regresso à bibliografia

 Manuel Abranches de Soveral

 

 

 

Brandão de Macedo e Mello de Melres

Breve ensaio sobre os Brandão de Melres, a mais antiga família nobre que se conhece nesta vila, onde se instala no início de 1500, e aqui cedo se relaciona com os Macedo e Mello e os Vieira, e depois com os Portocarrero, a restante fidalguia local. Esta resenha acaba no séc. XVIII, com o casamento da herdeira destes Brandão com o morgado João da Cunha Coutinho Ozorio de Portocarreiro, senhor do palácio da Bandeirinha, no Porto, família que tinha ido para Melres em 1600 devido ao casamento com uma herdeira dos referidos Vieira. A outra linha (§2), iniciada com Francisca Brandão e seu marido o Capitão António de Macedo, acaba com D. Antónia Benedita, herdeira da Casa Grande, que casou com o morgado de Vilar de Perdizes. Desta linha descendem não só os Brandão de Macedo e Mello tratados no §1, mas também os Macedo Vieira de Mello, morgados da quinta do Ribeiro, em São Lourenço do Douro, que representam os anteditos Capitão António de Macedo e sua mulher Francisca Brandão.

§1 - Quinta da Sobreira

 

I - Álvaro Brandão, escudeiro fidalgo da Casa Real e cidadão do Porto, onde foi vereador do Senado da Câmara e juiz almotacé em 1501.1 Instituiu uma capela de missas no convento de S. Domingos, nesta cidade, à qual vinculou um senso anual de trinta reais, imposto no seu casal de Esposade, junto a Leça da Palmeira. Nasceu cerca de 1440, certamente em Coimbra, e faleceu entre 1523 e 1525, muito provavelmente em Melres. A 10.11.1498 foi nomeado, por carta de D. Manuel I, escrivão das sisas e redízima do concelho de Melres, na sequência do que se instala nesta vila, onde foi o 1º senhor da quinta da Sobreira, onde viveu, e senhor da quinta do Souto, mais tarde chamada dos Loureiros. No foral da vila de Melres, dado por D. Manuel I a 15.9.1514, já se fala deste Álvaro Brandão e das suas duas quintas, que no total pagavam 1.720 reais de foro: "E a quimtaa de souereira paga outros mill e oytmta Reaaes. E outra quimta dáluaro brandam seis cemtos e quoremta Reaaes."

Álvaro Brandão era filho de João Brandão, de Coimbra, como se documenta no testamento de D. Filipa, filha do infante D. Pedro, no qual ela declara dever 10.000 reais a uma filha de João de Aragão, casada com Álvaro Brandão, filho de João Brandão, de Coimbra. A transcrição deste documento (ACS, Provas, vol. I) leu mal o nome Brandão bem assim como a data, referida como 19 de Julho de 1497, mas é necessariamente 1493, pois D. Filipa, freira em Stª Clara de Odivelas, faleceu aí a 25.7.1493. Os 10.000 reais referidos deviam ser respeitantes a uma tença, e são apresentados como dívida certamente por resultarem de um dote de casamento transformado em tença. Álvaro Brandão era, portanto, filho de João Vasques Brandão, nascido cerca de 1412 e falecido entre 1496 e 1499, e de sua mulher Isabel de Alpoim, com quem se documenta casado em 1445. João Vasques Brandão, que também se documenta apenas como João Brandão, foi escudeiro do infante D. Pedro e depois de D. Afonso V, e almoxarife de Coimbra e procurador desta cidade às Cortes de Lisboa de 1459. Com efeito, a 24.6.1439 D. Afonso V confirmou a nomeação de João Brandão, criado do infante D. Pedro, para o cargo de almoxarife da cidade de Coimbra. A 19.1.1440 o mesmo rei privilegiou Lourenço Esteves, morador em Setúbal, a pedido de João Vasques Brandão, escudeiro da Casa do infante D. Pedro, isentando-o de ir com presos e dinheiros, bem como de ser posto por besteiro do conto. A 21.9.1442 privilegiou Pedro Álvares, barbeiro, amo de João Vasques Brandão, e a seu pedido, morador na cidade de Coimbra, isentando-o do direito de pousada (estes amos eram em geral os maridos das amas de leite). A 28.8.1443 confirmou o perfilhamento de João Vasques Brandão, escudeiro do infante D. Pedro, feito por Vasco Lourenço Gorrios e sua mulher Maria Domingues. Estes perfilhamentos, em geral feitos por casais sem filhos, eram então comuns e uma forma de tornar os perfilhados seus herdeiros. A 28.11.1444 D. Afonso V privilegiou João Vasques Brandão, almoxarife na cidade de Coimbra, concedendo-lhe carta de segurança para poder fretar dois navios na Galiza para transportar sal das suas marinhas de Setúbal, contanto que não passem do cabo de S. Vicente. A 14.5.1445 perdoou a justiça régia e a fuga da prisão a Inez Beltrão, moradora na cidade de Coimbra, acusada de jurar falso testemunho e de ter difamado João Vaz Brandão e sua mulher Isabel de Alpoim, moradores na mesma cidade, mediante o perdão das partes, tendo pago 200 reais para a Chancelaria. A 16.4.1450 nomeou João Vasques de Mello, morador na cidade de Coimbra, para o cargo de homem do almoxarifado da dita cidade, em substituição de Fernando Anes, criado de João Vasques Brandão, que renunciara. A 15.7.1450 D. Afonso V doou a João Brandão, escudeiro da sua Casa, os bens que pertenceram a Vasco Gonçalves, criado do infante D. Pedro, e a Afonso de Abreu, criado de João de Ataíde, de Penacova, que os perderam por terem estado na batalha de Alfarrobeira ao lado do dito infante. Não sendo certo que se trate do mesmo João (Vasques) Brandão, parece provável, sendo de entender que não terá estado em Alfarrobeira e que, com a morte do infante, passou a escudeiro da Casa Real. Finalmente, a 8.7.1459, na sequência dos capítulos especiais apresentados nas Cortes de Lisboa de 1459 pelo concelho e homens bons da cidade de Coimbra, por João Vasques Brandão e João Rodrigues, bacharel em leis, seus procuradores, D. Afonso V decidiu sobre as contendas entre os moradores da cidade e termo com o prior do mosteiro de Santa Cruz, os abusos de jurisdição feitos por D. João de Menezes, o número de besteiros do conto, entre outros. Para a ascendência deste João (Vasques) Brandão vide as minhas Reflexões sobre a origem dos Brandão, in "Ferreira Pinto Brandão, de Paços de Ferreira, Cête e Mouriz - uma família de militares e padres".

Álvaro Brandão casou cerca de 1492 com Maria Beatriz de Aragão, irmã mais nova de James de Aragão, escudeiro do bispo do Porto (1486), juiz almotacé (1497-1504) e vereador do Senado do Porto (1509), que sendo referido como Jaime de Aragão, escudeiro, morador no Porto, já a 25.1.1463, era ainda muito novo, quando teve o cargo de coudel nessa cidade e seu termo. Era também irmã de João de Aragão, escudeiro, a quem D. Afonso V aforou um prazo no Porto a 20.7.1663 que já fora de seu pai (LN, Além-Douro, 4, 45 e 45v, e 35 e 36). Eram todos filhos de João de Aragão2, escudeiro (1440) e vassalo (1460) da Casa Real, cidadão do Porto (morador na Rua Nova) e aí vereador do Senado da Câmara desde 1439 a 1456, juiz (1460), alcaide da Moeda (1440), vedor das obras da muralha (6.3.1448), etc., e de sua mulher Violante Gil, filha de Gil Vasques, cavaleiro, e sua mulher Margarida Gil, que a 1.6.1421 aforaram a casa na Rua Nova em que depois viveu João de Aragão, e neta paterna de Vasco Afonso.

Álvaro Brandão e sua mulher Maria de Aragão ainda viviam em 23.12.1522, data em que herdaram de Leonor de Aragão, irmã dela, a casa da Cruz do Souto, no Porto, que fora de seus pais3. Já tinham ambos falecido em 1526.

Filhos:

1(II) Maria Brandão, freira em Santa Maria de Tarouquela em 1522.

2(II) Isabel Brandão, que segue.

 

 

II - Isabel Brandão, que sucedeu a seu pai como 2ª senhora das quintas da Sobreira, onde viveu, e do Souto, sendo ainda senhora da casa da Cruz do Souto, no Porto, e senhora da capela dos Brandão no convento de S. Domingos, na mesma cidade. Nasceu cerca de 1495 e faleceu depois de 1527. 

Casou em Melres cerca de 1515 com António Gomes de Freitas, escudeiro fidalgo da Casa Real e cidadão do Porto, que sucedeu a seu sogro como escrivão das sisas e redízima do concelho de Melres, por carta de D. João III.4 Era filho de Gomes Fernandes de Freitas, cidadão do Porto e da governança desta cidade, e familiar dos Freitas e Faria do Porto5

António Gomes de Freitas e sua mulher Isabel Brandão adquiriram, por escritura de 28.3.1526, feita no tabelião do Porto Braz Francisco, alguns casais e foros contíguos à sua casa da Cruz do Souto.6

Filhos:

1(III) António Brandão de Faria, escudeiro fidalgo da Casa Real (Ementas, 3, 100 e 11248), que teve carta de aforamento (ib, 5, 7) e sucedeu como 3º administrador da capela dos Brandão em S. Domingos do Porto7 e pelo menos como co-herdeiro casa da Cruz do Souto. Casou com Isabel da Rocha. Em 1560 viviam em Lisboa, na rua de Valverde. Julga-se que sem geração.

2(III) Maria Brandão de Aragão, freira no mosteiro de S. Bento do Porto.

3(III) João Brandão de Faria, que segue.

4(III) Heitor de Faria, cavaleiro fidalgo da Casa Real, que foi para a Índia, sendo em 1563 dado como desaparecido.

5(III) Francisca Brandão casada com o Cap. António de Macedo, que seguem no §2.

 

 

III - João Brandão de Faria, cavaleiro fidalgo da Casa Real, sucedeu a seu pai como escrivão das sisas e redízima do concelho de Melres, e a sua mãe como 3º senhor da quinta da Sobreira, onde nasceu cerca de 1520 e faleceu depois de 1581 e antes de 1591. Com seus irmãos, todos co-herdeiros da casa da Cruz do Souto, venderam esta propriedade por 40.000 reais em escritura de 3.1.1571.

Casou cerca de 1561 com sua prima Maria de Freitas, nascida cerca de 1544 e falecida viúva e nonagenária a 29.10.1633 na quinta da Sobreira, sendo sepultada na matriz de Melres em "campa grande" e deixando testamenteiro António de Macedo (que só pode ser seu sobrinho-neto por afinidade António Vieira de Mello, filho sucessor de António de Macedo, referidos no §2). Julgo que esta Maria de Freitas era filha de um Barreiros/Vieira8 e neta materna de Diogo Gomes de Freitas, tabelião de Melres, criado e escudeiro do conde de Cantanhede e seu ouvidor em Melres, onde viveu, e de sua mulher Maria de Azeredo. Diogo Gomes era irmão de António Gomes de Freitas, referido acima no nº 2, pelo que esta Maria de Freitas seria "sobrinha" do marido, ou seja, filha de uma prima co-irmã do marido (parentes dentro do 2º grau de consanguinidade). A mãe desta Maria de Freitas devia ser Inez de Freitas, irmã mais velha do João que tirou ordens menores em Braga a 4.4.1534 como filho de Diogo Gomes e sua mulher Maria de Azeredo, moradores em Melres. Portanto, também irmã da Maria de Azeredo que casou com Manuel de Araújo Ferraz, infanção do Porto, referidos abaixo no nº 2 (IV). Aquela Maria de Azeredo (mulher de Diogo Gomes de Freitas), que terá nascido no Porto cerca de 1487, era certamente filha de Pedro Anes da Espinheira, nascido cerca de 1460 e falecido depois de 1504, escudeiro e cavaleiro das Casas de D. João II e D. Manuel I, corregedor do reino do Algarve, chanceler da comarca e correição de Entre-Douro-e-Minho e corregedor na comarca de Trás-os-Montes, e de sua mulher Constança de Azeredo. Pedro Anes da Espinheira, escudeiro da Casa de D. João II, era corregedor por el rei no Algarve quando a 28.5.1491 este rei nomeou Luiz Dias, escudeiro, morador em Viana a par de Alvito, como tabelião-geral nessa correição (CJII, 10, 73v). A 17.5.1496 já era chanceler da comarca de Entre-Douro-e-Minho, quando João da Lomba, seu criado, foi nomeado tabelião do cível e crime no julgado de Regalados (CMI, 69, 322). A 23.12.1499, sendo escudeiro d’el rei e chanceler da correição de Entre-Douro-e-Minho, foi nomeado corregedor na comarca de Trás-os-Montes, com alçada e poderes (CMI, 14, 79), cargo que exerceu pelo menos até 1504, pois a 5 de Julho deste ano João de Magalhães, escudeiro, morador em Amarante, foi nomeado procurador do número da comarca e correição de Trás-os-Montes, e bem assim da vila de Amarante quando aí estivesse, perante Pedro Anes da Espinheira, cavaleiro da Casa d’el rei, corregedor com alçada na dita Comarca, visto serem precisos três ou quatro procuradores (CMI, 23, 22). Sua mulher Constança de Azeredo era irmã de Álvaro Rodrigues de Azevedo, que teve de D. João III mercê para andar de mula (CJIII, 52, 210) e que Alão diz ter sido chanceler da correição de Entre-Douro-e-Minho (deve ser confusão com o cunhado, pois não o documento como tal) e casado com Constança Soares (de Araújo). Eram ambos filhos de outro Álvaro Rodrigues de Azeredo, nascido cerca de 1430, escudeiro, juiz do Porto (1464) etc., e de sua mulher Beatriz Anes. A 8.7.1469 D. Afonso V perdoou qualquer perda de bens a Álvaro Rodrigues de Azeredo, morador na cidade do Porto, por ter vendido pão para a Galiza, a Pedro Álvares de Souto Maior, entre os anos de 1468 e 1469 (CAV, 31, 75v). Podendo também ser o Álvaro Rodrigues, escudeiro e vassalo régio, morador na cidade do Porto, que a 16.8.1468 teve mercê real da administração de uma capela na Sé da dita cidade, em substituição dos parentes de Martim Pires Alvarinho que a tinham, pois não eram de descendência directa dele, contanto que os seus sejam (CAV, 28, 82).

Filhos:

1(IV) Isabel Brandão, que segue.

2(IV) Melícia Vieira de Aragão, nascida cerca de 1563 em Melres, viveu casada em S. Lourenço do Douro. Casou com Aires Leitão, senhor da quinta de Sande, em S. Lourenço do Douro, prazo do convento de Bustelo, de que foi 1ª vida e sua mulher 2ª vida (Prazos do Mosteiro de Bustelo).

Filhos:

2.1(V) Ana Vieira de Aragão, nascida cerca de 1580, que sucedeu no prazo da quinta de Sande, em 3º vida, onde faleceu a 14.2.1625, com testamento, deixando herdeiro e testamenteiro seu marido. Casou cerca de 1599 com Jorge Moutinho de Altero, aí falecido a 27.6.1645, deixando herdeiro o seu genro Dr. Diogo Peixoto da Silva. Em 1608 Jorge Moutinho de Altero e sua mulher tinham tinham também o prazo da Concela, em Stª Marinha de Penha Longa (Prazos do Convento de Alpendurada, 19, 291).     

