regresso à bibliografia

 Manuel Abranches de Soveral

   
     

 

 

"Meirelles Barreto de Moraes 

das Casas do Pinheiro de Cête, Sermanha de Sedielos e Outeiro de Mouriz"

Ensaio publicado na revista "Raízes e Memórias", órgão oficial da Associação Portuguesa de Genealogia, nº 14, Outubro de 1998

(aqui largamente corrigido e aditado)

Introdução 

Este pequeno estudo genealógico sobre uma família da nobreza rural do termo do Porto (com propriedades no Alto Douro, onde também viveram), inicia-se com um fidalgo duriense que se estabeleceu em Cête na segunda metade do séc. XVI, numa casa que ainda não foi destruída e hoje se mantém com caseiros, mais ou menos com a arquitectura de então, de que se destaca a bela varanda colunada que dá para o pátio interior. Seu bisneto sucessor, Bento Barreto de Moraes, vem a casar com Brites de Meirelles Freire, cuja ascendência foi tratada, no artigo "O Descobridor do Congo e o apelido Cão" (1), pelo Prof. Doutor Luiz de Mello Vaz de São-Payo, que aí me manda actualizar a respectiva descendência... O que eu fiz na medida dos possíveis, resultando assim este pequeno estudo, para o qual tive a desinteressada ajuda do meu Amigo José Leão.

Como análise do conteúdo substantivo desta série genealógica, é de realçar a inicial ligação à administração local, sobretudo militar. Depois, no século XVIII, a quase inevitável ligação desta família duriense à produção e exportação de vinho do Porto. E, a partir de meados do século XIX, o retorno à administração pública local, desta feita sobretudo civil, a par das profissões liberais de formação universitária. Ao longo de todo este período é grande a ligação à Igreja, sobretudo às ordens de S. Bento e Stº Eloi. O uso de Dona para as senhoras desta família só começa, nos paroquiais, a partir dos finais do séc. XVII.

Finalmente, de registar a quase inexistência de títulos nobiliárquicos nesta família, mesmo no liberalismo, e da grande independência e autonomia que manteve em relação ao favor do Príncipe e às benesses do Terreiro do Paço...

 

 

§ único

I          FRANCISCO DE MORAES COGOMINHO (2), cavaleiro fidalgo da Casa Real (3), foi o 1º senhor da casa e quinta do Pinheiro(4), bem assim como provavelmente da quinta da Covilhã (5), esta no lugar de Além (Cête), e de muitas outras propriedades em Cête e Mouriz, que lhe vieram pelo casamento. Viveu na primeira destas casas, sita no lugar do Pinheiro, em Cête, onde se tratou à lei da nobreza, com criados e escravos, como se documenta nos respectivos assentos paroquiais. No Tombo de Paço de Sousa (1594) parece várias vezea nas delimitações em Cête com trazendo terras (prazos) do mosteiro de Cête. Faleceu com mais de 80 anos de idade a 13.10.1616, ib, com testamento, sendo sepultado no mosteiro de Cête com um ofício de 21 clérigos, no jazigo da Casa do Pinheiro, que ficava acima das grades, defronte do altar do Santo Lenho. Tinha nascido cerca de 1537 em Mesão Frio (Régua), ou na vila ou no seu termo, que então incluiua a freguesia de Sedielos, onde seu filho se documenta. Era irmão de Fernão Gomes de Moraes (6), escudeiro fidalgo da Casa do infante D. Luiz e depois da Casa Real (1556), fidalgo de cota de armas (22.4.1558), com carta de brasão de armas para Moraes e Cogominho (7), etc., sendo ambos filhos (8) de Diogo Gomes de Moraes, também fidalgo da Casa Real, morador em Mesão Frio, e netos paternos do licenciado Fernão Gomes, corregedor de Trás-os-Montes, ouvidor do Mestrado da Ordem de Cristo, etc., e de sua mulher Isabel de Moraes Cogominho. Não é indicado o nome da mãe deste Francisco de Moraes Cogominho e seu irmão Fernão, mas chamava-se certamente Maria Pereira, dado que uma filha de Francisco se documenta várias vezes como Maria Pereira até mudar o nome para Maria Barreto (nome da mãe dela, entretanto falecida), nome com o qual casou, não havendo outra razão plausível para a anterior onomástica que não seja a repetição do nome da avó paterna. O licenciado Fernão Gomes já tinha falecido a 25.8.1516, data em que D. Manuel I deu a Isabel de Moraes, mulher que foi de Fernão Gomes, ouvidor do Mestrado de Cristo, uma tença de 6.000 reais, pelos serviços de seu falecido marido (CMI, 24, 107). A 19.3.1513 o mesmo rei privilegiou o licenciado Fernão Gomes, ouvidor do Mestrado de Cristo, escusando do pagamento de peitas, etc., todos seus amos e caseiros que tiverem suas casas encabeçadas (CMI, 11, 79 e 79v). E a 18.5.1515 confirmou à vila de Miranda do Douro os mandados dos corregedores Fernão da Fonseca e licenciado Fernão Gomes, para que os procuradores da terra fossem eleitos de entre homens que andassem na Câmara, de modo a que os juízes e vereadores com facilidade acordassem com eles o que fosse proveitoso para o lugar (CMI, 11, 95v). Tendo em conta a cronologia envolvente, este Dr. Fernão Gomes deve ter falecido pouco depois de casar, ainda relativamente novo. E embora seu filho seja dito natural de Mesão Frio, ele pode perfeitamente ter sido natural de Sedielos, freguesia que então ficava no termo da vila de Mesão Frio e onde a descendência aparece e tem propriedades (8b). Os seus cargos levaram-no à corte, nomeadamente a Santarém, onde certamente vivia a mulher. Até porque parece ser o bacharel Fernão Gomes, escudeiro da Casa d'el rei, que a 3.1.1505 foi nomeado juiz de fora de Beja, com 20.000 reais de mantimento, sendo 10.000 pela fazenda real e 10.000 pelas rendas do concelho (CMI, 23, 47 e 47v). O casamento com Isabel de Morais Cogominho, certamente em Santarém, deve ter-se realizado cerca de 1509. Isabel de Moraes Cogominho era irmã de Cristóvão de Moraes Cogominho, ambos filhos de João de Moraes (9), cavaleiro fidalgo da Casa Real, almoxarife das rendas de Santarém, etc., e de sua mulher Isabel Mendes Cogominho, certamente filha de Gonçalo Mendes Cogominho, morgado da Torre de Coelheiros, falecido em 1482. A 29.7.1452 D. Afonso V confirmou o privilégio a Gonçalo Mendes Cogominho, morador na cidade de Évora, coutando-lhe a sua quintã dos Coelheiros e herdade de Vale de Rico Homem e outras herdades do termo da cidade de Évora, da forma que o fizeram os monarcas seus antecessores (insertas cartas de D. Duarte de 21.4.1434 e de D.Afonso V de 16.3.1450). E em Março de 1482 D. João II confirmou a Nuno Fernandes Cogominho o couto da sua quintã de Coelheiros como tinha seu pai Gonçalo Mendes Cogominho. Francisco de Moraes Cogominho casou cerca de 1574 em Cête (10) com MARIA BARRETO, que terá nascido cerca de 1558 na cidade do Porto e já era falecida em 1586 (11), muito herdada em Cête e Mouriz, que era irmã de João Monteiro Barreto, morador casado em S. João de Covas, e ambos filhos de António Monteiro, cidadão do Porto, juiz e recebedor das sisas de Aguiar de Sousa (hoje Paredes), etc., e de sua mulher Inez Barreto. Julgo ser este António Monteiro meio-irmão (12) de Álvaro Monteiro, fidalgo da Casa Real e de Cota de Armas (1543), cidadão e tabelião do Porto (1571), escrivão da Câmara (r. de 1576), etc., senhor da casa da Quintela, em Vila Nova (Arouca), portanto ambos filhos de outro Álvaro Monteiro, senhor da dita casa de Quintela, em Tarouca, cidadão e tabelião do Porto, cavaleiro fidalgo da Casa dos duques de Viseu (pais de D. Manuel I), etc., e de sua 2ª mulher Filipa de Almeida (filha de Rui Lopes de Almeida, alcaide-mor de Freixo de Numão); e neta paterna de Gonçalo Monteiro, cavaleiro fidalgo da Casa dos duques de Viseu, tabelião de Tarouca, etc., falecido depois de 12.2.1500 na quinta da Quintela, no lugar de Vila Nova (Tarouca), e de sua mulher Isabel Rodrigues de Vasconcellos, senhora da dita quinta da Quintela, sendo ela filha herdeira de Rui Gonçalves de Sequeira e de sua mulher Inez de Vasconcellos, filha de Luiz Vaz Cardoso, senhor da honra e quintã de Cardoso em S. Martinho de Mouros, e de sua mulher Leonor de Vasconcellos. Aquele Rui Gonçalves de Sequeira deve ser o Rui Gonçalves, escudeiro, morador em Tarouca, que a 13.9.1453 D. Afonso V nomeou para o cargo de juíz das sisas desse lugar e seu termo, em substituição de Rui Vasques, que morrera. E o Rui Gonçalves, vassalo, morador em Tarouca, a quem a 14.3.1466 D. Afonso V concedeu carta de privilégio para todos os seus mordomos e apaniguados na comarca da Beira. Inez Barreto (13), que ficou acima casada com António Monteiro, cidadão do Porto, e que terá nascido nesta cidade cerca de 1535, julgo ser a filha mais nova e tardia (14) dos treze filhos (15) de Fernão Nunes Barreto, cavaleiro fidalgo, cidadão do Porto, 4º senhor de juro e herdade de Gafanhão (Castro Daire), Freiriz (Vila Verde) e Penagate (Amares) com todos os seus padroados (24.9.1528), senhor da quinta de S. João da Madeira, etc., e de sua mulher Isabel Ferraz, nascida no Porto cerca de 1500, filha de Afonso Rodrigues Leborão, cidadão do Porto, e de sua mulher Beatriz Ferraz, filha esta de Afonso Ferraz (16), cavaleiro da Casa Real, almoxarife de Aveiro e cidadão do Porto, cidade onde parece ter sido o primeiro proprietário da casa dita dos Ferraz, na rua das Flores, e de sua mulher Isabel Fernandes Andorinho. Aquele Fernão Nunes Barreto era filho de João Nunes Cardoso de Gouvea e de sua 1ª mulher Leonor Gomes Barreto, fal. a 17.3.1498 em Aveiro. João Nunes Cardoso de Gouvea viveu em Aveiro, foi cavaleiro da Ordem de Cristo e senhor dos coutos de Freiriz, Penegate e Gafanhão, cujos direitos comprou a 1.10.1496 ao conde de Penela e teve deles doação real de juro e herdade a 24.12.1505. Fez testamento a 1.12.1498, sendo "morador em Aveiro e escudeiro fidalgo da Casa de S. Magestade", testamento este confirmado a 16.11.1510 "nas moradas do muito honrado João Nunes de Gafanhão, cavaleiro da Casa de El-rei nosso Senhor ... estando ele ai presente logo por ele foi dito que tinha feito testamento a 1 de dezembro de 1498". Era filho de Fernão Nunes Cardoso (17), cavaleiro fidalgo, senhor da torre do Quintal, onde viveu, e das honras do Telhado, de Real, Molelos, Botulho, Nandufe, Castanheira, Stª Ovaia, Casais de Vila Verde, etc.., e de sua 1ª mulher e prima Catarina Pires do Quintal. Leonor Gomes Barreto, que ficou acima, era filha de Nuno Gil Barreto (18), de sua mulher Beatriz Gomes de Quadros. Voltando a António Monteiro, pai de Maria Barreto, depois de viúvo de Inez Barreto voltou a casar com Helena de Barros, que seria bem mais nova do que ele, a qual faleceu em Cête a 11.11.1604, dizendo-se no óbito que era 2º mulher de António Monteiro, já defunto, e que não deixou filhos, tendo muita fazenda. Sendo que António Monteiro ainda viveria a 1.5.1590, data em que casou em Baltar um Manuel António, dito escravo de António Monteiro, de Mouriz. Além dos filhos Maria Barreto e João Monteiro Barreto, o casal António Monteiro e Inez Barreto foi certamente também progenitor da Isabel Ferraz que casou cerca de 1579 com Pedro Coelho, de Mouriz, tabelião do Público, Judicial e Notas do concelho de Aguiar de Sousa, filho de outro Pedro Coelho e sua mulher Antónia de Miranda e neto de Roque Coelho e sua mulher Beatriz de Moura, ambos também tabeliães do Público, Judicial e Notas do concelho de Aguiar de Sousa, a quem largamente me refiro na nota (61). Alão diz que aquele Pedro Coelho casou com a filha de um Francisco Ferraz que não identifica, mas esta informação desgarrada não creio que esteja certa, embora eu documente um Francisco Ferraz, de Cête, que foi testemunha nesta freguesia a 29.1.1618, certamente o homónimo que, sendo referido como tabelião, testemunhou em Baltar em 1608, sem referência à freguesia onde vivia. Mas, pela cronologia, este Francisco Ferraz é certamente irmão e não pai de Isabel Ferraz, portanto filho de António Monteiro. Até porque Alão dá depois ao médico Roque Coelho (tio de Pedro Coelho), que casou com Maria Barbosa de Meirelles, filhos chamados Manuel Monteiro, Maria Barreto e Inez Barreto, sendo que, como digo na referida nota nº 61, se documenta que esta Maria Barreto não era filha do médico Roque Coelho mas sim prima de uma sua filha. Documentado-se, na verdade, como filha de João Monteiro Barreto, n. cerca de 1560 e já fal em 1619, e de sua mulher Isabel Coelho, só podendo esta ser filha do tabelião Pedro Coelho e sobrinha do médico Roque Coelho. Assim, podemos concluir que a Maria Barreto casada com Francisco de Moraes Cogominho era irmã de João Monteiro Barreto, de Manuel Monteiro, de Inez Barreto, de Francisco Ferraz e de Isabel Ferraz. E, ainda, que esta Isabel Ferraz casou com Pedro Coelho e foram pais de Roque Coelho Ferraz e João Coelho Ferraz, como digo na dita nota. Sendo esta onomástica torna evidente que a mulher António Monteiro, Inez Barreto, era filha de Fernão Nunes Barreto e sua mulher Isabel Ferraz.

Filhos:

1(II) Diogo Gomes de Moraes, que segue.

2(II) Francisco, crismado a 7.1.1587 no mosteiro de Cête, s.m.n.

3(II) Inez Barreto, que vivia solteira na casa do Pinheiro quando em 1611 foi madrinha de baptismo de sua sobrinha Jerónima. Já em 1598 tinha sido madrinha.

4(II) Maria Barreto de Moraes, que n. na casa do Pinheiro cerca de 1578 e deve ter herdado de seus pais a quinta da Covilhã, onde provavelmente viveu e onde uma sua filha aparece mais tarde a viver. Ainda solteira aparece várias vezes como Maria Pereira nos paroquiais de Cête, como madrinha, desde 1595, mas casou como Maria Barreto. Casou a 11.6.1600, ib, com Vicente Carneiro Borges, irmão do padre Gaspar Beleago, ambos filhos de Pedro Borges Carneiro e de sua mulher Guiomar da Cunha, referidos no Tombo de Paço de Sousa (1594) como moradores na sua quinta do Real, na aldeia de Portela, em S. Salvador de Paço de Sousa, prazo do mosteiro em 3ª vida que ainda tinham em 1608, pagando de foro anual 60 reais e 12 ovos, bem assim como o prazo de uns moinhos em Vau, ib; neto paternos de Manuel de Carvalho e de sua mulher D. Maria Carneiro, 2ª senhora do prazo da quinta do Real, em que sucedeu a seu pai Diogo Alvares Beleago, a quem o mosteiro de Paço de Souza emprazou a quinta do Real em 1530. Aquela Guiomar da Cunha era irmã do padre Jerónimo da Cunha, abade do mosteiro de Cête, onde fal. a 29.6.1671, e de Pedro da Cunha, senhor da quinta de Subcarreira, em Esmegilde (Paço de Sousa), que fez justificação da sua nobreza a 8.2.1617, no tabelião Manuel Pereira Barbosa, todos filhos de Pedro de Ozorio, n. em Sobreira (Paredes) e de sua mulher (casados a 29.5.1605 em Lagares) Isabel Álvares, e netos paternos do Padre Jerónimo de Ozorio, moço da capela da Casa Real, fidalgo da Casa do cardeal-rei D. Henrique, beneficiado do mosteiro de Águas Santas e abade reitor das igrejas de S. Martinho de Lagares e Santiago de Oliveira, e de Isabel de Portalegre, moça solteira de Sobreira (Paredes).

Filhos:

1.4(III) Padre Bento Carneiro de Moraes, reitor de S. Martinho de Parada de Todea, n. a 3.9.1608 em Cête e foi crismado a 24.10.1621 no mosteiro de Cête com suas irmãs Escolástica e Maria.

2.4(III) Francisco, n. a 21.11.1609, ib, e fal. menino.

3.4(III) Escolástica de Moraes Barreto, n. a 21.8.1611, ib, crismada a 24.10.1621, ib, com seu irmãos Bento e Maria. Sucedeu a sua tia paterna Isabel Borges da Cunha no prazo da quinta do Real, em Paço de Souza, e fal. a 18.1.1656 na dita quinta, com dois ofícios de 9 lições e 10 missas. Casou a 11.11.1644 em Cête, pelo irmão Bento, com João Ribeiro Cabral, n. em Paço de Sousa, que lhe sucedeu no prazo da quinta do Real por escritura de 1.4.1662.

Filhos:

1.3.4(IV) Isabel de Moraes Cabral, n. a 4.12.1646 e b. a 9 seguinte como Maria, em Paço de Sousa, sendo padrinhos o Capitão Jerónimo de Azevedo e Inez Bernardes. Casou a 20.1.1675, ib, com o Capitão Jerónimo Rodrigues Borralho, filha do Capitão David Rodrigues Borralho, já defunto em 1675, e de sua mulher Isabel Rodrigues de Andrade, casados a 18.4.1644, ib, que viveram na quinta de Cadeade, em Paço de Sousa, sendo ele referido como capitão desde 1678. Foram pais de Escolástica, n. a 8.1.1676, ib, que era moça solteira quando a 25.4.1694 foi madrinha de baptismo de Frei Caetano de Moraes Barreto, referido adiante no nº 3(V); de Maria, n. a 22.6.1678, ib; e de Jerónima, n. a 11.4.1682, ib.

2.3.4(IV) Inez, n. a 20.2.1649 e b. a 24 seguinte, ib, sendo madrinha Inez Bernardes.

3.3.4(IV) Bento Cabral de Moraes, que também aparece como Bento de Moraes Ribeiro e Bento de Moraes Cabral, foi 7º senhor do prazo da quinta do Real, por escritura de 19.11.1674 no tabelião Manuel de Souza. N. a 10.5.1652 e b. ib, sendo padrinhos Francisco Gomes da Mota, de Arrifana, e Catarina (de Brito). Casou a 20.1.1675, ib, com Maria de Andrade Borralho, n. a 19.6.1656 e b. a 26 seguinte por seu tio materno o Padre Vicente Rodrigues, ib, também filha dos anteditos Capitão David Rodrigues Borralho e sua mulher Isabel Rodrigues de Andrade. Foram pais, entre outros, de Alexandre Ribeiro Cabral, sucessor na quinta do Real (29.11.1705), que deixou sucessora (testamento de 3.6.1762 no tabelião António Machado de Miranda) sua filha D. Tereza de Moraes Barreto, que casou (escritura de dote 24.2.1766 no tabelião Agostinho Manuel da França) com João Barbosa da Silva Leão, da freguesia de Parada, s.m.n. Do antedito Alexandre Ribeiro Cabral foi irmã D. Escolástica de Moraes Barreto que casou com David de Castro Salgado, de Stª Senhorinha de Cabeceiras de Basto, sendo pais do Padre Simão Caetano de Moraes Barreto, vigário colado da freguesia de Nª Sª da Conceição do Campo de Carijós, comarca do Rio das Mortes, Mariana, natural de S. Faustino de Vizela, Guimarães, e falecido na sua vigararia em 1775; e de D. Gertrudes Teresa de Vilas Boas Cabral, casada com o capitão Felix António de Moraes Barreto, certamente seu primo, de quem estava viúva quando em 1776 requereu a herança de seu antedito irmão (Feitos Findos, Fundo Geral, letra S, mç. 209). Aquele capitão Felix António de Moraes Barreto teve a 5.4.1753 carta de propriedade de ofício (RGM, D. José I, 5, 452). De Alexandre Ribeiro Cabral foi ainda irmã D. Maria de Moraes Barreto que casou a 7.11.1695 em Paço de Souza com Florido Telles de Menezes, natural de Stª Clara do Torrão, c.g.

4.4(III) Guiomar, n. a 15.3.1612, ib, e fal. menina.

5.4(III) Maria Barreto de Moraes, n. a 25.11.1615, ib, tendo por madrinha de baptismo sua tia Escolástica Brandão e crismada a 24.10.1621 com seu irmãos. Sucedeu na quinta da Covilhã, onde viveu e fal. a 1.8.1699. Casou a 29.11.1651, ib, com Manuel Lopes de Sousa, n. em S. Pedro de Ferreira, que viveu com sua mulher na quinta da Covilhã, onde fal. a 11.4.1703, filho de Simão de Souza, tesoureiro de S. Pedro de Ferreira.

Filho:

1.5.4(IV) Diogo Lopes Barreto de Moraes, que sucedeu como 4º senhor da quinta da Covilhã, onde n. a 10.11.1652 e fal. a 1.9.1720. Casou a 20.11.1676 em Cête com Maria Barbosa de Andrade, n. em Barreiros (Paço de Sousa), senhora da quinta do Côvo, em Mouriz, filha de Pedro Barbosa e de sua mulher Ângela Rodrigues. Maria Barbosa de Andrade era irmã de do Padre Sebastião Barbosa, reitor de Mouriz, que fal. a 29.9.1728 em Cête, deixando herdeiro seu sobrinho Hipólito Barreto de Moraes.

Filhos:

1.1.5.4(V) Hipólito Barreto de Moraes e Andrade de Barbosa, sargento-mor da Ordenança de Aguiar de Sousa (cargo para que pediu escusa, sendo substituído a 28.7.1777 por seu sobrinho Manuel Estêvão), teve carta de armas para Moraes, Barreto, Barbosa e Andrade. N. a 13.8.1689 na quinta da Covilhã, foi senhor da quinta do Covo, em Mouriz, onde fal. a 21.8.1779, viúvo, com 90 anos (o óbito diz 94 anos pouco mais ou menos). Casou com D. Ana Maria Coelho Ferraz, filha de Pedro Coelho e sua mulher e prima Maria Coelho Ferraz, referidos na nota 61.

Filhos:

1.1.1.5.4(VI) D. Maria Eusébia Barreto de Moraes, que sucedeu como senhora da quinta do Covo, por escritura de dote feita por seu pai. Casou com Bernardo José de Matos Sottomayor (e Noronha) (23), cavaleiro fidalgo da Casa Real (23.3.1743), senhor da quinta da Torre, em S. João de Eiriz (Paços de Ferreira), filho de Baltazar de Sequeira de Matos, cavaleiro fidalgo da Casa Real (16.1.1721), senhor da dita quinta, capitão-mor de Ferreira e Refoios, etc., e de sua mulher D. Asensia Maria de Sá Falcão Aranha; neto de outro Baltazar de Sequeira de Matos, senhor da dita quinta da Torre, cavaleiro da Ordem de Cristo, com 40.000 reais de pensão (18.10.1663), capitão-mor de Ferreira e Refoios, etc., e de sua mulher D. Mariana de Souza; bisneto na varonia de Paulo Ferreira, senhor da dita quinta da Torre, capitão-mor de Refoios, Frazão, Penamaior, Monte Córdova e Lordelo, e de sua mulher Maria (de Matos) de Sequeira. Alão diz que este Paulo Ferreira era filho de Pedro Afonso, que adoptou o nome Ferreira, e de sua mulher Catarina Ferreira. Deve assim ser o Paulo, b. a 6.7.1578 em S. João de Eiriz, filho de Pedro Afonso, de Quintela, e sua mulher (casados a 3.6.1575, ib) Catarina Gonçalves, sendo esta filha de outro Pedro Afonso, de Ferreira, e de sua mulher Catarina Gonçalves, de Eiriz. Devendo esta última Catarina Gonçalves ser filha de Gonçalo Fernandes (Ferreira), senhor da dita quinta da Torre, onde faleceu a 19.10.1580, e de sua 1ª mulher, como refiro na nota nº 37. D. Maria Eusébia e seu marido deixaram geração conhecida. 

2.1.5.4(V) Padre José Lopes Barreto, que viveu com seu irmão Jacinto em Mouriz.

3.1.5.4(V) D. Maria Barreto de Moraes, fal. solt.

4.1.5.4(V) D. Clara Maria Barreto de Moraes, que sucedeu a seus irmãos padres como 5ª senhora da quinta da Covilhã, onde nasceu. Casou a 24.11.1719, ib, com o Cap. Manuel Vieira Borges, n. em S. Vicente de Irivo (Penafiel), que tinha vivido alguns anos no Rio de Janeiro, filho de António Vieira e sua mulher Susana Borges, moradores em S. Vicente de Irivo.

Filhos:

1.4.1.5.4(VI) Manuel Estêvão Barreto de Moraes e Andrade Vieira de Barbosa, capitão de Cête na Ordenança de Aguiar de Sousa (17.6.1765) e depois sargento-mor da Ordenança de Aguiar de Sousa (28.7.1777), fidalgo de cota de armas, que sucedeu como 6º senhor da quinta da Covilhã, onde n. a 26.12.1721 e fal. a 7.11.1793, sendo sargento-mor e viúvo, deixando herdeiro seu filho Manuel Afonso. Casou a 4.11.1748, ib, com D. Florência Ventura de Faria Leite de Bragança (25), n. a 8.1.1728 e fal. a 4.6.1773, ib, filha de Hipólito de Meirelles Afonso Fayão, fidalgo cavaleiro da Casa Real e cavaleiro da Ordem de Cristo, senhor da casa da Nogueira, ib, que a 18.5.1734 teve carta de armas para Bragança, e de sua mulher D. Margarida de Faria Leite. C.g. 

2.4.1.5.4(VI) Custódio, b. a 5.10.1723 em Mouriz, sendo padrinhos o Padre Licenciado Custódio Pinto de Seabra e D. Maria, mulher de Bernardo Luiz de Miranda Delgado, todos de Cête. 

3.4.1.5.4(VI) Tomaz António, n. a 29.12.1724 em Cête.

4.4.1.5.4(VI) Maria Joana, n. a 25.3.1726, ib.

5.1.5.4(V) Padre Jacinto Lopes Barreto, que viveu na quinta da Covilhã e foi abade de Mouriz.

6.1.5.4(V) Padre Dr. Henrique Lopes Barreto de Moraes, já ordenado em 1719, abade de Mouriz.

