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 Manuel Abranches de Soveral

 

 

 

Ensaio sobre a origem dos Magalhães

Escudo de armas dos Magalhães (infografia de Manuel Abranches de Soveral)

Escudo de armas dos Magalhães (infografia do autor)

 

Origens - Tenho Rui Fernandes de Magalhães como o mais antigo tronco desta linhagem e talvez o 1º a usar este nome, muito embora a família seja mais antiga. Terá sido senhor da honra da quintã da Torre de S. Martinho de Magalhães (hoje a freguesia de Paço Vedro de Magalhães, no concelho de Ponte da Barca) e do couto de Fontarcada (Póvoa de Lanhoso). Documenta-se nas Inquirições de 1288, no julgado de Froião: "Item na herdade que chamam do Paaço hu see Martim Testa mora hi Martim Testa e soyam ende dar voz e coomha e criaron hi filho de Ruy Fernandiz de Magalhaes e non dan ne' migalha al Rey e fazen ende onra nova". As mesmas Inquirições dizem sobre a freguesia de S. Martinho de Magalhães, no julgado da Nóbrega, que "a quintaa da Tore (sic) e que foy de Paay Fernandiz e a que chamha (sic) do Penedo é provado que as viran onrras des que s'acoordan as testemunhas e d'ouvyda de longo tempo", declarando a sentença que "seian onrradas porque son de filhos d'algo e enquanto foren de filhos d'algo". Sobre o couto de Fonte Arcada aquelas Inquirições não dizem nada.

O conde D. Pedro não trata os Magalhães, o que dificulta a informação genealógica sobre a sua origem. E o primeiro que os tratou, o "Livro de Linhagens do Século XVI", só começa a família com João de Magalhães, 1º senhor da Barca. D. António de Lima Pereira, ainda neste século, começa a linhagem em Afonso Rodrigues de Magalhães. E Afonso de Torres, no século seguinte, acrescenta que este Afonso Rodrigues "dizem ser filho de hum Bolonhez Creado do Conde de Bolonha D. Affonso 3º do nome e Rey de Portugal; dizem que cazou com D. Sancha de Novais filha de Affonso de Novais". No que toca ao pai de Afonso Rodrigues de Magalhães, é evidente que não era bolonhês, embora pudesse ter sido de facto criado do infante D. Afonso e tê-lo acompanhado a Bolonha. Na verdade, tendo em conta que Afonso Rodrigues de Magalhães se documenta bem, como digo adiante, tendo ainda filhos a criar em 1288, tudo indica, nomeadamente o patronímico, que seja filho deste Rui Fernandes de Magalhães, podendo mesmo ser o tal filho que foi criado na herdade do Paço, no julgado de Froião.

O transcrito texto da inquirição não permite concluir se Rui Fernandes de Magalhães ainda era vivo em 1288. Mas se de facto foi criado de D. Afonso III (1210-1279), poderia ter nascido cerca de 1220, acompanhado o infante a Bolonha e regressado com ele a Portugal no final de 1245, com 25 anos. Neste caso, não seria certamente o irmão mais velho. O primogénito, e senhor da honra e torre de Magalhães, foi portanto o antedito Paio Fernandes, tanto quanto se entende dito "do Penedo", que em 1288 se documenta já falecido e ter sido senhor da quintã da Torre em S. Martinho de Magalhães, honra antiga como declaram as testemunhas. Por morte de Paio Fernandes, sem geração, sucedeu o irmão Rui Fernandes, que por isso adoptou o nome "de Magalhães". Portanto, Paio Fernandes "do Penedo" e Rui Fernandes de Magalhães seriam filhos de um Fernão, como indica o patronímico, já senhor da honra e torre de Magalhães, que lhe vinha de seus avoengos, bem assim como senhor de uma casa e honra em S. Tiago de Francelos (Prado), como direi adiante, que também já herdara. Quem era este virtual Fernão, casado cerca de 1218? Sem mais informação concreta, que tanto quanto julgo saber não consta nas anteriores inquirições, resta deduzir alguma coisa de dois factos relevantes: por um lado, o estatuto de fidalgo de Rui Fernandes de Magalhães e seu proposto irmão Paio Fernandes "do Penedo", herdeiros de pelo menos as ditas duas honras; por outro lado, a circunstância de o conde D. Pedro não ter tratado a sua linhagem.

Filho natural de D. Dinis, o conde D. Pedro nasceu cerca de 1285 e faleceu em 1354, pelo que foi contemporâneo de Afonso Rodrigues de Magalhães e seus filhos. Se Rui Fernandes de Magalhães foi o 1º a usar este nome, como parece, a linhagem, como tal, era recente, mas isso não impediu o conde de tratar outros casos nestas circunstâncias. Pelo que podemos supor que seria baixo o estatuto varonil daquele Fernão, porventura mesmo de cavaleiro-vilão, razão suficiente para o conde D. Pedro os excluir. Tal como fez, por exemplo, com os Almeida, descendentes por varonia de um cavaleiro-vilão, ligado por casamento aos Mello (vide o meu "Ensaio sobre a origem dos Almeida"). Na verdade, o conde D. Pedro não trata os Almeida, referindo apenas D. Fernão Fernandes de Almeida (bisneto por varonia do cavaleiro-vilão D. Fernão Canelas) pelos seus dois casamentos em linhagens que trata.

Mas, assim sendo, isso obrigava a que aquele virtual Fernão da origem Magalhães tivesse casado numa das principais linhagens da região ou fosse filho de uma fidalga nessas circunstâncias, de quem os filhos tivessem herdado as honras e o estatuto, como justamente aconteceu com os Almeida. O que ainda é mais difícil de determinar. Contudo, sabemos que os Magalhães tinham a honra e quintã da torre de Paço Vedro de Magalhães e que em 1288 essa quintã e honra tinha sido de Paio Fernandes, que a tinha de seus antepassados. Ora, a isto podemos acrescentar que nas Inquirições de 1220 na freguesia de S. Martinho de Paço Vedro, como então é referida, ainda sem a denominação de Magalhães, se verifica que apenas um fidalgo aí tinha uma honra. Trata-se de Ourigo Ourigues, o prócer da Nóbrega, que sobre o dito paço vedro (velho) construiu o castelo da Nóbrega no reinado de D. Afonso Henriques. Não podem portanto restar muitas dúvidas de que a quintã da Torre em S. Martinho de Magalhães referida em 1288 é o castelo (torre) da Nóbrega referido em 1220 em S. Martinho de Paço Vedro. Muito embora não se possa excluir liminarmente a hipótese de uma venda, a referência nas Inquirições de 1288 de que Paio Fernandes tinha tido a quintã da Torre de sua avoenga obriga a concluir que descendia de Ourigo Ouriques (nascido entre 1130 e 1140), sendo o mais provável que a tivesse por herança de sua mãe, nascida entre 1190 e 1200, que podia ser uma desconhecida filha tardia daquele Ourigo Ourigues, mas mais provavelmente era sua neta, filha do filho Ourigo Ourigues II.

Com efeito, julgo que era a Elvira Ourigues que nas Inquirições de 1220 se documenta que tinha bens em Paço Vedro. Esta Elvira Ourigues, que o conde D. Pedro não assinala, podia de facto ser a filha de Ourigo Ourigues II que, com sua irmã Urraca Ourigues, se documenta nas Inquirições de 1258 como tendo sido criados na freguesia de Grovelas, julgado da Nóbrega. Podia assim ter nascido cerca de 1200 e casado cerca de 1218 com um Fernão, de uma família que o dito conde não trata, deixando assim os Magalhães de fora do seu nobiliário. Por que razão? A mais provável, como já deixei dito, é que este Fernão fosse filho ou neto paterno de um cavaleiro-vilão. Contudo, ele próprio não seria já cavaleiro-vilão. Tendo em conta a heráldica dos Magalhães e a sua similitude com a dos Sottomayor, há uma hipótese que se me afigura possível. Paio Mendez Sored casou com D. Elvira Godins e foram pais de Mem Paez, 1º senhor de Sottomayor, nascido entre 1190 e 1200. Desconhece-se a ascendência de Paio Mendez Sored, certamente um cavaleiro menor. Mas D. Elvira Godins era, segundo as melhores opiniões, filha D. Godinho Fafes de Lanhoso. Poderia aquele virtual Fernão, quiçá "do Penedo", putativo marido de Elvira Ourigues, ser também neto materno de D. Godinho Fafes de Lanhoso? Nesta hipótese, quer os Sottomayor quer os Magalhães usariam variantes das desconhecidas armas da antiga e poderosa linhagem dos senhores de Lanhoso. Tal como os Almeida usam uma variante das armas dos Mello.

Deduz-se também que Paio Fernandes "do Penedo" não terá deixado geração, pelo que lhe sucedeu o proposto irmão. Tendo em conta a cronologia do que se conhece, Rui Fernandes de Magalhães, que assim foi necessariamente o 1º deste nome, pode bem ter casado cerca de 1249 (portanto poucos anos depois de D. Afonso III ter regressado a Portugal), com cerca de 29 anos. Aliás, sendo neto materno de Ourigo Ourigues II, este Rui Fernandes de Magalhães era sobrinho-neto de Pedro Ourigues, que foi camareiro e íntimo companheiro do infante D. Afonso (futuro Afonso III), que acompanhou a Bolonha. E assim se pode entender melhor que o jovem Rui Fernandes possa ter sido criado do dito infante e o tenha também acompanhado a Bolonha. Embora as primeiras genealogias apenas refiram Afonso Rodrigues de Magalhães como o mais antigo que conheciam desta linhagem, é certo que seu proposto pai Rui Fernandes de Magalhães teve mais filhos, pois na freguesia de S. Tiago de Francelos, julgado do Prado, diz-se que "a casa d'Affonso Rodriguiz de Magalhães e de seus irmãos é provado que a viron onrrada quanto é o corpo da casa des que se acordam as testemunhas e dizem que foy de seus avoos", determinando a sentença que "seja onrrada porque é de filhos d'algo e enquanto for de fidalgos". Sendo um desses irmãos certamente o Fernão Rodrigues de Magalhães que nas ditas Inquirições se diz que foi criado no casal que chamam a Deveza, na freguesia de S. Pedro do Arcos, julgado de Valdevez.

Terá Rui Fernandes de Magalhães casado com Sancha Novais, como sugere Afonso de Torres? Na verdade, a 21.8.1303 D. Dinis confirmou a Afonso Novais, Paio de Meira e Afonso Rodrigues de Magalhães, como tutor de Rui Novais, a doação de 12 casais e uma quintã em Refoios, Bural, Padronelo, Castrelo, Azevedo, Baraçal e Torres a Frei Martim Novais e Beatriz Afonso (seus tios), bens esses que o pai deles recebera por casamento. Eis o texto (CDI, 3, 54):

"In Dei Nomine Amen. Sabham quantos esta carta virem que nos Affonso Novaaes e Paay de Meira e Affonso Rodriguiz de Magalhãaes tutor de Ruy Novaaes e ele presente e outorgante. Damos e outorgamos a vos frei Martim Novaaes e a vos Beatrix Affonso todos aqueles herdamentos e jur e possissões que nos avemos en’o Baraçal e en Torres e en termho de Torres e en Reffoyos e en Bural e en Padornelo e en Crastello e en Azevedo por entrega dos doze casaaes e hua quintãa que nosso padre ouve en casamento. E mandamos e outorgamos que vos e toda vossa voz façades de todo que quer que vossa voontade seja desto dia en deante assi como de vossa propria possissom. E todo o jur e o senhoryo que nos avemos en estes herdamentos e possissões tambem de fecto como de dereito tolhemo-lo de nos e de nosso poder e trasmudamo-lo a vosso jur e a vosso poder. E eu frei Martim Novaaes e Martim Dominguiz procurador de Beatriz Affonso estas cousas sobredictas recebemos por entrega do que é sobredicto. E nos as partes outorgamos a non virem en contrario contra esto per nos nem per outrem en juizo nem fora de juizo e se contra eles veermos que nos nom valha. E que esto nom venha en dulta nos as partes mandamos a Stevam Reymondo Tabaliom de Valença que fezesse en duas cartas partidas per A.B.C. tal hua como a outra feita a carta en Valença XXI dia d’Agosto Era Mª CCCª e quareenta e huum ano. Os que presentes forom Stevam Rodriguez d’Antas, Fernam Rodriguez seu irmãao cavaleiros, JohamDurãaez Tabaliom, Pero Airas, Pero Fernandiz de Lixboa Martim Stevez scudeiros, Francisco Perez amo da Inffante e outros. E eu Stevam Reymondo tabaliom pubrico jur de Valença a esto presente esta carta partida per A.B.C. com mha mãao escrevi e en ela pugi meu sinal que tal he."

