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 Manuel Abranches de Soveral

 

 

 

Argollo Uma família brasileira de 1500

Subsídios para a sua genealogia,

para a dos Lobo de Souza e para a dos Góis

Escudo de armas dos Argollo - infografia de Manuel Abranches de Soveral

Escudo de armas dos Argollo (infografia do autor)

As donzelas Lobo de Souza

Uma das mais antigas famílias da Baía que manteve a varonia, os Argollo, de origem andaluza (Baeça), foram para o Brasil em 1549 com o 1º governador Tomé de Souza. Com a independência, vários membros da varonia da família foram grandes do Império, com os títulos de condes (1860), viscondes (1854) e barões (1843) de Passé, viscondes de Itaparica (1868), barões de Cajaíba (1841) e barões de Pará-Mirim (1860), e um foi mesmo figura proeminente na implantação da República dos Estados Unidos do Brasil. 

Nos finais do séc. XVIII, Paulo de Argollo e Gusmão, então o chefe da família, tinha uma fortuna avaliada em mais de 48.000.000 réis, com fazendas, engenhos de açúcar e mais de 500 escravos. Ao contrário do que aconteceria depois, antes da independência do Brasil, os Argollo, com foro de fidalgos da Casa Real referido desde o séc. XVI e documentado desde 1711, mantiveram-se relativamente afastados da administração geral, ocupando apenas cargos militares e da governança da Baía, mantendo nas gerações iniciais a propriedade da provedoria da fazenda e da alfândega da Baía. Família extremamente endogâmica, são inúmeros os casamentos entre primos e vários entre tio e sobrinha e tia e sobrinho. 

O primeiro da família, Rodrigo de Argollo (nos documentos aparece Argolo, Argullo ou Arguelo), foi provedor da fazenda real do Brasil e casou ainda em Lisboa com a portuguesa Joana Barbosa, que é dita «sobrinha do conde da Sortelha» nas genealogias brasileiras e erradamente incluída no lote das órfãs, donzelas da rainha D. Catarina, que D. João III, em 1551 na armada de António de Oliveira e em 1553 na armada de Duarte da Costa, enviou ao governador do Brasil Tomé de Souza para casarem com «pessoas principais que houvesse na terra», respondendo assim a pedido (1543) do Padre Manuel da Nóbrega, para evitar os casamentos consanguíneos entre a nobreza. A verdade é que Joana Barbosa era tia de uma das ditas órfãs e prima da outra, e foi para o Brasil já casada e com filhos. 

Mas, tanto quanto nos permite a documentação até agora inventariada, analisemos toda a confusa questão das chamadas donzelas órfãs Lobo de Souza, que Frei Jaboatão, não sei com que bases, refere que «dizem as memórias, que delas tratam, eram sobrinhas do conde de Sortelha» e filhas de Baltazar Lobo de Souza. É certo que uma das filhas de Baltazar Lobo de Souza nem foi órfã nem enviada por D. João III, como dizem, tendo ido para o Brasil já casada e com alguns filhos. E que outra das alegadas filhas de Baltazar Lobo de Souza se documenta sua neta. Com efeito, Joana Barbosa nasceu cerca de 1515 e casou em Lisboa cerca de 1529 com o andaluz Rodrigo de Argollo, então moço da câmara da rainha D. Catarina, que para cá o trouxe, e futuro 1º provedor da fazenda real do Brasil e provedor da alfândega e defuntos da capitania da Baía, como ficou dito. A outra era filha de um irmão desta Joana Barbosa, Henrique Lobo, nascido cerca de 1517, e de sua mulher Isabel de Reboredo 1a, com quem tinha casado cerca de 1540.

Como demonstrarei adiante, esta história das órfãs sobrinhas do conde de Sortelha que foram enviadas ao Brasil por D. João III para casar, tem muitos erros: não eram sobrinhas do conde de Sortelha nem dos Lobo do Alvito, e nem todas eram órfãs ou eram filhas de quem as genealogias alegam.
Começando pelo princípio, quem era este Baltazar Lobo de Souza? Nascido cerca de 1492,
fidalgo referido por João de Barros, esteve em Surate (1530), foi capitão-mor de Cananor (CJIII, 15, 30v) e de Bardez, e em 1547 comandou uma armada que foi a Madagáscar. A 24.2.1547 Baltazar Lobo de Souza, fidalgo da Casa de D. João III, teve deste rei mercê para poder mandar vir da Índia duas caixas forras (RCI, 7, 55). A 10.12.1555 escreveu à rainha pedindo-lhe que rogasse ao rei que mandasse fazer um recolhimento em Goa para os órfãos e desamparados. A 10.12.1556 escreveu outra carta1b aos reis, onde diz que andou no serviço da Índia e comandou uma armada, onde seu irmão Belchior de Souza foi capitão da nau Santa Cruz, a única da armada de seis que não se perdeu, e que estava pobre, e velho, e com dez filhos e filhas e mulher na ilha de S. Lourenço, que o governador Francisco Barreto o mandara descobrir, pela parte de fora, e fazer, no melhor porto e baía que descobrisse, uma fortaleza para servir de escola às naus da Índia. Tendo-lhe o dito governador feito mercê da fortaleza que se fizesse, por seis anos, com o ordenado da Índia, o que tudo fez com grandes perigos, e queria agora que o rei lhe confirmasse o senhorio de juro e herdade da ilha, com o título de capitão general, pedindo mercê de todas as ilhas que descobrisse e dos portos que achasse do cabo da Boa Esperança até ao das Correntes, tarefa em que mandaria seus filhos, pedindo ainda para o filho mais velho o cargo de juiz da alfândega de Goa no caso de ele morrer. Acrescenta que para a ilha de S. Lourenço foi como comandante de uma armada de três navios, sendo capitães Heitor Nunes de Góis, filho de Fructus de Góis (meio-irmão do grande Damião de Góis, referido adiante), e Pedro Rodrigues Barriga, cavaleiro da Casa Real. Diz ainda ter levado consigo dois padres franciscanos para instruírem os habitantes na fé, e pede licença para ali edificar uma igreja a Nossa Senhora da Conceição. Assina esta carta como Baltazar Lobo de Souza. Finalmente, a 24.2.1568 Baltazar Lobo de Souza, fidalgo da Casa de D. Sebastião, teve deste rei mercê da capitania-mor de Bardez (RCI, 11, 414).

O seu nome, conjugado com a referência de que as alegadas filhas eram sobrinhas do conde de Sortelha, apontaria claramente para que fosse filho de D. Diogo Lobo (de Souza), 2º barão de Alvito, e de sua 2ª mulher D. Leonor da Silveira, justamente irmã do 1º conde de Sortelha. Mas deste casamento não há notícia de nenhum filho Baltazar, além de que todos os filhos dos 2ºs barões de Alvito se documentam com Dom, apesar de um esclarecimento real de 6.10.1488, segundo o qual os barões de Alvito e sucessores podiam usar Dom, mas os outros filhos não. Mas, mais determinante ainda, D. Diogo só casou com D. Leonor depois de 1508, ano em que morreu sua 1ª mulher D. Joana de Noronha, filha dos 2ºs condes de Abrantes. E menos crível ainda é pensar que Baltazar pudesse ser filho de D. Joana de Noronha, sendo no geral de rejeitar por completo a ideia de que bisnetas dos barões de Alvito pudessem ser enviadas aos molhos para casarem no Brasil, por muita vontade que D. João III tivesse em satisfazer o pedido do Padre Manuel da Nóbrega.
Baltazar Lobo de Souza era, como vimos, irmão de Belchior de Souza, que aliás as genealogias dizem (erradamente, como veremos) avô da outra órfã Lobo de Souza. Mas felizmente foi-me possível documentar a filiação deste Belchior, pois trata-se do Belchior de Souza, fidalgo, filho de Diogo Lobo e sua mulher D. Filipa de Souza, que embarcou para a Índia na nau Stº António em 1534, com 1.240 reais de moradia do seu foro de escudeiro fidalgo, como regista D. Flamínio de Souza (Arquivo de Documentos Históricos). É o Belchior de Souza Lobo que D. João III nomeou capitão de viagens da Índia (CJIII, 56, 53v), e ainda o que é referido numa carta que a 28.11.1545 Manuel de Vasconcellos escreveu ao rei, dizendo que ao tempo em que chegara a Cananor se estava em guerra por Belchior de Souza, capitão de costa, ter matado um regedor mouro e seu cunhado, e que só há seis meses tinha conseguido a paz. E o Belchior de Souza Lobo, fidalgo da Casa de D. João III, a quem este rei a 3.3.1553, pelos seus serviços, fez mercê da capitania-mor de Sofala, por três anos (RCI, 8, 63). Finalmente, a 13.13.1563 D. Sebastião, pelos serviços de Belchior de Souza Lobo, fidalgo da sua Casa, marido de Dona Luiza de Goes, fez mercê da capitania de uma das naus da ìndia por duas viagens à pessoa que casar com sua filha D. Filipa de Souza (RCI, 11, 129). 
Portanto, Baltazar Lobo de Souza era de facto filho de um Diogo Lobo, mas completamente distinto do homónimo que foi 2º barão de Alvito, e daí talvez a confusão genealógica que se estabeleceu. De resto, já Alão, sem o identificar e sem apontar o irmão documentado Belchior, dá ao casal Diogo Lobo e D. Filipa de Souza um único filho, justamente chamado Baltazar Lobo de Souza!
Temos portanto estabelecida a filiação de Baltazar e, com ela, a sua ascendência. E ficamos assim a saber que Baltazar, inegavelmente um fidalgo, tinha uma origem mista, algo típica de Quatrocentos, onde se misturou o sangue plebeu, nobilitado pela toga, com a velha fidalguia, no caso vertente algo dissoluta. Com efeito, Baltazar era trineto por varonia, segundo Alão, de um ourives de Lisboa, quiçá cristão-novo. Mas também era neto dos senhores de Baião e, por esta linha, 6º neto do rei D. Pedro I e de D. Inez de Castro.
Antes de analisar a sua ascecendência, convém dizer que o mesmo D. Flamínio de Sousa, em notas soltas sobre os Lobo, diz num parágrafo que Belchior de Souza Lobo, filho de Diogo Gonçalves Lobo, casou com D. Luiza, filha de Fruitos de Góis e Isabel Perdigão, sendo pais de D. Filipa de Souza, que casou com seu primo Diogo de Góis Perdigão, filho de António de Góis Perdigão. Acrescentado que em 6.12.1561 D. Luiza de Góis fez, no escrivão Bernardo Moniz, o arrendamento das casas em que vivia, na ilha Terceira, que lhe aforara sua filha D. Filipa de Souza. E noutro parágrafo, aparentemente sem perceber a ligação, diz que Diogo Lobo, filho do Chanceler, casou com D. (espaço em branco) de Souza, sendo pais de: 1) João de Souza Lobo, que passou à Índia na armada de 1508, como o foro de moço fidalgo da Casa Real com 150 reais de moradia (teria 17 ou 18 anos); 2) Baltazar Lobo, que também tinha o foro de moço fidalgo da Casa Real com 150 reais de moradia e passou a escudeiro fidalgo em 1527; 3) Cristóvão Lobo, o mesmo; 4) Belchior Lobo, o mesmo, indo para a Índia em 1534. É portanto o já referido
Belchior de Souza, fidalgo, filho de Diogo Lobo e sua mulher D. Filipa de Souza, que embarcou para a Índia na nau Stº António em 1534, com 1.240 reais de moradia do seu foro de escudeiro fidalgo; 5) Francisco de Souza Lobo, que em 1526 tinha foro de moço fidalgo da Casa Real; 6) Jorge de Souza Lobo, o mesmo; 7) Gaspar Lobo, que tinho o mesmo foro de moço fidalgo em 1528. Tendo em conta a cronologia conhecida e a referida pelo próprio D. Flamínio, tudo indica que Belchior de Souza Lobo fosse não o 4º mas o mais novo dos filhos, sendo Baltazar de facto o 2º.
A mãe destes, D. Filipa de Souza, nascida cerca de 1472, era filha do conturbado casamento de João Fernandes de Souza, 4º senhor de juro e herdade de Baião (3.6.1500), com sua 2ª mulher D. Joana da Guerra.
João Fernandes de Souza, nascido cerca de 1454/5 e falecido depois de 1513, cedo ficou órfão de pai e era o único neto de Luiz Álvares de Souza, 3º senhor de juro e herdade de Baião (23.10.1412, ainda menor, confirmado a 4.11.1434), fidalgo do Conselho e provedor da fazendo do Porto (1451), que ainda vivia a 9.2.1480, data em que D. Afonso V mandou que Luiz Álvares de Souza, do seu Conselho e provedor da fazenda régia da cidade do Porto, e seu neto João Fernandes de Souza, que têm a jurisdição do crime do mosteiro de Ancêde, que não entrem em disputas com o prior D. João, que tem a jurisdição do cível do dito mosteiro. E provavelmente ainda viveu até 1500, pois só a 3 de Junho deste ano seu neto é confirmado no senhorio de Baião. O que faz com que tenha falecido com muito avançada idade, uma vez que casou com contracto de 21.6.1428 com D. Filipa Coutinho, conforme mais detalhadamente refiro no meu trabalho «Os filhos e netos do «muj honrrado barom» Dom Frei Lopo Dias de Souza, 8º mestre da Ordem de Cristo».

A 3.6.1500 João Fernandes de Souza teve de D. Manuel I confirmação da doação das terras de Baião, Lage e S. Salvador com os moinhos de Avitoure (concelho de Cinfães), «de juro e herdade, com toda sua jurisdição cível e crime e ponha em eles juízes e justiças» e possa apresentar tabeliães, como sucessor de seu avô Luiz Álvares de Souza e seu bisavô (na verdade trisavô) D. Frei Álvaro Gonçalves Camelo, prior da ordem do Hospital, o qual as recebera do irmão Vasco Gonçalves Camelo que falecera sem deixar filho lídimo, a quem haviam sido doadas por D. João I. Insertas confirmações de D. Duarte de 4.11.1434 e de Afonso V de 22.7.1449. Na mesma data teve confirmação da doação dos padroados das igrejas de Santa Maria de Gove e de S. Bartolomeu, na terra de Baião. Inserta a carta de D. Afonso V de 3.10.1464 com a outorga desta mercê a seu avô Luiz Álvares de Souza, do Conselho d'el rei e vedor da fazenda na cidade do Porto. A 2.7.1500 João Fernandes de Souza, fidalgo da Casa d'el rei, teve confirmação do privilégio (inserido diploma de 6.12.1493) pelo qual todos os caseiros, amos, mordomos e lavradores que viverem e lavrarem nas suas terras, quintas, herdades e casais encabeçados sejam escusados, entre outras obrigações, de servirem nos encargos do concelho. Embora Mafra e Ericeira pertencessem na sua maior parte ao conde de Penela, João Fernandes de Souza terá tido ainda, de sua avó, uma parte destas vilas, pois a 3 de Junho do mesmo ano João Fernandes de Sousa, fidalgo da Casa Real, teve confirmação de um privilégio (inseridos diplomas de 10.1.1476 e 28.8.1409) pelo qual os moradores de Mafra e da Ericeira são escusos de servir por mar ou por terra, não havendo, por outro lado, nesses lugares, alcaide dos homens do mar nem almirante do rei que use desse ofício. A vila de Mafra e seus termos gozam ainda do privilégio de que não haja besteiros do conto, nem anadel dos mesmos nas suas terras. E ainda vivia a 13.3.(1513 - a carta não indica o ano), pois nesta data Lançarote Domingues, morador em Benavente, foi nomeado tabelião do público e judicial no concelho de S. Cristóvão de Nogueira por proposta de João Fernandes de Souza, senhor dessa terra, tal como até aqui foi João Pires, tendo-o renunciado para a coroa por carta de 10.3.1513.
João Fernandes de Souza era filho de Fernão Martins de Souza, que morreu em vida do pai, e de sua mulher Joana de Almada (a quem Alão chama erradamente D. Joana Nogueira), filha de João Afonso de Brito, o Moço, morgado de Stº Estêvão de Beja, e de sua mulher Violante Nogueira, herdeira do morgado e capela de S. Lourenço de Lisboa e da capela de D. Pedro Pires (neta do celebrado doutor João das Leis). Este casamento realizou-se antes de 11.4.1455, data em que D. Afonso V fez quitação a Fernão Martins de Souza, fidalgo da sua Casa, marido de Joana de Almada, donzela da infanta D. Catarina, doando-lhe uma tença anual de 30.000 reais de prata até ao pagamento das 3.000 coroas de ouro que tinham recebido pelo seu casamento.
Fernão Martins de Souza teve a 26.1.1453, ainda solteiro, carta de perdão real, a pedido da rainha D. Isabel, da acusação de ter ferido João Fernandes, porteiro da câmara na cidade de Lisboa. A 21.6.1462 um seu criado foi nomeado para o cargo de requeredor das sisas do haver de peso, do ferro, madeira e hortaliça da cidade do Porto. A 23.7.1462 o rei doou a Fernão Martins de Souza, fidalgo da sua Casa, uma tença anual de 28.000 reais de prata. E ainda vivia a 17.2.1466 quando D. Afonso V privilegiou Vasco Martins de Resende, do seu Conselho e regedor da justiça na comarca de Entre-Douro-e-Minho, para que possa nomear Fernão Martins de Souza, fidalgo da sua Casa, para o cargo de juiz dos feitos nessa comarca.
Voltando ao 4º senhor de Baião João Fernandes de Souza, o mais que se conhece dele são os problemas de saias… Segundo Alão, «teve amores» na corte de Lisboa com D. Isabel da Silva, filha dos futuros 1ºs viscondes de Vila Nova de Cerveira, mandando-a por isso o pai recambiada para o seu paço de Giela, no Minho. Mas João Fernandes seguiu-a e conseguiu entrar às escondidas em Giela, onde foi apanhado pelos irmãos da amante, que o queriam matar, o que não fizeram porque sua irmã lhes garantiu que tinham casado em segredo. Não foi o futuro visconde em conversas e obrigou-os a casarem ali mesmo, cerimónia forçada que deve ter ocorrido cerca de 1470, seriam ambos ainda menores. Mas pouco depois João Fernandes foi para as terras do avô em Baião, abandonando a grávida D. Isabel em Giela e (diz Alão que «em vingança») cerca de 1471 casou «a furto» com sua prima D. Joana da Guerra, raptando-a da casa de seu avô materno, o reposteiro-mor e conselheiro Álvaro Pires de Távora, senhor de juro e herdade de Mogadouro e S. João da Pesqueira. Esta D. Joana, nascida cerca de 1454/5, era da idade do marido, teriam então ambos apenas 17 anos de idade, e eram primos relativamente próximos, pois eram ambos trinetos do marechal-mor e meirinho-mor Vasco Fernandes Coutinho, senhor de Marialva.
Diz Alão que João Fernandes foi depois a Roma e trouxe de lá a validade deste 2º casamento, o que se confirma, pois dez anos mais tarde, a 1.6.1481, D. Afonso V privilegiou D. Joana da Guerra, mulher de João Fernandes de Souza, fidalgo da sua Casa, concedendo-lhe autorização para que nos anos de 1481 e 1482, enquanto o marido estiver na armada contra o turco, possa gerir os bens de que era usufrutuário o dito seu marido.
Contudo, algum tempo depois de regressar do combate ao turco, parece que João Fernandes teve notícia de que D. Joana da Guerra tinha tido uma relação incestuosa com seu meio-irmão Manuel Coutinho, pelo que a repudiou e voltou de novo para a 1ª mulher D. Isabel da Silva, de quem tinha uma filha.

Na sequência deste escândalo, D. Joana fugiu para Castela com o dito seu meio-irmão. De seu marido tinha D. Joana dois filhos, Fernão Martins de Souza e a dita D. Filipa de Souza, nascidos entre 1471 e 1473. A fuga para Castela de D. Joana deve ter-se realizado cerca de 1488, pois Alão diz que com ela iam os filhos, mas que refugiando-se em Fonte Arcada da Beira, em casa de Pedro de Gouveia, aí casou seu filho com uma filha deste. Talvez se trate do Pedro de Gouveia, fidalgo da Casa Real, a quem a 26.8.1475 D. Afonso V doou as rendas da pensão dos tabeliães da cidade de Lamego. Suponho eu que o filho e a filha de D. Joana terão assim ficado em casa do dito Pedro de Gouveia, tendo apenas ela e seu meio-irmão seguido para Castela, certamente receosos pela sua vida.
Terá havido de facto um caso de incesto, ou tudo não passou de uma tramóia dos Lima e de D. Isabel, que deste modo conseguiu reaver o marido? Na verdade, o fundamento desta história de incesto parece precário, uma vez que D. Joana nasceu cerca de 1454/5 e seu meio-irmão, filho bastardo de Gonçalo Vaz Coutinho, matriculou-se em ordens menores em Braga a 29.4.1480, pelo que não terá nascido antes 1467, ou seja, era pelo menos 12 a 13 anos mais novo do que a meia-irmã D. Joana. Na data em que esse caso de incesto poderia ter acontecido, cerca de 1487/8, D. Joana teria entre 32 e 34 anos e seu meio-irmão no máximo 20 de idade, pelo que tudo me parece mais resultado de uma maquinação. De resto, o dito Manuel Coutinho veio a casar e a ter filhos que nasceram entre 1504 e 1510, o que aponta para que de facto tenha nascido alguns anos depois de 1467.
Mas, verdadeira ou não, esta história, que parece tirada de um romance barato, tem contudo antecedentes suficientemente escabrosos para que a simples suspeita, mesmo infundada, apavorasse o suficiente D. Joana para que a sua fuga se compreenda, mesmo se inocente. É que D. Joana da Guerra era filha do mal-afamado Gonçalo Vasques Coutinho, filho herdeiro dos senhores de Basto, figura violenta e instável que sucessivamente matou as suas duas mulheres, sendo julgado culpado e degolado em Santarém pela morte da segunda, D. Joana de Noronha. A execução de Gonçalo Vaz deu brado na época e dizia-se que o seu fantasma apareceu em Santarém, em S. Domingos das Donas, ao rei D. João II, como muito circunspecto nos conta Alão... 

Mas D. Joana era filha da 1ª mulher, de cuja morte o marido escapou ao castigo. Era essa 1ª mulher D. Isabel da Guerra, com quem Gonçalo Vaz Coutinho casou com autorização real de 27.3.1451 e escritura de dote de 3.2.1454, feita nos paços de seu tio o arcebispo de Braga D. Fernando da Guerra. Era filha dos senhores de juro e herdade de Mogadouro e S. João da Pesqueira, o já referido reposteiro-mor e conselheiro Álvaro Pires de Távora e sua mulher D. Inez da Guerra,  sendo esta filha de D. Pedro da Guerra e de sua mulher D. Tereza Anes de Andeiro (filha do mal-afamado D. João Fernandes de Andeiro, 2º conde de Ourém) e neta paterna do infante D. João.
Não será portanto difícil imaginar a pesada herança que recaía sobre a jovem D. Filipa de Souza, cujo nascimento estimo para 1473 e que teria assim cerca de 15 anos quando, como suponho e ficou referido acima, sua mãe a deixou na Beira ao cuidado de Pedro de Gouveia, sogro de seu irmão Fernão Martins de Souza, nascido cerca de 1471/2, pelo que teria 16 para 17 anos quando foi casado. O que certamente determinou que, pouco depois, D. Filipa tenha casado, muito abaixo da sua condição, com um tal João Gomes, que Alão diz que era filho de Mestre Pedro, boticário de Lisboa, mas que na verdade deve ser o Mestre Pedro, escolar em Física (portanto médico), a quem D. Afonso V a 3.8.1439 concedeu licença para exercer o ofício de cirurgião, por todo o reino e senhorio, mercê que confirma a 23.2.1445. É também quase certo que o dito João Gomes era seu filho legitimado, pois a 25.3.1454 o mesmo rei legitimou João e Gonçalo, filhos de Mestre Pedro, cirurgião, e de Maria Gonçalves, mulher solteira.
Este casamento de D. Filipa de Souza com o filho legitimado do cirurgião, que se terá realizado cerca de 1588, teria ela 15 anos de idade, além de desigual em condição foi-o também em idade, se aceitarmos que o marido é o João legitimado em 1454, pois neste caso teria pelo menos mais 22 anos do que ela. Donde se conclui que foi casamento tratado pela família, ou pelo dito Pedro de Gouveia, pelo que o filho de Mestre Pedro devia ser rico... E esta diferença de idades também se avalia pelo facto de este casamento ter sido necessariamente muito curto e, dizem as genealogias, sem geração.
Portanto, foi já viúva deste João Gomes, e possivelmente viúva rica, que D. Filipa casou 2ª vez, cerca de 1490, com Diogo Lobo, de uma família de notáveis jurisconsultos.
Diogo Lobo, nome com que se documenta, a quem as genealogias em geral chamam Diogo Lobo Teixeira, estudou na Universidade de Bolonha com seu irmão mais velho, o doutor Luiz Teixeira, desembargador do Paço, mestre de Gramática de D. João III e comendador da Granja e de S. Gonçalo de Amarante na Ordem de Cristo, ambos filhos do notável jurisconsulto doutor João Teixeira e de sua mulher Maria Lobo, irmã de Rui Lobo, fidalgo da Casa Real, desembargador e corregedor de Lisboa no reinado de D. Afonso V e vedor da fazenda de D. João II, ambos filhos do corregedor de Lisboa Diogo Gonçalves Lobo, que foi vedor da Casa da rainha D. Leonor e válido de seu marido o rei D. Duarte, e de sua mulher a castelhana D. Elvira de Olivares, dama da dita rainha D. Leonor. A 10.4.1451 D. Afonso V nomeou Diogo Gonçalves Lobo, escudeiro, vedor que foi da rainha, para o cargo de corregedor da cidade de Lisboa, em substituição do doutor Pedro Faleiro. E a 13.4.1452 doou a Gonçalo Dias Lobo, filho de Diogo Gonçalves Lobo, corregedor na cidade de Lisboa, uma tença anual de 4.800 reais de prata para mantimento de seus estudos.
Aquele doutor João Teixeira foi chanceler-mor do reino (10.7.1484), do Conselho de D. Afonso V e D. João II, desembargador do Paço, embaixador de D. Afonso V ao Papa Xisto IV, para tratar do casamento deste rei com a sobrinha, e de D. João II aos Reis Católicos, para propor e tratar o casamento do herdeiro português com a herdeira de Castela. Foi ele que recitou o elogio a D. Pedro de Menezes na cerimónia em que o rei o fez marquês de Vila Real. O doutor João Teixeira estudou Direito nas universidades de Paris e Bolonha, tendo para o efeito recebido do rei a 29.7.1451 uma tença anual para estudos de 4.800 reais de prata. A 15.9.1473 era já desembargador e a 25.8.1475 D. Afonso V nomeou o doutor Diogo da Fonseca, do seu Conselho, para o cargo de desembargador régio e das petições, em substituição do doutor João Teixeira. Antes, a 6.1.1475, o rei tinha nomeado vitaliciamente o doutor João Teixeira, do seu Conselho, desembargador régio e das petições, para o cargo de vice-chanceler, com todas as honras, liberdades, franquezas e privilégios dos vice-chanceleres, mandando que lhe entreguem os selos redondos com os pendentes de prata e de metal. E a 23 de Outubro do mesmo ano D. Afonso V doou vitaliciamente ao doutor João Teixeira, seu criado e do seu Conselho e desembargador régio e das petições, a moradia do Conselho por ano, tal como tem Álvaro Pires Vieira, do seu Conselho, acrescentando-lhe mais 40.000 reais.
O doutor João Teixeira era filho de outro notável jurisconsulto, o desembargador Luiz Martins, um dos compiladores e revisores das «Ordenações Afonsinas», e de sua mulher Isabel Teixeira. Esta filiação, referida por Alão, documenta-se na já referida bolsa de estudo de 1451, que é dada a João, filho de Luiz Martins, desembargador do Paço. Luiz Martins aparece em dezenas de documentos da Chancelaria, durante todo o reinado de D. Duarte, como seu vassalo e do seu desembargo, cargo que manteve com D. Afonso V. A 26.4.1439 este rei confirmou o privilégio a Luiz Martins, seu desembargador, pelo qual lhe coutava a terra a que chamavam Romão Grande e Pequeno, situada perto do Paço da Valada, conforme carta de D. Duarte de 10.2.1434. A 12 de Junho do mesmo ano o mesmo rei confirmou o privilégio a João Escudeiro, morador em Benfica, termo da cidade de Lisboa, criado da mãe de Luís Martins, desembargador régio, pelo qual estava isento de ser posto por besteiro do conto, conforme alvará de 20.3.1435. Segundo Alão, como ficou dito, este desembargador Luiz Martins era filho de um ourives de Lisboa, arte que, convém notar, era a única nobilitante.
Voltando a Baltazar Lobo de Souza, nasceu cerca 1492 e, como vimos, tinha o foro de moço fidalgo da Casa Real com 150 reais de moradia quando em 1527 passou a escudeiro fidalgo. A avaliar pelo nome da filha, casou com uma senhora Barbosa, possivelmente Joana, justamente como a filha, não devendo ser esta mulher, mas já outra, que em 1556 estava com ele e os filhos na ilha de S. Lourenço, como ficou dito. Na expedição a Madagáscar de 1547 era acompanhado por seu filho Diogo Lobo, como diz João de Barros, certamente o primogénito (após a morte de Henrique, do 1º casamento) para quem em 1556 pediu ao rei o cargo de juiz da alfândega de Goa, e o Diogo Lobo que foi feitor de Achem (CJIII,7, 230v). Poderia tê-lo acompanhado a Madagáscar o filho Henrique Lobo, e aí ter falecido? O certo é que já tinha falecido quando sua filha foi para o Brasil. Henrique Lobo casou com Isabel de Reboredo e foram pais da outra das órfãs que nos interessam, Catarina Lobo, nascida em 1541 em Setúbal, que casou no Brasil em 1560, aos 19 anos de idade, com Gaspar de Barros de Magalhães, nessa data contador da fazenda real do Brasil. Desta Catarina sabemos que efectivamente foi uma das órfãs enviadas ao Brasil por D. João III, pois ela própria o declarouem 1591, diante do inquisidor (Denunciações da Bahia, ed. Capistrano, p. 404), dizendo que era natural de Setúbal, que tinha 50 anos e era «uma das órfãs que El Rei D. João mandou a este Brasil» e filha de Henrique Lobo. Estes foram, nomeadamente, pais de Felícia Lobo, que, dos seus quatro casamentos, um foi com seu primo Paulo de Argollo, filho dos ditos Rodrigo de Argollo e Joana Barbosa.
De Baltazar era irmão o já referido Belchior de Souza Lobo, que também tinha o foro de moço fidalgo da Casa Real com 150 reais de moradia quando em 1527 passou a escudeiro fidalgo e que já fora servir para a Índia em 1534. Casou este Belchior com D. Luiza de Góis, como já acima ficou documentado, irmã de António de Góis Perdigão, ambos filhos de Fructus de Góis (meio-irmão do grande Damião de Góis), camareiro e guarda-roupa do D. Manuel I e D. João III, e de sua mulher Isabel Perdigão, que trato adiante em GÓIS MEDIEVAIS. De Belchior de Souza de sua mulher foi filha D. Filipa de Souza, que, como acima ficou documentado, teve a 13.12.1563 mercê da capitania de uma das naus da Índia para quem com ela casasse, e que
casou, provavelmente neste ano, com seu primo-direito Diogo de Góis, filho do dito António de Góis Perdigão. Ao contrário do que alguns dizem e eu também já segui, deste Belchior de Souza Lobo não há descendência conhecida nem de sua filha D. Filipa, ainda solteira em 1563, podem ser filhas D. Marta de Souza e D. Maria (ou Mécia) Lobo, casadas em 1553. Na verdade, como diz Frei Jaboatão, embora de forma muito confusa, estas são filhas de Baltazar Lobo de Souza. Só que, se foram envidas por D. João III para o Brasil, não eram então órfãs, pelo menos de pai. Como vimos, Baltazar Lobo de Souza estava bem vivo na Índia em 1556, com mulher e 10 filhos, e lá continuava em 1568, teria então cerca de 75 anos. Mas os termos da carta de 1556 indica que a mulher (e os filhos) seria um 2º casamento, pois o 1º ter-se-à realizado cerca de 1517/8. Assim, D. Marta de Souza e D. Maria (ou Mécia) Lobo deviam ser apenas órfãs de mãe e donzelas da rainha quando em 1553 (ou 1551?) foram enviadas para o Brasil, juntamente com sua sobrinha Catarina Lobo (que então tinha 11 anos de idade e só casaria em 1560), essa sim órfã de pai, sendo que na Baía já morava D. Joana Barbosa, casada com Rodrigo de Argollo, irmã daquelas D. Marta e D. Maria/Mécia.

D. Marta de Souza, nascida cerca de 1534 e falecida a 6.6.1602 na Baía, veio casar (1553) com João Gonçalves Drummond (Dormondo), nesse ano documentado em Ilhéus. Nas Denunciações da Bahia de 1591 documenta-se esta «Dona Marta mulher de João Gonçalves Dormondo», moradora na vila de Ihéus, cristã velha e mulher virtuosa. João Gonçalves Drummond nasceu cerca de 1502 na ilha da Madeira, filho de João Gonçalves, dito das Ilhas, e de sua mulher Mécia Lourenço (Drummond), como adiante se detalha. Este João Gonçalves das Ilhas deve ser o João Gonçalves que foi rendeiro das ilhas dos Açores. Com efeito, a 14.3.1513 D. Manuel I mandou o almoxarife das rendas do Sabugal levar em conta a João Gonçalves, rendeiro que foi das ilhas, 31.000 reais por outros tantos que havia de haver Pedro da Fonseca (CC, II, 37, 228). E a 25.3.1514 João Gonçalves fez obrigação de 800 reais por 30 alqueires de trigo que recebeu de Namorante Vaz, e se obrigou a pagar a quem tiver a cobrança do rendimento das ilhas dos Açores (CC, II, 45, 202). A 17.12.1511 João Gonçalves passou recibo por que consta ser devedor de 1.000 reais de meio moio de trigo que recebeu do rendeiro das ilhas (CC, II, 29, 180). E a 4.11.1512 João Gonçalves passou recibo por que se obriga a pagar ao rei 1 moio de trigo de preço de 1.600 reais dos dízimos das Ilhas de que é rendeiro Namorante Vaz. (CC, II, 35, 57). De D. Marta de Souza e seu marido foi filho, entre outros, Belchior de Souza Drummond, nascido cerca de 1555, que casou com Mécia de Armas e foram pais de D. Catarina de Souza, falecida a 21.8.1649 ns Baía e aí sepultada no mosteiro do Carmo, que casou a 13.5.1603, ib, com Eusébio Ferreira, natural de Porto Santo (Madeira), que foi vereador da Câmara (1626) e juiz ordinário (1635) da Baía, onde faleceu a 1.11.1636. Destes foi filha mais nova D. Clara de Souza, nascida cerca de 1621, que casou no início de 1639 com o capitão Belchior Barreto de Teive, nascido cerca de 1620 na Madeira e que em 1638 foi para o Brasil como capitão (teria 18 anos), estando na Baía em Abril deste ano, quando contribuiu com um empréstimo de 20.000 reais à Câmara para auxílio à Infantaria. Em 1658 era escrivão da Misericórdia da Baía e a 26.1.1663 foi acrescentado fidalgo cavaleiro da Casa Real (Matrículas, 4, 262), vindo a falecer a 7.9.1663 (1662 segundo o óbito referido por Pedro Calmon, mas é erro), sendo sepultado no mosteiro do Carmo. Por sua morte, sua filha D. Maria teve a 24.10.1664, pelos serviços de seu pai Belchior Barreto de Teive, a promessa da Ordem de Cristo com 50.000 reais de pensão para quem com ela casasse (RGM, Ordens, 5, 309v). Este Belchior Barreto de Teive, que no foro vem referido como filho de Pedro de Teive (era filho de Pedro de Teive y Guzmán e sua mulher Leonor Barreto), era sobrinho de D. Gaspar de Teive y Guzmán, que em Espanha foi o 1º marquês de La Fuente e o 1º conde de Benazuza (13.12.1663), sumilher-mor de D. Filipe IV, do seu Conselho de Estado (1661), do Conselho de Guerra e das Índias, seu embaixador em França, Veneza e Alemanha, etc., e que a seu avô materno D. Pedro Tello de Guzmán sucedeu como senhor do mayorazgo de Lerena, alcaide-mor de Sevilha, cavaleiro de Santiago e dos XXIV de Sevilha. Belchior Barreto de Teive e sua mulher D. Clara de Souza tiveram dois filhos e duas filhas, nomeadamente Pedro de Teive Barreto, baptizado a 26.10.1639, arcediago da Sé da Baía, e D. Maria de Souza, que também aparece documentada como D. Maria de Teive, baptizada a 20.4.1644 na Sé da Baía, que casou a 1ª vez com João Soares Brandão, sem geração, e a 2ª vez com Miguel Rodrigues de Gusmão, cavaleiro da Ordem de Cristo (26.2.1680, conforme a referida promessa), irmão da Stª Casa da Misericórdia da Baía (24.9.1678), etc., que foram pais de D. Inez de Gusmão. Esta D. Inez casou a 18.2.1692 no engenho de Copacabana com seu parente Paulo de Argollo, fidalgo da Casa Real (30.1.1711), bisneto da outra órfã, Catarina Lobo, e igualmente bisneto da tia desta Catarina, Joana Barbosa, filha de Baltazar Lobo de Souza.
A outra filha de Baltazar Lobo de Souza que ficou referida acima, D. Maria Lobo (que nas genealogias também aparece como D. Mécia ou Mícia), nasceu cerca de 1536 e casou (1553) com Francisco Bicudo, um dos fundadores da Baía, onde então era tabelião (1553). Francisco Bicudo, que seria letrado, foi para Brasil com o 1º governador Tomé de Souza em 1549, sendo espingardeiro d'el rei, de quem recebia soldo neste mesmo ano (Doc. Hist. XIII, p. 289), e participou na fundação da cidade da Baía (ib, vol. 37, p. 19), onde foi tabelião (CJIII, 57, 127). Tiveram três filhas, a mais velha das quais, D. Mécia Lobo, foi bat. a 21.11.1554 na Sé da Baía, sendo a 1ª mulher de Jerónimo Moniz Barreto, fidalgo da Casa Real, aí falecido a 12.10.1606. Destes foi filha, entre outros, D. Mécia Lobo de Mendonça, que casou a 25.11.1621 com seu primo Paulo de Argollo, sem geração, como delalho adiante
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O facto de todas estas donzelas terem ou pais ou parentes vivos (tio, tias e avós) significa sobretudo que a decisão política/religiosa de D. João III de enviar donzelas nobres para casarem no Brasil, respondendo ao pedido do Padre Manuel da Nóbrega, deve ter-se confrontado com a dificuldade de as arranjar, pois não parece fácil que os respectivos pais o deixassem, podendo evitá-lo. Assim, o recurso a órfãs foi uma solução, mas não a única, parecendo que serem donzelas da rainha é o denominador comum. O que também significa que a ida para o Brasil, das duas uma: ou foi autorizada pelas famílias ou estas não tiveram como contrariar a vontade do rei. No caso das Lobo de Souza, havia mesmo uma relação familiar, ou seja, uma irmã (e tia) já tinha ido com seu marido (Rodrigo de Argollo) para a Baía em 1549, o que pode ter sido determinante para o consentimento do pai (e avô), então na Índia, cheio de filhos do que parece ser um segundo casamento, e, segundo ele próprio, pobre e velho, se bem que estas expressões em petições ao rei são quase obrigatórias e muitas vezes estão longe da realidade.
Esta questão era central na genealogia dos Argollo, pois descendendem de três dessas alegadas órfãs (duas filhas e uma neta de Baltazar Llobo de Souza). Tendo alguma dessa descendência regressado a Portugal na viragem do séc. XVIII para o XIX, cerca de 250 anos depois das suas antepassadas terem ido para o Brasil.


 

 

 

 

 

GENEALOGIA

1.       Rodrigo de Argollo (Argollo, Argullo ou Arguelo, como aparece documentado em Portugal; mais tarde a família também aparece Argolo, sem a dupla consoante), fidalgo nascido cerca de 1507, provavelmente em Baeça (Andaluzia), pois usava o mesmo escudo de armas dos daí. Não se sabe a sua filiação, sendo contudo quase certo que seria filho de Alonso de Arguello, morador em Baeça, que a 2.7.1525 teve carta destas armas, a saber: escudo de ouro com duas chaves de azul postas em pala, com os anéis para baixo, dispostas em faixa e contrapostas, com bordadura de vermelho carregada de oito aspas em ouro. Timbre: Leão rompante de vermelho segurando na garra dextra uma das chaves. Este escudo de armas, usado pelos Argollo do Brasil, é diferente dos restantes Argollo, que em geral usam um escudo de vermelho com cinco flores de lis de ouro em aspa, com bordadura de ouro, que também aparece carregada de oito quadros de veiros de azul. Os Arguello de Brozas e Badajoz usam já um escudo de armas diferente: de azul, um carvalho da sua cor com frutos em ouro e duas cabras de ouro em pala, empinadas no tronco. Pela análise heráldica pode-se assim concluir que os Argollo do Brasil descendem do ramo de Baeça.

O certo é que Rodrigo de Argollo passou muito novo a Lisboa, em 1525, com a rainha D. Catarina, de quem foi porteiro da câmara (Moradias, 2,4,59V) e moço da estribeira ou estribo (Moradias, 2,1,28). A 2.6.1529, já como moço da estribeira da Casa da rainha, teve desta provisão para receber 2.000 reais da sua moradia de 12.000 reais por ano. Era então muito jovem, e só 20 anos depois, a 16.1.1549, D. João III o nomeou 1º provedor da fazenda real do Brasil, bem assim como 1º provedor (proprietário) da alfândega e defuntos da capitania da Baía 2, dando-lhe ainda um alvará para resgatar um escravo cada ano 3. Rodrigo de Argollo embarcou a 1.2.1549 em Lisboa, com o 1º governador Tomé de Souza, tendo chegado ao Brasil a 29 de Março do mesmo ano, onde por pouco tempo desempenhou aqueles cargos, uma vez que faleceu relativamente novo a 15.11.1553. A historiografia brasileira refere que Rodrigo de Argollo veio viúvo e com filhos de Portugal, tendo na Baía casado 2ª vez, por insistência do Padre Manuel da Nóbrega, com a dita Joana Barbosa, de quem não teve geração, o que se documenta errado. A 18.11.1553 foi nomeado no cargo de provedor Rodrigo de Freitas, o futuro jesuíta, «contratado para haver de casar com uma sobrinha de Rodrigo de Arguello que Deus tem».

Rodrigo casou em Lisboa em finais de 1529 com Joana Barbosa, nascida cerca de 1517, filha de Baltazar Lobo de Souza e de sua mulher (Joana) Barbosa e neta paterna de Diogo Lobo e de sua mulher D. Filipa de Souza, filha dos 4ºs senhores de juro e herdade de Baião, como largamente ficou dito na introdução. Desta Joana Barbosa há duas cartas, ambas escritas e assinadas por si e datadas de 10.8.1556 (CC, P.I, m.99, nºs 55 e 84), sendo viúva, uma pedindo para seu filho ao bispo da Baía uma conezia na Sé que estava vaga, e outra carta para seu filho Luiz de Vada, cónego da Sé da dita cidade, em que lhe diz a mesma coisa, ou seja, que peça ao bispo uma conezia que se acha vaga para o seu irmão e fala-lhe na dívida que deve a André Cabreira, para que ele saiba deste em que género quer a paga e a quem o há-de pagar. Esse outro filho para quem a mãe pediu a conezia foi Francisco de Argollo, que então tinha cerca de 19 anos de idade, e que a obteve nos finais do ano seguinte. Rodrigo de Argollo e sua mulher Joana Barbosa documentam-se já falecido em 1591 no processo de seu neto Bernardo Ribeiro.   

1.1.   Luiz de Argollo, que usou o nome de Padre Luiz de Vada. Foi cónego da Sé da Baía (10.10.1553) e faleceu a 16.6.1568, no trágico acidente da nau «Nossa Senhora da Ajuda», que deu à praia do rio Coruípe, tendo sido os passageiros trucidados pelos índios caetés. De Portugal já veio clérigo de Ordens Menores, onde terá nascido cerca de 1530, tendo sido apresentado pelo pai ao bispo D. Pedro Fernandes Sardinha, que o proveu cónego da Sé. 

1.2.   Ana de Argollo, nascida em Lisboa cerca de 1532. Em 1591 documenta-se viúva de Gabriel Soares no processo de seu sobrinho Bernardo Ribeiro. Casou a 1ª vez a 24.11.1552 na Baía com João de Brito, senhor do engenho de Paraguaçu, s.g. Casou a 2ª vez, também s.g., com Gabriel Soares de Souza, autor do «Tratado Descritivo do Brasil» (1587), que faleceu no sertão em 1592, nomeando seu sobrinho por afinidade Bernardo Ribeiro, adiante, seu testamenteiro, com a obrigação de levar o seu corpo a sepultar na igreja dos beneditinos sobre uma pedra onde se dissesse «Aqui jaz um pecador». Por alvará de 13.12.1590 teve Gabriel Soares mercê da Ordem de Cristo, com tenças de 50.000 reais, para quatro cunhados e dois primos que o acompanharam no descobrimento de minas no sertão.

1.3.  Maria de Argollo, nascida em Lisboa cerca de 1534 e falecida a 11.2.1602 na Baía, ficando testamenteiro seu filho Bernardo Ribeiro e sendo sepultada em S. Bento. Levou por dote a propriedade do ofício provedor-mor da fazenda real do Brasil e da alfândega da Baía. Casou a 5.11.1556 na Sé da Baía (Salvador), sendo testemunha o governador D. Duarte da Costa,  com António Ribeiro, capitão e governador dos índios de Santa Cruz de Itaparica, por nomeação do governador Mem de Sá. Em 1561 era capitão em Ilhéus, sendo nomeado a 14.10.1562 provedor-mor da fazenda real do Brasil e da alfândega da Baía, cuja propriedade levara em dote. António Ribeiro tomou o partido do governador D. Duarte da Costa contra o bispo D. Pedro Fernandes Sardinha. Devia ser irmão de D. Agostinho Ribeiro, também bispo de Angra  e bispo de Lamego, nascido em Lisboa em 1483 e falecido em Xabregas a 27.3.1554, que era filho de Martim Ribeiro, escrivão da Casa da Índia, e de sua mulher Maria de Carvalho. Em 1591 seu filho Bernardo declarou que não conheceu seus avós paternos, mas que seu pai tinha irmãos em Viseu,os quais também não conhecia.

1.3.1.  Joana Barbosa, bat. a 10.3.1558 na Sé da Baía  e falecida em 1599, sendo sepultada no Colégio. Em 1591 documenta-se no processo de seu irmão Bernardo como viúva de Diogo Correa de Sande. Casou com Diogo Correa de Sande, já falecido em 1591. Jabotão diz que este Diogo Correa, natural de Portugal, era da casa dos Correa de Sá, tronco dos visconde de Asseca. Diogo Correa de Sande tinha em 1584 um engenho em Jaguaripe considerado «uma das melhores peças da Bahia, porque está muito bem acabado, com grandes aposentos e outras oficinas, e uma fresca igreja de Vera Cruz», ficando perto do engenho de Gabriel Soares. Quando da invasão dos aimorés em Ilhéus, o governador Manuel Telles ordenou que fossem repelir esses bárbaros Diogo Correa de Sande e Fernão Cabral de Ataíde, «que possuíam muitos escravos e tinham aldeias de índios forros». Diogo Correa tinha também uma fazenda em Caípe.

1.3.1.1.   André Correa de Sande, s.m.n.

1.3.1.2.   António Ribeiro, referido como «primo do capitão Francisco de Paula», combateu valentemente os holandeses acastelados na Baía em 1624-5.

1.3.1.3.   D. Maria de Argollo, s.m.n.

1.3.1.4.   D. Leonor de Sande, que casou com Braz da Costa Cirne, com ascendência cristã-nova. Foram pais de Valentim da Costa, solicitador das causas da Baía, referido como «estudante que tem raça de nação» nas Denunciações da Bahia de 1618.

1.3.1.5.   D. Luiza de Sande, s.m.n.

1.3.1.6.   Pedro Correa, s.m.n.

1.3.1.7.   D. Catarina de Sande de Andrade, que foi a 2ª mulher de Sebastião Pacheco de Castro, que tinha um engenho em Itaparica, donde os holandeses foram desalojados em 1624. Tiveram uma filha, D. Clara de Sande, que casou com o capitão Francisco Fernandes da Ilha, que tinha uma fortuna avaliada em 700.000 cruzados. Destes foram filhas D. Francisca de Sande e D. Catarina de Sande, esta a 1ª mulher de Aires de Ornellas de Vasconcellos (1620-83), 6º morgado do Caniço (Funchal), de quem nasceu Agostinho de Ornellas de Vasconcellos.

1.3.2.   Helena de Argollo, bat. a 7.6.1560, ib, que levou em dote a propriedade do ofício provedor-mor da fazenda real do Brasil e da alfândega da Baía. Em 1591 documenta-se no processo de seu irmão Bernardo como casada com Manuel de Sá, moradores em Jaguaripe. Casou em 1578 com Manuel de Sá Sottomayor, que por sua mulher foi provedor da fazenda real e da alfândega da Baía em 1578, tendo fal. em 1606.

1.3.2.1.   D. Ana de Argollo, que levou em dote a propriedade da provedoria da fazenda real e da alfândega da Baía e casou em 1614 com o doutor Sebastião Parvi de Brito, que depois casou com D. Joana de Argollo, referida adiante, prima da 1ª mulher, o que veio a causar as maiores confusões genealógicas. A 20.11.1614 o licenciado Sebastião Parvi de Brito pediu o cargo de provedor-mor da fazenda da Baía por ser casado com uma filha de D. Helena de Argollo, à qual o rei tinha confirmado o cargo para casamento da filha. E a 30.1.1615 teve o respectivo alvará de D. Sebastião I de provedor da fazenda real da Baía (CSI, 33, 213). Sebastião Parvi de Brito enviuvou pouco depois, sem geração, voltanto a casar em 1620 com D. Joana de Argollo, referida adiante, onde trato este Sebastião com mais detalhe. Este duplo casamento com duas Argollo não só confundiu as genealogias como as próprias inquirições de genere. É o caso do processo para familiar do Stº Ofº (1689) de Sebastião de Brito e Castro, onde se diz que sua avó materna D. Joana de Argollo, natural da Baía, era filha de Paulo de Argollo, dizendo algumas testemunhas que era irmã do bispo de Angra D. Agostinho Ribeiro. Estas, na verdade, estavam a confundir numa só as duas mulheres de Sebastião Parvi de Brito. Confusão que se estende mesmo a aguns historiadores da Baía, que não percebem que o Sebastião Parvi de Brito nomeado provedor da fazenda real em 1642 é o mesmo que em 1615 foi nomeado para o mesmo cargo, conforme explico adiante.