5(II) Jerónima de Moraes, que n. na casa do Pinheiro cerca de 1579 e viveu na quinta da Lágea, em Parada de Todeia, sendo ela e seu marido "de nobre sangue e cidadãos da cidade do Porto". O assento do seu casamento não aparece nem em Cête nem em Parada, mas terá casado em 1606, pois seu único filho nasceu no ano seguinte. Casou com Gaspar Barbosa de Leão (19), senhor da dita quinta da Lágea, onde fal. a 1.5.1607, portanto pouco depois de casar e pouco depois de seu pai falecer. Era filho de António de Leão da Fonseca, senhor da dita quinta, aí fal. a 23.3.1607, e de sua mulher Cecília Fernandes, aí fal. a 9.12.1623; neto paterno de Gaspar Barbosa, notário apostólico, e de sua mulher Beatriz de Leão, senhora da dita quinta da Lágea, e bisneto de Pedro de Leão, juiz das sisas de Aguiar de Sousa (1504), senhor da quinta do Beco, em S. Miguel de Rans (Penafiel), e de sua 2ª mulher Beatriz da Fonseca, senhora da dita quinta da Lágea, do prazo do mosteiro de Paço de Sousa, onde ambos viveram, os quais trato detalhadamente na nota (61). Pedro de Leão e Beatriz da Fonseca (cuja ascendência refiro em Paiva Brandão), a 11.6.1505 compraram a quintã do paço de Pombal, em Vila Boa de Quires, por 50.000 reais, a Vasco Martins de Portocarreiro e sua mulher Catarina da Cunha, com a condição de a venderem pelo mesmo preço a qualquer descendente dos vendedores que o quisesse comprar, o que fez dois meses depois D. Guiomar da Cunha, neta dos vendedores, como refiro em "Os Portocarreiro ou Portocarrero. Estudo complementar".

Filho:

1.5(III) Capitão Francisco Barbosa de Moraes, filho único, que sucedeu na quinta da Lágea. Foi bat. a 29.5.1607 em Parada de Todea, sendo padrinhos Vicente Carneiro Borges, seu tio por afinidade, referido acima, e Maria da Fonseca, moradora na quinta da Lágea, certamente sua tia paterna. Fal. a 10.3.1692. Casou a 24.1.1622 com Ana da Fonseca, senhora do casal das Quintãs e outros, em S. Vicente do Pinheiro, c.g. nos morgados da Quintã.(20

 II       DIOGO GOMES DE MORAES COGOMINHO (26), fidalgo cavaleiro da Casa Real, sucedeu como 2º senhor da casa e quinta do Pinheiro e várias outras propriedades de seus pais, nomeadamente parte da quinta de Sermanha, em Sedielos, onde também viveu. Nasceu cerca 1575, foi crismado a 7.1.1587 em Cête e faleceu velho a 15.8.1652, sendo sepultado na igreja do mosteiro de Cête, no jazigo da sua casa. Na habilitação para o Stº Ofício (1701) de seu neto, várias testemunhas documentam a sua nobreza, como é o caso do padre Jordão da Cunha, morador na quinta da Quebrada, em Mouriz, de 66 anos, que diz ter ainda conhecido bem Diogo de Moraes e sua mulher, sendo "pessoas mtº nobres, e elle grande cavaleiro, que viverao de suas fazendas". Viveu algum tempo em Sedielos (Régua), onde teve a quinta de Sermanha e onde lhe nasceram pelo menos dois filhos e a mulher morreu. Casou por volta de 1610, certamente em Paço de Sousa (27), teria ele já 35 anos e ela apenas cerca de 16 anos de idade, com ESCOLÁSTICA BRANDÃO, nascida cerca de 1594 em Paço de Sousa, conforme garantem as citadas testemunhas, e falecida a 27.7.1632 em Sedielos, com testamento, deixando nos bens de alma dez missas de nove lições, das quais uma cantada. Era, tudo o indica, filha de Francisco Brandão Borges, morador em Paço de Sousa, que teve carta de armas a 26.4.1584 para Brandão e Borges, com um cardo de prata florido de verde por diferença, onde consta como filho de Pedro Brandão Borges e neto de Pedro Brandão e sua mulher Maria Borges. Aquele Francisco Brandão Borges aparece no Tombo de Paço de Sousa de 1594 como Francisco Brandão, com sua mulher Maria da Fonseca, moradores no Casal de Borbedes, em Paço de Souza, prazo que ele trazia do dito mosteiro em 3ª vida, pelo foro anual de 40 alqueires de pão terçado, milho e centeio, 14 almudes de vinho, um frangão e 600 reais em dinheiro, e que consistia em cinco casas de morada sobradas, com sua lojas por baixo, sua cozinha e casa de lagar, um páteo, pomar, lameiro e horta, tudo junto e cercado de parede, e 24 campos de cultivo todos devidamente individualizados no dito tombo. Aí se diz que ele foi nomeado neste prazo por sua mãe Catarina Lopes, em instrumento de dote, e que ela era 2ª vida, sendo 1ª seu marido Pedro Brandão. Este Pedro Brandão (Borges) foi de facto senhor das quintas da Quebrada de Valbom e de Borbedes, ambas em Paço de Sousa, prazos que o mosteiro lhe renovou respectivamente em 1570 e 1568. Era, como ficou dito, filho de outro Pedro Brandão e de sua mulher Maria Borges, filha esta de Aldonça Borges, que tiveram respectivamente a 2ª (1552) e 1ª vida (1514) nos ditos prazos. Este último Pedro Brandão, nascido cerca de 1520, penso que era filho bastardo de Diogo Brandão Pereira (28), comendador de S. Martinho de Guilhabreu na Ordem de Cristo (29), senhor da quinta de Avintes, etc., e de D. Mécia, filha do comendatário de Cête Simão de Faria.

Filhos:

1(III) Jerónima de Moraes Cogominho, n. a 11.9.1611 na casa do Pinheiro. Foi crismada em Paço de Souza a 24.10.1621 com seus irmãos Diogo e Maria. Em 1631 foi madrinha em Sedielos e herdou aí, com sua irmã Maria, a quinta de Sermanha, que passaria à descendência de sua irmã Sebastiana. Fal. depois de 1690 (o seu óbito não aparece até este ano, sendo que o livro seguinte está muito danificado) e seguramente depois de 1680. Casou a 28.6.1653, ib, por procuração passada a seu cunhado Nicolau de Freitas, tinha já 42 anos de idade, com Manuel Pereira (Alcoforado), fal a 14.9.1680, ib, com ofício de 22 padres no dia e mês do falecimento e com testamento, ficando herdeira a mulher. Era filho de Gaspar Pereira (Alcoforado), fal. a 23.5.1654, ib, e sua mulher Maria de Freitas, b. a 21.3.1609 e fal. a 27.4.1656, ib. S.g.

2(III) Padre Diogo Gomes de Moraes, reitor de S. Paio (Penafiel), n. a 15.4.1613 em Sedielos (Régua) e foi bat. a 22, sendo padrinhos Francisco de Almeida (Carvalhais) e Leonor Camelo, mulher de António Guedes (Pereira Alcoforado). Foi crismado em Paço de Souza a 24.10.1621 com suas irmãs Maria e Jerónima.

3(III) Escolástica Brandão, n. a 7.3.1615 e bat. a 7 em Sedielos (Régua), sendo padrinhos Gonçalo Pereira (Alcoforado), da casa da Portela, ib, e Maria, filha de Francisco Cardoso, de Sermanha, ib. Fal. a 18.4.1675 na casa do Pinheiro, sendo sepultada no mosteiro de Cête, no túmulo de seu pai.

4(III) Maria Barreto de Moraes, n. cerca de 1617, sendo crismada a 24.10.1621 com seus irmãos Diogo e Jerónima. Viveu em Sedielos, onde herdou, com sua irmã Jerónima, a quinta de Sermanha, e onde fal. a 12.12.1671. Casou a 9.5.1641 no mosteiro de Cête com Nicolau de Freitas, n. em 1603 (declara ter 60 anos em 1663), fal. a 10.1.1686, ib, ficando herdeiro o sobrinho (dele) o Padre Manuel de Azevedo. S.g.

5(III) Sebastiana de Moraes Barreto, que segue.

III        SEBASTIANA DE MORAES BARRETO, que sucedeu com sua irmã Escolástica da casa e quinta do Pinheiro, onde viveu. Foi baptizada a 28.1.1625 no mosteiro de Cête pelo seu vigário Frei Manuel de S. Nicolau, sendo padrinhos seu primo Francisco Barbosa de Moraes e sua tia Maria Barreto. Faleceu com apenas 50 anos de idade a 18.4.1675, no mesmo dia em que faleceu sua irmã, sem testamento, sendo sepultada no mosteiro de Cête, no jazigo da casa, com um ofício de dez padres. Ela e seu marido foram "pessoas mui nobres e principais desta freguesia, que viveram de suas fazendas", como se documenta no citado processo de familiar do Stº Ofº de seu filho. Casou a 2.2.1660, ib, tinha ela já 35 anos de idade e ele apenas 28 anos incompletos, com DOMINGOS FERREIRA DA FONSECA (30), capitão de Cête na Ordenança de Aguiar de Sousa (31), onde foi várias vezes juiz ordinário e vereador do Senado da Câmara. Nasceu a 25.4.1632 na quinta do Prazo do Outeiro, em Cête, e viveu casado na casa do Pinheiro, tendo falecido antes de 1701. Era filho de Santos Ferreira da Fonseca (32), também capitão de Cête na Ordenança de Aguiar de Sousa, senhor da dita quinta do Prazo do Outeiro, onde nasceu a 12.11.1589, vindo a falecer a 26.11.1664 na casa do Pinheiro, e senhor do casal de Cella, ib, que o mosteiro de Paço de Sousa lhe emprazou (33) a 10.11.1634, etc., e de sua mulher (casados a 29.10.1629 em Mouriz) Águeda Antónia Teixeira, nascida na casa do Bairro, em Mouriz, e falecida a 23.9.1682 na casa do Pinheiro (irmã do alferes João Teixeira, senhor da casa do Bairro, em Mouriz, referido no nº V); neto paterno de Joana da Fonseca (34) e seu marido Santos Ferreira, o Velho (35), também capitão de Cête na Ordenança de Aguiar de Sousa (era-o em 1608), nascido cerca de 1551 em Paços de Ferreira e falecido a 18.5.1616 (36) em Cête, com testamento e 2 estados de 24 missas. Este Santos Ferreira e sua mulher Joana da Fonseca, moradores em Cête, constam no Tombo de Paço de Sousa (1594) como senhores do prazo do Casal do Ribeiro, em Parada de Todeia, e ele como trazendo terras (pazos) do mosteiro de Cête e do reguengo de Manuel Peixoto da Silva, senhor de Penafiel. Este Santos Ferreira parece filho do 2º casamento de Gonçalo Fernandes (Ferreira) (37), senhor da quinta da Torre, em S. João de Eiriz (Paços de Ferreira), onde faleceu a 19.10.1580.

Filho:

1(IV) Bento Barreto de Moraes, que segue.

IV       BENTO BARRETO DE MORAES (38), que sucedeu como 4º senhor da casa e quinta do Pinheiro e demais propriedades de seus pais e tios (39), nomeadamente na casa de Sermanha. Foi baptizado a 9.1.1661 em Cête, tendo por padrinho seu primo o padre Inácio Barbosa de Moraes, e faleceu a 9.8.1729, ib, com 68 anos de idade, deixando testamento e sendo sepultado na igreja do mosteiro de Cête, no jazigo da sua casa, com três ofícios de 20 padres cada um e a obrigação de lhe rezarem pela alma 100 missas "de tostão cada uma". Várias vezes juiz ordinário do concelho de Aguiar de Souza e vereador do Senado da Câmara, foi familiar do Stº. Ofº. (5.5.1701), em cujo processo (40) de habilitação as testemunhas dizem dele que "he homé nobre, e dos principaes da terra", acrescentado que "he pessoa de boa vida e costumes, juizo e capacidade pera delle se poderem fiar negocios de muito segredo, e importancia como os do Stº Ofº, e conhece delle que todos os que lhe forem incarregados dará boa conta e satisfação, porquanto tem sido juiz do concelho nesta Terra, e serviu com grd. inteireza e satisfação, e que sabe bem ler e escrever e vive mtº limpa e abastadamente de suas quintas". Casou antes de 5.5.1677 em paróquia ainda indeterminada (41), com BEATRIZ DE MEIRELLES FREIRE (42), bat. a 2.11.1659 em S. João de Covas (Lousada) e falecida a 8.5.1737 na casa do Pinheiro, com 78 anos de idade, após quatro meses de doença, sendo sepultada junto a seu marido, com três ofícios de 20 padres cada um. Era filha de Domingos de Meirelles Freire, capitão da Ordenança de S. João de Covas, senhor da dita quinta de Rio de Moinhos, onde faleceu a 10.5.1675, etc., e de sua 2ª mulher (casados a 12.6.1651 em S. Pedro de Raimonda) Leonor Neto (de Sottomayor) (43), bat. a 20.10.1629 em S. Pedro de Raimonda (Paços de Ferreira) e falecida a 20.5.1675 na quinta de Rio de Moinhos; neta paterna de Domingos Gaspar Moreira (44), nascido cerca de 1555 em S. Miguel da Gândara (hoje Gandra), concelho de Paredes (então Aguiar de Sousa), e morador casado na quinta de Rio de Moinhos, onde fal. a 16.4.1638, e de sua mulher Águeda Freire de Meirelles, senhora da dita quinta de Rio de Moinhos (que incluia um prazo do mosteiro de Leça feito em 1566 a seus pais Pedro Freire e Maria de Meirelles), onde nasceu cerca de 1557 e fal. no mesmo dia em que faleceu seu marido (o assento de óbito é comum), e onde ambos viveram (45), e senhora ainda da quinta de Almedina, com sua torre telhada, também em S. São de Covas, prazo da comenda da Ordem de Malta que teve com seu marido a 5.6.1595; neta materna de João Neto (de Sottomayor), senhor da quinta da Igreja, em S. Pedro de Reimonda (Paços de Ferreira), onde faleceu a 19.1.1663, e de sua mulher (casados a 28.11.1612 em S. Pedro de Raimonda) Senhorinha Vaz, sendo "pessoas honradas que viviam de suas fazendas", como se diz na inquirição de genere de seu bisneto. As genealogias chamam a este João Neto, que terá nascido cerca de 1583, João Neto de Sottomayor e dizem que era filho ou descendia de um fidalgo galego. O assento do seu casamento não dá a filiação dos noivos, dizendo apenas que eram ambos da freguesia. Mas não parece que a família paterna de João Neto fosse de Raimonda ou das redondezas, pois não há mais nenhum Neto na freguesia, nem aparece nenhum como padrinho dos seus vários filhos, sendo apenas padrinhos familiares da mulher. Mas é certo que João Neto teve dois irmãos, pois a 30.9.1651 mandou fazer em Raimonda os legados pios por alma de seus irmãos Gonçalo e António, solteiros, ausentes há muitos anos, sem haver novas deles. O registo não o refere, mas é provável que tivessem ido para a Índia ou em 1641 entrado nas guerras da Restauração, embora já tivessem demasiada idade para esta última hipótese. João Neto faleceu velho a 19.1.1663, com testamento, ficando seu filho João Neto obrigado aos bens de alma. Diz o óbito que teve no dia do falecimento ofício de 12 padres com as ofertas acostumadas e que ficou sepultado dentro da igreja, diante do altar de Nª Sª do Rosário. Acrescenta que recebeu os três sacramentos e mandou fazer por sua alma cinco ofícios de dez padres, mas se fizeram 12 de dez padres, e teve mais 10 ofícios de dez padres cada, com suas ofertas costumadas, e pagou as ofertas do mês e do ano. É portanto possível que João Netto (aparece com as duas grafias), e os anteditos seus dois irmãos, fossem de facto filhos de um nobre galego, que porventura veio para Portugal no exército do duque de Alba, que depois da batalha de Alcântara (4.8.1580), perseguiu os apoiantes do prior do Crato até ao Minho. Sendo esse galego (portanto o António Neto/Nieto que algumas genealogias referem com pai de João Neto) porventura descendente de Fernando Álvarez Nieto, de Salamanca, que foi senhor de Cubo e casou na 2ª metade do séc. XV com Isabel de Estuniga, havendo portanto uma ligação posterior aos Sottomayor. Podendo também acontecer que esse galego (António Nieto?) não era da linhagem Sottomayor mas sim natural de Soutomaior (Vigo).

Filhos:

1(V) D. Sebastiana Teresa de Meirelles Barreto de Moraes, que segue.

2(V) Frei Doutor Bento Barreto de Moraes, cónego regrante de S. João Evangelista, no mosteiro de Stº Eloi do Porto, onde vivia em 1721 com o nome de Frei Bento da Nactividade, sendo "famoso Pregador". N. a 22.10.1690 na casa do Pinheiro, tendo por padrinho de baptismo seu tio materno o Cap. Domingos de Meirelles Freire.

3(V) Frei Caetano de Moraes Barreto, também cónego regrante de Stº Eloi, n. a 16.4.1694 e b. a 25 seguinte, ib, tendo por padrinhos o Doutor António Pinheiro da Silva, n. em Para de Todea e morador em Bitarães, e Escolástica, moça solt., filha do Cap. Jerónimo Rodrigues Borralho e de sua mulher Isabel de Moraes, moradores em Paço de Sousa, referidos acima.

V        D. SEBASTIANA TERESA DE MORAES BARRETO (46), que sucedeu como 5ª senhora da casa e quinta do Pinheiro e demais propriedades, nomeadamente a casa de Sermanha, em Sedielos. Foi baptizada a 2.9.1685 em Cête, sendo padrinhos Manuel da Cunha, morador em S. Vicente do Pinheiro, e Maria Barbosa, mulher de seu primo Diogo Lopes Barreto de Moraes, já referido no nº 1.2(IV). Faleceu a 14.3.1748, ib, com 62 anos de idade, sendo sepultada na igreja do mosteiro de Cête "na sua campa aSima das grades", com três ofícios de 10 padres cada um. Como se verifica noutras circunstâncias, o jazigo da casa do Pinheiro ficava "dentro da Igreja, assima das grades, na sepultura do meyo, defronte do altar do Santo Lenho, q. he he da Caza do Pinheiro de Dentro". Casou a 30.12.1700 na igreja de Cête, tinha ela apenas 15 anos de idade e ele 17 anos, com seu primo FRANCISCO DA ROCHA ARANHA (47), nascido em 1683 no Porto e falecido viúvo a 24.4.1761, com 77 anos de idade "mais ou menos", na casa do Pinheiro, onde viveu com sua mulher, com testamento feito no tabelião de Baltar Agostinho Manuel de Távora, sendo sepultado no jazigo da casa com um ofício de 30 padres e dois de 10 padres cada um. Dizem as genealogias (48) que "sendo estudante de Filosofia se casou por amores". Como casou com 17 anos, estaria então a fazer o bacharelato em Artes (Humanidades) no Colégio Real de Coimbra, tirado em geral antes da matricula na Universidade de Coimbra. O certo é que só se matriculou em Instituta a 6.11.1702, portanto 2 anos após o casamento. Veio depois a suceder a seu sogro e primo como capitão de Cête na Ordenança de Aguiar de Souza. Era filho sucessor de João da Rocha Teixeira, cavaleiro da Ordem de Cristo, bacharel formado em Cânones na Universidade de Coimbra (19.7.1664) e habilitado ao serviço de Sua Majestade (9.7.1666), juiz de fora em Vila Nova de Cerveira (3.7.1667), Coimbra e Estremoz, corregedor de Castelo Branco, onde faleceu (sendo aí sepultado no convento dos Capuchos) nomeado corregedor, inquiridor e distribuidor do juízo da Índia e Mina (9.9.1683), senhor da quinta de Vilela, em Stª Mª Madalena (Paredes, então Aguiar de Sousa), onde foi bat. a 12.6.1637, e de sua mulher D. Tereza de Brito Aranha, natural da cidade do Porto (Padrão - Vitória), que era irmã do Padre António de Brito Ferreira Aranha, abade de Canelas (Maia); neto paterno de João Teixeira (49), alferes da Ordenança de Mouriz, senhor da casa do Bairro, ib, bat. a 16.2.1607, ib, e fal. a 29.6.1679 na quinta de Vilela, onde viveu casado, e de sua mulher (casados a 1.1.1635 em Stª Mª Madalena) Isabel da Rocha Moreira, senhora da dita quinta de Vilela, onde nasceu a 31.10.1606 e fal. a 13.1.1683, que era irmã de António da Rocha, abade de S. Lourenço, na comarca da Maia, e abade coadjutor do mosteiro de Bustelo (Penafiel), de Frei João do Sacramento, franciscano, mestre de Sagrada Escritura, missionário apostólico, e de Maria da Rocha Moreira, bat. a 24.6.1603, ib, e fal. a 2.10.1665 na quinta da Vidigueira, herdeira da quinta do Moinho, em Stª Mª Madalena, que casou a 18.5.1631, ib, com Manuel Barbosa, senhor da quinta da Vidigueira, em Besteiros (Paredes), onde nasceu a 18.3.1604 e faleceu a 26.2.1668, que refiro no meu Ensaio sobre a origem dos Correa. Isabel da Rocha Moreira e seus irmãos eram filhos de António da Rocha (49a), senhor das quintas de Vilela e do Moinho, em Stª Mª Madalena, onde faleceu a 20.2.1632, tendo nascido em Baltar (Paredes) cerca de 1570, e de sua mulher (casados a 29.2.1594 em Castelões de Cepeda) Isabel Gaspar Moreira (50), nascida cerca de 1578, ib, e falecida a 5.8.1618 na quinta de Vilela, filha esta de Gervásio Gaspar Moreira, nascido cerca de 1548 em Gandra (Paredes) e falecido a 4.1.1592 em Castelões de Cepeda (irmão de Domingos Gaspar Moreira, referido no nº IV), e de sua mulher Isabel Pires, senhora do casal da Ponte, em Castelões de Cepêda (Paredes), onde faleceu a 12.12.1627. A 25.10.1686 os filhos do Dr. João da Rocha Teixeira tiveram mercê de D. Pedro II (RGM, 3, 95v) para receberam os 30.000 reais efectivos da tença da Ordem de Cristo de seu pai, além de 15.000 para sua filha D. Isabel. D. Tereza de Brito Aranha, natural da cidade do Porto (Padrão - Vitória) e seu irmão o Padre António de Brito Ferreira Aranha, abade de Canelas (Maia), muito embora não tenha ainda oportunidade de fazer a respectiva pesquisa proquial, eram certamente netos ou bisnetos do Licenciado Tomaz de Brito, médico da Santa Casa da Misericórdia do Porto, e de sua mulher Maria Aranha, moradores na cidade do Porto, pais do Licenciado Onofre de Brito, que faleceu solteiro no Porto (Sé) a 12.11.1632, deixando herdeira dua irmã Mariana Aranha, a qual fez testamento a 14.1.1634, e de Isabel Aranha casada com o Licenciado Heitor de Barros. Com efeito, para além da conjugação dos apelidos, o Licenciado Tomaz de Brito e sua mulher Maria Aranha constam no Tombo de Paço de Sousa (1594) como moradores na cidade do Porto e tendo em 1ª vida o prazo do Casal de Lela, justamente em Cête, onde pelas delimitações se vê que aí tinham também terras suas de raiz. No mesmo tombo aparecem ainda como trazendo em 3ª vida o prazo do Casal de Rio Mau, no limite da freguesia de Santiago, que é da freguesia de Pedorido, por nomeação que lhes fez Isabel Barbosa, já defunta, mãe de Maria Aranha, a qual o comprara a António Aranha e sua mulher (não nomeada), também já defuntos, que o tinham tido em 1ª vida. Esta Isabel Barbosa, que pela cronologia envolvente terá nascido no início do séc. XVI e terá vivido no Porto, parece ser a Isabel Barbosa que Gaio (em ARANHAS, §26, nº 9) diz ter casado no Porto com Francisco Tavares e ser filha de Álvaro Barbosa Aranha e sua mulher Genebra Pereira, que refiro no meu "Ensaio sobre a origem dos Correa, senhores de Fralães".

Filhos:

1(VI) D. Francisca Tereza Maria, freira no convento de S. Bento de Avé Maria, no Porto, onde ainda vivia em 1799. N. a 22.9.1708 na casa do Pinheiro e foi bat. a 29 no mosteiro de Cête, tendo por padrinhos sua avó Beatriz de Meirelles Freire e seu primo o morgado de Louredo José Monteiro Moreira.

2(VI) Frei Doutor João de S. Teotónio, cónego regrante de S. João Evangelista, n. a 19.9.1710 na casa do Pinheiro, tento como padrinho de bat. o padre Luiz de Carvalho de Meirelles, abade de Cête, e sua avó materna Beatriz de Meirelles Freire. Chamou-se antes João da Rocha Teixeira, como o avô paterno, como se vê quando em 1724 foi procurador no baptismo da irmã D. Helena.

3(VI) Bernardo de Meirelles Freire Barreto de Moraes, que segue.

4(VI) Padre António de Brito Freire, n. cerca de 1717, abade reitor de S. Cristóvão do Muro (Maia, depois Santo Tirso e actualmente freguesia do concelho da Trofa), onde fal. em funções a 22.3.1796, sendo sepultado na matriz, com um odício geral de mais de 50 padres, recebendo cada um 12 vinténs de esmola. Deixou um codicilo onde mandava que seu corpo fosse amortalhado com uma vestimenta roxa, deixando 300 missas por sua alma e obrigações e mais 100 por alma de seu tio que fora reitor da mesma igreja, todas de 120 réis de esmola cada uma e para serem resadas durante seis meses. Deixou ainda 1.200 réis à irmandade leiga, 20.000 réis para serem distribuídos pelos pobres da freguesia, uma coroa para Nª Sª do Rosário e mais de 8.000 réis à igreja. Sucedeu como abade reitor a seu tio paterno homónimo, que, com 83 anos, sendo abade reservatário de S. Cristóvão do Muro, faleceu na quinta do Pinheiro a 18.3.1765.

5(VI) Luiz da Rocha Barreto de Moraes, n. a 8.2.1719 na casa do Pinheiro, tendo por padrinhos de bat. seus tios paternos Frei Luiz de S. Bernardo, cónego secular de S. João Evangelista, e D. Joana Tereza dos Anjos, freira no convento da Monchique, no Porto. Fal. solt., ib.

6(VI) D. Teresa Maria de Brito, freira no convento de Vairão, onde ainda vivia em 1799. N. a 23.4.1721 na casa do Pinheiro, tendo por padrinhos de bat. seu avô materno Bento Barreto de Moraes e sua tia paterna D. Francisca Clara.

7(VI) D. Helena Joana de Brito, n. a 12.4.1724, ib, e bat. a 19, tendo por padrinhos seus primos-direitos Braz de Souza Delgado e D. Joana Isabel de Souza Aranha, freira no convento de S. Bento de Avé Maria, no Porto. Viveu solteira na casa do Pinheiro, onde faleceu a 4.11.1805, com 81 anos de idade (o óbito diz erradamente 90 anos "mais ou menos"), tendo feito testamento de mão comum com sua irmã D. Margarida, em que se deixavam herdeiras uma à outra, e sendo sepultada na igreja no jazigo da casa do Pinheiro.

8(VI) D. Margarida Tereza, n. a 11.10.1726 na casa do Pinheiro, tendo por padrinhos de bat. seu tio materno o cónego Dr. Bento Barreto de Moraes e sua prima-direita D. Margarida Tereza de Souza Delgado. Fal. criança.

9(VI) D. Margarida de Brito, n. a 25.10.1727 na casa do Pinheiro, tendo por padrinhos de bat. Hipólito de Meirelles Afonso Fayão, fidalgo da Casa Real, referido no nº 1.4.1.2(VI), e sua prima D. Clara Maria Barreto de Moraes, referida no nº 4.1.2(V). Viveu solteira na casa do Pinheiro, onde faleceu a 4.11.1805, com 77 anos de idade (o óbito diz erradamente 85 anos "mais ou menos"), tendo feito testamento de mão comum com sua irmã D. Helena, em que se deixavam herdeiras uma à outra, e sendo sepultada na igreja no jazigo da casa do Pinheiro.