Filhos:

2.1.1(VI) Maria Moutinho de Altero, sucessora, que nasceu cerca de 1600 em S. Lourenço do Douro, onde faleceu a 24.12.1669, com testamento, deixando herdeiros seus filhos. A 17.9.1641 teve, com seu marido, renovação do prazo da quinta de Sande, em S. Lourenço do Douro (Convento de Bustelo, 25, 49). E a 1.2.1658, já viúva, fez, com autorização do mosteiro, uma escritura de dote no tabelião de Benviver Gonçalo Pinto a sua filha Mariana e seu marido de parte da quinta de Sande, divindo a restante pelos outros filhos. Casou a 12.8.1618, ib, com o Dr. Diogo Peixoto da Silva, nascido em S. Paio de Favões, bacharel (27.5.1617) formado (23.5.1618) em Cânones pela Universidade de Coimbra, juiz de S. Lourenço do Douro, etc., falecido, com testamento, a 27.6.1645 na antedita quinta de Sande, que herdou do sogro e onde viveu ainda em vida deste. A sua filiação infelizmente não é referida no assento de casamento. As genealogias (nomeadamente Gaio, Volume XI, Costados, pag. 216) dizem-no filho de Manuel da Mota (Peixoto da Silva) e de sua mulher Maria Ribeiro. Mas uma Maria da Mota, referida como mãe do licenciado Diogo Peixoto da Silva, faleceu a 28.9.1633 na vizinha freguesia de Sande (Marco). Não devem ter existido na mesma época dois licenciados de nome Diogo Peixoto da Silva, até porque só encontrei na Universidade de Coimbra um Diogo Peixoto, que se matriculou em Instituta em 1611, sendo justamente natural de S. Paio de Favões e vindo aí referido como filho de Jorge Peixoto. Ora, este é certamente o Jorge Peixoto Cabral, abade de S. Paio de Favões, que nomeadamente teve filhos naturais em Maria Francisca, solteira de Oleiros (Vila Boa do Bispo), e que veio a S. Lourenço do Douro, sendo abade de S. Paio de Favões, baptizar em 1619 o primeiro filho deste licenciado Diogo Peixoto da Silva. Não me parece, assim, restarem grandes dúvidas de que o Dr. Diogo Peixoto da Silva era portanto filho natural da antedita Maria da Mota (filha talvez dos tais Manuel da Mota e sua mulher Maria Ribeiro que Gayo refere) e do abade Jorge Peixoto Cabral. Este abade (já o era em 1587 e mantinha-se em 1619) nasceu cerca de 1545 e era filho de Jorge Gonçalves Peixoto (Cabral), nascido cerca de 1515 e falecido a 8.5.1590 em S. Miguel de Matos, onde foi senhor da quinta da Granja, e de sua mulher Isabel Álvares de Souza; e neto paterno de Diogo Anes Peixoto (da Silva) e sua mulher Maria Gonçalves, moradores na sua quinta do Pinheiro, em Vila Boa do Bispo. Gaio chama Pinheiro a esta Maria Gonçalves e diz que era neta de João Vasques de Lordelo, senhor da quinta do Olival, em Lidrais (Vila Boa do Bispo), que documento como escudeiro do duque de Guimarães e vassalo régio em 1471. Mas seria apenas Maria Gonçalves, dita do Pinheiro por ser senhora da dita quinta do Pinheiro. Para ser neta de João Vasques de Lordelo, esta Maria Gonçalves, dadas a onomástica e a cronologia, só podia ser neta materna, filha de uma sua filha, que certamente casou com o João Gonçalves que era morador na quintã de Lidrães da terra de Bemviver quando a 13.9.1513 foi nomeado tabelião do público e judicial do concelho de Sanfins, na condição de ir viver para esse concelho, sucedendo a Fernão Pires que renunciou o dito ofício, de acordo com o instrumento de renúncia feito e assinado por Pedro Anes, tabelião da dita terra de Bemviver, datado de 12.9.1513. Mas não ficou muito tempo no cargo, pois a 5.11.1516 D. Manuel I deu conhecimento aos juizes, concelho e homens bons do concelho de Sanfins da mercê do ofício de tabelião do público e do judicial feita a Álvaro Dias, morador em Bemviver, substituindo João Gonçalves, que o perdeu por erros cometidos, descritos na carta. João Vasques de Lordelo, portanto avô materno da mulher de Diogo Anes Peixoto (da Silva), foi pai de Pedro Anes (de Lidrais), escudeiro, senhor da quinta do Olival, em Lidrais (Vila Boa do Bispo), escrivão dos órfãos (28.4.1504), tabelião (era-o em 1513) e inquiridor das inquirições judiciais e contador dos feitos e custas (9.3.1500) de Bemviver, etc., que casou com Isabel Pires Vieira, filha de Pedro Gonçalves Cabral, senhor de um prazo do Ribeiro, em Vila Boa do Bispo, e sua mulher Beatriz Afonso Vieira, senhora da quinta do Ribeiro, em S. Lourenço do Douro. Ora, este Pedro Gonçalves Cabral era tio do antedio Diogo Anes Peixoto (da Silva), filho de seu irmão João Gonçalves Peixoto, ambos de Vila Boa do Bispo e filhos de outro João Gonçalves Peixoto e de sua mulher e prima Catarina Martins Cabral, e netos paternos de Lourenço Cabral Peixoto e sua mulher Isabel da Silva. Este Lourenço era filho de Álvaro Gonçalves Peixoto e de sua mulher Catarina Gil Cabral (filha de Álvaro Gil Cabral, 1º senhor de Azurara da Beira, etc.); neto de Gonçalo Anes Peixoto, o último que o conde D. Pedro refere, sem mais informação, pelo que seria então jovem e ainda solteiro, e de sua mulher Inez Pires;biseto de João Vasques Peixoto e sua mulher Guiomar Anes Espinhel; trineto de Vasco Gonçalves Peixoto, senhor da honra de Pardelhas, e de sua mulher Maria Anes Tenro, senhora da honra de Pedroso; 4º neto de Gonçalo Gomes Peixoto, senhor da honra de Pardelhas, e de sua mulher Usenda Anes de Guimarães; e 5º neto de Gomes Peixoto, o Velho, senhor da honra de Pardelhas, o 1º deste nome, e sua mulher D.Maria Rodrigues Pereira. Gomes Peixoto, o Velho, parece ter recebido de D. Afonso III a honra de Pardelhas, junto a Guimarães, e outras terras. Foi o patriarca da linhagem dos Peixoto e estabeleceu-se primeiro em Montelongo (hoje Fafe), região norte e sub região do Ave, e depois na freguesia de Serzedelo, em Guimarães, também distrito de Braga, onde construiu o solar dos Peixoto, com uma torre brasonada. Certamente devido à sua alcunha, genealogias posteriores identificaram-no com D. Gomes Viegas de Portocarreiro, o "Peixoto" de alcunha, que foi, como seus irmãos, um partidário de D. Afonso III, em cuja corte aparece entre 1251 e 1252, como seu conselheiro. O Livro de Linhagens diz que "foi boo cavaleiro, e morreo sem semel", ou seja, sem geração. Era irmão de D. João Viegas de Portocarreiro, arcebispo de Braga, ambos filho de D. Egas Henriques de Portocarreiro e sua mulher D.Teresa Gonçalves de Curveira. Mas o conde D. Pedro inicia a linhagem dos Peixoto com Gomes Peixoto, o Velho, sem o identificar com D. Gomes Viegas de Portocarreiro, que também trata, na linhagem dos Portocarreiro. E investigações modernas (nomeadamente Pizarro) negam a possibilidade de se identificar D. Gomes Viegas de Portocarreiro, que não deixou geração, com Gomes Peixoto, o Velho, tronco dos Peixoto. Contudo, e daí talvez a semelhança nas armas e a confusão que se pode ter estabelecido, este Gomes Peixoto, o Velho, casou com D. Maria Rodrigues Pereira, filha de D. Sancha Henriques de Portocarreiro, que por sua mãe era prima-direita do antedito D. Gomes Viegas de Portocarreiro, "o Peixoto" de alcunha. 

Filhos:

2.1.1.1(VII) Miguel Peixoto, baptizado a 3.10.1619 em S. Lourenço do Douro pelo abade de S. Paio de Favões Jorge Peixoto, sendo padrinhos António Peixoto, morador no Torrão, e Maria do Couto, filha de Jácome do Couto, de Espanadelo. Faleceu depois de 1639.

2.1.1.2(VII) João Peixoto da Silva, fidalgo da Casa Real (14.3.1649), baptizado a 26.10.1623, ib, sendo padrinhos Francisco do Couto, de Rosém, e Antónia Correa, dessa freguesia. Teve assento de óbito em S. Lourenço de Douro a 10.9.1648, onde se diz que se soube que tinha falecido na Índia, ficando herdeira sua mãe.

2.1.1.3(VII) Padre Jorge Moutinho de Altero, baptizado a 2.11.1625, ib, sendo padrinhos Cristóvão Vieira de Pedrosa, de Sande, e Maria Marques, mulher de António André. Em 1695 teve com sua irmã Ana Vieira Cabral o prazo da Concela de Cima, em Stª Marinha de Penha Longa (Prazos do Convento de Alpendurada, 20, 236).

2.1.1.4(VII) Isabel da Silva, madrinha em Sande em 1639 e em S. Lourenço do Douro em 1640.

2.1.1.5(VII) António Peixoto da Silva, abade de Manhucelos, baptizado a 12.4.1630, ib, por António Peixoto, abade de S. Paio de Favões, sendo padrinhos Jorge Barreto, de Ariz, e Antónia Cerveira, mulher de Luiz Pereira, de Sande.

2.1.1.6(VII) José, baptizado a 13.6.1632, ib, por Gregório Ribeiro, abade de Sande, sendo padrinhos Jorge Barreto e sua irmã, Antónia de Araújo, mulher de Gonçalo Pinto, de Ariz.

2.1.1.7(VII) D. Leonor da Mota Vieira Aragão e Faria, baptizada a 16.5.1634 em Sande, sendo padrinhos António Godinho e sua mulher Maria do Olival, moradores na Lagoa (este assento está fora de ordem, entre dois assentos de Janeiro de 1622). Casou a 25.5.1671 em S. Lourenço do Douro com seu primo o capitão-mor António Brandão de Macedo e Mello, adiante no nº VI, onde segue.

2.1.1.8(VII) Ana Vieira Cabral, baptizada a 28.2.1636  em Sande, sendo padrinhos Jorge Barreto de Araújo e Maria do Olival, mulher de António Godinho. Em 1695 teve com seu irmão Jorge Moutinho o prazo da Concela de Cima, em Stª Marinha de Penha Longa (Prazos do Convento de Alpendurada, 20, 236).

2.1.1.9(VII) Antónia, baptizada em 1638 (não consta o dia e mês) em S. Lourenço do Douro, sendo padrinho Matias Pinto de Vasconcellos.

2.1.1.10(VII) Mariana Peixoto da Silva, que levou em dote parte da quinta de Sande, como ficou dito. Casou a 25.2.1658 em S. Lourenço do Douro com António de Azeredo Lousada, senhor da quinta do Paço, em Bemviver, com geração nos Teixeira de Azeredo Montarroio.

3(IV) Álvaro Brandão, nascido cerca de 1564, sucessor na quinta da Sobreira, referido como filho de Maria de Freitas quando foi padrinho em Melres em 1605 e 1607. Faleceu solteiro a 12.8.1614, ib, com testamento, ficando testamenteira sua irmã Catarina Brandão, sendo sepultado na sepultura de seu pai dentro da matriz. Ficou herdeiro seu sobrinho Álvaro Brandão de Faria.

4(IV) Domingos Brandão, nascido na quinta da Sobreira cerca de 1566, que viveu na vila de Melres, onde faleceu antes de sua mãe, a 29.1.1618, com testamento, ficando testamenteira a mulher, sendo sepultado dentro da matriz, na sepultura de Álvaro Brandão. Casou cerca de 1590 em Paço de Sousa com Filipa Bernardes, irmã do Padre Agostinho Bernardes, cura de Pedorido, ambos filhos de João Bernardes e sua mulher Catarina Lopes, moradores em Paço de Sousa. Todos os filhos que seguem parecem ter falecido novos.

Filhos:

4.1(V) João, nascido a 26.12.1591 em Melres, sendo padrinhos João Bernades, morador em Paço de Sousa, e Maria de Mello, mulher de António de Macedo, moradores na vila de Melres.

4.2(V) Inez, nascida a 17.6.1593 em Melres, sendo padrinhos Belchior Pinto e Catarina Lopes, sua sogra (do pai), moradores nesta vila.

4.3(V) António, nascido a 25.1.1596 em Melres, sendo padrinhos Francisco Brandão, morador em Paço de Sousa, e Paula Carvalho, moradora na Lomba desta freguesia.

4.4(V) Maria, nascida a 24.2.1599 em Melres, sendo padrinhos António de Macedo e Maria Brandão, mulher de Belchior, todos moradores nesta vila. Falecida antes de 1603.

4.5(V) Catarina, nascida a 10.5.1601 em Melres, baptizada pelo Padre Agostinho Bernardes, cura de Pedorido, sendo padrinhos Estêvão da Silva, filho de Tomé da Silva, morador na cidade do Porto, e Maria Bernardes, filha de Catarina Bernardes, moradoras em Paço de Sousa.

4.6(V) Maria, nascida a 25.2.1603 em Melres, sendo padrinhos o Padre Agostinho Bernardes, cura de Pedorido, e Francisca Brandão, filha de Maria de Freitas, moradoras na vila de Melres.

4.7(V) Isabel, nascida a 22.3.1606 em Melres, sendo padrinhos Manuel da Cunha e Catarina Pereira, filha de António Mesquita.

4.8(V) Domingos, nascida a 30.8.1609 em Melres, sendo padrinhos Álvaro Brandão e Maria Brandão, filha de Belchior Pinto, moradores nesta vila.

4.9(V) Filipa, nascida a 21.10.1610 em Melres, sendo padrinhos Diogo de Moraes, morador em Cête, e Madalena Bernardes, mulher de Estêvão da Silva, moradoras em Nª Sª das Amoras.

5(IV) Mécia Barreiros, nascida cerca de 1570. Em 1600 foi madrinha em Melres de uma filha de António de Macedo, no §2, sendo referida como Mécia Barreiros, filha de Maria de Freitas. Faleu a 25.7.1635 em Melres, solteira, dizendo o óbito que foi sepultada com seu irmão Álvaro Brandão e que fez testamento, ficando testamenteiros João de Azeredo, seu cunhado, e Álvaro Brandão, seu sobrinho.

6(IV) Catarina Brandão, nascida cerca de 1572, madrinha em 1603, e falecida a 26.10.1622 em Melres, solteira, deixando testamenteiros João de Azeredo e Gonçalo Rebello, seus cunhados, e sendo sepultada na matriz, no túmulo da família, "na Capella pegada na parede da banda do vêdavel".

7(IV) Maria Brandão, nascida na quinta da Sobreira cerca de 1574 e falecida em Melres a 9.10.1632, dizendo o óbito, feito por seu filho João, que refere que falaceu "minha mai q nosso Sor tenha em sua sancta gloria", sendo sepultada na matriz, junto ao túmulo de Álvaro Brandão, "pª a banda do Vemdaval". Casou cerca de 1592, ib, com seu primo Belchior Pinto, nascido cerca de 1571 em S. Nicolau de Canavezes (Marco de Canavezes), cidadão do Porto, que passou a viver em Melres, onde fez casa e faleceu a 27.2.1636, dizendo o óbito, feito por seu filho João, que faleceu "meu pai que Deos tenha em Sancta Gloria", sendo sepultado no meio da capela-mor da matriz, por ser sua voltade aí ser sepultado e licença do abade Clemente de Azevedo, "seu m.to Amigo", deixando testamento e ficando testamenteiros seus filhos e Matias Pinto de Vasconcellos, seu sobrinho. Era filho de Gonçalo Pinto, nascido cerca de 1548, e de sua mulher Filipa Vieira Ferraz, nascida cerca de 1556, irmã mais velha do Capitão João de Azeredo e Araújo, referido atrás, cunhado desta Maria Brandão. Desta forma, Maria Brandão era bisneta paterna de Gomes Fernandes de Freitas, enquanto seu marido Belchior Pinto era 4º neto do mesmo Gomes Fernandes de Freitas, com duas quebras de varonia. Aquele Gonçalo Pinto era irmão de Gaspar Pinto, senhor da quinta de Magães, em Stª Mª do Freixo (Marco de Canavezes) e da quinta da Quebrada, em Stª Maria de Castelões (Penafiel), que viveu casado em S. Nicolau de Canavezes, onde faleceu a 10.7.1592, com cerca de 49 anos, deixando viúva Ana Pereda, sua prima, que aí veio a falecer a 24.7.1607, tendo esta casado 2ª vez, sem geração, a 3.2.1594, ib, com Francisco Ferraz de Souza, senhor da quinta de Valbom, em Castelões de Recezinhos, já viúvo de Maria Nunes Ribeiro, no mesmo dia em que a filha dela Verónica Pinto casou com o filho herdeiro dele Paulo Ferraz de Souza, sendo estes pais de D. Maria Ferraz de Souza casada com Manuel da Cunha Ozorio de Portocarreiro, referidos adiante. Gonçalo Pinto era ainda irmão de António Pinto, abade de de Fornos (Marco) desde 1573 e de S. Nicolau de Canavezes desde 1590, e de Ana Pereda, falecida a 26.11.1596, ib, que casou cerca de 1564 com Tomé Dias, falecido velho a 20.6.1630, sendo estes pais, entre outros, ao que tudo indica, de Carlos Pinto, falecido a 12.12.1641, ib, que casou cerca de 1586 com Maria Ribeiro, c.g. nos Pinto Ribeiro, de Canavezes. Gonçalo Pinto e seus irmãos eram filhos de Dinis Pinto, nascido cerca de 1509, senhor da dita quinta de Magães, de sua mulher Ana Pereda, nascida cerca de 1524, de uma família de origem castelhana, que Gaio diz descendente de um comendatário de Alpendurada. Assim, devia ser filha do prior Frei Gaspar Pereda, que se documenta em 1550, o que justificaria o prenome Gaspar do filho de Ana Pereda. Desta Ana Pereda deve ser irmão ou sobrinho o Frei Mateus Pereda que se documenta religioso do mosteiro de Alpendurada, pai de uma Ana Pereda e avô de uma Ana de Araújo que casou em 1640. Voltando a Dinis Pinto, não terá vivido na quinta de Magães, como diz Gaio, mas sim na vizinha vila de Canavezes, onde se documentam os filhos, embora o filho Gaspar se documente em 1570, de facto na posse do prazo da quinta de Magães. E, dado que não há notícia genealógica de outro Dinis Pinto nesta época, pode ser o Dinis Pinto que D. João III nomeou tabelião de Miranda do Douro (CJIII, 68, 228) e escrivão das sisas de Vilarinho (ib, 26, 32). Era filho de Silvério Pinto, que Gaio diz que "dizem era dos Pintos de Ambroens", mas isso não é cronologicamente possível. Na verdade, para tanto teria de ser filho de Duarte Pires de Altero, senhor da quinta de Ambrões, em Paços de Gaiolo, e de sua mulher Susana Pinto, irmã do Dr. Baltazar Pinto da Fonseca, senhor da quinta de Balde, em Stª Leocádia de Baião. Mas Susana Pinto e Duarte Pires de Altero não casaram antes de 1530, e Silvério Pinto não nasceu depois de 1475. Já Fr. João da Madre de Deus diz que Silvério Pinto era não filho mas sim irmão da antedita Susana Pinto, o que a cronologia ainda não permite. Mas há outros testemunhos que de facto concorrem para a conclusão de que Silvério Pinto era de facto parente próximo dos Pinto da Fonseca da casa de Balde. É assim possível que Briolanja Pinto - mãe da Isabel Pinto que casou cerca de 1510 como Diogo Dias (da Fonseca), senhor da quinta de Balde, fosse sobrinha do Dinis Pinto, escudeiro, a quem a 9.6.1452 D. Afonso V nomeou para os cargos de tabelião do cível e crime e escrivão dos judeus de Lamego, em substituição de Martim Lourenço, que morrera. Este Dinis seria portanto o irmão mais novo de Pedro Vaz Pinto, senhor da torre de Angra e da honra de Loivos (que me parece pai do Dr. Dinis Pires Pinto), e de Aires Pinto, senhor da Torre da Lagariça. As genealogias dão a estes um irmão Diogo Pinto, sem mais notícia, trocando portanto Diogo por Dinis. Ora, este Dinis Pinto pode perfeitamente ter sido pai de Silvério Pinto, que por sua vez foi pai de um Dinis Pinto (nome do avô). Sendo portanto Silvério Pinto primo co-irmão de Briolanja Pinto e os Pinto de Canavezes parentes próximos dos Pinto de Balde e de Ambrões. Acresce ainda a possibilidade de Silvério Pinto ter casado (cerca de 1508) com uma Isabel da Fonseca, irmã do antedito Diogo Dias (da Fonseca) e de João Dias (da Fonseca), ambos casados com duas irrmãs Pinto, o que ainda aproximaria mais Silvério Pinto dos de Ambrões, como diz Gaio, mas também dos Pinto Rangel, de quem os Pinto de Canavezes eram inegavelmente parentes próximos. De toda esta questão tratarei com mais detalhe no meu estudo Casas da Roupeira e das Quartas, em Stª Leocádia de Baião. Ascendências e alianças.

