este Diogo filho do dito Gonçalo da Fonseca. Mas a referida carta de armas (4.7.1547) de seu neto homónimo diz que aquele Diogo da Fonseca era filho de Afonso Vaz da Fonseca. Portanto, estes Gonçalo e Diogo eram irmãos. É curioso como diferem no timbre as cartas de armas dadas a estes Fonsecas/Coutinhos, quer aos descendentes de Afonso Vaz quer aos descendentes de seu meio-irmão Gonçalo da Fonseca, também filho ilegítimo, mas muito mais velho, havido antes do casamento do pai. O referido bisneto de Afonso Vaz, Diogo da Fonseca, teve em 1547 uma carta de armas para Fonseca, com uma flor de lis verde por diferença e meio touro vermelho armado de prata com urna estrela de ouro na testa como timbre. Seu primo Diogo Osório da Fonseca, também bisneto de Afonso Vaz, como ficou dito teve a 16.1.1529 uma carta de armas para Fonseca, com uma merleta vermelha por diferença, também com o mesmo timbre de meio touro vermelho armado de prata com urna estrela de ouro na testa. Já um bisneto de Gonçalo da Fonseca, como direi adiante, teve em 1514 uma carta de armas para Fonseca, plena sem diferença, e um meio corpo de homem com uma maça nas mãos, armado de branco, como timbre. Sendo de recordar que o timbre clássico dos Fonseca é um touro passante de vermelho armado de prata e carregado na espádua com uma estrela de ouro. Voltando a Dosoiro Diaz e sua mulher Beatriz da Fonseca, tiveram vários outros filhos, entre eles um Diogo Osório, que Alão diz que "foi morto à traição por um amigo fingido e que seus filhos se saíram do reino, em busca do matador", não lhe indicando mulher nem lhe nomeando os ditos filhos. Já Gaio, diz que "alguns dizem" que este Diogo Osório foi pai do antedito Diogo da Fonseca que tirou carta de armas em 1547, e que este era irmão da Aldonça Rodrigues da Fonseca casada com o morgado de Balsemão Álvaro Gonçalves Pinto, Aldonça essa que portanto também seria filha de Diogo Osório. Se Gaio tivesse visto a carta de armas, logo saberia que o Diogo da Fonseca em questão se declara aí cavaleiro fidalgo da Casa Real, morador em Alhandra, filho de Gaspar da Fonseca, neto de Diogo da Fonseca e bisneto de Afonso Vaz da Fonseca. E se pensasse um bocadinho logo suspeitaria que Diogo Osório não teria uma filha com o patronímico Rodrigues. Mas eu julgo que há aqui uma relação, de facto. Diogo Osório não foi o sogro de Álvaro Gonçalves Pinto mas sim o 1º marido de sua mãe Leonor Pinto! Com efeito, em 1514 dois netos de Leonor Pinto tiraram cartas de armas, tendo em comum a curiosidade de nenhum deles indicar o marido desta Leonor Pinto e ambos a dizerem filha de Pedro Vaz Pinto. Um destes netos é o morgado de Balsemão Luiz Pinto, que teve carta de armas para Pinto a 3.6.1514, onde se diz filho de Álvaro Gonçalves Pinto, neto de Leonor Pinto (não se indica o marido) e bisneto de Pedro Vaz Pinto. O outro neto é o já referido bisneto de Gonçalo da Fonseca, Diogo Vaz da Fonseca, que na carta de armas (11.7.1514, para Fonseca, sem diferença, com o timbre já referido) aparece apenas como Diogo Vasques, fidalgo, cavaleiro da Ordem de Santiago, onde se declara filho legítimo de Vasco da Fonseca e de Leonor Osores, que foram moradores em Pinhel, neto de Diogo da Fonseca, aio do conde D. Vasco, primeiro conde de Marialva, e Fernão Coutinho seu irmão; bisneto de Gonçalo da Fonseca e D. Bataça, herdeira do morgado de S. Romão e Torredães, e neto de Leonor Pinto e bisneto de Pero Vasques Pinto, todos fidalgos. Embora o texto não seja muito claro, acaba por tornar-se evidente que Leonor Pinto só pode ser mãe de Leonor Osório, pois a alternativa, que era ser mulher de Diogo da Fonseca, não só não resulta do texto como era impossível, dada a cronologia deste Diogo da Fonseca face à de Leonor Pinto. A isto acresce que a 16.12.1441 D. Afonso V nomeou, por cinco anos, Vasco da Fonseca, escudeiro de D. Fernando de Menezes, para o cargo de coudel de Aregos e seu termo, em substituição de Pedro Vasques Pinto, que morrera. O que, para quem não conhecesse a cronologia das pessoas envolvidas, faria pensar que Vasco da Fonseca sucedeu no cargo ao avô da mulher. Só que em 1441 Leonor Osório ainda não podia ter nascido! Pedro Vasques ou Vaz Pinto foi senhor da torre de Angra e da honra de Loivos, tendo nascido cerca de 1409 e falecido novo em 1440 ou 1441. Por duas cartas de 9.7.1438, D. Duarte confirmou a Pedro Vaz Pinto o seu senhorio e privilégios das suas quintãs de Loivos, em que "sucedeu per morte de seu padre gonçallo uasquez", tendo para tanto apresentado duas cartas, uma de D. João I de 20.1.1393 e outra de D. Pedro I de 4.3.1364, ambas já referidas acima. Casou com D. Milícia de Mello Soares, filha de Estêvão Soares de Mello, 5º senhor de Mello, senhor de Gouveia, Seia, Celorico da Beira, Linhares, Penedono, etc., a qual depois casou com o doutor Rui Gomes de Alvarenga, conde palatino, chanceler-mor do reino (confirmado a 10.8.1463), presidente da Casa da Suplicação (24.6.1452), fidalgo do Conselho, doutor em Leis, embaixador a Castela em 1442, etc., sendo pais, nomeadamente, do 3º governador da Índia Lopo Soares de Albergaria, que em novo se chamou Lopo Soares de Mello e nasceu cerca de 1442. Do seu casamento com D. Milícia de Mello Soares (que jaz sepultada na igreja da Graça, em Lisboa, em túmulos armoriados com seu 2º marido), Pedro Vaz Pinto teve, além de Leonor Pinto, um filho, Gonçalo Vaz Pinto, que foi o 1º senhor de juro e herdade de Ferreiros e Tendais (14.8.1484). Leonor Pinto nasceu cerca de 1432 e é certo que seu filho Álvaro Gonçalves Pinto era filho de Gonçalo Martins Cochofel, 5º morgado de Balsemão, a quem sucedeu. Mas este Álvaro Gonçalves só nasceu cerca de 1462, o que desde logo indicia que sua mãe teria tido um 1º casamento, pois ter um primogénito aos 30 anos é tardíssimo para os padrões da época. De resto, Gonçalo Martins Cochofel, que invulgarmente era da idade de Leonor Pinto e morreu com mais de 80 anos, voltou a casar 2ª vez com uma prima dela, Briolanja Pinto, senhora da torre da Lagariça, conforme ficou dito acima. Temos portanto como certo, conforme diz a carta de armas, que Leonor Pinto teve de um 1º casamento pelo menos uma filha chamada Leonor Osório. E sendo o patronímico Osório nesta época completamente incomum em Portugal, só podia ter casado, face à cronologia, com um dos filhos de Dosoiro Diaz e Beatriz da Fonseca, sendo Diogo Osório o único possível. Este casamento ter-se-á realizado cerca de 1445, teria Leonor Pinto 13 anos, a idade habitual na época, sendo já órfã de pai. Como vimos, em 1445 era coudel de Aregos Vasco da Fonseca, primo (no 3º grau) de Diogo Osório. E Aregos era provavelmente onde tinha vivido Pedro Vaz Pinto e então vivia Leonor Pinto. A filha, Leonor Osório, terá nascido em 1446 e, após a morte do pai, foi certamente viver com a mãe e o padrasto para Balsemão, em Lamego. Ora, Vasco da Fonseca era de Lamego e aí foi, nomeadamente, juiz dos órfãos, embora no fim da vida tivesse vivido em Pinhel, como diz a carta de armas do filho. Porque Vasco da Fonseca, como já deu para perceber, era cerca de 40 anos mais velho do que Leonor Osório. Na verdade, ela foi a sua 2ª e tardia mulher. Vasco da Fonseca, como vimos escudeiro de D. Fernando de Menezes e coudel de Aregos em 1441, nasceu cerca de 1405 e documenta-se como juiz dos órfãos de Lamego em 1437 e 1447. Se em 1441 também era juiz dos órfãos, o que não é referido, terá desempenhado o cargo de coudel de Aregos morando em Lamego, o que não é difícil. Casou a 1ª vez cerca de 1433 com Catarina Gonçalves, de quem teve pelo menos três filhos: 1) Beatriz da Fonseca, senhora do prazo de Arões, que já viúva, com seu filho Gonçalo da Fonseca, recebeu em 1503 do Cabido de Lamego, casada com Fernão da Granja, senhor das honras de Ferreiros, Avões e Cambres, Fidalgo da Casa Real, almoxarife e alcaide-mor de Lamego, coudel de Resende, Gousende, Eiras, Mortam, Cidadelhe, Ribadelas, Sanfins de Carvalhal, juiz das sisas de Gestaçô e de Gouveia, etc., com geração conhecida; 2) Lopo da Fonseca, nascido em Lamego (Sé), que tirou ordens menores em Braga a 19.6.1451, com licença de seu maior, pelo que já era noviço; e 3) Álvaro da Fonseca, escudeiro do arcebispo de Braga, nascido em Lamego cerca de 1436, que foi viver para Braga, onde foi proprietário, sendo em 1481 escrivão dos feitos do mar e dos reguengos do Porto, falecido antes de 25.11.1513, data em que o foral de Aguiar de Sousa, no título de Parada de Todeia, refere a molher que foi d Alvaro dafonsequa pollo casal da Lagea, tendo casado com Catarina Pires, dotada com o prazo da quinta da Lagea, em Parada de Todeia, foreiro a Paço de Sousa, também com geração conhecida. Vasco da Fonseca era irmão de Diogo da Fonseca, que foi ouvidor do conde de Marialva, ambos filhos de outro Diogo da Fonseca, aio do 1º conde de Marialva e de seu meio-irmão Fernão Coutinho, como refere a carta de armas do neto, e de sua mulher Joana Mendes. Como D. Vasco, o 1º conde de Marialva, nasceu cerca de 1382, mesmo que Diogo da Fonseca tenha sido, sobretudo em relação a Vasco, mais um mestre de armas do que propriamente um aio, teria de ser no mínimo 20 anos quando Vasco começou a sua instrução de armas, com cerca de 7 anos. Ou seja: Diogo da Fonseca não pode ter nascido depois de 1369, data que concorda com a cronologia de pais. E até por aqui se vê que não podia ser ele o marido de Leonor Pinto. Com efeito, seu pai Gonçalo da Fonseca era um filho natural, primogénito, de Vasco Fernandes Coutinho, bem antes de este casar em 1357 com D. Beatriz Gonçalves de Moura, nascido lá para 1345, teria Vasco Fernandes Coutinho 20 anos de idade. Assim sendo, Diogo da Fonseca podia perfeitamente ter nascido entre 1367 e 1369. Por outro lado, sua mãe, D. Bataça (ou Vataça) Lascaris, que a carta de armas do neto diz herdeira do morgado de S. Romão e Torredães, terá nascido cerca de 1350/55, tanto mais que seu proposto pai já se documenta general em 1356. Esta D. Vataça era neta paterna de outra D. Vataça Lascaris, aia de D. Afonso IV, sepultada na Sé Velha de Coimbra (filha dos condes de Ventimiglia e neta do imperador Theodoros II), e de seu 2º marido Pedro Jordán de Urríes. Finalmente, é possível desta forma verificar entre o Pedro Aires Pinto em epígrafe e sua mulher Clara da Fonseca Coutinho uma relação familiar muito próxima, ainda que por afinidade. Com efeito, Clara da Fonseca Coutinho era sobrinha de Diogo Osório, sendo este, portanto, casado com Leonor Pinto, prima-direita de Pedro Aires Pinto. É também interessante verificar que é desta Clara da Fonseca Coutinho que muitos descendentes vão usar o nome Coutinho, nomeadamente os Moura Coutinho (deste ramo), os Pinto Coutinho, os Ozorio Coutinho, os Carvalho Coutinho, os Cunha Coutinho, etc.

1.1.    Isabel Pinto Coutinho, que segue no nº 2.

1.2.    Aires Pinto, que Gaio diz que casou no Porto com Ana da Mota Madureira, s.g.

1.3.    Francisco Pinto, o Velho, cavaleiro fidalgo, juiz dos órfãos de Ansiães (CJIII, 5, 22v; e 8, 140v). N. cerca de 1469 e fal. depois de 18.1.1550, data em que, sendo cavaleiro fidalgo, vivia no lugar de Fonte Longa, termo da vila de Ansiães (Bragança), com sua mulher Marta Teixeira, quando passou procuração a seu genro Nicolau de Azevedo, cavaleiro fidalgo da Casa Real, com consentimento dos filhos de ambos Francisco Pinto, António Pinto e Isabel Pinto, esta casada com o dito Nicolau de Azevedo, para vender as terras que herdara por morte de seu filho Rui Pinto, existentes no termo da vila de Santos (CFR de S. Paulo, Reg. de Sesmarias, Liv. I, Tit. 1555, fol. 42). Casoua 1ª vez com Catarina de Moraes Pimentel (a), herdeira da quinta do Prado, em Fonte Longa, Ansiães. Casou a 2ª vez com Marta Teixeira (b), conforme ficou referido. É possível que esta Marta Teixeira seja irmã de seu cunhado Rui Teixeira, referido adiante.

1.3.1.   (a) Aires Pinto, comendador de S. Salvador de Ansiães na Ordem de Cristo (CJII, 12, 37v), que a 12.8.1533 tirou carta de armas para Pinto (ib, 45, 59). Nesta carta de armas vem referido como Aires Pinto, comendador de S. Salvador de Ansiães, filho de Francisco Pinto e neto de Pedro Pinto, fidalgo muito honrado do tronco desta geração. Teve armas em pleno, com uma flor de lis verde por diferença. Talvez seja o homónimo que foi procurador do número (CJIII, 38, 172v) e recebedor das sisas (ib, 38, 55v; e 46, 218) de Resende. Segundo Alão casou com Teodósia Ferreira, c.g.

1.3.2.   (a) Luiz Pinto, almoxarife de Vila Real, s.g., segundo Alão. É duvidoso.

1.3.3.   (a) Cecília Pinto, segundo Alão, que diz ter casado com seu primo Francisco Pinto Pereira.

1.3.4.   (a) Catarina Pinto, segundo Alão, que fal. solteira.

1.3.5.   (b) Beatriz Teixeira, segundo Alão, que diz ter casado com Rui Vaz de Meirelles, de Penaguião. Ela já teria, portanto, fal. em 1550, aparentemente s.g. Há um Rui Vaz de Meirelles que teve de D. João III carta para ter ajudante do seu ofício (CJIII, 44, 99).  

1.3.6.   (b) Francisco Pinto, o Novo, cavaleiro fidalgo da Casa Real, foi com Martim Afonso de Souza para o Brasil e em 1533 obteve deste sesmaria de terras em Tumiaru, que Gonçalo Monteiro confirmou em 1537. A 23.10.1573 foi testemunha em uma escritura lavrada em Santos, sendo referido como cavaleiro fidalgo (Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Vol. 47, e Memórias para a História da Capitania de São Vicente, de Frei Gaspar da Madre de Deus, 1797). Alão, que o dá do 1º casamento, diz que casou com sua prima Cecília Pinto.  

1.3.7.   (b) Rui Pinto, cavaleiro da Ordem de Cristo, que também foi com Martim Afonso de Souza para o Brasil e em 1533 obteve as terras do porto das Almadias (depois porto de S. Cruz e depois do Cubatão). A tradição atribuía-lhe no século seguinte o posto de capitão na guerra ordenada por Martim Afonso de Souza contra os índios, ou os degredados aliados aos castelhanos, de Iguape e Cananéia. Frei Gaspar diz que o casal vendeu a alemães terras em que se estabeleceu o engenho que se chamou dos Erasmos. Dizem que casou com Ana Pires Missel (Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Vol. 47, e Memórias para a História da Capitania de São Vicente, de Frei Gaspar da Madre de Deus, 1797). Não teve geração, pois, como ficou dito, seu pai herdou a sesmaria que tinha em Santos. Alão, que o dá do 1º casamento, chama-lhe Rui Vaz Pinto, diz que foi cavaleiro da Ordem de Santiago, serviu no Brasil e lá foi comido pelos índios.

1.3.8.   (b) António Pinto, que também foi para o Brasil e em 1540 foi mandado a S. Vicente por Martim Afonso de Souza. De volta ao reino perdeu-se o navio em que vinha e morreu afogado, depois de 1550. Dizem que casou em São Vicente com uma filha de Vicente Pires, escrivão e tabelião de Santos, filho de Jorge Pires, cavaleiro fidalgo (Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Vol. 47, e Memórias para a História da Capitania de São Vicente, de Frei Gaspar da Madre de Deus, 1797).

1.3.9.   (b) Isabel Pinto, que casou com Nicolau de Azevedo, cavaleiro fidalgo da Casa Real, referido acima, que parece ter sido senhor da quinta do Ramaçal, em Penaguião.

 

 