VI       BERNARDO DE MEIRELLES FREIRE BARRETO DE MORAES (51), que foi co-herdeiro da casa e quinta do Pinheiro, onde nasceu a 29.4.1716, sendo baptizado a 6 de Maio, tendo por padrinhos seus tios paternos o padre Bernardo de Meirelles Freire e D. Isabel Dorothea Aranha casada com o Dr. João de Souza Delgado, cavaleiro da Ordem de Cristo, vereador do Senado da Câmara do Porto, etc. Herdou a quinta ou casa de Sermanha (52), a que juntou os bens aí herdados por sua mulher, onde viveu, foi grande produtor e exportador de Vinho do Porto e faleceu a 5.7.1786, com 70 anos de idade, sem testamento, indo a sepultar no dia 7 na igreja matriz, vestindo o hábito de S. Francisco. Casou a 22.6.1768 em Vila Marim (53) (Mesão Frio), tinha 52 anos e ela 31 anos de idade, com D. CLEMÊNCIA ÁGUEDA PEREIRA DA FONSECA E MENEZES, baptizada a 26.6.1737, ib, aí também herdada, onde viveu e faleceu viúva a 2.2.1816, com 79 anos de idade, sendo sepultada com seu marido na igreja matriz. D. Clemência deixou testamento, no qual diz que teve cinco filhos adultos, que nomeia, dos quais diz que já faleceram Francisco Xavier, D. Maria e D. Ana, e onde deixa herdeiros os netos, filhos daquela D. Maria, referida abaixo, dos quais nomeia no terço D. Margarida e D. Maria, com a obrigação de mandarem rezar 40 missas por sua alma, de seu marido e de seu irmão António José, para além de outras missas que deixa por obrigação a seus filhos Bernardo e D. Tereza. Mais declara que tinha feito uma escritura de dote de todos os seus "bens de Prazo" de Sermanha para o casamento de sua filha D. Maria. D. Clemência Águeda era filha do Cap. Domingos Lourenço Pereira, senhor da quinta de Vila Cova, em Vila Marim (Mesão Frio), capitão da Ordenança de Mesão Frio, e sua mulher (casados a 12.7.1724, ib) D. Sebastiana Luiza Angélica da Fonseca e Menezes, bat. a 25.2.1700 em Vila Marim, senhora de bens em Sermanha, nomeadamente a quinta da Lameira, onde faleceu viúva, com 81 anos de idade, a 1.3.1781, deixando herdeira esta sua filha. D. Sebastiana era filha do Capitão Domingos Pereira da Fonseca, morador em Vila Marim, e de sua mulher (casados a 14.11.1697, em Vila Marim) Maria da Fonseca, bat. a 9.2.1672, ib, e fal. antes de 1724, herdeira dos ditos bens de Sermanha, sendo esta filha de Domingos da Fonseca, b. a 21.9.1644 em Sedielos, e sua mulher (casados a 21.9.1662 em Vila Marim) Maria Domingas Teixeira. Este Domingos da Fonseca era, nomeadamente, irmão de João Pinto Guedes, fal. em São Paulo com testamento de 22.3.1661, de Francisco Pinto Guedes Alcoforado, capitão no Brasil, bat. a 1.3.1631 em Sedielos, e de Manuel Pinto Guedes, bat. a 3.2.1636 em Sedielos, que também foi para o Brasil. Todos filhos de João Pereira da Fonseca Ozorio, b. a 12.3.1604 em Stº André de Medim e fal. a 14.7.1659 em Sermanha, e de sua mulher (casados a 6.2.1626, ib) Catarina Guedes Alcoforado, crismada em Sedielos a 28.10.1620, senhora dos ditos bens de Sermanha, onde fal. a 30.8.1662.(55)

Filhos:

1(VII) José, que fal. a 11.12.1777, na quinta de Sermanha, tendo de 8 para 9 anos de idade. Terá assim nascido nos inícios de 1769, mas o seu registo de baptismo não aparece em Sedielos nem ele é naturalmente referido no testamento de sua mãe.

2(VII) D. Maria Isabel de Menezes e Meirelles Barreto de Moraes, que segue.

3(VII) Francisco Xavier de Meirelles e Menezes, que n. em 1772 e viveu na quinta de Sermanha, onde fal. solteiro a 11.8.1799, com 27 anos de idade, sendo sepultado com seu pai na igreja matriz, vestindo o hábito de S. Francisco. Fez testamento, no qual deixou a obrigação de 200 missas e três ofícios cantados no dia do seu falecimento e nomeia sua irmã D. Maria Isabel herdeira de todos os seus bens livres e prazos. Deixou ainda a 12 pobres do lugar de Sermanha um cruzado para cada um.

4(VII) D. Ana, n. a 8.2.1775, ib, tendo por padrinhos de baptismo o Cap. Manuel Cardoso e sua mulher D. Theodósia, moradores em Vila Marim. Fal. solteira na quinta de Sermanha, com 25 anos de idade, a 24.3.1799, sendo sepultada na igreja matriz.

5(VII) D. Tereza Margarida de Meirelles, que também aparece como D. Maria Tereza de Moraes e Meirelles, n. a 10.5.1777, ib, tendo por padrinhos de baptismo Francisco de Almeida Carvalhaes e sua tia paterna D. Tereza Maria de Brito. Terá sido co-herdeira da casa do Pinheiro, pois aí viveu casada e aí faleceu a 1.10.1867, com 90 anos, sendo referida no óbito como D. Tereza Margarida de Meirelles, moradora na Casa do Pinheiro, filha legítima de Bernardo de Meirelles, proprietário, e D. Clemência Águeda Pereira, e casada com José Joaquim Ferreira Coelho, sendo sepultada dentro da matriz e deixando herdeiros seus dois filhos. Casou com José Joaquim Ferreira Coelho, professor, fal. a 27 de Novembro do mesmo ano, n. em 1785 em S. Miguel de Baltar, filho de Custódio Ferreira, de Vila Nova de Carros, e sua mulher Maria Coelho, de Baltar. Tiveram três filhos, nascidos em Baltar: António Joaquim de Meirelles, padre, que tirou ordens menores no Porto a 28.7.1830; Celestino de Moraes e Meirelles, padre, que também tirou ordens menores no Porto a 23.8.1842, e D. Maria José de Moraes e Meirelles, viveu na casa do Pinheiro, onde fal. a 16.2.1883, casa (ou parte) que terá deixado a seu marido (casados a 26.6.1860 em Cête) Lino Ferreira da Costa, de quem não teve filhos. Este voltou a casar e teve um filho, que terá herdado a casa do Pinheiro (ou parte), que assim saiu da família.

6(VII) Bernardo António de Meirelles Barreto de Moraes (56), n. a 10.8.1779, ib, tendo por padrinhos de baptismo a avó materna e o tio materno António José da Fonseca e Menezes. Viveu solteiro na casa de Sermenha, onde faleceu a 19.11.1821, com 42 anos de idade, deixando "disposições verbais", segundo as quais nomeava herdeiro universal seu sobrinho José António, com a obrigação de lhe rezarem as missas de corpo presente e mais 20 missas de 120 réis cada uma.

7(VII) D. Antónia, n. a 17.2.1781, ib, tinha a mãe já 43 anos de idade, sendo padrinhos de baptismo sua irmã D. Maria e seu tio materno António José da Fonseca e Menezes. Fal. dois anos depois, a 1.10.1783, ib

VII       D. MARIA ISABEL DE MENEZES MEIRELLES BARRETO DE MORAES (57), que sucedeu na casa de Sermanha a seu irmão Francisco Xavier e levou em dote os "bens de prazo" de Sermanha, como ficou dito. Viveu na dita casa de Sermanha, onde nasceu a 23.10.1770, tendo por padrinhos de baptismo seu tio paterno o cónego Doutor João de S. Teotónio Barreto de Moraes e sua tia materna D. Isabel Rosa da Fonseca e Menezes, e veio a falecer, já viúva, com apenas 44 anos de idade e sem testamento, a 21.1.1815, sendo sepultada no dia 23 na igreja matriz, com uma missa cantada de 26 padres. No chamado Nobiliário dos Moreira, da Biblioteca de Penafiel (manuscrito iniciado em 1799 pelo Padre António José Moreira Lopes Ferraz, de Cête), diz-se em nota de aditamento que D. Maria Isabel (a quem aí se chama D. Maria de Meirrelles) e seu marido José António Vidal, "hoje vivem alternativamente na Quinta do Pinheiro e na Quinta de Sedielos", pelo que terá sido também co-herdeira da casa do Pinheiro, com a irmã D. Tereza Margarida, como ficou dito acima. Contudo, após a prematura morte de D. Maria Isabel e seu marido, esta D. Tereza Margarida parece ter ficado a única proprietária da casa do Pinheiro. D. Maria Isabel casou a 25.7.1796 na capela de Stº António de Sermanha, tinha ela 26 anos e ele quase 21 anos, tendo por padrinho seu tio materno o capitão-mor José Rodrigues Carneiro Borges (58), com JOSÉ ANTÓNIO VIDAL DA COSTA REIS (59), nascido a 9.8.1776 no Porto e falecido "de um tiro" (60) a 1.3.1803 em Sedielos, sem testamento, sendo sepultado na igreja matriz. Foi produtor e exportador de vinho do Porto e era filho de João António Vidal, exportador de vinho do Porto, que sucedeu ao sogro na casa de Cima do Muro do Terreiro, em S. Nicolau, na cidade do Porto, e de sua mulher (casados a 5.6.1773 no Porto) Clara Maria de Jesus da Costa Reis; neto paterno de Domingos Vidal e de sua mulher Isabel Duarte, moradores em Nozedo (Braga); neto materno de Fernando da Costa Reis, exportador de vinho do Porto, natural Stª Mª de Fians (Feira) e morador na sua casa de Cima do Muro do Terreiro, no Porto, e de sua mulher Rosa Maria de Jesus, natural de S. Salvador de Fornos (Feira); e bisneto paterno de Bartolomeu Vidal e sua mulher Maria Garcia, nascidos e moradores em Stª Mª de Fontão, freguesia de Pontevedra (Galiza).

Filhos:

1(VIII) D. Maria Isabel, n. a 14.6.1798 na quinta de Sermanha, onde fal. dois anos depois, a 3.9.1800, sendo sepultada na igreja matriz. Foram seus padrinhos de baptismo o tio Francisco Xavier e a avó D. Clemência Águeda.

2(VIII) D. Margarida Cândida de Meirelles Vidal Barreto, n. a 3.1.1800, ib, tendo por padrinhos de baptismo o avô João António Vidal e D. Ana Joaquina de Souza, da casa do Lameiro, e fal. a 12.7.1867, ib, sendo no óbito referida como D. Margarida de Meirelles, proprietária, moradora no lugar de Sermanha, falecendo sem testamento e sendo sepultada na igreja. Casoi, contra a vontade da família, a 7.5.1835, ib, com Francisco Pinto de Mesquita, n. em 1796 e fal. com 86 anos de idade a 27.3.1883, ib, já viúvo. Era irmão do cura de Sedielos, o padre António Pinto de Mesquita, fal. com 25 anos de idade a 7.7.1838, ib, ambos filhos de José Pinto de Mesquita e sua mulher Ana Pinto de Carvalho; neto paterno de António Pinto de Mesquita e de sua mulher Maria Guedes, moradores em Sermanha; e neto materno de Manuel da Silva e de sua mulher Ana Pinto de Carvalho, moradores em Portela (Mondim).

Filhas:

1.2(IX) Maria, n. a 21.4.1836, em Sedielos, tendo por padrinhos de baptismo os tio paternos José Pinto de Carvalho e Maria Rita, moradores em Alvações do Corgo. Deve ser a Maria Pinto de Meirelles que casou com Manuel de Freitas e Silva, senhor da quinta do Outeiro do Carvalho, em Sedielos, onde fal. a 24.5.1891 com 80 anos de idade. Esta quinta do Outeiro do Carvalho tinha a capela particular de Nª Sª do Rosário, que em 1758 era do Padre Diogo de Freitas Teixeira. De Maria Pinto de Meirelles e Manuel de Freitas e Silva foram filhos José Pinto de Freitas e Meirelles, fal. a 10.2.1908 na dita quinta do Outeiro, com 55 anos de idade, deixando filhos e viúva sua mulher Maria Emília; António Pinto de Freitas e Meirelles, morador no lugar de Sernanha, que de sua mulher D. Maria da Conceição teve pelo menos uma filha, Margarida, fal. com 8 dias de idade a 19.12.1886, ib.; e Manuel de Freitas e Meirelles que a 18.7.1887, ib, c.c. D. Maria Dias da Costa.

 2.2(IX) Ana, n. a 23.3.1838, ib, tendo por padrinhos de baptismo os tios paternos Manuel Pinto de Mesquita e Maria da Piedade. S.m.n. Parece ser a D. Ana Augusta de Meireles que casou com Inácio de Almeida de Meirelles, proprietário em S. Miguel de Lobrigos, dos quais foi filha uma D. Maria da Conceição de Meirelles, também aí proprietária, que c.c. Salvador Pinto Mourão (filho de Joaquim Pinto Coutinho e de sua mulher D. Tereza de Jesus Pinto Mourão, proprietários em Sedielos), casal que viveu em Sedielos e aí lhe nascem vários filhos entre 1875 e 1880. 

3(VIII) José António de Meirelles Vidal Barreto de Moraes, que segue.

4(VIII) D. Maria Benedita de Meirelles, n. a 21.6.1802, ib, tendo por padrinhos de baptismo Raimundo José de Carvalho e D. Maria Madalena de Carvalho, por procuração do Cap. Manuel António de Carvalho, todos de Oliveira (Mesão Frio). Viveu na casa de Sermanha, onde fal. solteira, com quase 82 anos de idade, a 24.5.1884, sendo no óbito referida com D. Maria de Meirelles, proprietária, solteira, de 84 anos, que faleceu sem testamento, sendo sepultada no adro da igreja matriz.

VIII      JOSÉ ANTÓNIO DE MEIRELLES VIDAL BARRETO DE MORAES, que ficou órfão de pai aos 3 anos e de mãe aos 15 anos de idade, sucedeu a sua mãe na casa de SermanhaAntónio José de Meirelles Vidal Barreto de Moraes (1800-a.1864) - medalhão existente na Casa da Quebrada e seus prazos, sendo depois herdeiro universal de sua avó materna, de seu tio Bernardo e de suas irmãs, com excepção da legítima de seu irmã D. Margarida. Nasceu na casa de Sermanha a 15.12.1800, sendo baptizado a 1 de Janeiro do ano seguinte, tendo por padrinhos o capitão-mor José Borges de Carvalho, senhor da casa de Matos, em Sedielos, e sua mulher D. Joana Raimunda. É sempre referido como morador em Sermanha ou na casa de Sermanha, documentando-se vivo e aí morador a 21.10.1844, sendo a 23.3.1864 sua mulher já viúva e moradora na casa do Outeiro. O seu óbito não aparece em Sedielos (nem em Mouriz ou Cête), mas, como sua mulher aparece a viver na casa de Sermanha a 11.3.1859, não sendo referida como víúva, é de supor que José António tenha falecido entre esta dada e 1864, porventura na cidade do Porto. Casou a 25.8.1822 em Cête, tinha ele apenas 22 anos e ela já 27 anos, com D. JOANA EMÍLIA DE SOUZA PINTO BRANDÃO, nascida a 11.12.1794 na casa de Cima, na Várzea (Cête), e falecida a 25.1.1880 na casa do Outeiro d'Além, para onde tinha ido viver com a filha após a morte do marido, sendo sepultada na capela de Nª Sª da Livração da dita casa do Outeiro d'Além. Era irmã do brigadeiro Bernardo Coelho Pinto Brandão, 6º senhor da casa do Outeiro d'Além, em Mouriz, onde faleceu viúvo a 8.4.1855, tendo nascido a 24.1.1791 em Cête, que na juventude foi alferes (5.1.1809) e tenente (2.3.1817) da Companhia de Granadeiros do Regimento de Milícias de Penafiel, e que casou 24.11.1825 em Mouriz com D. Custódia Maria Cândida Lopes Moreira da Silva, sem geração, pelo que dotou a sobrinha D. Margarida Máxima com a casa do Outeiro d'Além quando esta casou com o Dr. António Rodrigues Moreira, seu cunhado, irmão mais novo de sua mulher D. Custódia Cândida, como digo adiante. D. Joana Emília e seus irmãos eram filhos do Major Aniceto Pinto Brandão, sargento-mor da Ordenança de Aguiar de Sousa, senhor da dita casa de Cima, na Várzea, onde lhe nasceram os filhos e viveu até 1822, nascido a 3.8.1751 na casa de Coreixas, em Stª Mª de Coreixas (Penafiel), e falecido a 17.12.1824 na casa do Outeiro, e de sua mulher (casados a 23.10.1782 na capela da dita casa do Outeiro) D. Maria Joaquina Coelho de Souza, 5ª senhora da dita casa do Outeiro d'Além, onde nasceu a 24.3.1759 e faleceu viúva a 9.2.1846; netos paternos de Bernardo Pinto Brandão, senhor da antedita casa de Cima, na Várzea (Cête), onde nasceu a 12.2.1712, e de sua mulher (casados a 25.2.1745 em Stª Mª de Coreixas) Antónia Maria Moreira Rebello Pereira, senhora da dita casa de Coreixas, onde nasceu a 13.6.1726 e faleceu fal. viúva a 2.1.1792 na casa da Carreira; e netos maternos do Dr. António José Coelho de Souza Delgado, juiz e advogado em Mouriz, 4º senhor da antedita casa do Outeiro d'Além, onde instituiu em 1766 a capela de Nª Sª da Livração, n. a 18.7.1719 e fal. a 26.7.1776, e de sua mulher (casados a 2.6.1755 em Cête) Custódia Maria Álvares Coelho (61), n. a 25.1.1727 em Cête e fal. viúva a 1.1.1808 na casa do Outeiro. Para a ascendência destes vide o meu estudo "Ferreira Pinto Brandão, de Paços, Cête e Mouriz - uma família de militares e padres".

Filhos:

1(IX) José António de Meirelles Vidal Pinto Brandão, que sucedeu na casa de Sermanha, onde n. a 12.8.1823, tendo por padrinhos de baptismo Frei José Maria de Nª Sª do Vale, monge beneditino, e o padre Francisco Pinto Brandão, seus tios maternos, e fal. a 10.4.1876, ib, sem testamento (deixando vivo um filho, que foi seu herdeiro), sendo sepultado no adro da igreja matriz. Casou a 31.12.1851, ib, com Ana da Conceição Ferreira Borges, irmã do abade de Sedielos José Ferreira Borges, ambos filhos de José Ferreira Borges de Almeida e de sua mulher Ana Luiza Correa, moradores em Cidadelhe (Peso da Régua); netos paternos de outro José Ferreira Borges de Almeida e de sua mulher Tereza Maria; e netos maternos de Francisco Teixeira Carneiro, n. em Fontelas, e de sua mulher Luiza Correa, n. em Oliveira (Mesão Frio).

Filhos:

1.1(X) António Joaquim de Meirelles Ferreira Borges, n. a 25.11.1852 na casa de Sermanha, de que foi co-herdeiro, tendo por padrinhos de baptismo José Monteiro Soares (da Mota), morador em Soalhães, por procuração passada ao tio paterno António Joaquim, e sua mulher D. Maria Brandão, sua tia-avó, também moradora em Soalhães, por procuração passada à avó paterna D. Joana Emília. Depois de casado foi viver (pelo menos desde 1904) para Alvações do Corgo, em Santa Marta de Penaguião, onde casou com D. Maria da Conceição Dias Teixeira, filha de João Dias Teixeira e sua mulher Delfina Augusta da Conceição, aí proprietários. Destes foi filha, pelo menos, uma Ana, n. em Sedielos a 3.10.1888, s.m.n.

2.1(X) Manuel Maria, n. a 25.9.1855, ib, tendo por padrinhos de baptismo o padre José Ferreira Borges e Tereza da Conceição Ferreira Borges, tios maternos. Fal. solt. antes de seu pai. 

2(IX) António Joaquim de Meirelles Pinto Brandão, n. a 15.12.1824, ib, tendo por padrinhos de baptismo seus tio maternos D.Florisbela e o padre António Joaquim Pinto Brandão, e fal. solteiro na quinta de Sermanha a 5.6.1876, com 50 anos de idade, sem testamento, sendo sepultado no adro da igreja matriz. 

3(IX) D. Maria Isabel de Meirelles Pinto Brandão, n. a 27.2.1826, ib, tendo por padrinhos de baptismo os tios maternos D. Custódia Cândida e o brigadeiro Bernardo Coelho Pinto Brandão, representados por seu irmão o padre Francisco Pinto Brandão e por D. Maria Banedita, tia paterna da baptizada. Viveu solteira na casa de Sermanha, onde fal. a 18.8.1867, sendo no óbito referida apenas como D. Maria de Meirelles, proprietária, falecendo sem testamento e sendo sepultada na igreja matriz. 

4(IX) D. Margarida Cândida, n. a 13.11.1827, ib, tendo por padrinhos de baptismo seu tio materno o padre Francisco Pinto Brandão e a tia paterna D. Margarida Cândida, por procuração do tio padre Bernardo Coelho de Souza. Fal. criança. 

5(IX) Francisco Xavier, n. a 26.11.1829, tendo por padrinhos de baptismos os tios José Monteiro Soares e sua mulher D. Maria de Jesus, moradores em Soalhães. Fal. criança. 

6(IX) D. Margarida Máxima de Meirelles Vidal Pinto Brandão, que segue. 

7(IX) D. Felicidade de S. José de Meirelles, que terá nascido cerca de 1837 (não encontrei o registo em Sedielos), pois tinha 50 anos a 24.1.1887, data em que casou em Sedielos com António Vieira, de 23 anos de idade, filho natural de Joaquim Vieira. S.g. 

8(IX) D. Joaquina de Meirelles, n. a 10.3.1839, ib, sendo padrinhos de baptismo os tios maternos D. Joaquina e o padre António Joaquim Pinto Brandão, moradores em Paredes. Foi co-herdeira da casa de Sermanha, onde viveu casada com Manuel Rodrigues, filho natural duma Maria Luiza. Tiveram vários filhos e netos, todos lavradores pobres em Sedielos.

IX      D. MARGARIDA MÁXIMA DE MEIRELLES VIDAL PINTO BRANDÃO, 7ª senhora da casa do Outeiro d'Além, que teve em dote de casamentode seuD. Margarida Máxima de Meirelles Vidal Pinto Brandão (1831-1897) tio materno o brigadeiro Bernardo Coelho Pinto Brandão e sua mulher D. Custódia Cândida, irmã de seu marido. Nasceu na casa de Sermanha a 16.2.1831, tendo por padrinhos de baptismo seu tio materno o Padre Francisco Pinto Brandão, e sua tia paterna D. Margarida Cândida, e viveu casada na casa do Outeiro, onde faleceu viúva a 25.4.1897, com 66 anos de idade, sendo sepultada no jazigo de família no cemitério de Mouriz. Casou a 8.11.1853 na capela de Nª Sª da Livração da casa do Outeiro, tinha ela 22 anos e ele já 39 anos de idade, com o Dr. ANTÓNIO RODRIGUES MOREIRA, (ver foto), comendador da Ordem de Nª Sª da Conceição de Vila Viçosa, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra (27.5.1840), advogado e juiz de Direito, várias vezes presidente da Câmara e administrador do concelho de Paredes, 6º senhor da quinta de Vales de Cadeade (62), em Paço de Sousa, onde nasceu a 18.11.1814, tendo falecido a 9.11.1878 na casa do Outeiro, onde viveu casado. Tem uma rua com o seu nome, junto à casa do Outeiro. Era filho de João Rodrigues Moreira, 5º senhor da quinta de Vales, e de sua mulher (casados a 3.11.1795, ib) D. Maria Tereza Lopes Pereira, senhora da quinta de Cimo de Vila de Esmegilde, ib, e falecida a 10.6.1817 na quinta de Vales; neto paterno de António Rodrigues Moreira, natural de Guilhufe (Penafiel), que a 23.7.1767 comprou várias terras que juntou à quinta de Vales de Cadeade, onde viveu e faleceu viúvo a 20.9.1811, cuja casa aumentou em 1771 e cujos prazos o mosteiro de Paço de Sousa lhe renovou em 1786 e 1790 por mais três vidas, por direito de sua mulher (casados a 31.8.1767, ib) Maria Clara Ferreira da Silva, falecida a 2.12.1794, ib, herdeira de seu tio o padre António Ferreira da Silva, falecido a 4.1.1747, ib, e de seus pais, Manuel Ferreira da Silva, 3º senhor dos prazos nucleares da quinta de Vales, etc., e sua mulher Mariana da Silva Borges, natural de S. Vicente de Irivo.

Filhos:

1(X) Padre Dr. Bernardo de Meirelles Pinto Brandão, que também aparece como Bernardo Rodrigues Pinto Brandão, bacharel formado em Teologia pela Universidade de Coimbra (1885), ordenado Padre Dr. Bernardo Pinto Brandão (1855-1922)Padre Dr. Bernardo Pinto Brandão (1855-1922) sacerdote em 1880, tirou ordens menores a 29.5.1879 no Porto, foi presbítero e abade de S. Romão de Mouriz de 2.2.1882 a 1.1.1894, bem assim como abade de Paredes (Salvador de Castelões de Cepeda) de 19.4.1895 a 4.10.1897. Sucedeu a sua mãe como 8º senhor da casa do Outeiro d'Além, onde n. a 6.1.1855, tendo por padrinho de baptismo seu tio-avô o brigadeiro Bernardo Pinto Brandão e sua avó materna D. Joana Emília Pinto Brandão. Foi também 8º senhor da quinta de Vales, por compra que fez a seu irmão José, como se diz adiante. Viveu na dita casa do Outeiro, onde fal. a 27.3.1922, com 67 anos de idade, deixando herdeiras da casa do Outeiro suas irmãs D. Margarida Adelaide e D. Sofia Adelaide, referidas abaixo. A quinta de Vales deixara-a ainda em vida ("venda" de 12.2.1917) a seu irmão Francisco Manuel, também referido adiante. Na sua "Monografia de Paredes", José do Barreiro (pseudónimo do Dr. José Correa Pacheco, da casa do Barreiro) refere-se ao abade Dr. Bernardo Pinto Brandão, dizendo ter sido "duma virtude exemplar".

2(X) Eng. João Rodrigues Pinto Brandão, licenciado em Engenharia Civil pela Academia Politécnica do Porto (30.7.1880), engenheiro-chefe das Obras Públicas do distrito do Porto (28.6.1902), tendo nesta qualidade dirigido as obras da barra e porto de Aveiro (de 2.8.1902 a 15.11.1906), chefe da 2ª Circunscrição (Beira) dos Serviços Técnicos da Indústria (17.7.1907) e director das Obras Públicas do distrito de Castelo Branco (21.8.1911). N. na casa do Outeiro a 7.1.1856 (tendo por padrinhos de bat. seus tios maternos António Joaquim de Meirelles Pinto Brandão e D. Maria Isabel de Meirelles Pinto Brandão) e veio a fal. a 16.7.1917. Casou na casa do Crasto, em Besteiros (Paredes), com D. Lavínia Lobo, filha do Dr. Camilo Cândido Moreira Lobo e sua mulher D. Serafina Sofia Cardoso Maldonado. 

Filhas:

1.2(XI) D. Maria Camila Lobo Pinto Brandão, n. em Paredes e fal. a 1.11.1967, ib. Casou cerca de 1921, ib, com José da Rocha de Bragança Ribeiro, n. a 13.5.1886, ib, e fal. a 4.6.1977, ib, filho do Dr. António José da Rocha Ribeiro (1854-1938), escrivão de Direito, e de sua mulher (casados a 27.7.1883 em Castelões de Cepeda) D. Maria Emília Leite de Bragança (1862-1934). C.g.