1.3.3.   Bernardo Ribeiro, bat. a 20.8.1562, ib, bacharel formado em Teologia pela Universidade de Coimbra (1588), a quem seu tio Gabriel Soares de Souza, acima, nomeou testamenteiro. Foi procurador do conde de Linhares em 1606 e, por morte de seu cunhado provedor-mor da fazenda real do Brasil e da alfândega da Baía (24.11.1606). Em 1612 teve sesmaria em Jequiriçá, com engenho de açúcar. Pelas suas «ideias heterodóxas» e proposições heréticas  teve problemas com a Inquisição de Lisboa a 29.7.1591, sendo referido como «Bernardo Ribeiro, mancebo solt.º da idade de 30 anos mais ou menos, magro e comprido, trigueiro do rosto, morador em Tasuapina, natural desta Bayaa», com sentença de 19.2.1592 (TSO, IL, 13957). Cristóvão da Costa, testemunha denunciante no processo, diz que Bernardo Ribeiro era «morador na sua fazenda de Tasuapina». Apesar de Bernardo Ribeiro ser bacharel formado em Teologia desde 1588, no processo, justamente sobre questões teológicas, não é referido como tendo algum curso, o que talvez resulte de uma estratégia do acusado, que de outra forma não podia alegar ignorância.

1.3.4.   Gonçalo Ribeiro, estudante de Teologia na Universidade de Coimbra em 1588. Parece já ter falecido em 1591, pois não é referido pelo ormão Bernardo.

1.3.5.   D. Agostinho Ribeiro (Frei Agostinho de S. Gonçalo), bat. a 4.3.1564, ib, e falecido em Lisboa a 12.8.1621. Foi bispo de Angra (29.7.1613), bispo de Ceuta e Tanger (1602), doutorado em Teologia e cónego magistral da Sé de Lisboa. Foi o primeiro prelado natural do Brasil e o primeiro baiano doutorado na Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Teologia em 1593. Em 1591 documenta-se no processo de irmão Bernardo como solteiro, estudante em Coimbra.

1.4.   Inez de Argollo, nascida em Lisboa cerca de 1536 e falecida a 14.9.1605 na Baía, sendo sepultada na igreja de São Francisco, ib. Casou com Jácome Raymundo, s.m.n.

1.5.   Francisco de Argollo, cónego da Sé da Baía, que nasceu em Lisboa cerca de 1537. Como ficou dito, a 10.8.1556 sua mãe pediu para ele uma conezia na Sé da Baía, vindo a obter a 20.12.1559 confirmação de meia conezia.

1.6.   Paulo de Argollo, que segue no nº 2.

2.        Paulo de Argollo, que nasceu em Lisboa cerca de 1538 e foi para a Baía com seus pais em 1549, onde viveu e faleceu a 12.1.1619, deixando testamenteiros sua mulher Felícia Lobo e seu enteado Baltazar Lobo, filho de Pedro Dias. Em 1591 documenta-se no processo de seu sobrinho Bernardo Ribeiro como morador em Jaguaripe. Teve várias terras em Passé (1598) e sesmarias em Ilhéus (1608). A 11.11.1600 teve meia légua de terra em Jequiriçá. Foi provedor-mor da fazenda real do Brasil e da alfândega da Baía em 1608 (cuja propriedade tinha sua sobrinha) e era vereador do Senado da Câmara em 1607. A cidade de Aratuíbe nasceu de uma capela aí feita por seus descendentes. Muito provavelmente foi cavaleiro da Ordem de Cristo a 13.12.1590, data de um alvará para seu cunhado Gabriel Soares, que conferia a este o direito de dar a quatro cunhados e dois primos, que o acompanhavam no descobrimento das minas do sertão, hábitos de Cristo com tenças de 50.000 reais. Casou cerca de 1599 com sua prima-direita Felícia Lobo, já viúva, filha de Gaspar de Barros de Magalhães, contador da fazenda real do Brasil (3.1.1560), vereador do Senado da Câmara da Baía (1562), provedor da alfândega da Baía (1568), cuja propriedade tinha seu genro, morador em Recôncavo (Baía), no lugar chamado São Paulo, muito rico e já falecido em 1591, e sua mulher Catarina Lobo, nascida em Setúbal em 1541, «uma das órfãs que el rei D. João mandou a este Estado», como se documenta das Denunciações da Bahia. Esta Catarina Lobo era filha de Henrique Lobo e de sua mulher Isabel de Reboredo; neta paterna de Baltazar Lobo de Souza e de (Joana) Barbosa, como já ficou referido. Felícia Lobo tinha casado a 1ª vez a 4.11.1582 na Sé da Baía com Pedro Dias de Figueiroa, de 50 anos de idade, mercador e rico fazendeiro no Brasil, natural a cidade do Porto, filho de Gonçalo Álvares, «homem do mar», e de sua mulher Bárbara Dias de Figueiroa, de quem teve quatro filhos: Baltazar Lobo, bat. a 29.4.1584 na Sé da Baía e falecido a 27.1.1628, ib, que casou com Ana de Gambôa; Bárbara, bat. a 3.9.1585, ib; Pedro, bat. a 1.11.1587, ib e falecido a falecido a e 11.1.1618, sendo seu padrinho e testamenteiro Paulo de Argollo; e Frei Gonçalo de Stº António, professo no convento de S. Francisco da Baía a 13.6.1610, tinha 18 anos de idade. Depois de viúva de Paulo de Argollo, Felícia Lobo ainda casou mais duas vezes, primeiro com Vicente Coelho e depois com Constantino de Menelao, governador do Rio de Janeiro (1614-1616 - CFII, 11, 267v), capitão da carreira da Índia (CFI, 4, 249v), sem geração destes matrimónios.

2.1.   Paulo de Argollo, capitão da Ordenança de Passé (20.10.1650), foi bat. a 7.6.1601 na Sé da Baía e fal. antes de 12.1.1641. Na sua nomeação para capitão da Ordenança de Passé diz-se: «Achando-se nas ocasiões do inimigo que se tem oferecido no Recôncavo, e procedido nelas com muito honrada opinião». Casou a 25.11.1621 em Paripe com sua prima D. Mécia Lobo de Mendonça, n. cerca de 1604, ib, filha de Egas Moniz Barreto, fidalgo escudeiro da Casa Real, falecido a 23.10.1643 em Camamu, e de sua 1ª mulher Águeda de Lemos, nascida a 12.2.1583 na Baía e falecida em 1609; e neta paterna de Jerónimo Moniz Barreto, o Velho, fidalgo escudeiro, falecido em 1606, e de sua 1ª mulher D. Mécia Lobo (1559-1593), filha de outras da órfãs que vieram para o Brasil, também D. Maria Lobo, e de seu marido Francisco Bicudo, como ficou dito na introdução. Parece que s.g., pois esta não é conhecida e sucedeu o irmão mais novo.

2.2.   D. Joana de Argollo, nascida na Baía cerca de 1602 e falecida nova a 18.1.1626, ib, sendo sepultada no convento de S. Francisco. Jaboatão diz que foi bat. na Sé da Baía a 23.9.1620, o que é impossível, pelo que deve ser gralha disléxica por 1602, portanto cerca de um ano depois do nascimento de seu irmão. Ou, em alternativa, a data de 1620 não é baptismo mas sim do seu 2º casamento. Infelizmente estão desaparecidos os livros de assentos paroquiais que Jaboatão terá consultado. Se nasceu em 1602, o que parece, morreu com apenas 24 anos de idade. Apesar disso casou duas vezes e ainda viveu em Braga, onde lhe nasceram dois filhos do 2º casamento. Casou a 1ª vez, teria 15 anos de idade, com o doutor Francisco Subtil de Sequeira (a), desembargador da Relação da Baía e provedor da Alfândega pelo casamento, que chegou ao Brasil em 1602, cavaleiro da Ordem de Cristo, familiar do Santo Ofício, natural de Tancos (Portugal) e falecido a 4.4.1619 no Baía, com sepultura no convento do Carmo (Socorro). D. Joana casou 2ª vez, em 1620, com doutor Sebastião Parvi de Brito (b), fidalgo da Casa Real, ouvidor geral da Baía, provedor da alfândega da Baía e provedor-geral da fazenda real, três vezes provedor da Misericórdia da Baía (1622, 1643 e 1652), etc. O marquês de Montalvão disse sobre ele que «é dos mais nobres homens de Évora e que hoje no estado em que está o Brasil não há pessoa capaz se suceder naquele governo faltando o governador senão ele» (AHU, MG, cod. 80, 267v). Sebastião Parvi de Brito nasceu em Évora cerca de 1580 e fal. a 20.1.1661, na Baía, sendo sepultado no convento de S. Francisco. Matriculou-se em Cânones na Universidade de Coimbra em 1598, como natural de Évora, filho de André Parvi, tirando o bacharelado a 3.6.1604 e a formatura a 24.5.1605. Chegou ao Brasil a 19.2.1609, com o governador D. Francisco de Souza, como ouvidor geral da sua repartição, com apelação e agravo para a Relação da Baía (Anais, 1885-1886, vol. 13). Como já ficou dito atrás, casou a 1ª vez em finais de 1614 com D. Ana de Argollo, prima desta D. Joana, que levou em dote a propriedade dos ofícios de provedor-mor da real fazenda do Brasil e da alfândega da Baía, sendo neles empossado por carta real de 30.1.1615. Mas desempenhou pouco tempo o cargo, pois a 7.5.1619 Belchior Rodrigues foi provido na serventia dos ofícios de provedor da fazenda e da alfândega da Baía durante o impedimento do respectivo proprietário Sebastião Parvi de Brito (Anais, 1917, vol. 39). Foi exercendo de forma intermitente este cargo, cuja propriedade a 3.3.1638 deu em dote a sua filha D. Leonor de Brito, como refiro adiante. Mas continuou como titular dos ofícios, pois 30.3.1639 o genro é neles nomeado apenas como seu substituto e 12.1.1641 Sebastião Parvi de Brito volta a ser empossado nos ofícios por D. João IV (CJIV, 13, 172). Sebastião Parvi de Brito era irmão mais novo do doutor Reginaldo Parvi, nascido em Évora e matriculado em Cânones na UC em 1594, como filho de André Parvi, tirando o bacharelado a 27.6.1600 e a formatura a 17.7.1600. Na IG para o Stº Ofº de seu neto, diz-se que era irmão de D. Luiza de Brito e D. Ambrósia de Brito, que faleceram solteiras na Baía, e primo de Aires Falcão Pereira, guarda-mor da Torre do Tombo, do doutor Francisco da Silva de Menezes, colegial de S. Pedro, e do doutor Martim de Almada. Era filho de André Parvi e sua mulher D. Leonor de Brito, natural de Castelo Branco, que era  irmã do doutor Pedro Barreto de Vasconcellos (vide o meu estudo Leitão, Linha ascendente dos senhores do paço da Torre de Figueiredo das Donas), avô do referido doutor Francisco da Silva de Menezes, colegial de S. Pedro da Universidade de Coimbra e familiar (25.9.1650), deputado e promotor do Santo Ofício. O também referido Aires Falcão Pereira, guarda-mor da Torre do Tombo, era certamente filho ou neto de Francisco Pereira Falcão e sua mulher D. Jerónima Barreto, também irmã do dito doutor Pedro Barreto de Vasconcellos. O antedito doutor Martim de Almada deve ser confusão com odoutor Martim Leitão, célebre general e ouvidor-geral do Brasil, que casou com D. Babiana Barreto, irmã do mesmo doutor Pedro Barreto de Vasconcellos. André Parvi era irmão do Doutor João Parvi, abade de S. Pedro d’Este, e de Maria Parvi, falecida a 21.2.1600 em Braga (Souto), mulher de Geraldo de Paiva Brandão, cidadão de Braga, vereador da Câmara em 1588 e juiz pela ordenação em 1590 e 1601, aí falecido a 24.6.1605, como refiro no meu estudo sobre os Paiva Brandão, de Braga. Todos filhos de Reginaldo Parvi, referido no testamento do bispo D. João Parvi como seu sobrinho e herdeiro, mas que tudo indica que fosse seu filho. D. João Parvi foi bispo de Cabo Verde (23.9.1538). Era membro do cabido da prestigiada Sé de Évora, como arcediago do bago e cónego magistral, tendo oficiado nesta cátedra. Contemporâneo de D. Martinho de Portugal, foi enviado régio a Roma a fim de criar as dioceses de Angra, Cabo Verde, S. Tomé e Goa. Era natural da Normandia (Bayeux), tendo sido naturalizado por mercê de D. João III. Documenta-se como doutor em 1520 na Universidade de Lisboa (Estudos Gerais). Esteve integrado no núcleo humanista de Évora, de que também fizeram D. Francisco de Melo, mestre André de Resende e Nicolau Clenardo. Demorou a ir para o bispado, permanecendo em Évora até Janeiro de 1545. Em Setembro deste ano fez testamento, no qual deixou por herdeiro Reginaldo Parvi, seu "sobrinho". Aí afirma estar de partida para a ilha de Santiago de Cabo Verde, onde terá chegado em finais de 1545, tornando-se o primeiro bispo residente. Faleceu na cidade da Ribeira Grande a 29.12.1546, com apenas cerca de um ano de episcopado. Manuel Severim de Faria, em tom apologético, refere-se a D. João Parvi como um sacrificado ao serviço da igreja, afirmando que faleceu rapidamente depois de chegar devido ao fervor com que se dedicava à actividade pastoral, não tendo sequer observado o devido resguardo de saúde de alguns meses a que o clima local obrigava os reinóis. Diz que «expirou estando crismando, afrontado com o trabalho de muita gente». Ainda em Portugal, em 1538, fez chegar à Inquisição de Lisboa uma carta sobre os abusos dos cristãos-novos nas ilhas de Cabo Verde, pelo que deve ter trocado correspondência com as autoridades civis e eclesiásticas locais. D. João Parvi deu início à organização das estruturas diocesanas, nomeadamente ao cabido, conforme o prescrevia a bula de criação do bispado de Cabo Verde. Deixou um foro ao cabido para lhe dizer missas por sua alma. Foi sepultado na igreja de Nossa Sr.ª do Rosário da Ribeira Grande.

2.2.1.   (a) Agostinho Subtil de Sequeira, irmão da Santa Casa da Misericórdia da Baía (1679), falecido a 18.6.1683 e sepultado em Stª Mª do Socorro. Casou com D. Francisca de Menezes, filha de Cristóvão da Costa Doria e sua mulher D. Maria de Menezes, filha de Jerónimo Moniz Barreto de Menezes.

2.1.1.1.   Francisco Subtil de Sequeira, vereador do Senado da Câmara de Salvador da Baía em 1671, falecido a 3.9.1693, ib. Casou a 2.4.1667 na Sé da Baia com D. Bárbara de Azevedo Henriques, fal. a 8.3.1686, ib, filha do doutor António Mendes de Oliva, já fal. em 1667, e sua mulher D. Isabel de Azevedo Henriques. C.g.

2.1.1.2.   D. Joana de Argollo, que casou a 5.12.1655 em Passé com Braz Lobo de Mesquita, c.g.

2.1.1.3.   D. Maria de Menezes, que casou com João de Barros Aranha

2.1.1.4.   D. Leonor de Menezes, bat. a 11.9.1646 na capela de S. Paulo, em Stª Maria do Socorro.

2.1.1.5.   D. Mariana de Menezes, que casou a 12.1.1663 na capela de S. Paulo (Socorro) com Lucas Tavares de Alvim, filho de Tomé Tavares de Alvim e sua mulher D. Bárbara Pereira de Gusmão. C.g.

2.1.1.6.   D. Antónia de Menezes, que casou com António Telles Pereira, s.g.

2.1.1.7.   D. Ângela, falecida menina.

2.2.2.   (a) Frei Francisco dos Anjos, da Ordem dos Carmelitas Calçados, na Baía.

2.2.3.   (b) Manuel de Brito Lobo, nascido em Braga, cavaleiro da Ordem de Cristo, capitão, vereador (1660) e juiz ordinário (1664 e 1673) da Baía. Casou com D. Margarida de Araújo, filha de Feliciano de Araújo Soares e sua D. Antónia de Mello de Vasconcellos.

2.2.3.1.   D. Antónia de Mello de Vasconcellos, bat. a 8.5.1646, que foi a 3ª mulher de Pedro Baldes Barbosa, s.g.

2.2.3.2.   D. Luiza de Mello de Vasconcellos, bat. a 3.7.1649 em Socorro.

2.2.3.3.   André Parvi de Brito, bat. a 25.5.1652, que foi capelão-mor da Baía, já fal. a 28.3.1684, data em que o provedor-mor mandou dar baixa no assento do padre capelão-mor André Parvi de Brito (Anais, 1878-1879, vol 5).

2.2.3.4.   Sebastião Parvi de Brito, bat. a 14.5.1657 e fal. menino.

2.2.3.5.   D. Leonor de Brito

2.2.3.6.   Manuel de Brito Lobo, natural de S. Domingos de Sacagena (Baía), bat. a 29.12.1660 na igreja da Purificação. Fal. quando decorriam as habilitações para familiar do Stº Ofício (1699). Casou a 14.10.1697 na Sé da Baía com D. Tereza Borges de Abreu, n. na Baía, filha de Cristóvão Barbosa de Villasboas e sua mulher D. Bárbara Borges de Abreu. C.g. Deste parece filho o Sebastião Parvi de Brito que foi capitão de Ordenanças no Brasil (3.12.1725) e coronel de Infantaria de Ordenanças (30.1.1728) e a 27.1.1742 teve o hábito da Ordem de Cristo com 12.000 reais de tença.

2.2.3.7.   Feliciano de Araújo de Brito

2.2.3.8.   Bento de Araújo de Brito, bat. a 14.5.1657. Casou com D. Tereza Inácia de Menezes, filha do doutor Manuel Botelho de Oliveira, capitão-mor da Baía, cavaleiro fidalgo da Casa Real, e de sua 1ª mulher D.Antónia de Menezes. C.g.

2.2.3.9.   D. Ana de Brito, bat. a 11.7.1662

2.2.4.   (b) D. Leonor de Brito, nascida em Braga cerca de 1622 e moradora na Baía, onde Jaboatão diz que fal. a 26.5.1678 e que foi sepultado na igreja do Carmo. A 3.3.1638 teve em dote a propriedade a propriedade do ofício de provedor-mor da real fazenda do Brasil e da alfândega da Baía. Casou em 1638 com António de Brito de Castro, cavaleiro da Ordem de Cristo, com 100.000 reais de pensão (17.3.1673), que a 30.3.1639 foi nomeado como substituto do genro nos ofícios de provedor da real fazenda do Brasil e da alfândega da Baía. António de Brito de Castro, que fal. a 1.4.1675 na Baía, sendo sepultado na igreja do Carmo, nasceu em Braga e passou à Baía em 1625 na armada de D. Fradique de Toledo, para libertar a cidade de Salvador do domínio holandês. Voltou para Portugal, mas em 1630 organizou à sua custa uma companhia em Viana do Castelo e voltou definitivamente ao Brasil, onde se destacou na luta contra os holandeses. Em 1659 foi obrigado a deixar a provedoria por ter sido promovido a tenente de mestre de campo general do Brasil, posto do qual deu baixa em 1663. Em 1671 era novamente provedor da alfândega da Baía, assim como provedor da Santa Casa de Misericórdia de Salvador. A 12.2.1674 teve alvará de D. Afonso VI para poder formar uma vila no distrito do Rio de S. Francisco (Baía), no prazo de 6 anos. Era filho de Francisco de Brito de Sampayo, nascido em Mansos (Braga), e de sua mulher D. Susana Barbosa, nascida em Barcelos; neto paterno de António de Brito de Castro e de sua mulher Antónia de Sampayo (filha de António Mendes de Vasconcellos e sua mulher Isabel Pereira, moradores em Sabrosa); bisneto de Pedro de Brito Pimenta e sua mulher Francisca Godins (filha de António Freire de Andrade e sua mulher Antónia Godins); trineto paterno de Simão Pimenta de Castro e de sua mulher Isabel de Brito de Noronha, filha esta de Fernão de Brito, abade de Mouçós, como tudo se diz na IG de seu filho.

2.2.4.1. Sebastião de Brito de Castro, fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo (1675), familiar do Stº Ofº (21.5.1689), que sucedeu na donataria da vila de S. Francisco (29.11.1689). Casou com D. Maria de Aragão, irmã de Pedro Camelo Pereira de Aragão, António de Aragão Pereira e Diogo de Aragão Pereira, todos cavaleiros da Ordem de Cristo e filhos de Diogo de Aragão Pereira, nascido na ilha da Madeira e morador na Baía, e de sua mulher D. Isabel de Aragão, nascida na Baía; netos paternos de Pedro Camelo de Aragão e Inez Martins, ambos da Madeira; netos maternos de Baltazar de Aragão de Souza, da Madeira, e de sua mulher Maria de Araújo, da Baía. S.m.n.

2.2.4.2. André de Brito e Castro, cavaleiro da Ordem de Cristo, com 20.000 reais de tença (13.3.1679). Foi provedor da alfândega (1678) e da fazenda (5.4.1688) da Baía, irmão da Misericórdia da Baía (1672), etc. Casou com D. Francisca Maria Leite, c.g. desenvolvida em «Gorjão Henriques», 2006 (2 volumes), de Nuno Gorjão Henriques e Miguel Gorjão-Henriques

2.2.4.3.   Francisco de Brito de Sampayo, capitão de cavalos, também foi provedor da alfândega da Baía (1676) e em 1709 obteve uma sesmaria em Terra Nova Casou com Maria Francisca Xavier Aranha, segundo Jaboatão. Foram pais de António de Brito de Castro, fidalgo cavaleiro da Casa Real, com 1.600 reais de moradia por mês (21.3.1690), e de André de Brito de Sampayo, também fidalgo cavaleiro da Casa Real (5.3.1699).

2.2.4.4. D. Joana de Brito de Castro, que casou com Francisco Pereira Ferraz, provedor da alfândega da Baía (1689).

2.2.4.5.   D. Antónia de Castro, fal. a 8.11.1665, solteira, segundo Jaboatão.

2.2.4.6.   António de Brito de Castro, sobre quem Jaboatão dá ampla notícia da sua extraordinária vida. A 10.3.1694 foi nomeado provedor da alfândega de Baía.

2.3.    Rodrigo de Argollo, que segue no nº 3.

3.        Rodrigo de Argollo, fidalgo da Casa Real 4, nascido cerca de 1603 e falecido em 1665. Parece ter sido o 1º senhor da fazenda e engenho S. Miguel das Almas, na freguesia de Nª Sª do Socorro da vila de S. Francisco do Conde (S. Francisco da Barra de Sergipe do Conde), na Baía, onde casou a 28.7.1642 com D. Isabel Pereira de Magalhães, irmã do capitão Francisco de Padilha, que se celebrizou na luta contra os holandeses, ambos filhos do capitão André de Padilha de Barros, cavaleiro fidalgo da Casa Real e cavaleiro da ordem de Cristo, fidalgo português que chegou ao Brasil em 1589, capitão de Infantaria que esteve na tomada de Sergipe e nas guerras contra os holandeses, nomeadamente em 1624-25, senhor de uma sesmaria com duas léguas de Passé a Jacuipe (10.7.1612), etc., e de sua mulher Maria Rangel, baptizada a 15.4.1585 na Sé da Baía, irmã do Padre António Rangel, jesuíta no Brasil, baptizado a 22.4.1595 na Sé da Baía, de Juliana Rangel, casada com Egas Moniz Barreto, fidalgo escudeiro da Casa Real, falecido a 23.10.1643 em Camamu, de Isabel Telles, casada a 26.7.1651 na Baía com Cristóvão de Aguiar de Altero (Daltro), falecido a 15.1.1664, e de Joana Rangel, casada com seu cunhado Francisco de Padilha. André de Padilha, quando pediu a sesmaria ao rei, em 1612, diz que há 23 anos que estava na Baía, «sempre servindo a S. Majestade em todas as ocasiões que então até hoje se ofereceram, como foi na ocasião de duas naus inglesas e um patacho que a esta terra vieram, governando nela Cristóvão de Barros. E na ocasião das naus holandesas governando Álvaro de Carvalho e outrossim na ocasião das naus que aqui vieram governando Diogo Botelho, assim se achou na tomada de Sergipe, em companhia do capitão-mor Cristóvão de Barros e também acompanhou a Gabriel Soares de Sousa na jornada que fez por mandado de S. Majestade e em todos os rebates e alardes gerais que no tempo de vossa senhoria se ofereceram, acudiu sempre com muita vontade. Em todo esse tempo serviu a S. Majestade com sua pessoa e armas e escravos sempre à custa do suplicante, sem gastar da fazenda de S. Majestade cousa alguma, e é morador na terra e tem mulher e filhos, e não tem terra nenhuma que de sesmaria lhe fosse dada». André de Padilha de Barros era certamente irmão do antedito Francisco de Padilha, portanto ambos casados com duas irmãs. Terão ambos ido para o Brasil, sendo filhos de outro Francisco de Padinha, que se documenta escudeiro do secretário de Estado Pedro de Alcáçova Carneiro, e filho de Bartolomeu Fernandes de Padilha, quando embarcou para a Índia a 24.12.1553 (D. Flamíninio de Sousa). Que é certamente o Francisco de Padilha que teve foro de escudeiro fidalgo da Casa Real (Ementas, 4, 37). Tendo em conta o nome da filha de André de Padilha de Barros, julgo que este Francisco de Padila casou com uma (Isabel) Pereira de Magalhães. Era, portanto, filho de Bartolomeu Fernandes de Padilha, que é o escudeiro da Casa Real que a 30.4.1530 tirou carta de armas para Padilha (de Castela), e era irmão Francisco Fernandes de Padilha, morador em Lisboa, que tirou igual carta de armas a 23.8.1532. E este Bartolomeu Fernandes de Padilha terá casado com uma Barros, porventura tia do antedito Cristóvão de Barros, que governava a Baía quando seu primo-sobrinho André de Padilha de Barros foi para o Brasil servir às suas ordens. Maria Rangel, que ficou acima, era filha de Rafael Telles, natural da Madeira, lavrador que passou à Baía, e de sua mulher (casados a 6.1.1583, ib) Maria Rangel, nascida no Porto em 1567 (em 1591 diz ter nascido nesta cidade e ter 24 anos); neta paterna de António Fernandes de Abreu e sua mulher Maria de Gouveia, moradores na Madeira; e neta materna de Miguel Ribeiro, procurador do número do Porto e morador na rua de São Francisco desta cidade, e de sua mulher Marta Vilela, «pessoas opulentas e de cabedal». Esta Marta Vilela, natural do Porto, cristã-velha, em 1591 vivia na Baía, em casa da filha, quando foi acusada de praticar magia (Confissões de Santo Oficio, 1591). Miguel Ribeiro era certamente dos Ribeiro Rangel, de Aveiro. Rafael Telles casou 2ª vez, sem geração, com Mécia de Armas, já viúva do capitão Belchior de Souza Drummond, referidos adiante.

3.1.   Padre Rodrigo de Argollo, bat. a 30.6.1643 na Baía (Jaguaripe). Foi clérigo de ordens sacras.

3.2.   Francisco de Padilha, parece que s.g., s.m.n.

3.3.   Paulo de Argollo, que segue no nº 4.

3.4.   D. Felícia Lobo, bat. a 19.9.1647, ib, s.m.n.

3.5.   D. Mariana Pereira de Menezes, bat. a 5.1.1649, ib, foi freira do convento do Desterro, onde recebeu hábito a 28.10.1679 com o nome de Soror Maria de Santa Clara.

3.6.   D. Ana de Argollo de Menezes, bat. a 19.2.1650 em Nª Sª do Socorro. Casou cerca 1670 com o capitão António Moreira de Menezes5, natural de Passé, juiz ordinário da Câmara da Baía em 1691, irmão da Stª Casa da Misericórdia (21.4.1671), que era irmão de Martim Afonso de Mendonça, e ambos filhos de António Moreira de Gambôa, fidalgo da Casa Real, senhor de engenho em Socorro, etc., e de sua mulher D. Antónia de Menezes

3.6.1.   Rodrigo de Argollo, padre, que julgo ter sido o mais velho.

3.6.2.   D. Helena Maria de Argollo, bat. a 29.2.1672 em Stª Mª do Socorro. Casou a 1ª vez com Bartolomeu Soares, e a 2ª vez com Francisco de Negreiros Côrte-Real, falecido a 26.7.1790, s.g., sendo ele já viúvo de D. Antónia de Araújo de Aragão. Do 1º casamento parece filho o Bartolomeu Soares de Argollo que a 13.8.1723 teve carta patente de srgento-mor (Anais, 1887-1888, vol. 15).

3.6.3.   D. Inez de Argollo, que casou com Teodósio de Sá Brandão, de Sergipe d'El Rei, s.g.

3.6.4.   D. Antónia de Argollo, bat. a 31.7.1675 em Stª Mª do Socorro. Casou a 1ª vez com João Pereira Coronel e a 2ª vez com Baltazar de Vasconcellos Cavalgante de Albuquerque, s.g. de ambos os matrimónios.

3.6.5.   José de Argollo de Menezes, nascido cerca de 1676, foi senhor de uma sesmaria em Jaguaripe, donde expulsou os índios, segundo uma carta real de 17.1.1726, onde se diz que era «homem muito poderoso naqueles sítios». Esta carta real surge na sequência de um requerimento de 17.1.1755 ao rei D. João V, feito pelos índios da aldeia de Stº António de Jaguaripe, no Recôncavo da Baía, solicitando ordenasse a José de Argollo de Menezes que lhes restituisse as terras tomadas e que não maltratasse mais as suas mulheres (AHU-Bahia, c. 18, d. 8). Casou a 1ª vez a 4.6.1710 em Guadalupe (dispensados no 3º grau de consanguinidade) com  D. Francisca de Menezes (a), irmã de João Pereira Barbosa de Araújo, referido adiante, ambos filhos de António Barbosa de Araújo e sua mulher D. Mónica de Menezes. Casou a 2ª vez a 8.1.1727, na capela de S. Domingos, com sua concunhada D. Catarina Ponciana Bezerra de Vargas Cirne (b), nascida em S. Francisco do Conde.

3.6.5.1.   (a) João de Argollo de Menezes, que nascido cerca de 1711 da vila de Jaguaripe. Por ter morto dois seus escravos, cumpriu pena de cinco anos de degredo em Angola, onde ainda estava a 8.5.1747, quando fez requerimento a D. João V solicitando provisão para que o governador e capitão-geral do reino de Angola o liberte logo após acabar a pena (AHU-Bahia, c. 96, d. 32). Casou na vila de Cairu com D. Fé de Souza, dos Eça e Couros, s.g.

3.6.5.2.   (a) António Moreira de Menezes, falecido solteiro.

3.6.5.3.   (b) D. Maria Bernarda de Argollo de Vargas Cirne, nascida em Stº Amaro em 1727. Casou a 14.4.1749 com o guarda-mor Bernardo da Silveira de Menezes, cavaleiro da Ordem de Cristo, tabelião e escrivão do público, judicial e notas de Maragogipe (14.12.1726), filho do doutor Bernardo Mendes da Silveira e de sua mulher D. Antónia de Menezes. C.g. 

3.6.5.4.   (b) Simão Manuel de Argollo de Menezes, juiz ordinário de S. Francisco do Conde, fazendeiro de cana do açúcar, familiar do Stº Ofº (1756), processo que ficou incompleto com a sua morte. Foi bat. a 28.12.1730, ib, e faleceu em 1756, com apenas 26 anos de idade. Casou com D. Maria Clara da Encarnação da Costa Coelho, filha do sargento-mor António da Costa Coelho e sua mulher D. Águeda Luiza Gomes de Lima, referidos adiante. C.g. 6

3.6.5.5.   (b) José de Argollo de Menezes, bat. a 15.4.1731 em Nª Sª do Monte, falecido solteiro.

 3.6.6.  Bartolomeu de Argollo de Menezes, sargento-mor de Stº Amaro em 5.8.1748, ocupando o cargo há 18 anos, juiz ordinário de S. Francisco do Conde, irmão da Santa Casa da Misericórdia da Baía (1733), senhor do engenho de Itacuipe, em 1720 desistiu de uma contenda com os carmelitas sobre os limites das suas propriedades entre os rios Jacuibe e Itacuibe, sendo «pessoa que se fez célebre não só pela sua nobreza de sangue mas também por suas muitas virtudes morais» (Frei Bento da Apresentação, in «Cartágrafo Epipompteutico»). Nasceu cerca 1677 e faleceu octogenário a 10.7.1764. Casou a 1ª vez a 29.1.1715, na capela de Stº António do Socorro, com D. Antónia Isidora Maria Bezerra de Vargas Cirne (a), falecida a 18.8.1730, filha do capitão de Cavalos Miguel Bezerra e sua mulher D. Maria Cirne. Casou a 2ª vez com D. Águeda Luiza Gomes de Lima (b), já viúva do sargento-mor António da Costa Coelho, sendo filha do capitão Manuel Rodrigues Brandão e sua mulher D. Maria Rebouças.

3.6.6.1.  (a) D. Ana, nascida em S. Francisco do Conde e falecida solteira a 13.5.1731.

3.6.6.2.  (a) Frei João de Argollo de Menezes, nascido ib, carmelita na Baía.

3.6.6.3.  (a) D. Maria, nascida ib e falecida menor a 12.1.1718.

3.6.6.4.  (a) Rodrigo de Argollo Vargas Cirne de Menezes, governador interino da Baía (7.4.1762), coronel do Regimento de Cavalaria de Auxiliares da Baía (23.10.1762), de que tinha sido sargento-mor, vereador do Senado da Câmara da Baía, escrivão da Casa da Moeda da Baía (8.5.1780), ofício que passou a seu genro Francisco Alexandre de Freitas e Eça a 11.9.1794, familiar do Stº Ofº (26.3.1772), membro da Academia Brasileira dos Renascidos (1759), irmão da Stª Casa da Misericórdia da Baía em 1726, donde foi expulso por incivilidade em 1762 e readmitido no ano seguinte, sendo escrivão da irmandade. Foi bat. a 1.5.1722 em Nª Sª do Monte e fal. a 25.6.1795. A 23.10.1762 Rodrigo de Argollo Vargas Cirne de Menezes requereu ao rei D. José I que se lhe passasse carta patente de confirmação do posto de coronel de Cavalaria de um dos Regimentos do Reconcavo da cidade da Baía (AHU-Bahia, c.156, d. 49). E a 9.3.1771 requereu ao mesmo rei carta patente de confirmação do posto de coronel de Cavalaria Auxiliar da Baía (AHU-Baia, c. 170, d. 12). Casou com D. Marcela da Purificação da Silva, filha de António da Silva Gomes, natural do Porto, familiar do Stº Ofício e ferreiro da Casa da Moeda. C.g.

3.6.6.5.  (a) D. Ana Maria de Argollo Vargas Cirne de Menezes, bat. em 1718 em Nª Sª do Monte do Recôncavo (S. Francisco do Conde) e falecida menor a 3.5.1731.

3.6.6.6.  (a) D. Joana Baptista de Argollo, nascida em Parrnamerim, que casou com Estêvão da Matta Gomes, que morreu degredado na Ilha do Príncipe, com os bens sequestrados, tendo ela, após a morte do marido, provisão de 4.2.1793 para regressar à Baía (Anais, 1912, vol. 34).

3.6.6.7.  (a) D. Rosa, falecida menor a 8.9.1733, ib.

3.6.6.8.  (a) D. Helena, bat. a 7.11.1729 em Nª Sª do Monte e falecida com nove meses a 13.2.1730.

3.6.6.9.  (b) Pedro de Argollo de Menezes, nascido a 2.9.1734, que a 12.12.1762 teve carta de capitão de Cavalos do Estado do Brasil. A 10 de Novembro desse ano requereu a D. José I que se lhe passe carta patente de confirmação do posto de capitão de Cavalos da borda da mata e feira da Capuame do Regimento de Cavalaria de que é coronel João Pais de Vasconcellos (AHU-Bahia, c.156, d. 58). Casou com D. Josefa Maria ...., s.m.n.

3.6.6.10. (b) Victorino de Argollo de Menezes, gémeo do anterior, que foi capitão de Cavalos do Regimento do Recôncavo da Baía (1754), a 17.2.1763 teve, por sua mulher, a propriedade do ofício de inquiridor, contador e distribuidor da Baía (AHU-Bahia, c.157, d. 4), e foi ainda escrivão dos feitos da coroa e fazenda da Baía, familiar do Stº Ofº (12.11.1765) e irmão da Stª Casa da Misericórdia (27.3.1763), tendo falecido a 29.5.1785. O conde de Atouguia, vice-rei e governador-geral do Estado do Brasil, deu a 10.7.1754 carta patente a Vitorino de Argollo de Menezes do posto de capitão de uma tropa de cavalos (AHU-Bahia, c. 129 d. 7), tendo este a 25 seguinte requerido a D. José I confirmação do posto de capitão de cavalos do Regimento do Recôncavo da Baía (AHU-Bahia, c. 134 d. 26). Casou em 1763 com D. Ana Inez Josefa de Saldanha de Andrade, sucessora de seu pai José Borges de Cerqueira, inquiridor, contador e distribuidor (proprietário) da Baía. D. Ana faleceu a 17.11.1768 na vila de S. Francisco do Conde (Baía) com inventário de menores, deixando filhos a António de Argollo e Menezes, de 3 anos de idade, que veio a falecer, e D. Maria Clara Rufina de Argollo e Menezes, de 13 anos, que veio a suceder nos ofícios de inquiridor, contador e distribuidor da cidade da Baía (confirmação de 12.8.1802) e de escrivão dos feitos da coroa e fazenda (confirmação de 5.11.1804) e a casar com o capitão Vicente José de Souza Lisboa, de quem já estava viúva a 10.3.1790 (AHU-Bahia, c. 192, d. 6). Outro filho, Manuel, nascido em 1763, já tinha falecido. D. Ana Inez era a filha mais velha do Doutor José Borges de Sequeira, também inquiridor, contador e distribuidor da Baía, natural de Évora (irmão do comissário do Stº Ofº António da Costa de Andrade), e de sua mulher D. Clara Josefa de Saldanha. 

3.6.7.   Vicente de Argollo e Menezes, coronel da Cavalos de Auxiliares, capitão-mor de Jaguaripe (confirmado a 23.10.1723), foi um dos cavaleiros dos jogos hípicos e bélicos da Baía em 1717. Casou a 21.10.1726 na capela de Stº António da Casa de Cinco Rios com sua concunhada D. Ana Maria Bezerra de Vargas Cirne.

3.6.7.1.   D. Maria, nascida em S. Francisco do Conde e falecida menina a 15.1.1728, ib.

3.6.7.2.   D. Antónia de Argollo Vargas Cirne de Menezes, nascida ib, e casada a 23.2.1756, ib, com Francisco de Vasconcellos e Albuquerque, falecido a 31.5.1778 em Stº Amaro, c.g.

3.6.7.3.   D. Maria, bat. a 15.1.1731 em Nª Sª do Monte, s.m.n.

3.6.7.4.   Francisco Xavier de Argollo Vargas Cirne de Menezes, bat. a 19.5.1732, ib, e falecido a 18.2.1751. Casou a 29.9.1750 com sua prima D. Antónia Isidora Bezerra de Vargas, s.g. 

3.6.7.5.   Inácio de Argollo Vargas Cirne de Menezes, bat. a 30.9.1733, ib, falecido solteiro depois de 1784. Era soldado quando a 19.10.1763 requereu a D. José I dispensa para os postos imediatos até ao de tenente, inclusivé, visto ser filho de um coronel da Cavalaria Auxiliar (AHU-Bahia, c.158, d. 51, 53). A 1.6.1779 teve confirmação da carta patente de capitão do 2º Regimento de Infantaria da Baía (Anais, 1910, vol. 32). Era sargento-mor de Auxiliares de Cachoeira, Maragogipe e Jaguaripe quando a 3.3.1784 requereu à rainha D. Maria I carta patente do posto (AHU-Bahia, c. 186, d. 11). E sargento-mor do Terço Auxiliar da vila de Cachoeira quando a 15.5.1785 requereu idêntica carta patente (AHU-Bahia, c. 187, d.1). Finalmente, a 2.3.1790 fez justificação de serviços, sendo sargento-mor da Infantaria de Auxiliares das vilas de Cachoeira, Maragogipe e Jaguaripe (AHU-Bahia, c. 192, d. 5)

3.6.7.2.   D. Ana Maria de Argollo Vargas Cirne de Menezes, que casou a 1ª vez a 10.8.1760 com José Pinto Ribeiro, falecido a 11.5.1774 em Passé, filho de António Pinto Ribeiro e sua mulher D. Rosa Maria de França. Casou a 2ª vez a 12.10.1774 em Passé com João Crisóstomo da Costa Pinto, filho do capitão António da Costa Pinto e sua mulher D. Maria de Jesus José. C.g. do 2º casamento.

3.6.7.6.   Leandro de Argollo Vargas Cirne de Menezes, que morava junto do Carmo quanto teve conflitos com os frades do mosteiro, tendo falecido em Stº Amaro. Casou a 30.8.1768 com D. Tereza Maria de Jesus Filgueiras, filha do capitão Francisco Corrêa Filgueiras e sua mulher D. Maria Josefa de Jesus. C.g.

3.6.8.   Manuel Telles de Argollo e Menezes, capitão de Infantaria da Ordenança de Nage (12.1.1719). Casou com D.Isabel da Rocha, filha de Zenóbio de Almeida e sua mulher Maria da Rocha de Ávila.

3.6.8.1.    António Moreira de Menezes, casado, s.m.n.

3.6.8.2.   Carlos José de Argollo de Menezes, casado, s.m.n.

3.6.8.3.   João de Argollo de Menezes, s.m.n.

3.7.   D. Joana Telles de Menezes, bat. a 9.3.1654, ib, e casada com o licenciado Bartolomeu Soares, senhor de engenho, que obteve sesmaria no Recôncavo a 29.5.1684, sendo vereador do Senado da Câmara em 1694. Nas actas da Câmara é referido como «pessoa abonada e segura». Em 1684 pagou o que devia o tesoureiro, de que foi fiador. S.g.

4.      Paulo de Argollo, fidalgo da Casa Real (30.1.1711), senhor das fazendas e engenhos S. Miguel das Almas, na freguesia de Nª Sª do Socorro (Baía), onde foi baptizado a 20.5.1646, e de Stº António de Cinco Rios, na freguesia de Nª Sª do Monte do Recôncavo (S. Francisco do Conde, Baía), onde viveu, sendo juiz ordinário de S. Francisco do Conde em 1711 e irmão da Santa Casa da Misericórdia da Baía (15.4.1696). Casou a 18.2.1692 no engenho de Copacabana com sua parente D. Inez de Gusmão, nascida possivelmente em 1674 e falecida depois de 1760. Era filha única de Miguel Rodrigues de Gusmão (que no Brasil também aparece, certamente por erro, como Manuel), cavaleiro da Ordem de Cristo (26.2.1680), irmão da Stª Casa da Misericórdia da Baía (24.9.1678), natural da Baía, onde instituiu uma capela (cuja extinção em 1800 obteve D. Leonor Antónia Francisca de Queiroz, viúva de seu neto, referida adiante), e de sua mulher (casados em 1673) D. Maria de Teive e Gusmão (que também aparece documentada como D. Maria de Souza), natural da Baía, que a 24.10.1664, sendo referida apenas como D. Maria, teve promessa real de 50.000 reais de pensão, com o hábito de Cristo, para quem com ela casar, pelos serviços de seu pai Belchior Barreto de Teive (como já ficou dito acima, mercê esta confirmada a 27.11.1673 - RGM, Ordens, 9, 263). Esta D. Maria, baptizada a 20.4.1644 na Sé da Baía, teve um curto 1º casamento, sem geração, com João Soares Brandão, e era irmã de Pedro de Teive Barreto ou Barreto de Teive, baptizado a 29.10.1639, ib, arcediago da Sé da Baía e capelão fidalgo da Casa Real com 1.280 réis de moradia (29.12.1664), que a 7.8.1655 teve o hábito de noviço da Ordem de Avis, com a pensão de 20.000 reais (16.4.1657), depois acrescida de mais 10.000 reais (7.3.1663); de João de Teive Barreto, baptizado a 9.7.1646, ib, como António, mudando o nome para João no crisma, que faleceu solteiro sem geração; e de D. Joana de Teive Barreto, baptizada a 25.6.1648, ib, que casou com o capitão Gaspar Maciel de Sá. Eram todos filhos e D. Maria sucessora do capitão Belchior Barreto de Teive, fidalgo da Casa Real (1663), falecido a 7.9.1663, ib, e sepultado no mosteiro do Carmo, e de sua mulher D. Clara de Souza, ambos já largamente referidos acima. Esta D. Clara, nascida cerca de 1621, ib, era irmã de António Ferreira de Souza, que a 22.10.1646 teve o hábito de cavaleiro noviço da Ordem de Santiago, por estar casado com D. Antónia Bezerra, filha de Luiz Bártolo e sua mulher D. Maria Furtado, sendo nesta mercê referido como filho de Eusébio Ferreira e sua mulher D. Catarina de Souza. De facto, eram ambos filhos de Eusébio Ferreira, natural de Porto Santo (Madeira) e falecido a 1.11.1636 na Baía, e de sua mulher (casados a 13.5.1603, ib) D. Catarina de Souza, falecida a 21.8.1649, ib, e sepultada no mosteiro do Carmo. Esta D. Catarina era filha de Belchior de Souza Drummond e de sua mulher D. Mécia de Armas (filha de Luiz de Armas, cavaleiro da Casa Real, e de sua mulher Catarina Jacques), e neta paterna de João Gonçalves Drummond 7, fidalgo, documentado em Ilhéus em 1552, e de sua mulher D. Marta de Souza, outra das donzelas que foi para o Brasil, conforme já ficou referido na introdução. Aquele Miguel Rodrigues de Gusmão (que não se percebe donde lhe veio este nome, usado por sua mulher) era filho de Gregório Rodrigues Varella e sua mulher Maria Bernardes. Teve 50.000 reais de pensão e a Ordem de Cristo, conforme prometido a sua mulher, pelos serviços de seu sogro o capitão Belchior Barreto de Teive, sendo ele, Miguel, como se diz no respectivo processo 8, «pessoa nobre, morador na cidade da Baía, onde tem servido os melhores cargos da república», gozando «de todos os foros de nobre, por se tratar com semelhante luzimento, tendo em seu serviço criados, cavalos e escravos». O antedito capitão Belchior Barreto de Teive era filho de Pedro de Teive y Guzmán (irmão do 1º marquês de La Fuente e 1º conde de Benazuza), nascido em Madrid cerca de 1600, e de sua mulher D. Leonor Barreto, com quem casou na Madeira cerca de 1619; neto paterno de Belchior de Teive, nascido cerca de 1555 na Madeira (filho dos morgados da Ribeira Brava), gentil-homem de D. Filipe II de Espanha, um dos quatro ouvidores da sua câmara e membro do Conselho de Guerra, superintendente da fazenda real em Lisboa (1607), lente da Universidade de Coinbra, genealogista, etc., e de sua mulher (casados cerca de 1598, embora Alão diga que casaram em 1602) D. Mariana Tello de Guzmán, 4ª senhora dos mayorazgos de Lerena e Benazuza, filha herdeira de  D. Pedro Tello de Guzmán, senhor do mayorazgo de Lerena, alcaide-mor de Sevilha, cavaleiro da Ordem de Santiago e dos 24 de Sevilha, aí falecido velho com testamento de 4.11.1613, e de sua 1ª mulher e prima D. Mariana Ponce de León, senhora do mayorazgo de Benazuza, ambos descendentes da principal fidalguia sevilhana. D. Pedro era bisneto de D. Luiz de Guzmán, 2º senhor de la Algaba, e trineto de D. Juan Ponce de León, 2º conde dos Arcos e marquês de Cádiz. Antes de ser cavaleiro da Ordem de Cristo, Miguel Rodrigues de Gusmão teve a 22.9.1678 mercê real de 50.000 reais de pensão e promessa em bens da Ordem de Cristo, por estar casado com D. Maria de Teive. 

4.1.   José de Argollo de Gusmão, fidalgo da Casa Real (24.3.1711), nasceu em 1693 e faleceu solteiro, s.g. A 18.8.1718 foi nomeado capitão de Infantaria do regimento do coronel Egas Moniz Barreto, e a 16.16.1719, por carta patente do governador-geral do Brasil, o conde de Vimeiro D. Sancho de Faro e Souza, foi feito capitão-mor de Nª Sª do Monte de Recôncavo (AHU-Bahia, c. 10, d. 54), tendo a 8.2.1720 rquerido ao rei D. João V carta patente deste posto (AHU-Bahia, c. 10, d. 98).

4.2.   D. Joana Maria de Argollo e Gusmão, nascida na Casa Grande do engenho de Cinco Rios. Casou a 27.2.1729, ib, com João Pereira Barbosa de Araújo, filho de António Barbosa de Araújo e de sua mulher D. Mónica de Menezes.

4.2.1.   António Barbosa de Argollo e Araújo, bat. a 1.2.1730 em Iguape, vivia solteiro em 1772.

4.2.2.   D. Ana, bat. a 5.1.1731, ib., fal. solteira antes de 1772.

4.2.3.   D. Mónica Maria de Menezes, que faleceu solteira em 1776, em Iguape, freguesia de Santiago.

4.2.4.   José Pereira de Argollo e Araújo, padre, já fal. em 1772.

4.2.5.   D. Joana, fal. solteira antes de 1772.

4.2.6.   D. Rosa, bat. a 1.1.1735, ib.

4.2.7.   D. Antónia, bat. a 15.5.1737, ib.

4.2.8.   D. Ana Maria de Monserrate, solteira em 1772.

4.2.9.   Manuel Xavier do Nascimento Pereira Barbosa de Araújo, padre, fal. depois de 1772.

4.3.   Paulo de Argollo e Gusmão, que segue no nº 5.

4.4.   Miguel Bernardino de Argollo, fidalgo da Casa Real (24.3.1711), s.m.n.

4.5. João de Teive Barreto e Argollo, fidalgo da Casa Real (21.4.1714), pessoa de grande fortuna, bat. a 6.9.1711 na capela de Stº António da casa da fazenda e engenho de Cinco Rios, sucedeu na fazenda e engenho de S. Miguel das Almas, na freguesia de Nª Sª do Socorro, e faleceu depois de 1784, ano em que, sendo viúvo, testemunhou um casamento. Casou com D. Ana Joaquina Marques de Almeida (já viúva, s.g. de Luiz Bardalho de Negreiros Corte Real), falecida a 17.2.1771, sem testamento mas com inventário de menores de 17.2.1772, deixando uma fortuna avaliada em 49.615.722 réis, ficando tutor o pai, que deu contas a 10.10.1785. Era irmã do mestre de campo Bernardino Marques de Almeida, ambos filhos de André Marques, capitão e contratador, cavaleiro da Ordem de Cristo, e de sua mulher D. Isabel de Almeida.