Ora, Afonso Novais, Paio de Meira e Rui Novais são irmãos, todos filhos de Rui Novaes, senhor da honra de Stª Eulália de Gondar e dos coutos de S. João do Campo, S. Fins de Moreira, Parada, Guimarei e Magoeiro. E este Rui Novais seria irmão da Sancha Novais que teria casado com Rui Fernandes de Magalhães, ambos filhos de Afonso Novais, senhor da honra de Stª Eulália de Gondar, e de sua mulher D. Tereza Rodrigues de Meira, que se documenta viúva e certamente de avançada idade nas Inquirições de 1288. Embora o conde D. Pedro só dê a este casal, além do filho Rui, os filhos Pedro e Martim Novais e a filha Beatriz (ou Gontinha), freira em Burgos, portanto nenhuma Sancha, aquele documento de 1303 aponta para que, de facto, Afonso Rodrigues de Magalhães fosse filho de uma Novais, irmã de Rui Novais, já falecido em 1303, deixando dois filhos maiores e um menor, também Rui, de que era tutor o primo-direito Afonso Rodrigues de Magalhães.

Sobre Afonso Novais diz o conde D. Pedro que casou duas vezes sem geração. Este Afonso Novais já aparece nas Inquirições de 1288, nomeadamente quando é tomado por filho por uma Urraca Peres, moradora na freguesia de S. Pedro de Mangoeiro (Gondarém), julgado de Caminha e Cerveira, para honrar a sua herdade. D. Paio de Meira, como depois aparece, foi senhor de juro e herdade de Entre-Homem-e-Cávado e de Jales e Alfarela e meirinho-mor de Entre-Douro-e-Minho e das terras da infanta D. Branca. Dele existe um selo com as suas armas num documento de 25.4.1331, onde D. Pedro Fernandes de Castro comprou ao rei a alcaidaria-mor de Coimbra, da qual D. Paio tomou posse em nome do comprador. Casou com D. Leonor Rodrigues de Vasconcellos, com geração conhecida. O Rui Novais casou com D. Maria Peres Cerveira, também com geração. Diz o conde D. Pedro que eram todos filhos de Rui Novais e sua mulher D. Maria Fernandes Turrechão (ou Churrichão). Mas, tendo em conta a cronologia de D. Paio de Meira, que dificilmente nasceu depois de 1270, e do irmão Afonso Novais, que nasceu antes, bem como a informação que se colhe nas Inquirições de 1288, o filho mais novo, Rui Novais, menor em 1303, devia ser filho de um desconhecido 2º casamento de Rui Novais, portanto meio-irmão de Afonso e Paio.

Nas Inquirições de 1288, no julgado de Caminha e Cerveira, diz-se que "Domingas Fernandiz que mora en Ponte vendeu hua herdade a donna Maria molher que foy de Ruy Novães", esclarecendo-se adiante que esta venda foi feita no "tenpo de Rey don Sancho tyo deste Rey". O texto diz que esta compra foi feita por D. Maria mulher de Rui Novais e depois passou a Afonso Novais, portanto o filho. Mas a identificação de D. Maria como mulher que fora de Rui Novais, não quer dizer que a compra tenha sido feita quando já estava casada, sendo mais provável, uma vez que esta se realizou no reinado de D. Sancho II (1223-1248), que ainda fosse solteira, o que inclusive justificava que o filho tivesse herdado esse bem, ainda em vida do pai. Nesta interpretação, D. Maria Fernandes tinha pelo menos 10 anos antes de 1247/8, sendo certo que já tinha falecido em 1288. Mesmo assim, não é aceitável que uma mulher nascida o mais tardar em 1237 pudesse ter um filho menor em 1303. Melhor se entende, portanto, que Rui Novais, viúvo de D. Maria antes de 1288, tenha voltado a casar, e deste 2º matrimónio tenha tido o filho homónimo, menor em 1303. O facto de este Rui Novais II ter como tutor Afonso Rodrigues de Magalhães, apesar de ter vários irmãos (meios-irmãos) mais velhos, parece fundamentar a filiação deste Afonso em Sancha Novais, como diz Torres.

Sancha Novais, proposta mulher de Rui Fernandes de Magalhães, pode, nesta conjuntura, ter nascido cerca de 1234 e casado cerca de 1249, com 15 anos, cronologia que assenta bem numa irmã de Rui Novais e filha de Afonso Novais. Pode até ser a filha de Afonso Novais que foi criada na vila de Stª Mª de Paredes (de Coura), julgado de Fraião, como consta nas Inquirições de 1288, embora esta também possa ser Beatriz Afonso, a freira que refere o conde D. Pedro e que em 1303 recebeu a doação dos sobrinhos, como dicou dito. Como adiante direi, documenta-se também que o proposto filho Afonso Rodrigues de Magalhães fez uma casa em S. Martinho de Magalhães ainda no reinado de D. Afonso III, portanto antes de 1279, o que concorda bem com a cronologia que lhe proponho, ou seja, nascimento cerca de 1250 e casamento cerca de 1275.

Por último, convém referir que desde cedo o nome Magalhães foi adoptado por alguns cristãos-novos, como é o caso de João de Magalhães, caldeireiro, que a 6.10.1529 teve provisão de Cristóvão Esmeraldo, provedor da fazenda na ilha da Madeira, para receber 1.800 reais por duas coberturas de cobre que fizera. E recordar que o abuso que em Portugal se verificou com a indevida adoção de nomes de linhagens nobres, por parte de quem a eles não tinha direito, levou as Ordenações Filipinas a legislarem duramente contra essa prática: "E nenhuma pessoa tome appelido de Fidalgo de Solar conhecido, que tenha terras com jurisdição em nossos Reinos, não lhe pertencendo, nem vindo de tal Linhagem, posto que seus pais assi se chamassem, se na verdade lhes não pertencia. E quem o fizer, perderá a fazenda, ametade para quem o accusar, e a outra para os Captivos, e perderá todo o privilegio, que per sua Linhagem e pessoa tiver, e ficará plebeo". Contudo, os cristãos-novos ficam excluídos: "Porém os que novamente se converterem à nossa Sancta Fé, poderão tomar e ter em suas vidas, e traspassar a seus filhos sómente, os appellidos de quaesquer Linhagens, que quizerem, sem pena alguma" (Livro V, Título XCII, § 9).

 

1.          Afonso Rodrigues de Magalhães, senhor da honra da quintã da Torre de Paço Vedro de Magalhães e do couto de Fontarcada, a que sucedeu a seu proposto pai Rui Fernandes de Magalhães, como ficou dito na introdução. Nasceu cerca de 1250, porventura foi criado no julgado de Froião, como também ficou dito, e faleceu depois de 1312, ano em que tinha ração no mosteiro de Tibães. Surge várias vezes nas Inquirições de 1288, documentando-se que então tinha filhos já criados (portanto com mais de 3/4 anos, já que esta criação era essencialmente a amamentação) e pelo menos um filho ainda a criar, o que aponta o seu casamento para cerca de 1275. Tendo também em conta que faleceu depois de 1312, estimo que tenha nascido cerca de 1250, o que permite que seu proposto pai, Rui Fernandes de Magalhães, tenha estado em Bolonha com D. Afonso III e com ele regressado a Portugal em 1246, tendo casado depois. No julgado de Froião, freguesia de S. Pedro de Formariz, consta que na herdade das Lageas, em que mora Maria Martins, foi criado um filho de Afonso Rodrigues de Magalhães, "e per raçon dessa criança fazen ende onrra novamente e non dan ne'migalha al Rey. Perguntado do tempo disse que des X anos aca". E na mesma freguesia, na herdade do Barveiro, criaram uma filha de Afonso Rodrigues de Magalhães "e non'a criaram hi mays adusseon-na hi por fazer a herdade onrrada e levaron-na logo e ficou a herdade onrrada". Na mesma freguesia, na herdade da Barveita, outra filha de Afonso Rodrigues de Magalhães foi criada por um clérigo e sua barregã. Ainda na mesma freguesia consta que Afonso Rodrigues de Magalhães tinha comprado há um ano uma herdade que chamam a Varzea, que honrou. Na freguesia de S. João de Bico do mesmo julgado Afonso Rodrigues de Magalhães tinha o lugar de Vencemir, que honrara indevidamente. Na freguesia de S. Miguel do Cristelo do mesmo julgado "no logar que chaman das Quintaas crian ora filho d'Affonso Rodriguiz de Magalhães". Na freguesia de Santa Marinha de Linhares do mesmo julgado foi criado outro filho de Afonso Rodrigues de Magalhães. Outro filho foi criado num casal a par da Deveza, na freguesia de S. Pedro do Arcos, julgado de Valdevez. De recordar que aqui tinha sido criado Fernão Rodrigues de Magalhães, que na introdução identifiquei como irmão de Afonso Rodrigues. Na freguesia de S. Martinho de Magalhães, no julgado da Nóbrega, como também ficou dito era honra antiga a quintã da Torre, que foi de Paio Fernandes, que deixei identificado como tio mais velho de Afonso Rodrigues, não se referindo quem era então o seu possuidor, mas que era certamente este Afonso ou ainda seu pai. E logo a seguir diz: "Item ha hy herdades e provado que eran devasas e per razon que pectan voz e coomha e huam aa nudova e davan da do castello e a galinha do ano e a vida ao mordomo e hyan a entorviscada e fazian os outros foros e Afonso Rodriguiz de Maagalhes fez hy hua casa en tenpo de Rey dona (sic) Afonso padre deste Rey e faz outra cabo dessa em sees herdamentos e trage-as por onrras e non faz ende ren a el Rey", determinando a sentença que sejam devassas e que sobre as casas recorra ao rei se quiser. Finalmente, como já ficou dito, na freguesia de S. Tiago de Francelos, julgado do Prado, diz-se que "a casa d'Affonso Rodriguiz de Magalhães e de seus irmãos é provado que a viron onrrada quanto é o corpo da casa des que se acordam as testemunhas e dizem que foy de seus avoos", determinando a sentença que "seja onrrada porque é de filhos d'algo e enquanto for de fidalgos". Como também ficou dito na introdução, em 1303 Afonso Rodrigues de Magalhães documenta-se como tutor de Rui Novais, seu proposto primo-direito. Dizem D. António de Lima Pereira e Afonso de Torres que Afonso Rodrigues de Magalhães casou com Alda Anes de Castelões, filha de João Martins de Castelões, o Moço. O conde D. Pedro, embora não trate os Castelões, dá João Gil de Avelar casado com uma Aldonça Anes, filha de João Martins de Castelões. Mas este João Gil de Avelar foi meirinho-mor da Beira (1335) ou corregedor e vedor das justiças no meirinhado da Beira (1337), parecendo assim demasiado tardio para ser concunhado de Afonso Rodrigues de Magalhães, que casou cerca de 1275. A referência a um João Martins de Castelões, o Moço, indica a existência de um João Martins de Castelões, o Velho, anterior, que já poderia ser sogro de Afonso Rodrigues de Magalhães, sendo este portanto cunhado de João Martins de Castelões, o Moço. Do tudo que ficou dito pode-se concluir que Afonso Rodrigues de Magalhães teve pelo menos duas filhas e quatro filhos, sendo que um ainda estava a criar em 1288, pelo que não terá nascido antes de 1286, e outro fora a criar há cerca de 10 anos, pelo que teria nascido por volta de 1278. Contudo, só ficou ficou notícia genealógica de um: Rodrigo/Rui Afonso. 

1.1.    Rodrigo Afonso de Magalhães, o Cavaleiro, senhor da honra e quintã da Torre de Paço Vedro de Magalhães e do couto de Fontarcada, nascido cerca 1277. D. António de Lima Pereira chama-o Rodrigo Afonso de Magalhães, mas mais provavelmente usou Rui, como o proposto avô. Afonso de Torres confunde este com seu neto Diogo Afonso, pelo que salta duas gerações. Não se sabe com quem casou e D. António não lhe aponta a mulher. As genealogias tardias dizem que casou com uma Inez Vasques de Souza, o que carece de fundamento e certamente resulta da confusão de Afonso de Torres, pois o neto Diogo Afonso de facto casou com uma Inez Vasques. O que parece certo é que casou tardiamente, já com cerca de 43 anos.

1.1.1.   Afonso Rodrigues de Magalhães, senhor da honra da quintã da Torre de Paço Vedro de Magalhães e do couto de Fontarcada, nascido cerca de 1320 e falecido cerca de 1398. Foi alcaide-mor da Nóbrega (15.5.1367) e a 23.8.1372 teve de D. Fernando mercê de Larim e Vila Chã (concelhos extintos em 1855 e integrados no de Vila Verde), em desconto do soldo e maravedis de duas lanças que havia de sustentar na guerra à sua custa. A lança era uma unidade de cavalaria que integrava seis pessoas e quatro cavalos. Afonso de Torres (que o confunde com seu neto homónimo), diz que casou Tereza Freire (que as genealogias mais tardias chamam Tereza de Andrade), que terá nascido cerca de 1342, dita filha do mestre da Ordem de Cristo D. Nuno Rodrigues Freire (de Andrade). Pela cronologia podia ser, mas não há notícia desta Tereza, apenas de dois filhos naturais do dito mestre. Por outro lado, é preciso não esquecer que além de outras derivadas de alcunhas, existia a linhagem medieval dos Freire, ramo dos Riba-de-Vizela, que nada tem a ver com os Andrade. E é mais do que provável que a maioria dos Freire acabasse em Freire de Andrade, tivesse ou não esta origem. Aliás, não é por acaso que nenhuma genealogia se reclama descendente do cavaleiro do séc. XIII Lourenço Soares Freire, o 1º deste nome, irmão de Mem Soares de Mello, o 1º deste nome, e de Pedro Soares de Alvim, também o 1º deste nome, todos filhos de D. Soeiro Raimundes de Riba-de-Vizela.