2.2(XI) D. Berta Lobo Pinto Brandão, n. ib, e fal. a 23.9.1967, ib. Casou a 16.9.1923, ib, com António Augusto Soares Leal, n. a 4.1.1900 em Vilela, ib, e fal. a 5.12.1982, ib, filho de Augusto Ferreira da Cunha Leal, senhor da casa de Rechão, em Vilela, onde nasceu, e de sua mulher D. Maria da Piedade Soares da Fonseca, n. em Atalaia (Pinhel). C.g

3.2(XI) D. Margarida Lobo Pinto Brandão, n. ib.

4.2(XI) D. Lídia Lobo Pinto Brandão, n. ib.

3(X) Dr. José Rodrigues Moreira, licenciado em Medicina pela Universidade de Coimbra (1887), médico de Partido (27.6.1914) e delegado de Saúde do concelho de Paredes. Viveu na casa do Outeiro, onde n. a 22.1.1857, tendo por padrinhos de bat. seu avô paterno João Rodrigues Moreira e sua avó materna D. Joana Emília Pinto Brandão. Fal. solt. a 15.7.1918, ib. Sucedeu a seu pai como 7º senhor da quinta de Vales, que aumentou com a compra de várias terras e cujos prazos remiu a 7.5.1905. Sendo solteiro, vendeu a quinta a seu irmão mais velho, com reserva de usufruto. Teve um filho de Rodesinda Rosa de Sousa, moça solteira nascida em 1879 em Besteiros (Paredes) e fal. a 20.4.1917 em Stª Mª Madalena, ib.

Filho:

1.3(XI) (N) Frei D. Gabriel de Sousa, Dom abade de Cingeverga (2.1.1949), autor de vasta bibliografia (63), etc. N. a 17.3.1912 em Besteiros e fal. a 23.1.1997 no mosteiro de S. Bento da Vitória, no Porto, indo a sepultar a Cingeverga. 

4(X) Agostinho, n. a 15.3.1858 e fal. a 28.10 do mesmo ano. 

5(X) Ten.-Cor. Dr. Agostinho Rodrigues Pinto Brandão, tenente-coronel médico, cavaleiro da Ordem de Avis e da Ordem da Torre e Espada, licenciado em Medicina Cirúrgica pelaTenente-coronel Dr. Agostinho Pinto Brandão (1859-1934) Escola Médico-Cirirgica do Porto (1885), com a tese "Esboço de palpitações não symptomaticas", editada em 1885 no Porto pela Imprensa Moderna. Esteve em África com Mouzinho da Silveira na célebre Campanha do Gungunhana. A 10.12.1895 Mouzinho de Albuquerque foi nomeado governador militar do distrito de Gaza, prosseguindo com a campanha militar iniciada no ano anterior, destinada a capturar Gungunhana, alcunhado o Leão de Gaza, que então punha em causa a soberania portuguesa no território que viria a constituir o actual Moçambique. O Dr. Agostinho Pinto Brandão integrou esta companhia como cirurgião ajudante do Exército e médico da Cruz Vermelha, com notável desempenho (Vide Anaes do Club Militar Naval, tomo XXVII, de 6.6.1897). Em 1889 era cirurgião ajudante da Brigada de Artilharia de Montanha. Serviu depois como cirurgião ajudante da Regimento de Infanraria nº 19 (Chaves), sendo sucessivamente capitão e cirurgião-mor, major-médico e sub-inspector e finalmente tenente-coronel, servindo também em Elvas e nos Açores. Viveu depois na casa do Outeiro, onde n. a 11.3.1859, tendo por padrinhos de bat. seus primos Agostinho Barbosa de Leão e D. Maria Emília Pinto Brandão, e onde veio a fal. solt. a 28.3.1934. Na sua "Monografia de Paredes", José do Barreiro (pseudónimo do Dr. José Correa Pacheco, da casa do Barreiro) vêm publicados alguns poemas do Tenente-coronel Dr. Agostinho Brandão, dizendo-se aí que publicou muita poesia em diversos jornais (Paredes, Penafiel, Chaves, Açores e Elvas), geralmente com o pseudónimo de D. Bran, que "dariam um grosso volume", mas "que por excessiva modestia não tem reunido em volume os seus versos", e que escreveu algumas peças para teatro "com grande elogio do público e da imprensa local". 

6(X) D. Maria Emília Rodrigues Pinto Brandão, n. a 20.7.1860, ib. Casou antes de 1885 em S. Miguel de Urrô (Penafiel) com Ramiro Augusto Pereira do Lago, senhor da quinta do Souto, em Guilhufe (Penafiel), grande produtor agrícola, que representou Penafiel na Exposição Agrícola de Lisboa de 1884, n. em Mancelos (Amarante), filho natural de António Joaquim Pereira do Lago, senhor da dita quinta, onde fal. solteiro, e de Ana Soares do Santos, fal. solteira na dita quinta a 22.3.1886; e neto paterno de José Manuel Pereira do Lago e sua mulher Ana Teixeira, senhores da dita quinta. 

Filhos:

1.6(XI) António Augusto Pereira do Lago, sucessor na dita quinta do Souto, onde n. a 1.12.1888 e foi b. a 25 seguinte, sendo padrinhos Bernardo Rodrigues Pinto Brandão e Maria Emília Pereira do Lago, viúva. Fal. a 27.5.1939 no Porto (Cedofeita). Casou a 14.5.1919 no Porto (1ª Conservatória) com D. Cassilda Moreira de Miranda, c.g.

7(X) D. Sofia, que n. a 18.10.1861, sendo b. a 14.11 na capela da casa do Outeiro, tendo por padrinhos de bat. seus tios António Joaquim de Meirelles Pinto Brandão e D. Maria Isabel de Meirelles Pinto Brandão. Fal. criança. 

8(X) António Rodrigues Pinto Brandão, n. a 10.11.1862, ib, e fal. a 5.1.1951 na casa do Outeiro. 

9(X) D. Margarida Adelaide Rodrigues de Meirelles Pinto Brandão, que foi a principal herdeira (conjuntamente com sua irmã D. Sofia, na foto mais pequena) da casa do OuteiroD. Margarida Adelaide Rodrigues de Meirelles Pinto Brandão (1864-1952) D. Sofia Adelaide Pinto Brandão (1872-1954)d'Além, onde nasceu às duas horas da manhã do dia 18.3.1864, sendo bat. a 23 na capela da casa, tendo por padrinhos seu primo Agostinho Barbosa de Leão e sua avó D. Joana Emília Pinto Brandão, então já viúva e moradora na casa do Outeiro. D. Margarida Adelaide viveu casada na casa da Quebrada, onde faleceu a 8.4.1952, com 88 anos de idade. Casou a 3.10.1892 na capela de Nª Sª da Livração da casa do Outeiro, tinha ela 28 anos e ele 30 anos de idade, com António José de Souza Machado (ver foto) (64), administrador  do concelho de Paredes (11.2.1893), senhor da casa da Quebrada, em Mouriz (Paredes), e da quinta das Caldas de Canavezes (Marco), n. a 13.8.1862 e fal. a 18.7.1937, filho de João José de Souza Machado (14.9.1821-12.9.1895) (ver foto), comendador da Ordem de Nª Sª da Conceição de Vila Viçosa, cavaleiro da Ordem de Cristo (16.3.1854), administrador do concelho e várias vezes presidente da Câmara de Paredes, senhor da dita casa da Quebrada, etc., e de sua mulher D. Francisca Augusta Pinto Vieira Peixoto (ver foto), senhora da quinta da Boavista, em Sobretâmega (Marco), onde n. em 1823, tendo fal. na casa da Quebrada a 25.7.1875; neto paterno de Francisco José de Souza Machado (5.8.1765-13.10.1847) (ver foto), senhor da casa da Chaminé, em Stª Cristina de Toutosa (Marco), etc., e de sua mulher D. Tomásia Maria Emília Ozorio da Fonseca Coutinho (16.10.1793-13.1.1880) (ver foto), descendente dos senhores da casa de Juste, em S. Fins do Torno (Lousada); neto materno de José Pinto Ribeiro Vieira Peixoto, senhor da dita quinta da Boavista, e de sua mulher D. Maria Adelaide de Azevedo Cabral.

Filhos:

1.9(XI) Dr. João Augusto Rodrigues de Souza Machado, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra, advogado e notário em Paredes, presidente da União NacionalDr. João de Souza Machado (1893-1981) no concelho, etc., co-senhor da casa da Quebrada e senhor da casa do Calvário, esta última na vila de Paredes, que comprou e onde viveu casado. Além de vários artigos e poemas (estes com o pseudónimo João Pequeno) publicados em jornais, editou "Uma causa sem... efeitos: ou uma acção d'anulação de testamento não provada", Porto 1929. Tocava muito bem viola clássica e foi um caçador emérito. N. a 3.9.1893 na casa da Quebrada, b. a 3 de Outubro seguinte, sendo padrinhos o avô João José de Souza Machado e a bisavó D. Margarida Máxima. Fal. a 27.12.1981 no Porto, na Casa de Saúde da Ordem do Carmo, indo sepultar a Paredes, no jazido da família, com óbito em Castelões de Cepeda. Casou a 20.11.1923 em Penafiel com D. Maria José Manoel Geraldes de Vasconcellos e Araújo Carneiro Pinto (ver foto), n. a 1.5.1898 em Braga e fal. 23.2.1999 em Paredes, senhora das casas das Quartas, em Stª Leocádia (Baião), e de Rande, em Milhundos (Penafiel), filha do tenente-coronel Alexandre Carneiro Pinto (22.6.1868-11.4.1935), cavaleiro da Ordem de Avis (28.9.1905), comandante do Regimento de Penafiel, cidade onde proclamou a Monarquia do Norte em 1919, etc., e de sua mulher (casados a 3.2.1894 em Stª Leocádia de Baião) D. Maria da Nactividade Pinto de Araújo Geraldes de Vasconcellos (4.10.1864 - 20.2.1964) (65), senhora das ditas casas das Quartas e Rande. C.g.(66)

 2.9(XI) D. Camila Vitória de Souza Machado, n. a 1.11.1894 na casa da Quebrada e aí fal. solt. a 26.12.1942.

 3.9(XI) D. Maria Sofia de Souza Machado, n. a 17.9.1895, ib, que sucedeu como 10ª senhora da casa do Outeiro, onde fal. Casou a 11.6.1926 com Henrique Nogueira Cabral, n. 22.6.1891 e fal. a 25.11.1958, filho de Joaquim de Souza Cabral, senhor da casa do Pinheiro, em Campêlo (Baião), e de sua mulher D. Cândida Nogueira de Araújo e Vasconcellos, das casas de Arrabalde (Vilares) e Paço (Gestaçô), em Baião. C.g.(67

4.9(XI) D. Maria Augusta de Souza Machado, n. a 27.9.1899, ib, onde fal. solt. 

5.9(XI) D. Maria Idalina de Souza Machado, n. 17.2.1900, ib, e fal. a 1.2.1943 em Lisboa Casou a 3.5.1924 em Paredes com o Cor. Manuel Martins dos Reis, comendador da Ordem de Avis, administrador do concelho de Paredes, coronel de Infantaria e elemento activo na revolução do 28 de Maio de 1926, etc, filho de António Martins dos Reis e sua mulher D. Felicidade das Dores Nobre. C.g.(68

6.9(XI) Dr. António Augusto de Souza Machado, licenciado em Direito pela UC, advogado, n. a 15.4.1903, ib, fal. a 30.3.1965. Casou a 10.9.1934 com D. Sara Ângela de Sena Cabral Ferreira, n. a 5.5.1900 e fal. a 30.8.1977, filha de Fausto Ferreira de Meireles e de sua mulher D. Sara de Sena Cabral. C.g.(69

10(X) Dr. Francisco Manuel Rodrigues Pinto Brandão, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra (1894), foi advogado,Dr. Francisco Pinto Brandão (1869-1939) conservador privativo do Registo Predial de Penafiel (28.3.1914) e de Paredes (27.7.1895), etc. N. a 13.2.1869 na casa do Outeiro d'Álem, tendo por padrinhos de baptismo D. Francisca Augusta Pinto Vieira Peixoto (casada com o comendador João José de Souza Machado, senhor da casa da Quebrada, já referidos acima), e o concunhado deste, o comendador Manuel Justino de Azevedo. Fal. a 8.5.1939 em Penafiel, cidade onde viveu na sua casa da rua Fontes Pereira de Mello. Foi 9º senhor da quinta de Vales de Cadeade, em Paço de Sousa, por "venda" de seu irmão Bernardo, como ficou dito acima. Casou a 4.11.1895 em Bitarães (Paredes) com D. Maria da Graça de Almeida Gonçalves de Carvalho, n. a 9.4.1873, ib, e fal. viúva a 17.3.1965 em Penafiel, filha de Adão Gonçalves de Carvalho e sua mulher D. Engrácia Gonçalves de Almeida, moradores na sua quinta da Mulra, em Bitarães, e naturais de Vila Boa de Quires (Marco).

Filhos:

1.10(XI) Adão António Pinto Brandão, n. a 22.8.1895 em Penafiel. Sucedeu como 10º senhor da casa de Vales e em parte da sua grande quinta, que vendeu (1966) a seu sobrinho Eurico, abaixo. Foi viver para o Brasil, onde foi conhecido desportista, nomeadamente ligado ao clube "Vasco da Gama", e onde fal. e casou a 22.9.1927 com D. Rosa Fernandes Portela. Tiveram duas filhas c.c.g. no Brasil. 

2.10(XI) D. Maria da Graça Gonçalves Pinto Brandão, n. a 21.6.1898 em Penafiel e fal. a 18.2.1976 em Lisboa. Casou com o Capitão Ambrósio Afonso do Loureiro. Tiveram um filho e uma filha, ambos c.c.g. 

3.10(XI) D. Rosalina Gonçalves Brandão, n. a 23.1.1900, ib, e fal. a 27.4.1971. Casou a 11.2.1920 com o Capitão José Rodrigues dos Santos. Tiveram oito filhos (dos quais um morreu de tenra idade) e treze netos, entre os quais o conhecido jornalista da RTP José Rodrigues dos Santos. 

4.10(XI) José Rodrigues Pinto Brandão, n. a 18.4.1902 e fal. novo e solt. 

5.10(XI) D. Margarida Máxima de Meirelles Vidal Pinto Brandão, n. a 4.4.1904, ib, e fal. a 12.7.1980. Casou a 17.9.1922, ib, com o Coronel Eurico da Silva Ataíde Malafaia, oficial de Infantaria, n. a 5.4.1899 e fal. a 15.12.1971, em Lisboa.

Filho:

1.5.10(XII) Eng. Eurico Brandão de Ataíde Malafaia, licenciado em Engenharia Têxtil, n. a 15.12.1924 em Lisboa. É actualmente o 11º senhor da casa de Vales e de parte da antiga quinta, que comprou em 1966 a seu tio Adão, como ficou dito acima. Casou a 24.1.1951, ib, com D. Maria Teresa Gonçalves Barbieri Cardoso, filha do general Avelino Barbieri Cardoso e de sua mulher D. Gracinda Gonçalves. C.g. 

6.10(XI) António Rodrigues Pinto Brandão, n. a 24.3.1906 e fal. a 3.9.1980 no Porto. Sucedeu em parte da quinta de Vales, comprou às irmãs outra parte e com tudo isto constituiu a quinta da Lage, que corresponde a cerca de metade da quinta de Vales. Casou com D. Balbina Ferreira Lopes, fal a 1.11.1993, ib. S.g. 

7.10(XI) D. Maria da Paz Gonçalves Pinto Brandão, n. a 29.1.1912, foi com seu irmão para o Rio de Janeiro (Brasil), onde fal. viúva a 1.8.1993. Casou a 19.12.1938, ib, com Paulo Rodrigues Ferraz. Tiveram oito filhos, cinco dos quais c.c.g. 

11(X) Eng. Alípio Rodrigues Pinto Brandão, n. a 13.9.1871 na casa do Outeiro, licenciado em Engenharia pela Academia Politécnica do Porto, foi director das Finanças de Paredes, sendo em 1910 recebedor das Finanças deste concelho. Casou a 30.10.1910 em Sobrosa (Paredes) com D. Otília Laura de Barros, n. em 1879, ib, senhora da casa e quinta de Tourilhe, ib, filha sucessora de Francisco José Coelho de Barros e sua mulher D. Ana Augusta de Meirelles.

Filho:

1.11(XI) Eng. Adelino Duarte de Barros Brandão, professor, n. em 1917 na casa do Outeiro. Casou na Madeira com D. Maria Gilda Vanda César Soares Ferreira (70), e foram pais da Drª D. Otília Maria de Barros Dias, médica, sucessora na dita casa de Tourilhe, casada com o Dr. Augusto Manuel Meireles de Amorim, também médico, c.g.

12(X) D. Sofia Adelaide Rodrigues Pinto Brandão, que n. a 2.8.1872 na casa do Outeiro, de que foi co-herdeira e onde fal. solt., a 16.4.1954, deixando sua herdeira a sobrinha e afilhada D. Maria Sofia de Souza Machado, referida atrás.

notas

1. Nº X-6 do § 36, pág. 145 da revista "Raízes e Memórias" nº 10.

2. Normalmente aparece nos paroquiais apenas Francisco de Moraes, mas surge algumas vezes como Francisco de Moraes Cogominho, nomeadamente no assento de casamento de sua filha Maria, em 1600.

3. Vem como fidalgo da Casa Real e morador na sua quinta do Pinheiro em Felgueiras Gaio (Costados IV, arv. 165 vº e 166, e Barbosas, § 219, nº 22), no Nobiliário dos Moreira, manuscrito existente na Biblioteca de Penafiel, e nos "Carvalhos de Basto", Vol. I, pag. 470. Não encontrei o respectivo registo do foro.

4. Na casa do Pinheiro ainda existia em 1960, já apeada, uma muito antiga pedra de armas de Moraes e Cogominho, vendida depois a um antiquário.Também aparece referida como quinta ou casa do Pinheiro de Dentro.

5. Esta quinta tinha um portão armoriado com uma pedra de armas de Moraes e Barreto, vendida cerca de 1970 e transplantada para uma quinta no Monte da Assunção, em Santo Tirso, onde hoje se encontra.

6. Em 1556 D. João III aforou a Fernão Gomes de Moraes umas casas na Calcetaria de Lisboa (CJIII, 53, 187). Segundo as genealogias, casou com D. Catarina de Andrade Guedes, e foram pais de Francisco de Moraes Cogominho, fidalgo da Casa Real, casado com D. Catarina Cardoso Cabral, herdeira do morgadio de Stª Catarina de Estremoz, c.g. nesta casa.

7. "Brasões Inéditos", de Souza Machado, nº 165, pag. 55.

8. "Nobiliário de Famílias de Portugal", de Felgueiras Gaio, Costados, 65 e 65vº, pag.s 113 e 114.

8b. O licenciado Fernão Gomes pode já ter sido, em Sedielos, senhor quer da quinta de Sermanha quer da quinta das Asoreiras, que tinha uma capela particular, da invocação de S. Miguel. Com efeito, além do Diogo Gomes de Moraes que trato no texto, o licenciado Fernão Gomes e sua mulher Isabel de Moraes (Cogominho) foram certamente pais da Ana de Moraes, n. cerca de 1512, que foi a 1ª mulher de Henrique Vaz Guedes (Alcoforado), filho segundo do 2º morgado de Stª Comba de Lobrigos Francisco Vaz Alcoforado ou Vaz Guedes e neto dos 1ºs morgados de Stª Comba de Lobrigos Gonçalo Vaz Guedes, meirinho da correição da comarca de Trás-os-Montes (25.6.1451), e sua mulher Helena Rodrigues Alcoforado, com quem casou cerca de 1465, referidos adiante na nota 55. Henrique Vaz Guedes (Alcoforado) nasceu entre 1495 em 1500 e casou 2ª vez com Leonor Ozorio, de quem teve Cristóvão Guedes Alcoforado, que acabou por suceder no morgadio de Stª Comba de Lobrigos. Mas este Cristóvão nasceu tardiamente, lá para 1545, vindo a falecer relativamente novo a 6.12.1596 na sua quinta de Gervide, em S. Pedro de Loureiro. Isto, tendo em conta que os netos paternos deste Cristóvão só começam a nascer a partir de 1597 e que a sua filha mais velha casou em 1588, tendo outras filhas a casar já no séc. XVII. De sua 1ª mulher Ana de Moraes, Henrique Vaz Guedes teve duas filhas: Maria Guedes Alcoforado e Ana de Moraes. Esta Ana de Moraes, homónima da mãe, de quem terá herdado a quinta das Asoreiras (ou parte), aí faleceu a 7.2.1597, tendo casado com um Domingos Gonçalves, aí falecido a 20.11.1605. Tiveram vários filhos, uns seguindo o nome Moraes e outros o nome Guedes (Alcoforado). O filho Gonçalo Guedes Alcoforado, que faleceu na quinta das Asoreiras a 25.12.1632, casou duas vezes, a segunda das quais com Maria de Queiroz, c.g. Outro filho, Pedro Guedes Alcoforado, casou com Andreza Nunes e foram pais, nomeadamente, de Ana de Moraes e de Gaspar Guedes de Moraes, senhor da quinta das Asoreiras (parte), onde faleceu a 10.9.1655, sendo pai nomeadamente do Licenciado Nicolau Guedes Alcoforado, em cuja habilitação se documenta que os pais a avós foram pessoas nobres e de limpa geração, aparentadas com os principais do concelho. Um descendente do antedito Gaspar Guedes de Moraes, António Leme Coutinho, moço fidalgo da Casa Real (23.9.1743), era em 1758 senhor da quinta das Asoreiras e da sua capela de S. Miguel. A outra filha que ficou acima, Maria Guedes Alcoforado, terá herdado parte da quinta de Sermanha e viveu na quinta da Portela, também em Sedielos, onde faleceu a 22.12.1593. Casou com Gonçalo Pereira, senhor da dita quinta da Portela, onde faleceu a 15.6.1614, tendo vários filhos e filhas que se cruzaram várias vezes com os Almeida Carvalhais, de Moura Morta, sendo em 1758 senhor da quinta da Portela, e sua capela do Espírito Santo, António de Almeida Carvalhaes, várias vezes descendente daquele casal. E desse casal também era várias vezes descendente o padre Domingos de Almeida Borges, pároco de Sedielos, que em 1758 era senhor da quinta de Portelada (resultante da divisão da quinta da Portela), e tinha quer a capela de Nª Sª do Pilar desta quinta da Portelada quer a capela de Stº António de Sermanha, porventura da original quinta de Sermanha. Ao que parece, Diogo Gomes de Moraes Cogominho (nº II do presente estudo), que faleceu velho a 15.8.1652 na sua quinta do Pinheiro, em Cête, e seu primo Gonçalo Pereira Alcoforado, que faleceu na quinta da Portela a 3.1.1631 (filho da antedita Maria Guedes Alcoforado), partilhavam a original quinta de Sermanha, tendo este Gonçalo aí instituído, na sua parte, a dita capela de Stº António.

9. A 12.2.1471 D. Afonso V nomeou João de Moraes, cavaleiro da sua Casa, para o cargo de almoxarife de todas as rendas do almoxarifado de Santarém, bem como da sisa e dizima dos panos de Castela, em substituição de Vasco Fernandes, que morrera. Era filho de Nuno de Moraes, escudeiro, fidalgo da Casa do duque de Bragança, juiz de Vila Viçosa (1479), etc. A 22.2.1464 D. Afonso V concedeu carta de privilégio a Nuno de Moraes, escudeiro, fidalgo da Casa do duque de Bragança, para todos os seus caseiros, lavradores, encabeçados, mordomos, amos e apaniguados, para as comarcas e correições de Entre-o-Tejo-e-Odiana e Entre-o-Douro-e-Minho. E a 2.2.1480 o mesmo rei privilegiou Nuno de Moraes, escudeiro, juiz, criado que foi do duque de Bragança, a seu pedido, concedendo-lhe licença para tomar posse de uma herdade que comprara no termo de Vila Viçosa, quando foi juiz em 1479, bem como lhe relevou qualquer pena por ter comprado a dita herdade sem licença régia. Este Nuno era irmão de João Afonso de Moraes, escudeiro do infante D. Pedro, com quem esteve na batalha de Alfarrobeira, e vedor da fazenda do duque de Bragança D. Fernando, sendo ambos filhos de Fernão Nunes de Moraes, escudeiro. A 28.3.1468 D. Afonso V perdoou os quatro anos de degredo a Fernão Nunes, escudeiro, filho de Nuno Fernandes de Moraes, morador em Montemor-o-Novo, a que fora condenado para a cidade de Ceuta, acusado de ter tentado matar Gomes Anes Freire e de ter morto João Gomes, alcaide, tendo pago 8.000 reais de prata para a Arca da Piedade. Fernão Nunes de Mores era portanto filho de Nuno Fernandes de Moraes, vassalo de D. Pedro I, cavaleiro de D. João I, e de sua mulher Margarida Anes (Marinho). A 22.8.1385 D. João I confirmou a "nuno frrz de moraães, caualyro morador em montemoor o nouo", a doação que lhe fizera D. Constança, mãe de Gonçalo Rodrigues de Souza, de todos os bens móveis e de raiz qur possuia em Portugal. E no mesmo dia o rei fez-lhe mercê das rendas das casas que possuia nesta vila, e que a 21.4.1386 lhe tansformou em tença. A 31.3.1450 D. Afonso V confirma o privilégio a Gomes Martins Lobo, morador em Montemor-o-Novo, coutando-lhe aí as herdades que foram de Nuno Fernandes de Moraes, cavaleiro. A 6.1.1451 o mesmo rei coutou a João da Veiga e a sua mulher Isabel Marinho, moradores em Montemor-o-Novo, todas as herdades que possuem no dito lugar, da mesma forma que foram ao tempo de Nuno Fernandes de Moraes, cavaleiro, e a sua mulher, Margarida Anes, já falecidos, que as ditas herdades possuíram. Nuno Fernandes de Moraes foi legitimado por carta real de 1.1.1367, passada em Montemor, como Nuno Fernandes, vassalo, filho de Fernando Afonso, cavaleiro da Ordem de Santiago e comendador da Represa, e Maria Gonçalves, mulher solteira. Seu pai é o comendador Fernando Afonso de Moraes que mandou fazer o claustro de S. Francisco de Évora em 1366, como diz o respectivo letreiro. Gaio dá-o como filho do comendador-mor da Ordem de Santiago Rodrigo Afonso Pimentel, a quem D. Pedro I coutou a sua quinta de Agoa de Banhos, no termo de Elvas (CPI, 1, 38). o que é muito de duvidar, desde logo pela cronologia. Muito mais provavelmente é seu irmão, portanto filho de João Afonso Pimentel, acaide-mor de Bragança (1357), e de sua mulher Constança Rodrigues de Moraes, nascida cerca de 1314.

10. Os paroquiais de Cête começam em 1586.

11. Já falecida no casamento de sua filha Maria em 1600, deve ter morrido antes de 1586, data em que começam os paroquiais de Cête, uma vez que a partir desta data não aparece o respectivo óbito.

12. Este Álvaro Monteiro era filho de outro Álvaro Monteiro e de sua 1ª mulher Isabel Moutinho. Do 2º casamento com Filipa de Almeida foi também filha Catarina de Almeida, n. em Vila Nova (Arouca) cerca de 1520 e fal. a 21.7.1575 em Castro Daire, que c.c. Braz Vieira, do Porto, F.C.R. que serviu em Arzila, onde provavelmente nasceu e onde foi armado cavaleiro (CJIII, 44, 69v), e que foi depois escrivão da Câmara de Castro Daire (CJIII, 49, 127v), tabelião de Castro Daire (ib, 46, 207) e tabelião de Alva (ib, 46, 221). Destes foi filho André Vieira de Almeida, casado a 1ª vez com Isabel Borges de Castro e a 2ª vez com Filipa Lopes de Carvalho. deste 2º casamento nasceu o Padre Sebastião Vieira, famoso jesuíta, autor de vasta bibliografia, missionário do Padroado Português do Japão, que morreu queimado vivo em Yedo. Do 1º casamento nasceu Catarina Borges de Castro, c.g. na casa da Trofa (6º senhor)

13. Felgueiras Gaio (Costados IV, arv. 165vº e 166, e Barbosas, § 219, nº 22) chama-lhe Inez Barreto. O Nobiliário dos Moreira e os "Carvalhos de Basto" (Vol. I, pag. 470) chamam-lhe Helena de Barros. Mas esta Helena foi sua madrasta, como se documenta.