4.5.1.   Paulo de Argollo e Teive, fidalgo da Casa Real (3.8.1783), nascido em 1758, pois tinha 13 anos quando do inventário. Casou antes de 1780 com sua prima-direita D. Francisca Clara de Queiroz e Argollo, referida abaixo, filha de Paulo de Argollo e Gusmão, no nº 5.

4.5.1.1.  ?João de Teive de Argollo e Queiroz, capitão das milícias de Marinhas da Praia (confirmação real de 9.5.1803), cargo para que fora nomeado a 12.7.1802 pelo governado Francisco da Cunha e Menezes, sendo aí o posto referido como capitão do Regimento de Milícias das Marinhas de Pirajá. Tudo indica que fosse filho de Paulo de Argollo e Teive e o João de Teive e Argollo que casou com D. Maria da Assunção Freire de Carvalho e foram, nomeadamente, pais de:

4.5.1.1.1.    Miguel de Teive e Argolo, coronel, nascido em Cotegipe (Baía), que casou antes de 1842 com sua prima D. Maria Murtha Ferrão de Pina e Mello, nascida a 7.5.1822 na Casa Grande da Cajaíba, em cujo oratório foi bat. a 13.1.1824, referida abaixo no §2, filha do coronel José Maria de Pina e Mello de Argollo e Queiroz.

4.5.1.1.1.1. D. Maria Capitulina de Teive e Argollo, nascida a 26.10.1842 em Salvador e D. Maria Capitulina de Teive e Argollofalecida a 9.1.1882 em São Francisco do Conde. Casou a 31.10.1863 com seu primo o doutor Garcia Dias Pires de Carvalho e Albuquerque, senador e deputado à Constituinte, advogado, secretário do Governo da Baía, nascido a 20.9.1840 em Salvador e falecido em 15.5.1917 no Rio de Janeiro, referido adiante, filho dos 1ºs viscondes da Torre de Garcia d'Ávila. C.g. 

que, por morte do cunhado, herdou a Torre de Garcia d'Avila, que vendeu a Laurindo Regis (Revista do IPHAN, nº 3, de 1939).

4.5.1.2.   D. Maria Luiza de Teive e Argollo, 1ª viscondessa de Pirajá pelo casamento, falecida a 19.4.1854 emVisconde de Pirajá Santo Amaro (Baía). Casou cerca de 1812 com Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, 1º barão (5.5.1826) e 1º visconde (12.10.1826) de Pirajá, com honras de grandeza, coronel de linha, brigadeiro graduado, benemérito da Independência, grande do Império, gentil-homem da Imperial Câmara, dignitário da Imperial Ordem da Rosa, comendador das imperiais ordens de Avis e de Cristo, etc., bat. a 13.1.1788 na capela da casa do Unhão, em Salvador (Baía), e falecido a 29.7.1848 em Itapagipe (ib). Era já viúvo, s.g., de D. Josefa Maria de Sá Pitta e Argollo, prima da 1ª mulher, referida abaixo, com quem casou a 28.1.1806. O visconde de Pirajá era filho de José Pires de Carvalho e Albuquerque (1756 - 21.1.1808), secretário de Estado do Brasil, capitão-mor da Baía, senhor dos escravos envolvidos na «Revolução dos Alfaiates» e a quem se deve a lousa armoriada da igreja da Graça (1797), e de sua mulher e prima (casados em 1781) D. Ana Maria de S. José e Aragão, morgada da Torre de Garcia de Ávila, e neto de outro José Pires de Carvalho e Albuquerque (1703 -1774), também secretário de Estado (cargo que comprou), desembargador, membro da Academia dos Esquecidos em 1724, etc., e de sua mulher D. Isabel Joaquina de Aragão; e bisneto de João Pires de Carvalho, coronel de Ordenanças, fazendeiro, etc., e de sua mulher D. Tereza Cavalcanti de Albuquerque. Aquela D. Ana Maria de S. José e Aragão era filha de outro José Pires de Carvalho e Albuquerque (1728-1796), fidalgo da Casa Real, escrivão proprietário da alfândega da Baía (1749), e de sua mulher D. Leonor Pereira Marinho de Aragão, filha herdeira do mestre de campo Francisco Dias de Ávila, morgado da Torre de Garcia de Ávila.

4.5.1.2.1.    D. Ana Maria Pires de S. José e Aragão, nascida em 1813 em Salvador (Baía) e falecida a 30.11.1855 na Baía. Foi a 1ª viscondessa da Torre de Garcia d'Ávila pelo seu 1º casamento, a Visconde da Torre de Garcia d’Avila (coleção de Luiz Guilherme D’Aguiar de Ávila Pires)28.5.1834, com o tio paterno António Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque (a), 1º barão (1.12.1822) e 1º visconde (12.10.1826) da Torre de Garcia d'Ávila, com honras de grandeza (18.7.1841), bat. a 12.2.1785 em Salvador (Baía) e falecido a 5.12.1852, ib, secretário de Estado do Governo do Brasil, notável da independência, gentil-homem da Imperial Câmara, cavaleiro da imperial Ordem de Cristo, coronel de milícias, etc. D. Ana Maria de S. José e Aragão casou 2ª vez com Francisco Elesbão Pires de Carvalho e Albuquerque (b), 2º barão de Jaguaripe, falecido a 16.8.1884, ib, sobrinho do 1º marido, s.g.

4.5.1.2.1.1. (a) Dr. Domingos António Pires de Carvalho e Albuquerque, advogado, sucessor na Torre de Garcia d'Avila, nascido a 11.1.1838 em Salvador e falecido a 3.10.1889 no engenho Periperi (Baía). S.g.

4.5.1.2.1.2. (a) Dr. Garcia Dias Pires de Carvalho e Albuquerque, senador e deputado à Garcia Dias Pires de Carvalho e AlbuquerqueConstituinte, advogado, secretário do Governo da Baía, nascido a 20.9.1840 em Salvador e falecido em 15.5.1917 no Rio de Janeiro. Casou a 31.10.1863 em Gotegipe com sua prima D. Maria Capitulina de Teive e Argollo, nascida a 26.10.1842 em Salvador e falecida a 9.1.1882 em São Francisco do Conde, referida acima, filha do coronel Miguel de Teive e Argollo e de sua mulher e prima D. Maria Murtha Ferrão de Pina e Mello. C.g. que mantém esta varonia até à actualidade.

4.5.1.2.1.3. (a) D. Catarina Álvares Paraguassu Pires de Aragão, nascida a 14.8.1842 em Salvador e falecida em 28.10.1884, ib. Casou com o Dr. Baltazar de Araújo e Aragão Bulcão, advogado, c.g.

4.5.1.2.1.4. (a) D. Leonor Maria de la Penha Deus-Dará Pires Aragão, nascida a 10.9.1843 em Salvador e falecida a 21.2.1888, ib. Casou com seu primo o Coronel José Joaquim de Teive e Argollo, referido acima, c.g. Foi este Coronel José Joaquim que, por morte do cunhado, herdou a Torre de Garcia d'Avila, que vendeu a Laurindo Regis (Revista do IPHAN, nº 3, de 1939).

4.5.1.2.1.5. (a) José Pires de Carvalho e Albuquerque, nascido a 2.2.1845 em Salvador e falecido com 7 anos de idade a 19.3.1852, ib.

4.5.1.2.1.6. (a) Francisco Pires de Carvalho e Albuquerque, nascido a 21.9.1846 em Salvador e falecido com 7 anos de idade a 2.2.1854, ib.

4.5.1.2.1.7. (a) D. Tereza de Jesus Cavalcanti e Albuquerque, baronesa de Mataripe pelo casamento, nasceu a 25.7.1848 em Salvador e faleceu a 13.12.1913 em Stº Amaro (Baía). Casou com o António Muniz Barreto de Aragão, 1º barão de Mataripe, nascido a 5.9.1844 e falecido a 28.7.1922, ib, c.g.

4.5.1.2.2.    José Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, 2º barão de Pirajá, com grandeza (25.3.1849), embaixador do Império do Brasil, etc., bat. com nove meses a 2.2.1815, no engenho Pouco-Ponto, em São Francisco do Conde, e falecido a 15.2.1888, ib. Casou a 14.10.1843 com D. Águeda Maria Zeferina da Silva, nascida a 26.8.1807 em Salvador e falecida a 12.8.1869, ib, filha do capitão-mor Simão Álvares da Silva e sua mulher D. Maria Joaquina Pereira de Andrade. S.g.

4.5.2.   D. Maria Leonor, nascida em 1759 e que já estava casada em 1785, conforme informa o inventário de menores, s.m.n.

4.5.3.   José Joaquim de Teive e Argollo, fidalgo da Casa Real (30.8.1783), 1º vereador do Senado da Câmara de S. Francisco do Conde (1816), nasceu em 1760 e sucedeu na fazenda e engenho de S. Miguel das Almas. Casou com sua prima D. Maria Luiza de Queiroz e Argollo, referida abaixo. 

4.5.3.1.   Miguel José Maria de Teive e Argollo, 1º barão de Pará-Mirim (14.3.1860), nascido em 1802 em Salvador da Baía e falecido a 13.10.1863 no seu engenho de S. Miguel das Almas. Fez aos 20 anos de idade a campanha da Independência, como capitão de Infantaria de Milícias. Comandante e tenente-coronel da Guarda Nacional do município da Vila de S. Francisco (1839), teve as honras de coronel honorário do Exército (1864), se bem que em 1847 já apareça como coronel. Foi fidalgo da Casa Imperial, comendador da imperial Ordem de Cristo, cavaleiro da imperial Ordem do Cruzeiro, e tinha a medalha da Independência da Baia. Casou com sua prima D. Bernarda Maria de Teive e Argollo, s.m.n.

4.5.4.   D. Antónia Marcelina, nascida em 1763, solteira em 1785, s.m.n.

4.5.5.   D. Isabel Luiza Marques, nascida em 1767, que já tinha falecido em 1785, conforme informa o inventário de menores.

4.5.6.   António Feliciano de Teive e Argollo, fidalgo da Casa Real (30.8.1783), nascido em 1768, já tinha falecido em 1785, conforme informa o inventário de menores.

5.       Paulo de Argollo e Gusmão, fidalgo da Casa Real (24.3.1711), vereador do Senado da Câmara da Baía, alferes do Regimento da Baía, familiar do Stº Ofº (2.1.1771), obteve em 1777 lugar no convento de Stª Clara do Desterro para quatro das suas dez filhas. Abastado proprietário de terras, sucedeu nomeadamente no engenho da Pitanga, em fazendas e engenhos em Piedade, e na fazenda e engenho de Cinco Rios (Nª Sª do Monte do Recôncavo, Baía), onde viveu, e em cuja capela de Stº António foi baptizado a 10.6.1708, sendo padrinho José Telles de Menezes e D. Ana de Argollo, e onde faleceu a 21.6.1779, sem testamento mas com inventário de menores de 27 de Agosto desse ano, deixando aos filhos uma fortuna avaliada em 48.096.646 réis de renda (o total da fortuna do casal montava a 173.528.029 réis), tendo ficado tutora sua mulher, por provisão régia de 5.10.1780, a qual deu contas a 13.5.1783, 2.6.1802 e 24.3.1810. Na justificação de nobreza (18.2.1780) de seus filhos 9 diz-se que a família «era muito nobre, que se tratavam com cavalos e creados e todo o mais estado pertencente à Nobreza, servindo no Púlpito e o Militar os lugares expostos que só servem as pessoas de conhecida e notória Nobreza». Pelas legítimas de seus filhos documenta-se que possuiu mais de 500 escravos, que trabalhavam nas suas fazendas e engenhos. A 13.11.1778 requereu à rainha D. Maria I provisão para o ouvidor-geral da comarca da Baía fazer tombo das terras pertencentes ao seu engenho de moer açúcar denominado Pitanga, situado na vila de S. Francisco (AHU-Bahia, c. 178, d. 92). Casou a 7.1.1748 na Baía (freguesia de S. Pedro) com D. Leonor Antónia Francisca de Queiroz (no casamento aparece apenas como D. Leonor Antónia de Queiroz), nascida cerca de 1730 e falecida viúva a 10.6.1816 na Casa Grande de Cinco Rios. Já viúva, requereu em 1800 a abolição da capela instituída por Miguel (ou Manuel) Rodrigues de Gusmão (Anais do BA, v.37, p.54), avô materno de seu marido, como ficou referido. Em 1796 vivia no seu engenho de S. Lourenço. Era filha do capitão António Gonçalves da Rocha e de sua mulher (casados cerca de 23.10.1722, data em que ela obteve autorização do Stº Ofº para casar, após inquirições de genere, insertas no processo do marido) D. Luiza de Queiroz e Araújo, «dos Queirozes de Amarante»10, sucessora, que faleceu a 23.8.1770 e foi sepultada em São Francisco. Esta D. Luiza casou 2ª vez com o doutor Manuel Vieira Pedrosa da Veiga, juiz de fora (27.10.1733), desembargador da Relação da Baía (6.2.1741), cavaleiro da Ordem de Cristo (6.9.1751), familiar do Stº Ofº, nascido em Trancoso e falecido em 1770 na Baía, s.g. Aquele capitão António Gonçalves da Rocha   11 era natural de Lanhezes (Viana do Castelo) e falecido 8.11.1740 na Baía. Foi cavaleiro da Ordem de Cristo, com 12.000 reais de tença (12.12.1733)12, e era mestre de campo quando foi nomeado capitão comandante da fortaleza da ilha de Itaparica (18.6.1716) e do forte de S. Lourenço da Ponte das Baleias (18.3.1717)13, na mesma ilha (ilha grande em frente a Salvador da Baía), este último forte que fez à sua custa em 1716. Foi ainda familiar do Santo Oficio (8.11.1701)14, provedor (1726) e irmão da Santa Casa da Misericórdia da Baía (24.6.1716), senhor de vários engenhos, nomeadamente o de Itatingui e o do Meio, etc. Em 1739 diz ter 66 anos de idade, que pertencia à ordem dos vereadores e capitaneava a fortaleza de S. Lourenço. A 11.2.1733 teve mercê de um tença de 8.000 reais. Para mais informação ver adiante o que digo em ARAÙJO DE GÒIS, família de que descendia D. Leonor Antónia Francisca de Queiroz por ambos os seus avós, António de Araújo de Góis e Sequeira e sua mulher D. Maria de Queiroz Cerqueira, onde também trato a origem dos Queiroz de Amarante.

5.1.    Miguel Jerónimo de Argollo e Queiroz, fidalgo da Casa Real (12.6.1780), coronel de Milícias (23.1.1796) e mestre de campo (2.2.1805) de Infantaria do Terço das Marinhas de Pirajá, na Baía (Anais, 1914, vol. 36),  senhor do engenho da Pitanga, etc. Foi bat. a 3.1.1753 na capela de Stº António de Cinco Rios, sendo padrinhos os tios, D. Luiza de Queiroz e seu marido o desembargador doutor Manuel Vieira Pedrosa da Veiga. Faleceu solteiro e teve na legítima de seu pai o engenho da Pintanga, com sua fábrica, casas e acessórios, quintãs, casa de habitação, capela, terras de pasto e de plantar cana, escravos (cerca de 100), utensílios, gado (cerca de 140 cabeças), etc. A 7.8.1796 teve carta patente da rainha D. Maria I confirmando-o no posto de mestre de campo do Terço de Infantaria Auxiliar das Marinhas de Pirajá, na Baía (AHU-Bahia, c. 202, d. 4). A 7.8.1798 fez justificação dos seus serviços e dos de seu avô materno o capitão António Gonçalves da Rocha, para pedir a Ordem de Cristo (Anais, 1914, vol. 36).

5.2.    D. Luiza Clara de Queiroz e Argollo, que segue no §2.

5.3.   José Joaquim de Argollo e Queiroz, tenente-coronel de Cavalaria (1818), fidalgo da Casa Real (17.6.1780), com 12.000 reis de moradia, que aEscudo de armas dos Argollo (Argollo, Queiroz, Gusmão e Rocha), conforme se encontra no jazigo do barão de Cajaíba 21.2.1780 teve carta de armas para Argollo, Queiroz, Gusmão e Rocha, cavaleiro da Ordem de Cristo (5.5.1779), familiar do Stº Ofº (16.3.1779), sargento-mor do Regimento de Milícias da vila de S. Francisco do Conde (12.1.1805). Foi tenente, ajudante (11.11.1785) e capitão (30.8.1798) de Cavalaria do Regimento de Auxiliares da Baía. Foi vereador ao Senado da Câmara da Baía (1803), senhor (com sua irmã D. Luiza Clara e seu marido o capitão Luiz Carlos de Pina e Mello) da Ilha de Cajaíba, no município de S. Francisco do Conde, onde construíram engenho e casa grande, e senhor do engenho de Itatingui ou Catingui. Quando, com seus irmãos, justificou a sua nobreza (18.2.1780) era alferes cadete do Regimento da Baía, posto que já ocupava quando a 11.11.1779 requereu à rainha D. Maria I licença para ir à Corte em Lisboa por um ano (AHU-Baia, c. 180, d. 8). Foi bat. a 29.9.1756 na capela de Stº António de Cinco Rios, pelo Padre Simão de Queiroz, sendo padrinhos os mesmo de seu irmão Miguel. De sua legítima, além de dinheiro, ficou com roupas de seda bordadas a fio de prata, objectos de prata e ouro (entre eles uma medalha de ouro e diamantes do Santo Ofício), etc. Casou cerca de 1792 com D. Maria Joaquina Gomes Ferrão Castello-Branco, irmã do coronel Alexandre Gomes Ferrão Castello-Branco, deputado às Cortes de Lisboa pela Baía, e de D. Joana Ferrão Castello-Branco, referidos adiante no §2, e todos filhos do tenente-coronel José Diogo Gomes Ferrão Castello-Branco e de sua mulher D. Maria Sofia de Araújo e Azevedo, que já estavam casados quando ela recebeu em S. Francisco do Conde a 12.7.1770 a legítima de seu pai, então avaliada em 2.378.476 réis. Este Diogo Gomes Ferrão Castello-Branco era irmão de Alexandre Gomes Ferrão Castello-Branco, coronel de Ordenanças, fidalgo cavaleiro da Casa Real e cavaleiro da Ordem de Cristo (22.6.1735), ambos filhos de António Gomes, fidalgo cavaleiro da Casa Real e cavaleiro da Ordem de Cristo (29.1.1688), n. na Baía, e de sua mulher D. Maria Francisca Castelo-Branco, baptizada em Lisboa (S. João da Barra); netos paternos de Pedro Gomes, natural de Arcos de Valdevez mestre de campo pago na Baía, governador do Rio de Janeiro, fidalgo cavaleiro da Casa Real e cavaleiro da Ordem de Cristo, e de sua mulher D. Isabel Madeira, n. na Baía; e netos maternos do Dr. Pedro de Unhão de Castello-Branco, desembargador, e de sua mulher D. Damiana Francisca da Silva Ferrão, naturais de Lisboa.

5.3.1.   José Maria de Argollo Ferrão, sucessor no engenho de Itatingui ou Catingui e em parte do da ilha de Cajaíba, onde nasceu em 1793 e faleceu solteiro.

5.3.2.   D. Maria José Gomes Ferrão de Argollo, nascida em 1795 na Casa Grande de Cajaíba e falecida a 24.11.1843. Casou com Joaquim da Costa Pinto Simões, falecido a 9.1.1837, senhor do «encapelado» de Bento Simões, filho primogénito do capitão António da Costa Pinto. 

5.3.3.    D. (...)  de Argollo Ferrão,  que casou com (...) de Araújo.

5.3.3.1.   D. Leonor Antónia de Araújo e Argollo, que tocou a coroa no baptismo a 6.5.1849 de seu primo Alexandre Gomes de Argollo Ferrão, referido adiante.

5.3.3.2.   João de Araújo e Argollo, capitão, sobrinho do major Jerónimo Felisberto Gomes de Argollo Ferrão, que o nomeou seu testamenteiro em primeiro lugar.

5.3.3.3.   ?D. Leopoldina de Argollo, sobrinha do major Jerónimo Felisberto Gomes de Argollo Ferrão, que lhe deixou 100.000 réis.

5.3.3.4.   ?D. Cora de Argollo, sobrinha do major Jerónimo Felisberto Gomes de Argollo Ferrão, que lhe deixou 100.000 réis.

5.3.4.   D. Joaquina Amélia de Argollo Ferrão, herdeira de seu irmão o major Jerónimo Felisberto Gomes de Argollo Ferrão. Casou com (...) Moniz.

5.3.4.1.   ?Paulo de Argollo e (Brotelo), capitão, afilhado do major Jerónimo Felisberto Gomes de Argollo Ferrão, que o nomeou seu testamenteiro em terceiro lugar.

5.3.5.   Jerónimo Felisberto Gomes de Argollo Ferrão, major, nascido em 1797 na Casa Grande de Cajaíba, foi administrador da quinta dos Lázaros, em Salvador da Baía, e faleceu em 1871 em Sergipe do Conde, solteiro, sem geração. No testamento (7.5.1836) de seu primo o coronel José Maria de Pina e Mello de Argollo e Queiroz, adiante, é referido como o sargento-mor Jerónimo Felisberto Gomes de Argollo Ferrão. Fez testamento a 1.4.1871. A pedido de sua irmã herdeira foi passado o seguinte traslado: «Tiburcio Tavares de Oliveira Escrivão da Provedoria nessa Villa de São Francisco da Barra de Sergipe do Conde por Mercê de Serventia Vitalícia, conferido para sua Magestade Imperial e Constitucional o Senhor Dom Pedro Segundo Imperador e defensor do Brazil e Quem Deos Guarde e certifico aos que aprezente a minha certidão virem, que meo (puder) e cartório do dito officio que Sirvo, se acha um Livro sob numero doze que servi para registro de testamento, o qual lhe próprio e idêntico de que trata e dou fé, e revendo-o a coisa que me foi pedido por certidão pela Supplicante Dona Joaquina Amélia de Argollo Ferrão n'ella a folha vinte e seis, se acha o registro do testamento com que faleceo o Major Jeronimo Felisberto Gomes de Argollo Ferrão de qual o seo theor de verbo (...) he da forma modo e (...) seguinte: «Testam.to de f.26 (..) f. 29. Registro do testamento com que faleceo o Major Jeronimo Felisberto Gomes d' Argollo Ferrão morador n'esta Freguesia de São Gonçalo, feito e approvado no primeiro de abril de mil oitocentos e setenta e um e aberto no dia dois do dito mêz, Testamenteira Dona Joaquina Amélia de Argollo Ferrão Muniz; e conta e tempo da Lei , e d'elle o seo theor é o seguinte. Em nome de Deos Amen e Eu o Major Jeronimo Felisberto Gomes de Argollo Ferrão, estando doente de cama, porém em meo perfeito juízo, e entendimento, faço este meu testamento pela maneira seguinte. Primeiro declaro que sou filho legitimo dos falecidos Tenente Coronel Jozé Joaquim de Argollo, e Donna Maria Joaquina Gomes Ferrão CasteloBranco; Segundo declaro que nunca fui Casado e que no estado de solteiro nunca tive filhos; Terceiro Institulo a minha Irmã Donna Joaquina Amélia d'Argollo Ferrão e Muniz por minha herdeira de que ficar dos meus bens depois de cumpridos os meus legados e deposições; Quarto Deixo a minha Afilhada Dona Leopoldina de Argollo cem mil reis, a Donna Cândida Xavier da Cunha igual a quantia de cem mil reis e minha Afilhado Izabel Maria Borges cem mil reis; Quinta Deixo a minha sobrinha Donna Cora de Argollo cem mil reis; Sexta Deixo igual quantia de cem mil reis a Donna Maria Barbosa Gomes e a Dona Maria Joaquina outros cem mil reis, em consideração aos serviços que me tem prestado na minha enfermidade; Septina Nomeio por meus testamentos em primeiro lugar o meu Sobrinho João de Araújo e Argollo, em segundo lugar a minha Irmã Donna Joaquina Amália de Argollo Ferrão Muniz e em terceiro o meu Afilhado o capitão Paulo de Argollo e (Brotelo) E por esta forma hei por findo este meu testamento, que pedi a Antonio Frutctuozo da Silva Faria o escrevesse, e n'elle me assigno na Villa de São Francisco primeiro de abril de mil oitocentos e setenta e um; Jeronimo Felisberto Gomes de Argollo Ferrão Coroa testamento que o escreveu Antonio Fructuozo da Silva Farias a Approvação e Saibão quanto este publico instrumento de approvação do testamento virem que no anno do Nascimento de Nosso senhor JEzús Christo de mil oitocentos e setenta e um ao primeiro dia do mez de Abril do dito annon'esta Villa de São Francisco da Barra de Sergipe do Conde e Cazas de rezedencia do testador o Major Jeronimo Felisberto Gomes de Argollo Ferrão, onde eu o Tabellião visa a seu chamado e sendo ahi prezente o mesmo testador, doente de cama, porém em seo perfeito juízo e entedimento ao parecer de mim Tabellião, e das testemunhas prezentes, do que dou fé bem como de ser próprio de mim conhecido, e em prezençã das mesmas testemunhas ao diante nomeadas e assignadas me entregou esse papel, dizendo-me ser o seu solemne testamento que depois de escripto por mim».

5.3.6.   Alexandre Gomes de Argollo Ferrão, 1º barão de Cajaíba (18.7.1841) com honras de grandeza (25.3.1849), marechal do Exército1º barão de Cajaíba (25.9.1852), presidente (1865) e vice-presidente (10.4.1838, durante 20 anos) da província da Baía, governador das Armas da Baía (13.9.1831 - exonerado a seu pedido a 23.7.1835), deputado pela Baía às Cortes portuguesas de 1821, moço fidalgo (11.4.1826) e vedor (14.3.1860) da Casa Imperial, comendador da Ordem de Avis, comendador e oficial da Ordem de Cristo, foi condecorado com a medalha destinada ao exército que expulsou da província da Baía as tropas portuguesas. A 20.2.1822 emigrou para o Recôncavo, onde fez a campanha da Independência. Encarregado da polícia das vilas de Santo Amaro e S. Francisco do Conde (19.4.1831), comandou a brigada que venceu os revoltosos da denominada «Sabinada» (27.11.1837). Assentou praça com 6 anos de idade como 1.º cadete (21.10.1807) na 8.ª Companhia do 2.º Regimento de 1.ª Linha, passando depois para a 2.ª Companhia do 1.º Batalhão de Caçadores, na mesma praça (1.4.1810), alferes do 2.º Batalhão de Caçadores (21.7.1818), tenente (13.5.1820), capitão (10.9.1824), sargento-mor do 14.º Batalhão de Caçadores, tenente-coronel graduado (30.1.1826), tenente-coronel efectivo (20.8.1838), coronel (29.11.1838), em remuneração dos serviços que prestou ao governo legal, por ocasião da revolta da «Sabinada», e brigadeiro graduado (2.11.1842), sendo reformado no posto de marechal. Nasceu em 1801 na Casa Grande de Cajaíba, acabando, com sua mulher, também co-herdeira, por ser o principal possuidor da ilha, onde faleceu a 10.5.1870, sendo sepultado em túmulo no cemitério do Campo Santo, em Salvador, em jazigo armoriado com o escudo de armas concedido a seu pai. Casou a 1.11.1831, tinha a noiva 15 anos de idade, com sua prima D. Eudóxia Cândida Ferrão de Pina e Mello de Argollo e Queiroz, baronesa de Cajaíba, adiante no §2, falecida a 24.12.1858, «da Epidimia», sendo sepultada na capela do engenho São José da vila de S. Francisco do Conde. Quando estava a estudar em Salvador, Alexandre Gomes de Argollo Ferrão teve um filho ilegítimo em Felicidade Perpétua, moça solteira do povo, falecida a 27.3.1866 na Baía, que legitimou na sequência da sua brilhante carreira militar.

5.3.6.1.    (N) Alexandre Gomes de Argollo Ferrão, 1º visconde de Itaparica com honras de grandeza (26.12.1868), marechal1º visconde de Itaparica e comandante em chefe do Exército que combateu na guerra do Paraguai, grande do Império, grande dignitário da Imperial Ordem da Rosa, dignitário da Imperial Ordem do Cruzeiro, comendador da Imperial Ordem de S. Bento de Avis, cavaleiro da Imperial Ordem de Cristo, condecorado com as medalhas de Mérito e Bravura Militar e da Campanha do Paraguai. Nasceu a 8.8.1821 em Salvador, filho natural da referida Felicidade Perpétua, e faleceu solteiro a 28.6.1870, na Baía, na sequência de ferimentos que recebera na batalha de Itorocó. S.g. 

5.3.6.2.   José Joaquim Francisco Gomes de Argollo Ferrão, o primogénito legítimo, nascido a 26.12.1841 na Casa Grande de Cajaíba, em cujo oratório foi bat. com sete anos, a 6.5.1849, sendo padrinho o coronel Miguel José Maria de Teive e Argollo e marinha sua avó paterna D. Maria Joaquina Gomes Castello-Branco. Faleceu a 16.9.1861 em Starnberg, na Baviera, onde estava a estudar.

5.3.6.3.   D. Maria Augusta Gomes de Argollo Ferrão, nascida a 12.12.1844 na Casa Grande de Cajaíba, em cujo oratório foi bat. com quatro anos, a 6.5.1849, sendo padrinho o tenente-coronel Manuel José de Almeida Couto e marinha sua tia D. Elisa Amália de Argollo Pina e Mello. Casou com o Doutor José de Saldanha da Gama, director da Escola Politécnica de Rio de Janeiro, falecido a 8.9.1905. S.g.

5.3.6.4.  Alexandre, filho legítimo homónimo do ilegítimo, acima, que nasceu em 1846 e faleceu com um ano de idade a 24.1.1847, «de um achaque respiratório», tendo sido bat. em casa por estar em perigo de vida, sendo sepultado num carneiro no convento dos franciscanos.

5.3.6.5.  Alexandre Gomes de Argollo Ferrão, filho legítimo homónimo do ilegítimo, acima, nasceu a 22.9.1847 na Casa Grande de Cajaíba, em cujo oratório foi bat. com os irmãos a 6.5.1849, sendo padrinho o major José Diogo Ferrão de Pina e Mello, seu tio materno, e Nª Senhora, tendo posto a coroa D. Leonor Antónia de Araújo e Argollo. Foi conhecido por «o Barãozinho» e morreu a 3.9.1878, assassinado às três da madrugada por seus próprios escravos do engenho de Catingui. Sucedeu ainda na administração do engenho de Cajaíba e foi o representante genealógico da família Argollo. Casou com D. Clara Luiza Moniz Viana, que lhe sobreviveu.

5.3.6.5.1.    D. Maria Augusta Viana Ferrão de Argollo, nascida a 6.1.1875 em S. Francisco do Conde e fal. a 1.7.1944 no Rio de Janeiro, aparentemente a herdeira da representação genealógica da família Argollo. Casou a 24.6.1897 em S. Francisco do Conde com seu primo o Dr. Luiz de Araújo de Aragão Bulcão, nascido a 5.3.1873, ib, e fal. a 12.6.1914 no Rio de Janeiro, filho do 3º barão de S. Francisco (24.03.1881), António de Araújo de Aragão Bulcão, vice-presidente da província da Bahia (1878), governador de Sergipe (1867-8), bacharel em Direito pela Faculdade do Recife (1854), juiz municipal e dos órfãos de Santo Amaro (6.3.1860), juiz municipal da 2ª vara de Salvador (18.10.1862), presidente do Instituto Baiano de Agricultura (1880-1905), presidente do Conselho Municipal de S. Francisco do Conde (1899), senhor dos engenhos Água, Guaíba e Quicengue, etc., e de sua 2ª mulher (casados a 10.11.1860) D. Maria José Moniz Viana. C.g. (foram pais, nomeadamente, de Alexandre de Argollo de Aragão Bulcão, n. a 18.10.1905 em Salvador e fal. a 8.11.1929, ib)

 5.3.6.6.  D. Maria Josefina Gomes de Argollo Ferrão, nascida em 1850 na Casa Grande de Cajaíba. Casou com o Doutor Clemente de Oliveira Mendes, s.g.

5.3.6.7.  Eusébio Gomes de Argollo Ferrão, nascido em 1852 na Casa Grande de Cajaíba, foi capitão na guerra do Paraguai e fal. solteiro, s.g.

5.3.6.8.  D. Ana Matilde Gomes de Argollo Ferrão, nascida em 1856 na Casa Grande de Cajaíba, onde faleceu solteira.

5.3.6.9.  D. Maria Idalina Gomes de Argollo Ferrão, nascida em 1857 na Casa Grande de Cajaíba, onde faleceu solteira.

5.3.6.10.  José Joaquim Gomes de Argollo Ferrão, nascido em 1858 na Casa Grande de Cajaíba, onde faleceu jovem.

5.3.7.   Felisberto Gomes de Argollo Ferrão, capitão, nascido cerca de 1802 e fal. a 12.10.1876, ib. Foi irmão da Santa Casa da Misericórdia da Baía (14.6.1847), documento onde vem referido como Tenente Felisberto Gomes de Argollo Ferrão. Casou cerca de 1830 com D. Urânia Vanério, falecida a 3.12.1849, ib., filha do doutor Euzébio Vanério, deputado por Sergipe, professor do Liceu da Baía (1818) e depois de fundador de um colégio particular em Sergipe e Salvador. O doutor Euzébio Vanério ofereceu a D. João VI a tradução do Sistema lancasteriano acerca da educação da mocidade, numa carta em que solicitava para ele e sua mulher subsídios para se irem instruir em Inglaterra ou na França na prática deste método, ou ser encarregado de difundir os seus conhecimentos teóricos, sendo para isso admitido ao real serviço. Em Outubro de 1820 este requerimento encontrava-se para ser discutido na Mesa do Desembargo do Paço. Ele teria sido o primeiro a utilizar no Brasil o método lancasteriano, desde 1817, conforme afirmou em ofício que dirigiu a D. Pedro I em 1825, ao oferecer-lhe a Memória concernente ao Ensino Mútuo. Pedia amparo e protecção ao imperador e oferecia-se para auxiliar a educação na Baía como director das escolas elementares da província; instrutor de uma escola normal de adultos e tradutor de algumas obras tendentes ao melhoramento e progresso da educação da mocidade, segundo o método do Ensino Mútuo. Seu pedido certamente não foi atendido, pois no início da década de 30 estava estabelecido com um curso particular de inglês para meninas, auxiliado por sua mulher e netas, em São Cristóvão, capital da província de Sergipe. Em 1838 continuava com sua escola particular em Salvador, e em 1845 o Almanaque da Bahia, de Manuel da Silva Serva, relaciona entre as Casas de Educação particulares existentes em Salvador, a de Euzébio Vanério, localizada na Igreja da Barroquinha, que ensinava todas as matérias primárias, atendendo a meninos e meninas em regime de externato apenas. Por morte do Capitão Felisberto Gomes de Argollo Ferrão foi feito inventário dos seus bens no Tribunal da Relação da Baía, processo onde consta o seguinte documento: «Aos vinte cinco dias do mês de Outubro de mil oitocentos e setenta e seis, nesta cidade da Bahia rua da Menzareia e caza de numero cincoenta e cinco na fazenda de Santa Anna desta cidade onde foi reunido o Doutor Antonio Luiz Affonso de Carvalho Juiz de Direito da vara, comigo (...) cargo abaixo nomeado, ali presente i inventariante Felisberto Gomes de Argollo este defiro o Juiz o juramento aos Santos Evangelhos em um livro delles em que paz na mão direita, e o (...) que sem dolo nem malicia e com verdade declarousse o dia mez e ano em que falleceo seu Pai e sua Mai Felisberto Gomes d'Argollo Ferrão e D. Urânia Vanario d'Argollo Ferrão e os seus herdeiros e os bens deixados pelos mesmo finados. E (...) por elle o dito juramento assim prometo, cumprir, declarando que sua Mai D. Urânia Vaneria d'Argollo Ferrão fallecera em trez de Dezembro de mil oitocentos e quarenta e nove, e seu Pai o Capitão Felisberto Gomes d'Argollo Ferrão no dia doze do corrente mez e annos, e seos mais herdeiros são Fernando Augusto Nobrega por cabeça de sua mulher D. Angélica d'Argollo Nóbrega, D. Olympia d'Argollo Castro, D. Urânia d'Argollo Silvado, Engenheiro Jayme Gomes d'Argollo Ferrão, Capitão Euzébio Gomes d'Argollo Ferrão e o Doutor Manoel Gomes d'Argollo Ferrão. Do que para constar passou este termo em que assignou o mesmo Inventariante».

5.3.7.1.   Jaime Gomes de Argollo Ferrão, engenheiro, tenente da Armada, cavaleiro da Ordem de Avis, nascido Jaime Gomes de Argollo Ferrão (foto cedida por sua bisneta a Drª Carole Vidal, de Paris)4.6.1832 na Baía e falecido 4.2.1931 em Cannes, França. Foi adido militar em Londres e depois viveu em Paris, onde estava a 17.2.1877 quando passou ao referido seu irmão uma procuração para o representar no inventário e partilha dos bens de seus pais, documento onde é referido como tenente da Armada e cavaleiro da Ordem de Avis. Casou em Londres a 8.10.1864 com D. Júlia Pereira de Andrade, nascida a 4.12.1842 no Rio de Janeiro e falecida a 4.9.1929 em Cannes, e tiveram quatro filhos que chegaram à idade adulta: Jaime de Argollo Ferrão, Gastão de Argollo Ferrão, Victor Andrade de Argollo Ferrão (casado em Abril de 1905 com D. Alice de Aragão Bulcão, sendo pais do Prof. Doutor Rodrigo Bulcão de Argollo Ferrão, que foi director da Faculdade de Medicina e do Hospital da Universidade da Baía) e D. Júlia de Argollo Ferrão, nascida a 13.4.1868 no Rio de Janeiro e falecida a 4.6.1948 em Cannes, que casou a 4.2.1890 em Paris com o Eng. Artur Gonçalves da Cunha, nascido no Rio de Janeiro, diplomado em Engenharia pela Ecole Centrale de Paris, com geração que vive em Paris.

5.3.7.2.   D. Angélica Vanério de Argollo, professora no colégio fundado por seu avô materno. Casou com Fernando Augusto Nóbrega, s.m.n.

5.3.7.3.   D. Olímpia Vanério de Argollo, professora no colégio fundado por seu avô materno. Casou com o Doutor Joaquim José da Silva Castro, também ai professor, s.m.n.

5.3.7.4.   D. Urânia Vanério de Argollo, casada com (...) Silvado, s.m.n.

5.3.7.5.   Eusébio Gomes de Argollo Ferrão, capitão, s.m.n.

5.3.7.6.   Manuel Gomes de Argollo Ferrão, doutor, s.m.n.

5.3.7.7.   Felisberto Gomes de Argollo Ferrão, n. em 1841 na cidade da Baía, onde faleceu a 6.2.1889, na paróquia de S. Pedro, dizendo-se no respectivo óbito que era funcionário público aposentado, morador na rua da Lapa, nº 19, de 48 anos de idade, natural da dita cidade, tendo falecido de angina, sendo casado com D. Fausta dos Reis e deixando quatro filhos, chamados: João, de 22 anos; Lídia, de 20; Felisberto, de 14; e Maria, de 10. Como Felisberto Gomes de Argollo recebeu de seu irmão Jaime, a 17.2.1877, uma procuração para o representar no inventário e partilha dos bens de seus pais, que se fez a 25 de Outubro do mês seguinte, sendo ele o inventariante.

5.3.8.    Bernardo, bat. a 3.1.1802 no oratório da casa de vivenda de seus pais, sendo padrinho José Maria de Argollo de Pina e Mello.

5.4.   D. Maria Luiza de Queiroz e Argollo, nascida em 1757. Casou com seu primo José Joaquim de Teive e Argollo, fidalgo da Casa Real (1783), senhor do engenho de S. Miguel das Almas, acima, onde segue.

5.5.   Francisco António Jerónimo de Argollo e Queiroz, que segue no nº 6.

5.6.   D. Francisca Clara de Queiroz e Argollo, nascida em 1759. Casou antes de 1780 com seu primo Paulo de Argollo e Teive, fidalgo da Casa Real (3.8.1783), nascido em 1758, acima, onde segue. 

5.7.   Paulo de Argollo e Queiroz, tenente-coronel, fidalgo da Casa Real (12.6.1780), bat. a 5.8.1760, ib, sendo padrinhos sua avó D. Inez de Gusmão e o chanceler Tomaz Robin de Barros Barreto. Faleceu a 26.5.1816 na Baía (vila de S. Francisco do Conde), sem testamento mas com inventário de menores de 8 de Agosto do mesmo ano, deixando uma fortuna avaliada em 28.536.473 réis e ficando a mulher tutora dos filhos e sendo as partilhas julgadas por sentença de 5.12.1818. Antes de seu irmão mais velho, requereu a 18.3.1795 justificação dos seus serviços, e dos de seu avô materno o capitão António Gonçalves da Rocha, para pedir a Ordem de Cristo (Anais, 1914, vol. 36), onde nomadamente se vê que assentou praça a 12.4.1777 e era então cadete do 2º Regimento de Infantaria da Baía. Casou em 1797 com sua sobrinha D. Maria Benedita de Argollo e Queiroz de Pina e Mello, no §2.

5.7.1.   Luiz Carlos de Argollo e Queiroz, nascido em 1798, pois tinha 18 anos quando do inventário. Da legítima de seu pai, avaliada em 4.076.639 réis, consta uma morada de casas de sobrado na vila, dois hábitos de Cristo, um pequeno de brilhantes e outro de águas marinhas, uma bengala com castão e o mais de ouro, um relógio com caixa e corrente de ouro, esporas, fivelas e florete de prata, seis escravos, um cavalo de montar e o crédito de várias dívidas de familiares.

5.7.2.   José Egídio de Argollo e Queiroz, nascido em 1799, s.m.n. 

5.7.3.   Paulo de Argollo e Queiroz, nascido em 1800, s.m.n.

5.7.4.   Francisco de Paula de Argollo e Queiroz, nascido em 1802, pois tinha 14 anos quando do inventário. Viveu na vila de São Francisco do Conde, casado com D. Gracinda de Mello e Silva.

5.7.4.1.   Francisco de Paula Argollo, marechal, ministro da Guerra, que foi um dos signatários daMarechal Francisco de Paula Argollo Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil. Nasceu a 28.1.1847 em S. Francisco do Conde (Baía) e faleceu a 11.2.1930 no Rio de Janeiro. Era deputado pela Baía quando em 1891 foi um dos signatários da Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil, vindo a ser ministro da Guerra por duas vezes (de 4.1.1897 a 17.5. do mesmo ano, e de 15.11.1902 a 15.11.1904), nos governos de Prudente de Moraes e Rodrigues Alves. Foi depois ministro (24.2.1905) e presidente (18.1.1911 a 26.11.1920) do Supremo Tribunal Militar. Assentou praça em 1866 como voluntário, foi alferes em 1868, tenente em 1869, participando da Campanha do Paraguai. Matriculou-se depois na Escola Militar, sendo capitão em 1871; major em 1888; tenente-coronel em 1890; coronel no mesmo ano; general de brigada em 1893; general de divisão em 1900 e marechal em 1902. Foi deputado pela Baía à Constituinte de 1890 e à primeira legislativa ordinária do Congresso Nacional (1891-1893) e comandante da 1ª Região Militar (1900-2). Em 1892 integrou o diretório do Partido Nacional Democrata, fundado a 25 de Abril em Salvador. Comandou uma brigada em operações no sul do Paraná e liderou as lutas em Niterói, conquistando para República a vitória no combate de Armação, a 9 de Fevereiro do mesmo ano. Foi condecorado com as ordens de Mérito Militar, das Repúblicas Argentinas e do Uruguai, e de Avis e de Cristo. Casou com sua prima D. Maria José Pires de Argollo, filha do Dr. Garcia Dias Pires de Carvalho e Albuquerque e sua mulher e prima D. Maria Capitulina de Teive e Argolo, referidos acima.

5.7.5.   António Gonçalves da Rocha e Argollo, nascido em 1804, s.m.n.

5.7.6.   D. Luiza Clara, nascida em 1807, s.m.n.

5.7.7.   Manuel Inácio de Argollo e Queiroz, nascido em 1813, s.m.n.

5.8.    D. Inez de Queiroz e Argollo, nascida em 1761, para quem seu pai obteve em 1777 lugar no convento do Desterro, onde foi freira.

5.9.    D. Leonor Antónia de Queiroz e Argollo, nascida em 1762, para quem seu pai obteve em 1777 lugar no convento do Desterro, onde foi freira.

5.10.  D. Ana Maria do Nascimento de Queiroz e Argollo, nascida depois de 1763 e falecida menina em 1779.

5.11.  D. Clara de Queiroz e Argollo, nascida em 1765, para quem seu pai obteve em 1777 lugar no convento do Desterro, onde foi freira.

5.12.  D. Antónia de Queiroz e Argollo, nascida em 1766 e casada com seu sobrinho Joaquim Bernardino Falcão de Queiroz e Argollo, referido no §2.

5.13.  D. Mariana Tereza de Queiroz e Argollo, nascida em 1767 e casada com o sargento-mor Gaspar José de Matos Ferreira de Lucena, falecido antes de 1818, s.m.n.

5.14.  D. Maria Rosa de Queiroz e Argollo, nascida cerca de 1768 e falecida depois de 1818. Casou com Luiz de Bettencourt Berenger César, falecido em 1817, s.m.n.

5.15.  Francisco de Paula de Argollo e Queiroz, fidalgo da Casa Real (12.6.1780), que no foro vem, como seus irmãos, filho de Paulo de Argollo, mas que não consta no inventário de menores feito por morte deste em 1779. Como recebeu o foro junto com seus irmãos, pode ter acontecido que tenha falecido em 1779, antes de seu pai, pelo que naturalmente não aparece no inventário, tendo portanto recebido o foro após a sua morte, o que é provável, dado o tempo que naturalmente demorava entre o pedido no Brasil e a mercê em Lisboa.

6.       Francisco António de Argollo e Queiroz, fidalgo da Casa Real (12.6.1780), tenente-coronel do Regimento da Baía, foi abastado proprietário de terras, sucedendo nomeadamente na fazenda e engenho de Cinco Rios, em cuja capela de Stº António foi baptizado a 21.11.1758, sendo padrinhos os tios, D.Luiza de Queiroz e seu marido o desembargador doutor Manuel Vieira Pedrosa da Veiga, e faleceu a 22.9.1800, com apenas 42 anos de idade. Da legítima de seu pai, além da dita fazenda e engenho, com todos os seus pertences e utensílios, casas de engenho, casas de vivenda, capela, escravos (cerca de 200), gado bovino (cerca de 150 cabeças) e cavalar (cerca de 50), ficou com vários objectos de ouro e pratas. Casou a 22.9.1780 em Matain com D. Antónia Tereza de Sá Pitta, filha de António da Rocha Pitta e de sua mulher D. Inácia Marinho Pereira de Macedo; neta paterna de Francisco da Rocha Pitta e de sua mulher e prima D. Rosa Maria Falcão de Magalhães; neta materna do capitão Pedro Marinho e de sua mulher D. Rosa Pereira de Macedo.

6.1.     D. Josefa Maria de Sá Pitta e Argollo, viscondessa de Pirajá, falecida antes de 1810. Casou a 28.1.1806 com Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, 1º visconde de Pirajá, referido acima, s.g.

6.2.   D. Maria José Pitta de Argollo e Queiroz, nascida em 1789 e e falecida solteira a 1.5.1836.

6.3.   Paulo de Argollo da Rocha Pitta, nascido em 1790 e falecido depois de 1864, s.g.

6.4.   António Bernardino da Rocha Pitta e Argollo, que segue no nº 7.

6.5.   José Maria de Argollo Sá Barreto, coronel (era-o em 1836), nascido cerca de 1795, que em 1836 já estava casado com sua prima D. Leopoldina Ferrão de Pina e Mello, referida adiante no §2. Talvez tenham sido pais de José Maria da Rocha Argollo

7.        António Bernardino de Argollo da Rocha PittaConde de Passé, 1º conde de Passé (14.3.1860), nascido em 1793 na Baía e falecido a 8.2.1877, ib. Agraciado sucessivamente com os títulos de barão (11.9.1843), visconde com as honras de grandeza (21.12.1854) e conde de Passé. Grande do Império e vedor de S.M. a imperatriz, foi comandante da Guarda Nacional e condecorado com a medalha da Restauração da Baía, tendo prestado valiosos serviços na campanha da Independência e na revolta da Sabinada. Durante a campanha do Paraguai, organizou e manteve um batalhão de guardas nacionais para o policiamento da capital da província da Baía. Foi senhor de dez engenhos de açúcar (Pindobas, Cabaxi, Pinheiro, Sapucaia, Feliz União, Matoim, Novo Caboto ou Freguesia, etc.) e de grandes fazendas de criação no interior da Baía, sendo ainda abastado proprietário na cidade de Salvador e considerado ao seu tempo o homem mais rico do Recôncavo, onde tinha dez engenhos e vivia na cidade da Baía nas suas casas sobradas da praça das Portas de S. Bento. Prestou valiosos serviços à campanha da Independência, à revolta da Sabinada. Era comendador da Imperial Ordem de Cristo e dignitário da Imperial Ordem da Rosa. Casou a 2.2.1831 com sua prima-direita D. Maria Luiza da Rocha Pitta Moniz Barreto, baptizada a 10.4.1810 e falecida a 26.2.1838, antes das concessões dos títulos a seu marido, filha do brigadeiro Jerónimo Moniz Fiuza Barreto (1761 - 1.11.1830), comissário-geral do Exército Pacificador na guerra de 1822-1823 - cargo que declinou por motivo de moléstia, e de sua mulher D. Catarina Josefa de Araújo Pita; neto paterno de João Lopes Fiuza Barreto, que faleceu a 20.3.1776 na vila de S. Francisco do Conde, sem testamento mas com inventário de menores de 19 de Abril desse ano, deixando aos filhos uma fortuna avaliada em 9.334.640 réis, e de sua mulher D. Luiza Tereza de Santana.

7.1.   António da Rocha Pitta e Argollo, 2º barão (2.6.1862) e 2º visconde de Passé (17.5.1871), nascido a 12.12.1831 em Salvador da Baía e falecido a 22.11.1871 no seu engenho Cobé (Baía), devido à explosão de uma caldeira, antes de seu pai, de quem tinha recebido os títulos, primeiro de barão e depois de visconde,  após este passar a conde. Casou a 2.6.1866 com D. Maria José da Conceição Martins, falecida a 5.1.1893, filha dos viscondes de São Lourenço. S.g.