1.1.1.1.     Froile Afonso de Magalhães, nascida cerca de 1360, que casou cerca de 1380 com Gonçalo Rodrigues de Araújo, senhor de Lobios e alcaide-mor de Lindoso e Castro Laboreiro (12.10.1382 e 20.4.1383), que apoiou o partido da rainha D. Beatriz e faleceu em 1398. Serviu com quatro lanças o rei D. Fernando, que lhe deu as terras de Vilar de Vacas, Cidrais e Lindoso (12.10.1382 e 30.4.1383). Era filho sucessor de Pedro Anes de Araújo, fronteiro da Galiza, e neto materno de Gonçalo Rodrigues Veloso, que fez a torre de Lóbios, verificando-se nesta linhagem uma onomástica muito extravagante para a época. C.g. De Gonçalo Rodrigues de Araújo foi filho sucessor Pedro Anes de Araújo, que a cronologia aponta como filho de um 1º casamento e não de Froile Afonso.

1.1.1.2.     Gil Afonso de Magalhães, vassalo de D. João I, senhor de juro e herdade de Lindoso, com todas os seus direitos e rendas, como tivera Diogo Gil (16.5.1387), senhor da honra da quintã da Torre de Paço Vedro de Magalhães e do couto de Fontarcada (9.6.1387), nascido cerca 1362 e falecido depois de 1404. Era certamente o mais velho e terá falecido solteiro, sem geração, tendo o irmão sucedido na quintã e torre de Magalhães e no couto de Fontarcada. A 9.6.1387 D. João I confirmou a Gil Afonso de Magalhães o couto e honra de Fonte Arcada, que "soya de seer coutado honrrado no tempo dos outros reis que ante nos foram". A 20.5.1398 D. João I doou em tença a dita terra de Lindoso a Pedro Anes de Araújo (filho de seu cunhado, acima). Mas Gil Afonso só faleceu depois de 11.1.1404, data em que D. João I o adverte para que não faça mal nem dado aos bens do mosteiro de Vila Nova de Munha (sic).

1.1.1.3.     Diogo Afonso de Magalhães, senhor da honra da quintã da Torre de Paço Vedro de Magalhães e do couto de Fontarcada, em que sucedeu a seu irmão. Nasceu cerca 1366 e faleceu depois de 27.5.1436, data em que se documenta como Diogo Afonso de Magalhães, criado da rainha D. Filipa (de Lencastre). Como D. Filipa só casou em 1387, Diogo Afonso deve ter nascido cerca 1370, entrando portanto ao serviço da rainha com cerca de 17 anos de idade. Casou cerca de 1397 com Inez Vasques, falecida depois de 1436, a quem as genealogias, por má fé ou má leitura dos documentos, chamam erradamente de Urrô. Afonso de Torres chama-lhe, correctamente, apenas Inez Vasques, embora faça confusão e dê Diogo Afonso de Magalhães como filho do inicial Afonso Rodrigues e não, como era, de seu neto homónimo. A 27.5.1436 D. Duarte confirmou a Inez Vasques, mulher de Diogo Afonso de Magalhães, criado da rainha D. Filipa sua mãe, o senhorio da terra de Souto de Rebordães, que tinha sido doado por D. João I a 27.8.1385 a Álvaro Gil de Urrô, seu escudeiro, e que este vendera à dita Inez Vasques a 16.7.1389, tendo ela pago 50.000 libras e tendo a transacção sido feita em Lisboa nas casas de morada de Margarida Esteves, talvez a mãe de Inez Vasques. Inez Vasques deve ter falecido em 1454, ano em que seu filho foi confirmado no senhorio de Souto de Rebordãos. Para aqueles que continuam a teimar em que Inez Vasques era filha de Álvaro Gil de Urrô, fica aqui a transcrição da referida carta de D. Duarte: "Dom Eduarte c A qtos esta carta virem fazemos saber que da p.te de Jnes uaasqz molher de diego afomso de magalhaães criado da Rª dona filipa mjnha senhora madre cuja alma d.s aia n. foy mostrada hua nossa carta aseelada do seello pendente dos nossos c.tos da cidade de lixboa asignada p. ferna lopez que tem cargo das nossas scpituras que estam na torre do nosso tompo dada na dcta cidade a xix d. deste mes era. em a qual ser thinha ho trelado de hua carta d el rrey dom Joham meu senho mad (sic) da qual o thor tal he: (e prosegue, depois de apresentar a carta de doação a Álvaro Gil de Urrô da terra do Souto de Rebordães, cuja transcrição não é para aqui relevante) Outossy n. foy mostrada da p.te da sobredta hua carta de venda fcta na cidade de lixboa nas casas da morada de magarida stz a xvj d. de Julho da era de cesar de mjl iiijc xxvij anos a qual g.çº l.çº scpiuam da camara do dcto senhor notairo geeral em sua corte em todo seu senhorio mandara fazer a seu scpiua asignada p. sua maão p. a qual parece que o dcto aluº gil d urroo vendera a dcta terra de souto de rebordaães aa dcta Jnes uaasqz por cinquoenta mjl ll.s da moeda que aaql t.pº corria. Pedindo n. a dcta Jnes uaasqz que lhe firmase-mos a dcta terra" (segue o habitual palavreado e a data, já referida).

1.1.1.3.1.    Afonso Rodrigues de Magalhães, nascido cerca de 1398 e falecido entre 1451 e 1454, solteiro, s.g. A 10.5.1451 D. Afonso V doou a Afonso Rodrigues de Magalhães, enquanto sua mercê for, uma tença anual de 4.000 reais de prata, a partir de Janeiro de 1451. Foi senhor de Souto de Rebordães por carta de D. Afonso V, que é transcrita na confirmação a seu sobrinho-neto João de Magalhães a 21.5.1500, tendo-lhe sucedido seu irmão João.

1.1.1.3.2.    Isabel de Magalhães, que casou com Gonçalo de Sá, senhor de juro e herdade de Aguiar de Sousa (28.1.1433), falecido depois de 1469, coudel dos vassalos reais do Porto e vereador do Senado da Câmara desta cidade. S.g.

1.1.1.3.3.    João de Magalhães, fidalgo da Casa de D. Afonso V, senhor de Souto de Rebordãos (13.5.1454), senhor de Larim e Vila Chã, da honra da quintã da Torre de Paço Vedro de Magalhães e do couto de Fontarcada. Foi 1º senhor de juro e herdade de Ponte da Barca, vila que fundou na sua terra da Nóbrega, e o 5º senhor de juro e herdade da Nóbrega (14.8.1458) e alcaide-mor e senhor do seu castelo (14.11.1458), tudo por compra a seu cunhado. Nasceu cerca 1400 e faleceu antes de 1472. A 13.5.1454 D. Afonso V confirma a doação a João de Magalhães, fidalgo da sua Casa, da terra de Souto de Rebordães. A 16.2.1471 o mesmo rei confirmou a doação a Gil de Magalhães, fidalgo da Casa do duque de Viseu, da terra da Nóbrega, com todas as rendas, foros, tributos, direitos, pertenças, padroados, jurisdição cível e crime, mero e misto império, ressalvando a correição e alçada, tal como pertencera a seu pai, João de Magalhães. A 27.4.1453 o mesmo rei privilegia João de Magalhães, cavaleiro fidalgo da sua Casa, concedendo-lhe licença para andar em besta de sela e freio por todo o reino. A 15.4.1454 confirmou a venda a João de Magalhães, fidalgo da sua Casa, de uma terra em Souto de Rebordãos. João de Magalhães casou cerca de 1438 com D. Isabel de Souza, nascida em 1424 (os pais casaram em 1423), irmã de João Rodrigues Ribeiro de Vasconcellos, fidalgo do Conselho, 3º senhor de juro e herdade de Figueiró dos Vinhos e Pedrógão (27.1.1435), 4º senhor de juro e herdade da Nóbrega (27.1.1435 - 18.10.1456), senhor de juro e herdade da Louzã, etc. Os seus senhorios foram-lhe confirmados a 3.3.1450 e 15.1.1482, já sem a Nóbrega, que entretanto vendeu a seu cunhado João de Magalhães, com autorização real de 18.10.1456. Quando João de Magalhães casou com D. Isabel de Souza, já esta era órfã, e teria ela cerca de 14 anos de idade. Com efeito, sabemos que seu irmão João Rodrigues Ribeiro de Vasconcellos era menor e órfão quando a 27.1.1435 sucedeu a seu pai Rui Vasques Ribeiro. Como refiro adiante, foi certamente por influência de Lopo Rodrigues de Magalhães, aio do antedito João Rodrigues e administrador da sua Casa, que era tio de João de Magalhães, que este casamento se veio a realizar, logo que D. Isabel atingiu a idade permitida, sendo o marido cerca de 21 anos mais velho do que ela. D. Isabel de Souza era, por sua mãe D. Violante de Souza, neta do mestre da Ordem de Cristo D. Frei Lopo Dias de Souza, e por este bisneta de D. Maria Telles de Menezes, irmã da rainha D. Leonor Telles, conforme detalho no meu estudo Os filhos e netos do "muj honrrado barom" Dom Frei Lopo Dias de Souza, 8º mestre da Ordem de Cristo.   

1.1.1.3.3.1.   Gil de Magalhães, 2º senhor de juro e herdade de Ponte da Barca (1496), 6º senhor de juro e herdade da Nóbrega (16.2.1471), senhor de Souto de Rebordãos (15.2.1471), senhor do couto de Fontarcada, de Larim e Vila Chã e da honra da quintã da Torre de Paço Vedro de Magalhães, nascido cerca 1440 e falecido em 1506. A 21.5.1500 D. Manuel I confirmou os senhorios a si e a seu filho João de Magalhães (e Menezes). Foi fidalgo da Casa do duque de Viseu e depois do príncipe D. João. A 15.2.1471 D. Afonso V confirmou a doação a Gil de Magalhães, fidalgo da Casa do duque de Viseu, da terra de Souto de Rebordães, com todas as rendas, foros e direitos novos. A 16.2.1471 o mesmo rei confirmou a doação a Gil de Magalhães, fidalgo da Casa do duque de Viseu, da terra da Nóbrega, com todas as rendas, foros, tributos, direitos, pertenças, padroados, jurisdição cível e crime, mero e misto império, ressalvando a correição e alçada, tal como pertencera a seu pai, João de Magalhães. A 24.4.1475 privilegiou Gil de Magalhães, fidalgo da Casa do príncipe D. João, concedendo-lhe autorização para ele arrendar as suas rendas segundo a Ordenação. A 20.6.1497 D. Manuel I comunicou a todos os juizes e justiças das cidades, vilas e julgados dos nossos reinos e senhorios e a outros quaisquer oficiais que a Gil de Magalhães, fidalgo da sua Casa, senhor da Nóbrega, porque está prestes para servir na guerra com seus homens armas e cavalos, é privilegiado e escusados todos seus amos caseiros e mordomos e lavradores, etc. Casou a 1ª vez em 1461 com D. Maria de Menezes, filha de Rui Gomes da Silva, fidalgo do Conselho, alcaide-mor de Campo Maior e Ouguela (23.11.1433), etc., e neta do 1º conde de Vila Real, de quem teve o filho sucessor, João de Magalhães e Menezes. Casou a 2ª vez em 1472 com D. Isabel de Menezes, filha de Gonçalo Nunes Barreto, 2º morgado da Quarteira, fidalgo do Conselho (6.4.1468) e da Casa Real (1.12.1433), fronteiro-mor do reino do Algarve e alcaide-mor de Faro, de quem teve os restantes filhos. A 12.12.1461 D. Afonso V confirmou o contrato de casamento celebrado entre Gil de Magalhães, fidalgo, criado do marquês de Valença, e D. Maria de Menezes, donzela que foi da Casa da rainha D. Isabel, filha de Rui Gomes da Silva, do seu Conselho, e de D. Isabel de Menezes. A 25.4.1475 o mesmo rei confirmou a autorização a Gil de Magalhães, a seu pedido, fidalgo da Casa do príncipe D. João, para ele empenhar a sua terra de Souto de Rebordões, por 1.000 coroas, ao seu sogro Gonçalo Nunes Barreto, fidalgo da Casa Real e do seu Conselho, mediante determinadas condições. A 16.7.1497 D. Manuel I confirmou uma carta sua, enquanto duque, na qual inseria uma de sua mãe, a infanta D. Beatriz, na qual refere que, tendo tratado o casamento entre Gil de Magalhães, fidalgo de sua Casa, e dona Isabel de Meneses, sua donzela, quer galardoá-los e fazer mercê e lhe promete dar de seu casamento 2.000 coroas segundo é conteúdo no contrato de seu casamento e lhas pagar pela ordenança de el rei, de cento e vinte reais por coroa, pelas quais coroas lhe praz que a dita dona Isabel haja em cada um ano de tença 20.000 reais de prata, a não descontar coisa alguma do principal até lhe serem pagas as ditas 2.000 coroas. Carta feita em Tomar a 25.6.1472 e confirmada em Santarém a 5.5.1486. A 12.2.1509 D. Isabel de Menezes, viúva de Gil de Magalhães, passou procuração a seu filho Diogo de Magalhães, fidalgo da Casa Real, para que em seu nome possa receber do almoxarife de Ponte de Lima os 16.000 reais que lhe pertencem de tença. A 10.12.1512 D. Isabel de Menezes, viúva de Gil de Magalhães, moradora na Ponte da Barca, constituiu seu bastante procurador a seu filho Jorge Barreto para receber na Casa da Mina todas as fazendas que ficaram de seus filhos Pedro Barreto e António de Magalhães. A 20.3.1514 D. Isabel de Menezes, mãe e herdeira de Pedro Barreto, teve provisão para receber 15.000 reais que lhe eram desembargados para cumprimento dos 200.000 reais que lhe vieram da Índia. A 4.6.1514 D. Manuel I deu provisão para se dar aos herdeiros de Pedro Barreto 34.000 reais à conta do que se lhe devia da pimenta que se lhe comprou na Casa da Índia. A 3.7.1514 D. Manuel I mandou o almoxarife de Ponte de Lima pagar a D. Isabel de Menezes, mãe de Pedro Barreto, 50.000 reais de pimenta que se lhe comprou da que tinha na Casa da Índia. A 20.1.1516 Jorge Barreto e Simão Barreto, filhos e testamenteiros de D. Isabel de Menezes, passaram recibo dos 16.000 reais que receberam do almoxarife de Ponte de Lima, por um desembargo que tinham passado a sua mãe, onde ele se assina Jorge Barreto de Magalhães. Francisco de Magalhães, filho de Gil de Magalhães e sua mulher D. Isabel, tirou ordens menores em Braga a 6.5.1486 e teve carta de privilégio de fidalgo a 6.4.1510 (por ter servido na guerra com seus cavalos e armas) e de novo a 20.9.1524. A 23.3.1518 D. Manuel I doou aos filhos de Fernão Rodrigues, juiz que foi no concelho de Nobrega, metade da fazenda móvel e de raiz de Francisco de Magalhães e Simão Barreto, seu irmão, julgados pela morte do dito Fernão Rodrigues. A 17.5.1515 D. Joana de Menezes e D. Beatriz de Menezes, freiras no mosteiro do Lorvão, com o consentimento da abadessa D. Catarina de Eça, passaram procuração a Francisco de Magalhães ou João de Magalhães, seus irmãos, para receberem do almoxarife de Ponte de Lima 50.000 reais que se deviam a seus pais, de quem foram herdeiros. De Gil de Magalhães e de sua 1ª mulher foi filho único João de Mangalhães e Menezes, sucessor, que casou em 1494 com D. Leonor da Silva, sendo pais de Manuel de Magalhães e Menezes, sucessor, n. cerca de 1498, que tardiamente tirou ordens menores em Braga em 1512 em 1568 testemunhou no processo de Lourenço de Magalhães como Manuel de Magalhães e Menezes, senhor da Barca e da Nóbrega, onde diz que tinha entre 70 e 75 anos de idade. Na verdade teria 70 anos.