Filhos:

7.1(V) João Pinto Ferraz, padre, coadjutor de Melres, nascido a 14.4.1593 em Melres, sendo baptizado em casa pelo Padre Clemente de Azeredo, sendo padrinhos Domingos Brandão, seu irmão (da mãe), e Maria de Azeredo, filha de Justa Vieira. Faleceu a 17.1.1639, ib, dizendo o óbito que foi sepultado na sepultura de sua mãe, fez testamento, ficando testamenteiro seus irmãos Pedro e Maria, e deixou obrigação de três ofícios de 12 padres cada um.

7.2(V) Maria Pinto Brandão, nascida a 11.7.1595 em Melres, sendo padrinhos o Licenciado Jorge de Araújo, arcediago de Pedorido, e Ana de Mello, mulher de António de Macedo, moradores nesta vila. Como Maria Brandão, em 1609 foi madrinha em Melres, com seu pai, de um filho de Manuel da Cunha Coutinho de Portocarreiro. Faleceu a 1.1.1681 em Melres. 

7.3(V) Gonçalo, nascido a 15.6.1598 em Melres, sendo padrinhos D. Jerónimo, morador na sua quinta de Jermunde, e Antónia Ferraz, filha de Justa Vieira, moradoras na vila de Melres. Falecido antes de 1601.

7.4(V) Gonçalo, nascido a 22.11.1601 em Melres, sendo padrinhos Manuel da Cunha e Maria de Mello, filha de António de Macedo, todos moradores na vila de Melres. Morreu criança.

7.5(V) Pedro Pinto Brandão, nascido a 21.1.1605 em Melres, sendo padrinhos D. Isabel Malheiro, mulher de D. Jerónimo, moradores em Gemunde, freguesia de Pedorido, e o Padre Clemente de Azeredo, abade de Melres. Sucedeu na casa de seus pais em Melres, que instituiu em morgadio, com capela na matriz. Faleceu a 13.2.1657, ib, dizendo o óbito que foi sepultado no meio da capela-mor da matriz, ficando de ser trasladado para a sepultura de sua mãe, que então estava ocupada, ou seja, a capela que instituira e para onde trasladou seus pais. Acrescenta o óbito que fez testamento, deixando herdeiras sua mulher e sua irmã Maria Pinto e legados para os seus bens de alma, fazendo-se-lhe três ofícios de 30 padres cada um. Casou cerca de 1641 (o assento não consta em Melres) com Maria de Souza, referida no nº 1.3.1(VII) do §2, nascida cerca de 1626 e falecida depois de 1657 (o óbito não consta em Melres). Gayo (NFP, Volume XI, Costado nº 151, pág. 215 e 216) chama-a Maria Velho da Cunha, mas documenta-se no óbito do marido como Maria de Souza. Diz o mesmo autor que era filha de António da Cunha e sua mulher Helena de Macedo, o que parece correcto, pois o nome Cunha foi usado pelos filhos.

Filhos:

7.5.1(VI) João Pinto da Cunha, nascido cerca de 1642 (o assento não consta em Melres). Sucedeu no morgadio dos Pinto Brandão, em Melres, onde viveu na Rua do Pelourinho. Faleceu a 11.2.1693, ib, sem testamento, sendo sepultado na matriz com três ofícios, o 1º de 20 padres e os outros de 25 padres cada um. Em Dezembro de 1658, ainda solteiro, aparece referido como João da Cunha. Casou cerca de 1665 (o assento não consta nem em Paço de Sousa nem em Melres) com Serafina de Andrade, nascida cerca de 1642 em Paço de Sousa (documenta-se daí natural mas o assento de baptismo não consta em Paço de Sousa, cujos livros começam em Novembro de 1642) e falecida viúva a 2.11.1727 em Melres, dizendo o óbito que era rica, não fez testamento e foi sepultada na matriz. Era filha do Capitão Jerónimo Rodrigues de Barros, o Novo, senhor da quinta de Cadeade, em Paço de Sousa, e administrador de uma capela em Cête, nascido cerca de 1618 e falecido a 15.12.1672 em Paço de Sousa, e de sua mulher e prima Maria Vicente de Andrade, nascida cerca de 1627; neta paterna de Jerónimo Rodrigues de Barros, o Velho, senhor da dita quinta, nascido cerca de 1590 e falecido a 17.10.1647, ib, e de sua mulher Beatriz Rebello (de Andrade), falecida a 20.11.1653, ib (identificada no óbito como a mãe do capitão; Gayo, ob. cit., diz que Jerónimo Rodrigues casou com Maria Gonçalves de Andrade); e neta materna de Vicente de Andrade e sua mulher Isabel Gonçalves de Souza (segundo Gayo, ob. cit.). Aquele Jerónimo Rodrigues de Barros, o Novo, era irmão de Vicente Rodrigues de Andrade, cura e depois abade de Stº Isidoro (Marco de Canavezes), e de Isabel Rodrigues de Andrade, casada a 18.4.1644, ib, com o Capitão David Rodrigues Borralho, com geração que refiro no meu estudo "Meirelles Barreto de Moraes, das Casas do Pinheiro de Cête, Sermanha de Sedielos e Outeiro de Mouriz".

Filhos:

7.5.1.1(VII) D. Maria Pinto Brandão, nasceu a 27.1.1666 em Melres, sendo padrinhos David Rodrigues, da freguesia de Paço de Sousa, e João da Fonseca, morador na vila de Melres. Faleceu a 4.10.1693, ib, com testamento, sendo sepultada na matriz. Casou a 1.7.1693, ib, com seu parente o Dr. Bartolomeu de Macedo Malheiro, referido no nº VII do §2, desembargador da Relação do Porto e senhor da Casa Grande e quinta dos Loureiros, em Melres. Sem geração.

7.5.1.2(VII) João Pinto Brandão, que na relegião se chamou D. Frei João de Sahagún, foi bispo de S. Tomé (1709), governador do bispado do Porto, etc. Sucedeu no morgadio dos Pinto Brandão, que deixou a sua irmã D. Guiomar. Nasceu cerca de 1667 e faleceu na ilha de S. Tomé em 1730. Professou na Ordem de Santo Agostinho a 22.7.1693 e foi missionário em S. Tomé durante sete anos e depois governador do bispado do Porto. Em 1709 foi nomeado bispo de S. Tomé. Empenhou-se em aplacar as graves discórdias que dividiam o cabido e mais clero, mas sofreu tantos desgostos que em 1714 veio a Lisboa solicitar a renúncia do cargo, o que não lhe foi concedido. Regressou ao seu bispado e viveu exemplarmente até à sua morte em 1730.

D. João de Sahagún, bispo de S. Tomé. Quadro a óleo existente na sacristia da igreja de Stª Rita do Seminário de Ermesinde, onde se diz: "Vera Effigies do Exmo. e R.mo S. D. Fr. Joaõ de Sahagum natural de Melres, deixando o Morgado da sua Illustre Caza, de que era S., professou nesta Real Congreg.am a 22 de Julho de 1693, e sendo consumado em Letras e Virtudes, foi Bispo de S. Thomé, e Governador deste Bispado do Porto."

7.5.1.3(VII) Jerónima, nascida a 31.3.1669 em Melres, sendo padrinhos de baptismo Jorge Ozorio e João da Fonseca, moradores nesta vila. Morreu criança.

7.5.1.4(VII) D. Guiomar Brandão da Cunha, que também aparece nos paroquiais apenas como D. Guiomar da Cunha, sucessora no morgadio dos Pinto Brandão, nasceu a 15.4.1671 em Melres, sendo padrinhos de baptismo o Padre Paulo de Oliveira e Catarina Cerveira, moradores nesta vila. Faleceu a 11.11.1727, ib. Casou a 11.9.1701, ib, com seu primo o capitão-mor António Brandão de Macedo e Mello, adiante no nº VII deste §, onde segue.

7.5.1.5(VII) D. Tereza, nascida a 24.3.1680 em Melres, sendo padrinhos de baptismo o Padre Manuel Ferreira de Azevedo, cura da Lomba, e Francisca, filha de Maria Cerveira, moradores nesta vila. Foi madrinha em 1702 de sua sobrinha D. Victória Joana.

7.5.1.6(VII) Rosa, nascida a 29.9.1683 em Melres, sendo padrinhos de baptismo o abade Manuel Soares de Faria e Brizida, filha de Maria Cerveira, moradores nesta vila. Morreu criança.

7.5.1.7(VII) Manuel Pinto Brandão, nascido a 10.2.1686 em Melres, sendo padrinhos de baptismo Gaspar Soares Guelindes e D. Maria de Alarcão, moradores nesta vila. Faleceu solteiro a 16.10.1701, ib, sendo sepultado na capela da família na matriz.

7.5.1.8(VII) João, nascido a 31.10.1688 em Melres, sendo padrinhos de baptismo Bartolomeu de Macedo e Ana de Mello, moradores nesta vila. Morreu criança.

7.5.1.9(VII) João, nascido a 23.9.1691 em Melres, sendo padrinhos de baptismo José Ferreira e sua irmã Tedea, filhos de Maria Ferreira, moradores nesta vila. Morreu criança.

7.5.2(VI) Maria da Cunha, nascida cerca de 1643, que a 5.12.1558 foi madrinha em Melres com seu irmão João, solteiros, referidos como filhos de Pedro Pinto, já falecido, moradores nesta vila. Faleceu solteira a 16.3.1706 em Melres, sendo sepultada na matriz com três ofícios, o primeiro de oito padres e os outros de 21 padres cada um. É identificada no óbito como Maria da Cunha, solteira, cunhada de Serafina de Andrade, viúva.

7.6(V) Catarina Pinto Brandão, nascida a 14.3.1606 em Melres, sendo padrinhos Domingos Brandão e Justa Vieira, moradores nesta vila. Faleceu solteira a 7.1.1673, ib.

8(IV) Francisca Brandão, nascida cerca de 1577 e falecida a 19.10.1623 em Melres, com testamento, ficando testamenteiro o marido, sendo sepultada na matriz, junto com o irmão. Também casou tardiamente, a 11.5.1620, ib, com Gonçalo Rebello, filho de Salvador Rebello, falecido a 6.3.1606 em Fonte Arcada, e de sua mulher Isabel Ferreira, já falecida em 1620. Francisca Brandão, que casou tarde, certamente não teve geração. Seu viúvo casou a segunda vez no Porto, a 11.6.1630, com Joana da Costa de Azevedo.

9(IV) Joana de Aragão, nascida cerca de 1579 e falecida a 8.11.1653, deixando testamenteiro o marido, sendo sepultada na igreja, no túmulo de seus pais, "das grades pª dentro, no meo do arquo da Capela mor". Casou a 21.1.1620 em Melres com seu primo João de Azeredo e Araújo, 1º capitão-mor de Melres, falecido a 24.12.1659, filho de Clemente de Azeredo, abade de Melres pelo menos desde 1591, aí falecido a 31.7.1640, e de Florência Ferreira. Este abade Clemente de Azeredo era irmão do Licenciado Jorge de Araújo Ferraz, arcediago de Pedorido, de Maria de Azeredo Ferraz casada antes de 2.12.1591 com André Soares da Mota9, e de Antónia Ferraz Vieira, 3ª senhora da quinta de Marrocos, em Melres, casada em 1601 com Manuel da Cunha Coutinho de Portocarreiro10, todos filhos de Álvaro de Araújo Ferraz, cavaleiro fidalgo da Casa Real, cidadão do Porto, senhor da quinta de Pensos, em Santa Clara do Torrão (prazo de 26.1.1588), que faleceu a 18.8.1591 em Melres, e de sua mulher Justa Vieira Cabral, 2ª senhora da quinta de Marrocos, em Melres, onde faleceu a 8.5.1618; netos paternos de Manuel de Araújo Ferraz, infanção do Porto, e de sua mulher Maria de Azeredo (irmã de um Clemente de Azeredo, sepultado em Melres, onde também parece ter sido abade); e netos maternos de Jorge Vieira Cabral11, falecido em 1552, tabelião e recebedor das sisas de Melres e aí o 1º senhor da grande quinta de Marrocos, que se estendia por ambas as margens do rio Douro, e que viria a dar lugar ao morgadio de S. Tiago de Melres dos Portocarreiro, referidos adiante, e de sua mulher Maria Cabral. Aquela Maria de Azeredo, mulher de Manuel de Araújo Ferraz, era filha de de Diogo Gomes de Freitas e sua mulher Maria de Azeredo, referidos acima no nº III. Assim, Joana de Aragão e seu marido João de Azeredo e Araújo eram ambos descendentes de Gomes Fernandes de Freitas, ela bisneta e ele 4º neto. Sem geração.

    

Pedras de Armas do morgadio de S. Tiago de Melres ou quinta de Marrocos, dos Portocarrero, hoje dita, por osmose com a casa do Porto, quinta da Bandeirinha (fotos do autor).

À esquerda: a mais recente (finais do séc. XVII), esquartelada de Portocarrero, Ozorio, Cunha e Coutinho, com timbre de Portocarrero, mandada colocar pelo 3º morgado Manuel da Cunha Coutinho de Portocarreiro. 

Á direita: a mais antiga (1ª metade do séc. XVII), esquartelada de Cunha, Ferraz, Vieira e Ozorio, mandada colocar por Manuel da Cunha Ozorio de PortocarreIro, 2º morgado, pai do anterior, que era filho de Antónia Ferraz Vieira, que justamente levou em dote a quinta de Marrocos, em Melres.

 

 

IV - Isabel Brandão, que nasceu na quinta da Sobreira cerca de 1563 e viveu casada na quinta de Midões, na freguesia de S. João de Raiva (Castelo de Paiva), onde faleceu depois de 1621. 

Casou cerca de 1579 com António Monteiro da Fonseca, senhor do prazo da dita quinta de Midões, onde terá nascido e falecido. 

Filhos:

1(V) António Brandão de Faria, nascido cerca de 1580, que a 15.3.1596 recebeu 6.000 reais da sua moradia de 800 reais por mês de escudeiro fidalgo da Casa Real, acrescentado de moço da câmara. Faleceu solteiro, s.g.

2(V) João Brandão da Fonseca, que sucedeu a seu pai no prazo da quinta de Midões. Faleceu a 10.11.1621 em Melres, diz o óbito que em casa de sua avó Maria de Freiras, sendo filho de António Monteiro e morador casado na cidade de Lisboa, tendo feito testamento, ficando testamenteira sua mãe Isabel Brandão, moradora no lugar de Midões, freguesia de S. João de Paiva, sendo sepultado dento da matriz

3(V) Álvaro Brandão de Faria, que segue.