14. Felgueiras Gaio chama-lhe Ignasia, s.m.n.

15. Entre os quais se contam o padre jesuíta Dr. João Nunes Barreto, o primogénito, que foi patriarca da Etiópia (24.5.1555), n. no Porto em 1517 e fal. em Goa a 22.12.1562; o também padre jesuíta Doutor Belchior Nunes Barreto, provincial da Índia (1553), n. no Porto em 1520 e fal. em Goa a 10.8.1571; Gonçalo Nunes Barreto, que sucedeu e que a 20.4.1544 tirou carta de armas (um escudo esquartelado de Cardoso e Barreto), onde é referido como cavaleiro fidalgo da Casa Real e morador no Porto, mas que não deixou geração, e ainda o governador do Porto Gaspar Nunes Barreto, que sucedeu ao irmão e que em 1542 vivia na cidade do Porto, quando a Mitra lhe emprazou várias casas na Rua das Flores (Vide "O Censual da Mitra do Porto", de Cândido Augusto Dias dos Santos).

16. Afonso Ferraz nasceu cerca de 1438 e faleceu depois de 1499, documentando-se bem entre 1463 e 1499. A 6.5.1463 D. Afonso V doou para sempre a Afonso Ferraz, escudeiro do príncipe D. João, os bens que Pero Fernandes Trovisco, morador em Miranda do Douro, comprara sem autorização régia a Rodrigo Esteves, morador nesse lugar, quando exercia o cargo de juiz temporal. A 2.3.1469 o mesmo rei doou a Afonso Ferraz, escudeiro e criado do príncipe D. João, almoxarife da vila de Aveiro, enquanto sua mercê for, as marinhas, casas e ortas régias, que estão na dita vila, assim como tiveram os outros almoxarifes antes dele, mediante determinadas condições. A 1.5.1472 privilegiou Saull, judeu, mercador, morador em Antiro, a pedido de Afonso Ferraz, cavaleiro da Casa do príncipe, isentando-os do pagamento de diversos impostos e encargos da comuna dos judeu, bem como do direito de pousada, sob pena de pagar 2.000 reais brancos para os Cativos a quem não o cumprir. A 6.3.1473 doou a Afonso Ferraz, cavaleiro da Casa do princípe, almoxarife do almoxarifado de Aveiro, enquanto sua mercê for, uma tença anual de 2.000 reais brancos, a partir de Janeiro de 1473. A 10.7.1475 nomeou João Afonso, sobrinho de Afonso Ferraz, cavaleiro, para o cargo de escrivão da sisa do sal e das tercenas (estaleiros) da cidade do Porto, em substituição de Garcia Rodrigues, que morrera. A 6.4.1476, em Toro, privilegiou Afonso Ferraz, cavaleiro da Casa do príncipe D. João, almoxarife da vila de Aveiro, concedendo-lhe licença para que por sua morte seu filho Jorge Ferraz fique a exercer o ofício de almoxarife da dita vila. Na mesma data doou a Afonso Ferraz, cavaleiro da Casa do príncipe D. João, almoxarife de Aveiro, enquanto sua mercê for, uma tença anual de 2.000 reais, a partir de 1 de Janeiro de 1476. A 26.4.1484 D. João II confirmou Afonso Ferraz como almoxarife de Aveiro. A 15.9.1486, sendo referido como cavaleiro da Casa de D. Afonso V, vivia com sua mulher Isabel Fernandes no Porto quando comprou, por 300 cruzados de ouro, 90 dobras de banda e 2.700 reais de prata, a quintã e honra de Barbosa, em S. Miguel da Rãs, a Fernão de Souza, senhor de Gouveia de Riba Tâmega. Em 1503 esta honra já aparece na posse de D. Joana de Castro, filha do dito Fernão de Souza, pelo que esta compra ou não teve efeito duradoiro ou foi de novo comprada. A 3.6.1488 D. João II aforou a Afonso Ferraz um pardieiro com forno em Aveiro. E a 15.7.1490 aforou a Afonso Ferraz uma horta e marinha na mesma vila. A 21.5.1496 a Afonso Ferraz, cavaleiro, foi dada carta de confirmação de privilegiado, conforme carta de D. Afonso V de 21.7.1468. E a 21.6.1496 D. Manuel I comunicou a todos os juizes e justiças da cidade do Porto e outros quaisquer oficiais, que a Afonso Ferraz, cavaleiro e criado de D. João II, morador na cidade do Porto e todos os seus caseiros, foi feita mercê de privilegiados, escusados e guardados. A 12.5.1497 a Afonso Ferraz, cavaleiro da Casa Real, foi confirmada a tença anual de 4 mil reais, que tinha de D. Afonso V. E a 19.5.1497 a Afonso Ferraz foi dada carta de confirmação de uma carta de padrão de D. João II de 15.7.1476, que apresentou e que diz que a Afonso Ferraz, cavaleiro, foram atribuídos em cada um ano sete mil reais de prata. Afonso Ferraz parece ter sido o primeiro proprietário da casa dita dos Ferraz, na rua das Flores, no Porto. Afonso Ferraz era irmão mais novo de Pedro Ferraz, chantre da Sé do Porto (que deixou um filho, Gonçalo Gomes Ferraz, com geração) e de Isabel Ferraz, abadessa de Stª Clara do Porto, todos filhos de Gonçalo Gomes Ferraz, escrivão da Câmara do Porto (1424), senhor da casa de Paço Covo e dos padroados de S. Cristóvão de Refoios, S. Tiago de Lustosa e Stª Marinha de Estromil, etc. Gonçalo Gomes Ferraz era filho natural, legitimado por carta real de 2.1.1401, de Gonçalo Fernandes Ferraz e Leonor Gonçalves, sendo este Gonçalo Fernandes irmão de D. Berengela Fernandes Ferraz, abadessa de Vila do Conde (que a 26.11.1406 teve licença para emprazar a quarta parte de uma quinta, na freguesia de Reguenga, da qual cobrava os frutos a seu sobrinho Gonçalo Gomes Ferraz) e de Vasco Fernandes Ferraz, vereador do Senado da Câmara do Porto em 1380, procurador desta cidade às Cortes de 1385 e senhor da casa de Paço Covo e dos padroados de S. Cristóvão de Refoios, S. Tiago de Lustosa e Stª Marinha de Estromil, tendo-lhe dado D. Fernando I provisão destes padroados da família em 1376, e que faleceu sem geração, sucedendo-lhe o antedito sobrinho. Afonso Ferraz e sua mulher Isabel Fernandes Andorinho tiveram vários filhos, sendo o sucessor, como ficou documentado acima, Jorge Ferraz, nascido antes de 1476 e falecido s.g. depois de 19.5.1517, data em que Catarina Soares, moradora no Porto, filha de Lopo Vaz Soares, falecido, almoxarife dessa cidade e cavaleiro da Casa Real, teve confirmaçäo do aforamento de umas casas, situadas na Rua Nova dessa cidade, com foro anual de 900 reais brancos (45 libras a 700 por uma da moeda antiga) pagos no primeiro dia de S. Miguel de Setembro, com as confrontaçöes e condiçöes declaradas. O instrumento de aforamento foi feito a 12.9.1517, em casa de Jorge Ferraz, cavaleiro da Casa Real e cidadäo da dita cidade, por Gervaz Garcês, nela tabeliäo, na presença de Fernäo Aranha, seu cidadäo e aí juiz ordinário e das testemunhas, Joäo Ferraz, Diogo Pinto e Pedro de Andrade, cavaleiro da Casa Real e cidadäo do Porto. Foram ainda pais de António Ferraz, abade de Refoios e Lustosa, que já era abade quando tirou ordens de Epístola em Braga a 21.10.1499. Dos filhos de Afonso Ferraz parece só ter tido geração a filha Beatriz Ferraz, nascida cerca de 1384, que casou com Afonso Rodrigues Leborão, cidadão do Porto, e depois, segundo Alão, com Diogo Pinto. Este Afonso Rodrigues Leborão parece já viúvo de uma 1ª mulher, desconhecida, de quem teria tido Fernão Afonso Leborão, que foi juiz das sisas de Vieira e Lanhoso a 6.9.1483 e 10.1.1484, e a 10.1.1498 vivia em Guimarães quando teve carta de quitação sobre o que recebeu e despendeu, no total de 1.950.631 reais, sendo certamente o progenitor dos Leborão de Guimarães (portanto pai de Duarte Fernandes Leborão). Do seu casamento com Afonso Rodrigues Leborão, Beatriz Ferraz teve dois filhos conhecidos: Isabel Ferraz, nascida cerca de 1500, que casou com Fernão Nunes Barreto, para cuja geração mais tarde vai passar a casa da rua das Flores, e Gaspar Ferraz, que sucedeu na dita casa da rua das Flores e mais bens da família, certamente a seu tio Jorge Ferraz. Foi cavaleiro da Casa do duque de Bragança, cavaleiro fidaldo da Casa Real (1.8.1552), provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto e vereador da Câmara do Porto (1548, 1551). Casou com Lucrécia de Figueiroa, com quem jaz em sepultura com suas armas em S. Francisco do Porto, junto à pia de água benta, com a seguinte inscrição: "S. de Gaspar Ferraz, fidalgo da casa del Rei Nosso Senhor, e de sua mulher Lucrécia de Figueiroa". É certamente o Gaspar Ferraz teve de D. João III alvará de ordenado (CJIII, 59, 82).

17. Filho de Nuno Fernandes de Gouveia, senhor da quinta do Telhado e da torre de Quintal, em Besteiros, e de sua mulher Aldonça Vaz Cardoso.

18. Neto paterno de Gonçalo Nunes Barreto, senhor de juro e herdade de Cernache (10.2.1372), alcaide-mor de Montemor-o-Velho (2.7.1357), etc.

19. Vide Felgueiras Gaio, Barbosas, § 219, nº 22, e "Fonsecas Coutinhos de Fonte Arcada", 1983, na introdução de Luiz de Mello Vaz de São-Payo.

20. "Carvalhos de Basto", Vol. I, da pag. 155 à 163.

21. Certamente dos Beleago do Porto, provavelmente filho de Gonçalo Carneiro Baldaya, cidadão do Porto, e de sua mulher Guiomar Dias Beleago, que a 2.7.1553 instituíram morgadio com capela na igreja de S. Francisco, sendo esta irmã de Gaspar Beleago, escrivão da Alfândega da Porto, e do célebre humanista Doutor Belchior Beleago, lente da Universidade de Coimbra, cónego da Sé de Lisboa, deão da Sé da Guarda, desembargador do Paço e bispo de Fez, fal. a 19.10.1569. Vide "O Tripeiro", Série Nova, Novembro de 1983, pag. 290, e "Patriciado urbano quinhentista: as famílias dominantes do Porto (1500-1580)", de Pedro de Brito.

22. Vide "Portocarreros do Palácio da Bandeirinha", Porto 1997, obra do autor.

23. Vide Felgueiras Gaio, Ferreiras, § 70, nº 5.

24. Pais de José de Matos Viegas de Sottomayor e Noronha Barreto de Moraes, n. em Eiriz (Paços de Ferreira), que tirou OM em Braga com IG de 2.9.1777, e de seu irmão Baltazar Luiz de Matos.

25. Vide Felgueiras Gaio, Farias, § 87, nº 14. Vide também "Os Braganças da província do Minho", Porto, 1973, de Maria da Conceição de Menezes Pereira da Cunha e Elísio de Meireles Ferreira de Sousa. D. Florência era, nomeadamente, irmã de António José Bragança, que a 2.7.1748 teve foro de fidalgo cavaleiro da Casa Real, sendo aí referido como natural de Cête, filho de Hipólito de Meirelles Afonso Fayão, fidalgo da Casa Real, e neto de Domingos de Meirelles Nogueira (CJV, 38, 229). Este Domingos de Meirelles Nogueira teve foro de fidalgo cavaleiro da Casa Real a 2.8.1710, sendo aí referido como natural de Cête, filho de António de Meirelles e neto de António de Souza (CJV, 4, 299).

26. É dito Diogo Gomes de Moraes quando, ainda "moço solteiro", foi padrinho de baptismo em Cête em 1606. Depois aparece quase sempre apenas como Diogo de Moraes, nome com que assina, como testemunha, duas notas de 1616 (ADP - Notarial de Paredes, Serie 1, Livro 1, pag.26 e 33). Mas também aparece como Diogo de Moraes Cogominho.

27. Os paroquiais de Paço de Sousa só começam em 1642.

28. Filho sucessor de Fernão Brandão, comendador de Guilhabreu da Ordem de Cristo, camareiro do infante D. Fernando, embaixador a Castela, etc., e de sua mulher Isabel de Pina, filha do celebrado cronista Rui de Pina; neto paterno de João Brandão, contador do Porto, e de sua 2ª mulher Beatriz Pereira

29. CJIII, 38, 90.

30. Aparece muitas vezes em documentos oficiais apenas como Domingos Ferreira ou Domingos da Fonseca, mas é como Domingos Ferreira da Fonseca que consta no registo do seu casamento. Apesar de ser o filho mais velho (tinha um irmão primogénito Santos, n. a 10.11.1630 mas fal. solt. a 12.3.1652), foi seu cunhado Luiz Barbosa, senhor da casa da Gaia, em Cête, que sucedeu na quinta do Prazo do Outeiro (1628, no tabelião de Paredes Roque Coelho).

31. O antiquíssimo concelho e julgado de Aguiar de Sousa foi substituído a 15.2.1837 pelo de Paredes, até então o lugar de Paredes ou das Paredes da freguesia de Castelões de Cepeda.

32. Irmão mais novo do Lic. Simeão Ferreira, crismado a 8.11.1590 no mosteiro de Cête, que também exerceu o cargo de capitão de Cête na Ordenança de Aguiar de Sousa, que ocupava em 1632.

33. Este prazo tinha sido comprado por seu pai Santos Ferreira, o Velho, ao Lic. Tomaz de Brito.

34. Joana da Fonseca nasceu cerca de 1562 e casou cerca de 1577. Seu filho Santos Ferreira nasceu em 1584 e teve pelo menos três irmãos mais velhos, cujos baptismos não aparecem, pois os respectivos assentos só começam em 1588. São estes três irmãos mais velhos Constantino Ferreira, que já aparece como padrinho em 1592 e que terá fal. solteiro, pois não aparece nas partilhas; o Dr. Simeão Ferreira, que foi crismado em Cête a 8.11.1590, e Jerónima da Fonseca que casou a 6.11.1611, ib, com Manuel Ribeiro. António de Leão da Fonseca e seus filhos Gaspar Barbosa de Leão e Luiza da Fonseca, da vizinha freguesia de Parada de Todea, são várias vezes padrinhos em Cête, sendo que Gaspar Barbosa de Leão aí casou. Tendo em conta a onomástica e estatuto, e sobretudo o facto de Santos Ferreira e sua mulher Joana da Fonseca, moradores no couto do mosteiro de S. Pedro de Cete, terem o prazo do Casal do Ribeiro em Parada de Todea, julgo que esta Joana da Fonseca era a filha mais velha justamente de António de Leão da Fonseca e sua mulher Cecília Fernandes, moradores na sua quintã da Lágea, em S. Martinho de Parada de Todeia (Paredes), prazo que traziam em 1594 (Tombo de Paço de Sousa) em renovação que ele teve em 1ª vida pelo bispo de Targa D. Manuel Santos (comendatário que faleceu em 1570), e onde ele fal. a 23.3.1607 e ela a 9.12.1623. Tinha ainda António de Leão do mesmo mosteiro na mesma data o prazo do Casal de Ribas, ib, renovado 1ª vida, pelo foro de 150 reais, que já fora de seu pai Gaspar Barbosa e estava subemprazado. Joana da Fonseca era, portanto, irmã de Gaspar Barbosa de Leão, referido acima no nº 5 (II) como marido de Jerónima de Moraes. E irmã de Luiza da Fonseca, que com este seu irmão Gaspar foram padrinhos em Cête em 1593, sendo solteiros e vivendo então em Parada. É certo que um neto de Joana da Fonseca casou com uma sobrinha direita daquela Jerónima de Moraes, o que aparentemente colocava Joana da Fonseca numa geração anterior e já me levou a propor que fossem filhas de Salvador da Fonseca, tio materno daquele António de Leão da Fonseca e filho de Pedro de Leão e sua 2ª mulher Beatriz da Fonseca, senhora da quintã da Lagea, que largamente refiro na nota nº 61. Mas este Salvador nasceu cerca de 1500, pelo que não parece poder ser pai dela. Os paroquiais de Parada de Todeia começam em 1587, pelo que não é possível encontrar aí o casamento de Joana da Fonseca. António de Leão da Fonseca, além do antedito Gaspar e do Padre Salvador da Fonseca, ordenado em 1589, teve várias filhas, nomeadamente Beatriz de Leão casada a 24.8.1587 em Parada com António Garcia; a antedita Luiza da Fonseca, casada a 11.11.1597, ib, com Pedro Gaspar; e Isabel de Leão, casada a 6.5.1597, ib, com Domingos Gaspar. Mas, tendo António de Leão da Fonseca nascido cerca de 1525, estas seriam as suas filhas mais novas. No livro de baptismos, o padre recuperou alguns assentos da década de 1570 de um livro anterior entretanto desaparecido, que já então estava em mau estado, onde surgem como madrinhas uma Maria da Fonseca e uma Leonor da Fonseca, sendo esta certamente a Leonor da Fonseca que com seu marido Domingos Gonçalves constam no Tombo de Paço de Sousa (1594) como trazendo o prazo do Casal das Quintãs, em Parada de Todea. A Maria da Fonseca é certamente a filha de Salvador sa Fonseca e Isabel de Araújo que casou com Simão Barreto e constam no mesmo Tombo como moradores na cidade do Porto e trazendo os prazos dos Casais de Paços e da Costa, por doação que ela teve de seus pais Salvador da Fonseca e Isabel de Araújo. Leonor de Fonseca deve ser filha de Francisco de Leão (da Fonseca), irmão do antediro António, que faleceu na Lagea a 21.12.1610, deixando testamenteira sua mulher Antónia de Araújo. Estes Francisco de Leão e Antónia de Araújo, referida como sua 2ª mulher, constam no Tombo de Paço de Sousa (1594) como tendo o prazo da quintã de Parada, em Parada de Todea, onde viviam, que tinha uma torre sobrada e confrontava com terras que Salvador da Fonseca trazia do mesmo mosteiro. Este Francisco de Leão não pode ser confundido com o Francisco de Leão e sua mulher (não nomeada) que também constam no mesmo tombo como tendo o prazo do Casal da Lagea de Baixo (distinto da quintã da Lagea, que tinha António de Leão, como ficou dito) em 2ª vida, por dote de nomeação que lhe fez sua mãe Beatriz da Fonseca, a qual o tinha tido em 1ª vida do procurador do bispo do Porto D. Pedro da Costa (comendatário até 1535). Este que aqui aparece como Francisco de Leão é o Francisco da Fonseca que faleceu na Lagea (portato o seu Casal da Lagea de Baixo) em Parada a 21.5.1591 deixando testamenteiros os sobrinhos António de Leão e Francisco de Leão. E o Francisco da Fonseca que teve o prazo do casal de Leiria do mosteiro de Alpendurada. Sendo irmão inteiro de Salvador da Fonseca (referido atrás, casado com Isabel de Araújo), senhor dos prazos de Paços e da Costa, e de Beatriz de Leão (casada com Caspar Barbosa. notário apostólico, e pais dos anteditos António e Francisco), todos filhos de de Pedro de Leão, juiz das sisas de Aguiar de Sousa (1504), senhor da quinta do Beco, em S. Miguel de Rans (Penafiel), e de sua 2ª mulher Beatriz da Fonseca, senhora do prazo da quintã da Lagea, em Parada. Como quer que seja, uma coisa parece certa: Joana da Fonseca era bisneta deste Pedro de Leão e sua 2ª mulher Beatriz da Fonseca. Sendo de sublinhar, como pista adicional, o facto de nos padrinhos dos três filhos (cujos assentos se encontram) de Joana da Fonseca estarem Joana Moreira, mulher do capitão Adão Luiz, de Besteiros, e Maria Freire, mulher de Gaspar Moreira, de Urrô.

35. Santos Ferreira e sua mulher fizeram uma venda a 6.8.1607 no tabelião Roque Coelho.

36. Seus filhos, o Capitão Santos Ferreira (bat. a 12.11.1589 em Cête, como ficou dito, sendo padrinhos o escrivão Roque Coelho e Maria Freire, mulher de Gaspar Moreira, de Urrô), o Licenciado Simeão Ferreira (crismado a 8.11.1590 no mosteiro de Cête e c.c. Antónia Barbosa) e Paulo Ferreira (bat. a 2.5.1594, ib, sendo padrinhos António de Sampaio e Ângela Moreira, mulher de Adão Luiz) fizeram escritura de partilha de bens em 1616 (ADP - Notarial de Paredes, Série 1, Livro 1, pag. 4).

37. Sabemos que Gonçalo Fernandes casou três vezes, pois Ana Dias documenta-se como sua terceira mulher. É assim possível que Gonçalo Fernandes tenha nascido cerca de 1510, falecendo com 70 anos. Do 1º casamento, realizado cerca de 1532, deve ter sido filha a Catarina Gonçalves casada com Pedro Afonso, de Ferreira, referidos no nº 1.1.1.5.4(VI), e possivelmente um António Gonçalves, casado em Cacães, que se documenta pai de um Paulo Ferreira. Do 2º casamento, realizado cerca de 1549, pode ter nascido o capitão Santo Ferreira, o Velho, e Diogo Ferreira, que casou em Mouriz, onde viveu. Do 3º casamento, com Ana Dias, realizado cerca de 1571, nasceram pelo menos três filhos: Pedro Ferreira, b. a 18.9.1573 em Eiriz; Francisca Fernandes, casada a 31.10.1591, ib; e Maria Ferreira, b. a 10.2.1577, ib, que casou a 19.10.1591, ib, com Pedro Ferreira, que foi capitão, filho de Gomes Pires e Marta Gonçalves, moradores em Penamaior. Gonçalo Fernandes, pelo patronímico, era certamente filho de um Fernão/Fernando. Mas, tendo em conta a onomástica familiar, julgo que Ferreira era a mãe deste Gonçalo Fernandes, a qual podia ser irmã do Baltazar Ferreira que em 1541, com sua mulher Catarina Vieira, eram senhores dos prazos do Outeiro de Miram e do Carvalho, foreiros à Mitra do Porto, ambos na freguesia de Santa Cruz, que eles tinham sub-emprazados a caseiros.

38. Nome que o próprio assina e com que aparece muitas vezes nos paroquiais, embora também aí surja como Bento de Moraes Barreto, Bento de Moraes ou Bento Barreto e mesmo Bento Barreto de Moraes Cogominho, como aparece no assento de casamento do neto Bernardo.

39. A 15.9.1684, ainda solteiro ou já recém-casado, ainda seu pai era vivo, aparece a viver na quinta do Verdeal (propriedade muito próxima da quinta do Pinheiro), quando é testemunha e assina, numa nota de Leonor de Meirelles, moradora em Cête, viúva de Manuel Garcez de Carvalho.

40. ANTT - Familiares do Santo Ofício, Letra B.

41. A 5.5.1677 Beatriz de Meirelles, mulher de Bento de Moraes, foi madrinha em Cête de uma filha de Roque Coelho (assento fora de ordem, entre os casamentos). Embora não haja dúvidas quanto a este casamento, atestado em muitos outros documentos, o respectivo assento paroquial não aparece nem em S. João de Covas nem em Cête. O que não quer dizer que se não tivessem casado numa destas paróquias, nomeadamente em S. João de Covas, onde ela vivia, pois infelizmente não é raro os abades esquecerem-se de registar os assentos, pelo menos a avaliar pelos que aparecem fora de ordem, confessando aí o sacerdote ter-se esquecido de os assentar na devida altura... Esta Beatriz era irmã inteira do Cap. Domingos de Meirelles Freire, sucessor na quinta de Rio de Moinhos, c.g. nos Mello Cabral Vaz Guedes Bacelar, viscondes de Vila Garcia. Vide "Fonsecas Coutinhos de Fonte Arcada", Braga 1983, de Elísio de Meirelles Ferreira de Sousa e Maurício Antonino Fernandes.

42. Referida no Nº X-6 do § 36 (pag. 145) do trabalho do Prof. Doutor Luiz de Mello Vaz de São-Payo intitulado "O Descobridor do Congo e o apelido Cão", publicado no nº 10 da revista "Raízes e Memórias", onde vai a sua ascendência. Era irmã do Padre Doutor Amaro de Meirelles, cónego (1635) e tesoureiro-mor da Sé do Porto.

43. Irmã mais nova de João (bat. a 2.2.1615), Maria (bat. a 21.12.1617), Anastácia (b. a 25.3.1620) e Lourenço Neto (bat. a 10.8.1623), este casado em Sousela. Há ainda um Pedro Neto que casou a 14.1.1648, ib, com Catarina Manoel. Mais uma vez o abade não dá a filiação dos noivos, mas é certamente filho de João Neto, que é testemunha do matrimónio (mesmo que esta testemunha já seja João Neto, o filho, o raciocínio é o mesmo). Contudo, não consta o assento baptismo em Raimonda de nenhum Pedro, o que pode significar apenas desleixo do particularmente descuidado e desorganizado pároco, a avaliar pela forma como tratou os livros, ou era bastardo e foi baptizado como filho de mãe solteira, nessa ou noutra freguesia.