7.2.   D. Antónia Tereza de Sá Pitta e Argollo, baronesa de Cotegipe, nascida a 16.1.1834 em Passé e falecida a 22.9.1871. Casou com o Dr. João Maurício Wanderley, 1º barão de Cotegipe (14.3.1860, com honras de grandeza, em sua vida), 1º O barão de Cotegipe, 1º ministro do Brasil ministro do Brasil (1885), senador, ministro e grande do Império, que nasceu na vila da Barra do Rio S. Francisco (Baia) a 23.10.1815 e faleceu na cidade do Rio de Janeiro a 13.2.1889, filho de João Maurício Wanderley, capitão-mor da Vila de Campo Largo, e de sua mulher D. Francisca Antónia do Livramento. Bacharel em Direito pela Faculdade de Olinda (1837), foi juiz de Direito da comarca de Santo Amaro, chefe de Policia e depois presidente da Baia (1852), deputado provincial, representou também sua província natal da 5ª à 9ª legislaturas, desde 1843 até 1856, sendo então nomeado senador vindo mais tarde a presidir ao Senado (1882-1885). Foi presidente do Governo (1885) e oito vezes ministro de Estado ocupando as pastas do Império, Estrangeiros, Marinha, e Fazenda, entre 1853 e 1885. Como ministro plenipotenciário esteve na República do Prata para firmar o tratado de paz nos termos do tratado da Tríplice Aliança. Foi provedor da Santa Casa de Misericórdia (5.8.1883) e deve-se a seus esforços a fundação, no Rio de Janeiro, do Instituto Pasteur (25.2.1888). Foi presidente do Banco do Brasil e sócio do IHGB. Era grande do Império, do Conselho de S. Majestade (13.9.1855), dignitário da Imperial Ordem do Cruzeiro, comendador da Imperial Ordem da Rosa (2.12.1854), Grã-Cruz da Ordem de Nª Sª da Conceição de Vila Viçosa (17.5.1870, por D. Luiz I de Portugal), da Ordem de Dom Carlos III de Espanha (20.7.1877), de Isabel-a-Católica (26.8.1870), de Leopoldo da Bélgica (9.1.1871), da Coroa da Itália e da Águia Branca da Rússia (1887), etc.  

Ver esquema dos Argollo que foram titulares e suas relações familiares.

Casa Grande do engenho e fazenda de Cajaíba

Casa Grande do engenho e fazenda de Cajaíba

§2  Descendência portuguesa

6.        D. Luiza Clara de Queiroz e Argollo, que ficou no nº 5.2 do §1, filha de Paulo de Argollo e Gusmão e sua mulher D. Leonor Antónia Francisca de Queiroz. Nasceu na Baía (vila de S. Francisco do Conde) em finais de 1754 e faleceu viúva antes de 1790, em Cajaíba. Teve de seu pai uma legítima avaliada em 3.699.742 réis em 1780, sendo então viúva de seu 1º marido. A 28.5.1777, quando pediu licença ao rei para casar 2ª vez, conforme adiante se refere, é dita «das principais famílias da cidade da Bahia, viúva do desembargador Bernardino Falcão de Gouveia, do qual lhe ficou um único filho, de idade de três anos (na verdade 5 anos)», tendo ela 22 anos, «sem a necessária deliberação para as disposições que requer uma casa grande como a sua», com dois engenhos de açúcar e mais fazendas. Com seu 2º marido e seu irmão José Joaquim compraram a ilha de Cajaíba, onde construíram engenho e casa. Esta construção foi encomendada a João Roiz Bahia, oficial de carpinteiro de obra branca, que num requerimento de 28.8.1790 diz que «sendo vivo o Sarg.to Mor Luiz Carlos da S.ª Pinna e Mello, com este se ajustou a hirlhe fazer as cazas de seo Engenho da Cajaíba a jornais, metendo o Sup.e os mais officiais q. necessario fossem, e com efeito tendo o mesmo Sup.e, faleceo logo o d.º Sarg.to Mor, e mandando continuar a obra a viuva sua m.er D. Luiza, por morte desta lhe ficou devendo o q. consta da conta justa tirada p.lo caixa d.o Engenho, q. a lançoi no 1.º dele e porq. está o Sup.e por embolsar, e p.ª haver o seu pagamento he precizo q. responda o Ttr.o e Tutor dos menores q. fiara sobre a verd.e da dívida». O casal deixou ainda uma dívida de dezassete contos, trezentos e setenta e três mil e quinhentos e sessenta réis a José Pires de Carvalho e Albuquerque, contraída quando da compra da ilha de Cajaíba. D. Luiza Clara casou a 1ª vez em 1769 com o doutor Bernardino Falcão de Gouveia (a), que também aparece referido como Bernardino Falcão de Souza, desembargador da Relação da Baía (8.4.1754), ouvidor-geral da comarca do Espírito Santo (4.10.1748), provedor das fazendas dos defuntos e ausentes, capelas e resíduos da dita comarca (30.10.1748), provedor da fazenda real da Capitania do Espírito Santo (28.10.1748), etc., cavaleiro da Ordem de Cristo (21.6.1754), já viúvo de D. Eufrásia Pereira dos Santos sem geração, nascido em Cascais (filho de Agostinho Henriques Falcão, capitão de Infantaria, e de sua mulher D. Mariana Maria de Gouveia, aí moradores) e falecido a 4.1.1774, ib, sem testamento mas com inventário de menores de 19 do mesmo mês, ficando tutora sua mulher. Muito depois da sua morte, a 26.3.1781, D. Luiza Clara de Queiroz e Argollo, viúva do desembargador Bernadino Falcão de Souza, requereu à rainha D. Maria I provisão para o ouvidor da comarca fazer tombo e demarcação de uma propriedade de terras que possuia no termo da vila de S. Francisco, comarca da cidade de Salvador (AHU-Bahia, c. 183 , d. 25). Entretanto, D. Luiza Clara requerera a 28.5.1777 licença para casar com o capitão Manuel Caetano de Araújo Corte-Real (AHU-Baia, c. 176, d. 19), como já ficou referido, casamento que não se chegou a realizar, pois logo no ano seguinte (1.9.1778) requereu igual licença para casar com o coronel Carlos Manuel Gago da Câmara, de 41 anos, natural de S. Gonçalo, no Recôncavo, familiar do Stº Ofº, já viúvo de Juliana Josefa Tomassini, natural de Liorne (Toscana), com quem casara em Lisboa em 1774 (AHU-ACL-CU-005, c. 175, d. 13180). Também este casamento não se chegou a realizar, e logo no ano seguinte D. Luiza pediu nova autorização para casar com o que foi o seu 2º marido. E de facto casou a 2ª vez, portanto depois de 26.3.1781, com o capitão Luiz Carlos da Silva de Pina e Mello (b), sargento-mor do 2º Regimento da Baía (1788)  15 e ajudante de ordens do governador do Estado (3.3.1768), etc., nascido a 20.12.1739 na cidade de Elvas (Sé), que foi para o Brasil como capitão da Capitania da Baía (2.9.1767), sendo depois capitão de Infantaria do antedito 2º Regimento (1780) e capitão do Regimento da Guarnição da Prata da Baía (1785). A 3.10.1781 teve provisão para, da Capitania da Baía, vir à corte de D. Maria I em Lisboa.  15 Faleceu no início de 1790 no Baía. Foi senhor do engenho Itaitingui (ou Itatigui) e tinha casa na freguesia de S. Gonçalo da vila de S. Francisco do Conde, como se documenta num inventário de menores de 3.3.1785 feito por morte da mulher do capitão António José Ferreira. 16 A 19.9.1781 o capitão Luiz Carlos da Silva de Pina e Mello requereu a D. Maria I provisão para que o ouvidor geral do Cível da Relação da Baía fizesse a demarcação e o tombo das terras do seu engenho Itaitingui (AHU-Bahia, c. 183 , d. 66). E requereu a 27.11.1788 à mesma rainha provisão para exercer a tutela do menor Joaquim Bernardino, filho do 1º casamento de sua mulher D. Luiza Clara de Queiroz e Argollo (AHU-Bahia, c. 182, d. 66). Com o seu falecimento, iniciou-se a 11.8.1790 o inventário de menores na Baía, ficando tutora dos filhos, todos menores, a avó materna, D. Leonor Antónia Francisca de Queiroz, referida no §1. Luiz Carlos era irmão do Dr. António Procópio da Silva de Pina e Mello, nascido a 9.7.1742 em Elvas, desembargador da Relação do Porto (10.2.1785), corregedor de Évora (31.7.1779) e de Elvas (12.12.1775), juiz de fora de Elvas (27.2.1771), cavaleiro da Ordem de Cristo (7.8.1779), licenciado em Leis pela Universidade de Coimbra (1764), etc., do Dr. José Cândido da Silva de Pina e Mello, nascido a 21.3.1746, ib, desembargador do Paço e da Relação do Porto, juiz de fora e dos órfãos de Porto (1788), licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra (1781), coronel agregado do Regimento da Maia durante as invasões francesas, etc., e de D. Ana Isabel Esméria da Silva de Pina e Mello, nascida a 27.1.175, que casou a 8.7.1783 em Elvas com Nicolau da Gama Lobo, sargento-mor e ajudante de ordens do governador de Armas do Alentejo, cavaleiro professo da Ordem de Cristo com 12.000 réis de tença (1.3.1780), familiar do Santo Ofício de Extremoz, fidalgo da Casa Real, etc., c.g., todos filhos do Dr. Francisco Martins da Silva (de Carvalho), b. a 1.12.1697 em Stº Aleixo (Monforte), desembargador da Relação do Porto, bacharel habilitado ao serviço de Sua Majestade (19.3.1729), juiz de fora de Coimbra (29.5.1747), de Monção (8.1.1734) e de Olinda (31.5.1730) e aí provedor das fazendas dos defuntos e ausentes (3.7.1730), bacharel (1.6.1726) formado (24.1.1728) em Leis pela Universidade de Coimbra, etc., de sua mulher (casados a 21.2.1739 na Sé de Elvas) D. Antónia Josefa Bárbara de Pina e Mello, b. a 20.7.1719, ib, e fal. a 8.10.1784, ib, irmã sucessora do Dr. António José de Pina e Mello, bacharel (9.6.1729) formado (17.5.1730) em Leis pela Universidade de Coimbra, tabelião e escrivão (proprietário) do público e judicial de Elvas (23.10.1743), etc.; neto paterno de Luiz Martins da Silva (de Carvalho), senhor da herdade e monte do Casco, em Stº Aleixo (Monforte), onde nasceu e «viveu à lei da nobreza», e de sua 1ª mulher D. Luiza Gomes de Andrade Pimentel, natural de Nª Sª de Orada; e neto materno de António Rodrigues de Pina (e Mello), b. a 20.7.1719 em Elvas (Sé) e fal. a 1.7.1736, ib, cavaleiro professo da Ordem de Cristo (22.4.1704), com 12.000 e 68.000 réis de tença (10.2.1703), pelos serviços de seu pai e tio-avô, capitão e sargento-mor do Regimento de Milícias de Elvas, com carta real de padrão de ajuda de Milícias (26.9.1728), pagador-geral do Alentejo (1709-16), juiz e executor do almoxarifado de Elvas (1703 e 14.5.1708) e da governança desta cidade, sendo 1º vereador do Senado da Câmara e juiz pela Ordenação (1719) e vereador noutros mandatos (entre 1713 e 1729), tesoureiro da Câmara e proprietário deste ofício (6.2.1696 e 29.6.1698), escrivão (proprietário) das execuções da cidade (1.6.1697), tabelião do público e judicial (1701-3), irmão nobre da Santa Casa da Misericórdia de Elvas, onde ocupou cargos entre 1723 e 1734, etc., tendo tirado ordens menores em Elvas em 1680, e de sua 2ª mulher (casados a 7.1.1704 em Stº Aleixo) D. Isabel Tereza da Franca Mexia, b. a 27.9.1677 em Stº Aleixo (Monforte )e fal. viúva a 15.2.1760 em Évora.  

6.1.   (a) Joaquim Bernardino Falcão de Queiroz e Argollo, que também se documenta como Joaquim Bernardino Falcão de Gouveia de Argollo e Queiroz. Nasceu em 1770, pois tinha 4 anos de idade quando seu pai morreu, cabendo-lhe uma herança avaliada em 26.952.695 réis, da qual constava uma fazenda e engenho Gorgaia Grande, com todas as suas pertenças e acessórios e casas de vivenda sobradas de pedra e cal (onde vivia com sua mãe), outra fazenda dita de Dornelas, mais de 500 cabeças de gado bovino e cavalar, vários escravos, muita mobília sobretudo em vinhático e jacarandá, um hábito de Cristo de casaca de granadas, diamantes e outras pedras, um espadim de prata, um quadro do rei D. João VI e outro da rainha sua mãe, várias louças, carros de cavalos, etc. Ficaram seus tutores a mãe e depois o padrasto, e por morte deste seu tio materno o coronel e mestre de campo Miguel Jerónimo de Argollo e Queiroz. A 30.9.1796, sendo já maior de idade (tinha 25 ou 26 anos), dispensou a tutoria de seu tio e constituiu advogado em seu nome para cuidar dos interesses da sua legítima materna. Em 1803, como Joaquim Bernardino Falcão de Gouveia de Argollo e Queiroz, morador na Baía, requereu a demarcação do seu engenho de Gorgaia (Anais, 1915, vol. 37). Talvez seja este que, como Bernardino Falcão de Gouveia, teve a 27.3.1801 carta de confirmação da patente de capitão-mor da vila da Vitória. Casou com sua tia D. Antónia de Queiroz e Argollo, nascida em 1766, no §1.

6.2.   (b) José Maria de Pina e Mello de Argollo e Queiroz, coronel de Cavalaria (era-o em 1826), senhor nomeadamente da fazenda e engenho novo de S. João, que comprou, e, a avaliar pela legítima dos filhos, tinha mais de 500 escravos. Foi ainda co-herdeiro dos engenhos Grande, Itaitingui (ou Itatigui) e de Cajaíba, assim como as fazendas da Silveira, de Rio Verde, do Boqueirãozinho e de Poções. Por morte de seu cunhado sucedeu no engenho de Santa Cruz. Além do engenho novo de S. João comprou ainda os engenhos de Baixo e de Água Comprida, construindo assim um enorme complexo agro-industrial só superado pelo de seu primo o conde de Passé. Nasceu na Casa Grande de Cajaíba em 1783 e faleceu a 29.5.1836 em S. Francisco do Conde, com testamento e inventário de menores, deixando o casal uma avultada fortuna então avaliada em 442.318.555 réis, ficando testamenteiro e tutor dos menores o coronel Alexandre Gomes de Argollo Ferrão (futuro visconde de Itaparica), com partilhas julgadas por sentença de 22.10.1839, tendo sido prestadas contas a 19.7.1847 e 17.7 do mesmo ano. Ainda menor, com 19 para 20 anos, José Maria saiu de casa de sua avó e tutora D. Leonor Antónia de Queiroz e tomou posse do engenho de Cajaíba, que com obrigação de tornas lhe tinha ficado em herança. A dita sua avó insurgiu-se e fez um requerimento de 13.5.1803 onde diz que, «sendo tutora de seus nettos f.os do Sarg. mor Luiz Carlos da Sª Pinna e Mello, q. segregando-se da sua comp.a o mais velho de nome Joze Maria de Pinna e Mello, e passando ao Engº de Cajaíba onde foi em cabeça do bem pretendido conculcar o governo da Sup.e a respeito da economia do m.mo Eng.o, e no q. a Sup.e tem tido o mayor cuidado em ordem a conservação do m.mo, e porq. este procedimento escandaloso, e despotico, com tempo q. inda lhe não he permitido governar por ter dos 19 p.a vinte annos, se oppôem a q. ao Dirt.o, a razão da Sua Tutora, de Sua Avo, e de o ter criado desde a idade de 5 annos pouco mais ou menos, e pode hum pronto remédio p.a impedir os dannos q. podem haver na má administração de sem.e pessoa inerme de todo conhecim.to m.or p.a dirigir e conservar a sua p.e da herança q. ali tem, mais a de dous Irmãos, recorre (...)». O coronel José Maria fez testamento a 7.5.1836 no seu engenho da Cajaíba, estando doente e identificando-se como coronel José Maria Pina e Mello de Argollo e Queiroz, filho legítimo do sargento-mor Luiz Carlos da Silva de Pina e Mello e de sua mulher D. Luiza Clara de Argollo e Queiroz, acrescentando que é viúvo de D. Joana Gomes Ferrão Castello-Branco e que foi pai de oito filhos, que nomeia: José Maria, Eudoxia Cândida, José Diogo, Elisa Amália, Maria Marta, Ana Cipreste e Joana. Declara que quer ser sepultado no convento de S. Francisco , deixa  a seu filho José Diogo os engenhos de Cajaíba, de Baixo e de Água Comprida, a seu genro Alexandre Gomes de Argollo Ferrão, casado com sua filha Eudoxia Cândida, e Engenho Novo e a administração de engenho de Santa Cruz, e às restantes filhas rendas em dinheiro (seu filho José Maria tinha falecido criança). Deixa ainda um legado a seu sobrinho Bernardo Gomes de Argollo Ferrão e o restante para ser divido pelos seus herdeiros. Manda ainda libertar duas escravas, Domingas e Gertrudes, que o estavam a tratar, deixando 500.000 réis a cada uma, e nomeia testamenteiros seu genro Alexandre, seu primo o sargento-mor Jerónimo Felisberto Gomes de Argollo Ferrão e seu afilhado Bernardo Gomes de Argollo Ferrão. O coronel José Maria casou em 1814 com D. Joana Ferrão Castello-Branco, bat. a 15.5.1789 na capela de S. Miguel, na Baía, e falecida em 1825 na sequência do parto de gémeas, irmã do coronel Alexandre Gomes Ferrão Castello-Branco, senhor nomeadamente do engenho de Santa Cruz, que faleceu a 18.2.1826, na Baía (vila de S. Francisco do Conde), deixando herdeiros, de uma fortuna então avaliada em 87.295.272 réis, seus sobrinhos menores, pelo que se fez inventário de bens a 5.5.1826, sendo testamenteiro e inventariante seu cunhado o coronel José Maria de Pina e Mello, com partilhas julgadas a 29.3.1830, ficando o dito coronel tutor dos bens de seus filhos. Julgo que esta D. Joana e este Alexandre eram ainda irmãos de D. Maria Joaquina Gomes Ferrão Castello-Branco casada com o tenente-coronel José Joaquim de Argollo e Queiroz, acima no §1, e todos filhos do tenente-coronel José Diogo Gomes Ferrão Castello-Branco e de sua mulher D. Maria Sofia de Araújo e Azevedo, que já estavam casados quando ela recebeu em S. Francisco do Conde a 12.7.1770 a legítima de seu pai, então avaliada em 2.378.476 réis.

6.2.1.   José Maria, nascido a 1.11.1814 na Casa Grande da Cajaíba, onde foi bat. a 6.11.1814, por estar em perigo de vida, tendo falecido no dia seguinte, sendo sepultado na matriz. 

6.2.2.   D. Euzébia Ferrão de Pina e Mello de Argollo e Queiroz, nascida em 1816 na Casa Grande da Cajaíba, pois tinha 10 anos quando do inventário de 1826 de seu tio Alexandre Gomes Ferrão, de que foi herdeira com seus irmãos. Já tinha falecido em 1838, pois não consta do inventário de menores feito por morte de seu pai.

6.2.3.   D. Eudóxia Cândida Ferrão de Pina e Mello de Argollo e Queiroz, baronesa de Cajaíba, nascida a 13.2.1816 na Casa Grande da Cajaíba, sendo bat. a 17.4.1816 na matriz, sendo padrinhos o coronel José Diogo Ferrão Castello-Branco e sua mulher D. Maria Sofia de Araújo e Azevedo, por procuração passada a seu filho Alexandre Gomes Ferrão. Faleceu a 24.12.1858, «da Epidimia», sendo sepultada na capela do engenho São José da vila de S. Francisco do Conde. Casou a 31.8.1831, tinha 15 anos de idade, com seu primo Alexandre Gomes de Argollo Ferrão, 1º barão de Cajaíba (18.7.1841), acima no §1, onde segue. O matrimónio realizou-se no oratório do Engenho Novo, sendo testemunhas D. Ana Joaquina de Araújo e Azevedo, viúva, D. Luzia Joaquina de Carvalho Pontes e seu marido Manuel de Carvalho Pontes, o major Francisco de Alcovia, solteiro, morador em Abrantes, e o tenente José Cassiano da Costa, solteiro, morador em Paripe.

6.2.4.   D. Leopoldina Ferrão de Pina e Mello de Argollo e Queiroz, nascida em 1818 na Casa Grande da Cajaíba, em 1838 já estava casada com seu primo o coronel José Maria de Argollo Sá Barreto, referido acima no §1.

6.2.5.   José Diogo Ferrão de Pina e Mello de Argollo e Queiroz, major do Exército (já o era em 1836), nascido a 14.2.1819 na Casa Grande da Cajaíba, em cujo oratório foi bat. a 22.4.1821, sendo padrinho Alexandre Gomes Ferrão, solteiro, morador em Nª Sª do Monte, e madrinha a Madre Leonor Querubina de Santa Efigénia, freira no convento de Santa Clara do Desterro da Baía, por procuração passada ao capitão Luiz Lopes Vilas Boas. Além de co-herdeiro de seu tio materno o coronel Alexandre Gomes Ferrão de Argollo, com uma legítima de 14.549.211 réis, que incluía o engenho de Santa Cruz, como ficou dito no no §1, teve de seus pais uma legítima então avaliada em 63.188.365 réis (15.002.670 do pai e 48.185.695 da mãe). Faleceu, sendo referido como major e casado, em S. Francisco do Conde a 1.12.1859, óbito que não refere o respectivo dia e mês, apenas o ano, sabendo-se o resto no inventário da viúva, sendo sepultado num carneiro do convento de S. Francisco. Casou a 16.4.1844 em Cotegipe, no oratório do barão de Maragogipe, com D. Raimunda de Bettencourt Berenguer César, filha do coronel Sancho de Bettencourt Berenguer César e sua mulher D. Caetana Luiza de Villas-Boas, já falecida, sendo testemunhas o brigadeiro José de Sá Bettencourt, o comendador Sebastião Sampaio de Almeida Bastos e o comendador tenente-coronel José Maria de Sá Barreto. A 16.5.1861 pediu que se fizesse inventário dos bens.

6.2.5.4.   D. Joana Leopoldina de Bettencourt Pina e Mello, nascida cerca de 1645, pois tinha 16 anos a 16.5.1861, sendo já casada com o alferes Joaquim Alvarenga Cruz de Malta Filho

6.2.5.1.   Maria Eudóxia, fal. a 13.6.1848 em S. Francisco do Conde e sepultada num carneiro no convento de S. Francisco.

6.2.5.2.   José Diogo de Bettencourt Pina e Mello, fal. com 11 anos de idade, como se diz no inventário da mãe.

6.2.5.3.   José Maria de Bettencourt Pina e Mello, fal. com 9 anos de idade, como se diz no inventário de sua mãe.

6.2.6.   D. Elisa Amália Ferrão de Pina e Mello de Argollo e Queiroz, nascida a 20.1.1821 na Casa Grande da Cajaíba, em cujo oratório foi bat. a 22.4.1821, sendo padrinho José Joaquim Moniz Barreto e sua mulher D. Josefa Joaquina Ferrão Moniz Barreto, moradores em Nª Sª do Monte. Tinha 15 anos à morte do pai e faleceu a 5.9.1852 em S. Miguel de Gotegipe, de «moléstia febre amarella», sendo sepultada no convento de S. Francisco. Em 1847 já estava casada com seu primo o doutor João de Araújo Gomes de Argollo, que lhe sobreviveu. S.g. 

6.2.7.   D. Maria Murta Ferrão de Pina e Mello, nascida a 7.5.1822 na Casa Grande da Cajaíba, em cujo oratório foi bat. a 13.1.1824, sendo padrinho Alexandre Gomes Ferrão, solteiro, e madrinha a Madre Maria Gertudes de S. José, freira no convento da Soledade, por procuração passada ao tenente-coronel José Joaquim Moniz Barreto. A 2.2.1840 foi bat. no oratório da engenho de Cajaíba Leoncio, crioulo menor, filho de Gestrudes, africana, escravos de D. Maria Murta Ferrão Pina e Mello. Casou antes de 1842 com seu primo o coronel Miguel de Teive e Argollo, referido no §1, onde segue. 

6.2.8.   D. Ana Cipreste Ferrão de Pina e Mello, nascida a 20.6.1823 na Casa Grande da Cajaíba, em cujo oratório foi bat. a 13.1.1824, sendo padrinho Alexandre Gomes Ferrão e madrinha a Madre Ana Rosa do Salvador, freira no convento da Soledade, por procuração passada a Miguel José Maria de Teive e Argollo. Em 1847 já estava casada com um primo, s.m.n. A 27.6.1841 foi sepultado no adro da matriz de S. Francisco do Conde um  preto de nome Felix, escravo de D. Ana Cipreste de Pina e Mello.

6.2.9.   D. Joana, nascida em 1825 na Casa Grande da Cajaíba e falecida a 7.6.1827, com dois anos de idade, em S. Miguel de Cotegipe, sendo sepultada na matriz, «das grades para cima».

6.2.10. D. Corina Ferrão de Pina e Mello, gémea da anterior, era menor à morte do pai e faleceu nova. Ficou tutor desta menor legatária o coronel Miguel José Maria de Teive e Argollo (futuro barão de Pará-Mirim) e, após a sua desistência, o irmão dela o major José Diogo Ferrão de Pina e Mello. 

 6.2.11. ?(N) José Feliciano de Argolo, bat. a 21.12.1806 em S. Francisco do Conde como filho natural de Maria da Conceição, sem indicação do nome do pai, sendo padrinhos António José Teixeira, viúvo, e Francisca Gouveia de Macedo. Mais tarde (1838), no seu casamento, é  dito filho natural de Águida Maria da Conceição, também sem indicação de pai. Foi irmão e tesoureiro da Ordem 3ª do Carmo, tendo tomado o hábito a 26.2.1836 e professado a 17.3.1837. Faleceu a 14.4.1881 na vila da Cachoeira, sendo sepultado nos carneiros da dita ordem, com indicação de que «faleceu em estado de pobreza». Não é certo que tenha sido filho natural do coronel José Maria, havido portanto antes do seu casamento. Se o foi, é certo que não foi legitimado, pois não consta das partilhas dos bens de seu pai, nem tão pouco reconhecido, pois não consta do seu testamento e, em 1837, quando do seu casamento, já o coronel José Maria tinha morrido, ainda vem referido apenas como filho natural de Maria da Conceição. É possível, por exemplo, que fosse filho natural do Paulo, irmão deste José Maria, que faleceu solteiro no início de 1807, com 22 anos, ou seja, alguns dias depois do baptismo deste José Feliciano. Casou a 1.9.1838 em Salvador (Sé) com Januária Sena da Costa Peixoto, filha natural de Francisco Xavier. Mais tarde casou com Emília Maria de Jesus, de quem já tinha filhos. C.g. 17

6.3.   (b) D. Maria Benedita de Argollo e Queiroz de Pina e Mello, nascida em 1784 na Casa Grande de Cajaíba. Herdou nomeadamente o engenho de Catingui. Casou com seu tio o tenente-coronel Paulo de Argollo e Queiroz, acima no §1, onde segue.

6.4.    (b) Paulo de Argollo de Pina e Mello, nascido em 1785 na Casa Grande de Cajaíba, onde faleceu a 12.1.1807, com 22 anos de idade, solteiro, sem geração.

6.5.    (b) D. Ana Bernardina de Pina e Mello de Argollo e Queiroz, nascida em 1786 na Casa Grande de Cajaíba. Foi freira no convento do Desterro, com o nome de D. Ana Bernardina de Jesus.

6.6.    (b) António Procópio de Pina e Mello de Argollo de Queiroz, que segue no nº 7.

6.7.    (b) D. Leonor Efigénia de Queiroz e Argollo de Pina e Mello, nascida em 1788 na Casa Grande de Cajaíba e bat. em Março desse ano, tendo falecido menina. Sua mãe faleceu no seu parto.

7.       António Procópio de Pina e Mello de Argollo de Queiroz, fidalgo da Casa Real (aparece como tal mas não encontrei o registo do foro), que tambem se documenta como António Procópio de Argollo de Queiroz de Pina e Mello e outras varientes em torno destes nomes. Nasceu em 1787 na Casa Grande de Cajaíba e faleceu já viúvo a 26.11.1831 em Portugal, na quinta do Paço de Valpedre, em Penafiel, com 44 anos de idade, diz o óbito que de repente, de «ataque apoplético», sendo sepultado dentro da igreja matriz no dia seguinte. Tendo ficando órfão de mãe com um ano e de pai com 3 anos, foi chamado ao Porto e adoptado por seus tio paternos, os desembargadores doutor António Procópio da Silva de Pina e Mello e doutor José Cândido da Silva de Pina e Mello, de quem viria a ser herdeiro. No ano lectivo de 1805-6 esteve matriculado no Colégio de Artes (Humanidades) da Universidade de Coimbra, mas não parece ter concluído qualquer curso. Na sequência do inventário de menores que se fez por morte de seus pais, seu tio (e cunhado) Paulo de Argollo e Queiroz diz que, procedendo à partilha dos bens dos menores de que era tutora a avó D. Leonor Antónia de Queiroz, «coube ao menor José Maria Pinna e Mello Argollo e Queiroz o Engenho da Cajaíba com obrig.m de pagar a menor D. Anna Bernardina de Jesus, hoje Religioza no Conv.to do Desterro, a torna do seu formal de partilha, e coube a menor D. Maria Benedita de Queiroz e Argollo Pinna e Mello, hoje casada com o sup.e, o Engº Catingui (Itaitingui?) com obrig.m de pagar outra torna também constante do seu formal de partilha a António Procopio Pinna e Mello de Argollo e Queiroz ausente em Portugal e tendo a menor D. Anna Bernardina de Jesus constituido o seu vitalicio nos juros da sua torna q. importão annnualm.e na quantia de duzentos e tantos mil r.s, p.a ser mais pronpto o pagam.to necessr.o p.a as despezas dos seus alim.tos se tem valido do Sup.e q. sempre a tem socorrido, sem os cobrar aos respectivos rendim.tos da m.ma Religioza, e desejando continuar na assistencia desta p.or hua parte, e considerando p.or outra q. o menor António Procópio Pinna e Mello de Argollo e Queiroz a q.m deve pagar a torna q. lhe foi lançada no seu Engº Catingui, depois da invasão dos Franceses na Cid.e do Porto, aonde residia, não tem dado copia do lugar da sua existencia, q. se ignora, nenhuã pensão recebe, em ficar percebendo a sua torna do d.o coherdr.o também encabeçado; pretende o Sup.e permutar as m.mas tornas de hum p.a outro Eng.º ficando o da referida Religioza no do Sup.e e a do menor aus.e no daqq.le outro, todas com as hypotecas Legaes com q. as Leis segurão os principaes, e juros, emqto não forem pagas; e como se não possa fazer a d.a permutação dos quinhões, ainda q.e iguaes, sem autorid.e deste Juizo, recorre e P. a V.S. seja servido mandar ouvir a Tutora, e ao D.or Cur.or (...)». Portanto, já António Procópio estava casado quando no Brasil seu tio e cunhado não sabia do seu paradeiro após a invasão francesa (1807-8). Terá sido aliás para resolver as questões da sua herança que, já casado, António Procópio de Argollo e Queiroz de Pina de Mello a 9.5.1810 requereu ao príncipe regente (futuro D. João IV) autorização para regressar à Baía (AHU-Bahia, c.4, d.28). De facto, casou a 22.2.1808 em Valpêdre (Penafiel), com D. Maria Jerónima da Cunha e Castro Ferraz de Brito Ozorio de Portocarreiro, que sucedeu a seus pais como 13ª senhora da quinta do Paço de Valpedre, em Penefiel, entre outras propriedades. Nasceu a 25.10.1779 no morgadio da Casal-Soeiro, nos Arcos de Valdevez, e faleceu no palácio da Bandeirinha, no Porto, a 4.4.1823. Nos paroquiais de Valpedre consta que dia 30.6.1826 se fizeram três ofícios pela alma de D. Maria Jerónima, da Qtª do Paço, falecida no Porto. Quando das invasões francesas, foi viver para a sua quinta do Paço, em Valpedre, onde casou, bem assim como viveu na vizinha casa de Maragoça, que aforou, e ainda no palácio da Bandeirinha, no Porto, com sua cunhada. Era irmã do célebre «Fidalgo da Bandeirinha», o tenente-coronel João Bento da Cunha de Brito de Araújo e Castro de Portocarrero, senhor do dito palácio da Bandeirinha, 21º senhor da torre de Portocarreiro, etc., que morreu assassinado a 20.3.1809 pela fúria popular na revolta do Porto desse ano, nas vésperas da chegada do marechal Soult à cidade, onde ficara porque, nas palavras de seu outro irmão, o barão de Pombalinho, «tendo marchado para Almeida o 6º Regimento, do qual elle era commandante; o Bispo Chefe da Regencia o privou de o acompanhar, e o encarregou de guarnecer todas as fortificações (então levantadas em torno daquela cidade) com Artilharia, não só do Arsenal mas também de diferentes embarcações que se achavam surtas no Douro, o que lhe custou aquela bagatela». D. Maria Jerónima era já órfã à data do casamento, tendo sido o último marido (casados a 22.7.1798) de sua mãe, sem geração, o dito desembargador doutor José Cândido da Silva de Pina e Mello, tio do noivo e portanto padrasto da noiva. D. Maria Jerónima era filha do doutor Francisco Luiz de Brito de Araújo e Casto, juiz e provedor das vilas de Ourém e Castelo Branco (2.4.1778), cavaleiro da Ordem de Cristo (25.5.1782) e 8º morgado de Stª Bárbara de Casal-Soeiro, nos Arcos de Valdevez, onde nasceu a 12.8.1733 e faleceu a 20.9.1793, e de sua mulher D. Ana Luiza da Cunha Coutinho Ozorio e Alarcão de Portocarreiro, chefe de armas desta linhagem, 4ª senhora do palácio da Bandeirinha, no Porto, 20ª senhora da torre de Portocarreiro, 7ª morgada de S. Tiago de Melres, 12ª senhora a quinta do Paço, em Valpêdre, etc., etc., nascida no dito palácio da Bandeirinha, baptizada a 6.8.1737, ib, e falecida a 6.5.1801 no dito morgadio de Stª Bárbara de Cazal-Soeiro.

7.1.   D. Ana Luiza da Cunha de Argollo e Brito de Portocarreiro, nascida em 1809, que viveu na quinta do Paço e na casa da Maragoça, onde faleceu a 30.1.1835, sendo sepultada na capela da casa. Casou a 9.8.1827 em Vaspedre com Francisco de Souza Guedes da Gama Lobo Coutinho, tenente-coronel do Batalhão Realista de Penafiel, senhor da quinta do Casal, em Figueiras (Lousada), nascido em Soutelo (Lamego) em 1807 e falecido a 22.12.1898 na dita casa da Maragoça. Tiveram seis filhos, todos falecidos solteiros sem geração.

7.2.   D. Antónia Adelaide da Cunha e Alarcão de Portocarreiro, que segue no nº 8.

7.3.   D. Maria Matilde da Cunha e Brito de Portocarrero, nascida em 1814, que casou cerca de 1836 com o Dr. José Pedro Solano de Souza de Barbosa, nascido em Paço de Souza. Tiveram uma única filha que faleceu solteira em 1900, sem geração.

8.     D. Antónia Adelaide Vasques da Cunha e Alarcão de Portocarreiro, que sucedeu como 14ª senhora da quinta do Paço de Valpêdre. Nasceu a 22.4.1812 na casa daD. Antónia Adelaide da Cunha e Alarcão de Portocarreiro e sua filha única D. Maria Adelaide Maragoça, em cuja capela foi baptizada a 3 de Maio. Viveu casada na casa de Coura, em Bitarães (Paredes), e faleceu no final de 1840 ou início de 1841, com apenas 28 anos de idade. Casou a 31.5.1837 na capela da casa de Coura com o Dr. António Augusto Teixeira de Vasconcellos, famoso escritor, jornalista e romancista, par do Reino, conselheiro de Sua Majestade Fidelíssima, vice-presidente da Academia de Ciências de Lisboa, embaixador, deputado, director-geral da Câmara de Deputados, governador de Vila Real durante a Patuleia, em que participou, tendo sido o redactor da convenção de Gramido, grã-cruz da Ordem de Isabel-a-Católica, comendador e cavaleiro de inúmeras ordens nacionais e estrangeiras, moço fidalgo da Casa Real, etc., etc.

8.1.    D. Maria Adelaide da Cunha Teixeira de Vasconcellos de Portocarreiro, que segue no nº 9.

9.       D. Maria Adelaide da Cunha Teixeira de Vasconcellos de Portocarreiro, filha única, sucedeu a sua tia-avó paterna como senhora da casa do Barreiro, em Stª Mª MadalenaD. Maria Adelaide da Cunha Teixeira de Vasconcellos de Portocarrero (Paredes), onde viveu, e a sua mãe como 15ª senhora da quinta do Paço de Valpêdre, e em vários outros bens. Não sucedeu na casa de Coura nem na quinta da Vidigueira, em Besteiros (Paredes), propriedades de família que seu pai vendeu. Nasceu a 12.6.1838 na casa de Coura, em cuja capela foi baptizada a 16 seguinte, e faleceu a 22.7.1908, com 70 anos de idade, na casa do Barreiro. Casou a 21.5.1854, num domingo à tarde, na igreja de Stª Mª Madalena (Paredes), tinha ela apenas 16 anos e o noivo já 43 anos de idade, com o Dr. João Corrêa Pacheco Pereira de Magalhães  18, fidalgo da Casa Real (22.10.1875), comendador da Ordem de Nª Sª da Conceição de Vila Viçosa (29.7.1875), administrador do concelho de Paredes (28.7.1851 - 1.9.1863), juiz ordinário do julgado de Paredes, advogado, etc. Ainda estudante de Direito, participou na guerra civil como comandante da 1ª Companhia de Granadeiros do Regimento nº 11 de Infantaria, posto no qual combateu valorosamente na batalha da Asseiceira, travada a 16 de Maio daquele ano, e se manteve até ao fim das hostilidades, sendo um dos convencionados de Évora Monte. Foi 8º senhor da casa do Valinho de Beire (Paredes), 10º senhor da quinta do Maravedi, em Mafamude (V. N. de Gaia), onde nasceu a 27.9.1811 sendo baptizado na respectiva capela de S. João Baptista, vindo a falecer a 25.12.1888 na casa do Barreiro, onde viveu casado. Tiveram 12 filhos, quatro deles com geração, vários netos, cinco deles com geração, e muitos bisnetos, 14 deles com geração. Ver esquema.

2000-2005

 



ORIGEM DOS ARAÚJO DE GÓIS, do Brasil

Os Araújo de Góis, do Brasil, descendem de Gaspar de Araújo e sua mulher Catarina de Góis, que segundo Frei Jaboatão foram para o Brasil «pelos anos de 1563», já com pelo menos dois filhos, acrescentando que desembarcaram na vila de São Jorge, capitania de Ilhéus. Catarina de Góis faleceu depois de 1588 em Ilhéus. Viúvo, Gaspar de Araújo foi para a Baía e fez-se jesuíta, vindo a falecer muito velho cerca de 1600, sendo sepultado na igreja matriz de Cairu (Baía).

Gaspar de Araújo

Começando por Gaspar de Araújo, pouco ou nada até agora se descobriu com consistência sobre a sua ascendência. Sobre ele há sobretudo duas fontes: uma secundária, que é o testemunho do referido Frei Jaboatão, e outra primária, que é o processo para a Ordem de Cristo (1651) de seu neto o desembargador João de Araújo de Góis. Conta Frei Jaboatão que Gaspar de Araújo se meteu no Colégio de Jesuítas, que a princípio não o quiseram aceitar, mas venceu-lhes a resistência servindo-os fora de portas, como carregador de potes de água e feixes de lenha, que deixava na portaria dos padres. Sua filha mais velha, segundo o mesmo frade, morreu em 1643 com 82 anos, nascendo portanto cerca de 1561. O outro filho que com ele foi de Lisboa casou cerca de 1603 e faleceu em 1662, devendo ter nascido em 1562, morrendo com 99 ou 100 anos de idade. Em 1587 Gaspar de Araújo documenta-se como dono de engenho com sua mulher, pelo que só depois desta data enviuvou. Não deve assim ter falecido antes de 1600. Faleceu portanto velho, e não teria menos de 85 nem mais de 95 anos, pelo que terá nascido entre 1505 e 1515, indo portanto para o Brasil com cerca de 48/58 anos de idade. Pela cronologia dos filhos, já referida, deve ter casado cerca de 1560, em Lisboa, donde era natural a mulher.

No antedito processo para a Ordem de Cristo do neto, Gaspar de Araújo documenta-se que morreu religioso no Colégio do Rio de Janeiro e que era natural de Ponte de Lima, embora Frei Jaboatão também o diga natural dos Arcos de Valdevez. O nascimento de Gaspar de Araújo, seja nos Arcos seja em Ponte de Lima, a sua ida para o Brasil e a sua relação com a Baía podem indiciar um parentesco quer com Francisco de Araújo, que também era natural dos Arcos de Valdevez e foi para a Baía, onde faleceu a 27.8.1602, e onde casou cerca de 1577 com Maria Dias, neta de Diogo Álvares Correa, o Caramuru, quer com seu meio-irmão Baltazar Barbosa de Araújo, também casado com uma neta do Caramuru, irmã da dita Maria Dias. E ainda com os irmãos Gaspar Barbosa e António de Araújo, também casados com netas do Caramuru e apontados como naturais de Ponte de Lima e primos destes. Aquele Francisco de Araújo e seu irmão Baltazar eram, segundo as genealogias, filhos naturais de Gaspar Barbosa de Araújo ou Gaspar de Araújo Barbosa, morador nos Arcos de Valdevez, e netos de Francisco Rodrigues de Araújo e sua mulher Juliana Barbosa de Souza, igualmente moradores nos Arcos de Valdevez. Pela cronologia associada, este Gaspar Barbosa de Araújo ou Gaspar de Araújo Barbosa terá nascido cerca de 1535. Seu pai Francisco Rodrigues de Araújo terá nascido cerca de 1510, sendo filho do 2º casamento (com Ana da Cunha) de Rodrigo Álvares de Araújo, nascido cerca de 1460 e legitimado com seus irmãos Paio e Gonçalo, por carta real de 1.9.1475, como filhos de Álvaro Rodrigues de Araújo, comendador de Rio Frio (Arcos de Valdevez) na Ordem de Cristo, e de Constança da Lama, mulher solteira.

Ora, o Gaspar de Araújo que nos interessa (casado com Catarina de Góis) podia perfeitamente ser um irmão inteiro mais novo do antedito Francisco Rodrigues de Araújo, portanto filho do 2º casamento de Rodrigo Álvares de Araújo. Teria sido, assim, o 1º desta família a ir para o Brasil, chamando depois seus sobrinhos, filhos naturais de seu irmão Francisco, que foram em 1571. Gaio, de resto, dá a Francisco Rodrigues de Araújo um irmão inteiro a que chama Gaspar Rodrigues de Araújo e diz que foi abade de Cabaços e Oliveira e que também dá por pai dos ditos irmãos Francisco de Araújo e Baltazar Barbosa de Araújo. Mas como esta paternidade não se confirma, é de supor que seja igualmente errada a informação de que esse Gaspar Rodrigues de Araújo foi abade (salvo se é referência a ter sido jesuíta depois de viúvo). Na verdade, deve tratar-se do Gaspar Rodrigues de Araújo que a 5.3.1516 era moço da câmara da Casa Real quando teve 4.000 reais de mercê. Teria assim nascido cerca de 1507 e já então serviria o rei em Lisboa, onde viria a casar. O que, por outro lado, justificaria o foro que lhe apontam no Brasil.

A hipotese que apresento de este Gaspar Rodrigues de Araújo, moço da câmara da Casa Real em 1516, ser filho de Rodrigo Álvares de Araújo e sua sua 2ª mulher Ana da Cunha e ser o Gaspar de Araújo que em 1563 foi com sua mulher Catarina de Góis e filhos para o Brasil, ganha foros de uma quase certeza perante um testemunho no processo para Ordem de Cristo de seu neto. Com efeito, uma testemunha, curiosamente também chamada Gaspar de Araújo, morador na freguesia de Calheiros, de 53 anos (em 1651), diz que era parente do habilitado e que «tem por certo a si pelo conhecimento que ele testemunha tem de seus parentes como pela fama pública que há de sua qualidade são todos tidos e havidos por cristãos velhos por parte de seu pai sem terem raça de mouro cristãos novos judeu nem mulato nem disse serem infamados nem que descendam de mecânico algum, antes são parentes dos Alcaides digo parentes do Alcaide mor que foi de Castro Laboreiro que foi visabo do Suplicante segundo viu de papéis». A testemunha parece indecisa sobre se o alcaide-mor de Castro Laboreiro era parente ou bisavo do suplicante (neste caso o pai de Gaspar de Araújo). A verdade é que o alcaide-mor de Castro Laboreiro, nomeado a 2.6.1483, foi Paio Rodrigues de Araújo, irmão inteiro (legitimado na mesma carta real) de Rodrigo Álvares de Araújo, sendo que este Rodrigo é, nesta minha hipótese, o tal «visabo do Suplicante». Seria fácil concluir, com base no testemunho, que Gaspar de Araújo era filho de Paio Rodrigues de Araújo, alcaide-mor de Castro Laboreiro. Mas deste não há notícia de que Paio Rodrigues de Araújo tivesse tido filhos. O mais provável é que Rodrigo Álvares de Araújo também tivesse sido alcaide-mor de Castro Laboreiro, como interino de seu irmão Paio. Ou então foi confusão da testemunha, que trocou o tio com o pai, como aliás fica de alguma forma patente na hesitação quanto ao exacto grau de parentesco entre o suplicante e o alcaide. Como quer que seja, de Rodrigo Álvares ou de seu irmão Paio Gaspar de Araújo era certamente filho. Não sendo minimamente aceitável a hipótese adiantada por meu falecido primo José Ernesto de Menezes e Sousa de Fontes, no artigo que sobre estes Araújo de Góis publicou em 1994, em co-autoria com Marcelo Meira Amaral Bogaciovas, no nº 1 da Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores de História e Genealogia, que sem qualquer fundamento sério supõe Gaspar de Araújo filho de Diogo de Souza de Araújo e Menezes. Desde logo, Diogo de Souza (é assim que se documenta, sem Araújo nem Menezes), não foi alcaide-mor de Castro Laboreiro, tal como não o foram seu pai e avô. Foi sim alcaide-mor de Lindoso, nomeado por D. João III (CJIII, 5, 29v), sucedendo a seu pai João Rodrigues de Araújo, nomeado 7.1.1496, que por sua vez sucedeu a seu pai Lopo (Rodrigues) de Araújo, que antes de ser alcaide fora senhor do couto de Lindoso (11.3.1464), mas perdeu o senhorio em 1468 por ter fugido para Castela após ter morto várias pessoas. Quem foi alcaide-mor de Castro Laboreiro, como já disse, foi Paio Rodrigues de Araújo, sobrinho deste Lopo, nomeado por D. Afonso V a 2.6.1483, confirmado por D. João II a 2.6.1483, e que certamente ainda se manteve no cargo no reinado de D. Manuel I, pois este rei não nomeou ninguém para o cargo. Como Paio Rodrigues morreu solteiro, D. João III passou a alcaidaria-mor de Castro Laboreiro para o duque de Bragança, Casa onde ficou.

Podemos assim concluir que o Gaspar (Rodrigues) de Araújo que foi para o Brasil não era filho mas sim sobrinho do alcaide-mor de Castro Laboreiro, como a hesitação da testemunha parece explicar. Acresce que, se fosse filho de Paio Rodrigues, seria o seu único filho conhecido e naturalmente o sucessor na alcaidaria, não sendo provável a sua ida para o Brasil. Já como filho tardio do 2º casamento de Rodrigo Álvares, não só se explica melhor o patronímico (Rodrigues) com que aparece em Lisboa, como também a necessidade de fazer pela vida, primeiro na capital e depois no Brasil. Como vimos, o Gaspar de Araújo que foi para o Brasil podia ter nascido entre 1505 e 1515. Na verdade, terá nascido na mais recuada destas datas, teria seu proposto pai cerca de 45 anos de idade (o que concorda perfeitamente com um 2º casamento). Filho mais novo, provavelmente sem grandes perspectivas de herança, cedo foi foi posto ao serviço do rei, não sendo portanto de estranhar que seja o Gaspar Rodrigues de Araújo que a 5.3.1516, teria 11 anos de idade, era moço da câmara da Casa Real quando teve 4.000 reais de mercê. Só muito mais tarde viria a casar com Catarina de Góis, já com cerca de 55 anos de idade, sendo ela muitíssimo mais nova. Provavelmente até casou antes uma 1ª vez, com mulher por enquanto desconhecida. Neste interim a sua vida prosseguiu: terá servido no norte de África, quiçá na Índia, e deve ser o Gaspar de Araújo que D. João III nomeou escrivão da correição da ilha de S. Tomé (CJIII, 40, 219) e depois escrivão das sisas da Ribeira de Santarém (55, 26v).