 

 

V - Álvaro Brandão de Faria, que também aparece como Álvaro Brandão da Fonseca, cavaleiro fidalgo da Casa Real e governador da praça de Goa (Índia), sucedeu como 5º senhor da quinta da Sobreira a seus tio Álvaro Brandão. É certamente o Álvaro Brandão de Faria que em 1615 era escudeiro fidalgo da Casa Real, acrescentado de moço da câmara (Ementas, 10. 167). Nasceu cerca de 1585, certamente na quinta de Midões, em S. João de Raiva, e faleceu na dita quinta da Sobreira a 2.3.1655, sendo sepultado na matriz, na "campa de pedra de seo parente Antº de Macedo", deixando testamento e obrigação de três ofícios de dez padres cada um.

Casou a 29.10.1625 na matriz de Melres, com dispensa de parentesco no 3º grau de consanguinidade, com sua prima Ana de Mello de Macedo12, referida no nº 7(V) do §2, nascida a 5.2.1601 na quinta do Souto e baptizada a 8 em Melres, falecida a 19.12.1656 na quinta da Sobreira, com testamento, sendo sepultada na matriz "em hua Sepultura q está deBaixo do Caixão do nome de Dºs". Era filha de António de Macedo, cavaleiro fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Santiago (18.1.1581), e recebedor das sisas e escrivão da sisas e redízima do concelho de Melres (Ementas, 3, 63), 4º senhor da quinta do Souto, em Melres, etc., e de sua mulher Ana de Mello Vieira, irmã do 1º morgado do Ribeiro, em S. Lourenço do Douro.

Filhos:

1(VI) Isabel Brandão de Mello, nascida na quinta da Sobreira e baptizada a 12.3.1637 em Melres, sendo padrinhos António Vieira (seu tio António Vieira de Mello, referido no §2) e Luiza de Macedo, sua irmã. Faleceu a 30.6.1682 na quinta da Quintã, em S. Lourenço do Douro, onde viveu com seu marido, "do Rendim.º de Suas fazendas". Casou a 10.9.1658 em Melres, pelo Padre Luiz de Mello, reitor em Trás-os-Montes, sendo testemunhas Manuel da Cunha, André Ferreira e Domingos Carvalho, todos de Melres, com Manuel Pinto de Vasconcellos, nascido no lugar da Granja da freguesia de S. Romão de Paredes de Viadores, filho de Manuel Aranha e sua mulher Filipa Vieira. Como digo no §2, Manuel Pinto de Vasconcellos parece sobrinho de Matias Pinto de Vasconcellos, que também viveu na quinta da Quintã, podendo aquela Filipa Vieira ser filha Afonso Mendes de Vasconcellos, de S. Lourenço do Douro, e de sua mulher Ana Vieira, já falecida em 1617. De Isabel Brandão de Mello e seu marido foi filho o Padre Matias Pinto de Mello e Vasconcellos, abade de S. Lourenço do Douro, e neto paterno Francisco Brandão de Mello e Vasconcellos, morador na dita quinta da Quintã e familiar do Stº Ofº (26.2.1752), processo onde se colhe esta informação e estão transcritos os assentos referidos.

2(VI) António Brandão de Macedo e Mello, que segue.

 

 

VI - António Brandão de Macedo e Mello, fidalgo da Casa Real e capitão-mor de Melres, sucedeu como 6º senhor da quinta da Sobreira, onde nasceu, baptizado a 8.12.1639 em Melres, sendo padrinhos João de Azeredo e sua mulher Joana de Aragão. Faleceu viúvo na sua quinta da Sobreira a 13.1.1718, ib, com quase 80 anos.

Casou a 1ª vez a 18.11.1658 em Melres com sua parente D. Joana de Azeredo (a), nascida a 23.6.1631 na casa da Fonte da Nogueira, em Entre-os-Rios, e falecida na quinta da Sobreira a 28.4.1669, filha de Manuel Soares Barbosa e de sua mulher Inácia de Azeredo Ferraz, filha esta de André Soares da Mota e de sua mulher Maria de Azeredo Ferraz, referidos acima no nº 1(IV). Sem geração.

Casou a 2ª vez a 25.5.1671 em S. Lourenço do Douro com sua prima D. Leonor da Mota Vieira Aragão e Faria (b), referida acima no nº 2.1.1.7(VII), baptizada a 16.5.1634 em Sande (Marco), e falecida a 1.8.1676 na quinta da Sobreira. Era irmã de João Peixoto da Silva, fidalgo da Casa Real (14.3.1649), ambos filhos do Dr. Diogo Peixoto da Silva e de sua mulher Maria Moutinho de Altero, senhores da quinta de Sande, em S. Lourenço do Douro.

Filhos:

1(VII)(b) António Brandão de Macedo e Mello, que segue.

2(VII)(b) Manuel Brandão de Macedo de Mello, nascido a 25.1.1674 em Melres, gémeo de suas irmãs Maria e Paula, sendo padrinhos de baptismo António de Macedo e Ana de Mello. Já era capitão quando foi padrinho em Melres a 4.4.1714 e ainda é referido como tal no óbito. Faleceu a 16.11.1752 na quinta das Quintãs, em S. Vicente do Pinheiro , onde vivia há três anos em casa do morgado Carlos José seu sobrinho (casado com sua sobrinha D. Joana, referidos adiante) , como se refere no óbito, onde se diz também que fez testamento e que tinha feito dote a sua sobrinha D. Joana.

3(VII) (b) D. Maria de Mello de Macedo Brandão da Mota Vieira Aragão de Faria, que aparece como D. Maria de Mello, D. Maria de Macedo Brandão e D. Maria da Mota Vieira Aragão de Faria, nascida a 25.1.1674 em Melres, gémea de seus irmãos Manuel e Paula, sendo padrinhos de baptismo Manuel da Cunha e Luiza de Macedo. Foi madrinha em 1695 em Melres (sendo padrinho seu primo o Dr. Bartolomeu de Macedo Malheiro) de uma filha de Manuel da Cunha Coutinho de Portocarreiro. Em 1732 foi madrinha de seu sobrinho-neto Álvaro em S. Vicente do Pinheiro. Faleceu a 18.12.1758 na quinta da Quintã, em S. Vicente do Pinheiro, em casa de sua sobrinha D. Joana, dizendo o óbito que era natural da quinta da Sobreira, na freguesia de Stª Mª de Melres, e que deixara 1.920 réis de esmola.

4(VII) (b) D. Paula Peixoto da Silva, nascida a 25.1.1674 em Melres, gémea de seus irmãos Manuel e Paula, sendo padrinhos de baptismo o abade Manuel Soares de Faria e sua irmã Mariana de Azeredo. Herdou várias propriedades, nomeadamente em Melres e S. Lourenço do Douro. Faleceu a 13.1.1732, com testamento, na sua quinta da Lagoa, em S. Lourenço do Douro. Casou a 22.8.1695, ib, com Manuel Álvares Pereira de Vasconcelos, senhor da dita quinta da Lagoa, onde faleceu a 13.1.1718, filho do Cap. Manuel Godinho de Vasconcellos, senhor da dita quinta, e de sua mulher D. Mariana Pereira de Souza Corte Real.

Filhos:

4.1(VIII) D. Raimunda Clara Brandão e Mello, nascida a 12.7.1696 em S. Lourenço do Douro e falecida 1.3.1768 na quinta de Cortes, onde viveu casada. Casou 2.9.1720 na capela de Nª Sª da Boa Morte, em Favões, com João Pereira Valverde (de Vasconcellos), senhor da dita quinta de Cortes, em S. Paio de Favões, filho sucessor de Domingos Pereira Valverde, o Moço, e de sua mulher D. Tereza Pereira de Miranda, senhora da dita quinta. Com geração nos Pereira de Vasconcellos Corte Real 13.

4.2(VIII) D. Maria de Mello, nascida a 21.8.1697 em S. Lourenço do Douro, que viveu com sua irmã D. Isabel na casa da Lage, onde faleceu solteira a 30.10.1758, deixando herdeira a dita sua irmã em testamento contestado por seus irmãos Simão e D. Raimunda, que perderam por sentença de 21.4.1760.

4.3(VIII) D. Remígia, nascida 1.10.1698 em S. Lourenço do Douro, que faleceu antes de sua mãe.

4.4(VIII) D. Isabel Maria de Mello, nascida a 25.11.1699 em S. Lourenço do Douro e falecida a 31.8.1779 na casa da Lage, em S. Tomé de Covelas. Casou a 6.9.1722 em S. Lourenço do Douro com José Machado Pereira, juiz do concelho de Benviver (1731), senhor da dita casa da Lage, onde nasceu a 14.3.1694, e senhor da quinta do Carvalho, em Sande, onde faleceu a 27.11.1773. Com geração nos Huet de Bacelar Sotto Mayor Pinto Guedes e noutras famílias14.

4.5(VIII) D. Josefa Vitória Brandão de Mello, nascida a 8.11.1702 em S. Lourenço do Douro, viveu solteira na quinta da Lagoa e depois entrou no Real Recolhimento do Anjo, na cidade do Porto. Foi madrinha em Sande em 1725 e 1731. Faleceu a 14.1.1786 no dito Real Recolhimento do Anjo, no Porto (Stº Ildefonso), deixando testamenteiro seu sobrinho António Vieira de Mello e herdeiro seu irmão (dela) Simão António Pereira de Vasconcellos, ambos moradores em S. Lourenço do Douro. Foi sepultada na igreja do dito Real Recolhimento.

4.6(VIII) Leonardo, nascido 26.5.1705 em S. Lourenço do Douro, que faleceu antes de sua mãe.

4.7(VIII) D. Micaela, nascida 8.5.1708 em S. Lourenço do Douro, que faleceu antes de sua mãe.

4.8(VIII) Simão António Pereira Brandão e Vasconcellos, nascido a 28.10.1712 em S. Lourenço do Douro, que sucedeu na quinta da Lagoa, onde viveu e fal. depois de 1786. Casou a 1ª vez com D. Tereza Pacheco, falecida a 8.9.1754, ib, sem geração. Casou a 2ª vez a 6.8.1755 em Tabuado com D. Rosa Angélica de Almeida de Azevedo e Vasconcellos, irmã Bernardo de Almeida de Azevedo e Vasconcellos Pereira e Castro, fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo, capitão-mor de Tuias, senhor da quinta do Páteo, em Outeiro, S. Miguel de Rio de Galinhas (Tuias), etc., também sem geração. 

5(VII) (b) João Brandão de Faria de Mello, padre, nascido a 15.4.1675 em Melres, sendo padrinhos de baptismo o Padre António Peixoto, irmão da mãe, e António de Azeredo, seu cunhado (da mãe), moradores em S. Lourenço do Douro. Falecido depois de 1732.

 

 

VII - António Brandão de Macedo e Mello, nascido a 1.3.1672 e baptizado a 6, sendo por padrinhos Jorge Ozorio e D. Maria. Foi fidalgo da Casa Real e capitão-mor de Melres, mas não chegou a suceder na quinta da Sobreira, pois morreu antes do pai. Faleceu com 34 anos a 14.7.1706, sendo sepultado na campa da família, na matriz.

Casou a 11.9.1701 em Melres com sua prima D. Guiomar Brandão da Cunha, referida atrás no nº 7.5.1.4(VII), nascida a 15.4.1671 em Melres e falecida a 11.11.1727 na quinta da Sobreira, ib, dizendo o óbito que "era rica", não fez testamento e foi sepultada na matriz. Sucedeu no morgadio dos Pinto Brandão em Melres a seu irmão do bispo de S. Tomé D. Frei João de Sahagún. Era ainda irmã de D. Maria Pinto Brandão casada com o Dr. Bartolomeu de Macedo Malheiro, referido adiante no nº VII do §2, todos filhos de João Pinto da Cunha e sua mulher Serafina de Andrade.

Filhos:

1(VIII) D. Vitória Joana da Cunha Pinto Brandão de Mello, que segue.

2(VIII) D. Joana Sebastiana Maria Brandão de Macedo e Mello, nascida 18.1.1705 na quinta da Sobreira e baptizada ao 27 pelo Padre João Brandão, sendo padrinhos Manuel da Cunha Coutinho e sua filha D. Joana Maria. Casou a 28.5.1730 em Melres com Carlos José da Cunha Coelho Soares de Barbosa e Noronha15, 8º morgado das Quintãs de S. Vicente do Pinheiro (1.2.1724), onde nasceu a 22.4.1697 e faleceu a 17.11.1754, morgado de Paços (Santiago de Piães), senhor da quinta da Ermida (Stª Marinha do Zêzere), administrador da capela de S. João de Tarouquela, etc. Era filho sucessor do Cap. Manuel da Cunha Coelho Peixoto de Barbosa, cidadão do Porto que a 19.12.1698 instituiu a capela de Nª Sª da Lapa no seu morgadio das Quintãs, etc., e de sua mulher D. Sebastiana da Cunha Beça Leitão, falecida viúva a 6.11.1745, ib, deixando herdeiro seu neto Álvaro.

Filhos:

2.1(VIII) Álvaro José da Cunha Coelho Peixoto de Mello e Noronha, 9º morgado das Quintãs de S. Vicente do Pinheiro, onde nasceu a 1.6.1732, sendo baptizado a 25 pelo Padre João Brandão de Faria, da vila de Melres, sendo padrinhos Pantalião de Basto Leitão, da freguesia de S. Martinho de Rio de Moinhos, e D. Maria de Mello, irmã do antedito padre, filha de António Brandão de Mello e sua mulher D. Leonor da Mota. Faleceu pobre a 8.9.1776, depois de desbaratar toda a sua grande Casa, tendo posteriormente seu filho obtido a devolução dos bens vinculados por sentença de 1794. Casou "por inclinação", a 2.9.1762 em S. Paio da Portela, com D. Florência Maria Angélica Ferreira, falecida a 19.10.1792, ib. Com geração nos Ferreira Baltar, das Casas da Curveira, Maragoça e S. Vicente do Pinheiro16

2.2(VIII) António, nascido a 3.2.1735 em S. Vicente do Pinheiro, sendo padrinhos de baptismo o Dr. Bartolomeu de Macedo Malheiro de Moraes, casado com D. Antónia Sarmento Pimentel, moradores na freguesia de Nª Sª da Victória da cidade do Porto, por procuração dada ao Padre João Brandão, da vila de Melres, e D. Victória Joana Brandão da Cunha, mulher de João da Cunha da vila de Melres, por procuração dada a seu filho Manuel da Cunha Coutinho de Portocarreiro. Faleceu novo.

2.3(VIII) D. Antónia, nascida a 21.5.1736 em S. Vicente do Pinheiro, sendo padrinhos de baptismo Custódio José (...), morador na quinta da Vila, freguesia de S. Miguel de Urrô, e D. Antónia Sarmento Pimentel, mulher do Dr. Bartolomeu de Macedo Malheiro, moradores na freguesia da Victória da cidade do Porto. Faleceu nova.

2.4(VIII) Francisco Xavier da Cunha Brandão de Macedo e Mello, nascido a 18.7.1738 em S. Vicente do Pinheiro, sendo padrinhos de baptismo D. Henrique, abade de S. Tiago de Valpedre, e sua irmã D. Francisca de Jesus, por procuração dada a D. Sebastiana da Cunha Leitão, avó do baptizado. Em 1802 vivia em Melres.

2.5(VIII) D. Jacinta Caetana da Cunha de Mello Brandão, nascida a 12.6.1740 em S. Vicente do Pinheiro, sendo padrinhos de baptismo Jacinto Caetano de Souza e Silva, de Parada de Todeia, filho de Jacinto de Souza e Silva, já defunto, e de sua mulher D. Dorotea Freire de Barbosa, e D. Ana Maria da Cunha, tia da baptizada. Casou com o Dr. Jerónimo José de Mello, bacharel formado em Cânones pela Universidade de Coimbra (1741), senhor da quinta de Villa d'Ufe, em S. Paio da Portela, onde viveram, filho de Francisco Gonçalves Coelho, natural de Vila Cova, e de sua mulher D. Páscoa Soares de Matos e Mello, natural de Boelhe, moradores na sua quinta de Albom, no lugar de Freixieiro (S. Miguel de Entre Ambas as Aves). Com geração em Melres.

 

 

VIII - D. Victória Joana da Cunha Brandão de Mello, cujo nome aparece nos paroquiais com várias outras composições, nomeadamente como D. Victória Joana da Cunha e Mello (no assento de casamento) e D. Victória Joana Brandão da Cunha. Sucedeu a seu avô como 7ª senhora da quinta da Sobreira, bem como na representação genealógica dos Brandão de Melres e no morgadio dos Pinto Brandão. Nasceu a 23.12.1702 na dita quinta da Sobreira, sendo baptizada a 27 em Melres, tendo como padrinhos o Padre Matias Pinto (de Mello de Vasconcellos), de S. Lourenço do Douro, e D. Tereza, sua tia, irmã de D. Guiomar. Faleceu a 9.3.1790 no palácio da Bandeirinha, no Porto, sem testamento, indo a sepultar na igreja de Nª Sª do Carmo nesta cidade. 