1.1.1.3.3.2.   Fernão de Souza de Magalhães, fidalgo da Casa Real, 1º senhor de Francemil (actual Santo Tirso), alcaide-mor de Ervededo (12.13.1477) e senhor da quinta de Penteeiros (Estorãos, Ponte de Lima), onde fez casa e colocou o seu escudo de armas (Souza, ditos de Arronches, em pleno), tendo metade do padroado da igreja de Estorãos. Nasceu cerca 1442 e faleceu cerca de 1489. Como Fernando de Souza de Magalhães, fidalgo da Casa Real, teve a 30.6.1486 carta de privilégio de fidalgo. Como Fernão de Souza, fidalgo, prestou vassalagem em 1477 ao arcebispo de Braga pelo castelo de Ervededo. Casou a 1ª vez cerca de 1479 com sua prima Isabel Barbosa, que levou em dote a quinta de Penteeiros, filha herdeira de João Barbosa e sua mulher Violante de Magalhães, referida adiante. Esta Isabel Bardosa terá falecido do parto do 1º filho e sucessor, João de Souza de Magalhães, que está sepultado com suas armas (Souza dito de Arronches em pleno) e estátua jacente na igreja matriz de Viana do Castelo. Casou a 2ª vez cerca de 1481 com D. Beatriz de Eça, que depois veio a casar com Estêvão Ferreira, morgado de Cavaleiros (referido no meu Ensaio sobre a origem dos Ferreia), filha de D. João de Eça e sua mulher D. Maria de Mello. C.g. de ambos os matrimónios.

1.1.1.3.3.3.   D. Francisca de Souza, nascida cerca de 1443, que as genealogias dizem que casou com Diogo Botelho, anadel-mor de espingardeiros. S.g. Afonso de Torres não a refere.

1.1.1.3.3.5.   D. Beatriz ou Maria de Souza, nascida cerca de 1445, que casou com Lopo de Araújo, senhor e alcaide-mor de Lindoso (11.3.1464), que sucedeu nos senhorios de Campelo e Val de Poldros e na dignidade de portegueiro-mor de Celanova. Foi ainda senhor de Monção a meias com seu irmão Paio. Por terem morto um homem e fugido para a Galiza, perderem os bens em Portugal. Na Galiza foi alcaide-mor de Sande. A 11.3.1464 D. Afonso V doou a Lopo de Araújo, escudeiro, fidalgo da sua Casa, enquanto sua mercê for, o couto de Lindoso, seu castelo e respectivo senhorio, rendas e pertenças, em substituição de Paio Rodrigues de Araújo, seu pai, que morrera. A 25.2.1464 o mesmo rei confirmou a doação vitalícia a Paio Rodrigues e a Lopo Rodrigues de Araújo, escudeiros e fidalgos da sua Casa, das rendas e direitos dos reguengos situados na vila de Monção, que ficarem por morte de Paio Rodrigues de Araújo, seu pai. A 10.5.1468 o mesmo rei doou a Fernão de Lima, fidalgo da sua Casa, todos os direitos e bens que pertenceram a Paio Rodrigues de Araújo e a Lopo de Araújo, que os perderam por terem morto Rodrigo Álvares, escudeiro, morador em Pousada, terra da Nóbrega, Gonçalo Álvares e outros homens, e por terem fugido para a Galiza. Este Paio Rodrigues era filho do já referido Pedro Anes de Araújo e neto do Gonçalo Rodrigues de Araújo que casou com Froile Afonso de Magalhães, referida acima. C.g.

1.1.1.3.3.6.   D. Antónia de Souza, nascida cerca de 1448, que Afonso de Torres não refere. Foi a 1ª mulher de Gonçalo Rodrigues de Araújo, fidalgo da Casa de D. João II, que a 29.1.1486 lhe deu uma tença de 20.000 reais. Era irmão de Lopo de Araújo, acima. Gaio diz que viveu na sua quinta de Stº Antão, no termo de Valadares, foi alcaide-mor da fortaleza de Ramin e senhor da casa do Barral. C.g.

1.1.1.3.3.4.   D. Isabel de Souza, nascida cerca de 1455, que casou com Diogo de Azevedo, fal. a 15.5.1514, senhor de juro e herdade de Souto (Amares) e do couto de Azevedo, c.g. conhecida.  

1.1.1.3.4.    Gil Afonso de Magalhães, o Tremelicoso, nascido cerca de 1401, que as genealogias tardias confundem com seu pai Diogo Afonso, pelo que o dizem também casado com Inez Vasques, na verdade sua mãe. Em 1568 Lourenço de Magalhães, nascido cerca de 1528, habilitou-se à herança do celebrado Fernão de Magalhães, e neste processo testemunhou Manuel de Magalhães e Menezes, senhor da Barca e da Nóbrega, onde diz que tinha entre 70 e 75 anos de idade e era parente dentro do 4º grau do habilitando. Diz também que o dito Lourenço era neto de Rui Paes de Magalhães e este irmão de Rui de Magalhães, pai do Fernão de Magalhães do Estreito. E que estes Rui Paes e Rui eram filhos de Paio Afonso de Magalhães. Assim sendo, para além do que digo adiante, o bisavô de Manuel de Magalhães e Menezes era necessariamente irmão do pai daquele Paio Afonso, dada a terminologia de graus de parentesco usada na época. Por outro lado, sabemos por seu testamento, que o celebrado Fernão de Magalhães usava, como ele próprio aí diz, um escudo de armas partido de Souza e Magalhães. Logo, aquele Paio Afonso só podia ser filho de Gil Afonso de Magalhães e sua mulher Mécia de Souza. E este Gil Afonso de Magalhães tinha de ser irmão de João de Magalhães, 1º senhor da Barca, para que o bisneto deste fosse primo dentro do 4º grau de Fernão de Magalhães. Gil Afonso de Magalhães casou com Mécia de Souza, que as genealogias tardias dizem que era irmã de Rui de Souza, ambos filhos naturais de Gonçalo Rodrigues de Souza, alcaide-mor de Monsaraz e Marvão, e de Maria de Monforra. Este Gonçalo Rodrigues de Souza foi legitimado por carta real de 12.3.1370, como filho de Rodrigo Afonso de Souza e D. Constança Gil. O filho Rui de Souza foi legitimado por carta real 11.8.1401, onde consta como filho de "gº Roiz de souza e de mª de mofarrar molher solteira". Documenta-se bem que Gonçalo Rodrigues de Souza seguiu o partido da rainha D. Beatriz contra o mestre de Avis, dizendo este numa carta de 25.7.1386 que "seendo nosso uasallo natural se foe pa Jhane anrriqz que se dizia Rey de castella nosso Imigo fez guerra com elle tras nos tras nossos regnos correndo p elles queimado nossa terra matando Roubando mujt nossos naturaães segujdo nos os nossos regnos com odio capital". E Gonçalo Rodrigues de Souza continuava em Castela a 10.3.1412 quando D. João I dou a seu filho Rui de Souza, seu vassalo, os bens que lhe tinha sido confiscado e ainda estavam na coroa. Nesta carta o rei diz que Rui de Souza, "nosso uasallo sobrinho (no sentido lato, pois na verdade eram primos segundos) do meestre de chr. (D. Frei Lopo Dias de Souza) no dise que sua auoo (D. Constança Gil) madre de seu padre gº Roiz de souza he tam uelha segº razam nom deve viuer mujto morredose ella, el diz que se recea que porquato o dcto seu padre anda em castella que peça algue aquelles bees que ao dcto seu pad. pertenciam de djrto porquanto outossy n disse o dcto Ruy de souza que aa dcta sua auoo prazia bem de el os dctos bees auer ante que outo nehuu pois q outro herdeiro hi no ha a que pteeçam de djrto saluo a el nom os auendo o dcto gonçallo roiz seu pad." Portanto, desde 1384 que Gonçalo Rodrigues não estava em Portugal, sendo Rui de Souza o seu único herdeiro, o que se explica por ter sido o único legitimado. Na verdade, a Gonçalo Rodrigues de Souza dão as genealogias tardias vários outros filhos. Mas poderia Mécia de Souza ser também sua filha, na medida em que pode ter nascido antes de 1400? Não deixa de ser possível que Mécia de Souza tivesse nascido em Castela, da mesma Maria de Monforral, que aí teria acompanhado o amante, se é que não é mesmo castelhana, como o nome mais indica. Rui de Souza, legitimado a 11.8.1402, não terá nascido depois de 1385 (teria 18 anos quando foi legitimado), e tudo indica que tenha regressado a Portugal com a antedita avó paterna, ainda viva em 1412, que se documenta ter ido para Castela com o filho, como direi adiante. E com eles deveriam ter vindo também os restantes irmãos e irmãs. Ou seja: Mécia de Souza podia ter nascido cerca de 1400 em Castela e regressado a Portugal com a avó antes de 1402, casando cerca de 1421 com Gil Afonso de Magalhães. Resta acrescentar que não encontrei as nomeações (necessariamente por D. Fernando I) de alcaide-mor de Monsaraz e Marvão que as genealogias tardias dizem que Gonçalo Rodrigues de Souza foi. Provavelmente foi-o apenas na guerra, por nomeação de D. João I de Castela. Sendo certo que muitos bens de Gonçalo Rodtigues de Souza já tinham sido doados ou vendidos a terceiros. É o caso dos senhorios de Mafra, Eiriceira e Enxara de Cavaleiros, que ele comprara a D. Frei Lopo Dias de Souza e seu tio homónimo, e que a 25.7.1386 o rei doou a Fernão Martins Coutinho. A 1.3.1386 D. João I doou a Álvaro Leitão, seu vassalo, os bens móveis e de raiz que D. Constança, mãe de Gonçalo Rodrigues de Souza, tinha em Évora e outros lugares, porquanto a dita D. Constança foi para Castela, terra dos seus inimigos. A 22.8.1385 o mesmo rei confirmou a "nuno frrz de moraães, caualyro morador em montemoor o nouo", a doação que lhe fizera D. Constança, mãe de Gonçalo Rodrigues de Souza, de todos os bens móveis e de raiz que possuia em Portugal. E a 1.12.1385 confirmou a Afonso Anes Nogueira, seu vassalo, os privilégios da quintã de Vila Pouca, a par de Torres Vedras (na verdade em Enxara), que ele comprara a Gonçalo Rodrigues de Souza. Em suma, o casamento de Gil Afonso de Magalhães com Mécia de Souza parece-me aceitável, tendo também em conta que seu bisneto, o celebrado navegador Fernão de Magalhães, se documenta usando as armas dos Souza ditos de Arronches, partidas com as dos Magalhães, e não há outra hipótese de ele ter ascendência a este Souza salvo por este Mécia de Souza, sendo filha de Gonçalo Rodrigues de Souza. De recordar que este Gonçalo Rodrigues de Souza era neto paterno de Afonso Dinis, mordomo-mor da rainha Santa Isabel (1315), senhor de Vila Pouca, em Enxara (5.7.1278), filho bastardo de D. Afonso III e de Marina Peres de Enxara (na doação de Vila Pouca a seu filho, ainda criança, o rei diz: "Alfonso meo filio et Marine Petri de Eyxara"). Deste Afonso Dinis foi filho mais novo Rodrigo Afonso de Souza, nascido cerca de 1298 e falecido entre 1371 (ano do testamento) e 1374, a quem D. Fernando I fez mercê dos senhorios de Arraiolos e Pavia e da alcaidaria-mor de Miranda. Este Rodrigo Afonso, ainda casado com D. Violante Ponces de Briteiros, teve na antedita D. Constaça Gil, viva em 1412, o filho bastardo Gonçalo Rodrigues de Souza, nascido cerca de 1345/50, que vivia em Castela em 1412.