Rodrigo Álvares de Araújo

Seu proposto pai, Rodrigo Álvares de Araújo, foi cavaleiro da Ordem de Santiago, como vem referido na carta de armas de seu filho Gonçalo. A 5.5.1496 Rodrigo Álvares de Araújo, morador na vila de Ponte de Lima, teve carta de perdão, com a obrigação de pagar 1.000 reais para a arca da piedade. Era acusado por Lourenço de Antas, morador nessa vila, de saltar com ele de propósito, após tê-lo já ameaçado. E deve ser o Rodrigo Álvares de Araújo, criado do visconde de Vila Nova de Cerveira, que a 2.4.1511 teve confirmação de cavaleiro. Como já disse, foi com seus irmãos legitimado por carta real de 1.9.1475. É o seguinte o teor desta carta: «Dom Affonço pella graça de Deos Rey de Castella de Leão, de Portugal, de Tolledo, de Galiza, de Sevilha, de Cordova, de Jaen, de Murcia, e dos Algarves daquem e dalem em Africa, Gibaltar, e das Algueziras, e senhor de Biscaya, e de Molina &c. a quantos esta nossa carta virem fazemos saber que nos querendo fazer graça e merce a Rodrigo Alvares de Araujo, e a Payo Rodrigues de Araujo, e a Gonçalo Rodrigues de Araujo, filhos de Alvaro Rodrigues de Araujo Comendador, e de Constança de Lama mulher solteyra ao tempo de sua nacença de nossa certa sciencia, poder absoluto, que havemos e dispensamos com elles, e legitimamolos, e fazemolos legitimos, e queremos, e outrogamos, que elles hajão e possão haver todos os outros previlegios, e liberdades dignidades, e officios tão publicos, como privados, que de feito e direyto haver poderião, assi como de legitimo matrimonio nascidos fossem, e que outrosi possão haver e herdar os bens do dito seu padre, e madre, e de outras quaiquer pessoas que lhos derem, ou que lhos deixarem por qualquer guiza que seja, asi por testamento, como por codecilio, ou por outra qualquer guiza, que seja, assim por testamento, como por codecilio, ou por outra qualquer guiza (sic), ou via ou doacção, e que outrosi possam succeder ab intestato ao dito seu padre, e quaisquer outros lhes possão fazer quaisquer doacções tãbem entre vivos, como cauza mortis, assi puros, como condicionais, e que outrosi possão succeder em morgados, e outras quaiquer heranças, ou Direitos que lhe forem dados, ou deixados, por qualquer via que seja, e por aquelles, que para isso seu poder houverem, comtanto, que não sejam bens, nem terras da Coroa de nossos Reynos, e outrosi queremos, e outrogamos, que com esta legitimação os sobreditos hajão a nobreza, e previlegios della, que por Direito comum, ordenação e uzança de nossos reinos haver deverião, se de legitimo matrimonio nascidos forão, não embargante quaisquer Leis, decretos, declaracois, costumes, constituicois, foros, oppiniois de Doutores, e quaisquer outras couzas, que esta legitimacão poderiam annular, ou embargar, posto que tais sejão de que em esta nossa dispensação devesse ser feito expressa menção, porque nos havemos aqui por expessas, e declaradas, e queremos, que em elle não hajão lugar, porque nossa tenção he legitimarmos ao dito Rodrigo Alvares de Araujo, Payo Rodrigues de Araujo, e Gonçalo Rodrigues de Araujo o mais firmemente, que nos o poderiamos fazer, e o elles devem e podem fazer digo ser pella guiza que dito he, e esta dispensação lhes fazemos a requerimento do dito seu padre que pareceo perante nos em pessoa, e nolo por elles pedio, supprimos todos os fallecimentos de solemnidade, que de feito, ou direyto for necesario para esta legitimação firme ser, e mais valer, em pezo, não he nossa tenção, q por esta legitimação seja feito nenhum prejuizo a alguns herdeyros legitimos, se os tinha, e outras quaisquer pessoas, que algu~ Direito hajão em os ditos bens, e couzas, que assim lhes forem dadas, e deixadas em testamento, em testemunho da verdade lhes mandamos dar esta nossa Carta, dada em Lisboa ao primeyro dia de Septembro. Elrey o mandou pello Doutor João Teixeyra do seu Concelho, Dezembargo, e peticois, Ruy Vas por Affonço Trigo o fes anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil e quatro centos e settenta e sinco annos».

Rodrigo Álvares de Araújo casou duas vezes, a 1ª com Babiana Álvares de Antas, de quem teve Gonçalo Rodrigues de Araújo, nascido em Ponte de Lima, que a 20.2.1531 teve carta de armas para Araújo. Casou a 2ª vez com Ana da Cunha, senhora da quintã da Torre de Picanços, em S. Vicente de Távora, de quem teve Francisco Rodrigues de Araújo, morador em Ponte de Lima, que herdou a dita Torre de Picanços, já referido acima, e Gaspar Rodrigues de Araújo, que identifico com o Gaspar de Araújo em epígrafe, como ficou dito.

Álvaro Rodrigues de Araújo

Como ficou dito, Rodrigo Álvares de Araújo era filho de Álvaro Rodrigues de Araújo, fidalgo da Casa Real, capitão da guarda do infante D.Henrique, comendador de Rio Frio (Arcos de Valdevez) na Ordem de Cristo e senhor donatário das igrejas de Linhares e Guilhedezes. Álvaro Rodrigues de Araújo teve ao todo cinco filhos e cinco filhas, todos legitimados por carta real, sete deles em Constança de Lama e três em Branca Afonso. Fez testamento a 25.4.1506, cujo texto é o seguinte: «Em nome de Deos amen, saybão quantos os que esta manda, y testamento virem como eu Alvaro Rodrigues de Araujo Cavaleyro, e Comendador da Comenda de Riofrio, que he da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo jazendo doente em cama de dor, que eu tenho no Corpo, e enfermo, e são do entendimento, faço minha manda por esta guiza, que se segue // Primeyramente encomendo minha Alma ao Senhor Deos, que a criou, e rogo a Virgem Maria, que com toda a Corte celestial rogue ao Senhor Deos por mim // Mando que enterrem meu corpo dentro na Igreja no jazigo, que hora mandey fazer // Mando hum marco de prata para hum Calix ao Mosteyro // Mando que no prymeiro dia me digão sincoenta Missas, e se as não poderem dizer no dito dia, que as digão athe o terceyro dia // Mando que ao mes me digão vinte missas // Mando que ao anno me digão trinta e se as não poderem dizer nos ditos dias, que as digão nos seguintes dias // Ao presente dem de obrada a metade de huã vaca e dois carneyros e trinta reis de pão, e hum odre de vinho; ao mes vinte reis de pão, hu~ carneyro e hum alqueyre de vinho; // Mando que me obradem cada sabado, ou cada Domingo com sinco reis de pão alvo, e huma canada de vinho, e carne ou pescado, como se puder haver, e que o Cappelão va sobre minha sepultura com agoa benta cada Domingo // Mando que digão hum trintario encerrado o mais sedo que puder ser // Deixo por meu Cumpridor a Rodrigo Alvares meu filho, que cumpra estas couzas, e deixo o Abbade de Cabreyro por accuzador // Mando a todos os meus filhos e filhas sob pena de minha bencão, e maldicão, que não sejão contra minha manda // Estas são as dividas que devo: devo a Payo Rodrigues seis mil reis, ou aquillo que acharem assignado por minha mão // Devo a Fernão Velho meu sobrinho onze mil reis, ou aquillo que se achar assignado por minha mão, e elle tem em penhor o meu Lugar em Lubeyra, e tanto que lhe derem o dito dinheyro, que elle largue o Lugar // Devo a Rodrigo Alvares de Mantelães trezentos e quarenta e sinco reis, que lhe fiquey por Pedro de Cadorcas, e lhe devo em outra parte cem reis // Devo a Pedro Affonco de pano que lhe mandey tomar para a mulher de João Lopes dous mil reis // A Rodrigo Alvares de Mantelães de pano que tomey para minha neta mulher de João do Barreyro de Monte Redondo dous mil duzentos e sassenta reis, e elle Rodrigo Alvares recebeo a renda de hum Cazal, que traz Gonçalo da Lama, o mais seja a conta // Ao Abbade de Tavora de vinho, que lhe comprey novecentos e settenta reis // Devo a Diogo Dias Bom christão mercador de pano, que lhe mandey tomar em Sancta Luzia para vestir minha Caza, e de outro que lhe ja devia deantes em que se montão quatro mil duzentos e sassenta reis. // - A Henrique de Lima de pano que lhe tomey no Ladaryo novecentos e dezaseis reis // Devo a Froillos de Araujo dous mil reis // A João de Arranhados mil reis de bezerros // Devo a Alvaro Ennes sapateyro cento e quarenta reis // Estas são as dividas que me devem. Deve Pedro de Cadorcas cento e quarenta reis // Gonçalo Gil de São Mamede, mil e quatro centos reis de bezerros que lhe vendi, e de adianamentos (sic) athe esta era de quinhentos e sinco // Deixey a João do Pezo dois bezerros em mil, e novecentos reis, ittem em outra parte me deve seiscentos reis de dois bezerros meus, q vendeo // A mulher e filhos de João de Travacos trezentos reis, que emprestey a João de Travacos // Rodrigo de Travacos mil e cem reis de bezerros, que lhe vendi, me deve mais os adianamentos em Riofrio, Senlarey [Serraleis], Parada e Guilhadezes // João de Senlarey quinhentos reis ou o que se achar em bonna conta, que são de adianamentos, que fes comigo // Fernando filho de João do Fojo, deve hum bezerro, e não me lembra o preço, e recebi delle duzentos reis // Fernão Ennes de eira da Villa me deve de hum bezerro, ou boy de luctuosa mil e quatrocentos reis, e destes recebi por a metade de hua vaca quatrocentos e vinte e sinco reis // Estes são os Cazamentos que eu dey a minhas filhas, primeyramente Pedro Alvares ouve desasette mil reis, e a mulher vestida de dous vestidos de Londres, e suas camas de roupas // Goncalo de Morim des mil reis em dinheyro, e suas camas de roupa, e a mulher vestida de Londres. // Rodrigo Alvares de Mantelães des mil reis, e suas camas de roupa, e a mulher vestida de Londres.// A mulher de João Gomes deulhe meu Irmão o Cazamento, e eu deylhe a roupa da cama // Alvaro Pires de Caravana outro boy e outro gado que lhe dey, que valia sinco mil, e quinhentos reis, e sua roupa, e ella vestida de Londres. // Luis de Moreyra oito mil reis em dinheyro, e sua cama de roupa e ella vestida de Londres. // Affonso Garcia deulhe o Visconde o cazamento, e eu deylhe a roupa // Dey a João Lopes de Calvos sinco mil reis, e sua cama de roupa, e sua mulher vestida de Londres. // Mando que esta minha filha Lucrecia Rodrigues herde Irmammente com os outros meus filhos, e mando que em a Alvaro Fernandes meu Criado quatrocentos reis por serviço, que me fez, a João Grova (?) outrosi meu Criado tres mil reis, mando a Mayor minha neta, que a vistão assi como vestirão a sua Irmam, e lhe dem quatro mil reis. // Mando a Constanca Goncalves mil reis, mando a Maria minha Criada, que lhe dem trezentos reis, porquanto ja agora esta vestida. // Mando que os moços pequenos, que eu criey que fazendo Deos de mim al, mando a meus Cumpridores, que lhe satisfacão, como cada hum merecer. // Mando que a Pedro Galego meu Criado lhe dem tres mil reis. // Mando, que todos os meus bens se paguem estas dividas, e servicos assima escriptos, segundo por mim he mandado, e tanto que apartadas forem as dividas me apartem meu terco para cura de minha Alma, do qual mando ao dito Rodrigo Alvares meu filho, e assi a Alvaro Rodrigues outrosi meu filho que tambem lhe dou por ajudador, que cumpra todas as couzas assima escriptas, que cumprão para cura de minha Alma, e assim o mais, e cumprido, o mais que remanecer de meu terço o hajão por seu trabalho, e se ahi houver tanta quantidade, mando que dem dous mil reis para duas orphans, onde virem que he mais necessario, e assim mando a Guiomar de Villafranca, que meus herdeyros lhe não vão a couza alguma, que ella tiver destas portas a dentro a saber em peças de Caza, e mais mando, que por serviço, que me fes lhe dem quatro milreis em gado, quer em dinheyro, mais mando lhe não vão ao quinhão de duas vacas, e duas filhas, que trago comigo // Mando que dem a Branca Affonco de Tavora dois mil reis. // Mando que de todos os meus bens se apartem tres mil reis, e mando aos dois meus herdeyros os distribuão pella Alma de Constanca de Lama por muito serviço que me fes; mando a meus herdeyros, que não vão a huas pertencas, que comprou Guiomar de Villafranca a Goncalo de Villafranca em Gouvellas; Mando que os bens que comprou Guiomar de Villafranca a Lopo, que jazem em Villafranca, que forão de Mecia Affonco, que lhe não vão a elles. digo mais, que o Campo das Coraceiras, que pertence aos filhos de Constanca de Lama, que ella o comprou; e por esta maneyra hey por revogadas outras quaisquer mandas, e codecilios, que eu athe aqui tenha feitos, que não valhão em juizo, nem fora delle, salvo esta, e por ella peco a Elrey Nosso Senhor, e a todas as suas justicas, a que for mostrada, que em todo o facão cumprir, e guardar, porque esta he a minha postrimeyra vontada e esta hey por bonna e valioza deste dia para todo sempre // E mais me deve Pedro Alvares de Cazal Soeiro o que lhe emprestey; feita, e outorgada foi a dita manda dentro das Cazas da morada da dita Comenda de Rio frio, aos vinte e sinco dias do mes de Abril do anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil e quinhentos e seis, e logo ahi pello dito Alvaro Rodrigues Comendador foi dito que seu dezejo e vontade era por alguns respeitos ao prezente todos não serem sabedores do Contheudo em seu testamento, disse que mandava a mim Taballião, que fizesse hum instrumento ao pee della de fee, como elle outorgava prezentes as testemunhas, o qual instrumento he o seguinte: Saibão quantos este instrumento de fee, e outoga virem, que no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil e quinhentos e seis annos, aos vinte e sinco dias do mes de Abril dentro das Cazas da morada da Comenda de Rio frio, do Julgado de Val de Ves em prezença de mim Tabalião, e testemunhas jazendo em cama Alvaro Rodrigues de Araujo Comendador da dita Comenda, que elle agora fazia sua manda, e testamento, e por nella mandar alguas couzas por descargo de sua Alma, comigo Tabalião del Rey Pedro Annes no dito Julgado, como assima deste escripto está escripto, e por ao prezente todos não serem sabedores do que eu mando, por descargo de minha Alma, vos Tabalião me dareis hum instrumento, como heu hey por boa, valioza, e firme para sempre, como nella fas menção, e outorgo por este escripto em pessoa vossa, e das testemunhas, que me vem, e ouvem outorgar, assim, e pella guiza, que nella fas menção, e por vos Tabalião escripta, porque esta he minha tenção digo minha vontade, porque a fis com todo o meu sizo, e entendimento, e de todo peco assim, hum instrumento, e por elle protesto ser firme, valioza em juizo, e fora delle, como couza por mim he mandado, e por de tudo peco o dito instrumento para minha guarda, e de minha alma, testemunhas que forão prezentes João Lopes de Calvos, e Goncalo Gomes seu filho, e Diogo Lopes de Alvim, e Fernão de Calvos, e Diogo do Torrão, e Diogo da Fonte, morador em Tavora, e outros e eu Pedro Annes Tabalião no dito Julgado, que este escrevi, e assi foi testemunha Diogo Fernandes Abbade de Peruzello // Alvaro Roiz // // Gonçalo Gomes // Diogo Lopes // Diogo da Fonte // Fernão de Calvos // Diogo do Torrão // Martinho Alvares // João Lopes. E não se continha mais nada no dito testamento, e termo delle, que tudo se tresladou na verdade e ao proprio me reporto».

Paio Rodrigues de Araújo

Álvaro Rodrigues de Araújo era um dos filhos mais novos de Paio Rodrigues de Araújo, o Cavaleiro, guarda-mor de D. João I e seu embaixador a Castela, alcaide-mor de Lindoso, comendador de Rio Frio e Rio Caldo, senhor de Lobios (Galiza), senhor de juro e herdade de Lindoso, senhor de Castelo Rodrigo (26.11.1433), senhor de juro e herdade de Monção, etc., e de sua mulher Leonor Pereira, filha herdeira de Bernardim de Barbudo, senhor de Barbudo, do castelo de Bouro e do couto de Sabaris. Paio Rodrigues de Araújo esteve em Ceuta (1415) com 300 homens, e em Tanger (1437), teve mercês confirmadas a 26.11.1436. Foi ainda senhor do couto de Val de Poldros, que aforou. É a seguinta a carta de aforamento: «Aforamento de Payo Rodrigues de Araujo o Cavaleyro, do Couto de Val de poldros. Saybão quantos este instrumento de aforamento virem de como eu Payo Rodrigues de Araujo fidalgo da Caza do muito magnifico e poderoso Senhor Elrey Dom João primeiro, e guardador de sua pessoa, e Comendadeyro da Comenda de Riofrio, e Rio Caldo, Alcayde mor do Castello de Lindozo, e senhor de Lobeos em Galiza, ora aforo para sempre em fateosim a vos Anes Pescosso e a vos Braz Alquerno (?), e a vossas mulheres Catharina Petiza, e Anna Chamissa, que presentes estades o meu Couto de Val de poldros, e assim como eu o deffendi, demarquey, e melhorey, com tal condiçom, que vos e todos vossos descendentes serdes obrigados a ser nossos piões de pee, e de nossos descendentes, que pessuirem o dito Couto, no qual farey huã caza, onde residira o meu mordomo, o qual seredes obrigados servir naquillo que de nossa parte vos demandar non sendo vos vergonhozo; e quando eu for cassar ao dito Couto pousarey na dita Caza, levarey vinho e pão branco, e vos seredes obrigados a nos dar para nosso gazalho cada hum, huã pessa do milhor movel de vossa caza, e os que o não tiverdes nos pagareis com sendas e boas vontades; e por que quero que sejades defendidos e amparados deixo de consenso para sempre de cada hum anno no dito Couto a meu Compadre Nuno de Amorim Comendataryo de Paderne digo do Mosteyro de Paderne, e aos que apos delle forem quatrocentos reis em cada hum anno, para que vos defendão, e amparem de tão maos homes como são Lopo Gomes de Abreu senhor dos Regalados, e Fernão Annes senhor de Giella, e de outros semelhantes, e por de todo ser contente, e vos aceitardes este aforamento com as ditas condicois mandey fazer a presente, em que forão testemunhas etc. (sic)». Já tinha falecido a 11.3.1464 quando D. Afonso V doou a Lopo de Araújo, escudeiro, fidalgo da sua Casa, enquanto sua mercê for, o couto de Lindoso, seu castelo e respectivo senhorio, rendas e pertenças, em substituição de Paio Rodrigues de Araújo, seu pai, que morrera. E a 25.2.1464 o mesmo rei confirmou adoação vitalícia a Paio Rodrigues e a Lopo Rodrigues de Araújo, escudeiros e fidalgos da sua Casa, das rendas e direitos dos reguengos situados na vila de Monção, que ficarem por morte de Paio Rodrigues de Araújo, seu pai.

Origem dos Araújo

Paio Rodrigues de Araújo, o Cavaleiro, nascido cerca de 1400, era o filho sucessor de Pedro Anes de Araújo, senhor de Lobios, senhor de juro e herdade (20.5.1398) e alcaide-mor (16.8.1398) de Lindoso, etc., e de sua mulher Leonor Gonçalves Pedroso. Pedro Anes de Araújo, que é referido por Fernão Lopes, achou-se com Lopo Gomes de lira na defesa de Ponte de Lima contra o mestre de Avis, o que este depois lhe perdoou, comfirmando-lhe as terras que tinha em Portugal e dando-lhe em tença as de Lindoso. Este Pedro Anes era filho sucessor de Gonçalo Rodrigues de Araújo, senhor de Lobios, alcaide-mor de Lindoso e Castro Laboreiro (12.10.1382 e 20.4.1383), que apoiou o partido da rainha D. Beatriz contra o mestre de Avis, e de sua 1ª mulher Maria Ribeiro (e não da segunda, Froile Afonso de Magalhães, como dizem algumas genealogias, coisa que a cronologia não permite). Este Gonçalo Rodrigues de Araújo serviu com quatro lanças o rei D. Fernando I, que lhe deu as terras de Vilar de Vacas, Cidrais e Lindoso (12.10.1382 e 30.4.1383). Gonçalo Rodrigues de Araújo era filho sucessor de outro Pedro Anes de Araújo, fronteiro da Galiza, e neto materno de Gonçalo Rodrigues Veloso, que fez a torre de Lobios, na Galiza, verificando-se nesta linhagem uma onomástica muito extravagante para a época. Ao contrário do que dizem as genealogias tardias, o antedito Pedro Anes de Araújo (Araúxo) é que terá sido o 1º deste nome, certamente por ser senhor de Araúxo, junto a Lobios, o que cronologicamente concorda com o facto de o conde D. Pedro não tratar esta família. E Vasco Rodrigues de Araújo seria seu filho (portanto irmão de Gonçalo Rodrigues de Araújo), como a sua cronologia indicia, e não seu pai, como dizem as mesmas genealogias tardias.

Catarina de Góis

Quanto a Catarina de Góis, mulher de Gaspar de Araújo, documenta-se no processo para a Ordem de Cristo do neto como natural de Lisboa, filha de Rui Gonçalves de Góis, escrivão do Fisco Real, tendo ido com o marido e filhos povoar Ilhéus. Apura-se ainda que Catarina de Góis era parente do Padre João de Matos, jesuíta e visitador desta ordem, de D. Serafina de Góis, moradora na rua de S. Boaventura (que era mãe de D. Juliana de Mello, viúva de Bartolomeu de Vasconcellos da Cunha, governador que foi da ilha da Madeira), de D. Ana de Góis, de 57 anos, viúva de João Coelho de Castro, escrivão que foi do fisco real, moradora na rua direita de Santana, e do cónego desembargador Luiz de Góis de Matos, já falecido, todos de Lisboa. Uma das testemunhas ouvidas em Lisboa, António Correa Freire, morador a S. João da Praça, de mais de 40 anos de idade, disse que o neto de Catarina de Góis, quando veio do Brasil estudar a Coimbra, nas férias pousava em casa de seu "tio" o cónego desembargador Luiz de Góis de Matos e que ouviu muitas vezes falar de sua avó paterna (Catarina de Góis) ao dito desembargador e dizer que tinha estes primos Araújo e Góis moradores na Baía, e que o pai do justificante por nome Jorge de Araújo de Góis de cá fora para o Brasil, e lhe parece que desta cidade de Lisboa. E que sendo o dito justificante de quem ele testemunha depoente desta família de Góis e Araújo sabe serem limpíssimos de sangue e muito nobres por geração, sem terem raça de judeu, cristão novo, mouro, herege, nem de gentios, por serem descendentes do escrivão do fisco desta cidade Julião de Góis.

Rui Gonçalves de Góis

Na verdade, como se refere no já citado artigo da RABPHG, Rui Gonçalves de Góis viveu em Lisboa, onde foi escrivão do fisco real e almoxarife dos paços reais. A 11.1.1571, sendo morador na freguesia do Castelo, vem referido como cavaleiro fidalgo do cardeal D. Henrique quando fez uma doação a seu filho Pedro de Góis, moço da câmara da Casa Real e tabelião, servindo de testemunha seu outro filho, Julião de Góis (Index das Notas de Vários Tabeliães de Lisboa - Séculos XV-XVIII - tomo 4º, pág. 213, em notas do tabelião Jerónimo Teixeira do ano de 1570 e 1571, folha 342, BN, 1949). Rui Gonçalves de Góis casou com Margarida de Anseres e faleceu a 15.7.1571 na freguesia de Stª Cruz do Castelo (Lisboa), sendo no óbito referido como escrivão do fisco e ficando testamenteiro seu filho Julião de Góis. Este seu filho Julião de Góis sucedeu-lhe como escrivão do fisco e casou com Apolónia de Matos, filha de João de Matos e sua mulher Antónia de Madureira e prima de D. António de Matos, bispo de Elvas e inquisidor. Deste casal descendem os anteditos sobrinhos de Catarina de Góis. O antedito filho Pedro de Góis, moço da Câmara e tabelião em 1571, deve ser o homónimo que casou com Catarina de Aragão e teve dois filhos baptizados na freguesia de Stª Cruz do Castelo (Lisboa): Margarida, a 31.12.1567, e Luiz, a 20.4.1578, devendo ter servido na Índia ou norte de África pelo menos em parte do dilatado intervalo destes nascimentos. Aquela D. Serafina de Góis, moradora na rua de S. Boaventura, faleceu aí (freguesia das Mercês) a 23.10.1653, sendo casada com José Ferreira de Mello. A filha, D. Juliana de Mello, casou a 23.6.1630, ib. com Bartolomeu de Vasconcellos da Cunha, nascido ib, sendo pais de pelo menos um filho, Francisco, baptizado a 19.4.1631, ib.

Como vimos, Catarina de Góis casou cerca de 1560, sendo necessariamente muito mais nova do que o marido (devia até ser a sua 2ª mulher), o qual propomos ter nascido cerca de 1505. Catarina de Góis terá nascido cerca de 1540/4 e deve ter sido a mais velha dos filhos de Rui Gonçalves de Góis, sendo que este não terá nascido antes de 1516/20, sendo portanto mais novo do que o genro, particularidade que se verifica muitas vezes. Esta datação Rui Gonçalves de Góis resulta não só da cronologia dos filhos, mas também do facto de em 1571, data da sua morte, ainda exercer o cargo. E de só ter sido nomeado para os cargos por D. Sebastião, não aparecendo no reinado de D. João III, o que o faz supor ainda relativamente novo à data da morte deste rei, em 1557.

Mas de quem era filho o escrivão do fisco Rui Gonçalves de Góis, que as genealogias não referem e que terá nascido cerca de 1516/20? Infelizmente não me foi possível encontrar ainda qualquer referência directa que permita localizar os pais de Rui Gonçalves nas já vastas linhas de Góis que floresciam nos primórdios do século XVI. E ficaria num beco sem saída não fosse o caso de, entre os netos de Catarina de Góis e Gaspar de Araújo, aparecer uma neta inexplicavelmente chamada Maria de Góis de Macedo. Em geral, os netos de Gaspar de Araújo e Catarina de Góis usaram o nome composto Araújo de Góis, alguns apenas Góis, outros Sequeira de Góis ou apenas Sequeira (das noras Maria de Sequeira e Ângela de Sequeira), ou Góis da Fonseca e Araújo da Fonseca (do genro Domingos da Fonseca Saraiva), ou finalmente Araújo de Brum, do genro Melchior de Armas de Brum. E é justamente deste Melchior de Armas de Brum e de sua mulher Francisca de Araújo que foi filha a antedita Maria de Góis de Macedo, com filhos que seguiram estes dois nomes. Desta Maria, para além de um Gaspar de Armas de Brum e de um Marcos de Araújo de Brum, foi irmã uma Margarida de Anseres, justamente o nome de sua bisavó, a mulher de Rui Gonçalves de Góis.

Sendo ténue, este indício não deixa de ser significativo. Na verdade, a família Araújo de Góis não estava isolada no Brasil, como se documenta, tendo vários dos filhos e netos de Gaspar de Araújo e Catarina de Góis vindo a Portugal, nomeadamente para estudar em Coimbra, sabendo-se que visitavam os parentes. E assim todos saberiam que capela-mor da igreja do Espírito Santo de Alenquer estavam vários túmulos armoriados, de Macedo em pleno, entre eles o de Sebastião de Macedo, falecido em 1570, e o de seu pai Francisco de Macedo, nascido cerca de 1469 e falecido em 1545, sendo este nada mais nada menos do que o meio-irmão mais velho do celebrado Damião de Góis, e chefe deste ramo, ambos filhos de Rui Dias de Góis.

Esta recuperação do nome Macedo é portanto um fortíssimo indício de que Rui Gonçalves de Góis era não só da linha de Alenquer como descendente de Rui Dias de Góis e sua 1ª mulher Inez de Oliveira ou de Macedo.

Rui Dias de Góis

Rui Dias de Góis nasceu cerca de 1438, foi escudeiro da Casa Real, esteve na conquista de Arzila (1471), sendo depois almoxarife de Alenquer, cargo que ocupava em 1509, vindo a falecer em 1513. Casou quatro vezes. Tendo em conta a cronologia dos filhos dos seus dois primeiros matrimónios, casou a primeira cerca de 1468 com a antedita Inez de Oliveira, que terá falecido de parto no ano seguinte. Ficando com uma criança, tratou de casar logo outra vez, desta feita com uma parente, Filipa de Góis, tendo o filho deste 2º casamento nascido cerca de 1470. O filho mais novo do 4º casamento, Damião de Góis, só haveria de nascer em 1502, ficando órfão de pai aos 11 anos de idade.

Rui Dias de Góis viveu em Estremoz pelo menos de 1469 até 1475. A ida para Estremoz terá ficado a dever-se à nomeação do pai, como direi adiante. A ligação a Alenquer deste ramo de Góis, apesar da episódica relação de seu pai com esta vila como contador (a vila era da rainha D. Leonor, a quem ele servia), veio a fazer-se sobretudo pelo 2º casamento de Rui Dias de Góis com Filipa de Góis, do ramo de Alenquer.

Com efeito, a 16.1.1469 D. Afonso V privilegiou Rui Dias de Góis, escudeiro da sua Casa, morador em Estremoz, concedendo-lhe licença para uso e porte de armas nesta vila e seu termo, e por todo o reino e senhorio, para se defender dos filhos de João Rodrigues Mealheiro, desembargador régio, que eram seus inimigos. E a 18.6.1472 o mesmo rei perdoou a justiça régia a Rui Dias de Góis, escudeiro da sua Casa, morador na vila de Estremoz, acusado da morte de Gonçalo Rodrigues Mealheiro, na sequência do perdão geral outorgado aos homiziados que serviram na armada e conquista da vila de Arzila e da cidade de Tânger, e mediante o perdão das partes. Finalmente, a 13.2.1475 privilegiou por dois anos Rui Dias de Góis, escudeiro da sua Casa, morador na vila de Estremoz, concedendo-lhe licença para alugar a judeus umas casas suas, fora da judiaria.

Francisco de Macedo

O filho do primeiro casamento de Rui Dias de Góis, cuja mãe terá falecido de parto, foi o já referido Francisco de Macedo, escudeiro e depois cavaleiro da Casa Real, contador das comarcas de Alenquer e Sintra e 1º provedor do hospital e Santa Casa do Espírito Santo de Alenquer. A 7.8.1501 já estava casado (e há muito). Com efeito, nesta data Francisco de Macedo, escudeiro da Casa d'el rei, morador em Alenquer, enviou dizer, por sua informação, que um dia, véspera da Trindade de 1500, chegara ele com sua mulher ao lugar de Tojal, termo dessa vila, por serem convidados para um Pentecoste, que se no dito lugar fazia. E estando assim no dito lugar, um dia, à boca da noite, Isabel Rodrigues, mulher solteira, moradora em Olhalvo, termo da mesma vila, e Bartolomeu Fernandes, seu tio, o requereram, e assim mesmo a certos parentes e amigos, para haverem de saltar com Filipe Pires, morador em Lisboa, que aquela noite havia de ir dormir a casa de Isabel Rodrigues, assim como estava em costume e fazia, havia bem dois anos, quando Isabel Rodrigues queria, sem nunca Filipe Pires a querer receber por mulher. E sobre isso o suplicante e os ditos parentes e amigos fizeram conselho para determinarem o que haviam de fazer. O qual conselho, tanto que fora feito, logo ao serão partiram todos para o Tojal, onde jazia a dita Isabel Rodrigues com o Filipe Pires, indo armados, uns com couraças e lanças e espadas, e outros de espadas e capas. E chegaram entre as 11 horas da noite, pouco mais ou menos, e saltaram com os sobreditos, onde jaziam em uma cama. E tanto que se assim chegaram, fizeram vir uma candeia, por força e contra vontade de Filipe Pires, e o fizeram receber com Isabel Rodrigues por marido e mulher. E tanto que fora manhã do dia seguinte, Filipe Pires se fora agravar do suplicante e dos outros todos às justiças, e sobre isso fora tirada inquirição, e o suplicante culpado e preso sobre sua menagem, como ainda era nesta cidade. E se procedera tanto no seu feito que, estando em contraditas, ele, suplicante, se chamara às ordens, e por isso lhe fora assinado termo que fizesse certo como, ao tempo do malefício estava honesto em hábito de tonsura. E, estando o feito nestes termos, Filipe Pires lhe viera a perdoar, por um instrumento feito e assinado por João Gonçalves, tabelião em Lisboa, aos 17 de Julho de 1501. Enviando pedir lhe perdoasse sua justiça e o mandasse soltar, el rei, vendo seu dizer e visto o perdão da parte e um praz-me com o seu passe, lhe perdoou a força que assim fizera, e mandou que lhe levantassem sua menagem e o soltassem, contanto pagasse 6.000 reais para a Piedade.

Francisco de Macedo foi escrivão dos contos e contador das comarcas de Alenquer e Sintra, com 6.407 e depois 10.000 reais de mantimento, pelo menos de 1504 a 1524. A 30.4.1504 Francisco de Macedo, escudeiro da Casa d'el rei, teve quitação de todo o dinheiro, ouro e prata, raiz e móvel, que recebeu dos judeus e mouros das comarcas de Alenquer e Sintra: de prata, 44.662 reais, 9 marcos, 5 onças e 3 oitavas; e de cobre dourado e por dourar que saiu da prata, 5 marcos, 2 onças e 2 oitavas, e todas as vestimentas de brocado, veludo e seda. A 6.1.1515 Francisco de Macedo, escrivão dos contos de Alenquer, passou recibo em como recebeu do almoxarife João de Brito o mantimento que tem com o dito ofício. A 24.7.1515 D. Manuel I ordenou ao almoxarife de Alenquer que pagasse a Francisco de Macedo, escrivão dos contos do dito almoxarifado, 6.407 reais de seu mantimento. A 14.8.1516 Francisco de Macedo, contador no almoxarifado de Alenquer, fez saber ao almoxarife do dito almoxarifado como este fora arrematado a Diogo da Fonseca por 1.073.000 reais, e 1 por cento em salvo para o rei. A 21.2.1519 Francisco de Macedo mandou Fernando Vaz, recebedor da távola da vila de Alenquer, pagar a Afonso Álvares 100 reais de levar umas cartas. A 2.1.1520 Francisco de Macedo, contador, mandou o almoxarife de Alenquer dar 100 reais a Fernão Pires, homem do almoxarifado. A 3.1.1520 Francisco de Macedo, contador dos almoxarifados de Alenquer e Sintra, mandou Garcia Rodrigues, almoxarife de Alenquer, dar a Pedro Álvares 100 reais em pagamento de certo serviço. A 10.11.1520 Francisco de Macedo, contador das comarcas de Alenquer e Sintra, ordenou ao almoxarife que desse a Pedro Alvares 230 reais para ir a Évora levar uns livros a D. Manuel I. A 30.10.1521 o contador dos almoxarifados de Alenquer e Sintra Francisco de Macedo passou certidão em que consta terem sido tomadas várias propriedades dos rendeiros, em satisfação do que ficaram devendo. Finalmente, a 10.12.1524 Francisco de Macedo, que serve de contador da comarca, teve provisão para o almoxarife ou recebedor do almoxarifado de Sintra lhe dar 10.000 reais de seu mantimento.

Pelo menos desde 1517 que Francisco de Macedo era o primeiro provedor do hospital e Santa Casa de Santo Espírito de Alenquer. Com efeito, a 8.2.1517 Francisco de Macedo, provedor do hospital de Santo Espírito de Alenquer, passou recibo segundo o qual recebeu do tesoureiro da Casa Real uma bandeira de damasco carmesim, que o mesmo senhor deu ao dito hospital. E de 18.9.1540 existe uma carta de Francisco de Macedo à rainha, dando parte que enviava o traslado do compromisso e regimento que a rainha D. Leonor e o rei D. Manuel ordenaram para o governador da Santa Casa do Espírito Santo de Alenquer e que não remetia o traslado de como a dita casa se edificara milagrosamente pela rainha Santa Isabel por a dita senhora já o saber.

A 12.2.1515 Francisco de Macedo, já então referido como cavaleiro do rei, teve mercê da corredoria de terra que está nas lezírias reais da Azambuja. Faleceu a 22.12.1545, segundo se diz na inscrição (posterior) do seu túmulo, em laje armoriada (Macedo) no chão na capela-mor da igreja do Espírito Santo, em Alenquer, que diz: «ESTA SEPVLTURA HE / D FR.º D. MACEDO O PRI / M.RO PROVEDOR QUE FOI / DESTA CASA DO ESPRI / TO SANTO E DE SVA / MOLHER BRIOLANGA / PIZ E DE SEVS ERDEIROS / FALECEO AOS 22 / DE DEZEMBR° DE / 1545».

Alão dá cinco filhos a Francisco de Macedo e sua mulher Briolanja Pires, o mais velho dos quais, Sebastião de Macedo, também já referido, nasceu cerca de 1496 e faleceu a 5.7.1570, segundo se diz na inscrição do seu túmulo, em laje armoriada (Macedo) no chão na capela-mor da igreja do Espírito Santo, em Alenquer, que diz: «SEPVLTURA DE BAS / TIAN DE MACEDO CA / MAREIRO GUARDA ROV / PA E VEADOR DO CAR / DEAL INFANTE DON AN / RIQVES GOVERNADOR / QUE FOI DESTES REI / NOS E PROVEDOR DES / TA CASA E DE SVA MO / LHER ILENA IORGE /FALECEO A. 5. DE IVLHO / DE 1570».

A 23.7.1515 era moço da câmara de D. Manuel I, pois nesta data este rei ordenou ao seu tesoureiro que desse a Sebastião de Macedo, seu moço da câmara, um capuz, pelote, calças e gibão por alvíssaras da notícia da chegada da nau da Índia e caravela da Mina. Foi depois tabelião de Alenquer, por nomeação de D. João III (CJIII, 14, 105v), que a 9.6.1529 deu provisão para o almoxarife de Alenquer dar a Sebastião de Macedo 20.000 reais de sua tença e ainda lhe deu carta para comprar casas em Lisboa (ib, 53, 68). Por morte de seu pai, sucedeu-lhe como provedor do hospital e Santa Casa do Espírito Santo de Alenquer (ib, 71, 161) e nas terras em Azambuja (ib, 7, 46v).

Dedução possível

Tendo em conta este conjunto de dados, é muito provável que Rui Gonçalves de Góis seja filho de Francisco de Macedo e, portanto, neto de Rui Dias de Góis. Chamasse-se ele Rui Dias em vez de Rui Gonçalves e eu não teria dúvida nenhuma! Embora pudesse hesitar entre a possibilidade de ser um filho legítimo ou ilegítimo de Francisco de Macedo, tendo em conta a cronologia e o facto de as genealogias o não referirem. Com efeito, nascido entre 1516 e 1520, Rui Gonçalves de Góis é ligeiramente tardio, embora nada de especial, tendo em conta que as mulheres casavam então muito novas, entre os 12 e os 15 anos de idade, pelo que Briolanja Pires podia perfeitamente ter um filho primogénito cerca de 1496, aos 15 anos, e um filho tardio cerca de 1516, com 35 anos de idade.

O prenome Rui não tem dúvida, seria o do avô paterno. Mas porquê o patronímico Gonçalves, que nesta época em geral já não funcionava como tal, mas muitas vezes como mera reminiscência onomástica. Investigando bem, contudo, podemos encontrar uma explicação, que aliás se prende com o curioso facto de o primogénito de Rui Dias de Góis usar não só o nome como o escudo de armas dos Macedo.

Infelizmente não me foi possível documentar a mãe de Francisco de Macedo, que Alão chama Inez de Oliveira de Macedo, nome demasiado composto para a época. Certamente chamou-se apenas Inez de Oliveira, provável nome da mãe dela. Alão não a filia, o que é significativo. Já o mesmo não acontece com o facto de Gaio dizer que era filha de Jorge de Macedo e neta de um Diogo Gonçalves de Macedo. Este Jorge de Macedo documento-o como cavaleiro da Casa do duque de Viseu e coudel de Santarém entre 1468 e 1479 e sendo filho de Diogo Gonçalves de Macedo poderia estar aí a origem do patronímico. Mas a informação de Gaio vale o que vale. Na verdade, julgo possível que Inez de Oliveira, que terá nascido cerca de 1453, fosse irmã de Rui Gonçalves de Macedo, nascido cerca de 1452, que se documenta escudeiro de D. Afonso V e casou com Maria Fernandes em Pedorido (Castelo de Paiva), onde teve o prazo da quinta de Germude do mosteiro de Paço de Sousa, com geração nos Vieira de Mello, morgados do Ribeiro, em Bemviver, e nos Brandão de Macedo e Mello, capitães-mores de Melres (vide "Brandão de Macedo e Mello, de Melres". Este Rui Gonçalves de Macedo, segundo Gaio, era irmão de João de Macedo, alcaide-mor do Outeiro de Miranda, almoxarife da alfândega do porto de Bragança, etc., fidalgo da Casa Real, que teve carta de armas para Macedo a 15.4.1518, como filho de Gonçalo de Macedo e neto de Fernão Esteves de Macedo, do tronco desta linhagem (9, 61; e 6 de Místicos, 168), e tirou ordens menores a 1.7.1461 em Ervededo. Portanto, enquanto João de Macedo, o sucessor, era filho de Gonçalo de Macedo e sua mulher Tereza Sanches, como se vê nas ordens menores tiradas em Ervededo a 1.7.1461, seus propostos meios-irmãos Rui Gonçalves de Macedo e Inez de Oliveira seriam filhos de um 2º casamento de Gonçalo de Macedo com uma (Inez) de Oliveira, nascida lá para 1436, que bem podia ser irmã do Luiz de Oliveira, escudeiro, morador em Tarouca, a quem a 1.12.1469 D. Afonso V legitimou o filho Diogo de Oliveira, a seu pedido, havido em Catarina Gonçalves, mulher solteira (CAV, 31, 128v). Os Oliveira são uma família do Alentejo, que nesta época se documenta no sul, incluindo Lisboa, e no centro apenas em Montemor-o-Velho. Assim sendo, e tendo também em conta o prenome do filho legitimado, é provável que aquele Luiz de Oliveira seja filho de um Diogo de Oliveira, escudeiro, que a 27.5.1450 vivia em Mondim (certamente Mondim da Beira) quando D. Afonso V o privilegiou, recebendo-o sob sua guarda e encomenda. E que não pode deixar de ser o Diogo de Oliveira, escudeiro do conde de Marialva, a quem D. Afonso V, a 18 de Junho do mesmo ano, nomeou escrivão das sisas de Numão, Cedovim e Horta, em substituição de João Anes, tabelião, que fora destituído do cargo por não ter licença régia para exercer o dito cargo. E ainda o Diogo de Oliveira que a 13 de Agosto do mesmo ano D. Afonso V legitimou, como filho de Rodrigo Esteves (de Oliveira?), prior que foi do mosteiro de [Alveira] da ordem de S. Agostinho no arcebispado de Braga, e de Catarina Pires, mulher solteira.

Sobre o João de Macedo filho do 1º casamento, que também deixou vários filhos legitimados por carta real, há muita documentação: a 15.1.1481 D. Afonso V nomeou João de Macedo, escudeiro do infante D. João, para o cargo de almoxarife da alfândega do porto de Bragança, em substituição de seu pai Gonçalo de Macedo, que morrera (26, 7), que D. João II confirmou a 20.5.1482 (6, 55). A 26.9.1483 foi alcaide-mor de Outeiro de Miranda (CJII, 26, 106). A 16.7.1483 foi nomeado vedor dos vassalos de Bragança (ib, 24, 87). A 26.6.1483 teve carta de privilégio de fidalgo (ib, 24, 88). A 25.4.1496 João de Macedo, escudeiro da Casa d'el rei, teve confirmação da tença anual de 5.100 reais, em respeito aos 13.200 reais do assentamento da prima do rei, de quem era então escudeiro. Os 8.100 reais que falecem montou na moradia e cevada (CMI, 33, 94). A 18.5.1496 João de Macedo teve confirmação da carta de privilégio de fidalgo (ib, 43, 19). E a 27.5.1496 confirmação da tença anual de 10.000 reais de prata (ib, 43, 20). A 25.5.1496 João de Macedo, fidalgo da Casa d'el rei, alcaide da vila e castelo do Outeiro, teve confirmação de uma carta de D. Afonso V de 8.1.1481 sobre uns bens que João Afonso de Castro, morador em Colmelos, lhe vendera por morte de Vasco Roiz de Castro, seu dono, os quais constavam de uma doação feita no Porto, a 3.7.1440, nas pousadas de Álvaro Gonçalves, o qual apresentou a Afonso Martins, tabelião por el-rei, uma carta de D. João I de 6.11.1401, na qual o rei o encarregava de repartir os bens e herdades confiscados a alguns escudeiros e homens de pé e criados de João Afonso Pimentel, e outros moradores de Bragança e Vinhais, por erro e desserviço contra si e seus reinos. E pelo poder que lhe dera, fizera doação valedoira a Vasco Rodrigues de Castro, vassalo d'el rei, enquanto sua mercê fosse, das rendas e herdades que Álvaro Gonçalves de Revoredo havia em Quiraz, e dos bens de dona Teresa Raposo em Quintela e em Valpaços e Travanca, e em Lomba, e dos que Fernão Gonçalves de Revoredo havia em Tuiselo, e em Nozelos, a par de Torre de Dona Chama. Todavia, porquanto João Afonso de Castro se temia de que alguém os viesse pedir, e por lhe fazer de bom título, o rei lhos dava para sempre carta (segunda), escrita em Vouzelo, aldeia do termo da vila do Outeiro de Miranda, a 21.10.1484, nas casas de Afonso Gonçalves, tabelião, onde João Afonso de Castro mostrou uma carta d'el rei D. Afonso V na qual lhe fazia mercê dos bens que Álvaro Gonçalves de Revoredo havia em Quiraz, além das rendas que arrecadava em Tuiselo e no reguengo de Nozelos, a par da Torre de Dona Chama, e dos de dona Teresa Raposo, em Quintela e na Lomba, afora os que trazia Afonso Tomé. Os quais bens João Afonso tinha e a ele pertenciam, em virtude da dita carta e de um alvará de D. João II de 21.4.1484, no qual dava licença a João [Afonso] de Castro, morador em terra de Vinhais, para vender uns bens que tinha por carta de D. Afonso V a João de Macedo. E pela dita carta de mercê e alvará de licença os vendia a João de Macedo, para ele e todos os seus herdeiros e descendentes, pelo preço certo e nomeado de 18.000 reais correntes, de 10 pretos o real, os quais logo recebeu, em 3 taças de prata, sendo duas douradas e uma branca, um Anrique de ouro, e reais de prata, pelo que se deu por bem pago. E pedindo João de Macedo a el rei que lhe confirmasse o alvará de licença, lho confirmava nesta carta, em que mandava juntar a carta de compra e doação dos ditos bens, como constava do alvará (ib, 38, 77 e 77v). A 1.4.1500 João de Macedo, fidalgo da Casa de D. João II, teve confirmação de 30 214 reais de tença, em satisfação da alcaidaria-mor da vila do Outeiro de Miranda (ib, 31, 26). A 4.7.1513 João de Macedo, fidalgo da Casa Real, teve mercê de uma tença anual de 10.000 reais, a partir de Janeiro de 1514 (ib, 42, 69). A 10.5.1508 teve cópia do padrão de 25.214 reais de tença de que se fez mercê a João de Macedo, fidalgo da Casa Real, em satisfação da alcaidaria-mor do Outeiro de Miranda que largou para o duque de Bragança (CC, II, 14, 116). A 12.9.1506, João de Macedo, fidalgo da Casa d'el rei, solicitou o trespasse de 4.100 reais em Simão Correa, seu genro, apresentado duas cartas de D. Manuel I e um alvará, nos quais, casando ele sua filha com Simão Correa, moço da câmara d'el rei, lhe trespassava 15.100 reais. de sua tença, os quais obtivera por uma carta de D. Manuel I, dada em Setúbal, a 27.5.1496, na qual se continha uma de D. João II de 27.9.1483, onde lhe concedia uma tença de 10.000 reais de prata, e ainda uma outra de D. Manuel, de 25.4.1496, na qual confirmava ao mesmo João de Macedo, então escudeiro da Casa d'el rei, uma tença de 5.100 reais que D. João lhe concedera em sendo príncipe, por respeito dos 13.200 reais que o dito senhor houvera por ele do assentamento da Excelente Senhora, de quem então era escudeiro, e os 8.100 reais que faltavam, lhe montou na moradia e cevada (ib, 38, 13). Mas logo a 4.3.1518 João de Macedo, fidalgo da Casa Real e alcaide-mor do Outeiro, pediu e obteve que lhe fossem concedidos os restantes 10.000 reais, explicando que teve uma tença anual, em dias de sua vida, de 10.000 reais, e ao querer casar sua filha com Simão Correia, criado do rei, dera-lhe este 20.000 reais de tença em satisfação da dita alcaidaria. Por falecimento do seu genro, fora trespassada essa quantia, vagando em seguida, tornando o rei a dar 10.000 reais (ib, 10, 130).

Portanto, nesta proposição, Francisco de Macedo era sobrinho materno de Rui Gonçalves de Macedo. Não sendo assim de estranhar que desse a um filho o nome Rui Gonçalves, como o tio, tanto mais tanto mais que ele, Francisco, seguiu o nome e armas de Macedo. Rui Gonçalves de Góis deve mesmo ter usado em novoo nome Rui Gonçalves de Macedo, como o proposto tio, substituindo depois Macedo pelo Góis da varonia e de seu outro tio, o celebrado Damião de Góis.

De notar, finalmente, que Rui Gonçalves de Góis vivia em Lisboa na freguesia do Castelo, a mesma em que viveu seu proposto tio Damião de Góis quando regressou a Portugal e onde lhe nasceram os seus últimos quatro filhos, entre 1548 e 1565. Não deixa também de ser uma coincidência assinalável que Damião de Góis tenha casado em 1438, em Lovaina, com Johanna van Hargen. E que seu proposto sobrinho Rui Gonçalves de Góis, pouco mais novo do que ele, tenha casado cerca de 1539 com Margarida de Anseres, que parece ter origem flamenga. Isto, conjugado com o facto de Rui Gonçalves de Góis não ter deixado rasto documental na documentação de D. João III, tendo já cerca de 40 anos à morte deste rei, em 1557, permite supor que esteve ausente do país, podendo ter acompanhado o tio à Flandres e aí, justamente, ter casado com Margarida de Anseres. Tendo Damião de Góis ido à Flandres como embaixador, onde estava como tal em 1530, é natural que tivesse levado pessoas ao seu serviço, entre elas o proposto sobrinho. Por outro lado, sabemos que Damião de Góis manteve relações com o cardeal D. Henrique, a quem em 1538 devia 4.000 reais (CC, I, 60, 114). Ora, Rui Gonçalves era, ou vira a ser, cavaleiro fidalgo da Casa deste cardeal.

Lopo Dias ( de Góis)

Finalmente, resta saber a origem destes Góis. Rui Dias de Góis era filho de Lopo Dias, sacador das terras régias de Alenquer, vedor da gafaria da cidade de Coimbra, escrivão do almoxarifado de Estremoz e recebedor-mor dos portos de Entre-Tejo-e-Odiana, nascido cerca 1415 e falecido depois de 22.8.1480, e de sua mulher Maria Dias de Almaça, casados cerca de 1437, aragonesa, sumilheira da rainha D. Leonor de Aragão (mulher de D. Duarte), a quem acompanhou a Toledo, quando esta para aí se retirou em 1438, após ter sido forçada a abandonar a regência do reino de Portugal, onde ficou até à sua morte, em 1448.

Lopo Dias também serviu a rainha D. Leonor de Aragão, que também acompanhou a Toledo em 1438, sendo então, por esta rainha, que era senhora de Alenquer, sacador das terras régias desta vila e seu termo, cargo que assim abandonou. A 1.5.1441 D. Afonso V (ou seja, o novo regente D. Pedro) nomeou João Vasques, morador em Alenquer, escudeiro de Fernão Gonçalves de Miranda, do seu Conselho, para o cargo de sacador das terras régias, em substituição de Lopo Dias, que deixara de exercer o cargo em deserviço.