Casou a 27.10.1718 na matriz de Melres, diz Felgueiras Gayo que "por amores", com seu parente João da Cunha Coutinho Ozorio de Portocarreiro, tenente-coronel do Regimento de Infantaria do Porto e nesta cidade 1º senhor da palácio da Bandeirinha, 17º senhor da Torre de Portocarreiro (Vila Boa de Quires), 4º morgado S. Tiago de Melres, 7º senhor da quinta do Paço de Valpêdre (Penafiel), etc., nascido a 9.10.1689 no morgadio de Melres e falecido a 14.1.1761 no palácio a Bandeirinha, vindo sepultar a Melres, filho sucessor de Manuel da Cunha Coutinho de Portocarreiro e sua mulher D. Maria Luiza de Alarcão e Albuquerque; neto paterno de Manuel da Cunha Ozorio de Portocarreiro e de sua mulher D. Maria Ferraz de Souza17; neto materno de João Corrêa Coutinho18, fidalgo da Casa Real, senhor da casa de Travanca, em Stª Marinha do Zêzere, etc., e de sua mulher D. Joana de Alarcão e Albuquerque.19

Com geração nos Portocarrero do palácio da Bandeirinha.20

Palácio da Bandeirinha, no Porto (fotos do autor)

§2 - Quinta dos Loureiros e Casa Grande

 

III - Francisca Brandão, que ficou no nº 5(III) do §1, irmã de João Brandão de Faria. Nasceu cerca de 1525 e levou em dote a quinta do Souto, em Melres, mais tarde chamada quinta dos Loureiros, onde viveu com seu marido. 

Casou cerca de 1555 com o Capitão António de Macedo, o Velho, nascido cerca de 1522, capitão da vizinha vila de Meda, recebedor das sisas e tabelião de Melres (5.3.1552), como fora Jorge Vieira, e escrivão das sisas e redízima de Melres (29.10.1567), em sucessão a seu cunhado João Brandão de Faria e seu sogro António Gomes. Faleceu nos finais de Setembro de 1580 num confronto com as tropas de D. António, prior do Crato. Diz Alão, em Macedos Vieiras, que este António de Macedo era filho de António Gomes de Macedo e neto de Rui Gonçalves de Macedo, que não filia. Já Gaio diz que este Rui Gonçalves casou com Aranda Vieira e era filho de Gonçalo de Macedo e neto de Fernão Esteves de Macedo. Mas há aqui confusões. Desde logo, este Cap. António de Macedo é que deve ter tido um curto 1º casamento, sem geração, com a antedita Aranda Vieira, filha de Jorge Vieira, a quem em 1552 sucedeu como recebedor das sisas e tabelião de Melres. Depois, tudo indica que este seja o António de Macedo, natural de S. Martinho de Lagares, que tirou ordens menores em Braga em 1532, como filho de Lopo de Macedo e sua mulher Isabel Velho, pelo que não terá nascido cerca de 1522. Sendo certamente o António de Macedo que em 1544 aparece como escrivão da câmara do comendatário de Paço de Sousa D. Paulo Pereira. O pai, Lopo de Macedo era morador em S. Martinho de Lagares com esta sua mulher quando a 9.8.1521 teve do mosteiro de Paço de Sousa o prazo da quinta da Granja, em Lagares. Lopo de Macedo documenta-se nestes prazos desde 1514 até 1547, surgido primeiro referido como criado do comendatário D. João Lopes de Ozorio e depois como escudeiro e escudeiro fidalgo, morador na quinta de Lagares. Em 1544 foi procurador co comendatário D. Paulo Pereira junto do bispo de Lamego. Como diz Alão, tudo indica que António de Macedo seja neto paterno de Rui Gonçalves de Macedo, o que, portanto, quer dizer que este Rui Gonçalves foi pai do antedito Lopo de Macedo. Na verdade, em 1504 documenta-se um Rui Gonçalves de Macedo, aparentemente já falecido, pois diz-se que tinha tido o prazo da Quebrada do Picão, em Pedorido, que a 22 de Junho desse ano o mosteiro de Paço de Sousa fez a Heitor de Souza e sua mulher Mécia Domingues. Mas ainda vivia quando a 23.3.1502 Rui Gonçalves, escudeiro d'el rei, foi testemunha num prazo do mesmo mosteiro. Sendo o Rui Gonçalves, escudeiro, morador na quinta de Germunde, em Pedorido, com sua mulher Maria Fernandes, quando a 19.2.1499 o mesmo mosteiro lhe renovou em 1ª vida o prazo dessa mesma quinta de Germude pelo foro de 300 reais e dois sáveis. Como Rui Gonçalves de Macedo, criado d'el rei, aparece a 23.10.1495 como testemunha noutro pazo do mesmo mosteiro. Sendo certamente o Rui Gonçalves, criado e escudeiro da sua Casa, a quem D. Afonso V deu no Porto, a 25.7.1476, uma tença de 4.800 reais de prata, pelos seus serviços em Castela e noutras partes e para o seu casamento (CAV, 7, 15v). Convém no entanto referir que nesta cronologia existiu outro Rui Gonçalves de Macedo, que já vivia no Porto casado com Margarida Correa quando a 16.6.1474 o casal fez um escambo com o Cabido desta cidade. Mas este Rui Gonçalves não é referido nem como criado d'el rei nem como escudeiro e já tinha falecido a 7.11.1481, quando aquela sua mulher se documenta dele viúva, pelo que não se pode identificar com o Rui Gonçalves de Macedo de Pedorido. Tendo em conta que Pedrorido (Castelo de Paiva), Melres (Gondomar) e S. Martinho de Lagares (Penafiel) são freguesias limítrofes, apesar de pertenceram a concelhos diferentes, além de que uma filha de Lopo de Macedo ter vivido em Pedorido, parece-me aceitável concluir que o escudeiro Rui Gonçalves de Macedo casado com Maria Fernandes (certamente a sucessora em 3ª vida do prazo da quinta de Germude) é o Rui Gonçalves de Macedo que Alão refere como avô paterno do Cap. António de Macedo, de Melres, e que Gaio dá como filho de Gonçalo de Macedo. Seria assim irmão ou meio-irmão do João de Macedo que, como filho de Gonçalo de Macedo e sua mulher Tereza Sanches, tirou ordens menores a 1.7.1461 em Ervededo. Este João de Macedo a 15.1.1481, sendo escudeiro do infante D. João, foi almoxarife da alfândega do porto de Bragança, em substituição de seu pai Gonçalo de Macedo, que morrera (CAV, 26, 7), que D. João II confirmou a 20.5.1482 (ib, 6, 55). A 26.6.1483 teve carta de privilégio de fidalgo (CJII, 24, 88), a 16.7.1483 foi nomeado vedor dos vassalos de Bragança (ib, 24, 87) e a 26.9.1483 foi alcaide-mor de Outeiro de Miranda (ib, 26, 106), tendo a 10.5.1508 cópia do padrão de 25.214 reais de tença de que se fez mercê a João de Macedo, fidalgo da Casa Real, em satisfação da alcaidaria-mor do Outeiro de Miranda que largou para o duque de Bragança (CC, II, 14, 116). A 12.9.1506, João de Macedo, fidalgo da Casa d'el rei, solicitou o trespasse de 4.100 reais em Simão Correa, seu genro, apresentado duas cartas de D. Manuel I e um alvará, nos quais, casando ele sua filha com Simão Correa, moço da câmara d'el rei, lhe trespassava 15.100 reais de sua tença, os quais obtivera por uma carta de D. Manuel I, dada em Setúbal, a 27.5.1496, escrita por Pero Lomelim, na qual se continha uma de D. João II, datada de Abrantes de 27.9.1483, escrita por Gaspar Luís, onde lhe concedia uma tença de 10.000 reais de prata, e ainda uma outra de D. Manuel, dada em Setúbal a 25.4.1496 e escrita por Pero Lopes, na qual confirmava ao mesmo João de Macedo - então escudeiro da Casa d'el rei - uma tença de 5.100 reais que D. João lhe concedera em sendo príncipe, por respeito dos 13.200 reais que o dito senhor houvera por ele do assentamento da Excelente Senhora, de quem então era escudeiro, e os 8.100 reais que faltavam, lhe montou na moradia e cevada (CMI, 38, 13). Mas logo a 4.3.1518 João de Macedo, fidalgo da Casa Real e alcaide-mor do Outeiro, pediu e obteve que lhe fossem concedidos os restantes 10.000 reais, explicando que teve uma tença anual, em dias de sua vida, de 10.000 reais, e ao querer casar sua filha com Simão Correa, criado do rei, dera-lhe estes 20.000 reais de tença em satisfação da dita alcaidaria. Por falecimento do seu genro, fora trespassada essa quantia, vagando em seguida, tornando o rei a dar 10.000 reais. (ib, 10. 130). De várias mulheres este João de Macedo teve filhos naturais, que foram legitimados por carta real: Catarina Mendes (LN, 1, 112), António de Macedo (1.4.1514, CMI, I, 15, 25), e Croios de Macedo e Ana de Macedo (LN, 3, 284v) Esta Ana de Macedo é que parece ser a que teve primeiro um curto casamento com o antedito Simão Correa e depois casou, segundo a genealogias, com Lopo de Mariz. A 15.4.1518 João de Macedo, fidalgo da Casa Real, teve carta de armas para Macedo, como filho de Gonçalo de Macedo e neto de Fernão Esteves de Macedo, do tronco desta linhagem (9, 61; e 6 de Místicos, 168). Já vimos que Gonçalo de Macedo foi almoxarife da alfândega do porto de Bragança e morreu em 1481, ano em que o filho o substituiu no cargo. Fernão Esteves de Macedo não o consegui ainda documentar, mas, nascido cerca de 1388, era certamente irmão do Gonçalo Esteves de Macedo, clérigo, pai do Vasco Gonçalves de Macedo, que era abade de Santiago de Parada, no bispado de Tui, quando tirou ordens de epístola em Braga a 18.9.1451, junto com seu filho Vasco de Macedo. Fernão Esteves de Macedo e seu provável irmão Gonçalo Esteves de Macedo eram possivelmente filhos do Estêvão Anes de Macedo que as genealogias referem, e netos de João Gonçalves de Macedo, nascido cerca de 1336, irmão do celebrado Martim Gonçalves de Macedo. Embora Gaio dê este João Gonçalves como filho de Martim Gonçalves de Macedo, a cronologia obriga a que seja seu irmão, além que o dito Martim não teve nenhum filho João, mas apenas dois filhos com geração legítima, Diogo Gonçalves, referido adiante, a Joana Martins, que sucedeu à mãe no morgadio de S. Braz. Este Martim Gonçalves de Macedo, que casou com Catarina Anes, morgada de S. Braz de Vila Real, esteve na batalha de Aljubarrota, onde salvou a vida a D. João I, como refere a respectiva crónica. A 27.5.1385 D. João I deu a Martim Gonçalves de Macedo a aldeia e os direitos reais de Outeiro de Miranda, a dízima da portagem de Bragança, as aldeias de Algoselho e Pindelo no termo Miranda e vários bens em Miranda. E a 26.6.1425 deu a seu filho lídimo e herdeiro Diogo Gonçalves de Macedo, morador na cidade de Évora, 300 libras das dizimas da portagem de Bragança, como tinha seu pai. Aquela Catarina Anes, já viúva, fez uma escritura a 22.2.1433 no tabelião João Anes. Era filha de João Pires, escolar, que instituiu um morgado com capelas, rendas e hospital (morgadio de S. Braz de Vila Real), cuja administração foi a 2.12.1472 confirmada a seu bisneto João Teixeira de Macedo. Ainda sobre a filiação do escudeiro Rui Gonçalves de Macedo (pai de Lopo de Macedo), julgo que não era irmão inteiro mas sim meio-irmão mais novo de João de Macedo, portanto filho de um 2º casamento de Gonçalo de Macedo com (Inez) de Oliveira, com explico no meu estudo sobre a "ORIGEM DOS ARAÚJO DE GÓIS, do Brasil", in "Argollo Uma família brasileira de 1500". Voltanto ao Cap. António de Macedo casado com a Francisca Brandão em epígrafe, era ainda irmão de Francisco de Macedo e de Helena de Macedo, a qual recebeu de sua mãe, em dote, o prazo da dita quinta da Granja, em S. Martinho de Lagares, para casar com Jorge de Oliveira, então morador em Pedorido, passando a viver em Lagares, onde ela faleceu antes de 1588 e ele a 26.12.1612, s.g. Este Jorge de Oliveira é tio materno (embora com idade aproximada) de Jorge de Oliveira Pinto, senhor da quinta do Barral, em S. Cipriano de Aregos, da governança de Castelo de Paiva, que também viveu em Pedorido, casado com Guiomar da Cunha, sendo pais do 1º morgado de S. Tiago de Melres Manuel da Cunha Coutinho de Portocarreiro, que foi vereador e juiz ordinário de Castelo de Paiva (9.8.1599) e depois tabelião de Melres (CFII, 10, 309), vila onde casou, viveu e instituiu o dito morgadio, e do Dr. João de Ozorio Sanhudo, arcediago de Pedorido e Labruge, onde instituiu morgadio, que teve vários filhos naturais entre 1592 e 1605. Do Jorge de Oliveira casado com Helena de Macedo ficou um sobrinho homónimo, dito o Novo, nomeadamente referido num baptismo de S. Martinho de Lagares de 3.3.1594. Este Jorge de Oliveira, o Novo, sucedeu no prazo da quinta da Granja, em Lagares, onde faleceu a 16.8.1632, e casou com Maria de Mello, referida adiante, a neta mais velha deste Cap. António de Macedo.
Filhos:

1(IV) Lopo de Macedo, s.g.

2(IV) António de Macedo, que segue.

 

 

IV - António de Macedo, o Moço, cavaleiro fidalgo da Casa Real, foi cavaleiro da Ordem de Santiago (18.1.1581), em paga dos serviços de seu pai, escrivão e recebedor das sisas e redízima do concelho de Melres, por carta de D. Sebastião de 12.4.1581, empossado a 2.9.1581 por falecimento de seu pai, etc. Sucedeu como 4º senhor da quinta do Souto, onde nasceu cerca de 1558 e faleceu a 27.11.1627, dizendo o óbito que deixou por herdeiro e testamenteiro seu genro Álvaro Brandão e assim deixou mais por testamenteiros sua mulher e filhos, sendo seu corpo sepultado na campa que mandou fazer Álvaro Brandão "na porta travessa da banda do norte".

Casou cerca de 1588 em S. Lourenço do Douro com Ana de Mello Vieira, nascida cerca de 1570 na quinta do Ribeiro e falecida a 16.12.1627 em Melres, poucos dias depois do marido, deixando por herdeiras e testamenteiras suas filhas Luiza de Macedo e Catarina de Mello, sendo sepultada na matriz com seu marido. Era irmã do Licenciado Cristóvão Vieira de Mello, abade de Stª Cristina de Tendais, que instituiu o morgadio do Ribeiro, em S. Lourenço do Douro, onde faleceu a 9.6.1433, deixando herdeiros seus sobrinhos António e Francisca, referidos adiante. Eram ambos filhos de Cristóvão Vieira da Silva21, senhor da quinta do Ribeiro, de sua mulher Felicita de Mello, nascida cerca de 1550 e falecida viúva a 11.6.1613 na dita quinta do Ribeiro, deixando testamenteiro seu filho Clemente Vieira de Mello; netos paternos de Clemente Vieira22, escudeiro, morador no Porto, contador e distribuidor de Bemviver, senhor do prazo da quinta do Ribeiro (S. Lourenço do Douro), etc., e de sua mulher Apolónia Pires da Silva23; e netos maternos do Licenciado Domingos Dias (Cardoso), nascido cerca de 1510, escrivão do mordomado de Coimbra e inquiridor e conservador desta cidade, e de sua mulher Maria Malheiro de Mello, irmã do abade do convento de Nª Sª de Campos (Montemor-o-Velho) D. Frei Simão de Mello. Diz Gaio (Malheiros, §3) que "consta do testamento de D. Simão de Mello Abade de Nossa Senhora de Campos, que está no Cartório do dito Mosteiro hoje trasladado para Sendelgas, onde diz que o Bispo D. Pedro Malheiro (seu tio) lhe devia quatro maravidis, e seu filho Gaspar Malheiro lhe devia 7500 réis".