1.1.1.3.4.1.   Paio Afonso de Magalhães, nascido cerca de 1422, avô do célebre Fernão de Magalhães (que fez seu testamento em Sevilha a 24.8.1519). É possível que tenha vivido em Gaia e no Porto. Afonso de Torres (genealogista do final do séc. XVI, em quem muito se baseou Alão e outros subsquentes) diz que consta como filho de Gil Afonso de Magalhães numa certidão passada a 7.3.1723, segundo a qual constava de uma inquirição de testemunhas, perante o comendador Mem de Sá, tirada em Évora por mandado de D. João III no ano de 1532. E acrescenta que este Paio Afonso de Magalhães casou com Isabel Vaz de Sequeira, dando-lhes um filho único, Rui Paes de Magalhães. Mas, em 1568, com já ficou dito, Lourenço de Magalhães, nascido cerca de 1528, habilitou-se à herança do celebrado Fernão de Magalhães, e neste processo testemunhou, entre outros, o Senhor Manuel de Magalhães de Menezes, senhor da Barca e da Nóbrega, onde diz que tinha entre 70 e 75 anos de idade e era parente dentro do 4º grau do habilitando. Diz também que o dito Lourenço era neto de Rui ou Rodrigo Paes de Magalhães (nesta época, Rui era um diminuitivo de Rodrigo, sendo o mesmo nome) e este irmão de Rui de Magalhães, pai do Fernão de Magalhães, o do Estreito. E que estes Rui Paes e Rui eram filhos de Pº Afonso de Magalhães. Assim sendo, o bisavô de Manuel de Magalhães e Menezes era necessariamente irmão do pai deste Paio Afonso, como ficou dito. A homonímia poderá ter levado Afonso de Torres a congregar os dois filhos em apenas um. Ou então Rui Paes era legítimo e Rui era bastardo. Esta última hipótese parece-me agora a mais provável, pois investigações recentes (António Taveira, "Fernão de Magalhães, o do estreito, de Santa Maria da Sé do Porto", 2ª edição, Abril de 2011) documentam Rui de Magalhães (pai do navegador) como filho de uma Maria Fernandes, já casada em 1467 no Porto com o mercador Gil de Oliveira. Julgo que muito antes de casar com este Gil de Oliveira, Maria Fernandes teve natural de Paio Afonso de Magalhães (que então teria cerca de 20 anos) o filho Rui de Magalhães. E que Rui Paes de Magalhães, referido por Torres, era o filho legítimo, havido do posterior casamento de Paio Afonso de Magalhães com Isabel Vaz de Sequeira. Sendo que este Rui Paes de Magalhães é muito provavelmente o Rui de Magalhães que em 1468 testemunhou um prazo em Aveiro (vide a minha História da Casa da Trofa). E, portanto, o Rui (Paes) de Magalhães que as genealogias dizem que foi alcaide-mor (interino) de Aveiro. Do que não se pode duvidar é que Paio Afonso foi pai (natural ou legítimo) de Rui de Magalhães, e que este foi pai de Fernão de Magalhães, o do Estreito, como declaram muitas testemunhas do referido processo, entre elas o antedito Manuel de Magalhães de Menezes, senhor da Barca e da Nóbrega, independentemente da avaliação que se possa fazer sobre os reais direitos de Lourenço de Magalhães à herança do navegador. Fernão de Magalhães e seu irmão Pedro de Souza documentam-se entre os moradores da Casa d'el rei que em 1505 embarcaram para a Índia na armada do 1º vice-rei D. Francisco de Almeida. Não se sabe a filiação de Isabel Vaz de Sequeira, dada como mulher de Paio Afonso de Magalhães, mas suspeito que seja filha ou neta de Vasco Álvares de Sequeira, irmão de Isabel Álvares de Sequeira, ama da rainha D. Isabel, nascida cerca de 1390 e falecida em 1462, tendo a 1 de Setembro deste ano D. Afonso V autorizado a igreja de S. Tiago de Coimbra a receber os bens de raiz que lhe deixara em testamento Violante Álvares de Sequeira, moradora em Coimbra, ama da rainha D. Isabel. Esta Violante era então viúva de Francisco Anes de Torres, cavaleiro da Casa da rainha D. Isabel e depois da Casa de D. Afonso V, morgado de Ponte da Ceira (1.2.1450), senhor da quinta de S. Pedro Fins, no termo de Montemor-o-Velho, etc., com geração conhecida.

1.1.1.3.4.2.   Fernão de Magalhães, nascido cerca 1425 e falecido depois de 1498, também referido por Torres como filho de Gil Afonso de Magalhães. Foi fidalgo da Casa do duque de Bragança e depois da Casa Real, senhor da quinta de Briteiros, no termo de Guimarães, que comprou à condessa de Faro D. Maria de Noronha. A 12.1.1474 a duquesa de Bragança D. Constança de Noronha fez-lhe a si e a sua mulher o prazo por três vidas da terra de Antemil, em S. João de Penselo, termo de Guimarães. Dizem as genealogias que foi senhor do Outeiro de Poldros. Esteve em Touro, pois aí lhe deu D. Afonso V a 26.4.1476 a renda da carne de porco de Parada de Gatim. A 13.4.1468 confirmou a doação a Lopo Gomes, cavaleiro do conde de Guimarães, de 15.000 reais de prata que lhe foram doados por Afonso de Arcos, alcaide na vila de Tarifa, no reino de Castela, dos quais doou 7.000 reais de prata a Fernão de Magalhães, cavaleiro do dito conde. E a 20.4.1468 doou a Fernão de Magalhães, cavaleiro do conde de Guimarães, uma tença anual de 7.000 reais de prata, enquanto sua mercê for, a partir de 1.1.1468, dos 15.000 reais de prata que Lopo Gomes, cavaleiro do dito conde, comprou a Afonso de Arcos, morador em Tarifa. A 20.3.1497 D. Manuel I confirmou esta tença a Fernão de Magalhães, cavaleiro que foi do falecido duque de Bragança, e, a requerimento seu, a 6.1.1498 passou-a seu filho Gonçalo Rodrigues de Magalhães, fidalgo da sua Casa, sendo então Fernão de Magalhães já referido também como fidalgo da Casa de D. Manuel I. Dizem também que esteve na batalha de Alfarrobeira pelo rei. Por causa de um cão (ao que dizem), matou Álvaro Soares de Albergaria, filho do senhor do Prado, junto à ponte do Prado (Braga) em finais de 1463 ou início de 1464, pelo que foi degredado um ano para Alcácer Seguer, degredo de que foi perdoado por D. Afonso V a 14.2.1464, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada real em Ceuta. A 30.12.1452 o mesmo rei concedeu carta de privilégio a Fernão de Magalhães, para todos os seus mordomos, lavradores, amos e apaniguados da comarca e correição de Entre-o-Douro-e-Minho. A 10.7.1463 doou a Beatriz de Mesquita, mulher de Fernão de Magalhães, fidalgo da sua Casa, uma tença anual, enquanto sua mercê for, de 15.000 reais de prata. Casou com Beatriz Martins da Mesquita, criada da antedita duquesa D. Constança de Noronha, c.g. que desenvolvo no meu Ensaio sobre a origem dos Mesquita. Luiz de Mello Vaz de São-Payo (Famílias de Chaves) propõe que deste Fernão de Magalhães fosse filho bastardo um Manuel de Magalhães que foi para Chaves, onde teve uma filha, Constança Álvares, que casou com um arquitecto galego, Mestre Diogo Ordonhes, c.g. nos Magalhães, de Chaves, e Magalhães Fontoura.

1.1.1.4.     Rodrigo Afonso de Magalhães, nascido cerca 1367. Não se sabe com quem casou.

1.1.1.4.1.    Leonor Rodrigues de Magalhães, nascida cerca 1395. Foi a 2ª mulher de Vasco Machado, senhor da torre de Geraz e da honra de Pinho (Boticas), senhor de juro e herdade de Matosinhos e Sanfins (Chaves) (17.11.1387), nascido cerca 1365, escudeiro, alcaide-mor de Chaves (1387) e de Lanhoso, etc. C.g., sendo nomeadamente pais de Pedro Machado, 1º senhor de juro e herdade de Entre-Homem-e-Cávado (19.1.1450) nesta linhagem e senhor da torre do Crasto, em Amares.

1.1.1.4.2.    Gonçalo Rodrigues de Magalhães, deão da Sé de Lamego. A 12.7.1455 D. Afonso V concedeu carta de privilégio a Gonçalo Rodrigues de Magalhães, deão da Sé de Lamego, por ser homem fidalgo e de boa linhagem, e estar pronto para servir na guerra com as suas bestas e armas, para todos os seus mordomos, amos, lavradores e apaniguados na comarca e correição da Beira. A 27.5.1455 o mesmo rei nomeou Diogo Fernandes, criado de Gonçalo Rodrigues de Magalhães, deão da Sé de Lamego, que por ele pediu, para os cargos de escrivão dos feitos das sisas régias, inquiridor e contador dos feitos que se tratam perante os juízes na cidade de Lamego, em substituição de Fernão Pires, que morrera.

1.1.1.4.2.1.  (N) Leonor Gonçalves de Magalhães, legitimada por carta real de 13.3.1441, havida em Leonor Gonçalves. Dizem as genealogias tardias que casou com Vasco Paes Cardoso, de Caria, c.g.

1.1.1.4.2.2.  (N) Aires Gonçalves de Magalhães, escudeiro do Infante D. Pedro e criado do arcebispo de Braga, morador em Ponte de Lima, quando a 31.1.1441 D. Afonso V o nomeou, a pedido do dito arcebispo, para o cargo de meirinho da comarca de Entre-Homem-e-Cávado, em substituição de João Lourenço Bugalho, que morrera.

1.1.1.4.3.    Paio Rodrigues de Magalhães, cavaleiro da Casa do duque de Bragança, foi senhor de Airros (Regalados) e esteve com seu primo na morte de Álvaro Soares de Albergaria. A 20.2.1464 D. Afonso V perdoou a justiça régia a Paio Rodrigues de Magalhães, escudeiro do duque de Bragança, culpado da morte de Álvaro Soares de Albergaria. A 13.7.1464 o mesmo rei concedeu carta de privilégio de fidalgo a Paio Rodrigues de Magalhães, cavaleiro da Casa do duque de Bragança, para a comarca e correição de Entre-Douro-e-Minho, isentando do direito de pousada todos os seus lavradores, encabeçados, mordomos, amos e apaniguados que lavrarem suas herdades, quintas e casas. E a 8.7.1476 doou a Maria da Cunha, filha de Álvaro Carvalho, o lugar de Airros, no julgado de Regalados, freguesia de Guimarães, que pertencera a Paio Rodrigues de Magalhães. As genealogias tardias dizem que casou com Isabel Vaz de Sequeira, confundindo-o com seu primo-direito Paio Afonso de Magalhães, referido acima, que de facto terá casado com Isabel Vaz. Mas esta confusão desfaz-se facilmente não só pelo teor da documentação da chancelaria mas também pela matrícula em ordens menores do filho, para já não falar no testemunho de seus descendentes de Mato Bom no processo de Lourenço de Magalhães. Na matrícula do filho documenta-se que este Paio Rodrigues casou com Maria Novais, sendo moradores em Arcozelo quando o filho Heitor Paes tirou ordens menores em Braga a 27.3.1456.