44. ORIGEM DOS MOREIRA de Paredes. Alão não trata a origem destes Moreira. Refere apenas (em Moreira de Meireles, de Lousada) que Gervaz Gaspar era irmão do Licenciado Amaro Moreira, ambos filhos de Gaspar Gonçalves e sua mulher Beatriz Duarte, do lugar da Louzã, freguesia de S. Miguel da Gandra (Paredes). Gaio dá este Gaspar Gonçalves Moreira como filho de Afonso Furtado de Mendonça e sua 2ª mulher D. Beatriz de Vilaragut, o que é um anacronismo, pois Gaspar Gonçalves não nasceu antes de 1520 e Afonso Furtado de Mendonça e D. Beatriz casaram cerca de 1426. Embora não se aperceba do anacronismo, Gaio diz em nota que “esta filiação de Gaspar Gonçalves Moreira a tenho por suspeitosa por até hoje lha não achar nos ttºs de Mendonças Furtados que tenho visto”, pelo que propõe que fosse antes filho de Afonso Furtado e sua mulher D. Maria Gonçalves Moreira. É o que se chama saltar do fogo para a frigideira, pois Afonso Fernandes Furtado e Maria Gonçalves de Moreira casaram em 1319… Sendo aqui de assinalar, dada a tradição muito antiga nesta família da ascendência Furtado (de Mendonça), nome e armas que alguns ramos usaram, que nos finais do séc. XVI vivia em Mouriz (freguesia do mesmo concelho de Paredes) um Afonso Furtado (pai do João Furtado referido na nota nº 61). Mas é evidente que este Afonso Furtado, de Mouriz, nada tinha a ver com os Mendonça. E o mesmo anacronismo comete Gaio ao dar Beatriz Duarte como filha de João Vasques da Granja e sua mulher Guiomar Rodrigues de Moraes, que casaram no início do séc. XIV, embora aqui o autor advirta que supõe falsa esta filiação.
Como se apura nos paroquiais, Gaspar Gonçalves de Moreira faleceu em S. Miguel da Gândara /Gandra (Paredes) a 2.2.1588 e sua mulher Beatriz Duarte a 16.10.1590. Diz o óbito dele que “Gaspar Glz de Morª” fez manda e testamento, ficaram testamenteiros seus filhos Gervaz Gaspar e Miguel Gaspar, a qual manda escreveu o escrivão Domingos Ferraz. No óbito dela, referida como “Briatis Duarte, mulher q ficou de Gaspar Glz de Morª”, diz-se que fez manda que escreveu Roque Coelho e ficou por testamenteiro seu filho Gaspar Moreira. Nem num nem noutro destes assentos se refere expressamente o lugar de S. Miguel da Gândara em que viviam, se bem que fique implícito que era Moreira. Sendo certo que não era, como diz Alão, no lugar da Louzã, pois em 1570 e 1576 foi madrinha Beatriz Duarte de Moreira e a 6.3.1580 foram padrinhos Miguel, filho de Gaspar Gonçalves de Moreira, e Maria, filha de João Gonçalves de Moreira, moradores na aldeia de Moreira. Portanto, Gaspar Gonçalves e sua mulher Beatriz Duarte viviam em Moreira pelo menos desde 1570, não sendo possível por este fundo recuar mais, pois não existem livros anteriores.
No último quartel do séc. XVI documentam-se na freguesia de S. Miguel da Gândara vários indivíduos ditos, uns “de Moreira” e outros “de Moreiro” ou de “de Moreiró”, o que corresponde à existência na freguesia dos lugares de Moreira e de Moreiró, começando também a aparecer indivíduos com o apelido Moreira, sem patronímico nem partícula, para além dos descendentes de Gaspar Gonçalves. Serão todos da mesma família? O que parece certo é que estes Moreira vão buscar o nome ao lugar de Moreira, em S. Miguel da Gândara (Gandra) e que são indevidas as cartas de armas dos Moreira medievais (em campo vermelho, nove escudetes de prata, cada um carregado de uma cruz florida, de verde) passadas a vários dos seus descendentes.

Gaspar Gonçalves de Moreira e sua mulher Beatriz Duarte tiveram pelo menos 7 filhos, a saber:

 

1. Gervaz Gaspar (Moreira), nascido cerca de 1550, que pelo casamento foi senhor da quintã da Ponte de Cepeda, em Castelões de Cepeda (Aguiar de Sousa, hoje Paredes), onde faleceu novo a 4.1.1592. Como detalharei adiante, foi senhor de prazos no couto de Gasconha (hoje um lugar da freguesia de Sobreira, concelho de Paredes). Nos paroquiais de Castelões de Cepeda tem uma nota que refere estar a respectiva matriz obrigada a uma missa anual por alma de Gervaz Gaspar, da Ponte, pelo foro de 100 reais nos Moinhos das Corvasseiras feito no Rio de Sousa de que são herdade, e outra por alma de sua mulher Isabel Pires, imposta nos mesmos Moinhos, no dote e meão que fez a sua filha Beatriz Moreira na nota de Roque Coelho. Casou cerca de 1575 com Isabel Pires, senhora da antedita quinta, onde faleceu viúva a 12.12.1627, provável filha do Jerónimo Pires da Ponte que faleceu a 28.1.1593, ib, dizendo-se no óbito que não fez manda mas tinha feito cédula havia muitos anos. Com geração conhecida e ilustre.
2. Domingos Gaspar (Moreira), nascido cerca de 1552, que pelo casamento foi senhor da quintã de Rio de Moinhos, em S. João de Covas (Lousada), onde fal. a 16.4.1638. Casou cerca de 1576 com Águeda Freire de Meirelles, senhora da antedita quintã (que incluía um prazo do mosteiro de Leça feito em 1566 a seus pais Pedro Freire e Maria de Meirelles), onde nasceu cerca de 1557 e faleceu no mesmo dia em que faleceu seu marido (o assento de óbito é comum), e onde ambos viveram, e senhora ainda da quinta de Almedina, com sua torre telhada, também em S. João de Covas, prazo da comenda da Ordem de Malta que teve com seu marido a 5.6.1595. Com geração ilustre, nomeadamente a referida neste estudo.
3. Maria Gaspar (Moreira), que viveu casada em S. Martinho de Lagares (Penafiel), onde faleceu viúva a 7.6.1627. Casou cerca de 1576 com Gonçalo Rodrigues, falecido a 28.10.1603, ib, sem testamento, que Gaio diz ter sido senhor da quintã de Lagares, “tão antiga que dela tomou o nome a freguesia”, embora nos paroquiais venha apenas referido como morador na aldeia de Lagares. Com geração tratada por Gaio, sendo nomeadamente pais de Isabel Rodrigues, casada a 14.12.1600, ib. com Gonçalo da Rocha, de S. Pedro de Sobreira (filho de Baltazar Gonçalves e Beatriz Luiz); Gonçalo Moreira, moço solteiro, que faleceu a 23.4.1602, ib; Ana Moreira, casada a 6.5.1607, ib, com Gonçalo Fernandes; Isabel, n. a 20.12.1587, ib; de António, n. a 14.2.1590; e de outro António, n. a 14.10.1594, ib.
4. Gaspar Moreira, que viveu casado na quintã da Vila, em S. Miguel de Urrô (hoje Penafiel), onde faleceu a 3.5.1593, com testamento, onde se mandou sepultar no mosteiro de S. Francisco do Porto. Casou cerca de 1585 com Grácia Rodrigues, falecida de parto a 5.9.1586, ib, filha de João Rodrigues, falecido na dita quintã da Vila a 5.1.1603, e de sua mulher Maria (Rabaes). Casou a 2ª vez com Maria Freire, que se documenta sua mulher quando foi madrinha em Cête a 12.11.1589, falecida a 4.4.1603, ib, deixando herdeiros Maria Moreira e Simão Velho. Do 1º casamento foi filha Maria Moreira, b. a 1.9.1586, ib, que casou antes de 5.8.1608 (quando foi madrinha em Castelões de Cepeda) com Simão Velho Freire (padrinho em Cête a 21.9.1601), filho de Manuel Velho. Destes foram filhos Manuel, Antónia e Mariana, crismados a 21.7.1613, ib, sendo que estas filhas Antónia Freire de Almeida e Mariana Vieira de Almeida casaram a 3.2.1641, ib, com António Pinto do Carvalhal e Manuel Pinto do Carvalhal, ambos filhos de Francisco Pinto do Carvalhal, abade que foi de Guilhufe, já falecido (vide Alão, PL, Silvas, Alteros e Pintos, §4).
5. Dr. Amaro Moreira, que se licenciou na Universidade de Coimbra antes de 1590, serviu depois no Desembargo do Paço e foi ouvidor da Casa de Cantanhede e tutor do conde D. Pedro de Menezes. Recebeu a 17.2.1595 ordens de subdiácono em Coimbra, foi apresentado por aquele conde como abade de S. Vicente de Ermelo (hoje Mondim de Basto), tendo mandado fazer à sua custa a Misericórdia de Penafiel, em cuja capela-mor instituiu morgadio e se mandou sepultar por testamento de 11.1.1646, vinculando ao morgadio a sua quintã de Marnel, em Bitarães (Paredes).
6. Antónia, que a 7.6.1577 foi madrinha na Gandra como Antónia, filha de Gaspar Gonçalves de Moreira.
7. Miguel (Gaspar) Moreira, nascido cerca de 1565. A 6.3.1580 foi padrinho na Gandra como Miguel, filho de Gaspar Gonçalves de Moreira. Viveu em S. Miguel da Gândara (Paredes), hoje Gandra, onde faleceu a 15.5.1600. Casou cerca de 1589 com Domingas Pais, fal. a 3.3.1603, ib. Nos seus óbitos, bem assim como noutros assentos, apenas são referidos como moradores em S. Miguel da Gândara, mas ele, o único dos filhos que ficou na Gandra, é que terá sucedido nos bens de seu pai no lugar de Moreira e aí terá vivido. Com efeito, sua filha sucessora Ana Moreira e seu 2º marido Francisco Freire documentam-se em 1647 como moradores no lugar de Moreira, freguesia da Gandra. Com geração nos morgados da quinta da Aveleda.

Tendo em conta os desastrados entroncamentos que Gaio deu a Gaspar Gonçalves Moreira, o mais antigo desta família que se consegue documentar nos paroquiais, ficamos sem saber a sua filiação. Contudo, no Tombo de Paço de Sousa, feito em 1594 mas que agrupa prazos e documentos desde 1546, vamos encontrar Gervaz Gaspar e sua mulher Isabel Pires, moradores na quintã da Ponte de Cepeda, concelho de Aguiar de Sousa, trazendo o prazo dos Moinhos das Gamboas no rio Sousa, no couto de Casconha, em 1ª vida, pelo foro de 260 reais. Foi portanto nestas terras, como ficou dito atrás, que ficou obrigada uma missa anual por alma de Gervaz Gaspar, pelo foro de 100 reais nos Moinhos das Corvasseiras feito no Rio de Sousa de que são herdade, e outra por alma de sua mulher Isabel Pires, imposta nos mesmos Moinhos, no dote e meão que fez a sua filha Beatriz Moreira na nota de Roque Coelho. No Tombo de Paço de Sousa consta um Gervaz Gaspar, solteiro, morador em Gasconha, freguesia de S. Pedro de Sobreira, que aí tinha em 3ª vida o prazo de um dos casais do Outeiro e da Torre por dote que lhe fez seu pai Gaspar Gonçalves, aí morador, prazo que tinha sido feito em 1ª vida pelo procurador do Cardeal infante D. Henrique a sua avó Grácia Gonçalves. Tinha o seu casal de foro anual 2,5 alqueires de trigo, 5 alqueires de milho, 2,5 alqueires de centeio, meio carneiro, 1 galinha e meia, meio carro de esterco e 250 reais em dinheiro. Estes casais eram constituídos por um assento de casas sobradas e terreiras, com adegas, lagar, cortes, eiras, hortas, árvores de fruto, leiras, campos e vessadas, tudo junto e cercado, que levava de semeadura 15 alqueires de pão, confrontando a nascente com o monte e o caminho; a norte com o ribeiro e terras de Gaspar Gonçalves (seu pai?) e Gaspar Rodrigues; a poente com o monte; e a sul com terras de Pedro de Ozorio e Helena Gonçalves. Alem disso, tinham mais 21 campos, todos devidamente delimitados no tombo. Não se especifica contudo o tombo qual dos dois casais tinha Gervaz Gaspar, dizendo apenas que trazem um destes casais, “partido à vara, e corda”, Domingos Gonçalves e sua mulher Maria Gonçalves, também moradores no lugar de Gasconha, em 1ª e 2ª vidas, com um foro anual de 6 alqueires de milho, 3 alqueires de centeio, 2,5 alqueires de trigo, 640 reais em dinheiro, e que Gervaz Gaspar traz o outro casal, sem especificar qual.
Não me parece difícil aceitar que se trata do mesmo Gervaz Gonçalves, não só pela invulgaridade do prenome Gervaz e pela singularidade de um Gervaz Gaspar justamente filho de um Gaspar Gonçalves, mas também porque ambos os prazos são no couto de Gasconha. A isto acrescem outras coincidências que adiante apontarei. Como Gervaz Gaspar, tendo em conta a cronologia dos filhos, casou cerca de 1575, o registo dos prazos dos casais do Outeiro e da Torre seria anterior a este ano, e o dos Moinhos das Gamboas posterior. Por outro lado, tendo em conta a falta de precisão na divisão dos casais do Outeiro e da Torre e a existência de apenas uma casa (e boa, para a época, uma vez que é descrita como um assento de casas sobradas e terreiras), tudo indicada que Gervaz Gaspar seria sobrinho ou de Domingos Gonçalves ou de sua mulher Maria Gonçalves, que com ele dividiam o prazo, e possivelmente viviam na mesma única casa, tendo em conta que ele era solteiro e é dado como morador em Gasconha. Aliás, também seu pai Gaspar Gonçalves é então dado como morador em Gasconha, devendo mesmo ser o Gaspar Gonçalves cujas terras (de raiz) confrontam com as deste prazo. Como ficou dito, em 1570 já Gaspar Gonçalves se documenta a viver com sua mulher em Moreira, na Gandra, pelo que este prazo deve afinal ser anterior a esta data, teria assim Gervaz Gaspar cerca de 19 anos quando seu pai, como se diz no Tombo, lhe fez o dote, em 3ª vida, desse seu prazo. Prazo que Gaspar Gonçalves recebera em dote de sua mãe Grácia Gonçalves, a qual o tivera em 1ª vida do cardeal infante D. Henrique. Ora, como este cardeal foi abade comendatário de Paço de Sousa entre 1535 e1538, só o pode ter recebido nestes anos.
Dá assim ideia de que Grácia Gonçalves era natural de Gasconha e seu marido, infelizmente não nomeado no prazo, talvez da Gandra. Tendo o casal propriedades nas duas freguesias e vivendo em ambas, que aliás distam apenas cerca de 7 km. Ora, no mesmo Tombo de Paço de Sousa, aparece na Gandra uma Grácia Gonçalves casada com Gaspar Manoel, aí moradores no lugar de Vilarinho, que aí tinham em 3ª vida o prazo da Eira Velha, que ele Gaspar Manoel tinha tido em dote por nomeação de seu pai Manoel Álvares, o qual, com sua mulher (não nomeada) o tinham recebido em 1ª e 2ª vidas de Isabel Caminha. Prazo que então pagava de foro anual a Paula da Fonseca (nora da antedita Isabel Caminha) 2,5 alqueires de trigo, 5 alqueires de centeio, 10 alqueires de milho, 1 galinha e 20 reais em dinheiro. Isabel Caminha foi casada com Jorge de Ozorio, irmão de D. Frei João Lopes de Ozorio, comendatário de Paço de Sousa desde 1484.
Do ponto de vista da cronologia, Gaspar Gonçalves de Moreira, nascido cerca de 1525, podia bem ser filho de Gaspar Manoel, nascido cerca de 1500, e de sua mulher Grácia Gonçalves, que teve o prazo em Gasconha entre 1535 e 1538, e neto paterno de Manoel Álvares, nascido cerca de 1475, que teve o prazo de uma cunhada de D. Frei João Lopes de Ozorio, comendatário de Paço de Sousa desde 1484.
Do ponto de vista onomástico, verifica-se a regular formação de patronímicos, salvo justamente na ligação não documentada, o que poderia prejudicar a proposta. Contudo, nesta sequência, Gaspar Gonçalves seria filho de Gaspar Manoel, não sendo aqui aceitável a formação de patronímico, que daria o nome inviável de Gaspar Gaspar. Nestes casos e nesta época, o que se verifica é, em geral, ou a repetição do patronímico do pai (daria Gaspar Manoel) ou o uso do apelido ou patronímico da mãe, o que neste caso dava justamente Gaspar Gonçalves.
A isto acresce que no mesmo Tombo de Paço de Sousa aparecem, com prazos na freguesia de Stª Maria Madalena de Aguiar de Sousa, um Gervaz Gaspar e um Domingos Gaspar, que parecem os dois filhos mais velhos de Gaspar Gonçalves e sua mulher Beatriz Duarte. Sendo que Gervaz Gaspar surge associado a um António Gonçalves e Domingos Gaspar a uma Maria Gonçalves, viúva, que bem parece a Maria Gonçalves casada com Domingos Gonçalves que ficou referida acima e que traziam um prazo a meias com Gervaz Gaspar. Com efeito, Garvaz Gaspar surge duas vezes como tendo terras sozinho e uma como tendo terras a meias com um António Gonçalves, tudo do mosteiro de Vilela, nas confrontações do Casal da Pena, em Stª Mª Madalena, emprazado pelo mosteiro de Paço de Sousa a António de S. Payo e sua mulher Maria de Beça. Domingos Gaspar, por vezes dito de Sequeiros, surge várias vezes sozinho como tendo terras dos mosteiros de Cete, de Bustelo e de Santo Tirso nas confrontações do Casal do Souto, emprazado por Paço de Sousa em 1ª e 2ª vidas a Francisco Peixoto e sua mulher Maria Paes, moradores na cidade do Porto, e do Casal do Picoto, emprazado pelo mesmo mosteiro, também em 1ªs e 2ªs vidas, metade a Garcia Gonçalves e sua mulher Isabel Fernandes, e a outra metade a André Gonçalves e sua mulher Maria Vieira. Nas confrontações de ambos estes casais surge algumas vezes Domingos Gaspar como dividindo as terras com a Maria Gonçalves, viúva, sendo que neste caso são sempre do mosteiro de Cete. A tudo isto acrece que nas confrontações do antedito Casal da Pena surge um Gervaz Gonçalves que aí trazia um prazo de Pantaleão de Freitas (certamente o Pantaleão de Freitas que em 1556 aparece numa sessão da Câmara do Porto como juiz da Alfândega). Dá assim ideia de que Gaspar Gonçalves também tinha em Stª Maria Madalena várioa prazos, nos quais sucederam os filhos mais velhos Gervaz Gaspar e Domingos Gaspar, ou por sua morte (1588) ou mais provavelmente por nomeação, ainda em vida do pai, como aconteceu com o de Gasconha. O que também explicava a razão por que estes dois filhos mais velhos, nomeadamente o primogénito, não sucederam nos bens paternos na Gândara/Gandra, que herdou o filho mais novo Miguel Moreira.
Aquele Gervaz Gonçalves, dada a onomástica, podia também ser irmão de Gaspar Gonçalves. E o António Gonçalves com quem Gervaz Gaspar dividia o prazo do mosteiro de Vilela, devendo ser irmão de Gaspar Gonçalves bem podia ser também o António Gonçalves, o Velho ou o Ruivo, falecido a 31.3.1609 em Stª Maria Madalena com cerca de 84 anos, casado com Helena da Silva, nascida cerca de 1530 e falecida no último domingo (sic) de Outubro de 1597, ib, aí senhores das quintas de Vilela, da Mó e do Moinho, que refiro nas minhas "Refleções sobre a origem dos Rocha, dos Aguiã, dos Calheiros e dos Jácome", 2011. E mesmo aqueles Garcia Gonçalves e André Gonçalves, que dividiam o Casal do Picoto, podiam também ser irmãos de Gaspar Gonçalves. Portanto, todos filhos de Gaspar Manoel, da Gandra, e sua mulher Grácia Gonçalves, herdada na Gasconha e na Madalena. Se bem que talvez seja mais provável que todos estes Gonçalves, sobrebretudo os que aparecem associados a Gervaz Gaspar e Domingos Gaspar (Maria Gonçalves/Domingos Gonçalves e António Gonçalves) sejam afinal ou irmãos ou sobrinhos de Grácia Gonçalves.
Como quer que seja, estou assim convencido de que os Moreira, de Aguiar de Sousa (hoje Paredes), que se espalharam por todos os concelhos da região, e que não descendem apenas de Gaspar Gonçalves de Moreira (pois outros surgem na Gandra na mesma cronologia que podem ser familiares colaterais mas não descendentes seus), descendem daquele Manuel Álvares, morador na Gandra, que teve de Isabel Caminha o prazo da Eira Velha. Tendo Moreira começado por ser um locativo, do lugar de Moreira, na Gandra, locativo esse usado por (ou dado a) Gaspar Gonçalves e que passou a apelido (sem partícula) pela 1ª vez em alguns dos seus filhos, na 2ª metade do séc. XVI.

45. Viviam na sua quinta de Rio de Moinhos a 12.9.1616, data em que seu filho o Cap. Domingos de Meirelles Freire fez escritura antenupcial para casar com sua 1ª mulher, Cecília de Abreu, filha de António Ribeiro e sua mulher Inez Pereira, já falecidos e moradores que foram em Stª Cruz de Riba Tâmega. Domingos Gaspar Moreira e sua mulher Águeda Freire de Meirelles tiveram vários filhos, a saber: Nuno de Meirelles Freire, que na vida religiosa se chamou Frei Mauro das Chagas e foi a abade do mosteiro de S. Bento da Victória, no Porto (1623); Maria Gaspar Freire que casou a 2.1.1595 em S. João de Covas com André Braz, c.g. conhecida; Pedro de Meirelles Freire, prior de S. Paio de Casais (pelo menos de 1608 a 1627); Beatriz de Meirelles, que casou a 9.11.1608, ib, com Diogo Velho, fal. a 23.11.1657, ib, que Gaio diz ter sido um casamento contra a vontade paterna, o que não parece, pois esta Beatriz teve em dote a quinta de Almedina, também c.g. conhecida; Gonçalo de Meirelles Freire, que fal. solteiro depois de 1618; e Ana Moreira, que casou a 12.8.1612, ib, com Gonçalo Barbosa, senhor da quinta da Aveleda, em Penafiel, prazo do mosteiro de Cête em que foi 3ª vida. Destes foram filhos, entre outros, o Padre Dr. Marcos de Meirelles Freire, nascido na dita quinta da Aveleda, abade de S. Mamede de Guisande (Feira) e comissário do Stº Ofº (29.5.1674), Bento de Meirelles Freire, abade de Beire, e o Dr. Gonçalo de Meirelles Freire, cavaleiro fidalgo da Casa Real, conselheiro da Fazenda (20.9.1686), lente em leis na UC, chanceler da corte e da Casa da Suplicação (10.4.1691), desembargador do Paço (9.4.1691), da Casa da Suplicação (22.12.1671) e da Relação do Porto (29.11.1666), que no seu testamento de 5.10.1692 instituiu o morgadio de Aveleda para seu sobrinho-neto António de Meirelles, filho de sua sobrinha D. Maria de Meirelles, e na falta deste ficaria para a dita D. Maria de Meireles e depois a sua filha D. Mariana de Meirelles Freire. Se acabasse toda a descendência de sua sobrinha D. Maria de Meirelles passaria a sucessão do morgado para a descendência do capitão Domingos de Meirelles Freire, primo do instituidor, morador na sua quinta de Rio de Moinhos, e acabando esta linhagem passaria o morgado à Santa Casa da Misericórdia de Arrifana de Sousa, para com o seu rendimento se formar um coro de clérigos que rezem o oficio divino como se reza e canta nas igrejas catedrais da Sé, nunca sendo menos de 12 clérigos. No seu testamento, refere ainda que, tendo sempre servido com muita lealdade a Sua Majestade, esperava que seu sobrinho Miguel Moreira da Silva fosse, por isso, remunerado. Para além disto, ainda deixou a D. Maria de Meirelles 2.000 cruzados. António de Meirelles faleceu solteiro em 1697, pelo que a 1ª morgada de Aveleda foi a dita D. Maria de Meirelles, fal. viúva a 13.8.1717 na quinta de Aveleda, a quem sucedeu a filha D. Mariana de Meirelles Freire, fal. viúva a 29.9.1724, ib, que casou em 1697 com Manuel Guedes da Fonseca e Carvalho, cavaleriro fidalgo da Casa Real, natural de Gradiz, que jaz na Misericórdia de Penafiel com o seguinte letreiro: "Aqui jaz Manuel Guedes, genro de Miguel Moreira, o qual Miguel Moreira era parente do fundador da mesma Misericórdia do Ab.e de Ermello Amaro Moreira que tinha duas sepulturas na dita Igreja". Na verdade, do abade Amaro Moreira eram sobrinhos-netos o Padre Dr. Marcos de Meirelles Freire e o Dr. Gonçalo de Meirelles Freire e sobrinha-bisneta D. Maria de Meirelles, mulher de Miguel Moreira da Silva, sendo este Miguel também sobrinho-bisneto do dito abade. De D. Mariana de Meirelles Freire e seu marido Manuel Guedes foi filho Gonçalo de Meirelles Guedes, 3º morgado da quinta da Aveleda, onde nasceu, cavaleiro fidalgo da Casa Real e familiar do Stº Ofº (19.11.1739), c.g. nesta quinta, hoje um símbolo do Vinho Verde.

46. Felgueiras Gaio (Moreiras, § 33, nº 6) chama-lhe D. Sebastiana Tereza de Moraes e o Nobiliário dos Moreira di-la Dona Sebastiana Tereza de Moraes Barreto, nomes com que também aparece nos paroquiais. Mas também surge, nos mais tardios, como D. Sebastiana de Meirelles.

47. Irmão de: 1) Doutor Frei Luiz de S. Bernardo, cónego de S. João Evangelista, lente de Artes e Moral no mosteiro de Stº Eloi de Lamego, mestre jubilado em Teologia no mosteiro de Vilar de Frades, reitor do mosteiro de Stº Eloi do Porto, presidente do Capítulo Geral e do mosteiro de S. Bento de Xabreagas e definidor da sua ordem, etc.; 2) Padre João da Rocha Teixeira, jesuíta que serviu em Roma; 3) Padre Bernardo de Meirelles Freire, jesuíta, visitador espiritual e temporal da Companhia de Jesus na comarca da Feira, abade de Stª Eulália de Constance (Penafiel), etc; 4) Frei António de Brito Freire, cónego de S. João Evangelista, reitor das igrejas de Celeiros (Vila Real) e de S. Cristóvão de Muro (hoje Trofa), que faleceu em casa de seu irmão, na quinta do Pinheiro de Dentro, a 18.3.1765, com 83 anos, sendo então reitor reservatário de S. Cristóvão do Muro e sepultado no mosteiro de Cête, no jazido da Casa do Pinheiro de Dentro, que ficava acima das grades, defronte do altar do Santo Lenho; 5) D. Isabel Dorothea Aranha c.c. o Dr. João de Souza Delgado, cavaleiro da Ordem de Cristo, vereador do Senado da Câmara do Porto, alferes do Castelo de S. João da Foz e tenente do Castelo de Leça da Palmeira, etc., primo de Manuel de Souza Delgado, 3º senhor da casa do Outeiro de Mouriz.

48. Vide Nobiliário dos Moreiras, manuscrito da Biblioteca de Penafiel.

49. Irmão de Águeda Antónia Teixeira casada a 29.10.1629 em Mouriz com o Cap. Santos Ferreira da Fonseca, referidos no nº III, ambos filho João Teixeira e sua mulher Catarina Gonçalves, senhora da casa do Bairro, em Mouriz, irmã do Padre Gaspar Gonçalves. João Teixeira era filho de Isabel Teixeira, senhora da dita casa do Bairro, em Mouriz, onde faleceu a 21.6.1610, e de seu marido Gonçalo Vaz Pinto, aí falecido viúvo a 21.3.1628, dizendo-se no óbito que deixou muitas dívidas e que seu filho João Teixeira ficou nomeado no casal do Bairro e lhe fez os bens de alma. O irmão mais velho de João Teixeira, chamado Gonçalo Vaz Pinto como o pai, faleceu antes deste a 9.10.1604, ib, sendo viúvo de Francisca Gonçalves, falecida a 8.4.1590, ib. A antedita Isabel Teixeira era filha de Diogo Teixeira, senhor da dita casa do Bairro, onde faleceu a 30.10.1591, deixando testamenteiro o genro. Julgo que este Diogo Teixeira era irmão de Henrique Teixeira, senhor da quinta do Paço, em Urrô, onde faleceu antes de 1596 (casado com Genebra Soares), do Padre Salvador Teixeira, que se documenta em Mouriz em 1595, e de Gonçalo Teixeira, que em 1606 era cura de Mouriz.

49a. Para a ascendência destes João da Rocha e António da Rocha ver o meu estudo "Reflexões sobre a origem dos Rocha, dos Aguiã, dos Calheiros e dos Jácome".