Filhos:

1(V) Maria de Mello, nascida em 1589 em Melres, que viveu casada na quinta da Granja, em S. Martinho de Lagares (Penafiel), onde faleceu a 31.10.1664, sendo referida no óbito como Dona viúva, que fez testamento e deixou obrigação de três estados de 10 missas cada um, dando de esmola 1.500 réis. Casou cerca de 1603 em Melres com Jorge de Oliveira, o Novo, falecido a 16.8.1632 em Lagares, com testamento. Como ficou dito, sucedeu a seu tio Jorge de Oliveira, o Velho, no prazo da quinta da Granja, em Lagares, que este tivera em dote de casamento com Helena de Macedo, tia-avó desta Maria de Mello. Jorge de Oliveira, o Velho, faleceu a 26.12.1612 em Lagares e sua mulher Helena de Macedo faleceu antes de 1588. Este Jorge de Oliveira o Velho era tio materno (embora com idade aproximada) de Jorge de Oliveira Pinto, senhor da quinta do Barral, em S. Cipriano de Aregos, da governança de Castelo de Paiva, que também viveu em Pedorido, casado com Guiomar da Cunha, sendo pais do 1º morgado de S. Tiago de Melres Manuel da Cunha Coutinho de Portocarreiro. Portanto, Jorge de Oliveira, o Novo, e Jorge de Oliveira Pinto eram primos-direitos, ambos sobrinhos de Jorge de Oliveira, o Velho. Mas não podem ser o mesmo, pois o marido de Guiomar da Cunha faleceu antes do tio, pois a dita Guiomar já se documenta viúva em 1594, em Pedorido. Tendo em conta o prenome do primeiro filho de Jorge de Oliveira, o Novo, se chamou Diogo, preome que não exista na família da mãe, suponho que este Jorge de Oliveira era filho de um Diogo de Oliveira, de Poiares (Régua), irmão de Jorge de Oliveira, o Velho, e de Urraca de Oliveira (mãe do antedito Jorge de Oliveira Pinto), sendo estes três irmãos filhos de um Jorge de Oliveira, que julgo filho de Gonçalo de Macedo e sua 2ª mulher Inez de Oliveira.

Filhos:

1.1(VI) Diogo de Oliveira, nascido a 12.8.1604 em Lagares, sendo padrinhos de baptismo Maria de Barros, mulher de Manuel Rebello, e Álvaro Brandão, de Melres. Parece ter morrido criança.

1.2(VI) Jorge de Oliveira, padrinho a 27.7.1623 em Lagares, sendo referido como Jorge, filho de Jorge de Oliveira. Parece ter morrido solteiro, mas teve pelo menos um filho natural.

1.3(VI) Helena de Macedo, nascida a 30.5.1608 em Melres, sendo padrinhos de baptismo Manuel da Cunha e Maria Brandão, filha de Maria de Freitas. Neste assento os pais são referidos como moradores em Lagares, mas "hora ela estante nesta fregª em casa de seu pai Antº de Macedo". Parece ter sido esta a Helena de Macedo que Gayo (NFP, Volume XI, Costado nº 151, pág. 215 e 216) diz ter casado (o casamento não consta nem em Melres nem em Lagares) com um António da Cunha e terem sido pais da mulher de Pedro Pinto Brandão, sendo certo que os filhos deste usaram o nome Cunha.

Filha:

1.3.1(VII) Maria de Souza, nascida cerca de 1626 e falecida depois de 1657 (o óbito não consta em Melres). Gayo (ob. cit.) chama-a Maria Velho da Cunha, mas documenta-se no óbito do marido como Maria de Souza. Casou cerca de 1641 com Pedro Pinto Brandão, nascido a 21.1.1605 em Melres e falecido a 13.2.1657, ib, referido no nº do 7.5(V) do §1, onde segue.

1.4(VI) Águeda, nascida a 28.4.1611 em Lagares, sendo padrinhos de baptismo Paulo Mendes de Carvalho, de Melres, e Lázara de Barros, de Lagares. Parece ter morrido criança.

1.5(VI) Matias de Macedo e Mello, capitão, nascido a 5.1.1617 em Lagares, sendo padrinhos de baptismo Lourenço Rebello, de Fonte Arcada, e Mécia Ferreira, mulher de Pedro de Souza, de S. Pedro de Sobreira. Faleceu a 26.7.1671, ib, ficando sua mulher com a obrigação dos bens de alma. É referido como capitão no óbito. Casou a 4.9.1644 em Ariz (com assento em Lagares) com Maria Barreto Vieira, c.g.

1.6(VI) Inácio, nascido a 13.12.1620 em Lagares, sendo padrinhos de baptismo Gaspar Gonçalves e Maria de Barros, da mesma freguesia. Parece ter morrido criança.

1.7(VI) Jerónimo, nascido a 20.4.1623 em Lagares, sendo padrinhos de baptismo Jacinto Vieira e Catarina de Mello. Parece ter morrido criança.

1.8(VI) Semião, nascido a 12.9.1625 em Lagares, sendo padrinhos de baptismo Maria de Barros e o Padre António de Souza. Parece ter morrido criança.

1.9(VI) Felicita, nascida a 24.8.1630 em Lagares, sendo padrinhos de baptismo o Padre Diogo Garcia, vigário de Sobreira, e Maria de Barros, de Lagares. Parece ter morrido criança.

2(V) Jerónima Malheiro de Mello, que segue.

3(V) Lopo de Macedo e Mello, nascido a 6.8.1591 em Melres, sendo padrinhos de baptismo Cristóvão Vieira, morador no Ribeiro, freguesia de S. Lourenço, e Francisca Brandão, filha de Maria de Freitas, moradora nesta vila. Foi cavaleiro fidalgo da Casa Real e faleceu na Índia, solteiro, sem geração.

4(V) Luiza de Macedo, nascida a 17.5.1593 em Melres, sendo padrinhos Belchior Pinto e Maria de Azeredo, filha de Justa Vieira, todos moradores nesta vila. Faleceu viúva, quase centenária, na quinta do Olival, em Melres, a 10.10.1690. Casou tardiamente, a 16.5.1633, ib, na véspera de fazer 40 anos, com Jorge Ozorio da Cunha, nascido a 11.10.1605 em S. Martinho de Lagares, e falecido a 14.8.1679 em Melres, onde viveram, sem geração. Ele era filho natural do Padre Dr. João de Ozorio Sanhudo, arcediago de Pedorido e Labruge, 1º morgado de Labruge, etc., já atrás referido, e de sua prima Catarina de Ozorio, filha natural do abade de S. Martinho de Lagares Jerónimo de Ozorio.

5(V) Cristóvão de Macedo Vieira, padre, cura em Melres e abade reitor de Macedo de Cavaleiros, nascido a 22.11.1595 em Melres, sendo padrinhos Belchior Nogueira, estudante, morador em S. Lourenço, e Antónia Ferraz, filha de Justa Vieira, moradoras nesta vila.

6(V) Francisca de Mello Brandão, nascida a 16.3.1597 em Melres, sendo padrinhos Antão Lopes, abade resignatário de Melres, e Maria Brandão, mulher de Belchior Pinto, moradores nesta vila. Casou a 30.4.1635 em S. Lourenço do Douro com Matias Pinto de Vasconcellos, que viveu casado na quinta da Quintã, ib. Foram casados pelo padre Miguel da Rocha, que o diz seu sobrinho. Matias Pinto de Vasconcellos foi testamenteiro de Belchior Pinto (referido atrás, casado com Maria Brandão), em cujo óbito o filho (deste Belchior) diz que Matias era sobrinho de Belchior. Resta saber se este parentesco era de sangue ou por afinidade, tendo aqui o termo sobrinho o significado antigo mais abrangente de filho de co-irmão (primo-direito). Porque a mulher de Matias Pinto de Vasconcellos era "sobrinha" (filha de co-irmão) por afinidade de Belchior Pinto, pelo que o Matias também o passou a ser. Tendo em conta que viveu na quinta da Quintã, Matias Pinto de Vasconcellos muito provavelmente é tio de Manuel Pinto de Vasconcellos referido atrás (que a 10.9.1658 casou com D. Isabel Brandão de Mello), que viveu na mesma quinta, nascido no lugar da Granja da freguesia de S. Romão de Paredes de Viadores, e filho de Manuel Aranha e sua mulher Filipa Vieira. Neste caso, esta Filipa Vieira seria irmã de Matias Pinto de Vasconcellos e ambos irmãos de Manuel Mendes de Vasconcellos, de S. Lourenço do Douro, que era filho de Afonso Mendes de Vasconcellos e de sua mulher Ana Vieira, já falecida em 1617. Manuel Mendes de Vasconcellos casou a 24.9.1617 em S. Lourenço do Douro com Maria de Pedrosa, filha de João Aranha Coutinho e sua mulher Maria Leitão. Manuel Mendes de Vasconcellos era ainda irmão de Antónia Correa de Vasconcellos, que casou a 7.1.1619 em S. Lourenço do Douro com Francisco Teixeira da Mota. Alão diz que Matias Pinto de Vasconcellos e sua mulher não tiveram geração.

7(V) Ana de Mello de Macedo, nascida a 5.2.1600 em Melres, sendo padrinhos Braz de Madureira, cónego morador na Lomba, e Mécia Barreiros, filha de Maria de Freitas, todos desta freguesia. Casou com seu primo Álvaro Brandão de Faria, referido atrás no nº V do §1, onde segue.

8(V) Catarina de Mello de Macedo, nascida a 12.3.1603 em Melres, sendo padrinhos Manuel da Cunha e Catarina Brandão, moradores nesta vila. Casou cerca de 1631 (o assento não está em Melres nem em S. Lourenço do Douro) com Manuel Velho Ferraz, de S. Lourenço do Douro, irmão do Licenciado Francisco Velho Ferraz, bacharel formado em Cânones pela Universidade de Coimbra (7.5.1614), ambos filhos de Pedro Velho. Com geração em S. Lourenço do Douro.

9(V) António Vieira de Mello, nascido a 16.12.1605 em Melres, sendo padrinhos Álvaro Brandão e Maria de Aragão, filhos de Maria de Freitas. Foi sargento-mor de Bemviver e sucedeu como 2º morgado da quinta do Ribeiro. Sucedeu também como 2º morgado de Nª Sª dos Prazeres, em Sinfães, vínculo instituído por uma prima de sua avó Felicita de Mello. Em novo chamou-se António de Macedo, e terá adptado os nomes Vieira de Melloo quando em 1633 sucedeu no morgadio da quinta do Ribeiro a seu tio materno o Dr. Cristóvão Vieira de Mello. Foi testamenteiro de sua tia-avó Maria de Freitas, referida no nº III do §1, falecida em 1633, sendo aí ainda referido como António de Macedo. Casou em finais de 1633 em Barrô (Resende) com sua prima Clemência Vieira, aí nascida cerca de 1612 e falecida a 21.9.1647 na quinta do Ribeiro, filha de Clemente Vieira24 e de sua mulher Baptista Vaz Pinto. Com geração hoje representada nos Vieira Ozorio da Casa de Juste, em S. Fins do Torno (Lousada).25

 

 

V - Jerónima Malheiro de Mello, que levou em dote a quinta do Souto ou "soutinho de Melres". Nasceu em finais de 1590 (os livros de assentos de baptismos de Melres começam neste ano). A 3.2.1605 foi madrinha em Melres de um filho de Manuel da Cunha Coutinho de Portocarreiro, sendo referida como Jerónima Malheiro, filha de António de Macedo. Casou cerca de 1615 (não existe este assento em Melres, embora exista o do casamento a 14.7.1617 de João Gonçalves, irmão deste Domingos Carvalho) com Domingos Carvalho, "fº de hû lavrador". Era filho de Domingos Gonçalves e de sua mulher Isabel Tavares, natural de Melres, onde faleceu viúva a 2.11.1638. Domingos Gonçalves era natural do lugar do Paço, na freguesia de Canedo, termo da Feira, onde seu filho Domingos Carvalho também nasceu, na casa que chamavam da Portela.  

Filhos:

1(VI) Luiz de Mello, abade reitor de Santalha (Vinhais) e depois abade reitor de Melres, que já era quando em 1649 aí foi padrinho. Nasceu a 31.5.1616 em Melres, sendo padrinhos João de Azeredo e Catarina Brandão, moradores nesta vila. Faleceu a 22.12.1682, ib, sendo sepultado na matriz.

2(VI) Francisca de Mello, nascida a 4.11.1618 em Melres, sendo padrinhos António Ferreira e Antónia Ferraz, mulher de Manuel da Cunha. Casou com Jorge da Rosa de Lemos, familiar do Santo Oficio (2.6.1688), em cujo processo se diz ser "homem nobre que vive abastadamente". 

3(VI) Cristóvão de Macedo, abade reitor de Mascarenhas (Mirandela), nascido a 12.4.1621 em Melres, sendo padrinhos Gonçalo Rebello e Joana de Aragão, mulher de João de Azeredo. Foi padrinho em Melres em 1649.

4(VI) Ana de Mello, nascida a 20.3.1624, sendo padrinhos o Padre João Pinto e Ana de Mello, filha de António de Macedo. Faleceu solteira a 11.11.1709, ib.

5(VI) António de Macedo e Mello, que segue.

6(VI) D. Frei Clemente Vieira, bispo de Angra (24.11.1687) e lente da Universidade de Coimbra, nasceu a 15.2.1630 em Melres, sendo padrinhos Álvaro de Araújo e Catarina de Mello, moradores nesta vila. Diz erradamente que tinha 40 anos em 1673, ano em que se habilitou a qualificador do Santo Ofício, e faleceu a 24.9.1692 em Ponta Delgada. Foi religioso de Santo Agostinho e assistente no Colégio de Nª Srª da Graça, em Coimbra. Tirou o bacharelato (21.5.1670), a licenciatura (9.6.1671) e o doutoramento (21.6.1671) em Teologia na Universidade de Coimbra, onde foi, por provisão de 3.3.1684, condutário com privilégios de lente e lente de Gabriel (1671-86) e opositor. Habilitou-se a 16.101673 para qualificador do Santo Ofício, cargo para o qual foi nomeado no ano seguinte, e foi bispo da Angra, por carta de D. Pedro II, confirmado a 12.10.1688, tendo sido sagrado no Porto e dado entrada solene na sua diocese em 12.10.1688. Faleceu a 24.9.1692 no mosteiro de Nª Srª da Graça, em Ponta Delgada, sendo sepultado na capela-mor da igreja do convento da sua ordem.26 

 

 

VI - António de Macedo e Mello, nascido a 28.12.1626 em Melres, baptizado por Cristóvão de Macedo, seu irmão (da mãe), sendo padrinhos Álvaro Brandão e Luiza de Macedo. Faleceu a 7.10.1704, ib, sendo sepultado na matriz, com três ofícios de 30 padres cada um. Sucedeu na quinta do Souto, que reformou e passou a chamar-se dos Loureiros. Foi ouvidor do 1º marquês de Marialva, senhor donatário de Melres. 

Casou cerca de 1664 com Francisca da Rosa Moraes, nascida em Mascarenhas (Mirandela), irmã de Jorge da Rosa de Lemos casado com sua cunhada, atrás no nº 2(VI), ambos filhos de Jorge de Lemos, morgado de Nª Srª do Desterro de Mascarenhas, e de sua mulher Maria de Moraes; netos paternos de Gaspar Vaz Teixeira e de sua mulher Antónia da Rosa; e netos maternos de Francisco Moraes e de sua mulher Ana Pinto.

Filhos:

1(VII) Dr. Bartolomeu de Macedo Malheiro, que segue.

2(VII) Luiz Vieira de Mello, padrinho em Melres a 27.10.1691, sendo referido como solteiro, filho de António de Macedo. Faleceu solteiro sem geração.

3(VII) Jacinto de Moraes Malheiro, nascido a 16.8.1675 em Melres, sendo padrinhos de baptismo o abade Manuel Soares de Faria e sua irmã Mariana de Azeredo. Em 1728 era reitor pensionário de S. Mamede de Canelas e em 1730 era abade encomendado de S. Lourenço do Douro.

 

Morgadio da Casa Grande de Melres (foto do autor).

 

VII - Dr. Bartolomeu de Macedo Malheiro de Moraes, nascido a 11.4.1665 em Melres, sendo padrinhos de baptismo António Vieira de Mello e sua irmã Luiza de Macedo. Faleceu a 6.3.1738 na sua casa da Rua da Taipas, na cidade do Porto (Victória), com testamento, deixando testamenteiros e herdeiros sua mulher e seu filho Joaquim Francisco, sendo sepultado na matriz. Sucedeu na quinta dos Loureiros, nos limites da qual fez, entre 1690 e 1700, a Casa Grande de Melres, que instituiu em morgadio, emprazando a quinta dos Loureiros, prazo de que existe a renovação de vidas já a 2.9.1824, feita por seu bisneto. Foi cavaleiro da Ordem de Cristo (15.9.1694), familiar do Santo Ofício (22.10.1712), bacharel em Cânones (27.7.1689) e formado (30.5.1691) e licenciado (15.7.1695) em Leis pela Universidade de Coimbra, bacharel habilitado ao serviço de Sua Majestade (1696), corregedor da comarca de Moncorvo (22.12.1706), provedor das obras, órfãos, capelas, hospitais, confrarias, albergarias e contador das terças e resíduos da comarca de Viseu (6.3.1714) e Coimbra (25.1.1721), desembargador da Relação do Porto (3.1.1726) e ouvidor do crime na mesma Relação (25.8.1727). Deixou manuscrita uma "Notícias das Igrejas do Bispado de Coimbra", datada de 1726 (Academia Real da História Portuguesa). Viveu sobretudo na cidade do Porto, onde fez casa na Rua das Taipas (casa onde hoje está instalado o Instituto Multimédia), já aí habitando em 1727. 

Casou a 1ª vez a 1.7.1693 em Melres com sua parente D. Maria Pinto Brandão (a), referida no nº 7.5.1.1(VII) do §1, que nasceu a 27.1.1666 em Melres e faleceu pouco depois de casar, a 4.10.1693, ib, com testamento, sendo sepultada na matriz. Sem geração. Era filha de João Pinto da Cunha e de sua mulher Serafina de Andrade e cunhada do capitão-mor António Brandão de Macedo e Mello. Foram testemunhas deste matrimónio João Correa Coutinho e seu genro Manuel da Cunha Coutinho de Portocarreiro.