2.   Isabel Pinto Coutinho, n. cerca de 1463, que parece ter herdado bens em Cárquere, Stª Marinha de Zêzere e Anreade. É a Isabel Pinto em cujas casas no lugar de Fornelos do concelho de Aregos pousavam o conde de Penela (D. João de Vasconcellos e Menezes, senhor de Soalhães e Aregos) e sua mãe e tutora a condessa D. Isabel da Silva quando a 20.8.1488 aí fiizeram um prazo. Com efeito, a 22.9.1497 D. Manuel I (CMI, 28, 37) confirmou a João Lopes, escudeiro e ouvidor do conde de Penela, morador em Aregos, termo de Lamego, um emprazamento, em três vidas, de um moinho moente e corrente com sua herdade e lameira e todas as pertenças que o conde tem no concelho de Aregos, no lugar que se diz (Muldaes), indicando-se as confrontações. Transcreve o instrumento de emprazamento feito a 20.8.1488 no lugar de Fornelos do concelho de Aregos, terra do conde, nas casas de Isabel Pinto, onde então pousava o conde e a condessa D. Isabel da Silva, sua mãe e tutora e curadora, pelo qual dava a João Lopes o referido emprazamento. Pagava de foro e pensão 150 reais de prata anuais, a 6 ceitis o real. O primeiro pagamento seria feito no dia de S. João Baptista do ano de 1489. Testemunharam Fernão de Oliveira e Pedro Vasques, escudeiro do conde. Esta referência às casas de Isabel Pinto é seguraramente à sua quinta do Paço de Fornelos. Por outro lado, o facto de ser apenas referida ela, indica que já era viúva, tanto mais que a quinta do Paço era do marido. Acresce que o João Lopes que recebeu o emprazamento é o João Lopes de Sequeira, depois apenas João de Sequeira, que viria a ser seu genro, como adiante direi. Daqui se pode concluir, portanto, que a 20.8.1488 Isabel Pinto seria recém-viúva, tanto mais que sua última filha Cecília terá nascido justamente neste ano ou no seguinte, neste caso póstuma. Coisa que aliás se documenta, pois a a 3.7.1488 foi nomeado juiz das sisas do julgado de Aregos um João Rodrigues, por morte de Rui Teixeira (CJII, 15, 68). Isabel Pinto casou cerca de 1481 com Rui Teixeira (de Macedo), escudeiro, senhor quinta do Paço de Fornelos, e seu prazo, e da quinta do Barral, ambas em Aregos, nascido cerca de 1445 e fal. em 1588. É o Rui Teixeira, escudeiro do capitão-mor de Tanger Rui de Mello (futuro 1º conde de Olivença), que a 15.10.1472 teve mercê de D. Afonso V para suceder no cargo de juiz das sisas de Aregos, Barqueiros, Teixeira e Gestação, a seu pai Gonçalo Vasques Teixeira, que nele renunciara em instrumento público de 6.4.1472. E o Rui Teixeira, morador no julgado de Aregos, escudeiro e "criado" de Rui de Mello, que a 27.11.1472 é nomeado para o cargo de juiz dos órfãos no dito julgado e seu termo, em substituição de Gonçalo Vasques Teixeira, seu pai, que morrera. Rui Teixeira era filho sucessor de Gonçalo Vasques Teixeira, fidalgo, juiz dos órfãos de Aregos de S. Sebastião e honras de Gestaçô e Teixeira e juiz das sisas de Aregos, Barqueiros, Teixeira e Gestaçô (4.1.1434), etc., e de sua mulher Isabel Gonçalves de Moura, senhora do dito prazo da quinta do Paço de Fornelos; neto paterno de Pedro (Vasques) Teixeira (1), cavaleiro, senhor da honra e quintã de S. Pedro da Teixeira (Baião), etc., e de sua mulher Joana Martins de Macedo (2), senhora do morgado de S. Braz, em Vila Real; e neto materno de Gonçalo Álvares de Moura, senhor do dito prazo da quinta do Paço de Fornelos. Dizem as genealogias que Pedro Vasques Teixeira teve a honra de S. Pedro da Teixeira (Baião), que talvez tivesse herdado, pelo menos em parte, de seu primo Martim Fernandes de Teixeira, sendo natural que de seu pai também aí tivesse herdado bens de raiz, mas o senhorio de juro e herdade de Teixeira só foi dado a seu filho João em 1471. É certamente o Pedro Teixeira, cavaleiro, criado do conde D. Pedro de Menezes (com quem terá vindo de Castela), que a 31.1.1439 teve de D. Afonso V uma tença anual de 1.000 reais no almoxarifado de Vila Real, do mesmo modo que a tinha no tempo do rei D. Duarte (cuja mercê não se encontra na respectiva chancelaria), e o Pedro Teixeira, cavaleiro, criado do conde D. Pedro, a quem a 15.6.1450 D. Afonso V doou uma tença anual de 100.000 libras, a partir de 1 de Janeiro desse ano. Gaio diz que Pedro Teixeira em 1443 era vedor do duque de Bragança. Este Pedro era filho de Vasco Gonçalves Teixeira, que esteve com seu pai na batalha de Aljubarrota, contra o mestre de Avis, e de sua mulher Catarina Anes de Berredo. A 30.3.1384 D. João I doou a João Gonçalves, seu escudeiro, todos os bens móveis e de raiz que tinha em Lisboa e seu termo "vaasco gonçallvez criado de Joham gonçallvez de Teixeira" que "os perdeo por seer em companha de el rrey de castella". E a 20.7.1452 D. Afonso V doou a João Afonso Teixeira, procurador da corte, um casal de pão, vinho e azeite, no termo de Santarém, que pertencera a Vasco Gonçalves Teixeira. Este Vasco Gonçalves era irmão de Gonçalo Teixeira, que vem referido como criado do conde D. Henrique quando "por seer em desseruiço" perdeu todos os seus bens móveis e de raiz para Fernão Vasques, vassalo de D. João I, a quem este rei os doou por carta de 2.10.1384. Vasco Gonçalves e Gonçalo Teixeira eram ambos filhos naturais de João Gonçalves de Teixeira, senhor de juro e herdade de Paiva, fidalgo do Conselho, escrivão da puridade e notário (1374-83) do rei D. Fernando, que seguiu a rainha Dona Beatriz e morreu na batalha de Aljubarrota contra o mestre de Avis. A 4.3.1384 D. João I doou Estêvão Vasques Filipe o senhorio de Paiva, "o qual tragia Joham gonçallvez da teixeira". A 15.9.1384 D. João I doou a Pedro Esteves de Alvellos os bens que que tinha em Lisboa "Joham gonçallvez da teixeira d el rrey dom Fernando". Gaio diz que foi anadel-mor de D. Fernando I, alcaide-mor de Óbidos e fronteiro-mor de Trás-os-Montes. Este João Gonçalves era filho natural (legitimado por carta real de 10.1.1324) de Gonçalo Anes de Teixeira, freire da Ordem do Hospital, do tronco desta linhagem, e de Maria Pires, mulher solteira. O Rui Teixeira (de Macedo) em epígrafe era irmão de Briolanja Teixeira de Macedo que casou com Pedro da Cunha, fidalgo da Casa Real, senhor das quintas do Requeixo, em Vale do Bouro, e do Pinheiro de Ribas, em Basto, etc., com geração conhecida. Voltando a Gonçalo Vasques Teixeira, pai de Rui Teixeira (de Macedo), encontrei sobre eles a seguinte documentação: a 7.9.1439 D. Afonso V confirmou a nomeação de Gonçalo Vasques, criado de Martinho Afonso de Mello, no cargo de juiz dos órfãos de S. Sebastião e honras de Gestaçô e Teixeira, conforme tinha sido nomeado por carta de D. Duarte de 4.1.1434 (que não aparece na respectiva chancelaria). Este Martim Afonso de Mello, guarda-mor de D. Afonso V, era pai de Rui de Mello, referido abaixo, que foi o 1º conde de Olivença (1476). No mesmo dia D. Afonso V confirmou a nomeação de Gonçalo Vasques, criado de Martinho Afonso de Mello, no cargo de juiz dos órfãos na terra e julgado de Aregos, conforme tinha sido nomeado por carta de D. Duarte de 4.1.1434 (que não aparece na respectiva chancelaria). A 12.9.1451 D. Afonso V nomeou novamente Gonçalo Vasques, criado de Martinho Afonso de Mello, guarda-mor, para o cargo de juiz das sisas de S. Sebastião e honras de Gestaçô e Teixeira. A 15.10.1472 D. Afonso V nomeou Rui Teixeira, escudeiro de Rui de Mello, do seu Conselho, capitão e regedor na cidade de Tânger (futuro 1º conde de Olivença, em 1476, e filho sucessor do Martim Afonso de Mello referidos acima), para o cargo de juiz das sisas de Aregos, Barqueiros, Teixeira e Gestação, em substituição de Gonçalo Vasques Teixeira, seu pai, que renunciara por instrumento público de 6 de Abril de 1472. A 27.11.1472 D. Afonso V nomeou Rui Teixeira, escudeiro, criado de Rui de Mello, morador no julgado de Aregos, para o cargo de juiz dos órfãos no dito julgado e seu termo, em substituição de Gonçalo Vasques Teixeira, seu pai, que morrera. Este Gonçalo Vasques Teixeira não pode, portanto, ter nascido depois de 1410, nem pode ser o Gonçalo Teixeira que com seu irmão João Pires de Macedo tirou ordens menores em Braga a 4.10.1461, ambos filhos de Pedro Teixeira e sua mulher Joana Martins de Macedo, então moradores em Vila Real (S. Dinis). Com estes dois irmãos tiram também ordens menores na mesma data dois seus meios-irmãos, João e Pedro Teixeira, filhos do dito Pedro Teixeira, enquanto solteiro, e de Branca Afonso. O que significa que Pedro Teixeira e Joana Martins de Macedo casaram cerca de 1447. O que implica que esta não pode ser filha de Martim Gonçalves de Macedo, já de meia idade na batalha de Aljubarrota (1385) e falecido antes de 26.6.1425, quando D. João I deu a seu filho lídimo e herdeiro Diogo Gonçalves de Macedo, morador na cidade de Évora, 300 libras das dizimas da portagem de Bragança, como tinha seu pai, que as recebera a 27.5.1385, junto com a aldeia e os direitos reais de Outeiro de Miranda. Por outro lado, João Teixeira de Macedo, do Conselho de D. Afonso V em 1476, não podia então ter 28 anos de idade, como propõe LMVSP (Luiz de Mello Vaz de São Payo, Famílias de Chaves, in Raízes & Memórias, nº 12), tanto mais que já em 1471 teve o senhorio de Teixeira e em 1472 fora nomeado pelo mesmo rei administrador do morgadio instituído por seu bisavô João Pires, efectivamente sogro daquele Martim Gonçalves de Macedo. Todo este desajuste cronológico obriga à coincidência, afinal vulgar nas genealogias desta época, do casamento de dois Pedros Teixeira com duas Joanas Martins de Macedo, sendo o mais antigo destes homónimos o pai do outro. A grande coincidência é terem ambos casados com mulheres chamadas Joana Martins de Macedo, o que só pode ter uma explicação, ou seja, o Pedro mais novo casou com uma prima-direita, homónima da tia, certamente filha do Diogo Martins de Macedo, fidalgo da Casa do infante D. Fernando, que a 18.10.1454 obteve de D. Afonso V a nomeação de um seu criado para porteiro da correição de Trás-os-Montes, sendo este Diogo irmão da Joana Martins de Macedo mais velha. Temos assim que o Pedro Teixeira mais novo, filho do outro, é o Pedro Teixeira, contador no almoxarifado da comarca de Vila Real e seu termo e da Torre de Moncorvo, que a 2.9.1450 D. Afonso V privilegiou, concedendo-lhe licença para que possa receber as avenças, direitos, posições, heranças e reguengos, bem como de fazer pregão para as arrendar ou emprazar e dar de sesmarias todas as vinhas e casas dentro e fora do dito almoxarifado, mandando que lhe seja dada a si e ao escrivão e porteiro que com ele andar, sob pena do pagamento de 6.000 reais. Rei este que a 23.2.1468 doou uma tença anual de 2.858 reais a Pedro Teixeira, escudeiro do conde de Viana,  necessariamente o conde D. Duarte de Menezes, o que distingue bem os dois Pedro Teixeira, o pai cavaleiro do conde D. Pedro, e o filho escudeiro do conde D. Duarte, filho daquele conde. Este Pedro mais novo é ainda o que a 28.4.1450 foi contador do almoxarifado de Vila Real e que já tinha falecido a 24.12.1472, quando D. Afonso V nomeou, por três anos, Rui de Abreu, cavaleiro da sua Casa, para o cargo de corregedor da comarca e correição de Trás-os-Montes, em substituição de Pedro Teixeira, que morrera. Podendo ainda ser o Pedro Vasques Teixeira a quem a 10.2.1450 D. Afonso V nomeou para o cargo de meirinho do barinel real na cidade de Lisboa com todos os seus direitos. Este Pedro Teixeira é que foi o pai dos filhos que tiraram ordens menores em 1461, como ficou dito. Terá nascido cerca de 1408, casado com sua prima-direita Joana Martins de Macedo cerca de 1447, tendo então já filhos naturais, e falecido em 1472, com cerca de 64 anos de idade. Era certamente o primogénito, portanto irmão mais velho do Gonçalo Vasques Teixeira que foi juiz dos órfãos de Aregos em 1434, e de João Teixeira de Macedo, certamente filho 2º, do Conselho em 1476 e administrador do morgadio de S. Braz em Dezembro de 1472, justamente o ano da morte do irmão. Este João Teixeira de Macedo, nascido cerca de 1409, é referido como fidalgo escudeiro da Casa Real quando a 15.1.1471 D. Afonso V lhe deu o senhorio de juro e herdade da honra e julgado de Teixeira. Mas vem como cavaleiro da Casa Real e contador da comarca de Trás-os-Montes quando a 2.12.1472 o mesmo rei lhe concedeu licença para lançar as suas éguas aos asnos, e como fidalgo da Casa Real quando a 2.12.1472 o mesmo rei lhe deu a administração do morgadio (de S. Braz), com capelas, rendas e hospital, deixados por morte de seu bisavô João Pires, escolar, contanto que ele à sua morte deixe nomeado o seu sucessor. A 10.7.1476, sendo referido como fidalgo da Casa Real e contador da comarca de Trás-os-Montes, D. Afonso V nomeou-o para o seu Conselho. E a 5.10.1480 mandou a João Teixeira de Macedo, do seu Conselho, contador da comarca de Trás-os-Montes, que lhe venha prestar contas do dinheiro que recebera das rendas e direitos régios para o abastecimento e despesas relativas à fortaleza de [Valvestre]. A 6.2.1484 foi nomeado por D. João II alcaide-mor de Montalegre. A 30.5.1484 o mesmo rei doou-lhe a quintã e direitos reais de Macedo. A 8.6.1497 teve licença real para, com sua mulher Violante de Barros, ceder a sua filha a tença de 12.000 reais para casar com Manuel Pinto, tença essa que João Teixeira de Macedo e sua mulher tinham pelo dote real de 1.000 coroas de ouro para o seu casamento, que não tinha sido pago. E parece ser este o João Teixeira de Macedo que faleceu a 6.7.1506, portanto nonagenário. Deste João parece ainda ter sido irmã Isabel Teixeira, que segundo as genealogias casou com Vasco Anes de Moraes, o que parece comprovar-se, pois a 13.9.1446 D. Afonso V nomeou Aires Teixeira, escudeiro do duque de Bragança, e a seu pedido, para o cargo de juiz das sisas de Vila Real, em substituição de Vasco Anes de Moraes, que se encontrava amorado por não cumprir lealmente o seu ofício. Ficando viúva em 1488, Isabel Pinto veio a casar 2ª vez, depois de 1490, com

2.1.  Isabel Pinto, n. cerca de 1481, que sucedeu no prazo da quinta do Paço de Fornelos. Faleceu cerca de 1534, certamente já viúva, pois nesse ano o dito prazo foi renovado a seu filho, como diz Frei Teodoro de Melo (2a). Casou cerca de 1496 com João (Lopes) de Sequeira, como se documenta no dito prazo. Gaio, citando Carneiro, confunde esta Isabel Pinto com a mãe e por isso diz que Isabel Pinto, a mãe, casou 2ª vez com João de Sequeira. E diz que este João de Sequeira foi cavaleiro fidalgo da Casa Real, o que também se documenta no dito prazo, nasceu em 1477 em Penela e era parente do conde de Penela D. Afonso de Vasconcellos. E acrescenta que este João de Sequeira seria filho de Branca de Sequeira e seu marido Fernão Anes de Torres, amo da rainha D. Isabel. Na verdade, como se documenta, o amo da rainha D. Isabel não era Fernão mas sim Francisco Anes de Torres, e sua 2ª mulher não era Branca mas sim Violante Álvares de Sequeira, ama da rainha D. Isabel, como refiro no meu trabalho A Casa da Trofa. Com efeito, a 1.9.1462 D. Afonso V autorizou a igreja de S. Tiago de Coimbra a receber os bens de raiz que lhe deixara em testamento Violante Álvares de Sequeira, moradora em Coimbra, ama da rainha D. Isabel. Francisco Anes de Torres foi morgado de Ponte da Ceira, em Coimbra, cavaleiro da Casa Real e senhor quinta de S. Pedro Fins, em Montemor-o-Velho. A 1.2.1450 D. Afonso V doou perpetuamente a Francisco Anes de Torres, cavaleiro da Casa da rainha D. Isabel, a pedido da mesma, o morgado da Ceira, situado no termo da cidade de Coimbra, com todas suas entradas, saídas e pertenças, rendas e direitos, que pertencia a Diogo Gonçalves de Travaços. E a 21.3.1452 o mesmo rei doou vitaliciamente a Francisco Anes de Torres e a sua mulher Violante Álvares uma tença anual de 12.000 reais de prata. A 29.3.1454 doou a Francisco Anes de Torres, cavaleiro da sua Casa, para sempre, a quinta de S. Pedro Fins, no termo de Montemor-o-Velho, do almoxarifado de Coimbra, com todas as suas rendas e direitos entradas, saídas, foros, pertenças e couto. Como ficou dito, Violante Álvares de Sequeira já tinha falecido em 1462, pelo que não podia ser mãe de João de Sequeira, que se diz ter nascido em 1477 em Penela, e mesmo que ele tivesse nascido 20 anos mais cedo. Poderia ser avó? Cronologicamente, podia; e, como explico adiante, era-o certamente. Francisco Anes de Torres e a sua mulher Violante Álvares de Sequeira tiveram vários filhos, entre eles Mécia de Sequeira, donzela e depois dama da corte da rainha D. Leonor e ama da infanta Stª Joana, que era solteira (donzela da rainha) em 1442 e que casou cerca de 1450 com Pedro Afonso de Aguiar, capitão-mor da armada da Índia, pais do notável Jorge de Aguiar, que morreu nomeado 2º vice-rei da Índia, bem assim como de D. Violante de Sequeira, mulher do 2º senhor da Trofa. Convém ainda referir aqui que Francisco Anes de Torres casou a 1ª vez com Maria Correa, filha dos senhores de Fralães, e desse casamento teve uma filha chamada Beatriz Correa, que casou com Gonçalo Teixeira, tio-avô de Rui Teixeira de Macedo, pai desta Isabel Pinto, o que é mais um indício de que João de Sequeira pertencia e estes Sequeira e estava ligado a Francisco Anes de Torres e sua 2ª mulher. Não sei onde Gaio, ou as suas fontes, foram buscar a data de 1477 para o nascimento em Penela de João de Sequeira. Será que podia ter nascido 20 anos antes, tendo casado (2ª vez) com cerca de 40 e tal anos, tendo a noiva cerca de 15 anos? Esta diferença de idades era vulgar na época. É que o João de Sequeira, alegado parente do conde de Penela, casado com Isabel Pinto, é o João de Sequeira, ouvidor do conde de Penela em Aregos, que a 27.8.1481 teve perdão da justiça régia por ter mandado dar pregão a Isabel Anes, mulher de João Pires, morador em Aregos, acusada de adultério; e por ter açoitado Pedro, filho de João Martins e de Branca Anes, morador nesse concelho, acusado de roubo, sem ter dado apelação às justiças régias, mediante os instrumentos públicos de perdão feitos a seu favor a 23, 24 e 30 de Julho de 1481, tendo pago 1.000 reais para a Piedade (CAV, 26, 125v e 126). Nesta carta de D. Afonso V aparece como João de Sequeira, bem como na antedita renovação do prazo a seu filho. Mas não pode deixar de ser o João Lopes, escudeiro, ouvidor do conde de Penela, morador em Aregos, que se documenta na mesma época e que, conforme já acima ficou dito, a 22.9.1497 teve de D. Manuel I confirmação de um prazo que o conde de Penela lhe fez a 20.8.1488, estando este nas casas de Isabel Pinto (a mãe) em Fornelos. O curioso é que foram contemporâneos e documentam-se na mesma cronologia um João Lopes, de Aregos e Lamego, e um João Lopes de Sequeira, pessoas bem distintas, sendo que o João Lopes, de Aregos, também se documenta como João de Sequeira, o mesmo acontecendo com João Lopes de Sequeira. Começando com a documentação respeitante ao João Lopes / João de Sequeira, de Aregos / Lamego, temos, para além do que já ficou dito: A 8.2.1487 João Lopes foi nomeado por D. João II coudel de Aregos. A 13.5.1496 D. Manuel I confirmou João Lopes, morador na cidade de Lamego, como escrivão das sisas do concelho de Aregos e couto de Resende, com mantimento anual de 55 reais e um preto por milheiro até chegar à quantia de 1.000 reais. A 17.5.1496 D. Manuel I nomeou João Lopes, escudeiro, morador em Lamego, escrivão das sisas dos lugares de Lalim, Várzea da Serra, Omezio e Campo Bemfeito, tal como o ele até aqui foi por carta de D. João II. A 17.9.1497 João Lopes, escudeiro da Casa Real, morador em (Aregueiros), termo de Lamego, teve confirmação de D. Manuel I de um emprazamento, em três vidas, duma terra de Aregos que se chamava Arreguenga, na freguesia de Anreade e de cuja igreja o conde de Penela é senhor, recebendo um quarto do que a terra dá. A carta apresenta o instrumento de emprazamento feito em Penela a 25.11.1486, pelo qual a condessa D. Isabel da Silva, como tutora e curadora do conde seu filho, D. João de Vasconcellos e de Meneses, e João Lopes, escudeiro morador em Aregos e escrivão das sisas do concelho, emprazava em três vidas, no escudeiro, sua mulher, Isabel Fernandes, que não esteve presente no acto, e noutra pessoa que ele nomeasse, as referidas terras. Pagou de foro e pensão, anualmente, 100 reais de prata no dia de Páscoa; faz graça do foro do primeiro ano. Foram testemunhas Lopo Fernandes, escudeiro, morador na vila, e Diogo Mendes, moço da câmara do conde. João Gonçalves, público tabelião da vila e termo, fez o contrato. A 25.1.1505 D. Manuel I notificou os juizes, concelho e homens bons do julgado de Penela, da mercê do ofício de escrivão dos órfãos desse julgado e assim da terra de João de Castro (Resende) como da de Fernão Pereira (Castro Daire), com as rendas, próis e percalços, a João Lopes, escudeiro, morador nesse julgado, como fora Luís do Rego que falecera. E esta mercê el-rei lha fazia se a dada do ofício lhe pertencia. Finalmente, parece respeitar a este a carta de 6.8.1516, em que D. Manuel I deu conhecimento aos juízes, concelho e homens bons da terra do Bouro da mercê do ofício de tabelião do público e judicial dessa terra feita a João de Sequeira, que substituía João Gonçalves, que faleceu. Bem distinto deste é o João Lopes de Sequeira / João de Sequeira, fidalgo da Casa Real, que viveu em Lisboa e foi trinchante. Sobre ele há a seguinte documentação: A 5.5.1497 João Lopes de Sequeira, fidalgo e trinchante da Casa Real, teve uma tença anual de 25.000 reais. Já recebia uma tença deste valor por uma carta que tinha d'el rei quando era duque e que agora foi rota ao assinar desta. A 12.9.1497 João Lopes de Sequeira, fidalgo da Casa Real, teve confirmação de uma tença de 30.000 reais e de um alvará de D. João II, pelo qual reconhecia estar a dever o beneficiado 20.000 reais dos 30.000 reais que deveria dar-lhe num ano. Apresenta alvará de D. João II feito por Fernão de Espanha, em Almeirim, a 26.11.1482. A 27.9.1497 João Lopes de Sequeira, fidalgo da Casa Real e trinchante do rei, teve mercê de uma tença anual de 5.000 reais de prata. A 20.9.1502 João da Silveira, fidalgo da Casa Real, teve mercê do cargo de trinchante, que por aprazer a el rei nele trespassara João Lopes de Sequeira. O qual serviria com Pedro de Mendonça, a quem el rei o dera por outra carta, com o vencimento anual de 6.000 reais de vestiaria e as iguarias pertencentes. A 1.8.1504 foi dada mercê de tabelião das notas do Paço dos Tabeliães da cidade de Lisboa a João André, escudeiro da Casa Real, morador em Lisboa, devido a renúncia de Duarte Afonso, moço da estribeira e outrossim escudeiro, em mãos do chanceler-mor com licença d'el rei. Duarte Afonso comprara o ofício de escrivão do Marco da cidade de Lisboa a Pedro Anes, escrivão, com licença de João Lopes de Sequeira e Gonçalo Figueira, vereadores, e Diogo Vieira, procurador. E apresentou a licença de João Lopes de Sequeira e, bem assim, outra certidão de concerto entre Duarte Afonso e Pedro Anes, na qual declarava que lhe vendera o ofício do Marco. A 10.1.1511 D. Francisco, fidalgo da Casa Real, teve confirmação de uma tença anual de 6.000 reais, comprada a João de Sequeira, segundo um público instrumento de renunciação feito por Bartolameu Dias, público tabelião na vila de Almeirim, a 18.12.1510. A 25.1.1513 uma carta de D. Manuel I ordena que se realize o pagamento a João Lopes de Sequeira, fidalgo da sua Casa, e a D. Beatriz, sua mulher, pela venda que lhe fizeram do castelo de Santa Cruz. Do pagamento constam a quantia de 5.000 cruzados pagos segundo o contrato acordado, a quitação de certa artilharia e outras coisas emprestadas por ordem do rei, no valor de cerca de 300.047 reais e uma tença de 100.000 reais prolongada a um filho ou filha da sua escolha. Gaio apenas dá um filho a João de Sequeira e Isabel Pinto, que como vimos confunde com a Isabel Pinto Coutinho casada com Rui Teixeira de Macedo, seus pais. Diz que esse filho se chamou Lopo de Sequeira, foi fidalgo da Casa Real e que em 1505 vivia na quinta de Corujeiras, na freguesia de Resende, tendo casado com Leonor Coelho de Macedo, filha de João Coelho de Macedo e sua mulher Isabel Soares Cardoso, senhores das quintas de Cavoucos e Pinheiro, na freguesia de Cárquere. O que em parte se confirma num prazo de 2.3.1507, feito no tabelião de Resende Manuel Anes, onde consta o emprazamento que o mosteiro de Cárquere fez das pesqueiras a Grande e a Seladinha, no rio Douro, no sitio de Porto de Rei, a Lopo de Sequeira e a sua mulher Leonor Coelho, moradores na quinta das Corujeiras. Portanto, este Lopo de Sequeira já era adulto em 1505, o que impede que tenha sido filho desta Isabel Pinto; mas, por outro lado, indica que de facto João de Sequeira casou uma 1ª vez e que este Lopo seria filho desse matrimónio. Ora, como ficou documentado acima, João Lopes / João de Sequeira em 1486 estava casado com uma Isabel Fernandes. O que vem esclarecer a flagrante contradição naquilo que Gaio diz, ou seja, João de Sequeira não podia ter nascido em 1477 e ter um filho adulto em 1505. O que, obviamente, obriga que João Lopes / João de Sequeira tenha nascido muito mais cedo, lá para 1455, tendo casado 1º com Isabel Fernandes e depois com Isabel Pinto. Assim sendo, de quem seria filho este João Lopes / João de Sequeira, partindo do princípio de que estava ligado a Violante Álvares de Sequeira, mulher de Francisco Anes de Torres? Antes de tentar responder a esta questão, convém identificar o outro homónimo, o trinchante João Lopes de Sequeira / João de Sequeira. Este é óbvio que é filho de Lopo Vasques de Sequeira, alcaide-mor de Alandroal, que as genealogias dizem ter casado a furto com D. Cecília de Menezes, filha de de D. Fernando de Menezes, senhor de Cantanhede, casamento que se documenta e que daria o tal parentesco, ainda que afastado, com o conde de Penela, que foi atribuído a João Lopes / João de Sequeira. O casamento de Lopo Vasques de Sequeira com D. Cecília documenta-se bem, nomeadamente numa carta de 8.1.1470 em que D. Afonso V perdoou o degredo de dois anos a João Álvares, morador em S. Martinho da Árvore, termo da cidade de Coimbra, a que fora condenado para a vila de Alcácer, por prestar falso juramento, induzido por D. Cecília, mulher de Lopo Vasques de Sequeira, tendo pago 4.000 reais de prata para a Arca da Piedade. A 18.1.1468 D. Afonso V concedeu carta de privilégio a Lopo Vasques, alcaide-mor de Alandroal, para todos os seus caseiros, amos, apaniguados e mordomos para as comarcas e correições da Estremadura e de Entre-Tejo-e-Odiana. Ainda era alcaide-mor de Alandroal em 1473. A Lopo Vasques de Sequeira e sua mulher D. Cecília de Menezes apontam as genealogias um filho chamado João Lopes de Sequeira, que casou com Beatriz Leme, filha do célebre navegador Fernão Gomes da Mina e sua mulher Catarina Leme, a quem só dão duas filhas. Ora, como ficou documentado acima, em 1513 João Lopes de Sequeira / João de Sequeira estava casado com D. Beatriz. Sendo certo que Lopo Vasques de Sequeira e sua mulher D. Cecília tiveram pelo menos mais dois filho filhos, Diogo e Fernando, que que em 1480 tiraram prima tonsura em Évora: "Item Didacum legitimum filium Lopi Vallasci de Sequeyra et donne Cezillie de Meneses comorantium in dicto loco do Alandroal ad Primam Clericalem Tomsuram tantum. Item Fernandum filium Lopi Vallasci de Sequeyra et donne Cezillie de Meneses comorantium in dicto loco do Alandroal ad Primam Clericalem Tomsuram tantum". Portanto, João Lopes / João de Sequeira, o de Aregos, ouvidor do conde de Penela, não era filho de Lopo Vasques de Sequeira, alcaide-mor de Alandroal. O seu patronímico, o nome da linhagem e o nome de seu filho (Lopo de Sequeira, do 1º casamento), indicam que este João Lopoes era filho de um Lopo de Sequeira. Mas qual? Coevos de Lopo Vasques de Sequeira documento dois Lopos de Sequeira que cheguei a pensar tratar-se de um, identificável com Lopo Vasques. Mas se nesta época se assistiu à queda do patronímico em vários casos, o fenómeno inverso é inexistente. Assim, dificilmente se aceita que um Lopo de Sequeira que se documenta assim na 1ª metade do séc. XV apareça na 2ª metade deste século sempre como Lopo Vasques de Sequeira e até como Lopo Vasques apenas. De resto, são claramente dois os Lopo de Sequeira que se documentam. Um aparece a 13.11.1442, quando D. Afonso V confirmou a Lopo de Sequeira a doação que a 1 de Setembro desse ano lhe fez sua irmã Mécia de Sequeira, donzela da câmara da rainha, de todos os bens móveis, vacas ou outro qualquer gado, dinheiros, pão, vinho e roupas de cama, alfaias de casa e jóias, que tinha em Moura. Que pela cronologia deve ser o Lopo de Sequeira, escudeiro do infante D. Pedro, a quem a 2.2.1443 D. Afonso V nomeou meirinho da Serra e lugares do reino do Algarve e Campo de Ourique, em substituição de Pedro Arraes, que era velho e cansado. O outro é o Lopo de Sequeira, filho de Gonçalo Rodrigues de Abiúl, a quem a 14.4.1452 D. Afonso V perdoou a justiça régia a pela querela que tivera com Rui Soares, morador em Abiúl, tendo pago 3.000 reais de prata para a Arca da Piedade. Devendo ser, pela cronologia e geografia, o Lopo de Sequeira, escudeiro, morador em Estremoz, que em 1469 foi nomeado para o cargo de juiz das coisas das sacas apropriadas aos cativos de Tânger nos almoxarifados de Portalegre, Estremoz e outros lugares que estão arrendados a João Vasques, em substituição de Pedro Nunes. E que seria irmão do Diogo de Sequeira, morador em Abiúl, que a 6.4.1456 foi nomeado por cinco anos coudel de Abiúl e Alvaiázere e seus termos, em substituição de Rui Soares, que terminara o seu tempo de serviço. O pai, Gonçalo Rodrigues, dito de Abiul, foi aí escrivão das sias e tabelião. A 21.6.1439 D. Afonso V confirmou anomeação de Gonçalo Rodrigues para o cargo de escrivão das sisas de Abiúl. A 27.6.1468 o mesmo rei perdoou qualquer pena a Gonçalo Rodrigues, tabelião, morador na vila de Abiúl, acusado de cometer erros no seu ofício, mediante o perdão das partes, tendo pago 1.000 reais de prata para a Piedade e concedeu-lhe licença para que possa exercer o dito ofício. Este Gonçalo Rodrigues, das duas uma: ou era casado com uma Sequeira ou era filho ou irmão D. Garcia Rodrigues de Sequeira, comendador-mor da Ordem de Avis. Quanto ao outro Lopo de Sequeira, como se documenta irmão de Mécia de Sequeira, donzela da câmara da rainha, aparentemente ficaria bem identificado, pois esta Mécia, como já ficou dito acima, é uma filha bem conhecida de Francisco Anes de Torres e sua mulher Violante Álvares de Sequeira. Mas, neste caso, de quem era filho Lopo Vasques de Sequeira, alcaide-mor de Alandroal? Encontro este Lopo Vasques pela primeira vez a 2.7.1456, quando D. Afonso V perdoou a justiça régia a Lopo Vasques de Sequeira, culpado da morte de Álvaro Fernandes Andorinho, escudeiro do infante D. Fernando, contanto que sirva continuadamente três anos na cidade de Ceuta, sendo os dois primeiros à sua custa e o último por conta régia. Aparentemente, seria neto de D. Garcia Rodrigues de Sequeira, comendador-mor da Ordem de Avis, que foi alcaide-mor de Alandroal e que ainda vivia a 18.3.1451, quando D. Afonso V confirmou a D. Garcia Rodrigues de Sequeira, comendador-mor da Ordem de Avis, do seu Conselho, todos os privilégios, liberdades e franquezas, mas já tinha falecido a 21.6.1454, quando o mesmo rei nomeou Frei Fernão Rodrigues, comendador de Juromenha, como alcaide-mor do castelo da vila de Alandroal, em substituição de seu pai D. Garcia Rodrigues de Sequeira, comendador-mor da Ordem de Avis, do seu Conselho, alcaide-mor da dita vila, que morrera. Deste D. Garcia, que era filho do mestre da Ordem de Avis D. Fernão Rodrigues de Sequeira, estão documentados, além do antedito Fernão Rodrigues de Sequeira, mais três filhos: Rodrigo, legitimado por carta real de 13.12.1433, Afonso de Sequeira, legitimado por carta real de 9.11.1470, e Rui Fernandes de Sequeira. A 13.2.1471 D. Afonso V confirmou a doação a Rui Fernandes de Sequeira, fidalgo da sua Casa, da colheita, jantar e poderio do lugar de S. Vicente da Beira, deixado em testamento por seu avô D. Frei Fernão Rodrigues, mestre da cavalaria da Ordem de Avis. Por outro lado, tendo em conta apenas o patronímico, Lopo Vasques de Sequeira pareceria irmão de Pedro Vasques de Sequeira e Álvaro Mendes Cerveira, ambos filhos de Fernão Vasques de Sequeira, como se documenta quando a 11.2.1462 D. Afonso V confirmou a doação a Pedro Vasques de Sequeira, fidalgo da Casa de D. Pedro, a pedido de seu pai, Fernão Vasques de Sequeira, e de seu irmão, Álvaro Mendes Cerveira, da quinta e couto de Palma, podendo herdá-la livremente à morte de seu pai, com todos os seus privilégios e liberdades. A 16.12.1446 já o mesmo rei privilegiara o lugar de Palma, a pedido de Fernão Vasques de Sequeira, cavaleiro da Casa do infante D. Pedro, concedendo-lhe carta de segurança, coutada pelo rei, autorizando-o a impedir que aí vivessem homiziados, colocando aí um tabelião e construindo uma cadeia. Álvaro Mendes Cerveira era o filho mais velho, solteiro, pelo que o teor destas cartas indica claramente que em 1462 Fernão Vasques de Sequeira era um homem velho, nunca nascido depois de 1400. Segundo as genealogias, este Fernão Vasques de Sequeira era filho de uma irmã de D. Garcia Rodrigues de Sequeira. Não lhe nomeiam o marido, mas pela onomástica da descendência deduz-se que se teria chamado Vasco Mendes Cerveira ou Mem Vasques Cerveira. D. Fernão Rodrigues de Sequeira foi mestre da Ordem de Avis de 1387 a 1433, pelo que a cronologia permite que tivesse tido uma filha casada o mais tardar em 1400. O maior óbice à filiação de Lopo Vasques de Sequeira nesta linha seria a sua sucessão na alcaidaria-mor de Alandroal, que como vimos em 1454 passou de D. Garcia Rodrigues de Sequeira para seu filho Frei Fernão Rodrigues de Sequeira. Não parecendo possível, pelo patronímico, que Lopo Vasques, seu sucessor na alcaidaria, possa ser filho deste Fernão Rodrigues, devia ao menos ser seu sobrinho. Há, contudo, uma informação determinante: a 25.6.1469 D. Afonso V doou a Lopo Vasques, colaço, cavaleiro da sua Casa, alcaide-mor do castelo da vila de Alandroal, metade dos bens que pertenceram a Mem Lourenço, aí morador, que os perdeu por ter vendido um cavalo a Bartolomeu Vermoso, morador na comarca da dita vila, e que este por sua vez o fora vender a Castela, sendo a outra metade doada por esmola aos cativos de Tânger. Portanto, Lopo Vasques de Sequeira era colaço, o que imediatamente nos remete para Francisco Anes de Torres e sua 2ª mulher Violante Álvares de Sequeira, ama-de-leite da rainha D. Isabel. Em rigor, sendo filho de Violante Álvares, Lopo Vasques não era colaço de D. Afonso V mas sim de sua mulher (e prima-direita) a rainha D. Isabel, mas seria igualmente chamado como tal. A coincidência é demasiada para não estabelecermos que Lopo Vasques de Sequeira, alcaide-mor de Alandroal, era de facto filho de Violante Álvares de Sequeira. O que levanta várias questões. Desde logo: onde foi buscar o patronímico Vasques, recorrente na linha Sequeira/Cerveira? Porque sucedeu na alcaidaria-mor de Alandroal? Quem era, então, o Lopo de Sequeira documentado em 1442 como irmão de Mécia de Sequeira, donzela da câmara da rainha, sendo que esta se documenta filha de Violante Álvares de Sequeira e Francisco Anes de Torres? Gaio, com o erro no nome dos pais já referido, dá a Violante Álvares de Sequeira e Francisco Anes de Torres dois filhos Lopos, um Lopo Vasques de Sequeira, alcaide-mor de Alandroal, e um Lopo de Sequeira, que diz casado com uma filha de Pedro de Faria, dizendo que este Lopo era filho bastardo, que só podia ser dela, pela onomástica, o que não me parece crível. Para ser colaço da rainha D. Isabel, Lopo Vasques de Sequeira, o alcaide-mor, nasceu em 1432, o ano em que nasceu a rainha. Cronologia que se adequa bem ao que dele se documenta. Mas já não se encaixa em Lopo de Sequeira, que não nasceu depois de 1420 e, a ser filho de Violante Álvares de Sequeira, é claramente mais velho do que os restantos filhos dela. Será que Violante Álvares de Sequeira, tal como Francisco Anes de Torres, também era viúva quando casou com este, cerca de 1426? Tudo indica que sim. Na verdade, em 1442 ainda viviam quer Violante Álvares de Sequeira quer seu marido Francisco Anes de Torres. Não faz sentido que Mécia de Sequeira, então donzela da rainha, que haveria de casar cerca de 1450, fizesse a seu irmão Lopo, de 10 anos de idade, doação de todos os bens móveis que tinha em Moura. Estes bens deve-os ter herdado de seu tio materno Fernão Álvares de Sequeira, comendador de Moura, tanto mais que, como ficou dito, ainda não era herdada dos pais. Possivelmente seu meio-irmão Lopo de Sequeira, que então teria cerca de 22 anos, herdou do mesmo tio os bens imóveis, e ela fez-lhe a doação para completar. Quanto à alcaidaria-mor de Alandroal, terá passado a Lopo Vasques certamente por influência da rainha, de quem era colaço. O patronímio Vasques é que não se entende, só podendo vir pela ascendência do pai, Francisco Anes de Torres, talvez filho de um João Vasques de Torres. Vejamos, portanto, a ascendência de Violante Álvares de Sequeira e a sua ligação com o mestre da Ordem de Avis D. Fernão Rodrigues de Sequeira. Violante Álvares de Sequeira era irmã de Frei Diogo Álvares de Sequeira, comendador-mor da Ordem de Avis, e de Frei Fernão Álvares de Sequeira, comendador de Moura na mesma ordem, todos filhos de Álvaro Gonçalves de Sequeira, alcaide-mor de Lisboa por D. Fernando I (CFºI, 1, 143), nascido cerca de 1345. Não se documenta de quem era filho este Álvaro Gonçalves de Sequeira, mas tudo indica que fosse filho de João Álvares Redondo ou de Sequeira, a quem sua tia Joana Gonçalves deixou 450 libras no seu testamento (15.3.1331), sendo este João filho de Álvaro Gonçalves Redondo ou de Sequeira, alcaide-mor de Neiva, fidalgo da Casa de D. João Afonso e depois de D. Afonso IV e D. Pedro I, que nas inquirições de 1343 se apura que tinha o castelo de Neiva e metade da terra de Santiago de Castelo de Neiva. Portanto, o Álvaro Gonçalves de Sequeira, alcaide-mor de Lisboa, usou o nome e patronímico de seu avô paterno o Álvaro Gonçalves Redondo ou de Sequeira, alcaide-mor de Neiva. Deste foi irmão Rodrigo Anes Redondo, cavaleiro, já falecido em 1321, que foi pai, entre outros, de Fernão Rodrigues Redondo, meirinho-mor do reino (1317), s.g., e de Pedro Rodrigues Redondo, sendo este pai de Álvaro e João Rodrigues Redondo, que o conde D. Pedro diz que foram ambos criados pelo prior da Ordem do Hospital D. Frei Álvaro Gonçalves. Ora, deste João Rodrigues Redondo deve ser filho o Rodrigo Anes que, com sua mulher Maria Afonso, se documentam pais do mestre da Ordem de Avis D. Fernão Rodrigues de Sequeira. Portanto, sendo da mesma linhagem, era afastada a ligação familiar de Lopo Vasques de Sequeira com Frei Fernão Rodrigues de Sequeira e seu pai D. Garcia Rodrigues de Sequeira, os anteriores alcaides-mores de Alandroal. Posto todo este vasto conjunto de explicações, julgo poder concluir, com algum grau de probablidade, que o João Lopes / João de Sequeira, de Aregos, ouvidor do conde de Penela, era filho do Lopo de Sequeira que em 1442 recebeu a doação da irmã Mécia de Sequeira, e que este era filho de Violante Álvares de Sequeira e de um seu desconhecido 1º marido. E que de João Lopes / João de Sequeira era filho natural deste Lopo de Sequeira. Uma coisa é certa e entra pelos olhos dentro: a Isabel Pinto que foi 2ª mulher de João Lopes / João de Sequeira nunca podia ser a Isabel Pinto viúva de Rui Teixeira, pois esta não só não passaria à descendência do 2º casamento o prazo da quinta do Paço de Fornelos, do 1º marido, como sobretudo não passaria aos filhos do 2º casamento o nome do 1º marido. É evidente que a Isabel Pinto 2ª mulher de João Lopes / João de Sequeira era filha de Rui Teixeira.