50. Irmã de Frei Ildefonso de S. Bernardo, que era abade de Arnoia em 1605, e de várias irmãs, a mais velha das quais, Beatriz Moreira, faleceu solteira no seu casal da Ponte a 23.12.1656, com cerca de 80 anos, deixando testamenteira sua sobrinha Clara Pinto, onde viveu com sua irmã Ângela Moreira, que casou a 2.9.1607, em Castelões de Cepeda, com Gaspar Pinto, vindo ela a fal. a 18.5.1655 e ele a 7.6.1656 no dito casal da Ponte. Eram ainda irmãs de Joana Moreira, que casou 15.10.1592, ib, com Adão Luiz, então morador no couto de Ferreira, mas que pelo menos desde 1599 viveu em Bitarães, onde foi capitão-mor e onde mais tarde herdaram a casa de Marnel do tio Dr. Amaro Moreira e ele faleceu a 4.11.1635. E ainda de Maria Gaspar Moreira, que casou cerca de 1598 com Pantalião Gaspar, que depois de casado viveu no casal da Ponte, em Castelões de Cepeda, até 1609, e depois passou a viver no casal da Mó, em Stª Mª Madalena. A 16.7.1590, ib, foi baptizada uma Gracia, filha de Maria, mulher solteira da Rama, que deu por pai de sua filha "Jervº Gaspar, casado, morador na Ponte". Nos paroquiais de Castelões de Cepeda tem uma nota que refere estar a respectiva matriz obrigada a uma missa anual por alma de Gervaz Gaspar, da Ponte, pelo foro de 100 reais nos Moinhos das Corvasseiras feito no Rio de Sousa de que são herdade, e outra por alma de sua mulher Isabel Pires, imposta nos mesmos Moinhos, no dote e meão que fez a sua filha Beatriz Moreira na nota de Roque Coelho.

51. É evidente que este se chamou como seu tio paterno e padrinho o Padre Bernardo de Meirelles Freire, nome porque, de resto, era vulgarmente conhecido. O curioso é que, embora sua avó materna fosse Meirelles Freire, o tio paterno que lhe deu o nome era de um ramo de Moreira sem qualquer ascendência Meirelles...

52. Nos assentos paroquiais aparece sobretudo Casa de Sermanha ou Sarmenha. Por exemplo, José António de Meirelles e sua mulher D. Joana Emília Pinto Brandão, e os pais dele José António Vidal e D. Maria Isabel de Menezes, como comumente são aí chamados, aparecem várias vezes referidos como moradores na sua "Caza de Sarmenha". E no seu óbito (1816), a mãe desta última vem referida como "Dona Clemencia Agueda Pereira da Fonsequa Viuva da Caza de Sarmenha desta freguesia de Santa Maria de Sediellos". No chamado Nobiliário dos Moreira, da Biblioteca de Penafiel (manuscrito iniciado em 1799 pelo Padre António José Moreira Lopes Ferraz, de Cête), diz-se em nota de aditamento que D. Maria Isabel de Menezes e Meirelles Barreto de Moraes (a quem chama D. Maria de Meirelles) e seu marido José António Vidal "hoje vivem alternativamente na Quinta do Pinheiro e na Quinta de Sedielos". Sermanha (grafia actual) é um lugar da freguesia de Stª Mª de Sedielos que tomou o nome do afluente do Douro, o rio Sermanha ou Sarmenha, que nasce nas faldas da serra do Marão. Em 1758 o rio Sermanha atravessava Sedielos, freguesia onde nascia, e dividia as freguesias de Moura Morte e Oliveira das de Cidadelhe e Vila Marim, indo desaguar no rio Douro. Sedielos é terra antiquíssima, que outrora albergou o castelo de Penaguião e foi centro da terra do mesmo nome. Apesar de pertencer hoje ao concelho de Peso da Régua, fica bem mais próxima de Mesão Frio, encravada nas faldas sul da serra do Marão. Em 1758 Sedielos pertencia à comarca e correição de Penaguião, estando a freguesia sujeita a três concelhos: Penaguião, Fontes e Moura Morta, este último de jurisdição real e da comenda da Ordem de Malta e os dois primeiros da donataria dos marqueses de Abrantes/duques de Fontes. A freguesia de Sedielos tinha então 412 vizinhos, num total de 1.429 pessoas. O abade era apresentado pelo mosteiro de Monchique, no Porto.Tinha várias quintas e muitas capelas, das quais dez eram particulares. As principais quintas eram as de Cimo de Vila, da Portela, das Asoreiras, da Servissaria (ou Serviçaria), de Matos, de Alderete, da Portelada, do Outeiro do Carvalho e de Sermanha.

53. Casou por procuração passada a Roque Monteiro de Almeida Carvalhais, sendo no assento erradamente chamado Bernardo de Meirelles Pereira, certamente por descuido ou má leitura que o padre fez da procuração. Foram testemunhas o Padre Rodrigo José de Figueiredo e Francisco Henrique Monteiro de Azevedo, cavaleiro da Ordem de Cristo e fidalgo da Casa Real.

55. Não se entende, portanto, donde aparece o nome Menezes. Talvez venha por osmose com uma senhora que aparece como prima de D. Sebastiana Luiza Angélica da Fonseca e Menezes, chamada D. Sebastiana Maria de Sottomayor e Menezes, que faleceu com 80 anos de idade a 28.7.1788, na quinta de Matos, em Sedielos, já viúva de Francisco Xavier de Ledesma e Vasconcellos, senhor da dita casa. Esta D. Sebastiana é dada como filha de Marcos Malheiro Pereira, fidalgo da Casa Real, morgado de Covas, etc., e de sua mulher D. Sebastiana de Menezes, filha esta de Rui Pereira de Sottomayor, fidalgo da Casa Real., senhor da Barbeita, e de sua mulher D. Maria de Menezes. Mas não se vê que ligação pode haver entre D. Sebastiana e sua alegada prima homónima. Quanto ao bisavô desta D. Sebastiana, João Pereira da Fonseca Ozorio, era filho de Manuel Pereira, crismado a 20.10.1592 em S. João de Lobrigos, e de sua mulher (casados a 4.4.1601 em S. João de Lobrigos) Leonor de Ozorio, crismada a 20.10.1592 em S. João de Lobrigos e fal. a 27.9.1607 em S. Miguel de Lobrigos; neto paterno de Paulo Pereira, fal. a 16.7.1605 em S. Miguel de Lobrigos, e de sua mulher Isabel de Banhos, fal. a 14.1.1588, ib; neto materno de Domingos da Fonseca, fal. a 10.6.1590, ib, e de sua mulher Ana de Ozorio, fal. a 19.11.1630, ib. Este Domingos da Fonseca era filho de João da Fonseca e sua mulher Isabel de Mansilha. Ana de Ozorio era filha de António de Ozorio, fal. antes de 1585, e de sua mulher Aldonça de Proença. fal. a 5.6.1607, em S. Pedro de Loureiro, sendo irmã de uma Ana Pinto aí fal. solteira a 27.2.1591. Catarina Guedes Alcoforado, que ficou acima como mulher de João Pereira da Fonseca Ozorio, era filha de Francisco Pinto, morador em Sermanha, onde fal. a 25.3.1644, e de sua mulher (casados a 8.1.1596, ib) Andreza Nunes, fal. a 13.8.1634, ib; e neta paterna de Francisco Pinto, n. cerca de 1530, e de sua mulher Catarina Guedes Alcoforado, que tudo indica era irmã de Gonçalo Vaz Guedes, n. cerca de 1530, senhor da quinta de Cimo de Vila, em Sedielos, onde fal. a 28.10.1596, com cerca de 66 anos de idade. Em 1758 a quinta de Cimo de Vila tinha capela particular, da invocação de Nª Sª das Candeias, sendo então de João Pacheco Pereira, juiz da alfândega do Porto e senhor da casa destes da rua de Belmonte nesta cidade, que tinha então a quinta de Cimo de Vila por sua mulher (a 1ª). Gonçalo Vaz Guedes tirou carta de armas para Guedes a 3.4.1563, vivendo então em Mesão Frio (o que pode ser uma designação genérica), onde diz apenas ser filho do licenciado Francisco Vaz Guedes. Sucedeu na quinta de Cima de Vila, em Sedielos, onde viveu e se documenta que faleceu. Eram portanto ambos filhos de Francisco Vaz Guedes n. cerca de 1502, licenciado, como se diz na carta de armas do filho, acrescentando que era pessoa nobre, de limpo sangue, e descendente por linha legítima da geração dos Guedes. Dizem as genealogias que Francisco Vaz Guedes era filho de Pedro Vaz Guedes, o que não parece nada, sendo certamente neto paterno do 1º morgado de Stª Comba de Lobrigos Gonçalo Vaz Guedes, meirinho da correição da comarca de Trás-os-Montes (25.6.1451), e de sua mulher Helena Rodrigues Alcoforado, com quem casou cerca de 1465, e certamente filho mais novo do sucessor Francisco Vaz Alcoforado ou Vaz Guedes. Gaio diz que Francisco Vaz Guedes foi senhor da quinta de Cima de Vila, na freguesia de Sedielos, que era anexa à apresentação das igrejas de S. Miguel e S. João de Lobrigos. Por uma referência paroquial relativa a seu neto Manuel, quinta da Torre seria o nome oiriginal da quinta de Cimo de Vila de Sedielos. Diz também Gaio que Francisco Vaz Guedes casou com Joana de Mello, filha de João Pinto de Almeida e sua mulher Francisca de Mello. Alão confunde (se bem que sem certeza, pois diz "que dizem") este Francisco Vaz Guedes com o Francisco seu pai, a quem dá a mulher que Gaio dá a este Francisco Vaz Guedes. E, na verdade, pode haver aqui um desdobramento, na medida em que a mulher do Francisco Vaz, pai, seria, segundo Gaio, Joana Pinto da Fonseca, e a mulher deste Francisco Vaz, filho, seria Joana de Melo, filha de João Pinto de Almeida. Mas também pode tratar-se de uma mera coincidência.

56. Deste deve ser filha natural uma Margarida Pereira de Meirelles, proprietária no lugar de Sermanha, onde fal. a 30.12.1886, com mais de 70 anos de idade, já viúva de Manuel Pinto Borges, referindo o óbito que se ignorava o nome de seus pais e terra de nascimento. Esta Margarida deixou pelo duas filhas, s.m.n.

57. Aparece normalmente nos registos paroquiais apenas ora como D. Maria Isabel de Menezes ora como D. Maria Isabel de Meirelles.

58. Casado com uma irmã da mãe da noiva, D. Clemência, e pai do Cap. Manuel Joaquim, referido na nota seguinte.

59. Irmão de D. Ana Clara Maria de Jesus Vidal da Cunha Reis, já então casada com o Cap. Manuel Joaquim Pereira Carneiro Borges, senhor da quinta de Stª Cruz, em Sedielos, c.g. Deve ter sido através desta sua irmã e cunhado (sobrinho de D. Clemência) que José António Vidal, como era normalmente chamado, conheceu a sua futura mulher.

60. O registo do óbito só diz que morreu de um tiro, sem mais explicar. Este facto pode no entanto estar relacionado com o nascimento, nos finais desse ano, de um António Joaquim Vidal, que morava junto à ponte de Sermanha quando fal. a 4.1.1876, com 72 anos de idade, deixando filhos e viúva Josefa de Mansilha.

61. Custódia Maria Álvares Coelho era filha de Custódio Nunes Coelho, senhor da quinta de Além, em Cête, onde faleceu com com 78 anos a 15.7.1765, que foi alferes da Ordenança de Cête e escrivão e tabelião do Público, Judicial e Notas do concelho de Aguiar de Sousa a 14.1.1749 (RGM, CJV, 38, 488v) e a 8.7.1766 renunciou o ofício em sua filha (RGM, CJoseI, 20, 143), e de sua mulher (c. a 10.2.1719, em Cête) D. Maria Álvares Teixeira (filha legitimada do Cap. Manuel Álvares de Souza, morador em S. Tiago de Carvalhosa, e de Margarida de Oliveira, moradora em Cête); neta de João Coelho Furtado, escrivão e tabelião do Público, Judicial e Notas do concelho de Aguiar de Sousa, bat. a 16.4.1651 em Mouriz, senhor da quinta do Coelho, em Cête, onde fal. viúvo a 3.1.1727 (o óbito diz que tinha 90 anos pouco mais ou menos, mas na verdade tinha 76 anos), e de sua mulher (casados a 25.11.1684 em Cête) Isabel Nunes (da Cunha); bisneta de João Furtado, nascido cerca 1614 em Mouriz e fal. em Cête depois de 1683 (irmão de Marta Furtado, referida na nota 61) e de sua mulher (casados a 22.1.1641, ib) Maria Coelho de Meirelles, bat. a 28.9.1614 em Cête e fal. a 2.11.1683 na quinta do Coelho, ib, sendo esta filha de Manuel Coelho, senhor da dita quinta do Coelho,onde nasceu cerca de 1586 e fal. depois de 1666, e de sua mulher Maria Coelho de Meirelles, nascida cerca de 1587 em Mouriz e fal. a 20.8.1666 na quinta do Coelho, filha esta de Roque Coelho, médico em Arrifana de Sousa (hoje Penafiel), que também viveu em Mouriz, e de sua mulher Maria Barbosa, como lhe chama Gaio, mas que não consegui documentar. Alão refere-se a esta como N... Barbosa, filha de António Barbosa, cidadão do Porto, enquanto Gaio a chama Maria Barbosa e a dá como filha de Pedro de Robles, morador em Mouriz e capitão da honra de Louredo (é certamente o Pedro de Robles Soares, de Louredo, que a 25.2.1602 foi padrinho em Sobrosa), e de sua mulher Jerónima Barbosa, irmã de Baltazar Barbosa, de Penafiel, ambos filhos de Jerónimo de Meirelles e de sua mulher Águeda Barbosa, que era neta materna de Gregório Barbosa, o tabelião (CJIII, 46, 122) e escrivão das sisas (CJIII, 38, 178v) de Penafiel, que foi escudeiro fidalgo da Casa Real e cavaleiro da Ordem de Cristo, e esteve no cerco de Azamor (1513), e de sua 2ª mulher Catarina Dias Cabral, os quais refiro com mais detalhe no meu Ensaio sobre a origem dos Correa. Alão, sem fazer a ligação, também diz que o antedito Baltazar Barbosa, de Penafiel, foi um dos filhos de Jerónimo de Meirelles e de Águeda Barbosa, a qual dá erradamente como neta paterna (e não materna) do dito Gregório Barbosa. Com a diferença de que Gaio diz que aquele Jerónimo de Meirelles foi fidalgo da Casa Real e capitão-mor de Arrifana de Sousa (hoje Penafiel), e Alão diz que foi cirurgião. Tinham ambos razão, pois no processo da Inquisição de Ângela Pedroso da Rocha testemunhou a 10.1.1625 Jerónimo de Meirelles Rebello, que se apresentou como familiar do Santo Ofício, médico em Arrifana de Sousa, onde era morador, cidadão da cidade do Porto e capitão de Sua Majestade, com 70 anos mais ou menos, processo onde também se documenta que era pai de Baltazar Barbosa, igualmente morador em Arrifana, em cujos paroquiais também se documenta quer como Baltazar Barbosa, filho de Jerónimo de Meirelles, quer como Baltazar Barbosa de Meirelles, quando em 1620 foi padrinho em Penafiel. Em 1639 foi aí testemunha como capitão Baltazar Barbosa de Meirelles. Pelo que é o capitão Baltazar Barbosa cuja mulher Maria Veira faleceu a 28.8.1653 em Penafiel. Jerónimo de Meirelles Rebello também se documenta no processo para familiar do Stº Ofº a 20.8.1622, era já viúvo de Águeda Barbosa. Contudo, tendo 70 anos em 1625, Jerónimo de Meirelles Rebello nasceu em 1555, não podendo, portanto, ser avô da mulher do Dr. Roque Coelho, a qual nasceu entre 1575 e 1580.
Tendo em conta que a descendência do Dr. Roque Coelho documentada usa o nome Meirelles, e que o dito Dr. Roque Coelho teve um filho chamado Jerónimo de Meirelles, médico, julgo que é de concluir, face ao exposto, que a mulher do Dr. Roque Coelho, chamando-se porventura Maria de Meirelles Barbosa, foi filha e não neta de Jerónimo de Meirelles Rebello e sua mulher Águeda Barbosa. Esta Maria de Meirelles Bardosa era portanto irmã e não filha da Jerónima Barbosa casada com Pedro de Robles Soares, de Louredo, fal. depois de 1602, bem assim como do Capitão Gaspar Barbosa de Meirelles. As filhas documentadas deste Roque Coelho e sua mulher (Maria de Meirelles Barbosa) usam os nomes Coelho e Meirelles. Mas as genealogias, nomeadamente Alão, dão-lhe filhas e filhos de nome Monteiro e Barreto, como por exemplo Maria Barreto, casada com o médico Gaspar Velho e pais de Gonçalo Velho Barreto, capitão da Honra de Louredo, que por sua vez casou (a 2ª vez) com Maria Barbosa (nome e casamento que documento), que Gaio diz filha do mesmo Roque Coelho. Segundo esta informação de Gaio, Gonçalo Velho Barreto teria assim casado com uma tia! Mas isto não é verdade e documento esse erro nomeadamente no baptismo a 17.9.1626 em Mouriz de Jerónima, filha de Manuel Rebello de Barros e sua mulher Beatriz Coelho (que se documenta bem como filha do Roque Coelho a que nos vimos referindo), em que foram padrinhos "sua prima" Maria Barreto e seu filho Gaspar Velho, moradores em Lousada. Portanto, se Maria Barreto era prima de Beatriz Coelho não era filha do médico Roque Coelho. Tendo em conta a cronologia dos filhos, Maria Barreto terá nascido cerca de 1590, sendo portanto um tanto mais nova do que as filhas do médico Dr. Roque Coelho. Na verdade, como se documenta no processo de Gonçalo Velho Barreto para familiar do Stº Ofº (28.9.1665), este era filho de Gaspar Velho e de sua mulher D. Maria Barreto (casados a 6.8.1619 em S. João de Covas), sendo esta filha de João Monteiro Barreto e de sua mulher Isabel Coelho, moradores em S. João de Covas. Esta Isabel Coelho, dita de Moiena, terá nascido cerca de 1567 e só podia ser irmã do tabelião Pedro Coelho, casado com Isabel Ferraz. Ou seja: os irmãos Pedro Coelho e Isabel Coelho casaram com os irmãos Isabel Ferraz e João Monteiro Barreto. Do que resulta que a antedita Maria Barreto era de facto prima-direita de Beatriz Coelho (mãe da baptizada Jerónima), pois eram ambas netas do tabelião Pedro Coelho e sua mulher Antónia de Miranda, que refiro adiante.
Os irmãos Pedro e Roque Coelho, documentam-se em Mouriz no óbito da mãe, Beatriz de Moura, a 17.11.1595, referida como viúva de Roque Coelho, a qual deixou a seus filhos Pedro Coelho e Roque Coelho que lhe fizessem os bens de alma. Pedro é nomeado em 1º lugar, pelo que seria o mais velho, e assim o diz Alão, que o chama Pedro Coelho de Souza e diz que foi cavaleiro da Ordem de Cristo e senhor de um morgadio em Mouriz. O pai, Roque Coelho, foi tabelião do Público, Judicial e Notas do concelho de Aguiar de Sousa e documenta-se como tal em Novembro de 1589 (quando foi padrinho em Cête de Santos Ferreira da Fonseca), pelo que faleceu entre esta data e Novembro de 1595, tendo já tido de D. João III alvará para servir neste cargo nos impedimentos de seu pai (CJIII, 66, 232v). Este Roque Coelho foi filho de outro Roque Coelho, nascido cerca de 1495, o mais antigo de que tenho notícia, que foi tabelião do Público, Judicial e Notas (CJIII, 57, 328) e escrivão das sisas (CJIII, 57, 333v) do concelho de Aguiar de Sousa. Consta nas Ementas da Casa Real (4, 111) como Roque Coelho, moço da câmara da Casa Real, que a 31.1.1587 teve o cargo de escrivão dos feitos das sisas do concelho de Aguiar de Sousa, assi e da maneira como foi Jorge Barbosa per cujo falecimento vagou. E
ste mais antigo Roque Coelho é que podia ser natural da quinta do Ribeiro, em Pombeiro (de Riba de Vizela ou da Beira?), como diz Gaio (Barbosas, §47), referindo-se erradamente a seu neto homónimo. O certo é que este Roque Coelho, antes de casar em terras de Sousa, foi sucessivamente medidor de Almeirim (CJIII, 26, 53v), tabelião de Cabeceiras de Basto (ib, 42, 15v) e tabelião de Lumiares (ib, 48, 57). Se associarmos o nome Beça do filho deste mais antigo Roque Coelho aos nomes dos anteriores tabeliães escrivães das sisas de Aguiar de Sousa, tendo ainda em conta que estes cargos há muito que andavam na mesma família, não podemos duvidar que este Roque Coelho casou com uma filha, porventura chamada Inez de Beça, de João de Beça, que em 1499, sendo escudeiro e morador na quinta da Lágea, no julgado de Penafiel de Sousa, teve mercê do ofício de tabelião de Aguiar de Sousa assim como foi João Afonso (trata-se de João Afonso Barbosa, dito o Barbosinho, nomeado para este cargo a 26.2.1445 e confirmado a 17.9.1484, como com mais detalhe refiro no meu Ensaio sobre a origem dos Correa), que o dito cargo tinha e renunciou através de um público instrumento assinado pelo próprio João Afonso a 22.4.1499 (CMI, 14, 29). A 1.4.1500 João de Beça, escudeiro e tabelião no julgado de Aguiar de Sousa, termo da cidade do Porto, foi nomeado escrivão dos órfãos do julgado de Penafiel, também do termo da cidade do Porto, com a condição de que para tal não seja preciso eleições e o consentimento da cidade do Porto (CMI, 12, 10). Quem era este João de Beça? O facto de viver na quinta da Lágea, como ficou documentado acima, já era uma boa pista para a sua filiação. Mas documentação mais concreta revela que era filho de Pedro de Leão, escudeiro, morador no julgado de Aguiar, que a 5.2.1504 teve mercê do ofício de juiz das sisas desse julgado, devido a renúncia de Jorge Anes, conforme instrumento feito no lugar da Lágea pelo tabelião Afonso Martins, tendo pago 200 reais de dízimo a Pedro da Mota (CMI, 23, 1v). Com efeito, a 29.9.1501 Luiz Gonçalves Maracote, bacharel em Leis e corregedor na comarca de Entre Douro e Minho, foi notificado da mercê, por "se assim é", feita a Jorge Anes, escudeiro morador na cidade do Porto, do ofício de escrivão dos órfãos de Aguiar, concelho de Penafiel, termo da dita cidade. Depois da morte de Pedro Anes de Husso, último detentor do ofício, D. João II, por sua carta, fizera mercê do mesmo a Afonso de Leão, filho do dito Pedro Anes, o qual o não quisera servir. Então, João de Beça, tabelião no julgado de Aguiar, citara a cidade do Porto por se empossar do lugar. A qual citação fora presente a ele, corregedor, que a remetera à corte, ao juiz dos feitos. E como o lugar, passado mais de um ano, estava vago, e se assim era que o ofício lhe pertencia, por mercê dos reis passados, e não era de eleição da câmara, e João de Beça não queria seguir seu direito, nem o podia servir por ser cunhado de Marcos Barbosa, tabelião nesse julgado, o que era contrário ao Regimento que proibia servissem dois irmãos ou cunhados de tabeliães ou escrivães no mesmo julgado, mandava que, sendo ele, corregedor, requerido de Jorge Anes, suplicante, fizesse citar os oficiais e procurador da cidade e partes, e procedesse no feito. (CMI, 1, 145v). Ora, Marcos Barbosa, como com mais detalhe refiro no citado Ensaio sobre a origem dos Correa, era casado com Inez de Leão, filha do antedito Pedro de Leão, e foi em 1496 tabelião do cível e crime no julgado da Lousada (CMI, 43, 19v) e tabelião (CMI, 34, 11 e 11v) e escrivão dos órfãos (CMI, 34, 11v) do julgado de Aguiar. Finalmente, a 23.2.1502 João de Beça, morador em Penafiel, foi nomeado escrivão dos órfãos do julgado de Aguiar de Sousa, substituindo no cargo Marcos Barbosa, destituído por erros cometidos e neste diploma declarados (CMI, 2, 11v). A isto acresce que Jorge Barbosa, a quem Roque Coelho sucedeu em 1587 como escrivão das sisas, era sobrinho do antedito Marcos Barbosa. Fica assim explicado, pela primeira vez, quer a origem do nome Beça usado pelos Coelho de Beça da quinta da Costa, em Mouriz, quer o cargo de tabelião e escrivão dos órfãos de Aguiar de Sousa que tiveram os Roques Coelho durante muitas gerações e seus descendentes, que mais tarde usaram os nomes Coelho Ferraz. Mas a explicação não fica por aqui e tem ainda muito que se lhe diga. Desde logo, tem a questão de saber como aparece o nome Beça num filho de Pedro de Leão. Na verdade, o nome Beça só aparece na geração do filho João de Beça e da antedita filha Inez de Leão, casada com Marcos Barbosa. Sendo que estes dois filhos, pela cronologia documentada (como vimos, Inez de Leão em 1500 já estava casada com Marcos Barbosa e seu irmão João de Beça foi tabelião em 1499), terão nascido entre 1475 e 1580. Ora, Pedro de Leão, que foi senhor da quinta do Beco, em S. Miguel de Rans (Penafiel), documenta-se casado com Beatriz da Fonseca, senhora da dita quinta da Lágea, em S. Martinho de Parada de Todeia (Paredes), prazo do mosteiro de Paço de Sousa, quinta onde passou a viver. Beatriz da Fonseca era filha de Álvaro da Fonseca, escudeiro do arcebispo de Braga, escrivão dos feitos do mar e dos reguengos do Porto (1481), falecido antes de 25.11.1513, data em que o foral de Aguiar de Sousa, no título de Parada de Todeia, refere a molher que foi d Alvaro dafonsequa pollo casal da Lagea, e de sua mulher Catarina Pires, dotada com o dito prazo; e neta paterna de Vasco da Fonseca, juiz dos órfãos de Lamego (1437 e 1447), e de sua 1ª mulher Catarina Gonçalves, como mais detalhadamente refiro no meu estudo sobre os Paiva Brandão, de Braga - uma descendência em Gondomar. Na ascendência de Beatriz da Fonseca não só não há Beça, como o seu casamento se terá realizado cerca de 1499, tendo ela nascido cerca de 1477. Era, portanto, mais ou menos da idade dos anteditos filhos de seu marido Pedro de Leão, e os filhos que dele teve, claramente bem mais tardios, usaram sobretudo o nome Fonseca e nunca o nome Beça. Para tanto, basta dizer que um dos filhos de Pedro de Leão e Beatriz da Fonseca, chamado Francisco da Fonseca, faleceu octogenário na quinta da Lágea a 21.5.1591, deixando testamenteiros seus sobrinhos. É portanto evidente que Pedro de Leão casou duas vezes, a 2ª com Beatriz da Fonseca, com quem se documenta casado em 1505, a 1ª vez com uma Beça, que bem se podia chamar Inez, nascida lá para 1455/60, muito provavelmente filha do João de Beça (nome do neto), fidalgo da Casa Real e criado de D. Afonso V, a quem este rei a 16.6.1450 doou uma tença de 7.143 reais de prata (CAV, 34, 111v), e descendente do João Afonso de Beça a quem D. Fernando I doou Alter do Chão e Vimieiro (CFºI, 1, 77) e Vila Formosa (ib, 1, 97v). Do casamento de Pedro de Leão com Beatriz da Fonseca nasceram, Salvador da Fonseca, o antedito Francisco da Fonseca e Beatriz de Leão, que sucedeu no prazo da quinta da Lágea e casou com Gaspar Barbosa, notário apostólico, sendo pais de António de Leão da Fonseca, sucessor na quinta da Lágea, onde faleceu a 23.3.1607, que por sua vez foi pai de Gaspar Barbosa de Leão (ou Gaspar de Leão Barbosa, como também se documenta), sucessor, falecido pouco depois de casar e pouco depois do pai, a 1.5.1607, ib, casado com Jerónima de Moraes, como refiro neste estudo no nº 5 (II). E de quem era filho Pedro de Leão? Como já ficou dito, na terra de Aguiar existiam pelo menos dois tabeliães, e dois juízes e escrivães das sisas e dos órfãos, andando uma parte destes cargos nos Barbosa. Na outra, como já ficou dito, tinha em 1501 direito ao cargo de tabelião um Afonso de Leão, filho de um Pedro Anes de Husso (sic). Com efeito, D. João II nomeou a 21.6.1487, Afonso de Leão, escudeiro, no cargo de tabelião de Aguiar, em sucessão a seu pai (CJII, 20, 84), bem com, a 3 do mês seguinte, escrivão das sisas de Aguiar (ib, 20, 178), dando-lhe finalmente a 12.1.1490 um padrão de 12.000 reais de tença (ib, 17, 13). Sendo que a 20.6.1482 tinha confirmado seu pai Pedro Anes como tabelião de Aguiar (ib, 6, 72). E existe ainda um Afonso de Leão mais antigo, escudeiro, vassalo de D. Afonso V, morador na cidade do Porto, que foi a 19.3.1466 nomeado por este rei para o cargo de tabelião do cível e crime nessa cidade, em substituição de Álvaro Gonçalves Fernandes, que morrera (CAV, 14, 40v). E a 2.9.1475 o mesmo rei nomeou Fernando Álvares, escudeiro de João Rodrigues de Sá, alcaide-mor da cidade do Porto, para o cargo de tabelião do cível e crime da dita cidade e seu termo, para além do número, assim como fora Afonso de Leão, que renunciara (CAV, 30, 46v e 47).
O primeiro Afonso de Leão, tabelião de Aguiar, que terá nascido cerca de 1452, pela cronologia, pelo estatuto e especificações, não pode deixar de ser o Afonso de Leão que as genealogias dão casado com Beatriz Coelho, de Tentúgal, filha de Estêvão Coelho e Maria Queimado. Esta era irmã de Vasco Queimado, tesoureiro e feitor da Casa da Índia e da Mina (1501-5, renomeado a 2.9.1517) e depois vedor da fazenda da Índia com 400.000 reais de ordenado anual (27.12.1519), que foi legitimado por carta real de 29.4.1473 e instrumento público de legitimação de 24.4.1473, a pedido de seu pai Vasco Queimado de Villalobos. De Maria Queimado não existe carta de legitimação e é possível que fosse mais velha do que o irmão, nascida lá para 1450, podendo sua filha Beatriz Coelho ter nascido cerca de 1465.
Parece evidente, tudo considerado, que este Afonso de Leão era o irmão mais velho de Pedro de Leão. Quando este Afonso de Leão não quis o lugar de escrivão dos órfãos de Aguiar em que estava nomeado, sucedeu-lhe o sobrinho João de Beça, como já ficou dito. Portanto, Pedro de Leão era filho do tal Pedro Anes de Husso, tabelião de Aguiar, que certamente casou com uma filha do tabelião do Porto Afonso de Leão. Com os propostos netos (maternos) nascidos cerca de 1452/3, este Afonso de Leão, tabelião do Porto em 1466, terá nascido cerca de 1410. É, assim, o Afonso de Leão que aparece na vereação da Câmara desta cidade na sessão de 4.7.1441. Tendo em conta o estatuto e a forma com expressamente é referido na documentação, este Afonso de Leão não se pode de modo algum confundir com os judeus de nome León/Leão que então viviam na judiaria desta cidade, e que deram origem a famílias cristãs-novas, nomeadamente a descendente do judeu/cristão-novo Marcos de Leão, que viveu no Porto na passagem do séc. XV para o XVI.
Esta reconstituição genealógica abre ainda uma pista para a filiação de Roque Coelho, o mais antigo. Na verdade, se sua mulher era sobrinha-neta (por afinidade) de Beatriz Coelho, não me admirava nada que Roque Coelho fosse descendente (neto ou bisneto) de Estêvão Coelho e Maria Queimado, moradores em Tentúgal, e que o Pombeiro que refere Gaio fosse o da Beira.
Acresce a isto que, como já vimos, Pedro de Leão foi a 5.2.1504 juiz das sisas de Aguiar de Souza, por renúncia de Jorge Anes. Este Jorge Anes fora nomeado a 5.10.1501, por renúncia de Diogo Vaz, este também tabelião no julgado de Aguiar (CMI, 1, 47v). Aparentemente este Jorge Anes passou a ocupar o cargo de juiz das sisas de Penafiel, pois a 15.11.1511 foi neste cargo nomeado Pedro Anes, escudeiro, morador em Arrifana de Sousa, substituindo Jorge Anes, morador em Santo Tirso de Riba d'Ave (ib, 8, 106 e 106v). Sendo que Pedro Anes também foi tabelião do público e judicial de Aguiar de Sousa, cargo a que renunciou a 24.1.1516, sendo nele nomeado a 4 de Fevereiro seguinte um João Anes, morador no mesmo concelho (ib, 25, 5v). E este nome, Pedro Anes, associado aos cargos, não pode deixar de remeter para o Pedro Anes (de Husso) que foi tabelião de Aguiar em 1482, pai de Afonso e Pedro de Leão. Não é de admirar que aqueles Pedro Anes e João Anes do início do séc. XVI também sejam filhos de Pedro Anes de Husso e irmãos de Afonso e Pedro de Leão.
Voltando a Roque Coelho I, tabelião do Público, Judicial e Notas do concelho de Aguiar de Sousa, e sua proposta mulher (Inez) de Beça, resta dizer que tiveram pelo menos dois filhos: Roque Coelho II e Jorge Coelho de Beça, 1º senhor da quinta da Costa, em Mouriz, casado com Guiomar de Souza. Deste Jorge e sua mulher foram filhos, nomeadamente, Violante de Souza, casada com Manuel Delgado de Macedo, c.g. nos Souza Delgado, nomeadamente os referidos neste estudo (vide também o meu estudo "Ferreira Pinto Brandão, de Paços de Ferreira, Cête e Mouriz - uma família de militares e padres"), e Sebastião Coelho de Beça, sucessor na quinta da Costa, que casou com Filipa Dourado e foram pais de Luiz Coelho de Beça, sucessor, referido adiante, e de Frei João Coelho de Beça, frade dominicano, bat. em Mouriz a 29.10.1587.
Roque Coelho II foi também tabelião do Público, Judicial e Notas do concelho de Aguiar de Sousa e casou com Beatriz de Moura, falecida viúva em Mouriz a 17.11.1595, como ficou dito. Destes foram filhos Pedro Coelho, tabelião do Público, Judicial e Notas do concelho de Aguiar de Sousa, casado com Antónia de Miranda; Roque Coelho III, médico, casado com Maria de Meirelles (pais, nomeadamente, de Maria Coelho de Meirelles casada com Manuel Coelho, com geração referida acima, geração esta que no séc. XVIII acabou por suceder no cargo de escrivão e tabelião do Público, Judicial e Notas do concelho de Aguiar de Sousa); e Jerónimo Coelho, casado em Vila Cova de Carros (freguesia limítrofe de Mouriz) com Margarida Gonçalves, de quem teve, nomeadamente, Gaspar Coelho, que foi casar a 24.3.1604 a Castelões de Cepeda (Paredes) com Maria Pedro, e aí foi o 1º senhor da casa de Paredes ou da Igreja. Deste Gaspar Coelho e sua mulher foram filhos Catarina Coelho casada com Manuel Simão, c.g. neste estudo, e Amaro Coelho, sucessor, que casou com Pantaleã da Silva, pais de Pantaleão Coelho da Silva, sucessor, familiar do Stº Ofº (HSO, Pantaleão, 1, 6), casado a 7.1.1674, ib, com Maria Vieira, pais, nomeadamente, de Jerónimo Coelho da Silva, capitão da Ordenança de Louredo, familiar do Stº Ofº, senhor da dita casa de Paredes (ou da Igreja), que casou com Catarina da Rocha Barbosa, da quinta da Vidigueira, em Besteiros, sendo pais, entre outros, de Caetano José Coelho da Silva Rocha de Barbosa, cavaleiro fidalgo da Casa Real (3.3.1745), cavaleiro da Ordem de Cristo, que a 2.12.1747 teve carta de armas para Coelho, Silva, Rocha e Barbosa, que colocou em pedra de armas na dita sua casa de Paredes ou da Igreja.
O Pedro Coelho que ficou acima, tabelião, casado com Antónia de Miranda, foi pai, nomeadamente, de Roque Coelho IV, tabelião do Público, Judicial e Notas do concelho de Aguiar de Sousa, falecido a 23.11.1628 em Mouriz, que casou com Jerónima Teixeira (bat. a 16.10.1567 em Refontoura e aí fal. a 13.6.1599), com geração feminina (avô materno e padrinho de Roque Coelho V, bat. a 12.4.1618 em Mouriz), e de Pedro Coelho, que casou com Isabel Ferraz, irmã de Maria Barreto casada com Francisco de Moraes Cogominho, como refiro no nº I deste estudo e ficou dito acima. Deste Pedro Coelho e sua mulher Isabel Ferraz foram filhos, nomeadamente, Roque Coelho Ferraz, Manuel Monteiro, fal. solteiro, e João Coelho Ferraz. Roque Coelho Ferraz foi tabelião do Público, Judicial e Notas do concelho de Aguiar de Sousa em sucessão ao tio e casou no Porto com D. Joana de Vasconcellos Pimentel, s.g. João Coelho Ferraz, o mais novo de todos os filhos, faleceu em 1660 "nas partes marítimas", como se diz no óbito que se lavrou em Mouriz, onde se acrescenta que faleceu não se sabe em que mês, mandando a mulher dizer um ofício de 15 padres. Casou com Ângela Damiana (Rebello?) e foi pai de João Coelho Ferraz e Maria Coelho Ferraz. João Coelho Ferraz sucedeu ao tio como tabelião do Público, Judicial e Notas do concelho de Aguiar de Sousa (RGM, CJV, 4, 396) e casou com sua parente D. Paula de Lemos, bat. a 7.11.1641 em Mouriz, filha de Luiz Coelho de Beça, senhor da quinta da Costa, ib, onde fal. a 24.11.1660, e de sua mulher D. Madalena de Lemos, fal. a 1.6.1660, ib. De João Coelho Ferraz e sua mulher D. Paula de Lemos foi filho sucessor Luiz Coelho de Lemos e Távora, tabelião do Público, Judicial e Notas do concelho de Aguiar de Sousa (22.6.1714). Maria Coelho Ferraz, irmã de João Coelho Ferraz, casou com seu parente Pedro Coelho, filho de Gonçalo Pedro e sua mulher (casados a 22.1.1651 em Mouriz) Anastácia Coelho, filha esta dos já referidos Manuel Coelho e sua mulher Maria Coelho de Meirelles (filha de Roque Coelho III). Maria Coelho Ferraz e seu marido foram pais de Manuel Coelho Ferraz, que vivia em Mouriz quando a 15.3.1709 teve carta de armas para Coelho, Ferraz e Rebello, armas estas que estão na pedra que ostenta a casa da Lama, em Paredes (Castelões de Cepeda), de que terá sido o 1º senhor. Deste Manuel Coelho Ferraz foi irmã Ana Maria Coelho Ferraz casada com Hipólito Barreto de Moraes e Andrade de Barbosa, sargento-mor da Ordenança de Aguiar de Sousa, referido no nº 1.1.5.4(V).