Mas, ao contrário de sua mulher, que parece ter ficado em Toledo com a rainha até à sua morte, em 1448, Lopo Dias terá regressado a Portugal, talvez por morte de seu pai, pois aparentemente sucedeu-lhe como vedor da gafaria da cidade de Coimbra, cargo a que renunciou em 1450. Com efeito, a 18.11.1450 D. Afonso V nomeou Aires Gonçalves, escudeiro do bispo de Coimbra, para o cargo de vedor da gafaria da cidade de Coimbra, com mantimento e porções, em substituição de Lopo Dias, que renunciara, por instrumento público de 17.11.1450.

Dizem que Lopo Dias não terá usado o nome Góis (o que é um facto) por seu pai não o ter deixado ir com ele ao fatídico cerco de Tânger, em 1437, provavelmente porque então teria apenas 17 anos de idade. Mas provavelmente já seu pai não usou Góis.

Gomes Dias de Góis

Era Lopo Dias filho de Gomes Dias de Góis, escudeiro do infante D. Henrique, com quem esteve no desastre de Tânger em 1437, e de sua mulher Beatriz Vaz, a quem as genealogias chamam-lhe Beatriz Vaz de Lemos. Mas não há nenhuma Beatriz Vaz de Lemos nesta época.

Embora referido nas crónicas, Gomes Dias de Góis não se documenta em fontes primárias. Provavelmente não usou o nome Góis, como o filho. Braamcamp refere-se a ele como Gomes Dias de Góis, fidalgo da Casa do infante D. Henrique e «senhor das saboarias de Alenquer, Arruda, e outras», mas não refere onde isso se documenta e não se encontra qualquer referência a isso em fonte primária. As genealogias também dizem que foi provedor da gafaria de Coimbra, o que igualmente não se documenta, embora seu filho já se documente com este cargo, como ficou dito.

Nenhuma genealogia filia este Gomes Dias de Góis de forma minimamente credível, o que necessariamente diz muito sobre a sua origem, tendo em conta que é bisavô de Damião de Góis, genealogista e guarda-mor da Torre do Tombo. Mesmo que a memória familiar da sua filiação já se tivesse perdido no tempo de seu bisneto Damião de Góis, esse simples facto demonstra que a origem seria algo obscura. Se a isto acrescentarmos ou a dificuldade ou o desinteresse de Damião de Góis em apurar e revelar a verdade, podemos com facilidade concluir que alguma coisa haverá na filiação de Gomes Dias que a tem mantido opaca.

Tendo em conta a cronologia própria e do filho, Gomes Dias terá nascido entre 1380 e 1390. E a verdade é que não se conhece, e muito menos se documenta, nenhum Diogo (nem nenhum Dias) entre os Góis da passagem do séc. XIV para o XV. Acontece, porém, que por carta dada em Lisboa a 20.6.1388, D. João I legitimou um Gomes Dias, filho de Diogo Lourenço, «abade de tresmjras clerigo d ordeens sacras» e de mulher solteira, não nomeada. Tresmiras pode tratar-se de Transmiras, município galego de Orense, ou Tresminas, freguesia de Vila Pouca de Aguiar.

É um tiro no escuro, mas este abade Diogo Lourenço pode perfeitamente ser mais um bastardo do prior do Crato D. Frei Lourenço Esteves de Góis, havido na sua juventude. As genealogias dão a D. Frei Lourenço Esteves apenas um bastardo, o também prior do Crato D. Frei Nuno Gonçalves de Góis. E a este D. Frei Nuno Gonçalves dão vários bastardos, que de facto teve (alguns deles legitimados por carta real), e um que não teve, Estêvão de Góis, que se documenta seu sobrinho. Com efeito, a 1.1.1441 D. Afonso V perdoou a justiça régia a Estêvão de Góis, sobrinho do prior do Crato, D. Frei Nuno Gonçalves de Góis, por ter estado no castelo da dita vila com o dito prior a maldizer do rei.

Apesar do conceito lato que então tinha o termo sobrinho, filho não era, pois nem como eufemismo se pode entender, uma vez que nesta data (1441) já os verdadeiros filhos de D. Frei Nuno estavam legitimados por carta real.

Portanto, tudo indica que D. Frei Nuno Gonçalves tinha um irmão (meio-irmão), que seria justamente o antedito abade Diogo Lourenço, que na sua juventude teve Gomes Dias, nascido cerca de 1386 e legitimado a 20.6.1388, e que mais tarde, já na meia idade, teve Estêvão de Góis, nascido cerca de 1410, desta feita, ao que tudo indica, numa Clara Botelho, pois a 3.3.1455 D. Afonso V privilegiou Estêvão de Góis, cavaleiro da Casa do infante D. Fernando, concedendo-lhe a administração dos bens de morgado na vila de Abrantes que foram de Clara Botelho.

É de notar que, ao contrário de seu proposto meio-irmão o abade Diogo Lourenço (cerca de 7 anos mais velho) que assim usou o patronímico certo, D. Frei Nuno Gonçalves usou um patronímico que não tem qualquer justificação na ascendência paterna, pelo que, necessariamente, lhe veio pela mãe, que seria Gonçalves (ou filha de um Nuno Gonçalves), não tendo sido assim assumido pelo pai à nascença, razão pela qual terá tido o patronímico de origem materna.

Para facilitar a compreensão da genealogia medieval dos Góis, que anda muito baralhada nos nobiliários, apresento adiante um breve esquema da sua reconstituição.

Semião de Araújo de Góis, o Velho

Voltando a Gaspar de Araújo e sua mulher Catarina de Góis, cabe ainda dizer que tiveram seis filhos e vasta e ilustre descendência no Brasil, de que apresento adiante um breve esquema das primeiras gerações, para a elaboração do qual contei com a colaboração do genealogista brasileiro João Monteiro Gomes. A este artigo interessa o filho mais velho, Semião de Araújo de Góis, o Velho, cavaleiro fidalgo da Casa Real, segundo Frei Jaboatão, que diz dele que teve o «dom profético». Nasceu em Lisboa cerca de 1562, tendo vivido em (Rio) Matoim, onde faleceu a 1.1.1662, com cerca 99 anos, embora nas «Denunciações de 1618» se diga que «de sua única consorte teve vinte batizados, dos quais 12 homens de capa e espada e um Religioso da Companhia e duas filhas casadas com multiplicidade de netos e bisnetos, entre o decurso de 90 anos que contou de sua vida». A 6.4.1647, ainda estava vivo, seu filho Francisco de Góis de Araújo teve carta padrão de uma tença de 20.000 reais pelos serviços de seu pai Simeão de Araújo (RGM, Ordens, 2, 299). Casou nos finais de 1603 com Maria de Sequeira, nascida cerca de 1589 e falecida a 14.8.1664, ib, filha de Sebastião Pedroso Barbosa, natural de Viana do Castelo, e de sua 1ª mulher Leonor de Sequeira, moradores na capitania de Ilhéus, sendo esta Leonor irmã do jesuíta Padre Domingos de Sequeira (HCJB, I, 582; V, 228, 267, 268), nascido cerca de 1564 na vila de S. Jorge dos Ilhéus e falecido a 15.5.1621 na Baía com 57 anos de idade e 40 de Companhia. Aos 17 anos de idade Domingos de Sequeira ingressou na Companhia de Jesus, onde foi pregador, confessor, língua (conhecia a língua brasílica) e mestre dos meninos. Residiu, como jesuíta, na sua Casa do Espírito Santo, em Porto Seguro, em Santo António de Jaguaripe. Sebastião Pedroso Barbosa era filho de Sebastião Pedroso do Porto e sua mulher Maria Barbosa, moradores em Viana do Castelo, sendo esta filha de Tomé Lobato de Lamego e sua mulher Ana Barbosa de Moraes, também moradores em Viana do Castelo, sendo esta Ana tia paterna de Sebastião Barbosa de Moraes, arcipreste de Viana.

No já referido processo para a Ordem de Cristo do desembargador João de Góis de Araújo, em 1654, foram também ouvidas testemunhas em Viana do Castelo, mas, como é natural, já ninguém vivo conhecera Sebastião Pedroso Barbosa, que terá nascido cerca de 1560 e foi novo para o Brasil. Uma testemunha, Francisco de Paiva, de 72 anos, diz que conhecera uma irmã dele, Maria do Porto, e que eram de família nobre. Outra testemunha, o tenente Miguel Bezerra da Rocha, de 70 anos de idade, disse que Maria do Porto fora mãe do capitão Fernão Barbosa e de Gaspar Barbosa, por alcunha o "Gasparote", e uma filha, cujo nome não se lembrava, que fora casada com Marcos Pereira, das principais famílias desta vila, e ouviu dizer que a dita Maria do Porto tinha um irmão que «desta vila foi moço para as partes do Brasil por nome Sebastião Pedroso Barbosa e que lá casara».

Neste mesmo processo diz-se ainda que a antedita Leonor de Sequeira foi a 2ª mulher de Sebastião Pedroso Barbosa, mas é confusão, pois a 1ª mulher que lhe indicam era sobrinha da filha desta Leonor de Sequeira. Com efeito, Sebastião Pedroso Barbosa casou 2ª vez com Isabel de Eça, e só a 3ª vez com a já referida Maria de Góis de Macedo, que era sobrinha deste Semião de Araújo de Góis, genro de Sebastião Pedroso Barbosa. E deste 3º casamento ainda teve 11 filhos!

Semião de Araújo de Góis, o Velho, e sua mulher Maria de Sequeira tiveram 16 filhos, interessando a este artigo dois deles: Gaspar de Araújo de Góis, o primogénito, e Semião de Araújo de Góis, o Moço.

Gaspar de Araújo de Góis

Gaspar de Araújo de Góis foi b. a 26.11.1606 em Maoim e faleceu a 9.8.1692 na Baía, onde foi vereador (1650), provedor da Santa Casa da Misericórdia (1682) e encarregado de cobrar no Reconcavo os açucares da vintena. Deve ser este o Gaspar de Aaújo que a 2.6.1623 recebeu uma terras em Sergipe, dizendo que vivia na capitania há 14 ou 15 anos. Na verdade, na data da doação Gaspar de Araújo tinha 16 anos de idade, podendo ter 15 quando da petição. Diz a carta: «Saibão etc. diz gaspar daraujo e andro gonsalves vazio que elles são moradores neste capitania avera qatorze ou quinze anos he sempre nella resedirão he asestirão a todas as oquasiois que se ofreserão em serviso de Deus he de sua magestade he que ate oje lhe não foi dada tera ha nenhu delles ondem pudesem morar nem traser suas criasois he hua dada que por vosa merse lhe foi dada não he quapaz nem bastante he que ate os dous nos seregipe he o rio de san francisquo estão teras que numqua foráo pouvados nem coltivadas de hramquos em huas taperas de hus negros gentios que chamão sambas de hu nome que herrão carais he aonde tinhão pedido hua dada gaspar de souza e anríque feras mendes he Francisco da rocha de paredes he bras rebelo e luiz mendes e pero uiegas (...) a qual tera pedirão na era seissentos he onze que a douze anos e ate oje numqua ha povoarão ho que e em prejuizo da fazenda de sua magestade e das suas rendas he ora anrlque feraz e franrisco da rocha são defuntos e suas moIheres niio tem guado nem jose pera pouvarem pello que pedem a vosa merse lhe fasa merse em nome de sua magestade de lhes dar por devollutas as partes que cabem aos dous defuntos na tera que tem pedida com hos demais que ha querem loguo ir pouvar a quoal pedem asi e da manera que os ditos a tinhão pedido pellas mesmas comfrontasois da sua carta e em despacho dou as sortes de tera aos sopriquantes visto diserem não serem pouvadas numqua a quoal lhe dou em nome de sua magestade Sam cristovão o vinte hie dous de junho de seis sentos e vinte tres anos joam mendes». Gaspar de Araújo de Góis casou a 1ª vez a 8.9.1630, ib, com Maria de Vasconcellos, a qual, juntamente com três dos quatro filhos, foi morta pelos holandeses a 8.9.1637. Era filha de Paulo de Carvalhal, cavaleiro fidalgo da Casa Real, b. a 11.7.1557, ib, e decapitado em Salvador com cadeia no pé, a 7.10.1614, e de sua mulher D. Francisca de Aguiar de Espinosa, filha de Cristóvão de Aguiar de Altero, o Velho, «fidalgo mui esclarecido e neto de Pedro Vaz, colaço del rei D. Pedro I» (Jaboatão), e de sua mulher Isabel de Figueiró (possivelmente filha de Francisco Bruzza de Espinosa, o bandeirante). Paulo de Carvalhal de Oliveira era filho de António de Oliveira, cavaleiro fidalgo que foi feitor e almoxarife da capitania da Baia (CJIII, 24, 104v), e não, como dizem, alcaide-mor da Baía, cargo que teve Diogo Moniz Barreto (CJIII, 59, 13v). Jaboatão conta que Paulo de Carvalhal e o filho, Bartolomeu de Vasconcellos, «mataram ao ancião Francisco de Barbuda em 11.3.1607, abrindo-o a machado, de alto a baixo pelas costas», e, sendo nobre, Paulo de Carvalhal teve o privilégio da decapitação.

Gaspar de Araújo de Góis casou a 2ª vez a 24.1.1638, na capela de Santa Luzia, com Maria do Rego, filha de Sebastião Paes de sua primeira mulher Isabel de Azevedo, neta paterna de Aleixo Paes, o Velho, natural da ilha de Santa Maria, «lavrador de canas» no engenho de Diogo Lopes Ulhoa, e de sua mulher Apolónia Nunes. E casou a 3ª vez a 4.3.1650 na Baía com Ana de Azevedo, fal. antes de 1655, filha de Gaspar de Azevedo e de Maria Nunes, s.g. E ainda casou a 4ª vez a 11.5.1655, ib, com D. Isabel Telles, filha de António Moniz Telles, fidalgo escudeiro, e de sua mulher Cristina Coutinho. Gaspar de Araújo de Góis teve 15 filhos do 1º e 2º casamentos. A este artigo interessa a filha do 2º casamento, D. Isabel de Azevedo de Góis, casada com o capitão António de Queiroz Cerqueira.

António de Queiroz Cerqueira e os Queiroz de Amarante

D. Isabel de Azevedo de Góis, que na IG de sua neta se documenta também como D. Isabel de Araújo e Azevedo, natural de Cotigipe, nasceu cerca de 1639 e faleceu a 2.9.1677 na Baia, sendo aí sepultada na igreja do Carmo. Casou a 1ª vez cerca de 1656 com Pedro Carneiro Brandão, sem geração. Casou a 2ª vez a 30.5.1662, em Cotigipe, sendo padrinhos o Dr. José de Góis e José de Araújo de Góis, com António de Queiroz Cerqueira, cavaleiro da Ordem de Cristo, capitão de Infantaria (10.11.1653) do Regimento da Baía (documenta-se como tal, mas também aparece como «capitão pago do regimento velho»), natural da vila de Amarante, que no seu testamento de, feito na Baía, diz que foi primeiro casado com D. Apolónia de Araújo de Góis, referida adiante, filha de Jorge de Araújo de Góis e de Ângela de Sequeira, de quem não teve filhos. E acrescenta que a segunda vez foi casado com D. Isabel de Azevedo de Góis, a 30.5.1663, sepultada no Carmo, de quem, «entre os mais filhos que tive», refere José de Queiroz, que faleceu de pouca idade, D. Maria Micaela de Queiroz e Inácio Telles de Araújo de Góis. Mais declara que era filho de Manuel de Queiroz e de sua mulher Maria Cerqueira, moradores na Baía. António de Queiroz Cerqueira, na IG de sua neta, referida adiante, vem também como capitão e cavaleiro da Ordem de Cristo, natural da vila de Amarante e morador em Cotigipe, onde tinha «lavoura e fazenda», sendo «também morador na ponta de Itaparica». António de Queiroz Cerqueira tinha cinco anos de serviço nas fronteiras do reino e no Brasil, como soldado e alferes, quando foi promovido a capitão de Infantaria pelo conde de Castelo Melhor a 10.11.1653. Foi oficial de confiança do conde de Óbitos, sendo destacado a 11.6.1665, com o capitão Francisco Telles de Meneses, para guardar a naveta que chegara da Índia. Entretanto, suspeito de participar do motim contra o vice-rei, foi mandado preso para Lisboa. Voltou a sua companhia à Baía por provisão real de 21.2.1668. O último episódio em que aparece António de Queiroz Cerqueira é a trama de que resultou a morte do alcaide-mor, Francisco Telles, em 1683. Era certamente irmão de Manuel de Queiroz Cerqueira, que fez a guerra de Pernambuco (1649-1654) e em 1673 foi capitão da Infantaria de Paraíba.

O Cap. António de Queiroz Cerqueira, como ficou dito, era filho de Manuel de Queiroz e sua mulher Maria Cerqueira, que se verifica terem casado a 12.1.1620 na vila de Amarante (S. Gonçalo). Ele era filho de Gaspar de Meirelles, que faleceu a 29.6.1597, ib (Gaio diz que em 1589 foi testemunha numa escritura que se acha no arquivo da Faia, sendo filho de João Afonso de Borba e sua mulher Guiomar de Seixas), e de sua mulher Guiomar de Queiroz. Ela, Maria Cerqueira, era filha de António Cerqueira, escrivão e tabelião de Amarante, onde fal. a 25.7.1598 (sobrinho do Doutor António Cerqueira, presidente do Concelho da Fazenda, juiz da coroa, presidente da Casa da Índia e desembargador do Paço), e de sua mulher Catarina Ramalho. Aquela Guiomar de Queiroz era filha de Cristóvão Dias e sua mulher Margarida de Queiroz, nascida cerca de 15550, sendo esta filha de Gaspar Gonçalves de Sá, senhor da quintã de Sá, junto a S. Veríssimo de Amarante, donde tirou o nome, e de sua mulher Guiomar de Queiroz, nascida cerca de 1529, sendo esta filha de João de Queiroz ou de Quiroz, tronco dos Queiroz de Amarante, onde foi senhor da quinta do Outeiro, na freguesia de S. Veríssimo, e de sua mulher Maria Marinho.

Sobre o casal João de Queiroz e Maria Marinho tecem Gaio e outras genealogias tardias as mais mirabolantes fantasias. Gaio dá este João de Queiroz como filho de Gil Afonso (de Gouveia), o que é erradíssimo, pois este nada tem a ver com a Leonor Álvares de Queiroz que casou com Vasco Fernandes de Gouveia, em que o entronca, se bem que com muita dúvida. Contudo, segundo o próprio Gaio, o filho sucessor deste João de Queiroz chamou-se Francisco de Queiroz e «foi Sr. da Casa do Outeiro e no tempo do Rei D. João III e D. Sebastião no ano de 1567 fez inquirições para ser cavaleiro de Malta e delas consta ser fidalgo da Casa Real e a sua ascendência que se acha no Cartório da Nobreza talvez se víssemos estas inquirições se tiraria alguma dúvida, casou por dispença com Inês de Queirós filha do L.do João Lopes e sua m.er Catarina de Queirós de Vila Real». Ora, a 21.9.1527 receberam ordens menores em Vila Real os irmãos Diogo e Manuel, filhos do bacharel João Lopes e de sua mulher Catarina de Queiroz, moradores em Vila Real. Deste casal foi ainda filha Branca de Queiroz que casou com António Cão, com geração nos Queiroz de Mesquita. Aquela Catarina de Queiroz casada com o bacharel João Lopes era irmã de Pedro de Queiroz, nascido cerca de 1484, que a 28.5.1491 tirou ordens menores em Braga, sendo os pais então moradores em Bustelo, ambos filhos de Gonçalo Anes Ramalho, natural de Mesão Frio, fidalgo escudeiro do príncipe D. Afonso, e de sua mulher Maria Anes de Queiroz, nascida cerca de 1468. A Gonçalo Anes Ramalho doou D. João II a 23.8.1482 umas casas em Mesão Frio, a 15.2.1490 nomeou tabelião de Gestaçô e a 13.6.1490 concedeu uma carta de perdão. Aquela Maria Anes de Queiroz era filha de Afonso Anes e sua mulher Maria de Queiroz, nascida cerca de 1450/2. Como mera hipótese, este Afonso Anes podia também ser Ramalho e ser o Afonso Anes que a 25.2.1464 tirou ordens menores em Braga, sendo filho de João Afonso Ramalho e sua mulher Catarina Anes, moradores na freguesia de Stª Mª de Sousela. Resulta daqui que sendo Francisco de Queiroz primo da mulher em grau que necessitava dispensa, não podia ser primo em grau mais afastado do que o 4º. Assim, em extremo, um avô (ou avó) do João de Queiroz em epigrafe era irmão da referida Maria de Queiroz casada com Afonso Anes. Podendo também ser que João de Queiroz fosse neto destes. Gaio faz larga confusão e apresenta meias-verdades sobre este assunto. Com efeito, chama Branca Anes de Queiroz à documentada Maria Anes de Queiroz e di-la filha de Leonor de Queiroz (na verdade Maria) e, com dúvida, de seu marido Pedro Vaz de Almada ou de Almeida (na verdade só Afonso Anes). Sobre a filiação de Branca (na verdade Maria) Anes de Queiroz em Leonor (na verdade Maria) de Queiroz, Gaio cita Frei João de Deus, «autor verídico», segundo o qual «constava por um instrumento ser filha da dita Leonor de Queirós de Gouveia irmã ou legítima ou B., de João de Gouveia Sr. de Almendra sogro de Fernão Cabral cujo instrumento fora feito em Cima do Douro na freguesia de Vila Marim aos 11 de Abril de 1516 diante de João Martins Teixeira, Juíz do Couto, e por precatório do L.do Gonçalo Coelho ouvidor do M.e de S. Tiago nas Biatrias». Mas isso faria a dita Leonor (na verdade Maria de Queiroz) filha da Leonor Álvares de Queiroz que casou com Vasco Fernandes de Gouveia, o que, além do mais, é um anacronismo, pois esta Leonor Álvares já estava viúva em 1435.

Na verdade, os Queiroz de Amarante, nome que vieram a adoptar, documentam-se originalmente como Quiroz ou Quiros, sendo seguramente desta família galega, distinta dos Queiroz do beirão Fernando Álvares de Queiroz.

E menor não é a confusão que Gaio faz sobre a mulher de João de Queiroz, Maria Marinho, nascida cerca de 1495, que era filha de Gonçalo Marinho e sua mulher Leonor Sarmento (Sarmiento). Gaio, que lhe chama erradamente Gonçalo Marinho de Eça, diz que foi senhor do castelo de Lobeira na Galiza e, por crimes, veio refugiar-se em Ponte de Lima: «Teve dúvida em outro Fidalgo seu parente sobre a pertença de um Morgado ao qual matou pelo que se passou a Portugal, e sua m.er e filhos, e fez o seu assento em Ponte de Lima onde o Arcebispo que então era de Braga o visitou por saber a sua qualidade, e como conhecia a necessidade em que ele se achava e sua família lhe assistiu com mesadas para seu sustento enquanto não deu a seu filho a Abadia de Vila Chão para onde foram todos; era casado com D. Leonor Sarmento a qual lhe chamavam a Dona de Vila Chão por assistir com seu filho na dita freguesia». E acrescenta que foi filho de D. António Sarmiento Montenegro, natural de Pontevedra, e de sua mulher D. Sancha de Oca Montenegro, filha esta de Payo Sorred Montenegro e de sua mulher D. Maria de Oca Sottomayor, filha de Álvaro de Oca e sua mulher D. Teresa de Sottomayor. Mas tudo isto é um absoluto anacronismo! Com efeito, Payo Sorred Montenegro, senhor de Moronte, na Galiza, e sua mulher D. Maria de Oca Sarmiento e Sottomayor viveram no séc. XVI e foram pais, nomeadamente, de D. Tereza Sottomayor casada com Lopo Gomes de Abreu. nascido cerca de 1525 e falecido depois de 1596. Ora, Gonçalo Marinho, alegado neto de Paio Sorred e sua mulher, não nasceu depois de 1470. Dada a impossibilidade cronológica da versão de Gaio e de outras genealogias tardias, toda a informação perde credibilidade e podemos até considerar que Gonçalo Marinho não era afinal galego (embora possa ter casado com uma galega), podendo mesmo ser filho, sobrinho ou neto do Gonçalo Marinho, escudeiro e criado de D. Fernão de Castro, a quem a 27.9.1463 D.Afonso V nomeou para o cargo de recebedor da alfândega de Freixo-de-Espada-à-Cinta, em substituição de João Álvares, que morrera. A 14.3.1475 o mesmo rei nomeou Nicolau Martins, escudeiro, morador em Mogadouro, para o cargo de tabelião de Freixo-de-Espada-à-Cinta, em substituição de Gonçalo Marinho, que estava preso. E a 16.4.1480 D. Afonso V doou a Pedro de Barros, escudeiro do príncipe, todos os bens que pertenceram a Gonçalo Marinho, morador em Freixo-de-Espada-à-Cinta, que os perdera por ter tentado matar várias vezes o corregedor de Trás-os-Montes.

Dos referidos filhos do capitão António de Queiroz Cerqueira e sua mulher D.Isabel de Azevedo de Góis, só de uma filha se conhece descendência: D. Maria de Queiroz e Cerqueira, como vem geralmente documentada, embora seu pai lhe chame D. Maria Micaela de Queiroz. Casou a 1ª vez com o capitão Gonçalo da Rocha Serrão, capitão de Infantaria (20.4.1676), cavaleiro da Ordem de Cristo (9.5.1681, com 12.000 reais de tença, documento onde consta como filho de Gonçalo Serrão de Azevedo – RGM, 1, 48), senhor de uma sesmaria de quatro léguas na nascença do rio Jacuipe (1688), fal. cerca de 1698, s.g. O padre António Vieira chama sobrinho a este Gonçalo. Interrogado pelo Santo Oficio em Coimbra, em 1663, declarou o padre António Vieira que por parte de mãe só conhecia parente Gonçalo Serrão. Na patente de capitão de infantaria (20.4.1676) diz-se que serviu nesta praça como soldado, por mais de dez anos, a partir de 3.3.1664, nas guerras com Espanha, furriel-mor de cavalaria ferido na batalha de Montes Claros, e foi dos que primeiro carregaram sobre o inimigo. Foi partidário dos Ravascos na briga com o governador António de Souza de Menezes, e este tirou-lhe a patente. Refugiou-se no Colégio da Companhia, de onde viajou para Portugal. Escrevendo a 25 de Junho desse ano, indica o padre Vieira: «Chegou Gonçalo da Rocha mui reconhecido». Mas só em 1697 recuperou o seu posto de capitão de infantaria. D. Maria de Queiroz e Cerqueira casou a 2ª vez a 14.6.1699, em S. Miguel de Cotigipe, com seu primo António de Araújo de Góis e Sequeira, referido adiante, onde segue.

Semião e António de Araújo de Góis

Como ficou acima dito, um dos filhos mais novos de Semião de Araújo de Góis, o Velho, e sua mulher Maria de Sequeira, foi Semião de Araújo de Góis, o Moço, b. a 4.9.1627 em Matoim, que foi «fazendeiro de cana e engenho» em S. Miguel de Cotigipe. Casou a 8.4.1646 em S. Miguel de Cotigipe com D. Marta Barbosa, b. a 11.3.1632, ib, e já falecida em 1722, filha de Belchior Barbosa Pinheiro e sua mulher Susana Pereira de Mesquita, filha esta de João da Rocha de Andrade e sua mulher D. Marta Pereira.

Deste Semião de Araújo de Góis, o Moço, e sua mulher D. Marta Barbosa foi filho António de Araújo de Góis e Sequeira, nascido em S. Miguel de Cotigipe, capitão (20.12.1694) , alferes da guarnição do 9º de São Paulo (1667), que casou a 14.6.1699 em S. Miguel de Cotigipe com sua prima D. Maria de Queiroz e Cerqueira, referida acima.

Destes casal nasceram vários filhos, todos padres e freiras, salvo uma, D. Luiza de Queiroz e Araújo, sucessora, que fal. a 23.8.1770 e foi sepultada em São Francisco e casou com António Gonçalves da Rocha, cavaleiro da Ordem de Cristo (12.12.1733), capitão do Forte de S. Lourenço da Ponte das Baleias (18.3.1717), na ilha de Itaparica, que fez à sua custa em 1716, familiar do Santo Oficio (8.11.1701), provedor (1726) e irmão da Stª Casa da Misericórdia da Baía (24.6.1716), etc., que foram pais de D. Leonor Antónia Francisca de Queiroz, que casou com Paulo de Argollo e Gusmão, conforme tudo mais detalhadamente ficou dito acima, no trabalho sobre os Argollo.

 


GÓIS MEDIEVAIS - Reconstituição genealógica 

1.           Pedro Salvadores de Góis, 4º senhor de Góis, o 1º deste nome, fal. cerca 14.1.1243, sepultado no mosteiro de Stª Cruz de Coimbra, identificado como «miles» de Farinha Podre no Livro das Calendas. Em Novembro de 1269 (ano em que deve ter falecido sua mulher) os seus filhos fizeram partilha dos seus numerosos bens em Riba de Lima, Óis do Barro, Coimbra, Santarém, Góis, Celavisa, Carvalhal do Sapo, Felgosa, Serzeira, Cadafaz e Agra. Era filho de Salvador Gonçalves, 3º senhor de Góis, documentado na corte entre 1154 e 1172, herdeiro de seu tio materno D. João Anaia, bispo de Coimbra e 2º senhor de Góis, e de sua mulher Teresa (Maior) Mendes de Refóios; e neto paterno de Gonçalo Dias de Marnel, infanção, alcaide-mor de Coimbra (1126-1137), que fez testamento em Abril de 1143, confirmado por seu filho e testemunhado por seu cunhado o alcaide-mor de Coimbra Martim Anaia, e foi sepultado em Stª Cruz de Coimbra, e de sua mulher Maria Anaia, filha de Anaia Vestrariz «da Estrada», senhor de Semide (Miranda do Corvo), que a 1110 recebeu o senhorio de Góis da rainha D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, onde 1113 fundou a actual vila e a sua primeira igreja matriz, cujo padroado doou, com sua mulher D. Ermesenda, ao mosteiro de Lorvão em 1124. Pedro Salvadores de Góis casou com Maria Nunes de Esposade.

1.1.    D. Frei Afonso (Pires) Farinha, fal. em 1282, prior da Ordem do Hospital (1260-76), fidalgo do Conselho, corregedor dos feitos do reino (1279), membro da regência da rainha D.Beatriz, corregedor dos feitos do reino, etc. Foi o 5º senhor de Góis, senhor de Farinha Podre, senhor de Miranda do Corvo (13.11.1266), senhor de Paradela, comendador de Rio Meão (1271) e de Leça (1280), etc. Consta numa carta de D. Afonso II ao alcaide de Montemor-o-Velho como corregedor dos feitos do reino («El Rey o mandiu per dom Alfonso Farinha e per Martim Dade e per Pedro Caseval, corregedores dos feytos do Reyno»).

1.2.    Vasco Pires Farinha, que segue.

1.3.    João Pires Farinha, que era governador (tenens) de Mortágua quando a 22.10.1266 D. Afonso III doou a «Joahannes Petri dictus Farina de me tenens terram de Mortua Aqua» os direitos reais desta terra, para si e seus sucessores. Terá entrado depois na Ordem do Hospital, pois teve a comenda de Roças nesta ordem, como se documenta nas inquirições de 1288. Na partilha dos bens paternos (1269), herdou com suas irmãs bens em Santarém e 1/9 das aldeias de Felgosa, Serzeira, Cadafaz e Agra.

1.4.    Sancha Pires, que segue casou com Martim Anes Sardinha.

1.5.    Maria Pires, cujo marido se desconhece mas em 1269 era mãe de Estavaínha Pires (casada com Soeiro Martins de Figueiredo) e Maria Pires, freira em Arouca.

1.6.    Elvira Pires, cujo marido também se desconhece, em 1269 tinha um filho Rodrigo.

1.7.    Tereza Pires, que casou com Vasco Martins de Moura.

1.8.    Urraca Pires, que em 1269 estava casada com Martim Pires.

1.9.    Margarida Pires, que casou com Gonçalo Anes Fagundes.

1.10.    Estêvão Pires de Góis, proposto por José Augusto de Sotto Mayor Pizarro.

 

2.           Vasco Pires Farinha, 6º senhor de Góis (1282), senhor das quintãs de Farinha Podre e de Paradela, cavaleiro, vassalo e mordomo-mor do infante D. Afonso. Documentado como cavaleiro e vizinho de Moura em 1260. Fez partilha dos bens paternos em 1269. Teve filhos de Marinha Pires, abadessa de Ferreira de Aves.

2.1.    (L) Gonçalo Vasques (de Góis), escrivão de D. Afonso IV (desde 1338) e depois escrivão da puridade de D. Pedro I, que sempre se documenta apenas como Gonçalo Vasques, n. ca 1285 e fal. depois de 1367, legitimado por carta real de 16.10.1289. Foi o 7º senhor de Góis (20.5.1335) e em 1314 concedeu o primeiro foral a esta vila, parece que ainda em vida de seu pai. Em 1323 D. Dinis coutou-lhe a herdade de Muge. Em 1328 D. Afonso IV nomeou-o, com seu irmão, nos acordos luso-castelhanos. Em 1330 foi embaixador a Castela para acompanhar D. Constança, noiva do infante herdeiro D. Pedro e foi um dos testamenteiros de D. Pedro I (1367). A 20.12.1362 D. Pedro I fez a Gonçalo Vasques, escrivão da sua puridade, doação para si e seus herdeiros do foro e direitos reais que tinha a quintã do Murganhal, na ribeira de Barcarena, termo de Lisboa, que o dito Gonçalo Vasques fundara com a compra de dois casais a várias pessoas e escambos com a Igreja de Stª Mª Madalena (CPI, 77). Mais de um século depois, a 5.5.1497 D. Manuel I haveria de confirmar aos herdeiros de Gonçalo Vaz de Góis (e é a 1ª vez que aparece com este nome), que fora escrivão da puridade d’el rei D. Pedro, a doação da quintã do Murganhal, na ribeira de Barcarena 21.5.1364 o mesmo rei D. Pedro doou a Gonçalo Vasques, escrivão da sua puridade, os direitos reais dos Olivais do Condado, no termo de Lisbos, e os direitos e quinhões que foram de D. Maria de Aboim e então eram da coroa em Almoinha e em Xabregas, e vários casais em Lisboa, Alverca, Torres Vedras, Alhandra e Sintra (CPI, 97v). Casou com Maria Gomes César, sem geração.

2.2.    (N) Maria Vasques (de Góis), que segue.

2.3.    (N) Mor Vasques

2.4.    (L) Álvaro Vasques, legitimado por carta real de 26.10.1308. D. Afonso IV em 1328 nomeou-o, com seu irmão, nos acordos luso-castelhanos.

 

3.           Maria Vasques (de Góis), que não foi legitimada por carta real, n. cerca de 1286. Casou com Vasco Rodrigues de Nevhoo, cavaleiro, que o conde D. Pedro diz filho de Rui Paes Viegas. Dado que seu cunhado e seu filho foram escrivães reais, é possível que este se possa identificar com o Vasco Rodrigues que foi escrivão e tabelião de D. Afonso IV em Samtarém.

3.1.    Martim Vasques de Góis, que segue.

3.2.    Álvaro Vasques de Góis, ou de Pedra Alçada, senhor de Pedra Alçada, n. ca 1300 e fal. depois de 17.3.1378, foi escrivão de D. Pedro I, onde aparece apenas como Álvaro Vasques, e depois escrivão da puridade de D. Fernando I, onde já aparece quer como Álvaro Vasques de Góis quer como Álvaro Vasques de Pedra Alçada. Este rei deu-lhe a alcaidaria-mor de Serpa (CFºI, 1, 2) e a jurisdição e temo de Pedra Alçada (17.3.1378, ib, 2, 67), bem como carta de privilégio para este lugar e lhe coutou as suas quintãs de Pedra Alçada e Sacarabotão (12.5.1360 e 29.3.1367 - ib, 4, 3v; Estremadura, 11, 276v; 5; e G.III, 1, 8 e 8, 10). Já em 1340 obteve sentença sobre os privilégios do seu couto da quinta de Pedra Alçada (G.III, 2, 10). A 18.5.1342 teve confirmação da doação de herança das propriedades que fez a seu irmão Martim Vasques (G.XIV, 1, 18). A 7.6.1354 rematou uma herdade em Sacarabotão (G.III, 3, 15). Morreu sem geração legítima e sucedeu-lhe no senhorio de Pedra Alçada com sua jurisdição sua sobrinha-bisneta Mécia Vasques de Góis (17.3.1378, confirmada a 20.12.1433), referida adiante. Seus filhos bastardos só foram legitimados em 1386, já ele tinha morrido há muito. Diz Lavanha (séc. XVII) que Álvaro Vasques casou com Violante Lopes de Albergaria, a qual depois casou com João Esteves, o Privado, senhor de Azambuja, e depois com Rui Pereira. Mas isso é impossível, como explico no meu estudo sobre a Origem dos Avelar e dos Soveral. Se Álvaro Vasques de Góis casou com alguma Violante Lopes, o que não parece, não foi com a Albergaria. O certo é que teve em Beatriz Álvares, mulher solteira, três filhos ilegítimos, legitimados muito depois da sua morte por carta real de 13.11.1386. Sendo que esta Beatriz Álvares também pode ser a mãe dos filhos não legitimados.

3.2.1.   (L) Violante Vasques, n. cerca de 1350 e legitimada por carta real de 13.11.1386, já seu pai tinha falecido.

3.2.2.   (L) Martim Vasques, também legitimado por carta real de 13.11.1386.

3.2.3.   (L) Nuno Vasques, também legitimado por carta real de 13.11.1386.

3.2.3.   (N) Leonor Rodrigues de Pedra Alçada, cuja carta de legitimação não encontrei, mas que se documente com este nome e 2ª mulher do chanceler Lourenço Anes Fogaça, senhor de Odemira (15.2.1387), que a 24.2.1387 representou Portugal como embaixador, juntamente com D. Fernando Afonso de Albuquerque, mestre da Ordem de Santiago, no tratado de paz entre D. João I e Ricardo II de Inglaterra. C.g.

3.3.    Aldonça Vasques de Góis, que casou com Álvaro Fernandes de Carvalho, meirinho-mor do reino, que foi senhor da quintã de Farinha Podre por sua mulher, com geração que estudo e desenvolvo num trabalho a publicar em breve, intitulado «Ensaio sobre a origem dos Mascarenhas».

 

4.           Martim Vasques de Góis, 8º senhor de Góis (1343), n. ca de 1300 e fal. ca de 1365. É certamente o Martim Vasques, seu vassalo, que D. Pedro I nomeou alcaide-mor de Coimbra a 13.7.1357. Sucedeu no senhorio de Góis a seu tio Gonçalo Vasques, ainda em vida deste, pois já a 7.4.1343 outorgou um segundo foral a Góis. Casou ca de 1321 com Violante de Mello, n. ca 1308, que as genealogias dizem filha de Martim Afonso de Mello II, 4º senhor de juro e herdade de Mello (12.4.1373), etc. Mas este Martim Afonso só nasceu cerca de 1311, pois 1309 seu pai Martim Afonso de Mello I ainda estava casado com sua 1ª mulher Inez Pires de Arganil quando ambos fizeram um escambo com o mosteiro de Salzedas. Ora, Martim Afonso de Mello II era filho deste Martim Afonso de Mello I e de sua 2ª mulher Marinha Vasques (de Albergaria), que já era sua viúva quando uma carta de D. Afonso IV sem data, mas de 1335/7, «Marinha vaasqiz molhr q foy de Mr Afon de mloo» vendeu e outorgou perante o dito rei um escravo negro de nome Isaque. Na verdade, o conde D. Pedro não refere Violante de Mello nem entre os filhos de Martim Afonso de Mello I nem de seu filho Martim Afonso de Mello II, embora nem num caso nem noutro nomeie todas as filhas. Mais tarde, é o Livro de Linhagens do Século XVI que dá a mulher de Martim Vasques de Góis (sem a nomear) como filha de Martim Afonso de Mello II. Mas, como vimos, a cronologia não o permite, pelo que, supondo que no séc. XVI foi possível documentar ou de outra forma saber que a mulher de Martim Vasques de Góis era filha de um Martim Afonso de Mello, então só pode ser filha do primeiro. E nem sequer de sua 2ª mulher, mas necessariamente da 1ª, a antedita Inez Pires de Arganil, como vimos ainda viva em 1309, ano em que aliás terá falecido. Isto, apesar de o conde D. Pedro dizer que deste 1º matrimónio não houve geração, o que sobretudo se prendia com geração masculina. Este Martim Afonso de Mello I, que as genealogias dizem ter sido senhor da honra e quintã de Mello, na verdade não o foi, pois ficou para seu irmão mais velho Lopo Afonso de Mello, como se vê nas partilhas dos bens do pai que fizeram a 22.10.1304. Lopo Afonso de Mello só teve uma filha, que nomeou testamenteira e herdeira no testamento que fez em Mello a 8.5.1325, a qual dotou com a quinã e honra de Mello para professar no mosteiro de Stª Clara de Coimbra. Depois, Martim Afonso de Mello II e seu irmão Estêvão Soares de Mello ocuparam a quintã e honra de Mello e contenderam desde 1342 com a a prima e o mosteiro de Stª Clara de Coimbra por causa da sua posse, tendo ambos sentenças reais desfavoráveis em 1352, acabando Martim Afonso por estabelecer um acordo com o mosteiro a 26.3.1356, trocando a sua quintã da Goupeneira, no termo de Santarém, por todos os direitos à quintã e honra de Mello que o mosteiro tinha. Finalmente, em 1373, D. Fernando I confirmou-lhe o respectivo senhorio, em carta que diz: «Martim afonso de meello nosso vasallo teemos por bee e mandamos que elle aja no dito logo de meello toda judiçam civel per esta guisa que o concelhoo do dito logo enleia seus juizes do civel e a enliçam vaa ao dito martim afonso e sejam os ditos juizes confirmados por o dito martim afonso e das sentenças dadas per esses appelaram pera o dito martim afonso e das do dito martim afonso appelaram pera nos».

4.1.    Estêvão Vasques de Góis, 9º senhor de Góis (23.5.1365), alcaide-mor de Lisboa (23.11.1388), cavaleiro, vassalo de D. João I, n. ca de 1322 e fal. antes de 1396. D. Fernando I doou-lhe as rendas e direitos da igreja de Mourão (1, 54v). A 21.4.1388 D. João I doou-lhe a colheita de Góis e a 23.11.1388, dizendo-o seu vassalo, deu-lhe a alcaidaria-mor de Lisboa, como tinha Antão Vasques (de Almada), cavaleiro, com todas as rendas e direitos. A 24.5.1389 o mesmo rei deu a «steuam uaasqz de goões caualleyro nosso uasallo alcaide» autorização para nomear os homens da alcaidaria que entendesse. A 26.4.1390 D. João I fez mercê a Lourenço Anes Fogaça, cavaleiro seu chanceler-mor, da alcaidaria-mor da cidade de Lisboa, com todas as suas rendas, direitos e próis, como era «steuam uaasqz de goões caualleyro». Estêvão Vasques de Góis instituiu a Colegiada de Góis a 10.4.1377, por acordo estabelecido com o prior Fernão Gil, cónego da Sé de Coimbra. Por testamento de 28.4.1389, sendo alcaide-mor, deixou herdeira e sucessora sua neta D. Mécia Vasques de Góis. Existe um selo de armas de Estêvão Vasques de Góis, inventariado pelo marquês de Abrantes, encontrado num escambo da era de 1404 (1367) feito entre Estêvão Vasques, cavaleiro, senhor de Góis, e Estêvão Mafaldo, escudeiro, sobre uns bens em Moura. Casou com Constança Afonso (a), senhora do couto da Barrada, no termo de Moura. A 9.11.1396 D. João I confirmou a Constança Afonso, viúva de Estêvão Vasques de Góis, o couto da sua herdade a que chamam a Barrada, no termo de Moura, junto a Rio Torto, «que foe sempre coutada em tempo de seu auoo e de seu padre». Estêvão Vasques de Góis casou depois com Mor Afonso (b), de quem já tinha um filho, que foi legitimado por carta real de 27.8.1401, já Estêvão Vasques tinha falecido.

4.1.1.   (a) Pedro Esteves de Góis, cavaleiro, alcaide-mor de Alter do Chão (1367 - CFºI, 1, 1), n. cerca de 1343 e falecido antes de seu pai, pelo que não sucedeu. Casou com Leonor Gonçalves.

4.1.1.1.     Mécia Vasques de Góis, herdeira de seu avô Estêvão Vasques de Góis, por testamento de 28.4.1389, 10ª senhora de Góis (23.12.1433, após a morte do marido), 1ª morgada de Góis (28.4.1389), senhora de Pedra Alçada com sua jurisdição (17.3.1378, confirmada a 20.12.1433), senhora das quintãs da Louzã e de Oliveira de Currelos, da herdade da Barrada, no termo de Moura, etc. fal. depois de 1436, ano em que fez doação de todas as rendas da sua coutada de Pedra Alçada a Nuno Martins da Silveira, por «tudo o devido que tinham para com ele». Casou cerca de 1396 com Gomes Martins de Lemos, 10º senhor de Góis (1396), 1º senhor de juro e herdade de Oliveira do Conde (15.1.1386), 1º morgado de Calhariz (27.12.1396), fidalgo do Conselho de D. João I, aio do infante herdeiro D. Afonso, etc. Com geração nos condes de Sortelha, senhores de Góis, e nos Lemos, senhores da Trofa, conforme mais detalhadamente digo no meu estudo sobre a Casa da Trofa.

4.1.2.   (a) D. Frei Lourenço Esteves de Góis, n. ca de 1344 e fal. depois de 1400, prior do Crato e mestre da Ordem do Hospital (1399), sendo antes freire e comendador de Santa Vera Cruz nesta ordem. Sucedeu a D. Álvaro Gonçalves Camelo como prior do Crato e mestre da Ordem do Hospital, como o apoio de D. Nuno Álvares Pereira, como se relata na Crónica del rei D. João I. Teve de mulher diferentes, como já ficou dito acima, dois filhos bastardos.

4.1.2.1.     (N) Diogo Lourenço (de Góis), n. ca 1363, abade de Tresmiras. Vem referido na legitimação do filho como «abade de tresmjras clerigo d ordeens sacras». Pode tratar-se de Transmiras, município galego de Orense, ou Tresminas, freguesia de Vila Pouca de Aguiar. Como ficou dito acima, a identificação deste abade Diogo Lourenço como bastardo de Lourenço Esteves de Góis deve-se, para além do patronímico, não só a ser pai de um Gomes Dias, que se pode identificar com Gomes Dias de Góis, resolvendo o mistério da sua origem, mas também ser pai (de outra mãe, mais tardia) de Estêvão de Góis, que as genealogias dizem filho de D. Frei Nuno Gonçalves de Góis mas que se documenta como seu sobrinho.

4.1.2.1.1.    (L) Gomes Dias de Góis, n. ca de 1386 e legitimado como Gomes Dias por carta real de 20.6.1388, sendo a mão apenas referida como mulher solteira. Foi escudeiro do infante D. Henrique, com quem esteve no desastre de Tânger em 1437. Não o documento directamente, sendo contudo referido em fontes secundárias. Provavelmente não usou o nome Góis, tal como o filho. Braamcamp refere-se a ele como Gomes Dias de Góis, fidalgo da Casa do infante D. Henrique e «senhor das saboarias de Alenquer, Arruda, e outras», mas não refere onde isso se documenta e não se encontra qualquer referência a isso em fonte primária. As genealogias também dizem que foi provedor da gafaria de Coimbra, o que igualmente não se documenta, embora seu filho já se documente com este cargo. Casou com Beatriz Vaz, a quem as genealogias chamam-lhe Beatriz Vaz de Lemos, mas não há nenhuma Beatriz Vaz de Lemos nesta época.

4.1.2.1.1.1.   Lopo Dias (de Góis), n. ca de 1415 e fal. depois de 22.8.1480, sacador das terras régias de Alenquer, vedor da gafaria da cidade de Coimbra, escrivão do almoxarifado de Estremoz e recebedor-mor dos portos de Entre-Tejo-e-Odiana, conforme mais detalhadamente acima ficou dito. Casou cerca 1437 com Maria Dias de Almaçã, aragonesa, sumilheira da rainha D. Leonor de Aragão.

4.1.2.1.1.1.1.    Rui Dias de Góis, n. ca de 1438 e fal em 1513 em Alenquer, escudeiro da Casa Real, esteve na conquista de Arzila (1471), sendo depois almoxarife de Alenquer, conforme mais detalhadamente acima ficou dito. Casou a 1ª vez com Inez de Oliveira (a), n. ca de 1453 e fal. cerca de 1469, certamente de parto. Casou a 2ª vez com sua parente Filipa de Góis (b), referida adiante, n. ca de 1431. Casou a 3ª vez com Isabel Rodrigues (c). Casou a 4ª vez com Isabel Gomes Limi (d).

4.1.2.1.1.1.1.1.   (a) Francisco de Macedo, n. ca de 1469 em Estremoz e fal. a 22.12.1545 em Alenquer, escudeiro e depois cavaleiro da Casa Real, contador das comarcas de Alenquer e Sintra, 1º provedor do hospital e Santa Casa do Espírito Santo de Alenquer, etc., conforme mais detalhadamente acima ficou dito. Casou com Briolanja Pires, c.g. nos Macedo de Alenquer e, como proponho, nos Araújo de Góis do Brasil.