1.1.1.4.3.1.   Violante de Magalhães, nascida cerca de 1441, que casou com João Barbosa, escudeiro da Casa de Bragança, morador em Ponte de Lima e senhor da quinta de Penteeiros, filho de Pedro Barbosa e sua mulher Senhorinha Anes Vieira (vide Ensaio sobre a origem dos Correa, senhores de Fralães. Séculos XIV e XV). A 9.11.1458 D. Afonso V confirmou a João Barbosa, escudeiro da casa do duque de Bragança, todos os privilégios, honras, tomadias e liberdades que tem numa quinta no termo de Ponte de Lima, entre S. Pedro de Arcos e Estorãos, A 13.5.1444 o mesmo rei perdoou a justiça régia e concedeu carta de segurança a Gil Gonçalves, criado de Pedro Barbosa, pela fuga da prisão, contanto que se livre de direito do que era acusado. Este Pedro Barbosa era filho de Gonçalo Fernandes Barbosa, cavaleiro, senhor da honra de Aborim e do couto de Brandara, etc., e de sua mulher Beatriz Correa, filha dos senhores de Fralães. Na instituição do morgadio de Aborim, seu neto Álvaro Barbosa diz que Gonçalo Fernandes Barbosa era "homem honrado tam possante que tinha desouto a vinte de cavallo e com tanto serviu continuadamente elRei Don Joam na Batalha Real e outros lugares de cavalaria", e que dele ficaram cinco filhos e três bastardos, sendo seu filho primogénito Fernão Gonçalves Barbosa, de quem era filho maior o instituidor. Violante de Magalhães e seu marido tiveram uma filha única, Isabel Barbosa, que foi a 1ª mulher de seu primo Fernão de Souza de Magalhães, referido acima.

1.1.1.4.3.2.   Heitor (Paes) de Magalhães, nascido cerca de 1442. Como "Eytor Paaes, filho de Paay Rodriguez de Magalhãaes e de sua molher Maria Nouaaes moradores na freeguesia de Arcuzello desta diocese", tirou ordens menores em Braga a 27.3.1456. Como Heitor de Magalhães a 2.4.1487 teve carta de privilégio de fidalgo e a 23.7.1487 foi coudel de Felgueiras. Gaio diz que viveu em Ponte da Veiga.

1.1.1.4.3.3.   Afonso de Magalhães, fidalgo da Casa Real, morador em Braga, quando a 7.5.1476 D. Afonso V lhe doa, enquanto sua mercê for, uma tença anual de 5.000 reais, a partir de Janeiro de 1476, a juntar à quantia que já lhe fora dada de 5.000 reais, o que perfaz a soma total de 10.000 reais.

1.1.1.4.3.4.   Gomes Rodrigues de Magalhães, que Gaio diz ter tido carta de armas (não consta) e ter vivido em Stª Cruz, termo de Ponte de Lima, tendo casado com Guiomar Vaz de Abreu, c.g.

1.1.1.4.3.5.   Leonor de Magalhães, que casou com Diogo Afonso de Calvos, filho natural de Mendo Afonso de Calvos, cavaleiro da Ordem de S. João e comendador de Távora e Aboim nesta ordem, e neto de Afonso Vasques de Calvos, escrivão da puridade da duquesa de Bragança, que ainda vivia no Porto em 1454. A 1.10.1445 D. Afonso V aforou para sempre a Afonso Vasques de Calvos, seu vassalo, criado do duque de Bragança e do conde Barcelos, morador na cidade do Porto, umas casas da rua Nova da dita cidade, por a sua arrendatária, Leonor Pereira, ter morrido sem deixar herdeiros, mediante o pagamento anual de 7 onças de prata e com determinadas condições. A 28.11.1454 o mesmo rei privilegiou Afonso Vasques de Calvos, morador na cidade do Porto, escudeiro do duque de Bragança, que fora escrivão da puridade da duquesa de Bragança, e a seu pedido, isentando-o de ser procurador, juiz e vereador do concelho, bem como dos ofícios e encargos concelhios. Foram pais de Fernão de Magalhães, que viveu na sua quinta de Mato Bom, em Estorãos, c.g. (António de Magalhães, escudeiro fidalgo, morador em Ponte de Lima, testemunhou no já referido processo de 1563, onde se diz neto de Fernão de Magalhães, morador na sua quinta de Mato Bom, em Estorãos). No já referido processo de Lourenço de Magalhães testemunham dois filhos, um sobrinho e um neto do antedito Fernão de Magalhães, de Mato Bom, que, embora se mostrem muito incertos quanto ao grau de parentesco que tinham com Lourenço, se acabam por declarar parentes no ou dentro do 4º grau, e o neto fora deste grau. Na verdade, a única testemunha que se revela verdadeiramente informada sobre real genealogia familiar é o seu chefe, Manuel de Magalhães e Menezes, como ficou dito acima. Muitos anos disto permitem-me dizer, com pouca ou nenhuma margem de erro, que é absolutamente anormal nesta e noutras épocas (até na actual) as pessoas conhecerem a sua própria genealogia para além dos avós, quando muito bisavós, salvo na circunstância muito especial de serem genealogistas. O caso de Manuel de Magalhães e Menezes seria portanto excepcional, o que se entende por ser chefe da família e porventura um curioso da genealogia. Os parentes de Mato Bom devem ter-se declarado parentes dentro do 4º por mimetismo com o que havia declarado Manuel de Magalhães e Menezes, pois na verdade não sabiam ao certo, como é normal. E, de facto, eram parentes de Lourenço de Magalhães dentro do 5º grau.

1.1.1.4.3.6.   Pedro de Magalhães, que a 20.4.1486 teve mercê de 12.000 reais de tença. Gaio diz que viveu no Porto. Talvez o Pedro de Magalhães casado com uma D. Isabel, cuja filho Fernando tirou ordens menores em Braga a 31.3.1504.

1.1.1.4.3.7.   Filipa de Magalhães, que casou com Martim da Mesquita. (vide Ensaio sobre a Origem dos Mesquita). Tiveram pelo menos um filho, Luiz, que tirou ordens menores em Braga a 32.3.1504.

1.1.1.5.     Pedro Afonso de Magalhães, nascido cerca de 1370, cujo nome da mulher se desconhece.

1.1.1.5.1.    João Pires de Magalhães, nascido cerca de 1400, que casou com Maria de Lima.

1.1.1.5.1.1.   Diogo Anes de Magalhães, que as genealogias dizem ter sido senhor da quinta ou honra de Merilhões, no termo dos Arcos. Deve ser o Diogo de Magalhães, escudeiro da sua Casa, a quem a 3.9.1440 D. Afonso V concedeu carta de privilégio para os seus apaniguados da correição de Entre-Douro-e-Minho.

1.1.1.5.1.2.   Fernando (Anes) de Magalhães, que a 22.9.1490 foi nomeado escrivão do pescado de Vila do Conde. As genealogias dizem que foi armado cavaleiro em Arzila por D. Afonso V, mas não aparece na respectiva Chancelaria. Dizem também que era filho do Diogo Anes que leva como irmão. Pela cronologia, contudo, e até pelo patronímico, este Fernão Anes seria irmão e não filho de Diogo Anes.

1.1.1.5.1.3.   Rodrigo Afonso de Magalhães, segundo diz a carta de armas (8.7.1605) de seu bisneto António Homem de Magalhães, juiz dos órfãos de Porto de Mós. Nesta carta, que lhe condeu armas de Magalhães e Homem, declara-se filho de Vidal Homem de Magalhães e sua mulher Maria Cid, moradores que foram na vila de Ourém, neto paterno de Nuno Rodrigues de Magalhães e materno de João Homem, bisneto de Rodrigo Afonso de Magalhães e trineto de João Pires de Magalhães e D. Maria de Lima. Rodrigo Afonso, a ser verdadeira a sua filiação em João Pires, terá assim recuperado o prenome e patronímico de seu trisavô, que também era o de seu tio-avô. Na genealogia apresentada na carta de armas destoa o nome do pai do habilitado, já que a ascendência Homem é apresentada pelo lado da mãe do habilitado, que diz neta de Lopo Homem e bisneta de Fernão Rodrigues Homem. É assim provável que João Homem, apresentado como avô materno do habilitado, portanto pai de Maria Cid, seja afinal avô materno de Vidal Homem de Magalhães.

1.1.1.5.2.    Rui Pires de Magalhães, nascido cerca de 1402, cónego da Sé de Coimbra e prior da Louzã. Alão não o entronca. Gaio di-lo filho de João de Magalhães, o que é erro evidente mas muito repetido ainda hoje, tanto mais que muitos dos seus descendentes começaram a partir do séc. XVII a usar Magalhães e Menezes, ainda que indevidamente, por osmose com os seus parentes senhores da Barca. Julgo, até pelo patronímico, que este Rui Pires era filho do Pedro Afonso que leva por pai. Vem como Rui Pires de Magalhães, cónego da Sé de Coimbra e prior da Louzã, na legitimação do filho. Deve ser o Rui de Magalhães, clérigo, arcediago de Viseu, a quem a 28.10.1451 D. Afonso V privilegiou, concedendo-lhe autorização para andar em besta muar de sela e freio. E ainda o Rui Pires, escudeiro de João de Magalhães (neste caso seu primo), que a 26.7.1446 D. Afonso V nomeou por cinco anos para o cargo de coudel no julgado de Nóbrega e Souto Rebordães e seu termo, em substituição de Gil Tição.

1.1.1.5.2.1.   (N) João de Magalhães, n. cerca de 1444 e fal. em 1496, foi legitimado por carta real de 24.8.1475, havido em Maria Afonso. Como João de Magalhães, morador em Tarouca, a 14.12.1465 foi nomeado para o cargo de juiz das sisas e seus feitos no julgado e freguesia de Armamar, Fontelo, Vila Seca e termo da freguesia de Tarouca, em substituição de Álvaro Pires, escudeiro de Fernão Coutinho, que renunciara. A 15.1.1487 foi nomeado escrivão das sisas de Armamar, a 1.7.1482 tabelião de Mesão Frio, a 20.6.1486 coudel de Amarante, a 4.7.1486 tabelião de Gestaçô, e a 27.10.1492 escrivão das sisas de Cerva. Faleceu pouco antes de 6.2.1496, pois nesta data Dinis Afonso, escudeiro d'el rei, foi nomeado de juiz das sisas de Armamar, Fontelo e Vila Seca, como até então fora João de Magalhães, que o ofício tinha e falecera. Dizem as genalogias que este João de Magalhães viveu em Amarante e casou com Maria de Basto, filha do abade de S. João de Louredo, sendo pais dos que se referem adiante. Mas a verdade é que esses alegados filhos são mais tardios. Por outro lado, há um João de Magalhães que a 5.7.1504, sendo escudeiro, morador em Amarante, foi nomeado procurador do número da comarca e correição de Trás-os-Montes, e a 10.5.1515, sendo então dito escudeiro e morador em Tarouca, foi nomeado tabelião do público e do judicial desta vila. Este segundo João de Magalhães é quase de certeza filho do João legitimado em 1475, e as genealogias terão confundido os dois, pai e filho, num só. Assim, o filho é que terá casado com Maria de Basto, e sido pais de Francisco de Magalhães, escrivão das sisas (CJIII, 8, 56) e tabelião (ib, 67, 195v) de Celorico de Basto, que casou com Isabel Vilela, com muita geração. entre a qual Gaspar de Magalhães de Macedo, juiz dos órfão de Celorico de Basto, que como Gaspar de Magalhães teve este ofício a 27.3.1658, por desistência de seu tio Rui Vilela (casado com sua tia Maria de Magalhães), e como Gaspar de Magalhães de Macedo nele foi confirmado a 19.4.1670. Dos anteditos João de Magalhães e Maria de Basto foi também filho António de Magalhães, que Alão diz ter vivido na quinta da Porta de Subdevesa, no termo de Unhão (S. Miguel de Lousada?), casado com Genebra Teixeira. Nascido cerca de 1505, este deve ser o António de Magalhães que foi procurador do número de Santa Cruz de Riba Tâmega (CJIII, 24, 123), antigo concelho que foi integrado no de Amarante. Foi pai, entre outros, de Manuel de Magalhães (casado a 30.9.1561 em S. Gonçalo de Amarante com Filipa Coelho, c.g.) e de Fernão de Magalhães Teixeira, que teve a quinta do Covo, em S. Pedro de Vila Chã de S. Roque (Oliveira de Azemeis) por sua mulher Antónia de Almeida, para a qual quinta teve a 20.8.1564 privilégio para ter forno de vidro, confirmado por D. Filipe I. Com geração que acrescentou o nome Menezes (certamente por osmose ou por se julgar descendente da Casa da Barca), nomeadamente nos condes de Alvelos, na dita casa do Covo e na casa da Torre da Lixa. Craesbeeck (1726), salientando que na capela desta última casa, que tiveram por compra, havia uma pedra de armas já então muito gasta e ilegível, refere instrumentos que viu, certamente uma justificação de nobreza, que dava o cónego Rui Pires de Magalhães como filho do 1º senhor da Barca, o que, para além do mais, é uma impossibilidade cronológica e onomástica. E este natural tropismo para a Casa da Barca, que veio depois a constar nas genealogias tardias, conduziu ao acrescentamento do nome Menezes nesta linha, até então nunca usado. Acresce, aliás, que o nome Magalhães e Menezes usado pela Casa da Barca só surge com os casamentos do 2º senhor, Gil de Magalhães, primeiro com D. Maria de Menezes e depois com D. Isabel de Menezes, conforme ficou dito acima. De resto, um neto paterno do antedito casal António de Magalhães e Genebra Teixeira, chamado António de Magalhães Cerqueira, tirou a 15.6.1606 carta de armas para Magalhães, Coelho, Cerqueira e Teixeira, não havendo então qualquer sombra de prosápia Menezes. Só um bisneto deste António de Magalhães Cerqueira, Fernão de Magalhães e Menezes, adoptou pela 1ª vez o Menezes, bem como as armas de Souza e Menezes que, juntamente com Magalhães, colocou na sua casa de Amarante.