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Dr. António Rodrigues Moreira (1814-1878)

62. Embora ao longo das gerações a quinta de Vales tenha sido engrandecida por várias compras e novos prazos, o seu núcleo inicial data de 1574, conforme atesta inscrição em pedra na parte velha da casa, que foi renovada em 1771, conforme outra inscrição idêntica. E sabe-se que os trisavós deste Dr. António Rodrigues Moreira, que foram Simão Ferreira da Silva e sua mulher Águeda Rodrigues, nascidos no 3º quartel do séc. XVII, tinham em 2ª vida os prazos iniciais, foreiro ao mosteiro de Paço de Sousa, certamente já renovados nos pais de um deles.

63. Vide "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira", vol 29, pag.790.

64. Vide "Carvalhos de Basto", Vol. V, pag. 259 = CASA DA QUEBRADA, em Mouriz (Paredes). Estes Souza Machado são uma família originária do Marco de Canavezes, sendo o 1º que usou este nome composto Manuel de Souza Machado, nascido em 1734 em Stº Isidoro (Marco de Canavezes), filho de António de Souza e neto paterno de António Teixeira, de S. Lourenço do Douro, e de sua mulher Maria de Souza, de Salvador do Monte (Amarante). Manuel de Souza Machado, por sua mãe, Custódia Machado (1694-1748), era neto de João Machado (1661-1705), senhor do casal da Rueta, em Stº Isidoro (Marco), e de sua mulher Antónia de Souza. João Machado era filho ilegítimo de Manuel Machado (casado 1.5.1658, Stº Isidoro, com Isabel Ferreira), havido em Domingas, moça solteira. Este Manuel Machado, b. a 9.10.1639 em Stª Eulália de Constance (Marco), era filho Pedro Machado, senhor da casal de Fontelas, ib, onde faleceu com cerca de 89 anos a 16.10.1695, sendo sepultado na igreja, junto à pia baptismal da porta principal, sem testamento, tendo seu filho dado 600 réis de esmola e mandado fazer três ofícios de 18 padres, a 200 réis cada um, e de sua mulher (casados a 10.9.1634, ib) Maria Lourenço do Souto, b. a 2.4.1608 em Real (Amarante) e fal. a 12.2.1677 em Constance, sendo sepultada na igreja, com três ofícios de 21 padres, dando 1.500 réis de obrada. Pedro Machado nasceu cerca de 1606 (o seu baptismo não consta em Constance nem em Amarante) e, como consta no assento do seu casamento, era filho de Francisco Machado de Sampayo e de Isabel, moça solteira, sendo esta de Stª Eulália de Constance.
Este Francisco Machado de Sampayo é referido em Gaio (Magalhães, §129) e vivia na vila de Amarante, tendo nascido cerca de 1586, possivelmente em Felgueiras, pois o seu baptismo não aparece em Amarante, e viria a falecer com cerca de 86 anos a 7.7.1672, ib (S. Gonçalo). Além de Pedro Machado, teve em Juliana de Faria, moça solteira, outro filho natural, Francisco Machado, b. a 12.2.1629 ,ib, e casado a 29.7.1658, ib, com Joana de Sampayo. Francisco Machado de Sampayo casou depois, a 29.5.1632, ib, com sua parente Isabel de Magalhães, b. a 29.4.1595, ib, filha de Pedro de Magalhães e sua mulher Catarina Varegão, tendo deste matrimónio uma filha, D. Francisca de Magalhães, que casou a 21.12.1652, ib, com Lourenço Rodrigues de Carvalho, de Lamego. Como consta no assento do seu casamento, Francisco Machado de Sampayo era filho de Manuel Machado (de Magalhães), já falecido, e de sua mulher Francisca de Sampayo. Era portanto irmão de Gonçalo Machado, b. a 2.7.1589, ib, e fal. a 10.11.1632 em Telões, com óbito em Amarante, de António, b. a 5.11.1593, ib, e de várias irmãs, nascidas até 1597, ib. Manuel Machado (de Magalhães) fal. a 21.8.1599, ib, e sua viúva Francisca de Sampayo casou 2ª vez a 11.2.1602, ib, com Francisco de Magalhães, filho de Manuel de Magalhães e sua mulher (casados a 30.9.1561, ib) Filipa Coelho. Francisca de Sampayo, ainda viva em 1632, nasceu cerca de 1570 em Felgueiras, onde terá casado a 1ª vez cerca de 1588 (faltam os respectivos paroquiais). Era filha de Gonçalo de Freitas, tabelião de Felgueiras, senhor da quinta da Carreira, em Stª Mª de Padroso (Felgueiras), e das quintas do Paço, em S. Martinho de Silvares (Fafe), e da Quintã, em Sendim (Felgueiras), etc., e de sua mulher Leonor de Sampayo, ambos com ascendência conhecida.
Manuel Machado (de Magalhães) n. cerca de 1549 (os baptismos de S. Gonçalo começam em Novembro de 1549) e viveu na vila de Amarante. Gaio diz que sucedeu na quinta da Castanheira, em Telões (Amarante). Era irmão de Susana de Magalhães, freira em Guimarães, que foi reformadora do convento de Vila Real por ordem do arcebispo de Braga; de Antónia de Magalhães, também freira em Guimarães; do Dr. Cosme de Magalhães Machado, b. a 11.11.1550 em Amarante (S. Gonçalo) e fal. a 8.5.1594, ib, (casado a 28.8.1583, ib, com Catarina Peixoto, com filhos nascidos entre 1584 e 1592); de Branca de Magalhães, b. a 12.9.1557, ib; de Isabel Machado, b. a 29.5.1561, ib, e fal. a 13.8.1633, ib (casada a 1ª vez com Gaspar Pinto, fal. a 7.12.1586, ib, s.g., e a 2ª vez a 16.9.1595, ib, com Francisco Cerqueira, o Bigodes, fal. a 5.10.1645, ib, também s.g.); e de Luiza, b. a 1.9.1564, ib. Todos filhos de Luiz de Magalhães e sua mulher Catarina Cerqueira, senhora da quinta da Granja, em S. Veríssimo de Amarante, casados cerca de 1545. Luiz de Magalhães n. cerca de 1520 em Stª Senhorinha de Basto e fal. a 2.12.1582 em Amarante (S. Gonçalo). Aparece sempre nos paroquiais referido como Mestre Luiz de Magalhães, indicação de que era médico ou cirurgião, pelo que é certamente o homónimo que teve de D. João III carta de cirurgião (CJIII, 49, 95). Gaio diz que comprou a antedita quinta da Castanheira, em Telões, foi escudeiro fidalgo como o pai e viveu na vila de Amarante, onde a 21.4.1559 (data referida em Cerqueiras, §103, pois em Magalhães, §127, diz 2.3.1540, data esta inaceitável) justificou a sua ascendência pelos Magalhães até João de Magalhães, numa escritura feita pelo tabelião Francisco Cerqueira, que estava em casa do Dr. António José Cerqueira, médico em Amarante. Aí, segundo Gaio, João de Magalhães é dado por pai de sua avó Branca de Magalhães, o que é falso, pois esta Branca era irmã de João, o qual portanto era tio-avô deste Luiz. Dada a proximidade, não sei se é erro da justificação ou erro da leitura de Gaio. Falso também é o nome Machado que atribuiu ao avô João de S. Pedro, marido desta Branca de Magalhães. E resulta desta justificação, ou do entendimento genealógico que lhe está subjecente, o facto de alguns destes Magalhães, nomeadamente os descendente dele, começarem então a usar o nome Machado.
Luiz de Magalhães era irmão, entre outros, de João de Magalhães, escudeiro fidalgo e escrivão da Câmara de Braga (onde casou com Ana de Barros, c.g.), e de Braz de Magalhães, senhor da quinta de Sistelo, em Stª Senhorinha de Basto (onde casou com Maria de Faria, c.g.). Todos filhos de Afonso Pires Falcão, escudeiro, senhor da quinta de Barrifalcão, em Stª Senhorinha de Basto, e de sua 2ª mulher Susana de Magalhães, filha esta dos anteditos João de S. Pedro, escudeiro, tabelião do cível e crime do julgado de Lanhoso, etc., e de sua mulher Branca de Magalhães, legitimada por carta real de 23.4.1477 e perfilhada pelo pai em escritura pública de 17.9.1476, feita em Coimbra, sendo filha de Rui Pires de Magalhães, cónego da Sé de Coimbra e prior da Louzã, e de Maria Afonso, moça solteira (vide o meu "Ensaio sobre a origem dos Magalhães"). Branca de Magalhães era irmã inteira de João de Magalhães, legitimado por carta real de 24.8.1475, que foi juiz das sisas e seus feitos no julgado e freguesia de Armamar, Fontelo, Vila Seca e termo da freguesia de Tarouca, etc., sendo este João trisavô na varonia do Dr. António de Magalhães Cerqueira, que a 15.6.1606 teve carta de armas para Magalhães, Coelho, Cerqueira e Teixeira, c.g. nomeadamente nos condes de Alvellos e nos condes de Vilas-Boas, que usaram Magalhães e Menezes. Este último nome (Menezes) foi usado abusivamente, por osmose com os seus parentes os senhores de Ponte da Barca.
O antedito João de S. Pedro e sua mulher Branca de Magalhães documentam-se casados numa carta de perdão de D. João II de 8.6.1482, que ambos tiveram por terem agredido um alfaiate (CJII, 2, 121). João de S. Pedro, escudeiro, criado de Álvaro da Cunha, foi tabelião do cível e crime do julgado de Lanhoso e seu termo, por nomeação de D. João II, sendo reconduzido no cargo a 4.5.1496 por D. Manuel I (CMI, 40, 91), que no mesmo dia o nomeou também tabelião dos vizinhos concelhos de Ribeira de Soaz e S. João de Rei, por renúncia de um Fernando Afonso (ib. 40, 102). 15 dias depois foi também nomeado por este rei escrivão da coudelaria de Lanhoso e seu termo (ib, 29, 18). A 24.11 e 14.12.1501 o mesmo rei perdoou a justiça régia a Gonçalo Martins do Rio, meirinho de Lanhoso, e Braz de Castilhes, lavrador, aí morador, por terem deixado fugir um preso que roubara a João de S. Pedro, escudeiro e tabelião desse julgado, de uma sua casa de cozinha, um vestido de sua mulher e outro seu, pratéis e pichéis de estanho e outras coisas que poderiam valer 5 ou 6.000 reais, depois de obterem do dito João de S. Pedro públicos instrumentos de perdão feitos a 22.11 e 28.10.1501, e terem pago 1.500 e 1.000 reais para a piedade, respectivamente (ib, 37, 18v; e 46, 99). A 1.2.1505 João de S. Pedro, escudeiro, tabelião no julgado de Lanhoso, teve ainda mercê do ofício de tabelião do concelho do Couto de Parada de Boi, assim como até então servira João Fernandes, que falecera (ib, 23, 53). Os descendentes dizem que este João de S. Pedro era filho bastardo de Pedro Machado, senhor de juro e herdade de Entre-Homem-e-Cávado, o que não tem fundamento. Na verdade, alegam isso dizendo que a viúva de Pedro Machado, D. Inez de Góis, senhora de juro e herdade da Louzã, tinha doado uns bens a João de S. Pedro, argumentado que essa doação fora por o dito João ser filho natural e criado de Pedro Machado. A verdade, porém, como já ficou referido, é que João de S. Pedro se documenta criado de Álvaro da Cunha, senhor de juro e herdade de Tábua, que foi justamente o 2º marido de D. Inez de Góis. Alguma doação que esta possa ter feito a João de S. Pedro (não encontrei nenhuma), terá portanto a ver com o facto de este ser criado do seu (2º) marido. E se João de S. Pedo era criado (da criação) de Álvaro da Cunha não o podia ter sido de Pedro Machado, e muito menos seu filho. De quem era filho João de S. Pedro, escudeiro, não se sabe. Para já, encontrei dois candidatos para pai de João de S. Pedro. Um é o João de São Pedro que foi juiz ordinário (portanto vereador mais velho) de Braga, e que já documento a 1.6.1442, quando D. Afonso V perdoou a justiça régia a João de Souza, escudeiro, morador na cidade de Braga, acusado de roubar uma besta ao prior do Souto do arcebispado de Braga, e outra a João de São Pedro, morador na dita cidade, na sequência do perdão geral outorgado para o povoamento de alguns lugares do reino. Contudo, inclino-me mais para a hipótese de João de São Pedro ser filho do Martim de São Pedro, morador nas terras de Bouro, a quem a 7.4.1476 D. Afonso V perdoou a justiça régia pela fuga da prisão e por ter ajudado à fuga de outros presos, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram em Castela. Este Martim de S. Pedro está também na cronologia certa, além de estar na geografia certa. Esteve portanto com D. Afonso V nas guerras pela coroa de Castela, embora não na batalha de Toro (1.3.1476), pois a cronologia dificilmente o permite. Estas prisões e fugas eram muito comuns, em geral relacionadas com mortes em duelos e rixas, e em nada prejudicam o estatuto de Martim de São Pedro, que seria idêntico ao de João de São Pedro.
Como quer que seja, a verdade é que os Magalhães Machado de Amarante não tinham ascendência Machado, nome que passaram a usar abusivamente. Pelo que os Souza Machado aqui referidos, que deles descendem, não têm também ascendência Machado.

.Francisco José de Souza Machado (1765-1847) D. Tomásia Maria Ozorio da Fonseca Coutinho (1793-1880)

.João José de Souza Machado (1821-1895) D. Francisca Augusta Pinto Vieira Peixoto (1823-1875) e seu filho António José de Souza Machado António José de Souza Machado (1862-1937).

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.D. Maria José Geraldes de Vasconcellos e Araújo Carneiro Pinto (1898-1999)

65. Vide "Descendências e Origens", por Luiz Bernardo de Vasconcellos Carneiro Pinto, publicadas nesta revista (Raízes e Memórias), "Casas da Roupeira e das Quartas, em Stª Leocádia de Baião. Ascendências e alianças", a publicar pelo autor.

66. Destes foi filha, entre outras, D. Maria Camila D. Maria Camila de Souza Machado (1928-2009)de Vasconcellos Carneiro Pinto de Souza Machado (1928-2009), na foto, senhora da casa das Quartas, casada com Manuel Mendes Correa Teixeira de Vasconcellos de Portocarrero (1926-2005), pais da Drª D. Maria José de Souza Machado de Portocarrero casada com o autor deste trabalho. Vide "Anuário da Nobreza de Portugal" II, Tomo III = CORRÊA PACHECO DE PORTOCARRERO; "Carvalhos de Basto", Vol. 5, pag. 259; "Portocarreros do Palácio da Bandeirinha", Porto 1997, obra do autor, etc.

67. Vide "Carvalhos de Basto", Vol. 5, pag. 267.

68. Vide "Carvalhos de Basto", Vol. 5, pag. 265.

69. Vide "Carvalhos de Basto", Vol. 5, pag. 260.

70. Filha de Roldão Américo Soares Ferreira e sua mulher D. Maria Eugénia Figueira César. Vide "Famílias da Madeira e Porto Santo", Fasc. 1 = Abreus Acciaiuolis, 1964, de Cónego Fernando de Meneses Vaz, Ernesto Gonçalves e Luiz Peter Clode.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagem : José António de Meirelles Vidal Barreto de Moraes (1800-a.1864) - medalhão existente na Casa da Quebrada.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagem : D. Margarida Máxima de Meirelles Vidal Pinto Brandão (1831-1897).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagens : Padre Dr. Bernardo Pinto Brandão (1855-1922).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagem : Tenente-coronel Dr. Agostinho Pinto Brandão (1859-1934).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagens : D. Margarida Adelaide Rodrigues de Meirelles Pinto Brandão (1864-1952) - à esquerda; e à direita, sua irmã D. Sofia Adelaide Pinto Brandão (1872-1954).

 

 

 

 

 

 

 

Imagem : Dr. João de Souza Machado (1893-1981).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagem : Dr. Francisco Pinto Brandão (1869-1939).

 
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