4.1.2.1.1.1.1.2.   (b) Fructus de Góis, n. ca de 1470 e fal. depois de 1529/, guarda-roupa de D.Manuel e D. João III, juiz das sisas de Alenquer (5.3.1504), cavaleiro da Ordem de Cristo com 20.000 reais de tença (8.8.1523), etc. A 5.3.1504 Fruitos de Gois, moço da câmara d’el rei, teve mercê de juiz das sisas da vila de Alenquer e seu termo, devido ao falecimento de Nicolau de Paiva. A 24.9.1515 Fruitus de Góis, moço da guarda-roupa do rei, teve doação das saboarias pretas de Viseu e Lamego, vagas pelo falecimento de Rui Pereira, com proibição a qualquer pessoa de fazer sabão. A 9.11.1515 Fruitos de Gois, moço da guarda-roupa d'el rei, teve doação, em vida, de uma courela que as cheias criaram, junto aos limites do termo da Azambuja que poderá levar de 45 a 50 alqueires de trigo de "semeadura" com a obrigação de tapar o terreno à sua custa. A 14.6.1521 Frutos de Góis, fidalgo da Casa Real, teve carta de confirmação de uma doação que fez a Ana de Góis, sua prima, por um público instrumento de doação feito e assinado por Diogo Leitão, público tabelião em Lisboa a 12.6.1518. Trata-se da fazenda que lhe foi dada e pertencera a Pedro Saco, morador na ilha do Fogo, que sendo ouvidor pelo capitão da dita ilha a comprara de raiz na dita ilha a Martim Miguel, morador nela, pelo que a perdia para o rei. A 19.6.1521 Frutos de Góis, moço do guarda-roupa real, apresentou um alvará de certas mercês que o rei lhe concedeu quando se concertou o casamento entre ele e sua mulher Isabel Perdigão. Entre elas estava uma tença de 20.000 reais, logo que a dita sua mulher fosse de idade de 12 anos e o dito casamento ficasse firme e valioso. Casou com Isabel Perdigão, n. ca 1477, filha de Heitor Nunes Perdigão, feitor da Casa da Índia, e sua mulher Margarida Rodrigues. De 14.3.1515 há um mandado de Heitor Nunes Perdigão para Sebastião de Vargas, tesoureiro da Casa da Índia, entregar a Afonso Monteiro, almoxarife das obras da dita casa, o conteúdo nestes 3 conhecimentos para despesas das obras. Mas já tinha falecido a 25.8.1518, quando o recebedor da chancelaria entregou a Margarida Rodrigues, viúva de Heitor Nunes Perdigão, 900 reais que lhe deviam. Fructus de Góis e Isabel Perdigão tiveram vários filhos, entre estes António de Góis Perdigão que foi pai de Diogo de Góis que casou com sua prima D. Filipa de Souza. De Fructus de Góis e sua mulher foi ainda filha a Luiza de Góis que casou com Belchior de Souza Lobo, sendo pais da antedita Filipa de Souza casada com seu primo Luiz de Góis, como tudo mais detalhadamente se diz acima, no artigo sobre os Argollo.

4.1.2.1.1.1.1.3.   (c) Beatriz de Góis, perfilhada por João de Aragão e sua mulher. A 15.2.1520 D.Manuel I confirmou a Beatriz de Góis o perfilhamento que lhe fora feito por João de Aragão e Berengária Mendes, sua mulher, moradores em Loulé. Apresentou um instrumento público feito e assinado por Francisco Mendes, tabelião de Loulé, a 2.12.1519, onde se indica ter sido Beatriz de Góis filha de Rui Dias e de Isabel Rodrigues sua mulher, e criada com aquele casal, que não tinha filhos e herdeiros legítimos. Ao perfilharem a moça fizeram-na herdeira dos seus bens.

4.1.2.1.1.1.1.4.   (d) Rui Dias de Góis, feitor a alcaide-mor de Damão (CJIII, 66, 95).

4.1.2.1.1.1.1.5.   (d) Manuel de Góis, fal. antes de 1553, comendador de Stª Mª de Lamas na Ordem de Cristo (CJIII, 34, 16v) e escrivão da feitoria de S. Jorge da Mina (CJIII, 33, 28v), que era fidalgo da Casa de D. Manuel I quando a 15.12.1517 teve mercê de 4 quintães de marfim para ir à Índia (RCI, 237), que foi na armada de Diogo Lopes de Sequeira, e estava inscrito nos moradores da Casa Real em 1518. Teve duas filhas naturais, Damiana e Apolónia de Góis, órfãs que foram mandadas por D. João III para o Brasil em 1553, para aí casar.

4.1.2.1.1.1.1.6.   (d) Damião de Góis (1502-1574), o famoso escritor e filósofo humanista, historiador e genealogista, guarda-mor da Torre do Tombo, etc. Casou em 1538, em Leuven, com Johanna van Hargen, n ca de 1523 e fal. em 1567. Tiveram nove filhos, os quatro últimos nascidos em Portugal, em Lisboa (freguesia do Castelo), entre 1548 e 1565.

4.1.2.1.2.    (N) Estêvão de Góis, n. ca de 1410 e fal. em 1486, cavaleiro da Casa do infante D. Fernando, senhor das saboarias de Olivença e Portalegre, etc. Ao contrário do que dizem as genealogias, não era filho mas sim sobrinho do prior do Crato D. Frei Nuno Gonçalves de Góis. Com efeito, a 1.1.1441 D.Afonso V perdoou a justiça régia a Estêvão de Góis, sobrinho do prior do Crato, D. Frei Nuno Gonçalves de Góis, por ter estado no castelo da dita vila com o dito prior a maldizer do rei. É assim plausível, como ficou dito acima, que seja filho do proposto abade Diogo Lourenço, portanto meio-irmão de Gomes Dias de Góis. E a mãe é muito provavelmente uma Clara Botelho, de Abrantes, pois 3.3.1455 o mesmo rei privilegiou Estêvão de Góis, cavaleiro da Casa do infante D. Fernando, concedendo-lhe a administração dos bens de morgado na vila de Abrantes, que foram de Clara Botelho. O LLXVI diz ter sido alcaide-mor de Mértola, o que possivelmente é verdade, embora não se documente, sendo certo que seu filho teve esta alcaidaria. Teve ainda as saboarias de Olivença e Portalegre, pois a 27.7.1514 Francisco de Góis, fidalgo da Casa d'el rei, teve mercê das saboarias de Moura, Mourão e Monsaraz, porquanto trespassara em sua filha, dona Isabel, as de Olivença e Portalegre, as quais lhe haviam sido dadas por D. Manuel a 4.5.1486, sendo duque, para que as houvesse tal como seu pai, Estêvão de Góis, as possuíra e arrendara. Estêvão de Góis casou cerca de 1455 com D. Isabel de Ataíde, n. ca de 1440, filha de Nuno Mascarenhas, fidalgo da Casa do infante D. Fernando, senhor da herdade de Albocotim, no termo de Alcáçovas, etc., e de sua mulher Catarina de Ataíde.

4.1.2.1.2.1.   Francisco de Góis, n. ca de 1456 e fal. antes de 22.12.1517, fidalgo da Casa Real e alcaide-mor de Mértola, teve mercê das saboarias de Moura, Mourão, Monsaraz (27.7.1514) e sucedeu ao pai nas de Olivença e Portalegre (4.5.1486). As genealogias dizem que foi alcaide-mor de Serpa e que casou com D. Branca de Souza, filha de Álvaro de Moura e sua mulher D. Leonor de Souza. Não me parece que tenha sido alcaide-mor de Serpa nem o documento como tal, mas foi alcaide-mor de Mértola, alcaidaria que vendeu a seu primo D. João Mascarenhas. Com efeito, documenta-se como alcaide-mor de Mértola em 1500 e 1501, vendendo-a depois por uma tença de 160.000 reais para seu filho, pois a 22.12.1517 D. Manuel I confirmou a Estêvão de Góis, filho de Francisco de Góis, fidalgo da Casa Real, atendendo aos serviços deste último e aos que esperava receber de seu filho, a tença de 160.000 reais, em sua vida, que nele trespassou o capitão dos ginetes D. João Mascarenhas, por concerto que com Francisco de Góis fez sobre a alcaidaria-mor da vila de Mértola e direitos dela. Passou as saboarias de Olivença e Portalegre a sua filha D. Isabel (24.7.1514), casada (23.7.1513) com Afonso Telles, e as saboarias de Moura, Mourão e Monsaraz a seu filho Estêvão de Góis (28.7.1514).

4.1.2.1.2.2.   D. Filipa de Góis, que foi a 2º mulher, s.g., de Pedro Correa, 2º morgado de Belas e senhor da capitania da ilha de Santiago (Cabo Verde). Pedro Correa, fidalgo da Casa Real, sucedeu a seu pai na capitania da ilha de Santiago e respectiva saboaria (3.1.1505), o que D. João III lhe confirmou, e nos foros da vila de Belas (9.1.1507) e respectivo morgadio. Pedro Correa era irmão de Cristóvão Correa do doutor Estêvão Correa, fal. em 1521, cavaleiro do Conselho (2.12.1512), chanceler da Casa do Cível, desembargador dos agravos da Casa da Suplicação (25.4.1501), etc., em cuja descendência acabou por seguir morgadio de Belas. Eram todos filhos de Rodrigo Afonso (de Atouguia), n. cerca de 1430 e fal. em 1507, e de sua mulher Beatriz Correa, natural de Setúbal, filha de um Pedro Correa. Rodrigo Afonso foi cavaleiro do Conselho de D. João II e D. Manuel I, vedor e escrivão da fazenda da infanta D. Beatriz e dos duques de Viseu e Beja, seus filhos, senhor de juro e herdade dos foros de Belas e Salvaterra de Magos, por doação da dita infanta D. Beatriz (mãe de D. Manuel I), que instituiu o morgadio de Belas e foi ainda senhor da capitania da ilha de Santiago, por doação do dito duque, que D. Manuel I confirmou a 14.1.1485 e a 29.10.1497, acrescentando a respectiva saboaria, bem como dos foros, rendas e tributos da vila de Salvaterra de Magos e seu termo (13.1.1485, com confirmação de 29.10.1497), tendo ainda uma tença de 50.000 reais (26.3.1498).

4.1.2.1.2.3.   D. Catarina de Ataíde, que foi a 2ª mulher de Cristóvão Correa, já referido atrás como marido de D. Brízida de Almada, e irmão de Pedro Correa, referido acima. Cristóvão Correa, fidalgo do Conselho de D. Manuel I e vedor da Casa da rainha, teve em satisfação das suas tenças a dízima do pescado de Sesimbra (12.9.1513), que D. João III lhe confirmou, e foi comendador e alcaide-mor de Colos na Ordem de Santiago (1501). Entre aquelas tenças, que somavam 150.000 reais, estava uma de 10.000 reais que a 3.1.1511 o rei confirmou a Cristóvão Correia, do seu Conselho e vedor da Casa da rainha, que lhe fora trespassada por seu irmão o doutor Estêvão Correia, em partilhas do pai Rodrigo Afonso, em carta feita em Tomar a 2.3.1507. Parece ainda ser o Cristóvão Correa que teve várias tenças, nomeadamente uma 20.000 reais de juro paga em Sesimbra e outra, a 6.1.1528, de 80.000 reais. De D. Catarina de Ataíde e Cristóvão Correa foram filhos Manuel Correa, que sucedeu nas dízimas do pescado de Sesimbra (29.8.1516), D. Filipa, que casou com Álvaro de Souza, e Francisco Correa, comendador e alcaide-mor de Colos e Alvalade (documentado a 13.3.1516) e de V.N. de Milfontes na Ordem de Santiago, que sucedeu a seu tio Pedro na capitania e saboarias da ilha de Santiago e no morgadio, foros e jurisdição de Belas, vínculo que haveria de perder para a descendência do doutor Estêvão Correa, como ficou dito acima.

4.1.2.2.     (N) D. Frei Nuno Gonçalves de Góis, n. ca de 1370 e fal. em 1440, fidalgo do Conselho de D. Duarte, prior do Crato e mestre da Ordem do Hospital (1419-40), sendo antes freire e comendador de Algoso nesta ordem. A 27.8.1420 D. João I confirmou vários privilégios a «dom frey nuno gllz de goyos pior do spital». Na legitimação dos filhos, em 1437, aparece como «dom frey nuno de goyos pior da hordem do spital e do senho do dcto senhor» (D. Duarte). A 22.7.1444 D. Afonso V perdoou a justiça régia a João da Fonseca, escudeiro de Nuno Gonçalves de Góis, prior que foi do Crato, acusado de ter fugido para Castela acompanhando o dito prior, podendo regressar ao reino, contanto que não entre em nenhuma terra do dito priorado. A 16.8.1450 o mesmo rei nomeou Diogo Afonso, criado de Frei Nuno Gonçalves de Góis, prior do Hospital, para o cargo de tabelião do cível e crime na vila do Crato e seu termo. Como ficou dito acima, o patronímico usado por Nuno Gonçalves não tem qualquer justificação na ascendência paterna, pelo que, necessariamente, lhe vem pela mãe, que seria Gonçalves (ou filha de um Nuno Gonçalves), não sendo o filho assumido pelo pai desde a sua nascença, razão pela qual terá tido patronímico de origem materna. Deixou seis filhos ilegítimos, os três últimos havidos em Beatriz Gonçalves (b), mulher solteira, e legitimados por carta real, ao contrário dos três primeiros, bem mais velhos e claramente de mulher diferente.

4.1.2.2.1.    (a) (N) Fernão de Góis, fal. entre 1455 e 1469, cavaleiro fidalgo da Casa Real e comendador de Barrô na Ordem de Cristo. A 4.5.1435 Fernão de Gooez teve de D. Duarte licença para andar armado por se temer de um João Gonçalves, que o roubara e fora açoutado e degredado para Ceuta, e agora acabara o degredo e o queria matar. A 3.8.1442 D. Afonso V perdoou a Mendo Afonso, escudeiro de D. Sancho e a seu pedido, pela fuga do castelo da Amieira, onde estava em campanha com Fernão de Góis e Pedro de Góis, para o reino de Castela, sendo os seus bens que entretanto tinham sido doados a Montejunto, moço da estribeira do infante D. João, contanto sirva para sempre o rei e o infante D. Pedro. O castelo de Amieira tinha sido fundado pouco antes por D. Frei Álvaro Gonçalves Pereira, prior da Ordem do Hospital para servir de defesa da linha do Tejo. Localiza-se na povoação de Amieira do Tejo, conselho de Nisa (Portalegre). A 14.4.1450 o mesmo rei nomeou Fernão de Pinhel, criado de Fernão de Goios, para o cargo de escrivão das sisas de S. Martinho de Mouros. A 14.6.1453 nomeou João Fernandes, criado de Fernão de Goios, cavaleiro da sua Casa, para o cargo de escrivão das sisas régias da Amieira, em substituição de Ivam Gonçalves, que fora destituído do cargo por o não exercer e o ter dado a outrem, sem que para isso tenha recebido licença régia. A 19.8.1453 privilegiou Fernando Anes [Pequito], morador na Amieira, a pedido de Fernão de Gois, comendador de Barrô, fidalgo da sua Casa, isentando-o do pagamento de diversos impostos, encargos e ofícios, empréstimos e sisas do concelho, de ir com presos e dinheiros, de ser tutor e curador, de ser posto por besteiro do conto, bem como do direito de pousada. E a 26.11.1455 nomeou Luiz de Figueiredo, criado de Fernão de Góis, para o cargo de tabelião do cível e crime na vila da Lousã e seu termo, em substituição de Pedro Sardinha, que fora destituído do cargo por erros e falsificações que fizera no seu ofício. Deixou pelo menos um filho e uma filha ilegítimos.

4.1.2.2.1.1.   (N) Nuno de Góis, documentado a 12.6.1469, quando D.Afonso V privilegiou João da Costa, Lourenço da Costa e Fernando Aranha, irmãos, escudeiros, moradores na vila de Elvas, concedendo-lhes licença para uso e porte de armas nesta vila e seu termo, e por todo o reino e senhorio, em virtude de se sentirem ameaçados por Pedro Martins e Nuno de Góis, que os tinham acusado na morte de seu pai. Pedro Martins seria cunhado de Nuno de Góis.

4.1.2.2.2.    (a) (N) D. Frei Pedro de Góis, freire da Ordem do Hospital e comendador de Vera Cruz nesta ordem, foi o 1º senhor de juro e herdade da Louzã. A 2.7.1450 D. Afonso V doou vitaliciamente a D. Frei Pedro de Góis, comendador de Santa Vera Cruz, a vila de Lousã com seu castelo, direitos, foros e tributos, assentos, emprazamentos, montes e fontes e sua jurisdição cível e crime, mero e misto império, ressalvando para si a correição, alçada e confirmação dos tabeliães. Teve em Leonor Afonso, mulher solteira, uma filha legitimada por carta real.

4.1.2.2.2.1.   (L) D. Inez de Góis, n. ca 1439 e fal. em 1497, legitimada por carta real de 26.4.1453, 2º senhora de juro e herdade da Louzã (20.7.1453). Casou a 1ª vez em 1453 com Pedro Machado (a), n. ca de 1413 e morto a 19.1.1464 no malogrado ataque a Tânger. Foi o 1º senhor de juro e herdade de Entre-Homem-e-Cávado e da torre do Crasto, em Amares, nesta linhagem (19.1.1450, por compra), fidalgo da Casa do infante D. Fernando, etc. A 20.7.1453 D. Afonso V confirmou o senhorio da terra da Louzã, com todas as suas rendas, direitos, foros e pertenças e com jurisdição do cível e do crime, a Pedro Machado, fidalgo da Casa do infante D. Fernando, e a sua mulher D. Inez de Góis, que o pai dela, D. Frei Pedro de Góis, comendador de Stª Vera Cruz, lhe dera pelo casamento em contracto de 2.6.1453. E a 4.7.1464 o mesmo rei confirmou a Francisco Machado o contrato de casamento de seus pais, Pedro Machado, fidalgo da Casa do infante D. Fernando, e D. Inez de Góis, pelo qual lhes fora doada a terra da Lousã, com todos os direitos, podendo herdá-la à morte de sua mãe. D. Inez de Góis casou 2ª vez em 1465 com Álvaro da Cunha (b), 11º senhor de juro e herdade de Tábua, 8º morgado de Tábua, 3º morgado de Paços, alcaide-mor de Condeixa, etc. A 13.3.1460 teve mercê régia de uma tença anual de 37.500 reais de prata. A 9.7.1466 teve mercê régia do mordomado da cidade de Coimbra e do mordomado, alcaidaria e portagem de Condeixa, com todas as suas rendas, num total de 11.800 reais de prata. Álvaro da Cunha, fidalgo da Casa do príncipe D. João, a 20.7.1476 recebeu de D. Afonso V a mercê dos bens móveis e de raiz do mouro João Lourenço, que morrera.

4.1.2.2.2.1.1.    (a) Francisco Machado, n. ca de 1455 e fal. a 27.8.1518, senhor de juro e herdade de Entre-Homem-e-Cávado e da Louzã (30.10.1497), senhor da torre do Crasto, em Amares, etc. A 4.7.1464 D. Afonso V confirmou a Francisco Machado o contrato de casamento de seus pais, Pedro Machado, fidalgo da Casa do infante D. Fernando, e D. Inez de Góis, pelo qual lhes fora doada a terra da Lousã, com todos os direitos, podendo herdá-la à morte de sua mãe. Casou em 1494 com D. Joana de Azevedo, fal. a 5.5.1534, filha de João Peixoto, senhor de juro e herdade de Penafiel (27.2.1459), e de sua mulher D. Briolanja de Azevedo. Com geração nesta Casa.

4.1.2.2.2.1.2.    (a) Pedro Machado, cavaleiro da Ordem de S. João de Jerusalém (depois Malta), 1º senhor da casa de Sabroso, em Vreia de Bornes (Vila Pouca de Aguiar), que teve prazos da sua ordem em Rio Torto (Chaves) e Vila Pouca de Aguiar. Teve em sua prima Catarina de Meirelles, filha de Pedro Anes de Meirelles, senhor da quinta do Condado, em Vila Pouca de Aguiar, e de sua mulher Branca Machado, uma filha sucessora, Branca Machado, que casou com seu primo João Gonçalves Machado, que tirou ordens menores em Braga a 12.5.1504, escudeiro fidalgo da Casa Real, juiz dos órfãos de Vila Pouca de Aguiar e aí senhor da casa da Escaleira, etc. com geração que desenvolvo no meu livro «Machado, de Vila Pouca de Aguiar», Porto 2000.

4.1.2.2.2.1.3.    (b) D. Mécia da Cunha, n. em 1466, 12º senhora de juro e herdade de Tábua, 9ª morgada de Tábua, 4ª morgada de Paços, etc. Perdeu o senhorio em demanda para seu primo Luiz da Cunha. A 25.10.1487 D. Mécia da Cunha recebeu de D. João II uma tença anual de 25.000 reais de prata pelo casamento com Pedro Gomes de Abreu. Casou em 1486 em Viseu com Pedro Gomes de Abreu, n. ca de 1461, cavaleiro fidalgo da Casa Real, que a 19.4.1488 teve carta de privilégio de fidalgo, senhor da quinta de Lusinde, na freguesia do mesmo nome em Penalva do Castelo, e de muitos bens em Viseu. A 28.2.1480 comprou a judeus umas casas na judiaria de Viseu, com a condição de lhas emprazar. Nesse mesmo ano trocou com o Cabido de Viseu umas casas na Rua Direita. Era filho (legitimado por carta real de 8.3.1479) de D. João Gomes de Abreu, bispo de Viseu (1462), etc., e de D. Beatriz de Eça, abadessa de Celas (Coimbra); neto paterno dos senhores de Regalados e Valadares e, por sua mãe, trineto do rei D. Pedro I e D. Inez de Castro. Com geração que desenvolvo no meu livro «Ascendências Visienses. Ensaio genealógico sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVII», Porto 2004.

4.1.2.2.2.1.4.    (b) Martim Vasques da Cunha, que morreu novo em combate no norte de África, solt. s.g.

4.1.2.2.2.1.5.    (b) João Álvares da Cunha, que morreu com seu irmão no norte de África, solt. s.g.

4.1.2.2.3.    (a) (N) D. Beatriz de Góis, que vivia viúva a 11.6.1459, data em que D. Afonso V concedeu a D. Beatriz de Góis, mulher que foi de Diogo Fernandes de Almeida, rico-homem, do seu Conselho, carta de privilégio para todos os seus caseiros, mordomos, apaniguados e lavradores, isentando-os de certos encargos e impostos régios e concelhios, de irem com presos e dinheiros, de serem tutores e curadores, bem como do direito de pousada. A 27.12.1452 Diogo Fernandes de Almeida, estando casado com D. Beatriz de Góis, doou novos bens à sua capela de S. Domingos, para onde trasladou sua 2ª mulher. D. Beatriz foi a última mulher de Diogo Fernandes de Almeida, senhor de Sardoal, rico-homem, do Conselho, vedor da fazenda, alcaide-mor e senhor do castelo, terras e direitos reais de Abrantes, etc., falecido entre 1453 e 1459 e sepultado com suas armas na igreja de Stª Mª do castelo de Abrantes, que fundou. É referido como reposteiro-mor da Casa Real quando a 13.11.1433 o rei o isentou de pagar a dízima nova do pescado nos dois canais de pescaria que tinha em Abrantes. E é referido como «cavaleiro da nossa Casa, nosso reposteiro mor, filho de Fernando Álvares de Almeida que foi nosso aio» quando a 7.5.1451 o rei lhe fez mercê para que mais ninguém deitasse redes de pesca entre Abrantes e o porto de pedra que chamam Foz do Tejo. A 15.9.1463 D. Afonso V doou a seu neto João Lopes (futuro 2º conde de Abrantes) o castelo de Abrantes com todas as suas rendas, bem como o reguengo pequeno também nessa vila, após a morte de Diogo Fernandes de Almeida. Diogo Fernandes de Almeida, que de sua 1ª mulher foi pai do 1º conde de Abrantes, foi sucessor a seu irmão na Casa de Abrantes (1429), sendo filho (legitimado por carta real de 23.1.1433) de Fernando Álvares de Almeida, senhor de Abrantes (5.10.1400) e alcaide-mor do seu castelo, aio de D. Duarte, freire professo da Ordem de Avis (1384-1395) e nela claveiro (1387-1391), vedor da Casa do mestre (1384-1385) e comendador de Vila Viçosa (1384) e Juromenha (1385). O LLXVI atribui a Diogo Fernandes de Almeida sete casamentos, só referido contudo duas mulheres, a 1ª e esta filha de D. Frei Pedro de Góis, não especificando de quem foram os filhos. As genealogias posteriores, contudo, atribuíram a D. Beatriz de Góis vários dos filhos de Diogo Fernandes de Almeida que não podiam ser dela, como já refiro no meu livro «Ascendências Visienses. Ensaio genealógico sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVII», Porto 2004. É o caso, por exemplo, de D. Branca de Almeida, que casou com Rui Gomes da Silva, 1º senhor de Ulme (6.7.1449), antes de 24.3.1442, data em que D. Afonso V doou a Branca de Almeida, filha de Diogo Fernandes de Almeida, do seu Conselho e vedor da fazenda, por seu casamento com Rui Gomes da Silva, cavaleiro da Casa do infante D. Henrique, uma tença anual de 10.000 reais de prata, a serem retirados do almoxarifado de Lamego, até que lhe sejam pagas as 1.000 coras de ouro de dote. Ora, Diogo Fernandes de Almeida só deve ter casado com D.Beatriz de Góis cerca de 1439/40, pois casou com sua anterior mulher Maria de Souza, criada de D. João I, cerca de 26.12.1431, data em que este rei lhes confirmou o casamento e lhes deu em dote os reguengos de Stª Margarida e de Moreira, os direitos reais dos moinhos de Rio de Moinhos e Alfazira e uma tença anual de um conto e 100 libras, tença esta que lhe foi confirmada a 26.11.1433 e que só em 10.4.1439 passou a seu viúvo. Conclui que Branca de Almeida era filha de Maria de Souza, como digo na antedita obra, apesar de isso obrigar a um casamento com cerca de 10 anos, sendo 12 a idade mínima. Mas a este nível era possível um contracto de casamento antecipado, ficando a sua consumação à espera da idade permitida. Porque a anterior mulher conhecida, Tereza Nogueira, faleceu a 19.11.1427, tendo feito testamento 18 dias antes, onde não refere filhos. E não se aceita um desconhecido casamento entre 1327 e 1331. Assim, de D. Beatriz de Góis só devem ser filhos os seguintes, como digo na antedita minha obra:

4.1.2.2.3.1.   Álvaro de Almeida, n. cerca de 1441, vedor da fazenda do infante D. Fernando, do Conselho de D. Afonso V e comendador das entradas do Campo de Ourique na Ordem de Santiago. A 9.3.1475, sendo referido como do Conselho de D. Afonso V e comendador das Estradas, obteve deste rei autorização para arrendar por três anos as suas rendas e direitos. Deve ser o Álvaro de Almeida a quem D. Afonso V aforou a 27.7.1452 (era ainda menor) a quinta do Monte de Lóios e ¼ da várzea de Abrantes, o que a 30.8.1463 teve mercê real de uma tença anual de 12.000 reais de prata. Casou com Filipa Pereira, sem geração, segundo Alão, que lhe dá apenas uma filha bastarda, Isabel de Almeida, que casou com Nuno Fernandes Freire de Andrade, filho dos senhores de Bobadela. Segundo umas justificações filipinas a que Gaio teve acesso, teve outra filha bastarda, Leonor de Almeida, casada com Fernão Cardoso.

4.1.2.2.3.2.   António de Almeida, fal. novo.

4.1.2.2.4.    (b) (L) Gonçalo de Góis, legitimado por carta real de 4.12.1437, fidalgo da Casa Real, fal. depois de 14.4.1452, data em que D. Afonso V doou a Gonçalo de Goios, fidalgo da sua Casa, uma tença anual, para seu mantimento, de 600 reais de prata, a partir de 1.1.1452.

4.1.2.2.5.    (b) (L) Estêvão de Góis, legitimado por carta real de 4.12.1437.

4.1.2.2.6.    (b) (L) Diogo de Góis, legitimado por carta real de 4.12.1437, fidalgo da Casa Real, fal. depois de 1467. É certamente o Diogo de Góis que em 1462 tinha 2.500 reais de moradia como cavaleiro fidalgo da Casa Real. A 20.4.1464 D. Afonso V privilegiou João Afonso, picheleiro, morador na cidade de Évora, amo de Diogo Lopes Brandão, a pedido de Diogo de Goios, fidalgo da Casa Real, recebendo-o novamente por vassalo, bem como lhe concedeu aposentação com sua honra, sem ter atingido a idade de 70 anos. A 7.3.1467 o mesmo rei confirmou o privilégio a Diogo de Góis, cavaleiro e fidalgo da sua Casa, pelo qual lhe foi garantida a moradia na corte, no caso de não a servir, até ser pago o seu casamento (inserto alvará de 18.2.1464).

4.1.3.   (b) Vasco Farinha, legitimado por carta real de 27.8.1401, por ter nascido antes do casamento de seus pais. Esteve na tomada de Tui, como refere Gomes Anes de Azurara. Terá casado com Ana Afonso. Alão refere que no Tombo do Hospital de Corpo de Deus, em Coimbra (Livro do Tombo da Provedoria de Coimbra, fls. 565 et. seq.), consta que a instituidora Ana Afonso deixou muitos bens ao dito hospital no lugar de Farinha Podre, tendo sido casada com Gonçalo Gonçalves, depois com Nicolau Rodrigues, depois com Martim da Maia, cidadão de Coimbra, e ultimamente com Vasco Farinha.

4.2.    Nuno Martins de Góis, falecido entre 1369 e 1371, senhor da quintã de Oeiras (16.6.1357). A 16.6.1357 D. Pedro I doou-lhe, a si a sua mulher, a quintã de Oeiras, que D. Fernando I lhe confirmou. A 5.4.1369 D. Fernando I, dizendo-o seu vassalo, deu-lhe carta de coutada para uma sua herdade em Moura e seu termo. Já tinha falecido a 21.2.1371, quando este rei confirmou à mulher e aos filhos a coutada da dita herdade na vila de Moura. Casou com Branca de Avelar, n. ca de 1332 e fal. depois de 1371, referida no meu estudo Origem dos Avelar e dos Soveral. Em 1365, já casada, Branca de Avelar tinha comedoria no mosteiro de Grijó junto com seu marido e os dois filhos de ambos, estes não nomeados. A 16.6.1357, sendo referida como «branca do aveellar» e seu marido como «nuno martjnz de guõoes», o rei fez-lhe mercê a ela e ao marido de uma quinta no reguengo de Oeiras, como ficou dito

4.2.1.   Pedro Nunes de Góis, apenas referido como «huum filho» de seus pais na lista de Grijó em 1365, terá fal. solt. sem geração depois de 1371.

4.2.2.   Beatriz Nunes de Góis, n. ca 1355 e fal. depois de 1391. Apenas referida como «hua filha» de seus pais na lista de Grijó em 1365. A 11.6.1391 D. João I confirmou a «gonçallo viegas de taide nosso uasallo e a briatiz nunez sua molher» o couto de todas as herdades que tinham em Moura e que foram de seu sogro e pai Nuno Martins, a quem as coutara D. Fernando I. Casou com Gonçalo Viegas de Ataíde, n. ca 1327 e fal. depois de 1391, cavaleiro fidalgo e vassalo de D. João I, filho de Martim Gonçalves de Ataíde, escudeiro de linhagem, e de sua mulher Margarida Anes de Évora; e neto paterno de outro Gonçalo Viegas de Ataíde, senhor da torre de Ataíde, em S. Pedro de Ataíde (Amarante), e de sua mulher D. Inez Fernandes da Fonseca.

4.2.2.1.     Nuno Gonçalves de Ataíde, n. ca de 1370 e fal. em 1437 cativo em Fez. Foi senhor de Gaião, criado de D. João I e governador da Casa do infante D.Fernando, sucedendo a sua mãe nas herdades de Moura. A 13.2.1417 D. João I confirmou a Nuno Gonçalves de Ataíde, seu criado, a coutada das herdades de Moura que seu pai Gonçalo Viegas lhe dera e que fora de seu avô Nuno Martins de Góis. Casou com Mécia de Meira, filha natural de Fernão Gonçalves de Meira, senhor de juro e herdade de Viana (do Castelo), da Nóbrega, e de Ribeira de Soaz (1369), alcaide-mor de Torres Vedras por D. Fernando I, etc., e Tereza Rodrigues, irmã do arcebispo de Braga D.Lourenço Vicente, senhor e alcaide-mor da Lourinhã (10.10.1384 e 7.2.1385). Ao contrário do que teimam as genealogias, Nuno Gonçalves de Ataíde só teve 4 filhos, como se documenta quando a 11.3.1437, por sua morte, seus filhos Pedro, Gonçalo e Beatriz e Catarina de Ataíde tiveram de D. Duarte a confirmação das coutadas das herdades de Moura e seu termo, que foram de seu pai, de seu avô e de seu bisavô Nuno Martins de Góis.

4.2.2.2.     Catarina de Ataíde, que foi a 1ª mulher de Diogo Lopes de Souza, n. ca de 1386 e fal. ca 1450, 1º senhor de juro e herdade de Miranda do Corvo (1397), mordomo-mor de D. Duarte, etc., que era filho (legitimado por carta real de 3.1.1389) do mestre da Ordem de Cristo D. Frei Lopo Dias de Souza, como mais detalhadamente digo no meu estudo sobre Os filhos e netos do «muj honrrado barom» Dom Frei Lopo Dias de Souza, 8º mestre da Ordem de Cristo.

4.2.2.3.     Beatriz de Ataíde, n. ca 1388. Casou a 1ª vez, tardiamente, cerca de 1420, com Rui Gomes de Azevedo (a), alcaide-mor de Alenquer, n. ca de 1380 e fal. antes de 30.7.1440. Há vários indivíduos deste nome nesta época, pelo que a identificação de cada um deles pode ser difícil. Mas este é o alcaide-mor de Alenquer cuja viúva casou com Nuno de Góis, como digo adiante. O LLXVI não o filia, e trata-o em «Mais Azevedos». Gaio diz que era filho de um Diogo Gomes e neto de Gonçalo Gomes de Azevedo, o alferes-mor de D. Afonso IV na batalha do Salado (1340). Mas sabe-se, documentalmente, que este Gonçalo Gomes de Azevedo em 1365 só tinha uma filha, como aparece na lista das comedorias do mosteiro de Grijó. Parece-me que este Rui Gomes de Azevedo terá já sucedido na alcaidaria de Alenquer a seu pai, sendo portanto filho do Álvaro Gonçalves de Azevedo que teve mercê desta alcaidaria-mor de D.Fernando I (3, 74). Sendo assim, dados os patronímicos de Rui Gomes e de Álvaro Gonçalves, este seria certamente filho bastardo de Gonçalo Gomes de Azevedo e por essa razão não aparece na lista de Grijó. Beatriz de Ataíde casou 2ª vez em 1440 com seu primo Nuno (Vasques) de Góis (b), também alcaide-mor de Alenquer, referido adiante, onde segue, sem geração.

4.2.2.3.1.    (a) Gonçalo Gomes de Azevedo, n. ca de 1420 e fal. depois de 1481, do Conselho de D. Afonso V, que sucedeu a seu padrasto (e primo) como alcaide-mor de Alenquer e vedor dos vassalos régios das vilas de Alenquer, Vila Verde, Arruda, Povos, Castanheira e Vila Franca. A 5.3.1456 D. Afonso V nomeou Gonçalo Gomes de Azevedo, fidalgo da sua Casa, para o cargo de vedor dos vassalos régios das vilas de Alenquer, Vila Verde, Arruda, Povos, Castanheira e Vila Franca, em substituição de Nuno de Góis, que renunciara, tendo já a 3.2.1456 nomeado Gonçalo Gomes de Azevedo, fidalgo da sua Casa, para o cargo de alcaide-mor da vila de Alenquer, em substituição de Nuno de Góis, por o rei não querer que este exerça mais o cargo. A 14.2.1464 o mesmo rei doou a Gonçalo Gomes de Azevedo, fidalgo da sua Casa, uma tença anual de 12.743 reais de prata para pagamento de sua moradia. A 30.4.1472 doou-lhe outra tença de 3.000 reais de prata, a juntar aos 10.000 reais da fazenda régia. Já era do Conselho quando a 23.4.1473 teve outra tença de 15.000 reais de prata. Casou em 1450 com Isabel Vasques de Castello-Branco, irmã de Nuno Vasques de Castello-Branco, 7º almirante-mor de Portugal, etc. A 26.2.1450 D. Afonso V doou a Isabel Vasques, filha de Lopo Vasques de Castello-Branco, monteiro-mor do reino, a tença anual de 15.000 reais de prata, a pagar no almoxarifado de Santarém, por seu casamento com Gonçalo Gomes de Azevedo, fidalgo da sua Casa, até perfazer a verba de 1.500 coroas de ouro do dote. Tiveram vários filhos, nomeadamente Rui Gomes de Azevedo, que a 14.11.1481, sendo provedor da rendição dos cativos, sucedeu ao pai, que renunciara, como alcaide-mor de Alenquer e vedor dos vassalos régios das vilas de Alenquer, Vila Verde, Arruda, Povos, Castanheira e Vila Franca; Francisco de Azevedo, a quem a 20.3.1471 D. Afonso V doou uma tença para seu estudo e mantimento de 6.000 reais e a 26.4.1475 foi apresentado como prior da igreja de São Bartolomeu de Ota do arcebispado de Lisboa, e Lopo Vaz de Azevedo, comendador de Coruche e Évora (1473), que acabou por suceder como almirante-mor de Portugal, com geração nos almirantes-mores.

4.3.    Catarina Vasques de Góis, n. ca de 1335, que as genealogias dizem filha de um Pedro Vasques de Góis, «o Pedra Alçada», e neta de Álvaro Vasques de Góis e de sua mulher Violante Lopes de Albergaria. Mas estes não tiveram geração e não se conhece nenhum Pedro Vasques de Góis. Assim, tendo em conta a cronologia e onomástica, Catarina Vasques de Góis devia na verdade ser sobrinha do Álvaro Vasques de Góis que as genealogias lhe dão por avô e irmã de Estêvão Vasques de Góis. Casou cerca de 1350 com Gonçalo Anes Borges, n. ca de 1310, senhor de juro e herdade de Alva (Castro Daire), senhor de Calvos (Guimarães), da portagem do Arco de Baúlhe e de Ourilhe (Basto), aparecendo, entre os cavaleiros e escudeiros de geração, na lista de Grijó (1365), com geração que desenvolvo no meu livro «Ascendências Visienses. Ensaio genealógico sobre a nobreza de Viseu. Séculos XIV a XVII», Porto 2004. Conforme já tive oportunidade de corrigir nas Erratas e aditamentos a esta obra, ao referir-me à ascendência deste Gonçalo, digo que devia ser filho de um virtual João Vaz, neto de Vasco Gonçalves Borges e bisneto de Gonçalo Anes Borges, solução que servia melhor a cronologia. Mas estou agora convencido de que Gonçalo Anes sempre podia ser, como dizem Gaio e outros, filho de Vasco Gonçalves e neto de Gonçalo Anes, de quem teve o nome e patronímico, uma irregularidade que nessa época já se verificava. Mas, neste caso, a D. Maria (Paes) de Azevedo que Gaio dá como mulher do Gonçalo Anes mais antigo, teria de ser mulher não deste Gonçalo mas de seu filho Vasco Gonçalves, portanto mãe deste Gonçalo Anes II, e teria o patronímico Gomes e não Paes. Esta ligação dos Borges aos Azevedo parece verdadeira, pois Gonçalo Anes Borges, como disse, aparece, entre os cavaleiros e escudeiros de geração, na lista dos padroeiros do mosteiro de Grijó em 1365. Era, portanto, descendente dos padroeiros. E este direito só se vê que lhe possa ter vindo justamente pelos Azevedo. Mas os Azevedo só têm este direito pelos Vasconcellos, através do casamento de três irmãos Azevedo com três irmãs Vasconcellos. Assim, Gonçalo Anes Borges tinha de ser descendente de um destes três casamentos. E a cronologia obriga a que fossem seus avós um desses três casais. Pelo que a D.Maria de Azevedo de que fala Gaio, e outros, não podia ser sua avó mas sim sua mãe. Donde, como ficou dito, quem casou com esta D. Maria foi Vasco Gonçalves Borges e não seu pai Gonçalo Anes Borges. E de quais dos ditos casais seria filha esta D. Maria? Certamente a única Maria que não foi freira e cujo marido se desconhece, mais concretamente Maria Gomes de Azevedo, «a Má», referida pelo conde D. Pedro como filha de Gomes Paes de Azevedo e sua mulher Constança Rodrigues de Vasconcellos. Esta Maria Gomes de Azevedo era irmã, nomeadamente, de Rui Gomes de Azevedo, já falecido em 1365, a quem Pedro Martins Carpinteiro deixa 250 libras no seu testamento, feito em Burgos a 2.6.1308. O Gonçalo Anes Borges que aparece na lista de 1365 deve ter nascido cerca de 1310 e aparece nas genealogias como filho único. Sua mãe, a dita D. Maria, podia perfeitamente ter nascido cerca de 1295, pois neste ano seu pai já se documenta como alcaide-mor do castelo de Albuquerque pelo conde de Barcelos, sendo portanto já então adulto, apesar de ainda se documentar vivo em 1355. Maria Gomes de Azevedo terá portanto casado cerca de 1310, teria 15 anos de idade, com Vasco Gonçalves Borges, que teria então cerca de 60 anos, tendo um único filho, Gonçalo Anes. Não sei se o feitio de Maria Gomes de Azevedo (o conde D. Pedro chama-a «a Má») foi causa ou efeito deste casamento tão desequilibrado...

4.4.    Leonor Martins de Góis, freira no mosteiro do Lorvão, n. ca de 1341 e fal. depois de 1401. Vem referida como «lianor mz de goões freira do m° de loruaão ao t.po da nacença do dcto nuno uasqz» na carta de legitimação real de seu filho. Teve pelo menos dois filhos de Antão Vasques (de Almada), fal. em 1388, cavaleiro, vassalo de D. João I, alcaide de Lisboa (1385-7) e de Torres Vedras (1386-8), alvazil do crime desta cidade (1383-4) e senhor de juro e herdade de Unhos (Loures) a 10.9.1384. A 10.9.1384 o mestre de Avis doou a Antão Vasques, cavaleiro, morador em Lisboa, pelos muitos serviços que dele recebeu e entende ainda receber, de juro e herdade para todo o sempre, o lugar de Unhos com sua freguesia, como trazia arrendado Vidal Judeu, e a Adega de Camarate, como tinha Lopo Gomes de Lira, com todos os novos frutos, direitos, foros e rendas. A 27.8.1385, já como rei, doou a Antão Vasques, cavaleiro seu vassalo, a renda do serviço da comuna dos judeus de Santarém. E no mesmo dia nomeou-o alcaide-mor da cidade de Lisboa, com todos os direitos e rendas como tinha D. João Afonso, conde de Barcelos, salvo aquelas coisas que tinha feito mercê ao concelho de Lisboa. A 21.4.1388 o mesmo rei nomeou Estêvão Vasques de Góis alcaide-mor de Lisboa, como era Antão Vasques, cavaleiro, com todas as rendas e direitos. Antão Vasques (de Almada), que era casado sem geração com Inez Gomes, era irmão de João Vasques de Almada e tio do 1º conde de Abranches, como refiro na nota 3 do meu estudo sobre Os filhos e netos do «muj honrrado barom» Dom Frei Lopo Dias de Souza, 8º mestre da Ordem de Cristo.

4.4.1.   (L) Nuno (Vasques) de Góis, n. ca de 1379 e fal. depois de 1456, legitimado por carta real de 27.8.1401 como Nuno Vasques de Góis. Foi alcaide-mor de Alenquer (30.7.1440 - 3.2.1456), criado de D. João I, cavaleiro, vedor dos vassalos régios das vilas de Alenquer, Vila Verde, Arruda, Povos, Castanheira e Vila Franca, etc. A 30.7.1440 D. Afonso V privilegiou Nuno de Góis, criado de D. João I, concedendo-lhe todos os privilégios que o seu antecessor Rui Gomes de Azevedo, criado de D. João I, tinha para todos os seus lavradores, caseiros e bens, para além de todos os seus bens e alcaidaria da vila de Alenquer, uma vez que casara com a mulher deste. A 3.2.1446 o mesmo reio perdoou três meses de degredo a Martinho Afonso e Diogo Vicente, criados de Fernão Gonçalves de Miranda, moradores em Aldeia de Gavinha, dos seis meses a que foram condenados, acusados de terem tido uma querela com Nuno de Góis, alcaide-mor de Alenquer. A 12.12.1449 perdoou a justiça régia a João Farinha, morador na vila de Arruda, acusado de ter posto fogo na mata da quinta de Nuno de Góis, cavaleiro, tendo pago 1.000 reais brancos para a Chancelaria. A 26.10.1450 perdoou a justiça régia a Martim Pires, morador na vila de Arruda, filho de Pedro Afonso Melgaço, por ter posto fogo e queimado sete ou oito olivais de Nuno de Góis, cavaleiro, por ter participado contra o infante D. Pedro na batalha de Alfarrobeira, tendo pago 1.000 reais para a Chancelaria. A 23.10.1454 perdoou a justiça régia a Diogo Lourenço, que fora morador na vila de Arruda, pela querela que tivera com Nuno de Góis, cavaleiro, tendo pago 100 reais brancos para a Piedade. A 3.2.1456 nomeou Gonçalo Gomes de Azevedo, fidalgo da sua Casa, para o cargo de alcaide-mor da vila de Alenquer, em substituição de Nuno de Góis, por o rei não querer que este exerça mais o cargo. A 3.2.1456 D. Afonso V nomeou Gonçalo Gomes de Azevedo, fidalgo da sua Casa, para o cargo de vedor dos vassalo régios na vila de Alenquer e seus termos, em substituição de Nuno de Góis, por o rei não querer que este exerça mais o dito ofício. A 5.3.1456 D. Afonso V nomeou Gonçalo Gomes de Azevedo, fidalgo da sua Casa, para o cargo de vedor dos vassalos régios das vilas de Alenquer, Vila Verde, Arruda, Povos, Castanheira e Vila Franca, em substituição de Nuno de Góis, que renunciara. Casou com sua prima D. Beatriz de Ataíde, referida adiante, filha de Gonçalo Viegas de Ataíde e Beatriz Nunes de Góis e já viúva de Rui Gomes de Azevedo. Sem geração.

4.4.2.   (N) Álvaro Vasques de Góis, n. ca de 1380, documentado na carta de armas do neto como irmão de Nuno de Góis, alcaide-mor que foi de Alenquer, mas que não foi legitimado. Nesta carta de armas diz-se que casou mas não é nomeada a mulher.

4.4.2.1.     Martim de Góis, alcaide-mor de Alenquer, n. ca de 1420 e fal. em 1475. A 15.3.1444 D. Afonso V confirmou a nomeação de Martim de Góis, morador em Alenquer, no cargo de procurador do número na dita vila (inserta carta da rainha D. Leonor de 23.12.1439). A 10.3.1456 o mesmo rei nomeou novamente Martim de Góis, morador em Alenquer, para o cargo de procurador do número na dita vila e seu termo, como o era em tempo da rainha D. Isabel. A 10.3.1456 nomeou novamente Martim de Góis, morador em Alenquer, para o cargo de escrivão da almotaçaria na dita vila e seu termo, como o era em tempo da rainha D. Isabel. A 28.8.1469 perdoou a justiça régia a Martim de Góis, alcaide do castelo da vila de Alenquer, aí morador, escudeiro e criado do infante D. Henrique, pela fuga de vários presos, contanto que daqui em diante não exerça o ofício de alcaide. Não sei com que casou mas foi pai de:

4.4.2.1.1.    André de Góis, n. cerca de 1445, escrivão da almotaçaria em Alenquer e escudeiro de Lopo Vasques, comendador de Coruche. A 2.9.1475 D. Afonso V nomeou vitaliciamente André de Góis, escudeiro de Lopo Vasques, comendador de Coruche, para o cargo de escrivão da almotaçaria em Alenquer, assim como era seu pai, Martim de Góis.

4.4.2.2.     Henrique de Góis, cavaleiro da Casa Real, morador em Alenquer. Casou cerca de 1441 com Isabel Hordonhez, donzela da rainha. A 22.6.1441 D. Afonso V doou a Henrique de Góis, cavaleiro da sua Casa, por ter casado com Isabel Hordonhez, de Vila Quiram, criada régia, donzela da rainha, uma tença anual de 500 coroas de ouro, até perfazer 1.500 coroas de bom ouro e justo peso de cunho da moeda do rei de França, a partir de Janeiro de 1441, a ser paga das rendas e sisas do almoxarifado de Alenquer. Há outro Henrique de Góis, escudeiro de D. Duarte, que parece mais velho e distinto deste. Se for o mesmo, então não é filho de Álvaro Vasques mas sim, documentalmente, de um João Anes de Góis, cavaleiro, criado e meirinho de D. João I, a quem este rei aforou uns bens em Santarém em 1390 e que parece irmão de uma Maria Anes que lhe deixou em testamento o prazo da quintã da Barrosa, junto ao Lumiar, em Lisboa. Mas não consegui entroncar este João Anes de Góis, que terá nascido antes de 1365.

4.4.2.3.     Filipa de Góis, n. ca de 1431, que foi a 2ª mulher de seu parente Rui Dias de Góis, referido acima, onde segue.

4.4.2.4.     Leonor de Góis, n. ca de 1432, documentada na carta de armas do filho. Casou com Álvaro Gonçalves, criado de D. Afonso V, como é referido na dita carta de armas.

4.4.2.4.1.    Pedro de Góis, n. ca de 1450, morador em Óbidos quando em 1513 teve carta de armas para Góis. Deve ser o Pedro de Góis escudeiro da Casa de D. João II (cartas de 8.9.1489 e 8.1.1490). A 6.4.1513 a Pedro de Góis, morador na vila de Óbidos, da geração e linhagem dos Góis, foi concedida carta de armas, de acordo com o registo nos livros de registos das armas dos nobres e fidalgos dos reinos que tem Portugal, principal rei de armas, com os respectivos privilégios, liberdades, honras, graças e mercês. Outorgou a petição do beneficiário, depois de provado, ser filho legítimo de Álvaro Gonçalves, criado d'el rei D. Afonso V, e de Leonor de Góis, filha legítima de Álvaro Vaz de Góis, avô do suplicante. Este era irmão de Nuno de Góis, alcaide-mor que foi de Alenquer e todos do tronco da linhagem dos Góis. As armas concedidas são as ditas seis cadernas de prata em campo azul, tendo por diferença uma brica (devida por lhe virem por via feminina) de ouro com uma merleta de azul e por timbre uma serpe verde. El-rei o mandou pelo bacharel António Rodrigues Portugal, seu rei de armas principal. Diogo Fernandes a fez. (CMI, 11, 88). Como refiro no meu estudo sobre a Casa da Trofa, esta terá sido a primeira carta de armas em que a atabalhoada reforma manuelina confundiu os Góis da varonia Lemos com a antiga família Góis, dando a estes, erradamente, as armas daqueles.

 


ARAÚJO DE GÓIS do Brasil. 1ªs gerações da prole de Rui Gonçalves 

1.           Rui Gonçalves de Góis, n. ca de 1516 em Alenquer e fal. a 15.7.1571 em Lisboa (Castelo), ficando testamenteiro seu filho Julião. Foi cavaleiro fidalgo do cardeal infante D. Henrique, escrivão do fisco real e almoxarife dos paços reais, como ficou dito acima. Proposto filho mais novo de Francisco de Macedo e sua mulher Briolanja Pires, que ficaram acima no esquema sobre os Góis. Casou cerca de 1539 com Margarida de Anseres, que parece ter origem flamenga. Não deixa de ser uma coincidência assinalável que seu proposto tio, o celebrado Damião de Góis, pouco mais velho do que ele, tenha casado em 1438, em Lovaina, com Johanna van Hargen. E que Rui Gonçalves de Góis não tenha deixado rasto documental na documentação de D. João III, tendo à morte deste rei, em 1557, cerca de 40 anos. O que permite supor que Rui Gonçalves de Góis esteve ausente do país, podendo ter acompanhado o tio à Flandres e aí, justamente, ter casado com Margarida de Anseres.