2.1.1.  Rui Teixeira Pinto, documentado como filho de João de Sequeira, fidalgo da Casa d'el rei, e de sua mulher a muito honrada Isabel Pinto, que sucedeu no prazo da quinta, paço e couto de Fornelos, que lhe foi renovado em 1534 por Frei Gomes Godinho, comendador de Barrô, como diz Frei Teodoro de Mello. Terá nascido cerca de 1497 e parece que faleceu em 1539, deixando filhos menores. Casou com Isabel Pinto, como se documenta no dito prazo e no inventário de menores dos filhos, que provavelmente era sua parente.

2.1.1.1. Aires Teixeira Pinto, que sucedeu no prazo da quinta, paço e couto de Fornelos. Com seus irmãos teve inventário de menores, que Frei Teodoro de Melo diz que estava no cartório dos órfãos de Aregos. Este inventário deve ser de 29.9.1539, como refere Gaio, que, devido à referida confusão da Isabel Pinto, avó deste, com a Isabel Pinto sua bisavó, dá erradamente este Aires e sua irmã Filipa como filhos do Rui Teixeira que foi seu bisavô. Segundo Gaio casou com Isabel Fernandes Baracha, irmã de seu cunhado, referido adiante, tendo ambos já falecido a 10.12.1568 quando os filhos fazem partilha de bens. C.g.

2.1.1.2.  Filipa Teixeira Pinto, que segundo Gaio casou com Sebastião Fernandes Baracha, cavaleiro fidalgo e vedor dos duques de Bragança, c.g. que partilhou os bens de seus pais por escritura de 7.4.1587.

2.1.1.3.     Rui Teixeira Pinto.

2.1.2. Sebastião, segundo Frei Teodoro de Melo, o que parece confirmar-se.

2.1.3. Jorge, segundo Frei Teodoro de Melo, que de facto parece filho do 2º casamento de João de Sequeira, pois Isabel Pinto teve um irmão Jorge, clérigo beneficiado na igreja de Anreade. Se bem que este Jorge e o alegado tio possam afinal ser o mesmo, ou seja, o dito clérigo ser este filho de João da Silveira.

2.1.4. Francisco Pinto de Macedo, n. cerca de 1503, que as genealogias identificam com seu seu tio homónimo, referido adiante. Mas, tendo em conta o que ficou dito e a cronologia deste Francisco Pinto de Macedo, a Isabel Pinto que as genealogias lhe dão por mãe não será a casada com Rui Teixeira (de Macedo), mas sim sua filha homónima casada com João de Sequeira. Podendo assim não ter existido o Francisco Pinto de Macedo que vai como seu tio. O Francisco Pinto de Macedo em epígrafe casou, ainda assim tardiamente, com escritura antenupcial de 2.5.1557, com Maria da Fonseca, sucessora no prazo da quinta de Ermêlo, em Stº André de Ancede (Baião), filha de Nicolau da Fonseca. De Francisco Pinto e sua mulher foi filho sucessor Gaspar da Fonseca Pinto, nascido cerca de 1560, que viveu na sua quinta de Ermêlo, Ancêde (Baião), onde nasceu, faleceu a 25.9.1633 e onde casou cerca de 1600 com Filipa Monteiro Coutinho, também daí natural e falecida a 28.5.1625. Destes foram filhas Maria da Fonseca, sucessora na quinta de Ermêlo, que casou a 13.9.1621 em Ancêde com Gaspar Pinto Barbosa, nascido em Stª Leocádia de Baião, filho de Gaspar Barbosa, de Esmoriz (Ancêde), e de sua mulher Catarina Pinto, da quinta de Balde, em Stª Leocádia de Baião, ambos então já falecidos; Beatriz Pinto, que casou a 2.10.1640, ib, com Jerónimo de Azevedo Coutinho, natural de Lisboa, ambas com geração; e Luiza Monteiro de Macedo, que casou a 21.10.1646, ib, com João Pinto da Fonseca, natural de S. Miguel de Anreade, filho de Gaspar de Faria e sua mulher Maria da Fonseca, ambos então já falecidos. Dizem as genealogias que a mulher de Diogo Borges de Azeredo, senhor da quinta de Penalva, ib, chamada Catarina de Macedo, era filha de Gaspar da Fonseca Pinto, tendo mesmo sido julgada, por sentença de 10.5.1684, como herdeira de seu sobrinho Miguel de Azevedo Coutinho (filho da antedita Beatriz Pinto). E Gaspar da Fonseca Pinto teve de facto uma filha Catarina, dita sua filha quando foi madrinha em Ancêde em 1616, sendo portanto ainda solteira. Aquele Diogo Borges de Azeredo era filho de António de Azeredo Pinto, de Penalva, que em 1617 foi testemunha em Ancêde, e de sua mulher Maria de Gouveia. A 4.11.1614, ib, faleceu Cecília de Gouveia, solteira, de 25 anos, filha de António de Azeredo. E a 24.5.1617, ib, faleceu Antónia Monteiro, também filha de António de Azeredo, de Penalva. Esta cronologia aponta o nascimento do antedito Diogo Borges de Azeredo para cerca de 1590/5, permitindo de facto o seu casamento com a antedita Catarina, depois de 1617, ano em que ainda estava solteira, como ficou dito. Mas não encontrei em Ancêde o respectivo assento de casamento, nem o de baptismo dos filhos.

2.2. João Pinto Coutinho, fidalgo, capitão de Aregos, sucessor na quinta do Barral, que segundo Gaio lhe coube nas partilhas de seus pais, "como consta da escriptura dellas q. se acha na q.ta de Beba em poder de Nicolau Prª Machado". Casou cerca de 1520 com Urraca de Oliveira, n. cerca de 1505, parece que natural de Poiares (Régua). Tendo em conta o nome do filho, seria de ponderar a hipótese de esta Urraca ser filha de um Jorge de Oliveira. Há um Jorge de Oliveira que foi recebedor da Chancelaria da Corte (11.12.1500 - CMI,2, 58v), que era castelhano e cristão-novo (vide Braamcamp, in "A Gente do Cancioneiro") e pai de um Simão de Oliveira, que sucedeu no cargo. Outro Jorge de Oliveira, já fidalgo, viveu nesta cronologia. Com efeito, a 8.7.1497 foi confirmado a João Fernandes de Oliveira o privilégio que concedia a seu filho Jorge de Oliveira, 1/2 das emxadegas (sic) de Castro Marim à sua morte, as quais ele tinha por mercê de D. João II, por carta de privilégio de 24.5.1486 (ib, 30, 134). Mas, como ficou dito acima, a 20.8.1488 um Fernão de Oliveira testemunhou um prazo feito pelos condes de Penela nas casas de Isabel Pinto, em Fornelos, do concelho de Aregos, não sendo de descartar a hipótese de Urraca ser filha deste Fernão de Oliveira. Acresce que Urraca de Oliveira era irmã de um Jorge de Oliveira (e isso justifica o nome do filho), pelo que o pai de ambos pode não ser Oliveira, mas sim a mãe. Tendo em conta a geografia e as relações familiares que se vieram a estabelecer, julgo que na verdade a mãe de Urraca de Oliveira, talver Urraca como ela, era irmã inteira de Inez de Oliveira e de Rui Gonçalves de Macedo, escudeiro de D. João II, morador em Pedorido, onde teve prazos do mosteiro de Paço de Sousa. Um irmão de Urraca de Oliveira, Jorge de Oliveira, teria assim casado com uma prima, pois essa sua mulher, Helena de Macedo, era filha de Lopo de Macedo e neta do dito Rui Gonçalves de Macedo. Como refiro com mais detalhe no meu estudo Argollo. Uma família brasileira de 1500. Subsídios para a sua genealogia, para a dos Lobo de Souza e para a dos Góis, os anteditos Rui Gonçalves de Macedo e Inez de Oliveira (1ª mulher de Rui Dias de Góis), seriam filhos do 2º casamento de Gonçalo de Macedo, almoxarife da alfândega do porto de Bragança, que faleceu neste cargo em 1481, e de sua 2ª mulher Inez de Oliveira, provável irmã do Luiz de Oliveira, escudeiro, morador em Tarouca, a quem a 1.12.1469 D. Afonso V legitimou o filho Diogo de Oliveira, a seu pedido, havido em Catarina Gonçalves, mulher solteira. Os Oliveira são uma família do Alentejo, que nesta época se documenta no sul, incluindo Lisboa, e no centro apenas em Montemor-o-Velho. Assim sendo, e tendo também em conta o prenome do filho legitimado, é provável que aquele Luiz de Oliveira seja filho de um Diogo de Oliveira, escudeiro, que a 27.5.1450 vivia em Mondim (certamente Mondim da Beira) quando D. Afonso V o privilegiou, recebendo-o sob sua guarda e encomenda. E que não pode deixar de ser o Diogo de Oliveira, escudeiro do conde de Marialva, a quem D. Afonso V, a 18 de Junho do mesmo ano, nomeou escrivão das sisas de Numão, Cedovim e Horta, em substituição de João Anes, tabelião, que fora destituído do cargo por não ter licença régia para exercer o dito cargo. E ainda o Diogo de Oliveira que a 13 de Agosto do mesmo ano D. Afonso V legitimou, como filho de Rodrigo Esteves (de Oliveira?), prior que foi do mosteiro de [Alveira] da ordem de S. Agostinho no arcebispado de Braga, e de Catarina Pires, mulher solteira. De Urraca de Oliveira foi irmão Jorge de Oliveira Pinto, nascido cerca de 1520 e fal. a 26.12.1612 em Lagares (Penafiel), que casou com a já referida Helena de Macedo, por cujo dote teve o prazo da quinta da Granja, em S. Martinho de Lagares (Penafiel), em que sucedeu o filho homónimo Jorge de Oliveira, dito o Novo, que fal. a 16.8.1632 em Lagares, que casou com sua prima Maria de Mello. João Pinto Coutinho e sua mulher Urraca de Oliveira foram pais de Jorge de Oliveira Pinto, n. cerca de 1521, sucessor na quinta do Barral, em S. Cipriano de Aregos, que viveu casado em Pedorido, onde faleceu antes de 1594. Casou com Guiomar da Cunha, senhora da casa do Padrão de Belmonte, na cidade do Porto, e da quinta de Santa Ovaia, em Pedorido, etc., tendo deste matrimónio Manuel da Cunha Coutinho de Portocarreiro, 1º morgado de S. Tiago de Melres (Gondomar), capitão da Ordenança de Melres, juiz e vereador do Senado e tabelião de Melres (CFII, 10, 309); juiz de Castelo de Paiva (9.8.1599), etc., n. cerca de 1550 em Pedorido (Castelo de Paiva) e fal a 10.11.1625 em Melres, que sucedeu a seu tio materno Jerónimo da Cunha, já no ano da sua morte, nas honras e quintãs da torre de Portocarreiro, de Louredo e Lordelo, assim como no padroado de Vila Boa de Quires e na quinta do Paço de Valpêdre. C.g., nos Cunha Coutinho Ozorio de Portocarrero, do palácio da Bandeirinha, no Porto (7).