Casou a 2ª vez, cerca de 1723 e depois de 8.7.1721, com sua prima D. Antónia de Moraes Sarmento Pimentel (b), nascida no Porto cerca de 1700 e falecida viúva a 18.8.1784 na casa da Rua das Taipas, ib (Victória), com testamento, deixando testamenteiro seu genro, sendo sepultada na matriz. Era filha herdeira do Dr. Miguel da Rosa Pimentel, nascido em Mirandela, morgado de S. Braz de Golfeiras e de Nª Srª do Desterro de Mascarenhas, bacharel (22.6.1666) formado (14.1.1667) em Cânones pela Universidade de Coimbra, corregedor, ouvidor do crime e desembargador da Relação do Porto, cavaleiro da Ordem de Cristo (17.1.1687), etc., e de sua mulher D. Teresa de Moraes Sarmento; neta paterna de Fernão Pimentel e sua mulher D. Antónia da Rosa (irmã de Jorge da Rosa de Lemos e de D. Francisca da Rosa, referidos no nº anterior); e neta materna de Estêvão de Mariz Sarmento, governador de Vinhais, fidalgo cavaleiro da Casa Real (12.12.1689), cavaleiro da Ordem de Cristo com 12.000 réis de tença (18.2.1690), etc., e de sua mulher e prima D. Francisca de Moraes. 

Filhos:

1(VIII) (b) Joaquim Francisco de Macedo Pimentel de Lemos, nascido cerca de 1724, possivelmente em Coimbra, e falecido a 10.2.1781, deixando herdeira sua irmã D. Antónia Narcisa. Foi fidalgo da Casa Real e tenente-coronel do Regimento de Infantaria de Chaves. Sucedeu no morgadio da Casa Grande, onde fez obras de remodelação, acrescentando-lhe a pedra de armas, esquartelada de Macedo, Moraes, Pimentel e Sarmento (foto abaixo).

 

2(VIII) (b) D. Antónia Tereza Sarmento, que em 1737 foi madrinha de baptismo de sua irmã Francisca. Faleceu solteira.

3(VIII) (b) Luiz de Macedo de Mello, que faleceu solteiro antes de sua mãe, sem geração.

4(VIII) (b) Jacinto de Moraes Malheiro, padre, que sucedeu ao tio homónimo como reitor de S. Mamede de Canelas.

5(VIII) (b) António de Macedo e Mello, nascido a 9.8.1727 no Porto (Victória), sendo padrinhos de baptismo o Desembargador António Teixeira Álvares e D. Antónia Maria, mulher de Giraldo Gomes de Eça, da vila de Caminha, representada por Francisco Coelho da Silva, morador na quinta de Bomjardim. Faleceu antes de 1730.

6(VIII) (b) D. Ana de Moraes Sarmento Pimentel, nascida a 14.1.1728 no Porto (Victória), sendo padrinho de baptismo D. Pedro António José de Alcântara e Menezes, conde de Cantanhede, representado pelo Padre Jacinto de Moraes Malheiro, reitor pensionário de S. Mamede de Canelas. Faleceu solteira a 10.3.1803 na casa da Rua das Taipas, sem testamento, sendo sepultada na matriz.

7(VIII) (b) António, nascido a 19.1.1730 no Porto (Victória), sendo padrinhos de baptismo o Dr. João Guedes Coutinho, governador do bispado do Porto, e D. Maria Luiza de Mello, por procuração passada a seu irmão Bento Luiz Correa de Mello. Faleceu a 1 de Outubro desse mesmo ano em Melres, sendo sepultado na matriz.

8(VIII) (b) Maria Delfina de Moraes Sarmento Pimentel, nascida a 28.5.1731 no Porto (Victória), foi baptizada em casa por estar em perigo de vida, e a 10 de Dezembro do dito ano, no oratorio da casa de seus pais, recebeu os santos óleos, sendo padrinho Joaquim Francisco de Macedo Pimentel de Lemos, irmão da baptizada, e D. Beatriz Josefa, mulher de Luiz Brandão Pereira de Lacerda. Faleceu solteira a 10.4.1817 na casa da Rua das Taipas, diz o óbito que com 86 anos (na verdade 85), sendo sepultada na matriz.

9(VIII) (b) D. Antónia Narcisa de Macedo Moraes Sarmento, que segue.

10(VIII) (b) Francisca, nascida a 26.5.1737 no Porto (Victória), sendo padrinhos de baptismo o Desembargador Manuel da Costa Pinto e D. Antónia Tereza Sarmento, irmã da baptizada. Faleceu criança.

 

 

VIII - D. Antónia Narcisa de Macedo Moraes Sarmento Pimentel de Mariz, nascida a 19.6.1735 na casa da Rua das Taipas e baptizada a 5 de Julho no Porto (Victória), sendo padrinhos o Desembargador António Coelho de Meirelles e D. Victória Joana Brandão da Cunha, representada por seu marido João da Cunha Coutinho Ozorio de Portocarreiro, todos moradores na dita cidade. Sucedeu ao irmão nos morgadios da Casa Grande, de S. Braz de Golfeiras e de Nª Sª do Desterro de Mascarenhas e no prazo da quinta dos Loureiros, e a sua mãe na casa da Rua das Taipas, onde viveu e faleceu viúva a 6.2.1821, diz o óbito que com 82 anos "pouco mais ou menos" (na verdade 86), com testamento, deixando herdeiro e testamenteiro seu genro e indo a sepultar à matriz.

Casou a 24.1.1779 em Melres, tinha já 43 anos, com o Dr. Manuel Francisco da Silva e Veiga Magro e Moura, nascido em Coimbra, fidalgo cavaleiro da Casa Real, licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra (1757), onde foi opositor da Faculdade de Cânones e professor de Poesia e Retórica, até 1781, ano em que foi nomeado juiz do sequestro geral aos Jesuítas. Antes foi desembargador da Relação do Rio de Janeiro e juiz da coroa e da fazenda. Foi também ouvidor-geral da Casa do Cível, desembargador ordinário da Relação do Porto (23.1.1776), desembargador da Casa da Suplicação (9.12.1783), chanceler da Relação do Porto (21.5.1793), conselheiro de Sua Majestade Fidelíssima e desembargador do Paço, onde faleceu antes de 1821. Era filho de José Francisco da Costa Magro e Moura, caixeiro em Coimbra, e de sua mulher Comba da Silva Veiga; neto paterno de Miguel Gonçalves Afonso e de sua mulher Maria Francisca, gente pobre de Mondim de Basto; e neto materno do Dr. Manuel da Silva Leitão, nascido em Lisboa, médico em Coimbra, licenciado em Medicina pela Universidade de Coimbra (6.6.1711), e de de sua mulher Isabel da Silva Neves.

A 8.10.1784, pela morte de sua sogra, D. Antónia de Macedo Moraes Sarmento Pimentel, administradora dos morgadios de S. Braz de Golfeiras e de Nª Srª do Desterro, o Dr. Manuel Francisco constituiu seu procurador Francisco Xavier de Moraes Pinto Cardoso, para que em seu nome tomasse posse de todos os bens que possuia, por casamento.

Filha:

1(IX) D. Antónia Benedita de Macedo Moraes Sarmento, que segue.

 

 

IX - D. Antónia Benedita de Macedo Moraes Sarmento Pimentel Moura da Veiga, filha única, mas que não chegou a suceder, pois faleceu muito antes da mãe. Nasceu a 22.10.1780 em Melres (tinha a mãe 45 anos de idade!) e foi baptizada em casa por necessidade, recebendo os santos óleos a 26 na capela da quinta de seus pais nesta vila, sendo padrinhos o Senhor dos Passos e D. Francisca Rosa de Moraes Sarmento. Faleceu a 3.1.1806 na casa da Rua das Taipas, com apenas 25 anos de idade, indo a sepultar a um carneiro que seu marido tinha no mosteiro de S. Francisco. 

Casou a 24.2.1805 no Porto (Victória), no oratório da casa da Rua das Taipais, com João António de Souza Pereira Coutinho de Yebra e Oca Drago da Cunha e Castro Guedes de Carvalho, 9º morgado do prestimónio de Vilar de Perdizes e do hospital de Santa Cruz, fidalgo cavaleiro da Casa Real (14.10.1799), alcaide-mor do castelo de Piconha (20.12.1800), capitão agregado do Regimento de Infantaria de Bragança, etc., que nasceu a 30.5.1771 em Vilar de Perdizes e faleceu a 14.5.1825 na casa da Rua das Taipas, com testamento, deixando herdeiro e testamenteiro seu único filho, e indo a sepultar ao carneiro que tinha no mosteiro de S. Francisco, onde já estava sepultada a mulher. 

Foram pais de António de Souza Pereira Coutinho de Macedo Moraes Sarmento Pimentel (1805-1864), com geração nos morgados de Vilar de Perdizes.27

 

© 1999


notas

 

1 - AHCMP - Livro 7º de Vereações, fls 133.

2 - Vide "João de Aragão, um portuense ilustre do séc. XV", comunicação feita por D. João de Noronha Ozorio em 1997 na Tertúlia do Club Portuense.

3 - AMP - Tomo 3º do Rocamador, fls 196 e seguintes.

4 - CJIII, 36, 146

5 - Com efeito, dois dos filhos de António Gomes de Freitas e sua mulher Isabel Brandão usam o nome Faria. E o mesmo acontece com os Freitas da Porto, nomeadamente com Fernão Rodrigues de Freitas, cidadão do Porto e aí senhor da quinta da Deveza, que casou com sua sobrinha Luiza de Faria e teve pelo menos três filhos: 1) Francisco Rodrigues de Freitas, cidadão, presente a uma sessão da Câmara do Porto em 1577; 2) Pantaleão de Freitas, que em 1556 era juiz da Alfândega do Porto; 3) Catarina de Faria casada com Nuno Martins de Gouveia. Vide "Patriciado Urbano Quinhentista: As famílias dominantes do Porto", 1997, de Pedro de Brito. Donde se poderá concuir que Gomes Fernandes de Freitas também seria filho daqueles Fernão Rodrigues de Freitas e Luiza de Faria.

6 - AMP - F-Bco. 1, nº 1, fls 147.

7 - ADP - Convento de S. Domingos, livro 23, fls 71.

8 - Tendo em conta que Maria de Freitas tem uma filha Vieira e uma neta Barreiros.

9 - Vide "Carvalhos de Basto", Vol I, pag. 212.

10 - Vide "Portocarreros do Palácio da Bandeirinha", Porto 1997, obra do autor desta resenha. Na quinta de Marrocos, "que se estendia em ambas as margens do Douro", instituiu Manuel da Cunha Coutinho de Portocarreiro e sua mulher o morgadio de Melres com capela de S. Tiago na matriz de Melres, vindo depois, por aproximação com o palácio do Porto, a chamar-se quinta da Bandeirinha. A casa, do séc. XVII, está agora a ser restaurada e nela será instalada a Junta de Freguesia de Melres e um museu concelhio.

11 - Jorge Vieira ou Jorge Vieira Cabral era, segundo Manuel de Souza da Silva, irmão de Clemente Vieira, escudeiro, morador no Porto, contador e distribuidor de Bemviver, senhor do prazo da quinta do Ribeiro (S. Lourenço do Douro), etc. Não era, portanto, o Jorge Vieira que foi inquiridor das inquirições judiciais e contador dos feitos e custas de Bemviver por cedencia de seu pai (22.2.1521), casado com Maria da Mota, que também teve uma filha Justa Veira, mas casada com Gaspar Moreira. Este segundo Jorge Vieira era seu primo-direito, porque filho de Pedro Anes (do Olival), escudeiro, senhor da quinta do Olival, em Lidrais (Vila Boa do Bispo), escrivão dos órfãos de Bemviver (28.4.1504) e inquiridor das inquirições judiciais e contador dos feitos e custas desse concelho (cargo este que em 1521 renunciou para seu filho Jorge Vieira), etc., e de sua mulher Isabel Pires Vieira, tia paterna dos ditos Clemente Vieira e Jorge Vieira. Este eram filhos de João Pires Vieira, que sucedeu no prazo da quinta do Ribeiro, e de sua mulher Tereza Anes, e netos de Pedro Gonçalves Cabral, que teve o prazo do Ribeiro em Vila Boa de Quires, e de sua mulher Beatriz Afonso Vieira, que em 1473 sucedeu no prazo da quinta do Ribeiro, em S. Lourenço do Douro. Beatriz Afonso Vieira era filha de Afonso Vieira e sua mulher Beatriz Álvares da Maia. Afonso Vieira já devia ser senhor do prazo da quinta do Ribeiro, pois Alão refere-o como Afonso Vieira, de Bemviver, e quinta do Ribeiro fica no antigo concelho de Bemviver. Afonso Vieira era filho de Tristão Vieira e Joana Martina Peixoto, sendo este certamente filho de Afonso Vieira, senhor da quinta da Conca, em S. Paio de Portela (Penafiel), e sua mulher Joana Martins (Diniz). Este Afonso Vieira, cuja viúva ainda vivia em 1470, não nasceu antes de 1391 e é certamente o Afonso Vieira, morador no Porto, vassalo régio, criado de Álvaro Anes de Cernache, a quem a 3.10.1442 D. Afonso V concedeu carta de privilégio para todos os seus caseiros, lavradores e apaniguados da correição de Entre-Douro-e-Minho (38, 17v). Nele começa Alão os Vieira da Conca. Gaio diz que era fillho de Gonçalo Vasques Vieira, corregedor de Entre-Douro-e-Minho e Trás-os-Montes e da governança da cidade do Porto. É o Gonçalo Vasques Vieira que foi vassalo de D. João I e seu corregedor na comarca e correição de Entre-Douro-e-Minho e Trás-os-Montes. Gonçalo Vasques Vieira documenta-se corregedor de D. João I no Entre-Douro-e-Minho em 1409 (CJI, 3, 117 e 117v) e como seu vassalo e corregedor na comarca e correição de Trás-os-Montes em 1417 (ib, 3, 177v). E ainda como corregedor no Entre-Douro-e-Minho em 1422 (Tombo da Câmara do Porto, f. 31). Era filho de Vasco Gonçalves Vieira, nascido cerca de 1335 em Guimarães, onde viveu, sendo em 1362 alcaide-mor de Tavira. Com efeito, D. Pedro I mandou entregar o castelo de Tavira a Vasco Gonçalves Vieira, seu vassalo, a 13.4.1362 (1, 70v e 80).

12 - Nos paroquiais aparece em geral apenas como Ana de Mello.

13 - Vide "Os Côrte-Real da Lavandeira", obra a publicar por José Maria Alcoforado Pereira Côrte-Real. De D. Raimunda foi filha, entre outros, D. Tereza Clara Brandão de Mello, n. a 6.6.1721 em S. Paio de Favões e casada a 16.11.1739 em S. Lourenço do Douro com Domingos Vieira de Mello, que por sua vez foram pais de António Vieira de Mello Pereira de Vasconcellos, monteiro-mor de Benviver, senhor da quinta do Pinheiro, em S. Lourenço de Douro, que a 5.4.1788 teve carta de armas para Vieira, Mello, Pereira e Vasconcellos, c.g., e de D. Joana Ferraz de Azevedo Brandão e Mello, que casou com o Capitão António Ferraz de Azevedo Monteiro de Almeida, moradores na quinta de Lameira, em Ariz (Marco de Canavezes), c.g.

14 - Vide "Os Machado Pereira da quinta do Carvalho, em Sande", por José Manuel Huet de Bacelar de Almeida, in "Genealogia e Heráldica", nº 1 (1999).

15 - Vide "Carvalhos de Basto", Vol. 1, pag. 46.

16 - Vide "Carvalhos de Basto", Vol. 1, pag. 46 e seguintes.