1.1.1.5.2.2.   (N) Branca de Magalhães, legitimada por carta real de 23.4.1477 e perfilhada pelo pai em escritura de 17.9.1476, feita em Coimbra. Branca de Magalhães casou com João de S. Pedro antes de 1479, como se vê numa carta de perdão de D. João II de 8.6.1482, que ambos tiveram por terem agredido um alfaiate (CJII, 2, 121). João de S. Pedro, escudeiro, criado de Álvaro da Cunha, foi tabelião do cível e crime do julgado de Lanhoso e seu termo, por nomeação de D. João II, sendo reconduzido no cargo a 4.5.1496 por D. Manuel I (CMI, 40, 91), que no mesmo dia o nomeou também tabelião dos vizinhos concelhos de Ribeira de Soaz e S. João de Rei, por renúncia de um Fernando Afonso (ib. 40, 102). 15 dias depois foi também nomeado por este rei escrivão da coudelaria de Lanhoso e seu termo (ib, 29, 18). A 24.11 e 14.12.1501 o mesmo rei perdoou a justiça régia a Gonçalo Martins do Rio, meirinho de Lanhoso, e Braz de Castilhes, lavrador, aí morador, por terem deixado fugir um preso que roubara a João de S. Pedro, escudeiro e tabelião desse julgado, de uma sua casa de cozinha, um vestido de sua mulher e outro seu, pratéis e pichéis de estanho e outras coisas que poderiam valer 5 ou 6.000 reais, depois de obterem do dito João de S. Pedro públicos instrumentos de perdão feitos a 22.11 e 28.10.1501, e terem pago 1.500 e 1.000 reais para a piedade, respectivamente (ib, 37, 18v; e 46, 99). A 1.2.1505 João de S. Pedro, escudeiro, tabelião no julgado de Lanhoso, teve ainda mercê do ofício de tabelião do concelho do Couto de Parada de Boi, assim como até então servira João Fernandes, que falecera (ib, 23, 53). A filiação deste João de S. Pedro é desconhecida e diferente da que tardiamente algumas genealogias e justificações de nobreza lhe apontam, como se torna evidente pelo que ficou dito. Encontrei contudo dois candidatos para pai de João de S. Pedro. Um é o João de São Pedro que foi juiz ordinário de Braga, e que já se documenta a 1.6.1442, quando D. Afonso V perdoou a justiça régia a João de Souza, escudeiro, morador na cidade de Braga, acusado de roubar uma besta ao prior do Souto do arcebispado de Braga, e outra a João de São Pedro, morador na dita cidade, na sequência do perdão geral outorgado para o povoamento de alguns lugares do reino. Contudo, inclino-me mais para a hipótese de João de São Pedro ser filho do Martim de São Pedro, morador nas terras de Bouro, a quem a 7.4.1476 D. Afonso V perdoou a justiça régia pela fuga da prisão e por ter ajudado à fuga de outros presos, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram em Castela. Este Martim de S. Pedro está também na cronologia certa, além de estar na geografia certa. Esteve portanto com D. Afonso V nas guerras pela coroa de Castela, embora não na batalha de Toro (1.3.1476), pois a cronologia dificilmente o permite. Estas prisões e fugas eram muito comuns, em geral relacionadas com mortes em duelos e rixas, e em nada prejudicam o estatuto de Martim de São Pedro, que seria idêntico ao de João de São Pedro. De Branca de Magalhães e seu marido descedem muitos Magalhães das terras de Basto. Deles foram filhos, entre outros, João de Magalhães, que tirou ordens menores em Braga a 19.12.1495, António de Magalhães, que tirou ordens menores em 1504, ib, Rui de Magalhães, que desde 1516 se documenta como tabelião e escrivão da Câmara de Lanhoso, e Susana de Magalhães, que foi a 2ª mulher de Afonso Pires Falcão, escudeiro, senhor da quinta de Barrifalcão, em Stª Senhorinha de Basto, donde a família tirou o nome. Este Afonso Pires deve ser o que a 16.3.1491 foi nomeado escrivão das sisas de Cabeceiras de Basto por D. João II e a 13.5.1496 foi confirmado no cargo por D. Manuel I. De Afonso Pires Falcão e sua 2ª mulher Susana de Magalhães nasceram vários filhos que seguiram o nome materno. De sua 1ª mulher Joana Vaz, Afonso Pires Falcão foi pai de Braz Pires Falcão, sucessor, que por sua vez foi pai de Bartolomeu Pires Falcão, sucessor na quinta de Barrifalcão, onde fal. a 14.1.1613, casado com Ana Gonçalves (de Meirelles ou da Cunha), aí fal. a 12.1.1626. Destes foi filha, entre outros, Maria Braz Falcão, fal. a 5.3.1644, ib, e casada a 6.9.1609, ib, com seu primo Francisco de Magalhães, fal. a 11.12.1637, ib, bisneto dos anteditos Afonso Pires Falcão e sua 2ª mulher Susana de Magalhães, os quais tiveram em dote de casamento, por escritura de 27.1.1609, a casa de Barrifalcão, depois também chamada Refalcão ou Rifalcão, c.g. nos viscondes de Pindela, herdeiros desta casa, e em várias outras famílias, nomeadamente nos Moura Coutinho e Magalhães Teixeira da Cunha Falcão e Andrade, da casa de Olela, em Stª Senhorinha, que refiro no meu estudo sobre os Pinto e Moura Coutinho, de Stª Marinha de Zêzere. De Susana de Magalhães e Afonso Pires Falcão foram nomeadamente filhos João de Magalhães, escudeiro fidalgo e escrivão da Câmara de Braga (onde casou com Ana de Barros, c.g.); Braz de Magalhães, senhor da quinta de Sistelo, em Stª Senhorinha de Basto (onde casou com Maria de Faria, c.g.); e o Mestre Luiz de Magalhães (como aparece sempre nos paroquiais, pelo que deve ser o homónimo que teve de D. João III carta de cirurgião - CJIII, 49, 95), n. cerca de 1520 e fal. a 2.12.1582 em Amarante (S. Gonçalo), onde casou cerca de 1545 com Catarina Cerqueira. Gaio diz que este Luiz comprou a quinta da Castanheira, em Telões (Amarante), foi escudeiro fidalgo como o pai e viveu na vila de Amarante, onde a 21.4.1559 (data referida em Cerqueiras, §103, pois em Magalhães, §127, diz 2.3.1540, data esta inaceitável) justificou a sua ascendência pelos Magalhães até João de Magalhães, numa escritura feita pelo tabelião Francisco Cerqueira, que estava em casa do Dr. António José Cerqueira, médico em Amarante. Aí, segundo Gaio, João de Magalhães é dado por pai de sua avó Branca de Magalhães, o que é falso, pois esta Branca era irmã de João, o qual portanto era tio-avô deste Luiz. Dada a proximidade, não sei se é erro da justificação ou erro da leitura de Gaio. Falso também é o nome Machado que atribuiu ao avô João de S. Pedro, marido desta Branca de Magalhães. E resulta desta justificação, ou do entendimento genealógico que lhe está subjacente, o facto de alguns destes Magalhães, nomeadamente os descendente dele, começarem então a usar o nome Machado. O Mestre Luiz de Magalhães teve muita geração em Amarante, sendo pai de: Susana de Magalhães, freira em Guimarães, que foi reformadora do convento de Vila Real por ordem do arcebispo de Braga; Antónia de Magalhães, também freira em Guimarães; Manuel Machado (de Magalhães), n. cerca de 1549 (os baptismos de S. Gonçalo começam em Novembro de 1549), que viveu na vila de Amarante, onde fal. a 21.8.1599, casado em Felgueiras com Francisca de Sampayo (a qual depois casou 2ª vez a 11.2.1602, ib, com Francisco de Magalhães, descendente de João de Magalhães, no nº 1.1.1.5.2.1), com filhos nascidos entre 1586 e 1597; o Dr. Cosme de Magalhães Machado, b. a 11.11.1550 em Amarante (S. Gonçalo) e fal. a 8.5.1594, ib (casado a 28.8.1583, ib, com Catarina Peixoto, com filhos nascidos entre 1584 e 1592); de Branca de Magalhães, b. a 12.9.1557, ib; de Isabel Machado, b. a 29.5.1561, ib, e fal. a 13.8.1633, ib (casada a 1ª vez com Gaspar Pinto, fal. a 7.12.1586, ib, s.g., e a 2ª vez a 16.9.1595, ib, com Francisco Cerqueira, o Bigodes, fal. a 5.10.1645, ib, também s.g.); e de Luiza, b. a 1.9.1564, ib.

1.1.1.5.2.3.   (N) Filipa de Magalhães, legitimada por carta real de 24.8.1475, havida em Leonor Fernandes.

1.1.1.6.     Lopo Rodrigues de Magalhães, nascido cerca de 1372, que Alão, sem o entroncar, diz casado com uma Margarida Nunes, a quem dá vários filhos, entre eles um Rui de Magalhães, cavaleiro da Ordem de Santiago que foi escrivão dos filhamentos do conde de Portalegre. Ora, o 1º conde de Portalegre, D. Diogo da Silva, só foi conde em 1496, pelo que não se pode tratar do mesmo Lopo Rodrigues. Por outro lado, Alão diz que os descendentes dizem que este Lopo Rodrigues foi para Figueiró e Pedrógão "para tratar dos bens da Casa de João Rodrigues Ribeiro de Vasconcellos, que ficou órfão de pouca idade". Ora, este João Rodrigues Ribeiro de Vasconcellos que ficou órfão de pouca idade era o cunhado de João de Magalhães, o 1º senhor da Barca. João Rodrigues nasceu cerca de 1425 e ficou órfão em 1435, com cerca de 10 anos de idade, como se documenta. Pelo que este Lopo Rodrigues de Magalhães, para desempenhar tal função teria de ter já uma idade respeitável. O que acerta cronologicamente com o Lopo Rodrigues em epígrafe, que teria nascido cerca de 1372, pelo que em 1435 teria uns 63 anos. Este Lopo Rodrigues era assim tio de João de Magalhães, o 1º senhor da Barca, que casou cerca de 1438 com a irmã do dito João Rodrigues Ribeiro, sendo porventura este casamento proporcionado justamente pela influência de Lopo Rodrigues. Julgo portanto ser este o que foi para Figueiró, dando origem ao Magalhães de lá. Não sei se foi este Lopo Rodrigues ou seu neto homónimo que casou com uma Margarida Nunes.

1.1.1.6.1.    Fernão Lopes de Magalhães, nascido cerca 1402, escrivão do paço régio da Madeira na cidade de Lisboa. A 3.4.1439 D. Afonso V confirmou a nomeação de Fernão Lopes de Magalhães, criado de João Gonçalves, escrivão da puridade de D. João I, no cargo de escrivão do paço régio da Madeira na cidade de Lisboa, assim como o era em vida de D. João I (inserta carta de confirmação de D. Duarte de 17.11.1433). Pelo patronímico parece filho de Lopo Rodrigues, tanto mais que não se conhece outro Lopo nesta cronologia. Inversamente, o seu patronímico vem provar a existência de um Lopo (...) de Magalhães nascido no último quartel do séc. XIV.