2.3. Rui Teixeira de Macedo (3), fidalgo, n. cerca de 1483 e já fal. em 1538. Foi senhor da quinta de Vimieiro, em S. Martinho de Sande, prazo do mosteiro de Alpendurada de livre nomeação, renovado a 28.9.1513, e onde parece que viveu. Casou cerca de 1513 com Isabel Velho, que já viúva teve a 11.5.1538 prazo novo, em 1º vida, da quinta de Vimieiro.

2.3.1. Melícia Teixeira, que parece viveu na quinta de Vimieiro, onde n. cerca de 1523 (pelo que teria irmãos mais velhos, certamente falecidos novos ou sem geração), onde fal. a 4.10.1590. A 9 de Maio do ano seguinte, o prazo de metade da sua quinta de Vimieiro foi feito a seus filhos Rodrigo, Frutuoso e Paulo, representados por Gaspar Carneiro (seu primo). Tinha esta metade incluída uma casa térrea e outra sobrada. A ordem como o filhos são referidos no prazo é a que ficou dita, se bem que também apareça, adiante no texto, Frutuoso primeiro que Rodrigo. Casou cerca de 1545 com Tomaz Fernandes, como se diz no referido prazo, já fal. a 9.3.1591.

2.3.1.1. Rodrigo Teixeira, n. cerca de 1546 e fal. a 26.4.1623 na quinta de Vimieiro. Teve a 9.1.1591, com seus irmãos Frutuoso e Paulo, o prazo de metade da quinta do Vimieiro. Casou a 3.12.1588 com Maria Ribeiro, fal. a 28.10.1624, em Sande, c.g.

2.3.1.2. Frutuoso Teixeira, n. cerca de 1548 e fal. a 12.1.1642 em Sande, que a 9.1.1591 teve, com seus irmãos, o prazo de metade da quinta do Vimieiro, como ficou dito, embora em em 1600 vivesse no lugar (ou quinta?) do Loureiro. Casou antes de 1587 com Marta Ribeiro, fal. a 27.4.1648, ib. C.g.

2.3.1.3. Paulo Teixeira, n. cerca de 1550, que viveu na quinta de Vimieiro, onde fal. a 10.11.1639. A 9.1.1591 teve, com seus irmãos, o prazo de metade da quinta do Vimieiro, como ficou dito. Casou a 21.2.1593 em Sande com Maria Marques, fal. a 3.10.1632, ib, c.g.

2.3.2. Joana Teixeira, que sucedeu em 2ª vida no prazo novo da quinta de Vimieiro (Prazos do Mosteiro de Alpendurada), onde n. cerca de 1525 e fal. a 4.8.1599, prazo que dividiu por suas duas filhas. Fez manda verbal e deixou os filhos por testamenteiros. Casou cerca de 1550 com Manuel de Azevedo, fal. a 3.6.1597, ib, possivelmente filho de uma Francisca Rebello.

2.3.1.1.  Bartolomeu Rebello, referido por Gaio (Aranhas, §38).

2.3.2.2.  Ana Teixeira, n. cerca de 1555, que foi senhora do prazo de metade da quinta do Vimeiro, onde viveu e fal. a 21.6.1616. Casou cerca de 1574 com Gaspar Carneiro (de Vasconcellos), fal. a 1.12.1616, ib, sendo referido no óbito que "ficou na propriedade seu genro Melchior de Leão". Nos prazos do mosteiro de Alpendurada Gaspar Carneiro é identificado como cunhado de Francisca Rebello. Na IG de sua neta Ana Carneiro (casada com o familiar do Santo Ofício Paulo de Moura Carneiro, senhor da quinta do Casal, em S. Cristóvão de Espadanedo) diz-se que Gaspar Carneiro e sua mulher "eram pessoas nobres", "que vieram da sua Quinta" como "gente de grande qualidade e dos melhores deste concelho". Gaspar Carneiro era irmão mais novo do abade de Soalhães Braz Carneiro, ordenado em 1566, ambos filhos naturais de João Carneiro, matriculado em ordens menores em Braga em 1527, e de Beatriz de Basto, solteira de Taboado; e netos paternos de Francisco Carneiro e sua mulher Filipa de Moraes, moradores em Vila Real.

2.3.2.2.1. André Carneiro de Vasconcellos, n. em 1575 e fal. 1673, foi cónego claustral, ficando conhecido como um dos "bravos" que não aceitou a reforma dos conventos de 1605, como se refere na "Corografia Portuguesa".

2.3.2.2.2. Joana Teixeira, que n. cerca de 1586 e casada a 10.1.1605 em Sande com Diogo Leitão, n. em Paços de Gaiolo, onde moraram, sendo pessoas "nobres que viviam de suas fazenda" e "se tratavam à lei da nobreza", como refere a IG do neto para o Stº Ofº. C.g. 

2.3.2.2.3.  Beatriz Velho Carneiro, que n. cerca de 1588 e sucedeu no prazo de metade da quinta de Vimieiro. Faleceu a 15.10.1673 em Penhalonga, sendo no óbito referida como Beatriz Carneiro, viúva de Melchior de Leão, moradora na quinta do Prado, e onde se diz que seu filho Belchior Carneiro de Leão (Melchior Geraldes de Leão) fez os bens de alma, com 60 missas, com ofertas e obradas costumadas, repartidas em 3 ofícios. É possível que Beatriz Velho Carneiro (ou seu marido) tenha remido o prazo da sua metade da quinta de Vimieiro, que assim ficou livre e bem de raiz. Nesta altura existiam, portanto, pelo menos duas quintas de Vimieiro, resultantes da divisão da original. Casou a 22.2.1609 em Sande com Melchior de Leão Cabral (4), que com sua mulher teve renovação do prazo de metade da quinta de Vimieiro em 1619, onde fal. 3.10.1635, tendo sido crismado a 2.11.1592 em Sande. Era filho de Martinho de Leão Geraldes, 6º morgado da Casa Nova, em S. Paio de Favões, fidalgo de cota de armas (1586) e senhor da quinta de Cristóvão, em Sande, onde fal. a 10.7.1617, e de sua mulher Marta Freire Vieira, fal. a 2.12.1622, ib. Beatriz Velho Carneiro e seu marido tiveram oito filhos, entre eles o sucessor na quinta de Vimieiro, Belchior Geraldes de Leão (5a), b. a 30.8.1614, ib, c.g. nos Azeredo Geraldes de Leão, da quinta de Magães, em Stª Mª do Freixo (Marco), e através deles nomeadamente nos Geraldes de Vasconcellos, da quinta de Rande (S. João de Rande, Milhundos, Penafiel) e da casa das Quartas (Stª Leocádia de Baião) (5b). 

2.3.2.2.4. Maria Velho Carneiro, que casou a 22.2.1609, no mesmo dia de sua irmã, com um irmão do marido desta, Francisco de Leão Geraldes, 7º morgado da Casa Nova, c.g. nos Carneiro de Vasconcellos (6).

2.3.1.3. Francisca Rebello, n. cerca de 1557, que foi senhora do prazo de metade da quinta do Vimeiro, onde viveu e fal. a 30.5.1624, deixando testamenteiro seu filho Pedro Soares. Casou cerca de 1577 com Pedro Soares, fal. a 9.5.1600, ib, com manda no notário Paulo Vieira. C.g.

2.3.1.3. Ventura Velho, que casou com Belchior Aranha Coutinho, c.g. (Gaio, Aranhas, §38).

2.4.  Pedro Teixeira, escrivão das sisas de Stª Marinha de Zêzere (30.6.1518).

2.5.  Jerónimo Teixeira, morador em Santa Marinha de Zêzere quando a 7.8.1506 teve de D. Manuel I privilégio de guarda e encomenda (CMI, 44, 120).

2.6.  Jorge Pinto Coutinho, clérigo, beneficiado na igreja de S. Miguel de Anreade, c.g. ilegítima nomeadamente uma Catarina, legitimada por carta real de 14.7.1506, aí dita filha de Jorge Pinto, clérigo de missa, beneficiado da igreja de S. Miguel de Anreade, e de Maria Gomes, mulher solteira, legitimação a pedido de seu pai, que o fez certo por um público instrumento feito e assinado por Afonso Anes, tabelião de Ribeira do Vilar, do concelho de Resende, a 11.3.1506 (CMI, 46, 129v).

2.7. (Francisco Pinto de Macedo), que certamente não existiu e as genealogias confundem com o homónimo filho de sua irmã Isabel, já referido acima.

2.8. Sebastião Pinto de Macedo, fidalgo, n. cerca de 1487 e fal. em 1530, com cerca de 43 anos de idade e filhos menores. Foi senhor da quinta do Cavouco, em Cárquere (Resende). Por cuja morte fez-se inventário dos seus bens no cartório dos órfãos de Aregos a 17.3.1530, onde consta que casou a 1ª vez com Catarina Coelho, filha de João Coelho de Macedo, senhor da dita quinta do Cavouco, c.g., a  2ª vez com Guiomar Nunes, fal. com inventário de 21.7.1527, filha de António Coutinho e de sua mulher Margarida de Gouveia, moradores em Lamego, também c.g., e a 3ª vez, cerca de 1529, com Isabel Luiz de Vinhais, que ficou sua viúva, s.g. Do 1º casamento, que se terá realizado cerca de 1509, nasceu António Pinto de Macedo, que casou com Briolanja Fernandes e foram pais de Isabel Pinto de Macedo, n. cerca de 1531, e por ela avós de Cristóvão Pinto de Macedo, n. cerca de 1546, cuja primeira filha legítima foi baptizada a 21.8.1567 em S. João de Fontoura (Resende), segundo informação do Dr. Pedro Girão, que dele descende e está a investigar esta linha.

2.9.   Cecília Teixeira Pinto, que segue no nº 3.

 

 

3.      Cecília Teixeira Pinto, n. em 1488 ou 89, que herdou ou fez a casa de Entre-Águas, em Stª Marinha de Pormenor da casa da quinta de Entre-ÁguasZêzere (imagem), onde fal. centenária e viúva a 2.1.1592, com manda, deixando testamenteiro seu filho Amador. É possível que tenha herdado a casa de seu proposto irmão Pedro Teixeira, que foi aí escrivão das sisas, como ficou dito. Segundo Gaio, casou a 1ª vez com Álvaro Fernandes Pinto (a), filho de Fernão Álvares Pinto e sua mulher Beatriz Gonçalves, matrimónio este que parece certo, tendo em conta a idade tardia com que Cecília Teixeira Pinto casou com Rodrigo de Moura. Casou a 2ª vez cerca de 1524, teria já 36 anos, com Rodrigo de Moura (b), fal. antes de 1592, que segundo Gaio era natural de Lamego e filho de outro Diogo de Moura e de sua mulher Catarina Pereira; e que segundo Montarroio era filho de Manuel de Moura e sua mulher Beatriz Leite. Rodrigo de Moura terá nascido cerca de 1493 e seria um pouco mais novo do que a mulher, o que em casamentos tardios com viúvas não é anormal. É muito provavelmente o Rodrigo de Moura a quem o procurador da capela instituída pelo arcebispo de Braga D. Gonçalo Pereira fez a 4.11.1524 o prazo do lugar do Souto, na freguesia de S. Lourenço de Celeirós (Braga). Ora, Manuel de Moura viveu na Rua Nova, no Porto, onde foi capitão da Casa da Moeda e onde casou com Beatriz Leite, filha herdeira de Diogo Leite, escudeiro do arcebispo de Braga, capitão da Casa da Moeda do Porto e cidadão e juiz dos órfãos desta cidade, que viveu no reinado de D. Afonso V. As genealogias identificam este Manuel de Moura com o alcaide-mor de Basto (6.7.1544) que foi "criado" e escudeiro de Pedro da Cunha Coutinho, senhor de Basto, de quem recebeu a quinta de Borba de Godim antes de 17.10.1541, data em que já por ela pagava foro à coroa (CJIII, 5, 140v), tendo depois dela doação real (ib, 6, 57), e que estava sepultado em campa armoriada (Moura) na igreja de S. Miguel de Borba de Gondim, conforme refere Craesbeeck, com o seguinte epitáfio "S. de Manoel de Moura alcaide mor de Basto". Parece assim que Manuel de Moura é muito tardio para ser pai de Rodrigo de Moura, como diz Montarroio. Certamente eram irmãos, o Rodrigo mais velho, portanto ambos filhos de Heitor de Moura, morador em Peso da Régua (próximo de Stª Maria de Zêzere e em frente a Lamego). No foral manuelino do couto de Peso da Régua, assinado a 15.5.1514, já surge por quatro vezes referido este Heitor de Moura nas delimitações dos prazos do bispo do Porto, senhor daquela terra. Vemos aí que este Heitor de Moura tinha terras e hortas no lugar do Peso, junto ao rio Douro, onde certamente teria casa pois já nessa época este era um lugar urbano. Este Heitor, que terá nascido cerca de 1460, talvez fosse filho de Fernão de Moura, cavaleiro do infante D. Pedro, que a 10.6.1443 obteve mercê real para um seu escudeiro, e que certamente é o Fernão de Moura, morador em Condeixa, que a 26.22.1444 perdeu o ofício de tabelião do cível e crime das vilas de Cernache e Condeixa para Fernão Rolim. E este Fernão talvez seja filho daquele Lopo Álvares de Moura a quem D. Afonso V confirmou a 16.6.1439 uma tença anual de 420.000 libras, tal como já tinha no reinado de D. Duarte. Ou então filho do Gonçalo Álvares de Moura, certamente irmão do Lopo Álvares de Moura, já referido, senhor da quinta do Paço de Fornelos, que era bisavô da Cecília Teixeira Pinto em epígrafe, o que a faria parente do 2º marido. Sendo aquele Lopo Álvares, tal como este Gonçalo Álvares, filhos de Álvaro Gonçalves de Moura, senhor de Moura (4.1.1400), Portel e Stº Aleixo, alcaide-mor de Évora, Monção e Melgaço, meirinho-mor de Entre Tejo e Guadiana, etc., e de sua mulher Urraca Fernandes Rolim, 9ª senhora de Azambuja. Ora, este Álvaro era irmão da celebrada Beatriz Gonçalves de Moura, camareira-mor da rainha D. Filipa de Lencastre e mulher de Vasco Fernandes Coutinho, senhor do couto de Leomil e 1º senhor de Marialva (13.5.1372), ascendentes do referido Pedro da Cunha Coutinho, senhor de Basto, de quem Heitor de Moura seria parente. O facto de a sua descendência vir depois a usar Moura Coutinho, deve-se nuns casos (como este em estudo), ao casamento com senhoras Coutinho, e noutros por osmose ou simpatia, como é o caso dos descendentes daquele Manuel de Moura, ou de outro Heitor de Moura, que era certamente o mais novo irmão de Manuel de Moura e de Rodrigo de Moura, ou ainda dos descendentes do tardio Esplendião Álvares de Moura (n. cerca de 1525, fal. depois de 1571), senhor da quinta de Adaufe, em S. Miguel de Gémeos, que era filho de Álvaro de Moura. O foral manuelino de 29.3.1520 refere que este Álvaro de Moura tinha de pagar foro pela quinta da Lage, em S. Miguel de Gémeos, e terras em Adaufe, que tinham sido de um Álvaro Gonçalves, da Lança. O mesmo foral manuelino, quando refere Arnoia, fala num Sebastião Lourenço, que tem de pagar foro pelo seu souto da Lança. Este Álvaro de Moura, nascido cerca de 1490, não era nem podia ser filho Álvaro Gonçalves Coutinho, o Magriço, nascido cerca de 1383 e fal. em 1445, como inventaram as genealogias tardias, sendo muito provavelmente sobrinho do antedito Heitor de Moura, de Peso da Régua. Este Heitor de Moura, dizem as genealogias que casou com Beatriz Mendes de Vasconcellos, filha de Luiz Mendes de Vasconcellos e sua mulher Maria Vaz Guedes, filha dos 1ºs morgados de Stª Comba. Casamento este que parece confirmar-se no facto de um neto de Heitor de Moura se documentar como Belchior Guedes. Mas, por isso mesmo, a mulher devia chamar-se Beatriz Guedes e não Mendes de Vasconcellos, seguindo portanto o nome da família da mãe. De Heitor de Moura e sua mulher, portanto Beatriz Guedes, nasceram vários filhos, nomeadamente o já referido Manuel de Moura e, provavelmente, o Rodrigo de Moura em epígrafe, que seria o primogénito. O filho Heitor de Moura II, nascido cerca de 1500, viveu na quinta do Freixieiro, em Arnoia de Basto, que lhe deu Pedro da Cunha Coutinho, senhor de Basto, ou já sua viúva D. Beatriz de Vilhena. Alão diz que D. Beatriz de Vilhena lhe doou o assento da igreja de Sedielos e da quinta do Freixieiro, em Arnoia de Basto, "cõ casas nobres q tiverão demãdas q vêcêram cõ D. D.º de Castro". Gaio diz que em 1571 vivia na cidade do Porto, "por q nesse anno com sua m.er M.ª de Barros emprazarão huas terras a Elvira Fernandes, de Arnoia", em escritura onde Heitor de Moura se tratava por cavaleiro fidalgo e afirmava assistir em Monchique. O certo é que já tinha falecido a 22.3.1576, data em que foi feita no tabelião do Porto Rui de Couros, entre as freiras do mosteiro de Monchique, nesta cidade, e Maria de Barros, dona viúva de Heitor de Moura, como tutora de seus filhos Manuel de Moura, Belchior Guedes, Domingos, Lourenço e Heitor, uma escritura de concordância sobre o dote da freira Maria da Conceição, filha do dito Heitor de Moura (Livro 1 do Tombo de Monchique). O nome deste Belchior Guedes, a que Alão chama Belchior Guedes Alcoforado e diz abade reitor de Sedielos (Régua), parece confirmar, como vimos, a informação segundo a qual o Heitor de Moura mais antigo, portanto o do foral manuelino, casou com uma Beatriz, filha de Luiz Mendes de Vasconcellos e sua mulher Maria Vaz Guedes, irmã de Francisco Vaz Guedes Alcoforado, morgado de Stª Comba, ambos filhos de Gonçalo Vaz Guedes e sua mulher Helena Rodrigues Alcoforado, filha esta de Rui Gonçalves Alcoforado e de sua mulher Filipa Vaz. Este Rui Gonçalves Alcoforado foi o último senhor de juro e herdade de Bemposta, Castro Vicente e Penas Rojas (vide o meu estudo Origem dos Avelar e dos Soveral). Helena Rodrigues Alcoforado nasceu cerca de 1460, o que concorda com o facto de se documentar viva e casada com Gonçalo Vaz Guedes em 1512. O marido, Gonçalo Vaz Guedes, nasceu cerca de 1452, foi meirinho de Trás-os-Montes a 14.5.1496, em sucessão ao pai, e morgado de Stª Comba, vínculo que seu pai instituira em 1462, nomeando-o sucessor na administração. O pai, também Gonçalo Vaz Guedes, nasceu cerca de 1425 e faleceu em 1496, tendo casado, ao que parece, com uma Maria Rodrigues. A 25.6.1451 D. Afonso V nomeou Gonçalo Vasques Guedes, escudeiro do conde de Ourém, e a seu pedido, para o cargo de meirinho da correição da comarca de Trás-os-Montes, em substituição de Gonçalo Vasques, que estava doente. E a 28.10.1458 privilegiou Gonçalo Vasques Guedes, escudeiro do marquês de Valença, concedendo-lhe licença para nomear um escrivão que exerça por ele os ofícios. Este Gonçalo Vaz Guedes instituidor não era, como se diz, filho mas sim neto do Gonçalo Vaz Guedes que foi alcaide-mor de Monsanto. Este já o era a 4.11.1389, data em que D. João I confirmou a "g.o uaasqz alcaide de monsanto" as 100 libras de que tinha feito mercê a seu pai. Tendo em conta a cronologia apontada, a Maria Vaz Guedes que casou com Luiz Mendes de Vasconcellos não podia ser, como diz Gaio, filha de Gonçalo Vaz Guedes e Helena Rodrigues Alcoforado, mas sim irmã deste Gonçalo Vaz e filha do outro.

3.1.   (a) ou sem geração ou só com filhas, uma vez que foi herdeiro o filho do 2º casamento.

3.2.   (b) Amador da Fonseca Coutinho, que segue no nº 4.

3.3.  (b) Sebastião Osorio Coutinho, n. cerca de 1526, que recuperou, tal como o irmão, os nome da família de sua bisavò materna. Gaio diz ter sido senhor da casa de Almedina, em Lamego, e que casou com Apolónia de Carvalho, filha de João de Carvalho e de sua mulher Isabel Teixeira, senhores da casa da Figueira, em Lamego.

3.3.1   Diogo de Ozorio Coutinho, n. cerca de 1548, que segundo Gaio teve foro de escudeiro fidalgo da Casa Real a 22.8.1568, foi capitão-mor de Baião e senhor da quinta das Caldas chamada de Trancoso, junto às Caldas de Baião. C.c. Isabel Ozorio de Gouvea, filha de Jorge de Figueiredo de Gouvea e de sua mulher Cristóvã Ozorio. C.g.

 

4.   Amador da Fonseca Coutinho, que também aparece como Amador da Fonseca Pinto, cavaleiro fidalgo, senhor da quinta de Entre-Águas, em Stª Marinha do Zêzere, onde n. cerca de 1525 e fal. a 20.9.1601, deixando herdeiros seus filhos. Era "pessoa principal" e "da mais nobre gente do concelho", conforme se diz na IG do neto Diogo de Moura Coutinho, onde é referido como Amador da Fonseca Pinto, cavaleiro fidalgo, natural de Stª Marinha. Casou cerca de 1559 com Francisca de Ozorio, fal. a 3.10.1598, ib, "mulher fidalga", nascida em Lamego, que julgo filha natural de Pedro da Cunha Ozorio (8), cónego da Sé do Porto, havida em Antónia Fernandes, que fal. em casa de sua filha em Stª Marinha. Gaio dá erradamente Francisca de Ozorio como filha de Diogo da França e de sua mulher Isabel Osorio da Fonseca, o que além do mais é anacrónico.