17 - Falecida a 31.5.1700 em Melres com cerca de 90 anos, levou em dote a quinta de Valbom. Era irmã do Padre Jerónimo Ferraz Homem, abade de S. Mamede de Recezinhos, que a 16.3.1673 instituiu o morgadio e capela da Srª da Conceição da Faia, nomeando sucessor em 1º seu sobrinho (neto) Paulo Pinto, em 2º seu sobrinho Jerónimo Pinto e, na falta de ambos, seu sobrinho (neto) Manuel da Cunha Coutinho de Portocarreiro. Instituiu ainda outro vínculo a 15.6.1673, na Misericórdia de Amarante, com um fundo 400.000 réis, destinado a pagar os estudos na Universidade de Coimbra dos filhos segundos das casas da Faia e de Melres. Aquele Paulo Pinto nomeado em 1º lugar no morgadio e capela da Srª da Conceição da Faia, era Paulo Pinto Ferraz (1659-1728), que de facto sucedeu no morgadio da Faia, foi familiar do Stº Ofº e depois de viúvo ordenou-se e foi abade de Sobretâmega, tirando inquirições de genere no Porto a 27.11.1724. Era filho de Gaspar Pinto Ferraz e neto de Ana Pinto Ferraz (irmã de Maria Ferraz de Souza) e de seu marido Baltazar Pinto Ribeiro, senhor da quinta do Prado, em S. Nicolau de Canavezes, que foi mercador de panos. Aquele Jerónimo Pinto, nomeado em 2º lugar, chamou-se na verdade Jerónimo Ribeiro Ferraz e era irmão do antedito Gaspar Pinto Ferraz. Jerónimo foi familiar do Stº Ofº (1663) e casou a 1ª vez com Maria de Queiroz, sem geração, e a 2ª vez com Vitória de Andrade, com geração. Por sua 1ª mulher teve o prazo do casal de Mourilhe, em Telões. D. Maria Ferraz de Souza e seus irmãos eram filhos de Paulo Ferraz de Souza, senhor da quinta de Valbom, em Castelões de Recezinhos, e de sua mulher (casados a 3.2.1594 em S. Nicolau de Canavezes) Verónica Pinto, senhora da quinta da Quebrada, em Stª Mª de Castelões. Esta Verónica Pinto era filha de Gaspar Pinto, senhor da dita quinta da Quebrada e da quinta de Magães, no Freixo (Marco de Canavezes), fal. a 10.7.1592 em S. Nicolau de Canavezes, e de sua mulher e prima Ana Pereda, fal. a 24.7.1607 em S. Nicolau de Canavezes, com testamento, deixando testamenteiro o marido (o 2º), conforme ficou referido no nº 5(IV) do §1. Paulo Ferraz de Souza foi irmão de António Ferraz de Souza, senhor da dita quinta de Magães, por dote de sua mulher Ana Pinto, fal. a 15.11.1660 na dita quinta de Magães, irmã da antedita Verónica Pinto, sua cunhada. Destes foi filha Ana Ferraz de Souza, que levou em dote a quinta de Magães, onde n. a 2 .2.1620 e fal. a 17.1.1698, deixando herdeiro seu genro Francisco de Azeredo Geraldes de Leão. Esta Ana casou a 18.12.1651, ib, com André de Vabo Coelho, filho de António Tomé e sua mulher Antónia de Vabo Coelho, senhora da quinta de Queirão, em S. Salvador de Travanca, onde fal. viúva a 18.12.1651. Esta Antónia era irmã de Sebastião de Vabo Coelho, referido adiante. De Ana Ferraz de Souza e seu marido André de Vabo Coelho foi filha Mariana de Vabo Ferraz, que sucedeu na quinta de Magães, b a 11.10.1655 em Castelões de Recezinhos e fal. a 20.9.1730 na dita quinta. Casou com o antedito Francisco de Azeredo Geraldes de Leão, c.g. nos Geraldes de Leão da quinta de Magães. De Paulo Ferraz de Souza foi ainda irmão Francisco Ferraz de Souza, que casou a 3.10.1619 em Sobretâmega (Marco) com Leonor Ribeiro Pessanha, sendo pais de Luiz Ferraz de Souza, alcaide-mor de Redondo, que a 24.10.1667 teve carta de armas para Souza, Ferraz, Homem e Ribeiro. Paulo Ferraz de Souza e seus irmãos eram filhos de Francisco Ferraz de Souza, senhor da quinta de Valbom, onde fal. a 15.8.1629 com cerca de 94 anos, e de sua 1ª mulher (casados a 21.2.1556 em Lousada) Maria Nunes Ribeiro (na carta de armas do neto referida como Maria Nunes Pereira), filha de Pedro Ribeiro, n. cerca 1512 em Idães, escudeiro da Casa do infante D. Fernando, escrivão da honra de Unhão (1527), etc., que se matriculou em ordens menores em Braga a 21.3.1523, e de sua mulher Isabel Nunes (Pereira), senhora da quinta das Barrelas, da freguesia de Aveleda (Lousada). Pedro Ribeiro era filho de Tristão Gonçalves Ribeiro, escudeiro e cavaleiro armado em Azamor (21.6.1514), tabelião de Felgueiras e Unhão (19.3.1491), recebedor das sisas de Guimarães (14.5.1530), escrivão dos órfãos de Felgueiras (2.8.1511) e das sisas de Unhão (18.11.1511) e de Chaves (4.8.1522), senhor da quinta da Torre de Idães, etc., que se matriculou ordens menores em Braga a 31.3.1487 e de sua 2ª mulher Helena Mendes de Carvalho (e Vasconcellos). Francisco Ferraz de Souza casou 2ª vez a 3.2.1594 em S. Nicolau de Canavezes, no mesmo dia de seu filho Paulo, com Ana Pereda, sogra do dito Paulo, s.g. Francisco Ferraz de Souza era irmão de Jerónimo Ferraz e Filipa Ferraz de Souza, que casou com Sebastião de Vabo Coelho, c.g. Jerónimo Ferraz (de Souza) n. cerca de 1540 e fal. a 2.10.1614 em Unhão, com assento em Castelões de Recezinhos. Casou a 1ª vez com Francisca da Mota, c.g., e a 2ª vez a 29.11.1597 em Vila Boa de Quires com Sebastiana de Araújo, fal. a 19.9.1631 em Castelões de Recezinhos, também c.g. Francisco Ferraz de Souza e seus irmãos eram filhos de Baltazar Luiz, senhor da dita quinta de Valbom, e de sua mulher Filipa Ferraz de Souza, n. cerca de 1518, filha de Henrique Homem de Souza, fidalgo da Casa Real, senhor da quinta de Valmelhorado, em Pombeiro, e de sua mulher Ana Ferraz. Por morte de seu pai Manuel de Souza Homem, a 30.4.1535 fez D. António de Mello, comendatário do mosteiro de Pombeiro, renovação do prazo da quinta de Valmelhorado a seu filho mais velho Henrique Homem de Souza. Para a ascendência de Manuel de Souza Homem (casado com Catarina de Faria) ver "Ascendências Visienses. Ensaio genealógico sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVII", Porto 2004, também obra do autor, em HOMEM de Bordonhos (1.7). Aquela Ana Ferraz era irmã de Martim Ferraz, governador de Baçaim, certamente o Martinho Ferraz que a 31.1.1528 tinha 1.218 reais de moradia como moço da câmara da Casa da rainha e teve mercê de 4.000 reais para ir servir à Índia. Ambos filhos de Pedro Álvares de Bulhão, capitão-mor da Esgueira, e de sua mulher Catarina Ferraz. O antedito Baltazar Luiz, senhor da quinta de Valbom, diz Gaio que teve esta quinta em prazo, em sucessão a sua irmã Maria Luiz. Refere este autor que cópia deste prazo se achava no Arquivo dos senhores de Louredo, no Concelho de Stª Cruz de Ribatâmega. Num lugar Gaio data o prazo de 2.9.1553 e noutro de 2.3.1560. Acrescenta Gaio que Baltazar Luiz era irmão de Belchior Luiz, tabelião de Stª Cruz de Ribatâmega, que casou com Inez Jácome, c.g. Diz também que Baltazar Luiz e seus irmãos eram filhos de Luiz Afonso, juiz e vereador da cidade do Porto, e de sua mulher Mécia Álvares.
Julgo que este Luiz Afonso era filho de Fernão Luiz, cavaleiro da Casa Real e coudel da cidade do Porto (25.10.1472 e 3.9.1475). A 24.3.1458 D. Afonso V nomeou Fernão Luiz, morador na Cenha do couto de Campanhã, a pedido de João de Matos, escrivão dos contos da cidade do Porto, para o cargo de porteiro das sisas e dízima do julgado de Gondomar, termo da dita cidade, em substituição do dito João de Matos, que renunciara. A 15.9.1473 o mesmo rei deu quitação a Fernando Álvares Baldaia, cavaleiro da sua Casa, e a Fernão Luiz, escudeiro da sua Casa, moradores na cidade do Porto, de tudo que deviam ao rei, relativo aos anos de 1460 e 1469, período durante o qual receberam os pagamento dos soldos e mantimentos. A 25.10.1473 privilegiou Fernão Luiz, cavaleiro da sua Casa, concedendo-lhe carta da coudelaria da cidade do Porto. A 3.9.1475 nomeou novamente por três anos Fernão Luís, cavaleiro da sua Casa, para o cargo de coudel da cidade do Porto. A 3.10.1475 e 30.1.1476 doou a Fernão Luiz, cavaleiro da sua Casa, enquanto sua mercê for, uma tença anual de 5.000 reais de prata. E a 20.10.1475 concedeu carta de privilégio de fidalgo a Fernão Luiz, para as comarcas da Estremadura e Entre-Douro-e-Minho. Este Fernão Luiz era certamente filho de Afonso Luiz, cónego da Sé do Porto.

18- Baptizado a 17.5.1645 em Stª Marinha de Zêzere, filho do Dr. Francisco de Carvalho Coutinho, fidalgo da Casa Real, bacharel formado em Leis pela UC (20.5.1634), co-herdeiro da quinta de Travanca e morador na vila de Tarouca, b. a 22.1.1608 em Stª Marinha e fal. a 24.9.1656, ib, deixando este seu filho por herdeiro, e de sua mulher (casados a 23.6.1644 em Tarouca) D. Maria Correa Botelho de Alarcão. Vide "Pinto, Moura Coutinho e Carvalho, de Santa Marinha de Zêzere (Baião). Subsídios para a sua Genealogia", obra do autor.

19 - Falecida a 6.10.1712 em Melres. Para a sua ascendência vide "Ensaio sobre a origem dos Proença", obra do autor, e "Ascendências Visienses. Ensaio genealógico sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVII", Porto 2004, também obra do autor, na pag. 283 do Volume II.

20 - Vide "Portocarreros do Palácio da Bandeirinha", Porto 1997, obra do autor deste ensaio. Deste casal é 6ª neta a Drª D. Maria José de Souza Machado de Portocarrero, casada com o autor deste trabalho.

21 - Irmão de Jorge Vieira, referido na nota 11, Clemente Vieira foi pai, além do sucessor Cristóvão Veira da Silva, do Dr. Francisco Vieira, licenciado em Cânones pela Universidade de Coimbra, onde se matriculou a 28.11.1538, tendo tirado ordens menores em Braga em 1533.

22 - Teve ainda, a 27.9.1540, do convento de Alpendurada,com sua mulher, o prazo do casal de Vila Monte, em Ariz, e parte do casal de Miranços, em Alpendurada.  

23 - Nos "Moreiras de Tarouquela" (António de Sousa Lara e Maurício Antonino Fernandes, in "Genealogia & Heráldica", nº 1 - 1999) consta como Apelónia Pires, sendo proposta como filha de Pedro Anes Moreira, senhor do prazo do casal da Cancela, em Penha Longa, prazo do convento de Alpendurada em 1521, e de sua mulher Briolanja Gonçalves. Mas não é certo. Este Pedro Anes dizem os autores que era irmão de João Anes, cónego do mosteiro de Vila Boa do Bispo, sendo ambos filhos de João Marvão, tabelião de Bemviver (confirmado a 5.11.1486), matriculado em Braga para ordens menores a 6.6.1444 como João Pires, senhor da quinta de Poiares, em Penha Longa, por prazo de 1457 do convento de Corpus Christi, etc.; netos paternos de Pedro de Marvão, de Penha Longa, provavelmente senhor da dita quinta de Poiares, e de sua mulher Inez Moreira, senhora de vários prazos em S. Martinho de Sande, foreiros ao mosteiro de Vila Boa do Bispo. Esta Inez de Moreira era filha de Martim Moreira, nascido cerca de 1375, que na referida obra é confundido com Martim Martins Moreira, casado com Tereza Martins Alcoforado. A partilha dos filhos de Martim Anes Moreira não é de 1384, como se diz nessa obra, mas de 9.4.1345. Resulta daqui que o Martim Moreira pai de Inez Moreira não podia cronologicamente ser o Martim Martins Moreira que em 1344 já estava casado com Tereza Martins Alcoforado. Pelo que o Martim Moreira em epígrafe devia ser irmão mais novo de Afonso Moreira. Este Martim Moreira não casou, portanto, com Tereza Martins Alcoforado, mas sim com mulher cujo nome se desconhece e por quem deveriam vir os bens de Sande. Afonso Moreira (e portanto seu proposto irmão Martim Moreira) diz Alão que era filho de Afonso Martins Moreira, que nasceu o mais tardar em 1325. A 9.3.1345 este Afonso Martins Moreira fez partilha com seus irmãos dos bens que foram de seu pai, em Moimenta e Antemil, no julgado de Sanfins. Era filho de Martim Anes de Moreira, escudeiro, que no testamento de seu pai (1284) recebeu uma herdade em Moimenta e a quintã de Moreira, em Sanfins, como refere Pizarro (José Augusto de Sotto Mayor Pizarro, in "Linhagens Medievais Portuguesas", 1999). Este Martim Anes era filho de João Pires de Moreira, cavaleiro, que tinha uma quintã na freguesia de Santa Maria de Moreira, fez testamento a 17.12.1284, onde pede para ser sepultado no mosteiro de Tarouquela, ao qual deixou vários bens, sendo em 1274 vassalo de D. Martim Gil de Riba de Vizela e que já tinha falecido nas inquirições de 1288-90. Este João era filho de Pedro Pires de Moreira, o mais antigo deste nome que se documenta, que foi senhor da quinta da Torre, na freguesia de Santa Maria de Moreira, que trazia toda por honra. Aquele Afonso Martins Moreira consta na lista dos padroeiros de Grijó de 1365, entre os cavaleiros e escudeiros de geração, como "Affonso Martinz Moreiira da parte da molher de Pero Alvello". Este texto é confuso. Para ter um entendimento literal, Afonso Martins teria casado com a viúva de um Pedro Alvelo. Mas o direito de padroado não podia passar a Afonso Martins vindo do primeiro marido de sua inominada mulher, pelo que esta tinha de ser natural de Grijó, independentemente do possível direito natural do 1º marido, o dito Pedro Alvello. Gaio diz que Afonso Martins casou com uma Maria Alvello, de quem lhe vinha o padroado de Grijó, mas esta informação de Gaio vale o que vale. Pizarro (José Augusto de Sotto Mayor Pizarro, in "Os patronos do mosteiro de Grijó", 1995) tem a mesma dúvida, pondo a hipótese de o texto se poder ler como sendo a dita mulher não viúva mas da linhagem de Pedro Alvello, sendo este ou o Pedro Anes Alvello do séc. XIII, de facto padroeiro de Grijó, ou seu neto Pedro Rodrigues Alvello, que neste caso podia cronologicamente ser o pai da dita mulher de Afonso Martins. Na mesma lista consta Gonçalo Gil Alvello, descendente de Pedro Anes Alvello, que também podia, com menor probabilidade, ser irmão da mulher de Afonso Martins. Como quer que seja, é evidente que Afonso Martins não tinha direito próprio ao padroado de Grijó. Gaio diz que Afonso Martins Moreira viveu na Feira nos reinados de D. Afonso IV e D. Pedro I (mas seria mais nos reinados de D. Pedro I e D. Fernando I) e foi pai do Afonso Moreira. Voltando à questão da filiação de Apolónia Pires da Silva, os referidos autores inducam a posse de parte do casal de Miranços, em S. Lourenço do Douro, pelo casal Clemente Vieira e Apolónia Pires da Silva como razão para proporem que esta seja filha de Pedro Anes Moreira (e sua mulher Briolanja Gonçalves de Campos), dado que o dito casal de Miranços pertencera o Cónego João Anes, irmão deste Pedro Anes. Contudo, julgo que a explicação é outra e serve, ao invez, para filar a mãe de Clemente Vieira. Com efeiro, este Clemente era filho de João Pires Vieira, senhor do prazo da quinta do Ribeiro, em S. Lourenço do Douro, em que sucedeu a seus pais, e de sua mulher Tereza Anes, cuja filiação se desconhece. Ora, justamente, esta Tereza Anes é que deve ter sido irmã (mais velha) do Cónego João Anes e de Pedro Anes Moreira, portanto filha de João Pires (de Marvão), matriculado em ordens menores em Braga a 6.6.1444, e de sua mulher, justamente também chamada Tereza Anes, senhora do casal do Ribeiro, em S. Lourenço do Douro, por prazo de 1486 do mosteiro de Vila Boa do Bispo. Muito provavelmente, a filha homónima levou em dote este casal do Ribeiro quando casou com João Pires Vieira, que assim o juntou ao prazo da sua quinta do mesmo nome, devendo aliás ser contíguos. Clemente Vieira seria assim, por sua mãe Tereza Anes, bisneto de Pedro de Marvão e de sua mulher Inez Moreira, já referidos.

24 - Filho de Lopo Monteiro e de sua mulher Florença Vieira, filha de Clemente Vieira e sua mulher Apolónia Pires da Silva, referidos no nº IV do § 2.

25 - Vide "Macedo Vieira de Mello, morgados de Nª Sª dos Prazeres em Sinfães", obra a publicar por D. João de Noronha Ozorio.

26 - Hab. do Stº Ofº, Clemente, 1, 13.

27 - Vide "Bordonhos e Vilar de Perdizes", Lisboa 1978, por Luiz de Mello Vaz de São Payo, e "A Casa de Vilar de Perdizes - Património e Alianças", obra a publicar por Jacinto Bon de Souza Moniz de Bettencourt.

 
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