1.1.1.6.1.1.   ?Lopo Rodrigues (de Magalhães), que Alão confunde com seu avô homónimo, nesta hipótese. Foi inquiridor das inquirições judiciais de Pedrógão Grande e escrivão dos órfãos da mesma vila, cargos a que renunciou em 1500 e 1501. Parece que instituiu uma capela em Figueiró dos Vinhos, da invocação de Espírito Santo. Nasceu cerca de 1425/30 e fal. depois de 1501. A 26.3.1501 D. Manuel I confirmou aos juizes, vereadores e homens bons de Pedrógão Grande a eleição de Diogo de Magalhães para escrivão dos órfãos nessa vila e seus termos, visto um instrumento de eleição, feito e assinado por Álvaro de Oliveira, tabelião nessa mesma vila, a 16.3.1501, no qual, entre outras coisas, se continha que Lopo Rodrigues, pai de Diogo de Magalhães, que o servira, renunciara em mãos d'el rei, pelo que o ofício estava vago, e eles todos juntos, segundo seu costume, haviam elegido e apresentavam o dito Diogo de Magalhães. E visto o instrumento de renunciação de seu pai que o suplicante mostrou, feito e assinado por Luiz Anes, tabelião por el rei na vila de Figueiró dos Vinhos, a 25.2.1501 e visto seu dizer e pedir e por acharem Diogo de Magalhães suficiente como fora o seu antecessor, o dava em sua vida, nessa vila e seus termos, por escrivão dos órfãos. E a 7.4.1500 o mesmo rei, por carta endereçada aos juizes, concelho e homens bons de Pedrógão Grande, nomeou o mesmo Diogo de Magalhães, ali morador, inquiridor das inquirições judiciais do lugar onde mora, que era de Lopo Rodrigues que ao mesmo renunciou, de acordo com instrumento de renúncia lavrado pelo tabelião da cidade de Lisboa, Braz Afonso, datado de 2.4.1500. Que este Lopo Rodrigues não era o Lopo Rodrigues de Magalhães que Alão e outros dizem que foi aio ou administrador da Casa ("tratar dos bens da Casa") de João Rodrigues Ribeiro de Vasconcellos "que ficou órfão de pouca idade" é evidente não só pela cronologia mas também pelo estatuto. Sendo que este Lopo Rodrigues, que propomos neto do outro (não sendo de excluir a hipótese de ser neto materno, dado que nunca se documenta como Magalhães, sendo contudo certo que era desta família) é certamente o Lopo Rodrigues, escudeiro de João Rodrigues Ribeiro, que a 1.3.1463 D. Afonso V nomeou por três anos para o cargo de coudel da vila de Pedrógão e Figueiró e seus termos, em substituição de Diogo Vasques, que terminara o seu tempo de exercício, sendo em 1466 foi substituído no cargo por Nuno Leitão. Mas em 1463 já João Rodrigues Ribeiro tinha cerca de 38 anos e era do Conselho de D. Afonso V. A 11.2.1471 já Lopo Rodrigues era escudeiro régio, pois nesta data o mesmo rei doou a Lopo Rodrigues, escudeiro régio, umas casas que pertenceram a Afonso Anes, clérigo de missa, morador que foi em Pedrogão Grande, que as comprara sem licença régia, e à sua morte as deixara a Leonor Gonçalves, sua servidora. A a 5, 6 e 18.1.1473 D. Afonso V confirmou a nomeação vitalícia de Lopo Rodrigues, escudeiro, morador em Figueiró, feita pelos juizes, vereadores, procuradores corregedores e homens bons de Figueiró, no cargo de escrivão da câmara e dos orfãos da dita vila, bem assim como escrivão vitalício da almotaçaria do dito concelho e de escrivão da coudelaria e inquiridor de Figueiró e Pedrogão, em substituição de Afonso do Porto, que morrera. E a 18.12.1475 voltou a nomear por três anos Lopo Rodrigues, escudeiro da Casa Real, para o cargo de coudel de Figueiró e Pedrógão, em substituição de João Álvares. Terá sido este e não o proposto avô que casou, cerca de 1450/60, com Margarida Nunes. Foi pai, entre outros, do já referido Rui de Magalhães, que Alão diz ter sido cavaleiro da Ordem de Santiago, escrivão dos filhamentos, mordomo-mor e vedor do conde de Portalegre, e de Branca da Magalhães, nascida cerca de 1463, que sucedeu na capela instituída por seu pai e casou com Rui Cotrim, escrivão das sisas de Figueiró (8.2.1487). Sendo certo que foi pai do antedito Diogo de Magalhães, que a 7.4.1500 o substituiu como inquiridor das inquirições judiciais de Pedrógão Grande, e a 26.3.1501 como escrivão dos órfãos da mesma vila, cargo em que servira seu pai e renunciara nas mãos do rei a 25 de Fevereiro desse ano. A 6.3.1513 Diogo de Magalhães, escudeiro, morador em Pedrógão Grande, foi nomeado escrivão das sisas de Penela.

1.1.1.7.     (Leonor) Afonso de Magalhães, nascida cerca de 1374, que casou com Lourenço Gil, escudeiro de D. João I, a quem este rei doou a 23.8.1384, para sempre, os bens móveis e de raiz que tinham em Beja seus pais, Gil Anes, corregedor que foi de D. Fernando I, e sua mulher Senhorinha Gil, que os perderam por terem tomado o partido de Castela, bens esses que o mestre de Avis antes doara a Estêvão Anes Lobeira, que os perdeu também por andar em deserviço.

1.1.1.7.1.    Afonso Lourenço de Magalhães, escudeiro, já falecido em 1436, morador que foi em Santarém, que usou o apelido materno, o que nesta cronologia já se verifica noutros casos. Sendo casado (o documento não refere com quem), Afonso Lourenço de Magalhães teve de Catarina Anes, mulher solteira, uma filha:

1.1.1.7.1.1.   (N) Leonor Afonso de Magalhães, legitimada por carta real de 26.1.1436, sendo então já casada com Gonçalo da Fonseca, criado de D. Duarte I, que parece ser o Gonçalo da Fonseca, alcaide-mor de Marialva, a quem a 22.5.1459 D. Afonso V nomeou por cinco anos para o cargo de coudel de Langroiva, Muxagata, Vila Nova de Foz Côa e Meda.

1.1.1.7.2.    Martim Gil, nascido cerca de 1400, escrivão da corte de D. Duarte, também referido como escrivão e notário público geral do rei, aparecendo em dezenas de documentos, muitos dos quais assina. Não se sabe com quem casou.

1.1.1.7.2.1.   Gil Anes, que recuperou o nome de seu bisavô, o corregedor de D. Fernando I. Nasceu cerca de 1438 e foi cavaleiro fidalgo de D. Afonso V e vedor da descarga das naus e navios do porto de Lisboa. A 29.3.1665 D. Afonso V concedeu carta de privilégio a Gil Eanes, cavaleiro da sua Casa, para todos os seus mordomos e apaniguados para a comarca e correição da Estremadura. A 20.1.1465 D. Afonso V doou a Gil Eanes, cavaleiro da sua Casa, vedor da descarga das naus e navios do porto de cidade de Lisboa, uma tença anual de 8.400 reais de prata de mantimento pelo seu ofício, a partir de 1 de Janeiro de 1462, a serem pagas pela Alfândega da dita cidade. Dizem as genealogias que Gil Anes, a que dão o nome Magalhães, foi embaixador a Inglaterra e ao imperador Maximiliano (neto materno de D. Duarte) e cavaleiro da Jarreteira (Order of the Garter), mas não consta nas respectivas listas. Outros dizem que era cavaleiro do Santo Sepulcro. O Dr. João da Madre de Deus, nas suas Memórias, diz que não sabia de quem era filho, só que era um cidadão honrado de Lisboa e que estava enterrado em S. Francisco de Xabregas com uma cruz por armas, e lhe chamavam o cavaleiro porque parece que o era da Ordem do Sepulcro de Jerusalém, hábito que dava o guardião daquele convento aos romeiros. Gil Anes casou com Isabel de Paiva, filha de Vasco Martins de Paiva, cavaleiro da Casa de D. Afonso V. A 28.3.1476 este rei privilegiou Vasco Martins de Paiva, cavaleiro da sua Casa, morador na cidade de Évora, coutando-lhe a herdade e terra que tem no termo da dita cidade, bem como concedeu alguns privilégios aos lavradores do novo couto. E a 30.10.1477 D. Afonso V privilegiou o prior e mosteiro de Santa Maria do Espinheiro, ordenando que qualquer demanda que seja posta contra eles na comarca de Entre-Tejo-e-Odiana fosse julgada na cidade de Évora, nomeando para juiz dos feitos Vasco Martins de Paiva, cavaleiro, morador na dita cidade. Gil Anes e sua mulher foram pais, entre outros, de Bartolomeu de Paiva, do Conselho, amo e camareiro de D. João III, e de D. Beatriz de Paiva, ama de leite de D. João III, que casou com D. Álvaro da Costa, do Conselho, criado e feitor de D. Manuel I e depois seu guarda-roupa (pelo menos desde 1507), camareiro (1512) e armador-mor (1515), rei que lhe deu o tratamento de Dom. C.g. que muito usou o prenome e patronímico Gil Anes.

1.1.1.7.3.    Gonçalo Anes de Magalhães, nascido cerca 1402, fidalgo da Casa Real, recebedor do almoxarifado de Beja, etc. Gonçalo Anes de Magalhães já se documenta como recebedor em 1435, na Chancelaria de D. Duarte. A 4.1.1445 D. Afonso V fez quitação a Gonçalo Anes de Magalhães, seu escudeiro e recebedor do almoxarifado de Beja, morador nesta vila, da verba de 792.976 reais, relativa ao ano de 1442, período durante o qual recebera as rendas do dito almoxarifado, conforme a apresentação do relatório de receitas e despesas.

1.1.1.7.3.1.   Diogo de Magalhães, n. cerca de 1440, tabelião de Silves a 2.4.1482, onde antes foi juiz. A 21.7.1468 D. Afonso V perdoou o degredo de seis meses a Diogo de Magalhães, morador na cidade de Silves, de um ano a que fora condenado para a cidade de Ceuta, tendo pago 500 reais de prata para a Arca da Piedade. A 7.4.1475 o mesmo rei perdoou a justiça régia a Vasco Rodrigues, morador na cidade de Silves, acusado de ter impedido Vicente Chagas, corregedor régio no reino do Algarve, de levar preso Diogo de Magalhães, juiz, mediante o perdão das partes, tendo pago 700 reais para a Arca da Piedade (instrumento público de perdão de 3.4.1475). Em 1501 era tabelião de Silves um Pedro de Magalhães, possivelmente seu filho.

1.1.1.7.4.    Nuno Anes de Magalhães, virtual pai de:

1.1.1.7.4.1.   Martim Nunes de Magalhães, criado da rainha D. Leonor, morador em Olivença, que a 19.12.1464 foi nomeado por D. Afonso V para o cargo de inquiridor e contador da dita vila e seu termo, em substituição de Lourenço Gonçalves, que renunciara. Este Lourenço Gonçalves devia ser pai ou irmão da mãe de Martim Nunes de Magalhães.

1.1.1.7.5.    Fernão Gil de Magalhães, n. cerca de 1410, que a 11.6.1468 foi escrivão da coudelaria de Belver (Gavião, Portalegre). Dada a onomástica, cronologia e geografia, era certamente filho de Lourenço Gil e sua mulher (Leonor) Afonso de Magalhães, uma vez que não podia ser filho de Gil Afonso de Magalhães, referido atrás, que já tem um filho Fernão. Acresce que, como escrivão da coudelaria de Belver, Fernão Gil de Magalgães situa-se a Sul, portanto na região dos filhos de Lourenço Gil. Teve uma filha de Maria de Azevedo, que já era ou foi depois freira em Arouca, irmã de João Álvares de Azevedo, que trato no nº VII do meu estudo Uma linha Azevedo em Viseu.

1.1.1.7.5.1.   (N) Beatriz de Azevedo, n. cerca de 1450. Casou com seu primo-direito Pedro Esteves, filho de outro Pedro Esteves, escudeiro, escrivão das sisas de Paiva (26.12.1476, confirmado a 9.9.1482), e de sua mulher Mécia Álvares Aranha, irmã do dito João Álvares de Azevedo e de Rui Gomes de Azevedo, que casou com Senhorinha Dias Alão, sem geração, tendo esta, já viúva, tido a 9.7.1476 o privilégio real para instituir uma capela no mosteiro de S. Domingos, no Porto, e a dotá-la com bens no valor de 1.000 reais, de acordo com a disposição testamentária do seu marido, capela esta em que sucedeu o antedito Pedro Esteves, o filho. Deste Pedro Esteves e sua mulher e prima-direita Beatriz de Azevedo foram filhos: 1) Heitor de Magalhães, escudeiro, morador no concelho de Paiva, que a 3.7.1517 foi escrivão dos órfãos, contador dos feitos e custas e inquiridor deste concelho; e 2) Jorge de Magalhães, escudeiro, escrivão dos órfãos (27.7.1496) e das sisas (3.10.1498) de Baião, que sucedeu na antedita capela instituída em S. Domingos do Porto e foi por casamento senhor da quinta da Lage, em S. Leocádia de Baião, c.g. nos Magalhães e Azevedo de Baião e Mesão Frio (genealogias que desenvolvo no meu estudo Casas das Quartas e da Roupeira e em Stª Leocádia de Baião. Ascendências e alianças, ainda por publicar). Jorge de Magalhães nasceu cerca de 1465. Era já tabelião de Baião em 1501, cargo para o qual não encontrei nomeação, e que perdeu por erros cometidos, nomeadamente por entregar o ofício a terceiros, sem para tal possuir autorização régia, sendo a 30.6.1502 substituído por Pedro Anes, criado do doutor Diogo de Lucena. Mas de alguma forma voltou a ocupar o cargo, pois a 3.7.1517 Diogo de Magalhães, escudeiro, morador no concelho de Baião, foi nomeado tabelião do público e judicial nessa terra e suas honras, substituindo no cargo Jorge de Magalhães, seu pai, que o enviou renunciar em mãos de João Fernandes de Souza, senhor dessa terra, segundo um público instrumento feito por si, a 1.6.1517, por mercê concedida pela apresentação de João Fernandes de Souza, segundo outro público instrumento feito por Jorge de Magalhães a 1.6.1517.

 

 

PORTO, 2007

 
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