4.1. Maria de Ozorio Coutinho, n. cerca de 1549 e fal. a 8.5.1599, ib, com testamento cerrado, ficando testamenteiro seu marido. Casou cerca de 1568 com Francisco de Carvalho Pinto (9), co-herdeiro da casa da Granja, Pormenor da parte mais antiga (em ruinas) da casa da quinta de Travancaonde viveu, e das quintas de Passos e de Travanca (imagem), todas em Stª Marinha do Zêzere, onde fal. a 21.11.1610 com testamento. Era filho de Diogo Homem Pinto, senhor da dita quinta de Passos, onde viveu e fal. a 8.10.1590, e de sua mulher Beatriz Álvares de Carvalho (10), fal. a 15.2.1578, ib, herdeira da dita quinta de Travanca, ib. Aquele Francisco de Carvalho Pinto casou 2ª vez a 30.6.1601, ib, com Jerónima Corrêa (10a), fal. viúva a 30.3.1631 na quinta da Granja, filha de Manuel Camelo Alcoforado, senhor da quinta de Travaços, ib, e de sua mulher Isabel Corrêa, da quinta das Devesas, em Bemviver; neta de António Camelo Alcoforado, escrivão da correição de Vila Real (11).

4.1.1. Maria de Ozorio Coutinho, co-herdeira da quinta de Passos, onde viveu. N. cerca de 1570 e casou a 10.5.1589, ib, com Gaspar Pinto Vieira, filho de Diogo Pinto Aranha, fal. a 25.4.1599, ib, deixando testamenteiros seu irmão Pedro Jorge e seu genro Francisco de Carvalho, e de sua mulher Joana Vieira, fal. a 28.10.1593, ib; neta paterna de Jorge Pinto, de S. Tomé de Valadares, e de sua mulher Mariana Aranha, fal. viúva a 29.9.1591 em Stª Marinha, deixando herdeiros seu filho Diogo Pinto e seu genro António Teixeira.

4.1.1.1.  Francisco Pinto Vieira, morador na quinta de Passos. Casou com Maria Pinto, fal. viúva a 13.9.1699, ib, provavelmente sua prima.

4.1.1.1.1. Domingos de Carvalho Pinto, fal. a 16.9.1709 na quinta de Travanca, onde viveu casado. Casou a 29.1.1693 em Stª Marinha com D. Antónia da Silva e Costa, n. em 1675 e moradora viúva na quinta de Travanca, fal. antes de 1731, que já era viúva de seu tio Domingos de carvalho Coutinho, referido adiante.

4.1.1.1.1.1.   António, b. a 27.12.1696, ib.

4.1.1.1.1.2.   Valério, b. a 12.11.1703, ib.

4.1.1.1.1.3.   Maria, b. a 4.11.1706, ib.

4.1.1.1.1.4.   Luiza, b. a 2.12.1708, ib.

4.1.1.1.2.  Paulo de Carvalho Coutinho, padre, fal. a 23.6.1703, ib, deixando herdeiro seu irmão Domingos.

4.1.1.2.  Maria Pinto Ozorio, fal. solt. na quinta de Passos a 14.8.1697.

4.1.1.3.  Domingos de Carvalho Coutinho, morador na quinta de Passos, onda fal. a 18.4.1691. Casou a 15.11.1689, ib, com D. Antónia da Silva e Costa, n. em S. Julião de Frielas, termo de Lisboa, em 1675, pois tinha 16 anos em 1691, sobrinha do Cap. António da Silva da Costa, marido de D. Maria de Carvalho Coutinho, referida adiante.

4.1.1.3.1. Manuel de Carvalho Coutinho, morador na quinta de Travanca. Casou a 21.11.1731, ib, com sua prima D. Maria Inácia de Moura Coutinho, da casa das Quintãs, ib, referida adiante, filha de José Pinto Ferreira de Távora e de sua mulher D. Maria Clara de Moura Coutinho.

4.1.2.  Manuel Coutinho de Carvalho, que viveu na quinta do Fontelo. Casou a 14.10.1608, ib, com sua prima (dispensados em 4º grau de consanguinidade) Maria Gomes de Almeida, n. em Stª Cruz do Douro e fal. de parto a 21.8.1614 em Stª Marinha, filha de Pedro Gomes de Almeida, abade de Stª Marinha de Zêzere, que a criou e dotou, e de Maria de Queiroz.

4.1.2.1. ?Manuel Coutinho, da Granja, que fal. a 14.10.1646, com manda feita no seu genro António Loureiro, escrivão. Casou com Catarina Carneiro, fal. a 30.9.1648, dando herdeira sua filha e seu genro António Loureiro.

4.1.2.2. Ascêncio, b. a 23.3.1610, ib.

4.1.2.3.  Maria de Almeida, fal. solt. 7.3.1671, ib.

4.1.2.4. Antónia de Carvalho, que casou a 25.9.1634, ib, com Mateus Monteiro, b. a 25.9.1602, ib, filho de Nuno Álvares e de sua mulher.

4.1.3.  Guiomar de Moura Coutinho, crismada a 18.10.1591, ib, que casou a 31.6.1602, ib, com Manuel Camelo Alcoforado, senhor da quinta de Travaços, ib, e co-senhor da quinta de Pepim, em Stª Marinha do Zêzere. Era irmão de Jerónima que no mesmo dia casou com o pai desta Guiomar, e de Paulo, que nesse mesmo dia casou com sua irmã Isabel, adiante.

4.1.3.1.  Manuel Camelo, subdiácono, fal. a 13.8.1629 na quinta de Pepim.

4.1.3.2.  Melchior Camelo, que segundo Gaio também c. na Terra da Feira, s.g.

4.1.3.3.  Santos Camelo, que segundo Gaio c. na Terra da Feira, s.g. Teve filhos bastardos em Luiza de Madureira, de Ancede, e de Maria Ferreira.

4.1.3.4. Luiz Camelo Alcoforado, que segundo Gaio casou com Maria da Silva, filha de António da Costa Pinto e de sua mulher Maria da Silva, filha esta de António de Castro e de sua mulher Mécia da Costa.

4.1.3.4.1. António Camelo Alcoforado, que casou com sua prima Antónia Camelo Ozorio, referida adiante, c.g.

4.1.3.5. Maria de Moura, madrinha em 1633, ib, ainda solteira em 1639. Consta em 1633 como "Maria de Moura, filha de Manuel Camelo, de Pepim". E em 1639 é referida como "Maria solteira e Cristóvão solteiro, filhos de Manuel Camelo, de Pepim".

4.1.3.6. Cristóvão, solteiro em 1639, como se diz acima.

4.1.4. Francisco de Carvalho Coutinho, cavaleiro fidalgo da Casa Real, senhor da quinta de Travanca, onde viveu desde 1611, data da morte de seu pai, e veio a fal. a 17.10.1637, e co-herdeiro da quinta de Passos, onde viveu desde o seu casamento até 1611. Casou cerca de 1603 com Maria Pinto Aranha, fal. a 24.4.1665, ib, com testamento, irmã de seu cunhado Gaspar Pinto Vieira, referido acima. Francisco de Carvalho Coutinho teve ainda de Ângela Nunes, solteira, dois filhos bastardos.

4.1.4.1.  D. Luiza Pinto de Carvalho, b. a 5.1.1604, ib, como Maria. Casou com o Capitão João Gomes de Almeida, senhor da quinta de Fontelo, ib, filho de Pedro Gomes de Almeida, abade de Stª Marinha de Zêzere, e de Maria de Queiroz. Este João era irmão de Maria Gomes de Almeida casada com Manuel Coutinho de Carvalho, referido acima, tio desta Maria, que também viveram na quinta de Fontelo. , Maria Pinto e João de Almeida foram pais de:

4.1.4.1.1.  Domingos de Carvalho Coutinho, clérigo, que com este nome tirou inquirições de genere no Porto a 27.5.1659. É certamente o Padre Domingos de Carvalho de Almeida que fal. na quinta de Fontelo a 16.12.1682, deixando herdeiros seus sobrinhos Manuel, António, Cristóvão e João.

4.1.4.1.2.  D. Maria Pinto de Carvalho, segundo Gaio, que a diz casada com Fernão Camelo de Miranda, morgado de Vilar de Perdizes, c.g.

4.1.4.2. Dr. Francisco de Carvalho Coutinho, fidalgo da Casa Real, bacharel formado em Leis pela UC (20.5.1634), co-herdeiro da quinta de Travanca e morador na vila de Tarouca, b. a 22.1.1608 em Stª Marinha e fal. a 24.9.1656, ib, deixando seu filho por herdeiro. Casou a 23.6.1644 em Tarouca com D. Maria Corrêa Botelho de Alarcão, n. cerca de 1618, ib, filha de João Viegas Botelho e de sua mulher e prima D. Maria Corrêa Botelho de Alarcão, nascida cerca de 1586 em Mondim da Beira, sendo esta a filha mais nova de António Correa Botelho, 1º capitão-mor de Mondim da Beira, meirinho da Corte, fidalgo da Casa Real que serviu na Índia, etc., e de sua mulher Leonor de Alarcão, da casa dos Botelho, de Seia. (vide o meu Ensaio sobre a origem dos Proença). Do Dr. Francisco de Carvalho Coutinho e sua mulher foi filho sucessor João Correa Coutinho, bat. a 17.5.1645 em Stª Marinha de Zêzere, fidalgo da Casa Real, senhor da quinta de Travanca, etc., que casou em Tarouca com sua prima D. Maria Luiza de Alarcão e Albuquerque, falecida a 3.11.1722 em Melres, filha de Damião Viegas de Alarcão, nascido cerca de 1605, e de sua mulher e prima Maria Cardoso de Seixas e Albuquerque, nascida cerca de 1618; neta paterna de Aires Correa de Alarcão, capitão-mor de Mondim da Beira e sucessor na casa destes em Mondim (filho de António Corrêa Botelho e Leonor de Alarcão, referidos acima), e de sua mulher e parente Joana Viegas de Proença; e neta materna do Dr. Francisco do Valle Coutinho, FCR, desembargador da Relação do Porto, juiz de fora no Porto e em Beja, etc., nascido cerca de 1555, e de sua 2ª mulher Beatriz Saraiva de Albuquerque, da casa da Ínsua, nascida cerca de 1590. C.g. nos Cunha Coutinho Ozorio e Alarcão de Portocarrero, do palácio da Bandeirinha, no Porto (12).

4.1.4.3. D. Maria de Carvalho Coutinho, b. a 16.3.1611, ib, moradora na quinta de Travanca, de que foi co-herdeira e onde fal. viúva a 6.11.1700, deixando herdeiros seus sobrinhos. Casou com o Cap. António da Silva da Costa, referido acima, cavaleiro da Ordem de Cristo, n. em S. João de Frielas e fal. a 1.1.1691 na quinta de Travanca, deixando herdeiro sua mulher.

4.1.4.3.1.  Domingos de Carvalho Coutinho, fal. moço solteiro na quinta de Travanca a 28.3.1668.

4.1.4.4. Domingos de Carvalho Coutinho, padre, b. a 13.10.1618, ib, sendo padrinho Rodrigo de Moura Coutinho, de Mesão Frio, e fal. a 27.5.1682 na quinta de Travanca. Tirou inquirições de genere no Porto a 10.3.1642.

4.1.4.5. António, b. a 1.1.1623, ib, sendo padrinhos Gregório Dias Ramalho e Maria de Queiroz, mulher de Manuel de Moura Coutinho.

4.1.5. Rodrigo de Carvalho Coutinho, fal. a 25.2.1624, ib. Teve em Ângela Nunes, solteira, fal. a 25.2.1639, ib, dois filhos naturais.

4.1.5.1. (N) Francisco de Carvalho, morador em S. Pedro da Ermida. Casou a 7.8.1628 em Stª Marinha com Ângela Guedes.

4.1.5.1.1. Alexandre, herdeiro de seu tio, adiante.

4.1.5.1.2. Rodrigo, ib.

4.1.5.1.3. Francisco de Carvalho, ib.

4.1.5.2. (N) António de Carvalho, morador em Moreira, fal. a 14.6.1681 em Stª Marinha, deixando herdeiros seus sobrinhos Alexandre, Rodrigo e Francisco de Carvalho. Casou a 20.8.1634, ib, com Luiza Pinto, fal. a 4.3.1681, ib, filha de Gaspar Monteiro. S.g.

4.1.6. Jerónimo de Carvalho Coutinho, que obteve alvará de emancipação a 23.12.1610. Casou em Stª Cruz do Douro com a herdeira da Torre de Cabeção. C.g. nos condes de Castelo de Paiva

4.1.7. Isabel Ozorio, fal. a 27.3.1654, ib. Casou a 31.7.1601, ib (com escritura de dote de 11.6.1601), com Paulo Camelo Alcoforado, co-senhor da quinta de Pepim, em Stª Marinha do Zêzere, onde fal. a 30.5.1624, deixando herdeira sua mulher, que era irmão de Jerónima que no mesmo dia casou com o pai desta Isabel, e de Manuel, que nesse mesmo dia casou com sua irmã Guiomar, acima.

4.1.7.1.  Francisco Camelo Alcoforado, que casou com Maria Ribeiro, irmã de seu cunhado, referido adiante.

4.1.7.1.1.  Maria Camelo Alcoforado, que casou a 1ª vez com Manuel Pinto de Azevedo (a). Casou a 2ª vez com Manuel de Magalhães Coelho (b), senhor da quinta do Freixo de Cima, no termo de Amarante, filho de António de Vabo Coelho e de sua mulher Maria Vilela de Magalhães.

4.1.7.1.1.1. (a) Antónia Camelo Ozorio, que casou com seu primo António Camelo Alcoforado, referido acima. C.g.

4.1.7.1.1.2. (b) Antónia Jacinta Camelo, que casou com António de Magalhães Coutinho.

4.1.7.2. Antónia Camelo Alcoforado, b. a 20.7.1619, ib, e fal. a 21.6.1637, ib. Casou a 7.5.1635, ib, com seu primo Francisco de Carvalho Pinto, filho de Luiz de Carvalho (referido na nota 9) e de sua mulher Susana da Costa, fal. a 25.9.1643, ib. C.g. nos Azeredo Pinto, da casa de Penalva (12a).

4.1.7.3. António (Camelo), que como "António filho de Isabel dosouro de Pepim" foi dado por pai de um Antonio baptizado a 19.5.1638, ib.

4.1.7.4. Paulo Camelo, que foi padrinho em 1638, ib, sendo referido como "Paulo Camelo, solteiro, e sua irmã Maria, solteira, filhos de Isabel deSouro". Pode ser o Paulo Camelo casado com Paula de Queiroz, de Travaços, com geração.

4.1.7.5.  Maria Camelo Alcoforado, ainda solteira em 1638, que casou com Manuel Ribeiro, senhor da quinta de Fura-Casas.

4.1.8. Maria de Moura Coutinho, b. a 29.1.1589, ib, moradora na quinta de Travanca e fal. a 21.6.1639, ib, deixando herdeiro seu marido. Casou antes de 1617 com Gaspar de Carvalho, fal. a 32.8.1663, ib, filho de Pedro Jorge Pinto e de sua mulher Beatriz de Carvalho, que fal. a 23.1.1625, ib, deixando herdeiro este seu filho.

4.1.8.1.  Miguel de Carvalho, b. a 1.10.1617, ib, que era cura de Stª Marinha em 1654.

4.1.8.2.  Paulo de Carvalho Coutinho, n. ib, que tirou inqurições de genere no Porto a 5.9.1651.

4.1.8.3.  Gaspar, b. a 1.1.1623, ib.

4.1.8.4.  Francisco, b. a 20.5.1634, ib.

4.1.9. Luiza de Carvalho Coutinho, que casou comGaspar Teixeira, filho de Deusoguarde Teixeira e Isabel Nunes.filho.

4.1.9.1.  Gaspar de Carvalho, n. em Stª Marinha de Zêzere, que tirou inquirições de genere no Porto a 1.3.1642.

4.1.10. Jerónima de Carvalho Coutinho, que casou a 11.6.1631, ib, com Baltazar Pereira Pacheco, n. em Frigil.

4.2.  Rodrigo de Moura Coutinho, que segue no nº 5.

4.3. Sebastião de Moura Coutinho, fal. a 2.12.1604 na quinta de Entre-Águas, deixando herdeiro seu irmão mais velho Rodrigo.

5.  Rodrigo de Moura Coutinho, cavaleiro fidalgo da Casa Real (1.10.1615), sucessor na quinta de Entre-Águas, onde n. cerca de 1552 e fal. a 29.5.1624, deixando herdeira sua mulher. Era "dos mais nobres e honrados do concelho", conforme se diz na habilitação para o Stº Ofº do filho Rodrigo, e terá servido na vila da Feira, onde lhe nasceu pelo menos este filho. Casou cerca de 1582 com Antónia de Castro, n. em Gestaçô cerca de 1565 e fal. depois de 1637, ano em que é madrinha de um neto. Referida como "mulher mui nobre e principal", era filha de Fernão Rodrigues Picanço, n. em Gestaçô, parece que cavaleiro fidalgo da Casa Real, e de sua mulher Antónia Delgado, também nascida em Gestaçô, ambos "da mais nobre gente do concelho", conforme se diz na mesma habilitação. Esta Antónia Delgado, que Gaio diz ser filha de Gonçalo Delgado, comendador de Ulme na Ordem de Cristo, e de sua mulher Antónia Fernandes de Castro, aparece com este nome na inquirição de genere do neto, mas seria também conhecida como Antónia Fernandes, pois em 1601 fal. em Stª Marinha de Zêzere uma Antónia Fernandes dita sogra de Rodrigo de Moura Coutinho.

5.1. Manuel de Moura Coutinho, sucessor na quinta de Entre-Águas, onde n. cerca de 1583. Foi tabelião do concelho de Baião (Ch. de D. Filipe II, 41, 128v). Casou cerca de 1620 com Maria de Queiroz (a), madrinha em 1623 em Stª Marinha, que segundo Gaio era filha de Gaspar Gonçalves de Araújo e de sua 1ª mulher Catarina de Queiroz, senhores da quinta de Moura Morta, em Penaguião. Muito antes de casar, teria 18 anos de idade, Manuel de Moura Coutinho teve um filho natural em Margarida Marques (b), nascida cerca de 1583, que em 1636 vivia em Amarante com seu filho quando este aí casou, dizendo o respectivo assento que era "filho de M.el de Moura Coutinho e Mg.da Marques, ora moradora nesta vila de Amarante". Gaio, que lhe chama Maria Marques, solteira, diz que era filha de Pedro Marques e sua mulher Leonor Gomes. Como o baptismo do filho não consta em Stª Marinha, Margarida Marques não devia ser de lá, mas provavelmente de uma freguesia limitrofe.

5.1.1. (a) Álvaro de Moura Coutinho, escudeiro fidalgo da Casa Real (3.2.1677), sargento-mor de Baião, capitão da Ordenança de Stª Marinha de Zêzere e aí tabelião, etc. Sucedeu na quinta de Entre-Águas por acordo que fez com seu irmão Rodrigo, segundo informa Gaio. Casou com Leonor Tavares, filha de Paulo Coelho e de sua mulher Maria Tavares, moradores na quinta de Tarei, no termo da Feira. Teve ainda vários filhos bastardos.

5.1.1.1. Maria, b. a 1.4.1663, ib.

5.1.1.2. Diogo de Moura Coutinho, sucessor na quinta de Entre-Águas, onde nasceu, sendo b. a 10.7.1664, ib. Foi cavaleiro fidalgo da Casa Real (20.11.1686). Casou com D. Sebastiana Margarida de Castro, nascida e herdada em Mesão Frio, c.g. (12b)

5.1.1.3. Manuel Soares Coelho, que viveu na quinta de Tarei casado com Angélica Mascarenhas, s.g.

5.1.1.4.  (N) Maria de Moura, b. a 7.2.1649, ib, havida em Antónia de Queiroz. Casou a 30.5.1673, ib, com Jorge Gomes, do Casal, c.g.

5.1.1.5.  (N) Domingos de Moura, também havido em Antónia de Queiroz. Casou a 5.4.1692, ib, com Antónia Camelo, filha de Diogo Rebello e Isabel Soares.

5.1.1.6.  (N) Francisco de Moura Coutinho, b. a 11.2.1655, ib, havido em Ana da Fonseca. Casou com Bárbara de Castro, c.g.

5.1.1.7.  (N) Manuel de Moura, havido em Maria do Vale. Casou a 3.10.1695, ib, com Tomásia Vilela, filha de Francisco João e Maria Vilela, do lugar de Fonseca.

5.1.1.8.  (N) Álvaro, b. a 1.12.1671, ib, havida em Maria Pereira.

5.1.2. (a) Manuel de Moura Coutinho, abade de S. João de Gestaçô, onde ainda vivia em 1702. Teve filhas naturais em Maria de Queiroz (curiosamente o nome da mãe deste Manuel), moradora em Stª Marinha de Zêzere e já fal. em 1702.

5.1.2.1. (N) D. Maria de Moura Coutinho, b. a 26.4.1648, ib, sendo padrinho Domingos de Carvalho, de Travanca, que casou com o Cap. Manuel da Fonseca Borges, senhores da casa das Quintãs, em Stª Marinha de Zêzere, onde viveram.

5.1.2.1.1. D. Maria Clara de Moura Coutinho, sucessora na casa das Quintãs, onde viveu. Casou comJosé Pinto Ferreira de Távora, senhor da casa de Azibeiro, em Gestaçô, filho de Jerónimo de Távora e de sua mulher Isabel Pinto de Almeida.

5.1.2.1.1.1. D. Maria Inácia de Moura Coutinho, que casou a 21.11.1731, ib, com seu primo Manuel de Carvalho Coutinho, morador na quinta de Travanca, referido acima.

5.1.2.1.1.2. D. Josefa Caetana de Moura Coutinho, fal. a 30.10.1755, ib. Casou a 18.2.1732, ib, com Félix Coutinho da Cunha, fidalgo de cota de armas (20.8.1739), capitão-mor de Baião (31.10.1766), que fal. a 25.5.1773 na sua quinta das Casas Novas, em Stª Marinha, que herdou de seu tio Frei Salvador da Cunha Coutinho, abade de Stª Marinha de Zêzere. C.g. nos Cunha Coutinho, das Casa Novas, em Stª Marinha de Zêzere (12c).

5.1.2.2. (N) D. Cristóvã de Moura Coutinho, que casou a 1ª vez com André Pinto de Fonseca, morador no lugar de Campos, na freguesia Santa Maria de Penhalonga (Sobretâmega), filho de Manuel de Azevedo da Fonseca e de sua mulher Maria da Fonseca de Mello. Casou a 2ª vez a 31.10.1702, em Penhalonga, com Luiz Cardoso de Menezes, cavaleiro fidalgo da Casa Real, filho de Luís da Silva de Menezes e de sua mulher Maria de Seixas e Rebelo, já defuntos, moradores que foram no lugar do Casal, freguesia de Santa Madalena de Loivos da Ribeira (Sobretâmega), s.g.

5.1.3. (a) Rodrigo de Moura Coutinho, n. em Stª Marinha, escudeiro fidalgo acrescentado cavaleiro fidalgo da Casa Real, com 750 réis de moradia (4.1.1681). Gaio diz que viveu em Cadeade. Casou com Antónia Camelo. Teve ainda dois filhos naturais em Maria, mulher solteira, havidos antes do casamento.

5.1.3.1. Manuel de Moura Coutinho, b. a 31.3.1656, ib, sendo padrinhos Maria de Queiroz, de Entre-Águas, e seu filho Álvaro de Moura. Segundo Gaio teve uma filha natural, Maria Josefa, havida numa parenta de João Ribeiro. Acrescenta o mesmo autor que Manuel de Moura Coutinho matou o abade de Stª Marinha de Zêzere, do que foi culpado e condenado.

5.1.3.2. Rodrigo de Moura, b. a 7.7.1658, ib, sendo padrinhos Jerónima de Carvalho, de Stª Cruz, e Diogo de Moura Coutinho, de Frende. Gaio diz que não teve geração e foi igualmente culpado e condenado pela morte do abade de Stª Marinha. Deve ser o Rodrigo de Moura que teve de um filho natural de Isabel João, solteira de Gestaçô.

5.1.3.3.1. ?(N) Rodrigo de Moura, que terá n. em Gestaçô cerca de 1665 e casou a 16.7.1691 em Covelas com Maria Camelo, b. a 7.8.1672, ib, filha de Francisco Camelo e Antónia Camelo. C.g. 

5.1.3.3. Diogo de Moura Coutinho, b. a 13.9.1660, ib. Gaio diz ter tido um casal em Pepim e ter sido também culpado e condenado pela morte do abade de Stª Marinha.

5.1.3.4. (N) Maria, b. a 13.6.1642, ib.

5.1.3.5. (N) Diogo, b. a 29.8.1645, ib.

5.1.4.  (a) Sebastiana

5.1.5.  (a) Maria, b. a 24.5.1632, ib, sendo padrinhos Álvaro de Moura, da vila da Feira, e Ângela Camelo, mulher de Vicente de Moura, de Frende.

5.1.6.  (a) Francisco, b. a 5.6.1637, ib, sendo padrinhos Francisco de Moura, solteiro, e Antónia de Castro, viuva de Barbedo, avó do baptizado.

5.1.7. (b) Manuel de Moura Coutinho, n. cerca de 1601, mas o seu baptismo não consta em Stª Marinha, pelo que sua mãe devia ser de uma freguesia limitrofe. Viveu na vila de Amarante, onde já morava com sua mãe quando casou tardiamente, teria 35 anos de idade, e onde fal. cerca de 1676. Diz o respectivo assento que era "filho de M.el de Moura Coutinho e Mg.da Marques, ora moradora nesta vila de Amarante". Casou a 18.5.1636 na vila de Amarante (S. Gonçalo) com Paula Pinto, sendo testemunhas o Licenciado Baptista da Cunha e os padres José Vieira e Lourenço de Macedo. Tal como o marido, Paula Pinto tinha então 34 anos, pois foi b. a 15.6.1601 em Gatão (Amarante), sendo padrinhos de baptismo Amador Francisco, de Tartinhade, e Paula Cerqueira, de Amarante. Fal. depois de 1665, data em que foi madrinha de seu neto Francisco, referido adiante. Era filha de Duarte Pinto, senhor da quinta da quintã, em Gatão, onde fal. a 10.12.1624, com manda e obrigação de 15 missas, e de sua mulher Maria Fernandes (Ribeiro), casados antes de 1588 (12d); e neta de outro Duarte Pinto, senhor da dita quinta, onde fal. a 26.10.1595, deixando herdeiros e testamenteiros seus filhos Duarte Pinto e Simão Pinto, "que lhe fizeram bem por sua alma". Este Simão Pinto parece ser o homónimo que foi contador de Celorico de Basto (CFI, 9, 383v). Mas quem era aquele Duarte Pinto fal. em 1595, que terá nascido entre 1515 e 1535? Podia ser o Duarte Pinto que, sem mais notícia, Gaio refere em Teixeiras, §15, como irmão de Isabel de Vasconcellos, dizendo-os filhos de Beatriz Pinto ou Teixeira e de Paio Veloso de Vasconcellos (13), netos maternos de Branca Pinto e seu marido Estêvão Lopes, e bisnetos de Duarte Vaz Teixeira e sua mulher Beatriz Pinto, de Telões (freguesia de Amarante, limítrofe de Gatão), que não entronca, nem ele nem ela. Alão começa os Teixeiras do Porto com este Duarte Vaz Teixeira, dizendo que viveu no Porto, foi criado d'el rei e escudeiro fidalgo. Não lhe nomeia a mulher, mas dá-lhe dois filhos: Aires Teixeira e Pedro Pinto, dizendo que ambos tiveram o foro do pai, sendo Aires pai de Francisco Teixeira e Pedro pai de Heitor Pinto, ambos escudeiros de Pedro da Cunha Coutinho, senhor de Basto. O que se confirma, estando Francisco presente numa sessão da Câmara do Porto de 6.7.1540 e Heitor noutra de 23.4.1535. Sendo que Duarte Vaz Teixeira é certamente o Duarte Vasques Teixeira a quem a 4.8.1451 (seria ele ainda novo) D. Afonso V confirmou a doação para sempre de umas casas na cidade de Lisboa, com suas entradas, saídas, direitos e pertenças, feita por Mécia Vasques, viúva de Gil Anes, morador na cidade de Lisboa, por instrumento público de doação de 17.2.1450. Na verdade, as informações de Alão e Gaio não são incompatíveis no essencial: Duarte Vaz Teixeira devia de facto ter casado com Beatriz Pinto, de Telões, casamento este que se terá realizado na 2ª metade do século XV. Alão diz que deste casamento nasceram Aires Teixeira e Pedro Pinto. Gaio diz que nasceram Aires Teixeira, João Pinto e Branca Pinto. Alão diz que Aires foi pai de Francisco (que se documenta). Gaio diz que Aires foi pai de outro Aires, de Amador Teixeira e de Beatriz Teixeira. E o Duarte Pinto fal. em 1595 em Gatão e nascido em meados da 1ª metade do séc. XVI tem uma cronologia que o coloca como possível bisneto de Duarte Vaz Teixeira e Beatriz Pinto. Por outro lado, sabemos, documentalmente, que a geração masculina de Duarte Vaz Teixeira tinha no séc. XVI o foro da Casa Real. O que nos leva a considerar ainda a existência de um Duarte Pinto, filho de Diogo Pinto, que consta na lista dos moços fidalgos da Casa de D. João III com 1.000 reais de moradia (Provas, D. António Caetano de Sousa), e que bem pode ser o Duarte Pinto que faleceu em Gatão em 1595. Neste caso, Duarte Vaz Teixeira teve mais um neto, Diogo Pinto, que pode ser irmão do Heitor Pinto, escudeiro fidalgo da Casa Real e escudeiro de Pedro da Cunha Coutinho, que se documenta numa sessão da Câmara do Porto em 1535, ou filho do João Pinto de que fala Gaio, que pode ter vivido em Telões, terra da mãe, e casado na vizinha freguesia de Gatão.

5.1.7.1.  Manuel de Moura Coutinho, referido como "cavaleiro, rico e nobre", natural de S. Gonçalo de Amarante, casado duas vezes na Faia, na inquirição de genere de seu neto o Padre João de Moura Coutinho. Não encontrei o assento do seu baptismo em S. Gonçalo de Amarante, mas terá nascido em 1637 ou 38 (13a), pois o baptismo da 1ª das duas irmãs que aí aparecem é de 1639, três anos depois do casamento dos pais. Foi senhor da quinta da Fonte, em Santiago da Faia (13b), por dote de sua 1ª mulher, quinta onde viveu e fal. a 13.9.1711, com cerca de 74 anos, sendo sepultado na igreja de Stª Senhorinha. Esta quinta tinha capela, da invocação de Nª Sª da Piedade, como informa Craesbeeck (1726), dizendo que é de Francisco de Moura (filho deste Manuel, então já falecido). Nos paroquiais da Faia constam vários criados e escravos deste Manuel de Moura Coutinho. No assento de óbito em Stª Senhorinha diz-se que Manuel de Moura Coutinho foi morador na sua quinta da Fonte, em S. Tiago da Faia, e foi sepultado na matriz, defronte da capela do Vilar, ficando sua mulher de lhe fazer os bens de alma, que foram três ofícios de 15 padres cada um. O assento de óbito na Faia diz que "esteve de cama mezes sem ter juizo, por varias vezes se lhe deu absolvição e se lhe deu a unção e não a comunham por não estar capaz", acrecescentando que foi sepultado em Stª Senhorinha, não fez testamento e sua mulher D. Isabel lhe deve fazer os bens de alma. Casou a 1ª vez a 13.7.1660 em Braga (Cividade), com Esperança da Grã de Meirelles (a), n. cerca de 1637 e fal. depois de 1668 (ano em que, como Esperança da Grã de Meirelles, da Fonte, foi duas vezes madrinha juntamente com João Rodrigues Lobo, de Mozes, Stª Senhorinha) e antes de 1692, mas cujo óbito não consta na Faia, pelo que terá morrido noutra freguesia (Braga?). Esperança da Grã herdou a quinta de sua avó paterna Ana de Andrade de Macedo, senhora da quinta da Fonte, onde faleceu viúva do Dr. Francisco de Faria de Magalhães a 9.10.1657, depois do filho, deixando à herdeira a obrigação de 60 missas por sua alma, e ainda bens na Póvoa de Lanhoso, com obrigação de 9 missas anuais, a seu neto Francisco da Costa da Mesquita (morgado da quinta da Costa, em Stº Estêvão de Geraz, filho de sua filha Custódia de Macedo, casada com Francisco da Costa da Mesquita). Com efeito, Esperança da Grã ficou órfã ainda solteira, pois era filha de Francisco de Faria de Macedo, que faleceu na dita quinta da Fonte a 24.7.1657, cerca de 3 meses antes da mãe, e de sua mulher (casados em Braga, segundo Alão) Catarina da Grã de Meirelles, falecida a 15.5.1652, ib. Gaio diz que estava recolhida no convento do Salvador de Braga, o que o assento não refere. Mas é muito provável que, de facto, Esperança da Grã estivesse recolhida no convento do Salvador de Braga quando foi herdada pela avó para casar. Esperança da Grã era irmã de Serafina de Andrade da Grã (13c). Ainda durante o 1º casamento, Manuel de Moura Coutinho teve em Marta de Meirelles (b), solteira, uma filha bastarda que reconheceu e viveu em sua casa, donde casou. Marta de Meirelles nasceu na quinta do Pinheiro Vila Nova, em S. Miguel de Refojos de Basto, foi b. a 11.11.1640, ib, e aí viveu, vindo a fal. a 19.8.1714 na quinta de Paredes, ficando seu genro com a obrigação dos bens de alma (mas sem que no óbito seja identificado como tal). Na inquirição de genere do Padre João de Moura Coutinho, seu neto, dizem as testemunhas que Marta de Meirelles, já falecida, era solteira, tinha a alcunha de “a enjeitada” e era natural e moradora na quinta do Pinheiro da Vinha Nova, em S. Miguel de Refojos de Basto (embora, como ficou dito, tenha falecido em casa da filha e seu 2º marido). A alcunha é literal e resulta de ter sido de facto enjeitada, como se diz no baptismo, sub conditione, de "hua engeitada que se achou na ermida de S. Sebastião que está junto as casas do Lic. Jacinto Leborão, a quem poserão por nome Marta". Parece evidente, tendo em conta as circunstâncias relatadas no assento de baptismo, o que diz a inquirição de genere do neto e as relações de proximidade com a família da quinta do Pinheiro da Vinha Nova, que adiante se referem, que Marta de Meirelles era filha do antedito Lic. Jacinto Leborão, senhor da quinta do Pinheiro da Vinha Nova, e de uma senhora Meirelles, que não se quis expôr e por isso abandonou a filha em casa do pai, onde ficou a criar. Mas isto só se terá sabido, ou assumido, mais tarde, pois quando do nascimento de sua filha natural Senhorinha ainda é referida apenas como Marta, moça solteira. Aparece como Marta de Meirelles na dita inquirição e no óbito. O Lic. Jacinto Leborão, nasceu cerca de 1612 e fal. solt. depois de 1646, sem filhos, salvo esta que proponho. Era filho de Baltazar de Campos, senhor da dita quinta, onde fal. a fal. 5.5.1612, e de sua mulher Ângela de Miranda de Azevedo, fal. a 25.11.1644, ib. Sucedeu ao Lic. Jacinto Leborão na quinta do Pinheiro da Vinha Nova e sua capela de S. Sebastião a sobrinha Mariana de Guimarães, b. a 6.2.1622, ib, filha de sua irmã Joana Vaz de Campos, b. a 11.10.1593, ib, e fal a 15.2.1650 em Guimarães, casada com Pedro Ferraz de Barros, natural de Guimarães. Mariana de Guimarães casou com Gaspar Ribeiro de Andrade e deles foi filha sucessora Luiza Machado de Guimarães, que casou a 8.2.1668, ib, com seu parente Luiz de Moura Pacheco (de Andrade), senhor da quinta de Conselheiros, ib, c.g. A identidade da oculta mãe de Marta de Meirelles nunca se saberá ao certo, embora o nome que a filha veio a usar seja uma pista, uma vez que Meirelles não é nome da ascendência do Lic. Jacinto Leborão ou da quinta do Pinheiro Vinha Nova nessa época. Os paroquiais estão repletos de baptismos de filhos naturais e bastardos, em que as mães revelam os nomes dos pais, sendo estes muitas vezes casados, o que aliás nem sequer era o caso do Lic. Jacinto Leborão. O abandono da recém-nascida em sua casa tem portanto unicamente a ver com a necessidade de ocultar a identidade de mãe, o que só seria possível (e necessário) se esta fosse de família importante. Por outro lado, a forma como todo este assunto é sempre tratado, mesmo quando do baptismo da filha desta Marta, ao contrário do que era habitual na época e concretamente ali, leva a suspeitar que a mãe não só era importante como relacionada com o próprio Manuel de Moura Coutinho. Tudo considerado, arrisco dizer que Marta de Meirelles era prima-direita de Esperança da Grã de Meirelles, filha de uma sua tia materna, muito provavelmente a Úrsula de Meirelles que Gaio diz que foi freira no convento do Salvador de Braga. Esta Úrsula terá nascido cerca de 1622, pelo que teria 18 amos quando nasceu Marta de Meirelles. Sua irmã Catarina da Grã de Meirelles tinha casado cerca de 1636 e em 1640 vivia na quinta da fonte com seu marido Francisco de Faria de Macedo. É possível que com ela vivesse ou estivesse a passar uma temporada sua irmã mais nova Úrsula, que aí se envolveu com o Lic. Jacinto Leborão, certamente das relações da família, da quinta vizinha. Não tendo sido, por qualquer razão, possível o casamento, o nascimento da filha terá sido mantido em segredo, sendo a recém-nascida deixada em casa do pai, onde foi recolhida. A mãe recolheu ao convento, onde se ordenou. E por isso a filha de Marta de Meirelles foi acolhida na quinta da Fonte e porventura criada por Esperança da Grã de Meirelles, que afinal seria sua prima. E por isso Senhorinha de Moura deu à sua única filha o nome Esperança. Se assim foi, Manuel de Moura teve de tratar esta situação com todos os cuidados, pois afinal tinha tido uma filha adulterina numa prima co-irmã de sua mulher. Para além do escândalo, tinha também de evitar complicações com o Santo Ofício, se o caso fosse público e notório. E assim se compreende o manto de silêncio que caiu sobre a identidade da mãe de Senhorinha de Moura, sendo esta em todos os paroquiais sempre referida apenas como filha de seu pai, parecendo até legítima. Não fosse a inquirição de genere do Padre João de Moura Coutinho, de 1717, já todos os intervenientes tinham falecido, e hoje não saberiamos quem era a mãe de Senhorinha e estariamos tentados a garantir que era legítima do 1º casamento, baptizada algures. Manuel de Moura Coutinho, muito mais tarde, aparentemente depois de viúvo da 1ª mulher e antes de casar com a 2ª, teve ainda em Joana (c), moça solteira do lugar da Porcariça, em Santiago da Faia, três filhos que ela deu como tal, sendo que pelo menos um foi por si reconhecido. Finalmente, já com cerca de 56 anos, Manuel de Moura Coutinho voltaria a casar 2ª vez, cerca de1694, com D. Isabel Maria de Barros (c), n. em Stª Eulália de Fafe, de quem ainda teve cinco filhos. Esta D. Isabel, que mais tarde também aparece referida como D. Isabel da Maia, fal. a 15.1.1743 na quinta da Fonte, indo sepultar a Stª Senhorinha, ficando seu filho Francisco de Moura Coimbra com a obrigação dos bens de alma, como diz o óbito, cujo assento só foi feito a 25.8.1744 e no qual é referida como D. Isabel da Fonte. Era filha de João da Maia Machado, sargento-mor de Montelongo (hoje Fafe), e de sua mulher Mariana de Barros.

5.1.7.1.1. (a) Mariana, b. a 21.10.1663, ib, sendo padrinho Rodrigo de Moura, da terra de (Sedielos). Terá fal. solteira, mas não encontrei o seu óbito. Possivelmente faleceu no mesmo local que a mãe.

5.1.7.1.2. (a) Francisco de Moura (Coutinho), b. a 13.3.1665, ib, sendo padrinhos Heitor Guedes, do Arco, "e a mai do mesmo M.el de Moura", portanto Paula Pinto. A este Alão chama Francisco de Moura da Grã e diz que "vive em Basto, na quinta da Fonte". A 4.2.1692 o abade de Santiago da Faia fez um assento onde diz que a 17.1.1692 faleceu Francisco de Moura, seu freguês, ausente no bispado de Miranda, constando deixar alguns legados, por ser herdeiro da sua legítima, que lhe tocara por parte de sua mãe, já defunta, e que era herdeiro do terço de sua alma seu pai Manuel de Moura seu freguês, morador na Fonte, e se deu satisfação aos ditos legados e mais bens de sua alma.

5.1.7.1.3  (b) Senhorinha de Moura (Coutinho), b. a 27.1.1664 em S. Miguel de Refojos de Basto, que quando casou vivia com seu pai na quinta da Fonte. Gaio não refere esta filha (bastarda) quando trata Manuel de Moura Coutinho e suas duas mulheres (Mouras Coutinhos, de Lamego, §9, e Coutinhos, §312). Contudo, documenta-se bem nas fontes primárias coevas como sua filha. Viveu casada primeiro na quinta de Fundevila de Vides, em Stª Marinha de Pedraça, depois na quinta de Paredes, em S. Miguel de Refojos, e finalmente, já viúva do 2º marido, na quinta do Casal, em Stª Mª Maior do Outeiro, com seu filho o Padre João de Moura Coutinho, falecendo aí, depois dele, a 16.10.1740, portanto com 76 anos de idade, sendo sepultada na matriz e dizendo o óbito que ficavam seus herdeiros obrigados a fazer-lhe os bens de alma conforme os costumes da freguesia. Casou a 1ª vez, a 1.7.1686, ib, com João Gomes de Carvalho (a), senhor da quinta de Fundevila de Vides, em Stª Marinha de Pedraça (Cabeceiras de Basto), onde fal. pouco depois, a 28.8.1689. Diz o óbito que foi sepultado na matriz, junto ao arco da capela-mor, e que sua mulher ficou de fazer os bens de alma. A justificação de nobreza de um seu bisneto diz que a quinta de Fundevila de Vides "era e ainda é de grande representação neste concelho e das principais". E, de facto, documentam-se nos paroquiais vários caseiros simultâneos da quinta de Fundevila ou de Fundo de Vila. O assento deste 1º casamento de Senhorinha de Moura infelizmente não dá os pais dos nubentes, sendo por isso difícil determinar a filiação de João Gomes de Carvalho. Casou a 2ª vez a 1.9.1691, em Pedraça, com o Capitão Tomé Pereira de Araújo (b), senhor da quinta de Paredes, em S. Miguel de Refoios (Cabeceiras de Basto), já viúvo de Maria Leite, filho de Adão Pereira e sua mulher (casados a 30.4.1640 em Refojos) Maria Gomes de Araújo, senhores da dita quinta de Paredes. No assento deste 2º casamento diz o abade de Stª Marinha de Pedraça, João Carneiro da Silva: "assisti ao recebimento de Manuel de Moura Coutinho, do lugar da Fonte, freguesia de S. Tiago da Faya, como procurador de sua filha Senhorinha de Moura molher que ficou de João Gomes de Carvalho, moradora na sua quinta de Fundo de Vila desta freguesia, e Manuel Pereira, do lugar do Serrado desta freguesia, como procurador de seu irmão Tomé Pereira de Araújo, marido que ficou de Maria Leite, morador na sua quinta de Paredes, freguesia de S. Miguel de Refoios, e as procurações reconhecidas por mim, ao que foram testemunhas presentes Francisco Gomes, deste assento, e Inocêncio Rebello, meu criado, e Bento Rebello, criado de Manuel de Moura". Este Tomé Pereira de Araújo, que aparece depois como capitão, veio a falecer na dita quinta de Paredes a 19.10.1717, sendo sepultado na igreja do mosteiro de Refoios, ficando obrigadas aos bens de alma suas filhas, conforme deixara determinado no seu testamento. Uma destas filhas seria Esperaça, do 2º casamento. A outra era Benta Pereira, dita filha do Capitão Tomé Pereira, de Paredes, quando a 5.1.1718 casou em Refoios com José Pereira. O assento não indica a mãe desta Benta, mas devia ser filha de Maria Leite, pois não encontrei o seu baptismo como filha de Senhorinha de Moura.

5.1.7.1.3.1. (a) Manuel de Moura Pinto Coutinho, filho único do 1º casamento, foi senhor da quinta de Fundevila de Vides, parecendo ter sido ele que instituiu a sua capela, da invocação de Stª Bárbara, podendo já ter sido seu pai. Foi b. a 1.5.1687 em Pedraça, sendo padrinho seu avô Manuel de Moura Coutinho. Já era capitão da Ordenança de S. Miguel de Refoios em 1708 e depois foi capitão de Stª Senhorinha na Ordenança de Cabeceiras de Basto, de que era capitão-mor seu sogro. Na carta de armas de seu neto aparece como capitão Manuel de Moura Magalhães Pinto, mas o Magalhães é erro. Consta como Capitão Manuel de Moura Pinto no assento de casamento e no geral dos paroquiais aparece ora como Manuel de Moura Coutinho ora como Manuel de Moura Pinto (este último nome pela bisavó Paula Pinto). Casou a 29.12.1712, em Stª Senhorinha de Basto, com Joana de Moura e Magalhães, n. na casa de Olela, em Stª Senhorinha de Basto, onde foi b. a 2.2.1689, vindo a fal. a 20.11.1712 na quinta de Fundevila, onde viveram, sendo "pessoas nobres e principais, que se tratavam à Lei da Nobreza, com criados e cavalos", conforme se diz na justificação de nobreza do neto. Joana de Moura era irmã do Padre João de Moura e Magalhães, b. a 4.11.1694, ib, que tirou inquirições de genere a 13.10.1722 em Braga para ser padre, do Capitão Vicente de Magalhães e Moura, b. a 3.3.1687 e fal. a 9.4.1736, ib, e de outros irmãos e irmãs, todos fal. s.g. e todos filhos de António de Magalhães, capitão-mor de Cabeceiras de Basto, senhor da dita casa e quinta de Olela, onde n. em 1649, sendo b. a 29 de Setembro, e fal. a 10.8.1713, e de sua mulher (casados a 2.7.1679 na capela de S. Sebastião da quinta do Pinheiro Vinha Nova, em S. Miguel de Refoios, que era do irmão da noiva Luiz de Moura Pacheco) Mariana de Moura, b. a 8.1.1650 em S. Miguel de Refoios de Basto e fal. a 20.11.1712 na casa de Olela, ib; neto paterno de António de Magalhães, nascido em 1619 na casa de Refalcão, ib, sendo b. a 2 de Julho, ib, e de sua mulher (casados a 18.3.1644, ib) Joana de Campos, senhora da quinta de Olela, b. a 29.6.1622, ib, (filha herdeira de Frutuoso de Campos e sua mulher Ana de Barros, casados a 30.5.1621, ib); e netos maternos de Domingos Rebello Leite, que não chegou a suceder da quinta de Conselheiros, em S. Miguel de Refoios, pois aí fal. com 29 anos a 24.10.1650, antes de seu pai, e de sua mulher Brizida de Moura Coutinho, também aí fal nova a 7.4.1655, sendo esta filha de Martim Afonso de Azevedo, senhor da casa do Telhado, em S. Pedro de Atei, e de sua mulher Senhorinha de Moura, ambos documentados na habilitação de seu neto materno o abade Simão Lobo de Souza, que foi comissário do Stº Ofº a 24.11.1723. Esta Senhorinha, nascida cerca de 1613 na quinta de Parada, em S. Pedro de Atei, era neta paterna de Cristóvão de Moura Coutinho, meirinho da correição de Cabeceiras de Basto pelo menos desde 1599, fal. com cerca de 75 anos a 24.11.1635 em Refoios, e de sua mulher Paula de Pinho, o qual Cristóvão parece ser filho de Esplendião Álvares de Moura, senhor da quinta de Adaufe, em S. Miguel de Gémeos, onde vivia em 1571. Domingos Rebello Leite era filho sucessor de Belchior Pacheco de Andrade, capitão do couto de Refoios, senhor da antedita quinta de Conselheiros (então também dita quinta das Pereiras), em S. Miguel de Refoios de Basto, onde foi b. a 8.2.1588 e fal. depois de 1655 (e não em 1638, como Crasbeeck diz que está na sua sepultura), e de sua mulher e prima (4º grau de consanguinidade) Maria Rebelo Leite, (casados a 29.4.1620 no Arco de Baúlhe), fal. a 23.5.1634 em Refoios, referidos no meu estudo sobre as Famílias de Ribeira de Pena. Aquele último António de Magalhães era irmão de Francisco de Magalhães, capitão-mor de Cabeceiras de Basto, senhor da casa de Refalcão, c.g. nos viscondes de Pindela, ambos filhos doutro Francisco de Magalhães, fal. na casa de Refalcão a 11.12.1637, e de sua mulher e prima Maria Braz Falcão, fal. a 5.3.1644, ib, casados a 6.9.1609, ib, a qual teve em dote a casa de Refalcão (Rifalcão ou Barrifalcão, como também se chamou), por escritura de 27.1.1609, como refiro no meu Ensaio sobre a origem dos Magalhães.

5.1.7.1.3.1.1. Manuel José, b. a 16.8.1713 em casa e fal. logo depois.

5.1.7.1.3.1.2. Luiz Carlos de Moura Coutinho Pinto e Magalhães, b. Diogo a 17.5.1715, ib, e fal. a 3.9.1780, ib, senhor da quinta de Fundevila de Vides e co-senhor da casa de Olela. Tirou ordens menores em Braga a 10.12.1735. Casou a 26.6.1746, ib, com D. Senhorinha Eufrásia Ferreira da Silva (14), n. a 25.5.1720 no Arco de Baúlhe e fal. a 10.11.1783 na casa de Fundevila, irmã do Padre Gaspar Carneiro da Silva (IG em Braga a 27.4.1728), ambos trinetos paternos do Capitão Jorge Carneiro da Silva, familiar do Stº Ofº (2.1.1657), senhor da quinta de Alvação, em S. Pedro de Alvite, onde fal. velho e viúvo a 4.5.1686, e de sua mulher (casados a 17.11.1624 no Arco de Baúlhe) Margarida Rebello de Meirelles. De Luiz Carlos de Moura Coutinho Pinto e Magalhães e sua mulher foi filho sucessor o Capitão Baltazar Luiz de Moura e Magalhães, FCR, senhor da casa de Fundevila de Vides, em Pedraça, onde n. a 25.6.1751 e fal. a 5.3.1817, e co-senhor da casa de Olela, que casou a 16.11.1785 na capela de Stº António da casa da Portela com D. Tereza Angélica Teixeira Falcão e Andrade (1754-1846), e só tiveram duas filhas com geração. Uma foi D. Ana Emília de Moura Pinto de Magalhães e Andrade (1786-1865), que sucedeu na casa de Olela, casada a 3.10.1815 em Pedraça com seu primo-direito Bernardo Teixeira de Abreu Falcão e Andrade, b. a 5.4.1786 em Cabeceiras, último capitão-mor de Celorico de Basto (23.5.1815), etc. Este casal viveu sobretudo na casa de Olela, em Stª Senhorinha de Basto (imagem, desenho de José de Noronha Ozorio, in "Carvalhos de Basto"), a qualFachada da actual casa de Olela (desenho de José de Noronha Ozorio in «Carvalhos de Basto» reformou com grandes obras e onde mandou colocar uma pedra de armas da união ou já do filho (escudo esquertelado, 1º partido de Teixeira e Barros; 2º Moura; 3º Magalhães; 4º Abreu. Deles foi filho sucessor o Dr. Bernardo Teixeira de Moura Coutinho, n. a 1.9.1816, ib, e fal. a 16.2.1885 no Porto, que tirou ordens menores em Braga a 27.3.1832, bacharel formado em Direito pela UC (1846), advogado, fidalgo cavaleiro da Casa Real (22.10.1875), comendador da Ordem de Nª Sª da Conceição de Vila Viçosa (1 e 29.7.1875), senhor das casas de Fundevila de Vides, Portela, Telhado, Olela e Abilheiro, etc., que casou com sua prima-direita D. Francisca Emília da Felicidade Correa Pacheco Pereira de Magalhães, da quinta do Valinho, referida adiante, s.g. Do Dr. Bernardo Teixeira de Moura Coutinho foram irmãs D. Maria Inácia Teixeira de Moura e Magalhães (casada com António Lobo de Souza Carvalho) e D. Quitéria Rosa Teixeira de Moura e Magalhães (casada com Francisco de Abreu Leite Pereira Bacelar), ambas com geração (vide in Carvalhos de Basto, Casa de Olela, em Stª Senhorinha, e Casa da Torre, em Stª Comba de Fornelos). A casa de Olela foi completamente destruída por um grande incêndio na 1ª metade do séc. XX. A outra filha do Capitão Baltazar Luiz de Moura e Magalhães e sua mulher foi D. Maria Benedita de Moura Teixeira de Magalhães e Andrade (5.4.1790-21.12.1871), casada a 8.5.1810 em Pedraça com Manuel Correa Pacheco Pereira de Noronha e Silva (25.7.1762-18.3.1847), 7º senhor da quinta do Valinho (Beire), 10º senhor da quinta do Maravedi (Gaia), etc., cadete (16.6.1792) e alferes de Artilharia no castelo de Leça, passando à reserva em 1806, etc., c.g. nos Correa Pacheco Teixeira de Vasconcellos de Portocarrero, da quinta do Valinho de Beire (15).

5.1.7.1.3.1.3. Manuel José de Moura Pinto e Magalhães, b. a 12.4.1717, ib, que tirou ordens menores em Braga com seu irmão.

5.1.7.1.3.1.4. Estêvão António de Moura de Magalhães Pinto, b. a 22.12.1720, ib, capitão da Ordenança de Cabeceiras de Basto, viveu na da casa de Olela, de que foi co-senhor com seu irmão Luiz Carlos, por herança do tio materno o Capitão Vicente de Magalhães e Moura. Esta casa de Olela seguiu depois na descendência de Luiz Carlos, como ficou dito acima. Estêvão António casou com D. Josefa Francisca Ferreira da Silva, prima-direita de sua cunhada, c.g. Deles foi filho o Cap. Lourenço José de Moura de Magalhães Pinto, fidalgo de cota de armas (27.9.1821), com carta de armas para Moura, Magalhães, Silva e Ferreira e justificação de nobreza de 17.8.1821.

5.1.7.1.3.2. (b) Esperança, b. a 17.11.1692 em Refoios, sendo padrinhos Paulo de Moura, de Stº André de Painsela, e uma filha, não nomeada, de Luiz de Moura, desta freguesia (o já referido Luiz de Moura Pacheco, senhor das quintas de Conselheiros e do Pinheiro da Vinha Nova, ib). Não encontrei mais notícia desta Esperança, que não casou em Refoios e parece ter vivido solteira na quinta de Paredes, sendo uma das herdeiras do pai.

5.1.7.1.3.3. (b) João de Moura Coutinho, b. a 3.4.1694, ib, sendo padrinhos seus tios paternos João Pereira, do Outeiro, e Luiza Pereira. Tirou inquirições de genere para ordens sacras em Braga a 1.7.1717. Foi padre e viveu na quinta do Casal, em Stª Mª Maior do Outeiro (talvez herdada do tio e padrinho), para onde também foi viver sua mãe depois de viúva, como ficou dito. Fal. aí a 8.10.1735, sendo sepultado na matriz, com três ofícios de 15 padres cada um.

5.1.7.1.3.4. (b) Rosendo, b. a 25.8.1695 em Stª Marinha de Pedraça, sendo padrinhos João Gomes e Benta, solteira, filha de Luiz Rebello, ambos de Stº André de Painsela. Fal. na quinta da Paredes a 20.3.1713, portanto com 17 anos, sendo no óbito referido apenas pelo prenome. Foi sepultado na igreja do mosteiro de Refoios.

5.1.7.1.3.5. (b) Francisco de Moura Coutinho, cujo assento de baptismo não encontrei nem em Pedraça nem em Refoios. Mas não há dúvida na sua filiação, pois no assento do seu casamento consta como filho legítimo do Capitão Tomé Pereira de Araújo e Senhorinha de Moura, já falecidos. Nasceu entre 1696 e 1700 e casou tarde, a 17.12.1744, em Stª Mª Maior do Outeiro (Cabeceiras de Basto), com D. Luiza Maria de Souza da Silva, filha natural de Rodrigo de Souza Pereira da Silva, da quinta de Sestelo, em Stª Senhorinha de Basto, e Luiza de Magalhães, solteira, de S. Salvador de Ribas. Foram testemunhas do casamento Francisco de Moura Coimbra, da Fonte, freguesia de Santiago da Faia (tio do noivo, referido acima) e João António de Paiva Leite, da cidade de Braga, que assinaram o assento, bem assim como o noivo.

5.1.7.1.3.5.1. António Joaquim de Moura Coutinho, n. em Stª Mª Maior do Outeiro, que casou com D. Luiza Maria Álvares de Azevedo, n. em Covelo do Gerez (Montalegre). Deste foi filho Joaquim José de Moura Coutinho e Azevedo, que casou a 29.9.1829 com D. Maria Cândida Pimenta de Almeida Barreto Faria de Carvalho, c.g.

5.1.7.1.4. (c) Rodrigo, b. a 26.1.1688, ib, como filho de Joana, solteira, que deu por pai Manuel de Moura Coutinho, da Fonte, sendo padrinhos João Correa, da Erdade, e Isabel de Magalhães, do lugar do Souto. Fal. a 18.11.1701, ib, referido no óbito como Rodrigo, filho natural de Manuel de Moura Coutinho, da Fonte, sendo sepultado em Stª Senhorinha, ficando seu pai pelos bens de alma.

5.1.7.1.5. (c) Mariana, b. a 18.12.1690, ib, como filha de Joana, solteira, do lugar da Porcariça, que deu por pai Manuel de Moura Coutinho, da Fonte, sendo padrinhos João de Magalhães, do Souto, e Senhorinha, filha de João de Magalhães, da Porcariça.

5.1.7.1.6. (c) João, b. a 30.1.1692, ib, como filho de Joana, solteira, do lugar da Porcariça, que deu por pai Manuel de Moura Coutinho, da Fonte, sendo padrinhos João de Magalhães, da Porcariça, e Ana Francisca, da Faia.

5.1.7.1.7. (d) Paula Joana de Coimbra e Mariz, b. a 19.9.1695 na Faia, sendo padrinho Diogo de Moura Coutinho, de Mesão Frio. Casou a 13.6.1721, ib, com André da Cunha e Vasconcellos, senhor da quinta de Tardinhade, em Gatão, filho sucessor de João de Magalhães Vilela e de sua mulher Isabel de Sequeira de Macedo. C.g (16).

5.1.7.1.8. (d) Francisco de Moura Coimbra, b. a 22.10.1697, ib, que viveu na quinta da Fonte, onde fal., indo sepultar a Stª Senhorinha de Basto a 20.6.1779. Casou com sua prima-direita D. Joana da Maia, fal. na quinta da Fonte, sendo sepultada também em Stª Senhorinha de Basto a 19.5.1772. Era filha de Luiz da Maia Coimbra, capitão-mor de Montelongo, e de sua mulher D. Catarina Correa de Lacerda (casados a 29.6.1698 em Braga, freguesia de S. João). S.g.

5.1.7.1.9. (d) Fernão da Maia Machado, b. a 5.2.1699, ib, e aí fal., indo sepultar a Stª Senhorinha de Basto a 18.2.1779. Casou com Teodósia de Almeida Lobo, n. em Stº André de Painsela, filha de Felix Rebello de Oliveira (bat. a 4.9.1651 no Arco) e de sua mulher Helena de Almeida Lobo, n. na Faia. De Fernão da Maia e sua mulher foi filho i Capitão Bento José de Almeida Lobo, cavaleiro da Ordem de Cristo (HOC, Bento, 4, 2).

5.1.7.1.10. (d) Manuel, b. a 28.3.1702, ib. Deve ser o Manuel de Moura Coutinho, dito natural de Santiago da Faia, que em 1720 (teria assim 18 anos) assistia em casa do Capitão Manuel de Moura Pinto Coutinho, em Pedraça, referido acima (que era seu sobrinho, embora bem mais velho).

5.1.7.1.11. (d) José, b. a 2.5.1704, ib.

5.1.7.1.12. (d) Josefa Antónia, b. a 26.3.1708, ib, sendo padrinho seu sobrinho o Cap. Manuel de Moura Pinto Coutinho, referido acima. Fal. solteira na freg. de S. João a 17.3.1759 e foi sepultada em Stª Senhorinha de Basto.

5.1.7.2.  Maria, b. a 19.6.1639 em Amarante (S. Gonçalo), sendo padrinhos Pedro de Magalhães e Brázia de Moura, filha de Domingos de Moura, de (Fondo). Deve ter fal. solteira, pois não consta o seu casamento em Amarante em data razoável.

5.1.7.3.  Paula, b. a 11.4.1641, ib, sendo padrinhos Domingos de Carvalho, estudante, da freguesia de Stª Marinha, concelho de Baião, e Paula Brochado. Também deve ter fal. solteira, pois não consta o seu casamento em Amarante em data razoável.

5.2. Diogo de Moura Coutinho, cavaleiro fidalgo, familiar do Stº Ofº (28.8.1628), "homem nobre", n. cerca de 1585 na vila da Feira, onde vivia em 1628. Casou na vila da Feira em 1625 com Leonor de Pinho, nascida na Feira e "gente nobre", filha de Vicente de Pinho, "que fora enqueridor e dos milhores da Terra da Feira", e de sua mulher Antónia Moreira, "mulher nobre o virtuosa"; neta paterna de Duarte Pinto, "da nobreza da vila da Feira", e de sua mulher Antónia de Pinho; neta materna de Marcos Moreira e sua mulher Leonor Caldeira, "gente nobre da Feira", c.g. Gaio diz que casou 2ª vez com Catarina Pinto, filha de João Luiz e de sua mulher Isabel Pinto de Macedo, moradores na sua quinta de Covelas, em S. Martinho de Mouros, c.g.

5.3. Rodrigo de Moura Coutinho, b. a 25.2.1587 em Stª Marinha, que foi capitão de Infantaria e viveu na sua quinta de Barbude, segundo Gaio, que acrescenta ter casado com uma filha dos senhores da casa da Praça, na vila da Feira. Destes deve ser filho o Álvaro de Moura (Coutinho) que em 1632 vivia na Vila da Feira.

5.4. Vicente de Moura Coutinho, n. cerca de 1590, provavelmente na Feira. Viveu em Frende (vivia aí com sua mulher em 1632) e foi escrivão dos órfãos de Baião (CFIII, 36, 87v). Casou com Ângela Camelo, filha de Nuno Vaz Guedes, de Sedielos, e de sua mulher, Maria Camelo, de Frende. C.g. (Deles foram filhos Rodrigo de Moura Coutinho, que tirou IG no Porto para ordens menores a 16.5.1645, e Diogo de Moura Coutinho, que casou com D. Joana de Magalhães, de Cidadelhe, filha de António de Magalhães Coutinho, de Cidadelhe, e sua mulher D. Maria Pinto, de Vila da Feira, e foram pais de Francisco de Magalhães Coutinho, natural de Frende, que tirou IG no Porto para ordens menores a 2.1.1702. Deste Francisco de Magalhães Coutinho foi certamente irmão Diogo de Moura Coutinho casado com Maria Martins, pais de Manuel de Moura Coutinho casado com Antónia Carneiro (filha de Francisco Luiz e sua mulher Antónia Carneiro), sendo estes pais de outro Francisco de Magalhães Coutinho, natural de Stª Marinha de Zêzere, que tirou IG no Porto para ordens menores a 26.2.1712).

5.6.  Cristóvã de Moura Coutinho, b. a 15.2.1593 em Stª Marinha, que Gaio diz casado com João Monteiro, c.g.

5.6.  Francisco de Moura Coutinho, n. cerca de 1595 e fal. depois de 1658, certamente também na Feira. Foi senhor da quinta de Bouças, em Stª Marinha do Zêzere, e viveu em Mesão Frio (S. Nicolau). Casou tarde, cerca de 1644, com D. Damásia de Azevedo, n. cerca de 1625 em Mesão Frio (S. Nicolau), onde fal. a 26.8.1658, sendo sepultada na igreja de S. Nicolau, tendo o marido mando fazer três ofícios de 125 padres cada um, dando no dia do enterro 1.400 reais de oferta. Era filha de Francisco de Azevedo Cerqueira e de sua mulher Briolanja Soares, moradores em Mesão Frio. 

5.6.1. Francisco de Moura Coutinho, abade.

5.6.2. D. Isabel de Azevedo Cerqueira, n. em Mesão Frio, onde casou a 16.9.1674 com Fradique Lopes de Souza, fidalgo da Casa Real, 6º morgado de Bordonhos e 14º senhor desta casa (S. Pedro do Sul), nascido no Ladário (Sátão) e morador em Viseu, filho de Diogo Lopes de Souza, fidalgo da Casa Real, 5º morgado de Bordonhos, nascido em Vouzela, e de sua mulher D. Eufémia Pereira, nascida no Ladário. Aquele Fradique era irmão de André de Souza da Cunha, prior da Colegiada de Barcelos e comissário do Stº Ofº.

5.6.2.1. Diogo Lopes de Souza, b. a 9.8.1675 em Bordonhos, 7º morgado de Bordonhos, 9º morgado do Pinheiro, em Stª Mª de Alheira (Barcelos), etc., fidalgo cavaleiro da Casa Real (10.11.1693), cavaleiro da Ordem de Cristo, familiar do Stº Ofº (13.3.1699). Casou a 1.10.1705 em Santar (com IG do Stº Ofº de 8.2.1705) com D. Maria Josefa de Castello-Branco, senhora da casa da Fidalga, em Santar, irmã de Manuel de Almeida Castello-Branco, familiar do Stº Ofº (7.7.1702). C.g. na casa de Bordonhos.

5.6.2.2.  D. Margarida Isabela de Souza, que casou com Leonardo Lopes de Azevedo, 24º senhor do couto de Azevedo, 16º morgado da vila de Souto, morgado do Passo, moço fidalgo da Casa Real (9.12.1699), familiar do Stº Ofº, etc. C.g. na casa de Azevedo.

5.6.2.3.  D. Damásia de Souza, que casou com Luiz Gomes de Abreu, c.g. extinta.

5.6.3. D. Maria de Azevedo, b. a 4.11.1647, ib, sendo padrinhos o morgado de Loivos Jerónimo de Távora e Francisco de Azevedo, sogro de Francisco de Moura. Fal. solt. 

5.6.4. D. Antónia de Moura Coutinho, b. a 25.5.1649, ib, sendo padrinhos Manuel de Sequeira, de Lamego. Fal. solt. 

5.6.5. D. Helena de Robles, b. a 14.11.1650, ib, sendo padrinhos António Rodrigues Barbosa, do Porto, e Maria Pinto, mulher de Manuel de Mesquita, da vila de Mesão Frio. Fal. solt. 

5.6.6.  D. Damásia de Azevedo, freira em Arouca, foi b. a 29.8.1658, ib, sendo padrinhos Álvaro de Moura Coutinho, da quinta de Entre-Águas, e Isabel Botelho, mulher de Francisco de Carvalho, da Granja.

 

 

Porto, 2000

 

 

 

Notas

 

1 - Irmão de Gonçalo Teixeira, que casou com Beatriz Correa, filha de Francisco Anes de Torres e de sua 1ª mulher Beatriz Correa. A 18.7.1446 D. Afonso V nomeia Gonçalo Teixeira, escudeiro e monteiro da sua Casa, para o cargo de almoxarife da portagem régia da cidade de Lisboa, em substituição de Garcia Afonso, que morrera. A 26.8.1451 o mesmo rei nomeia novamente Álvaro Pires, morador em Lisboa, escudeiro de Gonçalo Teixeira, cavaleiro, almoxarife da portagem da cidade de Lisboa, e a seu pedido, para o cargo de requeredor da portagem nessa cidade. A 16.6.1455 D. Afonso V nomeia por 5 anos Gonçalo Teixeira, almoxarife da portagem de Lisboa, para o cargo de coudel da vila de Alenquer e seu termo, em substituição de João de Avelar, que acabou o tempo de exercício do cargo.

2 - Irmã de: 1) Diogo Gonçalves de Macedo, sucessor nos bens da coroa de seu pai.  A 26.6.1425 D. João I dá a Diogo Gonçalves de Macedo, morador na cidade de Évora, filho lídimo e herdeiro de Martim Gonçalves de Macedo, 300 libras das dizimas ae portagem de Bragança como tinha seu pai.  A 8.1.1434 D. Duarte confirma-lhe a sucessão nos bens da coroa de seu pai. No mesmo dia, D. Duarte confirma a Diogo Gonçalves de Macedo, criado de D. João I, a doação de vários bens na cidade de Évora que o dito D. João I lhe doara a 30.8.1424 e que tinham sido de Gomes Martins Zagallo. Casou com uma filha de Fernando Afonso, vassalo, morador em Évora., com geração; 2) e de Diogo Martins de Macedo, fidalgo da Casa do infante D. Fernando, que a 18.10.1454 obtém de D. Afonso V a nomeação de um seu criado para porteiro da correição de Trás-os-Montes, sendo este certamente o pai da 2ª Joana Martins de Macedo que casou com o 2º Pedro Teixeira. Todos filhos de Martim Gonçalves de Macedo, que esteve na batalha de Aljubarrota onde, segundo a crónica de Dom João I, acudiu a este rei, que a 27.5.1385 lhe deu a aldeia e os direitos reais de Outeiro de Miranda (L1,171v e L2,170), a dízima da portagem de Bragança (L2,65v), as aldeias de Algoselho e Pindelo no termo Miranda (L1,87v) e vários bens em Miranda (L1,87v), e de sua mulher Catarina Anes, morgada de S. Braz de Vila Real, que ainda vivia, viúva, a 22.2.1433, quando fez uma escritura  no tabelião João Anes, e que era filha de João Pires, escolar, que instituiu um morgado com capelas, rendas e hospital (morgadio de S. Braz de Vila Real), cuja administração é a 2.12.1472 confirmada a seu bisneto João Teixeira de Macedo.

2a - Manuscrito genealógico de Frei Teodoro de Melo, de 1730, que Gaio refere e está nos Reservados da BMP. A informação sobre a localização deste manuscrito devo-a a José António Reis.

3 - Os dados deste Rui Teixeira, suas filhas e netos foram investigados por Maurício Antonino Fernandes 

4 - Que também aparece como Melchior ou Belchior de Leão Geraldes. Vide "A Carta de Armas de Júlio Giraldes de Vasconcellos", Lisboa 1978, de António de Sousa Lara. 

5a - Este Belchior (ou Melchior, é a mesma coisa) Geraldes de Leão, que no óbito da sua mãe aparece como Belchior Carneiro de Leão, foi o filho primogénito (nascido em 1614) e sucessor na quinta do Vimieiro (a parte do prazo de sua mãe), tendo falecido depois de 1673 e antes de 1678. Como ficou solteiro (apesar de ter filhos naturais em Susana de Azeredo), deixou o prazo a seu irmão secundogénito o Capitão Gaspar Carneiro de Leão, que com ele vivia na quinta do Vimieiro, casado primeiro com Marta Carneiro e depois com Isabel Vieira Aranha. Este Belchior tinha um irmão mais novo parcialmente homónimo, chamado Belchior ou Melchior de Leão Cabral, como o pai, bat. a 8.8.1624, que casou a 15.4.1652 em Várzea do Douro, onde viveu e faleceu a 9.2.1705, com 80 anos. Estes factos tornam-se evidentes nomeadamente no óbito da mãe, Beatriz Velho Carneiro, a 15.10.1673, onde se diz que seu filho Belchior Carneiro de Leão lhe fez pela alma 60 missas, função clara do primogénito e herdeiro. Acrescentando o padre que ouvira dizer que no dote a Belchior de Leão (o outro filho) e a Miguel Vieira de Vasconcellos (um genro) deixara mais legados. Este Belchior é portanto o filho mais novo, Belchior de Leão Cabral, que casara em 1652, e que fora dotado, com obrigação de legados, que vivia em Várzea do Douro, onde vira a falecer em 1705.

5b - Casas de que é hoje co-proprietária a mulher do autor. 

6 - Vide "A Carta de Armas de Júlio Giraldes de Vasconcellos", ib

7 - Vide "Os Portocarreiro ou Portocarrero. Estudo complementar".

8 - Vide "Os Portocarreiro ou Portocarrero. Estudo complementar". Era filho de D. João Lopes de Ozorio, comendatário de Paço de Sousa (5.11.1484).

9 - Irmão de: 1) Luiz Homem de Carvalho, que viveu na quinta de Passos, onde fal. solt. s.g., tendo sido o herdeiro nomeado no óbito de seu pai; 2) Cristóvão Homem, que viveu na quinta de Passos, onde fal. a 20.10.1615, c.c. Ana Leitão, da casa da Foz, em Covelas, fal. a 14.7.1603 em Stª Marinha, c.g.; 3) António de Carvalho, que viveu na quinta de Passos c.c. Domingas Jorge Pinto, fal. a 1.3.1612, ib, filha de Jorge Pinto e sua mulher Mariana Aranha, já referidos; 4) Beatriz de Carvalho, fal. a 23.1.1625, c.c. Pedro Jorge Pinto, morador na quinta de Travanca, onde fal. a 16.11.1620, irmão da referida Domingas; 5) Luiz de Carvalho, morador na quinta de Passos, onde fal. a 9.11.1627, c.c. Susana da Costa. Francisco de Carvalho teve ainda uma filha natural, havida em Isabel Nunes, de nome Luiza de Carvalho que c. a 21.9.1616 c. Gonçalo Teixeira.

10 - Deve ser irmã de um Francisco de Carvalho que fal. a 10.4.1600 em Stª Marinha do Zêzere vítima de uma "saquada" que lhe deu Francisco Camelo, filho de Manuel Camelo, achando-se também culpado nesta morte um Fernão Rebello (morador em S. Tomé de Valadares, c.c. Antónia Camelo).

10a - Deste casamento nasceram, pelo menos, um Manuel, b. a 12.7.1602, ib, um Diogo, b. a 3.12.1603, uma Antónia, b. a 26.7.1605, ib, um Jerónimo, b. a 1.3.1608, ib, um António, b. a 26.6.1609, ib, e uma Maria, b. a 23.3.1610, ib.

11 - CJIII, 67, 122. António Camelo Alcoforado era filho de Jorge Camelo e de sua mulher Ana Dias Alcoforado. Este Jorge Camelo era filho legitimado por carta real de 26.3.1481 de João Camelo, abade de S. Tiago de Valadares (Baião) e de Beatriz Pires, viúva, e neto paterno de Álvaro Gonçalves Camelo, senhor de Baião, e de sua mulher D. Inez de Souza. Aquela Ana Dias Alcoforado era filha de Álvaro Gonçalves Alcoforado, que as genealogias dizem que era frei e comendador da Ordem de Cristo, pelo que Ana Dias seria filha natural. Desta Ana devia ser irmã mais velha Genebra Alcoforado ou Genebra Isabel Alcoforado casada com João Gonçalves de Castilho. Este Álvaro Gonçalves Alcoforado era filho de outro Álvaro Gonçalves Alcoforado, fidalgo da Casa do conde de Ourém, que a 12.10.1450 teve de D. Afonso V uma tença anual de 10.000 reais de prata pelo dote de 1.000 coroas de ouro que o rei lhe dera pelo casamento com Isabel Gomes, donzela da Casa Real. Este último Álvaro Gonçalves, que em 1451 foi coudel de Miranda, Linhares, Penas Roias e Bemposta, era irmão de Rui Gonçalves Alcoforado, senhor de Bemposta, ambos filhos de Martim Gonçalves Alcoforado, senhor de Bemposta, netos de Rui Gonçalves Alcoforado, senhor de Bemposta, e bisnetos de Gonçalo Peres Alcoforado, do tronco desta linhagem.

12 - Vide "Portocarreros do Palácio da Bandeirinha", ib.

12a - Deste foi filha Mariana de Carvalho Pinto, que casou com António de Azeredo Pinto, sendo pais de Francisco de Azeredo Pinto que casou com D. Bernarda de Mello, com quem vivia na lugar da Lage, em Santa Leocádia de Baião, quando a 16.7.1703 aí foi baptizada a filha Maria Josefa, sendo padrinhos Diogo de Azeredo, do lugar de Pena Alva, freguesia de Stº André de Ancêde, e Domingas de Mello, moradora em S. Lourenço do Douro, e a 3.11.1704 aí foi baptizada as filha Antónia, sendo padrinho Gaspar Pinto Barbosa, do lugar de Esmoriz.

12b - Seu filho sucessor João Carlos de Moura Coutinho justificou a sua nobreza a 5.4.1734 perante o juiz de Mesão Frio Diogo Guedes de Mesquita. Este João Carlos nasceu em Mesão Frio e viveu na sua quinta de Entre-Águas. Teve um filho de sua parente Luiza Maria Soares Coelho, natural da freguesia de S. Mamede de Travanca, Feira (que depois casou com Domingos da Fonseca do Amaral), filha de Manuel Soares Coelho, nascido na sua quinta de Tarei, em Travanca, e de sua mulher Antónia Maria, natural de Travanca e ai moradores. O dito filho foi Luiz Diogo de Moura Coutinho, sucessor, nascido Stª Marinha de Zezere e legitimado por carta real de 13.5.1726, que era morador em Mesão Frio quando foi familiar do Stº Ofº a 22.5.1733. Foi ajustado para casar, com autorização do Stº Ofº de 1739, com D. Josefa Maria Leite de Vasconcellos, n. a 21.3.1725 em Sanhoane, que estava recolhida no convento de Moimenta (Sanhoane), filha de José Luiz de Queiroz, natural de Sanhoane, e de sua mulher D. Isabel Luiza, natural de Moura Morta, moradores em Sanhoane, neta paterna de Luiz Botelho de Queiroz, natural de Sanhoane, e de sua mulher Doroteia Correa, natural de Vila Marim, moradores em Sanhoane, e neta materna de Manuel Cerqueira de Almeida, natural de Sedielos, e de sua mulher D. Antónia de Vasconcellos, natural de Peso da Régua, moradores em Moura Morta. C.g.

12c - Vide "Carvalhos de Basto", Volume IV, pág. 291.

12d - Deste Duarte Pinto, de Gatão, diz Gaio que foi filha Maria Pinto, de quem o Doutor Gonçalo Rebello de Souza, senhor da quinta de Pascoais, em Gatão, teve o Doutor Paulo Rebello de Souza, que de facto se documenta nascido em Gatão, filho de Gonçalo Rebello de Souza e Maria Pinto, tendo-se mariculado na Universidade de Coimbra a 23.10.1634, onde se doutorou a 3.5.1647, foi lente de Instituta (1650) e Códico (1656), colegial do Colégio de S. Paulo (21.7.1650), desembargador de Relação do Porto e da Casa da Suplicação e dos Agravos (1664), tendo deixado vários manuscritos de obras de Direito. Não consegui encontrar nos lastimáveis paroquiais de Gatão desta época o assento de baptismo deste Paulo Rebello de Souza, mas de facto encontrei o baptismo a 6.6.1616 e uma Maria, filha de Maria Pinto, moça solteira, que deu por pai o Dr. Gonçalo Rebello. Esta Maria Pinto, contudo, não é referida como filha de Duarte Pinto, nem tão-pouco da Quintã, e tenho dúvidas que o fosse, pois uma Maria Pinto, filha de Duarte Pinto, da Quintã, já falecido (tinha fal. em 1624), casou em Gatão a 6.5.1629. Só se a Maria Pinto que teve filhos do Dr. Gonçalo Rebello de Souza fosse filha natural ou bastarda de Duarte Pinto. Acresce que Craesbecck dá Maria Pinto como casada com este Gonçalo. Terão casado depois do nascimento daquela filha?

13 - Gaio nada diz sobre este Paio Veloso de Vasconcellos, nem em Teixeiras, onde o refere, nem sobretudo em Velosos de Amarante (Velosos, §2), onde nem sequer o refere. Mas parece evidente que este Paio Veloso de Vasconcellos era irmão de Leonardo Teixeira Veloso (pai de Isabel de Vasconcellos casada com Paulo de Queiroz), portanto ambos filhos de Paio Veloso e sua mulher Beatriz Teixeira, filha de Aires Teixeira, o Velho, de Amarante. Gaio, citando Frei Raimundo Veloso, conta uma história mais ou menos mirabolante sobre este Paio Veloso, dizendo que fora fugido para Amarante "pela morte de um fidalgo seu vizinho entendendo ser o que furtara sua irmã". Mas tudo indica que seja o Paio Veloso que a 14.10.1513 teve carta de perdão real na sequência de uma petição que no ano de 1504 enviou ao rei D. Manuel I, sendo então morador na cidade do Porto, dizendo que por sua custa ele fora da ilha de Santigo, por marinheiro, em um navio da dita ilha para a Guiné, ao rio dos Barbacys, o qual não era defeso, e o trato do rio era d'el rei. No qual rio ele, suplicante, tratara com mercadorias defesas, segundo uma outra petição, na qual declarara essas mercadorias: um feixe de ferro, um arratel de alaquecas, e mais não. O que tudo poderia valer 3.000 reais, ao mais. E sabendo-o Sebastião do Quintal, seu inimigo, como tratara com essas mercadorias, dera uma querela dele à justiça de Cabo Verde, pelo que fora preso e fugira da prisão, sem quebrar ferros, nem portas, etc., pelo que andara amorado. Enviando pedir perdão, sem por razão dos sobreditos casos em alguma cousa era obrigado, el rei, vendo seu dizer e visto um praz-me por si assinado, lhe prouve perdoar todo o mal e culpa em que tinha incorrido, assim no cível como no crime, pelo conteúdo na sua petição, e lhe perdoou a fugida, ficando assim desobrigados os fiadores, posto que tenham incorrido em pagar a fiança e, se for arrecadada, a fiança se lhe torne, contanto pagasse 50 cruzados para a Piedade, que logo pagou a frei Luíz da Costa. Parece assim que este Paio Veloso, aparentemente cidadão e armador do Porto, terá andado fugido (portanto antes de 1504), possivelmente em Guimarães, onde pode ter casado com Beatriz Teixeira, cerca de 1489. E o proposto filho, Paio Veloso de Vasconcellos, que pode ter nascido em 1490, deve ser o Paio Veloso, escudeiro, que a 13.9.1511 teve mercê do ofício de inquiridor das inquirições judiciais do concelho de Lanhoso, substituindo nesse ofício Gonçalo Anes, que ao mesmo renunciou, vendendo-lho, segundo um público instrumento feito a 1.9.1511 por João de S. Miguel, notário geral e escrivão na comarca de Entre-Douro-e-Minho, e assinado pelo bacharel Pedro de Aguiar, corregedor nessa comarca, pagando de dízimo deste ofício 600 reais. Ofício que só ocupou 6 anos, pois a 11.12.1517 Luiz Coelho foi nomeado inquiridor do concelho de Lanhoso, em substituição de Paio Veloso, que cometera erros no desempenho desse ofício.

13a - Ou foi baptizado noutra freguesia ou não foi feito assento do seu baptismo. Teoricamente poderia ainda ter nascido entre Novembro de 1642 e Abril de 1643, pois um livro acaba naquela data e outro começa nesta, faltando certamente folhas no final do primeiro. Mas finais de 1642 ou inícios de 1643 é já uma data muito tardia para Paula Pinto ter um filho, uma vez que nasceu em Junho de 1601. Por outro lado, 1642/3 é também uma data tardia para o nascimento de Manuel de Moura Coutinho, sendo mais natural que tenha nascido nos primeiros dois anos do casamento dos pais.

13b - Em Santiago da Faia existiu nesta época, além de outros Moura, um Padre Lourenço de Moura Coutinho, que foi vigário de Santiago da Faia até 1694, quando passou a vigário de Vila Nune, onde fal. a 13.6.1716, ficando seu sobrinho Feliciano Coelho obrigado aos bens de alma, na forma de uma escritura que lhe fez. Na Faia viveu no ludar da Porcariça, antes de ser vigário foi cura e em 1664 já aparece como Padre Lourenço de Moura como padrinho num baptismo. Então (década de 60) assinava apenas Lourenço de Moura, passando depois a assinar Lourenço de Moura Coutinho. Não era parente de Manuel de Moura Coutinho, da casa de Entre-Águas, no Douro, mas sim dos Moura de Basto, provavelmente descendente da casa do Telhado, que, apesar de não serem Coutinho, desde o início do séc. XVII começaram a acrescentar por osmose este nome a Moura.

13c - Serafina de Andrade da Grã c. a 2.2.1555 na Faia c. Bento da Maia Machado, filho de Matias de Freitas e de sua mulher (não nomeada). Francisco de Faria era filho do Dr. Francisco de Faria de Magalhães e de sua mulher Ana de Andrade de Macedo, senhora da quinta da Fonte, onde faleceu viúva a 9.10.1657, depois do filho, deixando herdeira a neta, com obrigação de 60 missas por sua alma, deixando ainda bens na Póvoa de Lanhoso a seu neto Francisco da Costa de Mesquita, com obrigação de 9 missas anuais. Este Francisco da Costa de Mesquita era irmão do Padre Inácio de Macedo e Andrade, que tirou IG em Braga a 7.8.1683 (Pasta 86, Procº 1978). A mulher de Francisco de Faria, Catarina da Grã de Meirelles, era filha de Francisco da Grã de Moraes, cidadão de Braga, morador na Rua do Forno (Sé), e de sua mulher Margarida Rebello de Meirelles, natural de Stº Estêvão de Geraz (Lanhoso), irmã do Padre Francisco da Costa de Mesquita, abade de S. João de Rei, ambos filhos de Domingos Nunes da Costa, 1º morgado da Costa (1597), em Stº Estêvão de Geraz, e sua mulher Margarida Rebello de Meirelles.

14 - Irmã do Padre Gaspar Carneiro da Silva, que tirou inquirições de genere em Braga a 27.4.1728, filhos de João Carneiro da Silva, b. a 23.11.1670 em Pedraça, e de sua mulher (c. a 10.1.1695. ib) Senhorinha Ferreira da Silva; netos paternos de Inácio da Silva Carneiro e sua mulher (c. a 11.6.1666 em Pedraça) Serafina de Campos. Este Inácio era filho natural de Inácio Carneiro da Silva, que depois (1664) foi padre, sendo este irmão de João Carneiro da Silva, abade de Pedraça, e de Jerónima da Silva, que casou com o Lic. Domingos Ribeiro Falcão e levou em dote a quinta de Alvação sendo pais dos padres António Coelho da Silva e João Carneiro da Silva, que tiraram inquirições de genere em Braga a 6.11.1706 e 7.3.1708, e de Gervásio Ribeiro da Silva, que vivia na sua quinta de Alvação quando teve carta de armas a 15.10.1739 para Ribeiro, Silva, Coelho e Abreu. Jerónima, João e Inácio Carneiro da Silva (o primogénito), eram todos filhos de Jorge Carneiro da Silva, familiar do Stº Ofº (2.1.1657), capitão de Infantaria, senhor da quinta de Alvação, em Alvite, onde n. cerca de 1600 e fal. viúvo a 4.5.1686, e e de sua mulher Margarida Rebello de Meirelles, n. em S. Martinho do Arco de Baúlhe. Era "homem nobre que vivia de suas fazendas à Lei da Nobreza". Na matriz de S. Pedro de Alvite existem duas campas com os seguintes letreiros: ESTA SEPULTURA HE DA CAZA DO ALVAS(S)AO. (sic) ESTA SEPULTURA HE DA CAZA DE PEDRO DE BASTO. E A MANDOU PÔR IORGE CARN(EI)RO. Margarida Rebello de Meirelles era irmã do Licenciado Miguel Rebello de Andrade, senhor da quinta Stº Antoninho, em Cabeceiras, e de Frei Tomaz de Basto, geral da Ordem dos Jerónimos. Jorge Carneiro da Silva era filho de Pedro Carneiro (irmão do Padre António Carneiro e de João Barbosa) e de sua mulher Leonor Francisca da Silva, moradores na dita quinta (sendo esta Leonor irmã do Licenciado Marcos Francisco Coelho, morador no Outeiro desembargador em Braga, casado a 6.8.1597 em S. Miguel de Refojos de Basto com com Filipa Vaz de Campos); neto paterno de Afonso Gonçalves e sua mulher Catarina Gonçalves; e neto materno do Padre Gregório Francisco Pereira, da Taipa, e de Margarida Gonçalves, solteira de S. Miguel de Refoios. Margarida Rebello de Meirelles era filha de António Rebello de Meirelles, fal. a 9.2.1619 no Arco de Baúlhe (irmão de Luiz Álvares de Subágua, senhor da casa do Telhado, ib), e de sua mulher Senhorinha João Teixeira, fal. a 9.1.1619, ib; neta paterna de António Luiz Ribeiro, senhor da casa do Telhado, no Arco do Baúlhe, onde foi morador e grande proprietário, e de sua mulher Camila Rebello de Meireles; neta materna de João Gonçalves Teixeira e de sua mulher Juliana Fernandes. Aquela Camila Rebello de Meirelles era filha de Francisco Álvares de Subágua e sua mulher Maria de Andrade, sendo esta filha de Álvaro de Meirelles de Andrade, cavaleiro, capitão-mor e juiz dos órfãos de Cabeceiras de Basto, e de sua mulher (casados cerca de 1539) Camila Leite de Moraes, senhora da quinta de Vilar, em Santiago da Faia, e da quinta de Caínhos, em Stª Senhorinha de Basto Este Álvaro era filho de Cristóvão Rebello (de Meirelles), senhor da quinta de Marinhão (Moreira de Rei), e de sua mulher Maria de Andrade, dama do Paço. Cristóvão Rebello (de Meirelles), escudeiro da Casa de D. João III, tabelião e escrivão da Câmara e almotaçaria do concelho de Montelongo, escrivão das sisas e órfãos do mesmo concelho, e tabelião do público, judicial e órfãos do couto de Moreira de Rei, era filho do Dr. Fernão Nunes (de Meireles), que o antecedeu nestes cargos e ofícios e viveu em Guimarães (neto de Nuno de Meireles, o 1º do nome), e de sua mulher Maria Rebelo, filha de João Álvares Rebelo e sua mulher Aldonça Gonçalves (de Macedo). Camila Leite de Moraes era filha de Francisco Vaz (Pimenta), tabelião de Cabeceiras de Basto (CJIII, 3, 71v), que viveu casado na quinta de Vilar, e de sua mulher Isabel Leite de Moraes, herdeira da quinta; neta paterna de Marçal Vaz (Pimenta), escudeiro, vereador da Câmara de Braga várias vezes entre 1488 e 1520 e recebedor das sisas desta cidade (4.12.1515), que tirou ordens menores em Braga a 22.12.1464 como Marçall Vaaz, da freguesia de Santiago da Sé desta cidade, "de presbitero genitus et soluta dispenssado actoritate appostolica", etc., e de sua mulher Isabel Martins de Guimarães (filha de Martinho de Guimarães, notário geral, criado e escudeiro do arcebispo de Braga, de quem erradamente dizem filho, pois na verdade era sobrinho, pela mãe deste, Maria Anes); e neta materna de João Leite, senhor da quinta de Vilar, em S. Tiago da Faia, que sucedeu ao pai apenas nos bens da Faia e Stº Senhorinha, perdendo os restantes em demanda para João Rodrigues Pereira, e tirou ordens menores em Braga a 9.6.1474, e de sua mulher Catarina Gil de Moraes, de Bragança. Dos anteditos Cristóvão Rebello (de Meirelles) e de sua mulher Maria de Andrade foi filho primogénito Rodrigo Rebello de Meirelles, senhor da quinta do Maranhão, em Moreira de Rei, escrivão da Câmara e das sisas de Montelongo, que casou com Camila de Magalhães e tiveram vários filhos, senda a filha mais velha Maria de Andrade, como a avó, que casou com Francisco Pacheco de Andrade, escudeiro fidalgo, senhor da quinta da Igreja, em Stª Senhorinha de Basto, filho de Francisco Pacheco (de Araújo), juiz dos órfãos e tabelião de Cabeceiras de Basto, e de sua mulher Maria de Andrade. Esta Maria de Andrade era filha de Rui Pires de Gouvea, moço fidalgo da Casa de D. João III, que viveu em Santa Cruz de Lumiares (Armamar) onde foi ouvidor do duque de Coimbra, e sua mulher Leonor de Andrade; neta de Martinho Vaz de Gouveia, fidalgo da Casa Real e do Conselho de D. Manuel I (1518), que a 16.7.1512 deu quitação a sua sogra D. Mayor de 50.000 reais que esta lhe devia do dote de casamento, e de sua mulher D. Joana de Távora, que teve mercê das ditas saboarias de Portalegre em 1526, filha esta de Gomes Ferreira, porteiro-mor de D. João II, que recebeu ordens menores em Braga a 18.12.1456, moço fidalgo (1462) e cavaleiro fidalgo (1474) da Casa de D. Afonso V, e de sua mulher (casados em 1486) D. Mayor de Sottomayor, nascida em 1466, filha de D. Pedro Álvares de Sottomayor, o célebre Pedro "Madruga", 12º senhor de Sottomayor, conde de Caminha (4.3.1476) e visconde de Tui (referido como tal em carta real de 5.6.1476), etc., e de sua mulher (casados em 1465) a portuguesa D. Tereza de Távora, falecida em 1496, filha de Álvaro Pires de Távora, senhor de Távora e Mogadouro e dos direitos reais de Caminha e Vila Nova de Cerveira, etc., e de sua mulher D. Leonor da Cunha. Esta genealogia, que anda muito confusa e errada quer em Gaio quer em Alão, foi corrigida com base nos paroquiais e outra documentação primária, sendo aqui de relevar a importância do assento casamento de Belchior Pacheco de Andrade, senhor da quinta de Conselheiros (então também dita das Pereiras), aí nascido em 1588, casado a 29.4.1620, no Arco, com sua prima Maria Rebello Leite, com dispensa no 4º grau de consanguinidade.

15 - Vide "Carvalhos de Basto", Volume VII, pág. 373 e seguintes; "Quinta do Maravedi. Subsídios para a sua História", Gaia 1994, do autor deste estudo; Anuário da Nobreza, III, Tomo II, 1985, CORREA PACHECO DE PORTOCARRERO, da Casa de Maravedi, em Gaia, do Paço de Valpedre, em Penafiel, e da casa do Valinho, em Beire, Paredes; e "Portocarreros do Palácio da Bandeirinha", Porto 1997, do autor deste estudo, etc.

16 - Vide "Carvalhos de Basto", Volume V, pág. 223.

 
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