1.1.    Catarina de Góis, que segue.

1.2.    Julião de Góis, n. cerca de 1546 e fal. depois de 1617, que sucedeu como escrivão do fisco e câmara real e foi testamenteiro do pai. Em 1587 e 1609 vivia casado na freguesia de Stº Estêvão de Alfama. Casou cerca de 1586 com Apolónia de Matos, fal. depois de 1615, filha de João de Matos e sua mulher Antónia de Madureira e prima de D. António de Matos, bispo de Elvas e inquisidor.

1.2.1.   Dr. Luiz de Góis de Matos, b. a 13.2.1587 em Lisboa (Stº Estêvão de Alfama) e já fal. em 1651, desembargador da Casa da Suplicação e depois de víúvo cónego da Sé de Lisboa. Casou em Lisboa com D. Catarina Henriques, com assentos na freguesia de S. Miguel de Alfama (6.6.1609) e na freguesia de S. Tomé (10.3.1610), coisa assaz estranha, pois têm uma diferença de mais de 9 meses. No assento de S. Miguel, que dá os seus pais, dizendo que são moradores na freguesia de Stº Estêvão, diz que ele era mancebo de 22 a 23 anos, "bem barbado e de corpo mediano". A noiva é referida como "moça magra e discorada", filha do Capitão Manuel Ferreira Valdevez(o) e sua mulher D. Maria Henriques, moradores na freguesia de Stª Ana (Pena). No outro assento, de 1610, muito mais lacónico, a noiva só consta como D. Catarina, sem indicação dos pais. Mas no baptismo dos filhos verifica-se que é D. Catarina Henriques. O antedito Capitão Manuel Ferreira Valdevez(o) era certamente filho de Pedro de Valdevezo, reposteiro das camas da Casa Real, e de sua mulher Isabel Ferreira. A 19.7.1528 Pedro de Valdevezo, reposteiro das camas, teve alvará da rainha para receber 3.000 reais de mercê (CC, I, 40, 77). A 2.7.1556 a rainha D. Catarina ordenou ao tesoureiro Álvaro Lopes que désse a Isabel Ferreira, viúva de Pedro de Valdevezo, reposteiro das camas, 8.000 reais (CC, I, 98, 102).  

1.2.1.1.     Julião, b. a 9.6.1610 em Lisboa (S. Tomé), sendo padrinhos Luiz Ferreira e D. Jerónima.

1.2.1.2.     Luiz Ferreira Valdevez(o), cujo baptismo não encontrei. É dado por Alão como filho do Dr. Luiz de Góis de Matos. Foi cavaleiro da Ordem de Cristo com 20.000 réis de pensão (22.5.1652 - RGM, Ordens, 1, 311), capitão de Baçaim e da aguada dos navios da Índia (21.3.1668 - RGM, AVI, 12, 316), etc. Acrescenta Alão que Luiz Ferreira Valdevezo casou com Maria Pita, viúva de Nuno de Mello da Silva e filha de António Gonçalves Pita, comendador de Stª Mª do Porto de Mós na Ordem de Cristo, capitão-mor do Congo e governador da Mina, da qual teve uma filha. Na verdade, Luiz Ferreira Valdevezo teve desta Maria Pita um filho ilegítimo, Manuel, b. em Bucelas a 13.4.1631.

1.2.1.3.     Maria, b. a 14.8.1613, ib, sendo padrinhos António de Carvalho e D. Mariana de Góis.

1.2.1.4.     Estêvão, b. a 4.1.1615, ib, sendo padrinhoso Dr. João Paes Cabral e Apolónia de Matos.

1.2.1.5.     Antónia, b. a 13.1.1617, ib, sendo padrinhos Julião de Góis e D. Mariana.

1.2.2.   D. Serafina de Góis (casou como D. Serafina de Madureira, portanto o apelido da avó materna), n. cerca de 1588, moradora na rua de S. Boaventura (freguesia das Mercês), onde fal. viúva a 23.10.1653. Casou a 4.1.1602 em Lisboa (s. Tomé) com José Ferreira de Mello, já fal. em 1651. O assento de casamento não dá a filiação dos nubemtes. Alão diz que José Ferreira de Mello foi cavaleiro da Ordem de Avis e senhor do morgado da Furna e de outros na Ilha Terceira, de S. Miguel, S. Jorge, e Graciosa, sendo filho de Luiz Ferreira de Mello e sua mulher D. Guiomar da Gama, casados em Lisboa, e neto de Estêvão Ferreira de Mello, comendador da Ordem de Cristo, e sua mulher D. Antónia de Lima.

1.2.2.1.     D. Juliana de Mello, sucessora, que casou a 23.6.1630 em Lisboa (Mercês) com Bartolomeu de Vasconcellos da Cunha, nascido ib, governador e capitão-general da ilha da Madeira, moço fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo com 40.000 reais de pensão (6.1.1654) que sucedeu a seu pai como comendador de S. Cristóvão de Nogueira (26.4.1659) de Stª Maria de Torredeita (ib, confirmada a 30.8.1646 ), tendo a 20.8.1649 mercê para que pudessem passar a seu filho quando ele morresse. Era filho de Francisco de Vasconcellos da Cunha, moço fidalgo da Casa Real (1632), comendador de S. Cristóvão de Nogueira (20.7.1652) e Stª Maria da Torredeita (30.8.1646) na Ordem de Cristo, e de sua mulher D. Maria Mascarenhas; neto paterno de outro Bartolomeu de Vasconcellos da Cunha, moço fidalgo da Casa Real (9.6.1605), e sua mulher D. Catarina de Mendonça e Castro; e neto materno de Manuel Mascarenhas moço fidalgo da Casa Real, comendador de Stª Maria de Alcofra na Ordem de Cristo, governador e capitão-general da ilha da Madeira, etc. Alão diz que D. Juliana e seu marido eram primos-direitos, o que não parece. Com efeito, Francisco de Vasconcellos da Cunha terá casado também com D. Isabel de Brito, filha de um 2º casamento de D. Guiomar da Gama, referida acima, avó paterna de D. Juliana de Mello, mas Bartolomeu de Vasconcellos da Cunha não era filho deste casamento.

1.2.2.1.1.    Francisco de Vasconcellos, bat. a 19.4.1631, ib, jesuita, do qual Alão diz: «moço de indesculpável vida que, deixando a sucessão da casa, se meteu na Companhia, onde morreu com grande opinião».

1.2.3.   D. Mariana de Góis, n. cerca de 1591. Casou a 30.10.1606 em Lisboa (S. Tomé) com Francisco Gomes de Mello, filho de João Gomes de Mello e sua mulher Ana de Holanda.

1.2.4.   João de Matos de Góis, jesuíta e visitador da Companhia de Jesus.

1.2.5.   D. Ana de Góis, que em 1651 se diz que tinha 57 anos, como ficou dito, pelo que teria n. em 1594 ou 95. Mas como ainda lhe nasceu um filho em 1640, é provável que tenha havido erro na idade, coisa muito comum na época, e tenha nascido em 1597, tende esse filho tardio com cerca de 43 anos. Casou com João Coelho de Castro, que sucedeu ao sogro como escrivão do fisco real. É certamente o João Coelho de Castro que a 7.2.1641, conjuntamente com seu irmão Francisco Coelho de Castro, ficaram habilitados a suceder como escrivão da Câmara do mestrado de Santiago e anexos, por falecimento de seu pai Jorge Coelho de Andrade (RGM, Ordens,1, 129v). Eram filhos deste Jorge Coelho de Andrade e sua 1ª mulher D. Ana de Castro; netos paternos de Francisco Coelho de Andrade e sua 2ª mulher Beatriz Gomes; e netos maternos do Dr. Gabriel Pereira de Castro. Tudo indica que tenham sido pais de:  

1.2.5.1.     António Coelho de Castro, dito filho de João Coelho de Castro quando a 6.6.1664 teve mercê de um lugar de freira para sua irmã (CAVI, 9, 428v) e quando a 6.6.1669 teve lembrança de um ofício de justiça ou fazenda pelo casamento de sua filha (ib, 9, 429v).

1.2.5.2.     Maria, b. a 3.6.1633 em Lisboa (S. Tomé), sendo padrinho o Dr. Luiz de Góis de Matos.

1.2.5.3.     João, b. a 8.1.1640, ib.

1.3.    Pedro de Góis, moço da Câmara da Casa Real e tabelião. A 11.1.1571 Rui Gonçalves de Góis, cavaleiro fidalgo do cardeal infante D. Henrique, escrivão do fisco real e almoxarife dos paços reais, morador em Lisboa, ao Castelo, fez uma doação a seu filho Pedro de Góis, moço da Câmara e tabelião, servindo de testemunha seu outro filho, Julião de Góis, como ficou dito acima. Tudo indica que este seja o Pedro de Góis que casou com Catarina de Aragão e foram pais de:

1.3.1.   Margarida (de Anseres?), bat. a 31.12.1567 em Lisboa (Castelo).

1.3.2.   Doutor Luiz de Góis de Aragão, b. a 20.4.1578, ib, lente da Universidade de Coimbra e depois desembargador da Relação do Porto (CFII, 34, 236v), desembargador dos Agravos e ouvidor da Casa da Suplicação de Lisboa. Matriculou-se em Instituta em 1595 e em Leis em 1596, tirando o bacharelato a 20.7.1600 e a licenciatura a 18.6.1610. Foi colegial do Colégio de S. Pedro. A 9.1.1633 a Inquisição de Lisboa sentenciou em auto de fé João Luís, um quarto de cristão-novo, acusado de sodomia e de judaísmo, que era homem do serviço do Doutor Luiz de Góis de Aragão, desembargador dos Agravos. E a 21.3.1632 sentenciou a auto de fé e degredo por cinco anos nas galés António de Matos, também acusado de sodomia, pajem do desembargador Luiz de Góis de Aragão. Casou a 27.4.1636 em Lisboa (Stª Engrácia) com D. Joana de Eça, que estava recolhida no convento de Almoster e foi representada no matrimónio por seu tio Jorge de Albuquerque. Infelizmente o assento não dá a filiação dos nubentes.

 

2.           Catarina de Góis, n. ca de 1544 em Lisboa, que foi para o Brasil em 1563, já casada e com filhos, como largamente dito acima. Casou cerca de 1560, também em Lisboa, com Gaspar de Araújo, possivelmente já viúvo de um 1º casamento, n. ca de 1505 em Ponte de Lima e fal. cerca de 1600 no Colégio de Jesuítas do Rio de Janeiro. A 5.3.1516, teria 11 anos de idade, era moço da câmara de D. Manuel I quando este rei lhe deu 4.000 reais de mercê, sendo aí referido como Gaspar Rodrigues de Araújo. Terá depois servido no norte de África ou na Índia e muito provavelmente é o Gaspar de Araújo que D. João III nomeou escrivão da correição da ilha de S. Tomé (CJIII, 40, 219) e depois escrivão das sisas da Ribeira de Santarém (55, 26v). Já bem depois da morte deste rei, em 1563, foi com a sua jovem mulher e os primeiros filhos deste casamento povoar Ilhéus, no Brasil, onde foi dono de engenho e ficou até enviuvar, depois de 1587, mudando-se então para a Baía, onde se fez jesuíta, mudando-se finalmente para o Rio de Janeiro, onde morreu com cerca de 95 anos de idade. Era, como proponho acima, o filho mais novo de Rodrigo Álvares de Araújo, cavaleiro da Ordem de Santiago, e de sua 2ª mulher Ana da Cunha, e sobrinho direito de Paio Rodrigues de Araújo, alcaide-mor de Castro Laboreiro (2.6.1483), confirmando-se assim, de alguma forma, o que dizem as testemunhas no processo para a Ordem de Cristo de seu neto.

2.1.    Antónia de Pádua de Góis, n. em Lisboa cerca de 1561 e falecida na Baía em 1643 com 82 anos de idade, segundo diz Frei Jaboatão, acrescentando: «Depois de viúva, levou 18 anos entrevada numa cama, tida por serva de Deus, apresentando sinais visíveis de santidade» (Frei Jaboatão). Morreu na Vila de Cairu, «chorada por 116 filhos, netos e bisnetos, que juntos com os de seus dois irmãos e quatro irmãs podem hoje povoar um novo mundo». O mesmo frade diz que o bispo do Brasil D. Marcos Teixeira de Mendonça era parente do marido desta Antónia e, já ele tinha falecido, assistiu ao casamento de uma neta em 1622. Antónia de Pádua casou com Domingos da Fonseca Saraiva, fal. antes de 1622, povoador das terras de Cairu e senhor do engenho do mesmo nome, filho de Diogo Afonso de Veiga e bisneto de Francisco da Fonseca Saraiva.

2.1.1.   Catarina de Góis Paes, n, cerca de 1577, que casou com o capitão-mor Lucas da Fonseca Saraiva, certamente seu parente.

2.1.1.1.     Úrsula da Fonseca Saraiva, que casou com Francisco de Souza de Eça.

2.1.1.2.     Antónia de Pádua da Fonseca Saraiva, que casou com Melchior Mexia Barba

2.1.1.2.1.    Mariana Mexia , que casou com seu primo Francisco de Góis de Macedo, referido adiante, c.g.

2.1.1.3.     Cecília da Fonseca, que casou com seu primo Marcos de Araújo de Brum, referido adiante, c.g.

2.1.1.4.     Luiz de Góis da Fonseca casado com sua prima D. Isabel de Menezes, referida adiante.

2.1.1.5.     Lucas da Fonseca Saraiva casado com Catarina de Souza da Fonseca

2.1.1.6.     António de Araújo da Fonseca, n. cerca de 1608 e fal. a 17.1.1683. Casou com sua prima Ana Maria de Ayala, fal. a 31.5.1702, referida adiante.

2.1.1.6.1.    D. Inez de Araújo de Góis, que casou com António Moniz Cabral.

2.1.1.6.2.    António de Araújo da Fonseca, capitão.

2.1.1.6.3.    Lucas da Fonseca Saraiva, sargento-mor de Cairu. A 18.3.1723 requereu ao rei D. João V confirmação da patente do posto de sargento-mor da vila do Cairu (AHU – Bahia, c. 14, d. 25). Casou com D. Antónia Moniz da Cunha.

2.1.1.6.4.    João de Araújo de Góis, que casou a 1.9.1687, em Purificação, com D. Severina Barbosa.

2.1.1.6.5.    D. Ana Maria de Ayala, que casou com António Drummond Pimentel.

2.1.1.6.6.    D. Mariana de Góis.

2.1.1.6.7.    D. Bárbara Maria de Góis, que casou com António Dias Coutinho, alferes.

2.1.1.6.8.    Francisco de Araújo da Fonseca, fal. a 30.9.1684.

2.1.1.6.9.    Manuel de Araújo da Fonseca, fal. a 2.7.1677.

2.1.1.6.10.  Domingos da Fonseca Saraiva, alferes, que casou com D. Maria de Mello.

2.1.2.   Mariana de Góis da Fonseca, que casou com Simão Pinto de Faria, c.g.

2.1.3.   Susana de Góis, que casou com Gonçalo Falcão Pereira.

2.1.4.   Francisca da Fonseca, que casou com João Barbosa Coutinho, c.g.

2.1.5.   António da Fonseca Saraiva, que casou com Úrsula Serrão de Medeiros, c.g.

2.1.6.   Semião de Araújo da Fonseca, que casou com D. Joana de Souza de Vasconcellos, filha de Fernão Ribeiro de Souza e sua mulher D. Antónia de Menezes. C.g.

2.1.7.   quatro filhos, que fal. m.

2.2.    Semião de Araújo de Góis, o Velho, cavaleiro fidalgo, que nasceu em Lisboa cerca de 1562 e viveu em (Rio) Matoim, onde fal. a 1.1.1662, com cerca 99 anos, embora nas «Denunciações de 1618» se diga que «de sua única consorte teve vinte batizados, dos quais 12 homens de capa e espada e um Religioso da Companhia e duas filhas casadas com multiplicidade de netos e bisnetos, entre o decurso de 90 anos que contou de sua vida». A 6.4.1647, ainda estava vivo, seu filho Francisco de Góis de Araújo teve carta padrão de uma tença de 20.000 reais pelos serviços de seu pai Simeão de Araújo (RGM, Ordens, 2, 299). Casou em finais de 1603 com Maria de Sequeira, n. cerca 1589 e fal. a 14.8.1664, ib, filha de Sebastião Pedroso Barbosa, natural de Viana do Castelo, e de sua 1ª mulher Leonor de Sequeira, moradores na capitania de Ilhéus, conforme já ficou largamente referido acima.

2.2.1.   Antónia de Góis, b. a 26.10.1604 em Matoim, fal. solt.

2.2.2.   Gaspar de Araújo de Góis, b. a 26.11.1606, ib, e fal. a 9.8.1692 na Baía, onde foi vereador (1650), provedor da Santa Casa (1682) e encarregado de cobrar no Reconcavo os açucares da vintena. Casou a 8.9.1630 com Maria de Vasconcellos (a), que, com três dos quatro filhos, foi morta pelos holandeses a 8.9.1637, filha de Paulo de Carvalhal, cavaleiro fidalgo da Casa Real, batizado em 11.7.1557 e decapitado em Salvador com cadeia no pé, a 7.10.1614, e de sua mulher D. Francisca de Aguiar de Espinosa, filha de Cristovão de Aguiar de Altero, o velho, «fidalgo mui esclarecido e neto de Pedro Vaz, colaço d'el Rei D. Pedro I» (Frei Jaboatão), e de sua mulher Isabel de Figueró (possivelmente filha de Francisco Bruzza de Espinosa, o bandeirante). Paulo de Carvalhal de Oliveira era filho de Antonio de Oliveira de Carvalhal, cavaleiro fidalgo e primeiro alcaide-mor da Baía, por mercê de D. João III. Jaboatão conta que Paulo de Carvalhal e o filho, Bartolomeu de Vasconcellos, «mataram ao ancião Francisco de Barbuda em 11.3.1607, abrindo-o a machado, de alto a baixo pelas costas», e, sendo nobre, Paulo de Carvalhal teve o privilégio da decapitação. Gaspar de Araújo de Góis casou a 2ª vez a 24.1.1638 na capela de Santa Luzia com Maria do Rego (b), filha de Sebastião Paes de sua primeira mulher Isabel de Azevedo, neta paterna de de Aleixo Paes, o Velho, natural da ilha de Santa Maria, «lavrador de canas» no engenho de Diogo Lopes Ulhoa, e de sua mulher Apolónia Nunes. Casou a 3ª vez a 4.3.1650 com Ana de Azevedo (c), fal. antes de 1655, filha de Gaspar de Azevedo e de Maria Nunes, s.g. E ainda casou a 4ª vez a 11.5.1655 com D. Isabel Telles (d), filha de António Moniz Telles, fidalgo escudeiro, e de sua mulher Cristina Coutinho.

2.2.2.1.     (a) Antónia, b. a 6.8.1632 e morta pelo Holandeses em 1637.

2.2.2.2.     (a) Maria de Vasconcellos, b. a 18.4.1633 e morta pelos Holandeses em 1637.

2.2.2.3.     (a) Francisca de Vasconcellos, b. a 13.3.1635. Casou a 13.10.1650 na capela de Santa Luzia em Cotegipe com Aleixo Paes de Azevedo, irmão de sua madrasta Maria do Rego, referida acima.

2.2.2.3.1.    Aleixo Paes de Vasconcellos

2.2.2.3.2.    D. Ana de Vasconcellos, que casou com seu tio José de Góis de Araújo, referido adiante.

2.2.2.3.3.    D. Isabel Tereza de Souza de Góis, bat. a 5.9.1654 na capela de Stª Luzia. Casou a 23.3.1674 em Cotegipe com seu primo o Dr. José de Góis de Araújo, referido adiante.

2.2.2.3.4.    D. Antónia Maria de Vasconcellos, bat. a 12.5.1657, que casou a 1ª vez a 20.6.1682 com Pedro Barbosa Leal, e a 2ª vez com o coronel Inácio Ravasco.

2.2.2.3.5.    D. Maria de Vasconcellos, que casou a 1.6.1671 em Cotegipe com José Sanches del Poço, c.g.

2.2.2.3.6.    D. Luzia de Vasconcellos, que casou a 10.11.1695 com o capitão Jerónimo da Costa Pinto.

2.2.2.3.7.    Miguel de Góis de Vasconcellos que casou com sua prima D. Josefa de Góis, referida adiante, c.g.

2.2.2.4.     (a) Manuel, b. a 8.2.1637 e morto pelo Holandeses em 1637.

2.2.2.5.     (b) D. Isabel de Azevedo de Góis, que na IG de sua neta se documenta como D. Isabel de Araújo e Azevedo, natural de Cotigipe, onde terá nascido cerca de 1639. Faleceu a 2.9.1677 na Baia e foi sepultada na igreja do Carmo. Casou a 1ª vez cerca de 1656 com Pedro Carneiro Brandão, s.g. Casou a 2ª vez a 30.5.1662, em Cotigipe, sendo padrinhos o Dr. José de Góis e José de Araújo de Góis, com António de Queiroz Cerqueira, cavaleiro da Ordem de Cristo, capitão de Infantaria (10.11.1653) do Regimento da Baía, etc., natural da Vila de Amarante, que no seu testamento, feito da Baía, diz que foi primeiro casado com D. Apolónia de Araújo de Góis, referida adiante, filha de Jorge de Araújo de Góis e de Ângela de Cerqueira, de quem não teve filhos. E acrescenta que a segunda vez foi casado com D. Isabel de Azevedo de Góis, a 30.5.1663, sepultada no Carmo, de quem, «entre os mais filhos que tive», refere José de Queiroz, que faleceu de pouca idade, D. Maria Micaela de Queiroz e Inácio Telles de Araújo de Góis. Sobre ele e sua ascendência mais detalhadamente ficou dito acima.

2.2.2.5.1.    José de Queiroz, que faleceu de pouca idade, segundo declara o pai.

2.2.2.5.2.    D. Maria de Queiroz e Cerqueira, como vem geralmente documentada, embora seu pai lhe chame D. Maria Micaela de Queiroz. N. cerca de 1662 e casou a 1ª vez com o capitão Gonçalo da Rocha Serrão, capitão de Infantaria (20.4.1676), cavaleiro da Ordem de Cristo (9.5.1681, com 12.000 reais de tença, documento onde consta como filho de Gonçalo Serrão de Azevedo), senhor de uma sesmaria de quatro léguas na nascença do rio Jacuipe (1688), fal. cerca de 1698, s.g. O padre António Vieira chama sobrinho a este Gonçalo, conforme mais detalhadamente ficou dito acima. D. Maria de Queiroz e Cerqueira casou a 2ª vez a 14.6.1699 em S. Miguel de Cotigipe com seu primo António de Araújo de Góis e Cerqueira, referido adiante, onde segue.

2.2.2.5.3.    Inácio Telles de Araújo de Góis, como declara o pai. Deste é certamente filho José de Góis de Cerqueira, cujo filho Inácio de Cerqueira de Góis a 2.2.1716 teve de D. João V carta de capitão dos cavalos de uma companhia do Recôncavo da cidade da Baía (RGM, 8, 67) e a 25.1.1719 carta de coronel do Regimento de Infantaria da Ordenança da vila de Camamu (ib).

2.2.2.5.4.    outros filhos, não nomeados pelo pai, entre eles certamente o Padre Semião de
Queiroz e Araújo, testamenteiro e herdeiro de António de Queiroz, que a 28.1.1782 requereu à rainha D. Maria I provisão de dispensa na lei para agravar ordinariamente para a Casa da Suplicação de uma causa que litigou com o desembargador António José dos Reis Pinto e Souza na Ouvidoria Geral do Cível da cidade da Baía (AHU-Bahia, c. 184, d. 4).

2.2.2.6.     (b) Sebastião de Araújo de Góis, coronel, cavaleiro da Ordem de Cristo, com uma tença de 12.000 reais (30.8.1705, onde se diz que era filho de Gaspar de Araújo de Góis – RGM, 17, 131), que a 25.3.1688 teve carta de confirmação do posto de coronel da Ordenança do regimento novo, dividido do de que é coronel Baltasar dos Reis Barrenho (RGM. 1, 443v). A 29.12.1704 o coronel de Infantaria de Ordenanças Sebastião de Araújo e Gois, morador na cidade da Baía, requereu ao rei D. Pedro II 50.000 reais de tença efetiva (AHU-Bahia, c. 4, d. 70). Casou com D. Filipa de Brito, s.g.

2.2.2.7.     (b) José de Góis de Araújo, capitão, b. a 3.7.1642 em Cotegipe. Casou a 10.9.1656 com Úrsula Feio, c.g. Casou 2ª vez com sua sobrinha D. Ana de Vasconcellos, filha de sua meia-irmã, Francisca, referida acima.

2.2.2.8.     (b) Francisco de Góis de Araújo, capitão de Ordenança de Ilhéus, em cujo registo de patentes se diz que era «das principais famílias daquela vila» (APB, Registro de Patentes de 1697 a 1703, fl. 230). Casou com Maria Fernandes, como se documenta no livro de irmãos da Santa Casa da Baía.

2.2.2.9.     (b) Simeão de Araújo de Góis, que casou a 6.7.1669 no Socorro com D.Inez de Castro, b. a 14.2.1647, ib, filha de Rui Carvalho Pinheiro, o velho, referido adiante, e de sua segunda mulher D. Maria de Souza.

2.2.2.9.1.    António de Araújo de Góis, que casou a 6.3.1707 com D. Ana Úrsula de Souza. Este parece ser o António de Araújo de Góis cujo neto Manuel de Araújo de Góis, natural da Baía, teve a 20.5.1794 carta de armas para Araújo e Góis.

2.2.2.9.2.    D. Maria de Souza, fal. a 19.4.1749. Casou com seu tio Dr. Inácio de Araújo de Góis, referido adiante, com pelo menos 6 filhos.

2.2.2.9.3.    José de Araújo e Góis casado com D. Francisca de Freitas Pimentel, filha de Pascoal de Freitas Pimentel e de sua 1ª mulher D. Joana de Uzeda Aiala.  

2.2.2.9.4.    Ana de Góis, mulher de Antonio de Barros, com filhos que faleceram pequenos.

2.2.2.9.5.    Manuel de Góis de Araújo, que deve ser o homónimo que a 18.3.1707 teve carta patente de capitão-ajudante da guarnição da Capitania de Pernambuco (RGM, 2, 56v). Casou a 17.7.1697, em Socorro, com D. Rosária Pimentel, irmã de sua cunhada, filha de Pascoal de Freitas Pimentel e de sua 1ª mulher D. Joana de Uzeda Aiala.

2.2.2.9.5.1.   Francisco Xavier de Araújo de Góis, que casou a 1.5.1734 com D. Luiza de Souza.

2.2.2.9.5.2.   Manuel de Araújo de Góis, que deve ser o homónimo que foi cavaleiro da Ordem de Cristo a 19.11.1795 (RGM. 18, 302v) e a 1.2.1797 teve carta do posto de capitão do terço de Ordenanças da Capitania da Baía RGM. 28, 339v). Casou a 16.2.1732, na igreja do Rosário, com D. Joana Maria de Jesus Ferreira de Moura.

2.2.2.10.   (b) Dr. António de Araújo de Góis, padre, licenciado, que foi vice-vigário da freguesia de Santo António do Carmo e fal. depois de 11.5.1757, data em que Clemente Luiz Moreira requereu ao rei que o arcebispo da Baía lhe pague pelo valor de umas terras na freguesia de Passé para que os gados dos padres Gaspar de Araújo e Góis e António de Araújo de Góis não destruam sua lavoura (AHU-Bahia, c. 139, d. 13).

2.2.2.11.   (b) D. Apolonia de Araújo, que casou a 1ª vez a 6.8.1669 na capela de Santa Luzia de Matoim com o sargento-mor Rui Carvalho Pinheiro (a), cavaleiro fidalgo da Casa Real, sargento-mor (1667), fal. a 10.1.1673 e sepultado no Carmo, de quem foi a 3ª mulher, sem geração. Era filho de Rui Carvalho, o Velho, e de Ursula do Rego, sua primeira mulher. Rui Carvalho Pinheiro era já viúvo de D. Catarina Ravasco, fal. a 28.1.1662, irmã do Padre António Vieira, e de D. Catarina de Azevedo, sem geração de todos os matrimónios. D. Apolonia de Araújo de Góis casou 2ª vez a 9.4.1673 com o sargento-mor Francisco de Brã (b), cavaleiro da Ordem de Cristo, filho de Jaques de Brá.

2.2.2.11.1.  Sebastião de Brã de Araújo, capitão de Infantaria da companhia de todos os familiares do Stº Ofº a 11.1.1713 (RGM, 4, 9v) e familiar do Stº Ofº (7, 137). Casou com sua prima D. Luiza de Góis, referida acima.

2.2.2.11.2.  António de Brã e Araújo, capitão de Auxiliares, cavaleiro da Ordem de Cristo e juiz dos órfão da Baía e da vila da Cahoeira. A 16.6.1725 o capitão e professo da Ordem de Cristo Antônio de Brã e Araújo requereu ao rei D. João V provisão para servir no ofício de juiz dos órfãos da cidade da Baía por um ou três anos (AHU-Bahia, c. 19, d. 66). E a 22.4.1427 requereu provisão da serventia do ofício de juiz dos órfãos de Nossa Senhora da Cachoeira do Recôncavo da Baía (AHU-Bahia, c. 26, d. 20).

2.2.2.11.3.  D. Ana de Brã e Araújo, que casou com Gabriel da Rocha Moutinho.

2.2.2.11.4.  D. Maria de Brã e Araújo, que casou com seu primo José de Góis de Sequeira Villas-Boas, referido adiante.

2.2.2.11.5.  D. Isabel de Brã e Araújo, que casou com Marcelino Soares Ferreira, tenente-coronel

2.2.2.11.6.  Inácio de Brã e Araújo, padre, cavaleiro da Ordem de Cristo a 7.4.1734, com 12.000 de tença mais 28.000 reais (RGM. 25, 288). C.g. legitimada. A 27.2.1748 o sacerdote do hábito de S. Pedro Inácio de Brã e Araújo requereu ao rei D. João V confirmação da filiação feita aos seus quatros filhos, dando a cada um a sua carta de filiação (AHU-Bahia, c. 100, d. 24).

2.2.2.11.7.  D. Luzia de Brã e Araújo, fal. a 14.7.1769 na Baía.

2.2.2.12.   (d) Gaspar de Araújo de Góis, padre, fal. antes de 28.2.1772, data em que o ouvidor da comarca Domingos João Viegas escreveu ao rei sobre a certidão passada a favor do reverendo padre Gaspar de Araújo de Góis referente à sua herança e a duas irmãs suas herdeiras (AHU-Baia, c. 171, d. 7).

2.2.2.13.   (d) Dr. Inácio de Araújo de Góis, licenciado, capitão de Infantaria (22.4.1724 - RGM, 15, 460), capitão-mor de Nª Sª da Conceição da Praia e escrivão da Câmara de Camamu. A 10.11.1724 Inácio de Araújo de Góis requereu ao rei D. João V confirmação da patente do posto de capitão-mor da freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Praia da cidade da Baía (AHU – Bahia, cx. 17, doc. 65). Casou com sua sobrinha D. Maria de Souza, fal. a 19.4.1749 na Baía, referida acima. C.g.

2.2.2.14.   (d) Frei Bento, da Ordem dos Carmelitas Calçados na Baía, fal. a 28.2.1781, ib.

2.2.2.15.   (d) Frei Antonio, da Ordem dos Carmelitas Calçados na Baía, fal. a 11.7.1756, ib.

2.2.3.   Maria de Góis de Sequeira, bat. a 21.12.1608 em Matuim, que casou a 20.2.1629, ib, com Francisco da Fonseca, «o Caboto», b. a 21.12.1608 e fal. a 12.10.1660 na Baía, sendo sepultado no convento do Carmo.

2.2.3.1.     Catarina de Góis de Sequeira, bat. a 1.12.1629. A 18.1.1723 o desembargador e ouvidor-geral da Relação da Baía Luiz de Siqueira da Gama requereu ao rei D. João V provisão para que ele e seus oficiais possam levar esportula referente à partilha dos bens de Catarina de Góis de Siqueira (AHU-Bahia, c. 13, d. 20). Casou com João de Aguiar Villas-Boas, capitão, vereador e juiz ordinário, senhor do engenho de Stº Amaro de Sergipe do Conde.

2.2.3.1.1.    D. Maria de Araújo, bat. a 1.8.1651 e fal. a 31.5.1737, em Santiago de Iguape, sendo sepultada no convento de Stº António de Parauassú. Casou a 18.11.1679 com Salvador Correa de Sá, fal. a 4.11.1685, filho de Martim de Sá, governador do Rio de Janeiro.

2.2.3.1.2.    José de Góis de Sequeira Villas-Boas, cavaleiro da Ordem de Cristo, que casou com sua prima D. Maria de Brã e Araújo, referida acima, sendo nomeadamente pais de Salvador de Góis Vilas-Boas, sargento-mor (6.2.1730) e coronel (28.2.1730) do Regimento de Infantaria de Ordenanças do Brasil (RGM, 21, 227), que a 2.11.1742 foi cavaleiro da Ordem de Cristo com 12.000 reais de tença (RGM, 33, 245) e bisavós de José da Costa Bulcão, que a 9.12.1788 teve carta de armas para Araújo, Aragão, Sequeira e Bettencourt.

2.2.3.1.3.    Dr. João de Aguiar Villas-Boas, que casou com D. Joana de Souza Barreto, bat. a 5.7.1667, filha do capitão Jerónimo Moniz Barreto e sua mulher D. Tereza de Souza.

2.2.3.1.4.    Luiz de Góis de Sequeira, irmão da Santa Casa da Baía a 30.6.1691. Casou com sua prima D. Maria Barbosa, referida adiante.

2.2.3.1.5.    Francisco da Fonseca Villas-Boas, que casou com sua prima D. Maria de Mello referida adiante.

2.2.3.1.6.    D. Maria de Góis, que casou com Cosme de Sá Peixoto, n. em Guimarães, senhor do engenho de Stª Catarina e S. Cosme.

2.2.3.2.     Semião da Fonseca de Sequeira, bat. a 1.6.1631, que casou com D. Francisca de la Penha Deusdará, irmã do desembargador Simão Álvares de la Penha Deusdará, c.g.

2.2.4.   Leonor de Sequeira, b. a 24.10.1612, ib, fal. solt.

2.2.5.   João de Araújo de Góis, b. a 1.12.1613, ib. Foi provedor-geral da Baía e procurador da Câmara desta cidade. A 24.9.1664 o provedor-geral da Baía João de Góis de Araújo escreveu ao rei D. Afonso VI sobre as funções do meirinho da Correição (AHU-Bahia, c. 2, d. 54). A 8.5.1668 o Conselho Ultramarino fez consulta a D. Pedro II sobre a representação do procurador da Câmara da Baía João de Góis de Araújo referente à cobrança do dote de Inglaterra e paz da Holanda (AHU-Bahia, c. 2, d. 69 e 68). Casou a 25.11.1640 na capela de São João, em Matoim, com D. Maria de Menezes, filha de António Moniz Barreto.

2.2.5.1.     D. Margarida de Góis, fal. antes de 1674, que casou com Gaspar Telles de Carvalhal, fal. a 18.10.1677 e sepultado no convento de S. Francisco, filho de Francisco de Carvalhal de Oliveira e suas mulher D. Maria de Menezes.

2.2.6.   Matias Pedroso de Góis, b. a 1.3.1615, ib.

2.2.7.   José de Sequeira de Góis, b. a 8.9.1616, ib, solt. s.g. Deve ser o José de Araújo de Góis que a 26.5.1662, em Cotigipe, foi padrinho, junto com o Dr. José de Góis (referido adiante), do casamento de sua sobrinha D. Isabel de Araújo e Azevedo com capitão António de Queiroz Cerqueira, referidos acima.

2.2.8.   António de Araújo de Góis, b. a 17.12.1617, ib, s.g. Participou da defesa da Baía em 1638, contra os Holandeses, onde morreu com seu irmão Inácio. É o António de Araújo de Góis por cujos serviços seu irmão Francisco teve uma tença de 40.000 reais, e o António de Araújo por cujos serviços a 6.4.1647 teve uma tença de 20.000 reais António de Góis de Araújo (RGM, 2, 299), portanto seu sobrinho, referido adiante.

2.2.9.   Francisco de Góis de Araújo, b. a 21.2.1619, ib, capitão, bem documentado de 1637 a 1656, fal. solt. s.g. A 10 de Março e 6 de Abril de 1647 teve mercê de três tenças, uma de 40.000 reais pelos serviços de seu irmão António de Araújo de Góis, e duas de 20.000 reais, uma pelos serviços de seu pai Semião de Araújo e outra pelos serviços de seu irmão Inácio de Araújo (RGM, 2, 245 e 299). A 15.12.1656 teve outra tença de 80.000 reais no rendimento das baleias da cidade de Baía (ib, 5, 106).

2.2.10. Inácio de Araújo, bat. a 20.6.1620, ib. Participou da defesa da Baía em 1638, contra os Holandeses, onde morreu com seu irmão António. Pelos seus serviços, seu irmão Francisco teve uma tença de 20.000 reais.

2.2.11. Lourenço de Araújo de Góis, b. a 16.3.1622, ib, capitão, que serviu de 1638 a 1655. A 30.1.1663 o secretário do Conselho Ultramarino, Manuel Barreto de Sampaio, mandou passar carta patente a Lourenço de Araújo de Góis para servir na Companhia de Infantaria da Baía (AHU-Bahia, c. 2, d. 26). A 5.5.1668 teve alvará para poder continuar a servir na Companhia de Infantaria dos Providos na Baía (RGM, 12, 382).

2.2.12. Pedro de Góis de Araújo, baptizado em casa por necessidade, tomou os santos óleos a 7.6.1623, ib. Casou com D. Luiza de Mello, filha do coronel Luiz de Mello de Vasconcellos e de sua segunda mulher D. Antónia Garcez de Oliva, filha de João Garcez e de Vitoria de Oliva.

2.2.12.1.   João de Oliva de Góis, que foi sargento-mor

2.2.12.2.   D. Ana de Góis, que casou com Manuel Pereira Pinto.

2.2.12.3.   D. Maria de Mello, que casou com seu primo Francisco da Fonseca Villas-Boas, referido acima.

2.2.13. Maria de Sequeira, gémea do anterior, b. a 30.5.1623, ib, que casou com Baltazar Dias Aranha.

2.2.13.1.   Bernardo Luiz de Araújo de Góis, capitão de Auxiliares e do Forte de Santo Alberto A 17.1.1729 Bernardo de Araújo e Góis requereu ao rei D. João V confirmação da carta patente do posto de capitão do Forte de Santo Alberto, na Marinha da Água de Meninos, cargo que ainda ocupava em 1736 (AHU-Bahia, c. 28, d. 5; c. 42, d. 5 e c. 58, d. 27). Casou com Margarida Pestana.

2.2.14. Bernardo de Góis, jesuíta do Colégio do Rio de Janeiro, b. a 3.8.1625, ib.

2.2.15. Semião de Araújo de Góis, «fazendeiro de cana e engenho» em S. Miguel de Cotigipe, b. a 4.9.1627 em Matoim. Casou a 8.4.1646 em S. Miguel de Cotigipe com D. Marta Barbosa, b. a 11.3.1632, ib, e já falecida em 1722, filha de Belchior Barbosa Pinheiro e sua mulher Susana Pereira de Mesquita, filha de João da Rocha de Andrade e sua mulher D. Marta Pereira.

2.2.15.1.   Belchior Pereira Barbosa de Góis, vigário de Paripe.

2.2.15.2.   João da Rocha de Andrade, que teve o nome do bisavô materno.

2.2.15.3.   António de Araújo de Góis e Sequeira, nascido e morador em S. Miguel de Cotigipe, capitão (20.12.1694), alferes da guarnição do 9º de São Paulo (1667), etc. Casou a 14.6.1699, ib, com sua prima D. Maria de Queiroz e Cerqueira, referida adiante, filha do capitão António de Queiroz de Cerqueira, cavaleiro da Ordem de Cristo e de sua 2ª mulher D. Isabel de Azevedo de Góis.

2.2.15.3.1.  Semião de Araújo de Góis, padre.

2.2.15.3.2.  António de Queiroz e Araújo, padre, fal. a 5.11.1771.

2.2.15.3.3.  D. Luiza de Queiroz e Araújo, sucessora, que fal. a 23.8.1770 e foi sepultada em S. Francisco. Casou a 1ª vez cerca de 23.10.1722, data em que obteve autorização do Stº Ofº para casar, após inquirições de genere, insertas no processo do marido, com António Gonçalves da Rocha (a), natural de Lanheses (Viana do Castelo) e fal. a 8.11.1740 na Baía, cavaleiro da Ordem de Cristo, com 12.000 reais de tença a 12.12.1733 (RGM, 8, 504, e OC, 36, 62), capitão do Forte de S. Lourenço de Itaparica ou da Ponte das Baleias a 18.3.1717 (RGM, 8, 504), na ilha de Itaparica (ilha grande em frente a Salvador da Baía), que fez à sua custa em 1716, familiar do Santo Oficio (8.11.1701), provedor (1726) e irmão da Santa Casa da Misericórdia da Baía (24.6.1716), foi senhor de vários engenhos, nomeadamente o de Itatingui e o do Meio. Em 1739 diz ter 66 anos de idade e pertencia então à ordem dos vereadores e capitaneava ainda a dita fortaleza de S. Lourenço. A 11.2.1733 teve mercê de um tença de 8.000 reais (RGM, 8, 504). Pouco antes de morrer fez um rquerimento ao rei D. João V solicitando provisão para que o provedor-mor da fazenda real do Brasil lhe satisfizesse toda a importância de sua dívida (AHU-Bahia, c. 76, d. 58). Quando fez inquirição de genere para ser familiar do Stº Ofº, era mercador de fazendas da Baía, onde morava junto à Sé, sendo filho de Francisco Gonçalves da Rocha e de sua mulher Maria Rodrigues, moradores em Lanhezes; neto paterno de João Gonçalves da Rocha e sua mulher Isabel Francisco, também moradores em Lanhezes; e neto materno de Francisco Rodrigues e sua mulher Isabel Francisco, moradores em Curujaens. D. Luiza de Queiroz e Araújo casou 2ª vez com o desembargador Dr. Manuel Vieira Pedrosa (b), fal. em 1770, ib, s.g.

2.2.15.3.3.1. (a) António Gonçalves da Rocha e Queiroz, cavaleiro da Ordem de Cristo, ingressou em 1743 na irmandade da Misericórdia e morreu a 13.6.1762. A 26.10.1731 o capitão do Forte de S. Lourenço de Itaparica António Gonçalves da Rocha requereu ao rei D. João V um hábito de Cristo com 80.000 reais de tença efetiva para seu filho legítimo António Gonçalves da Rocha e Queiroz (AHU-Bahia, c. 36, d. 6). Casou com D. Joana Bernardina de Almeida, filha de André Marques e sua mulher D. Isabel de Almeida.

2.2.15.3.3.1.1.  António Gonçalves da Rocha e Queiroz, que fal. novo.

2.2.15.3.3.1.2.  André Marques da Rocha e Queiroz, mestre de campo, cavaleiro da Ordem de Cristo com 12.000 reais de tença a 23.1.1783 (RGM, 14, 47), vereador da Baía em 1797, onde fal. a 11.6.1805. Assentou praça em 1767, e a 23 de Setembro desse ano o Conselho Ultramarino consultou o rei D. José sobre o requerimento do soldado de uma das companhias do regimento da cidade da Baía André Marques da Rocha e Queiroz, em que pede dispensa para ser nomeado nos postos imediatos (AHU-Bahia, c. 165, d. 79). Casou a 1ª vez em 1769 com D. Ana Josefa Joaquina de Souza Ferrão, filha do Dr. Antonio José dos Reis Pinto, juiz de órfãos da Baía (9 .6.1757), e de sua mulher D. Maria Josefa Madureira Ferrão Coelho. Casou a 2ª vez com D. Ana Luiza Antónia de Azevedo. viúva de Tomé Pereira Marinho Falcão, filha do capitão-mor Manuel Fernandes da Costa e de sua mulher D. Catarina Josefa de Araújo de Azevedo. C.g.

2.2.15.3.3.1.3.  Manuel Marques da Rocha Queiroz, tenente coronel. Casou com D. Maria Madalena de Lima e Queiroz, senhora do engenho de Cotegipe, para cuja capela foram trasladados os ossos do marido em 1835

2.2.15.3.3.1.4.  D. Ana Isabel de Queiroz, que casou com Pedro Nolasco Marinho de Sá.

2.2.15.3.3.1.5.  D. Francisca da Rocha e Queiroz, que casou com Fernando Pereira de Macedo, capitão da Ordenança da vila de Cachoeira (24.7.1767).

2.2.15.3.3.2. (a) D. Francisca de Queiroz e Araújo, freira, que fundou no Rio de Janeiro o convento da sua ordem.

2.2.15.3.3.3. (a) D. Luiza de Queiroz e Araújo, freira no Desterro.

2.2.15.3.3.4. (a) D. Clara de Queiroz e Araújo, freira no Desterro.

2.2.15.3.3.5. (a) D. Francisca Custódia de Queiroz, freira no Desterro.

2.2.15.3.3.6. (a) D. Leonor Antónia Francisca de Queiroz, que faleceu a 10.6.1816 na Casa Grande de Cinco Rios. Já viúva, requereu em 1800 a abolição da capela deixada por Manuel Rodrigues de Gusmão. Casou a 7.1.1749 na Baía com Paulo de Argollo e Gusmão, fidalgo da Casa Real (24.3.1711), vereador do Senado da Câmara da Baía, alferes do Regimento da Baía, familiar do Stº Ofº (2.1.1771), abastado proprietário de terras, que sucedeu nomeadamente no engenho da Pitanga, em fazendas e engenhos em Piedade, e na fazenda e engenho de Cinco Rios (Nª Sª do Monte do Recôncavo, Baía), onde viveu, e em cuja capela de Stº António foi baptizado a 10.6.1708 e onde faleceu a 21.6.1779, sem testamento mas com inventário de menores de 27 de Agosto desse ano, conforme mais detalhadamente ficou dito acima nos Argollo.

2.2.15.4.   D. Maria Barbosa, que casou com seu primo Luiz de Góis de Sequeira, referido acima.

2.2.15.5.   D. Susana Pereira de Góis.

2.2.16. Francisco de Sequeira de Góis, b. a 18.10.1632, capitão de Infantaria na Baía, cavaleiro da Ordem de Cristo, faleceu em Portugal, solt. s.g.

2.3.    Francisca de Araújo, já nascida no Brasil, portanto cerca de 1564 ou 65. Casou cerca de 1592 com Melchior de Armas de Brum.

2.3.1.   Maria de Góis de Macedo, n. cerca de 1580, que casou cerca de 1597 Sebastião Pedroso Barbosa, já largamente referido no texto acima, como sogro de Semião de Araújo de Góis, o Velho. No já muitas vezes referido processo para a Ordem de Cristo do Doutor João de Góis e Araújo diz-se que esta Maria de Góis de Macedo foi a 1ª mulher de Sebastião Pedroso, mas na verdade foi a 3ª mulher, como já ficou explicado.

2.3.1.1.     Rodrigo Pedroso de Góis, que casou com D. Antónia de Menezes.

2.3.1.1.1.    João Pedroso de Góis

2.3.1.1.2.    Isabel de Menezes, que casou com seu primo Luiz de Góis da Fonseca, referido acima.

2.3.1.2.     Jorge de Araújo de Góis, que a 5.1.1645 tirou inquirições para frade de São Francisco da Baía e professou a 14.1.1646, tendo recebido o nome de Frei Bernardo da Encarnação.

2.3.1.3.     Francisco de Góis de Macedo, que casou com sua prima D. Mariana Mexia, referida acima.

2.3.1.3.1.    Francisco de Góis Barbosa, que casou com D. Maria Moniz.

2.3.1.3.2.    D. Maria Mexia de Góis, que casou com Gaspar Tourinho Maciel.

2.3.1.3.3.    D. Luzia de Góis Barbosa, que casou com o sargento-mor José de Mello de Vasconcellos.

2.3.1.4.     D. Beatriz Barbosa, casada com o sargento-mor Pedro da Franca de Andrade

2.3.1.5.     Luiz de Góis, jesuíta do Colégio do Rio de Janeiro.

2.3.1.6.     Diogo de Araújo Barbosa, que casou com Luzia de Oliveira.

2.3.1.7.     D. Luzia de Góis.

2.3.1.8.     D. Bárbara de Góis de Macedo, casada com o capitão Manuel de Uzeda Aiala.

2.3.1.8.1.    D. Ana Maria de Ayala, fal. a 31.5.1702, que casou com seu primo António de Araújo da Fonseca, referido acima, c.g.

2.3.1.9.     Sebastião Pedroso de Góis, abade de Sergipe d'El Rei, fal. depois de 1679. Foi preso pelos amotinados de 1636. É referido na seguinte carta da rainha ao governador: «Francisco Barreto, governador amigo. Eu el Rei vos envio muito saudar. Havendo mandado ver o que escreveu o desembargador Bento Rebello e alguns papeis que me enviou sobre a devassa que com ordem do conde de Attouguia foi tirar à Capitania de Sergipe d’El-Rei das culpas e excessos que alguns de seus moradores commetteram contra o meu serviço e contra o vigário da vara e da Parochial Igreja da mesma capitania Sebastião Pedroso de Góes, a quem prenderam com violencia em casa de um Thomé de Aguiar, onde havia recolhido, por escapar da fúria doa amotinados (…). Lisboa, 10 de Janeiro de 1638.- Rainha».

2.3.1.10.   António de Góis de Araújo, jesuíta, n. cerca de 1610. É possivelmente este o António de Góis de Araújo que a 6.4.1647, antes de ser padre, teve uma tença de 20.000 reais pelos serviços de António de Araújo, que seria o seu tio António de Araújo de Góis, morto em 1638 na defesa da Baía.

2.3.1.11.   D. Maria de Góis de Macedo, bat. a 9.2.1611 em Cairú, que casou a 27.9.1631 em Paripe com o capitão Sebastião Barbosa, filho do capitão Francisco de Barbuda e sua mulher Ângela da Cunha.

2.3.1.11.1.  António Barbosa

2.3.1.11.2.  D. Maria de Góis, bat. a 9.2.1641, que casou com Tomé de Paiva, n. na Baía, filho de João de Paiva e sua mulher D. Leonor de Freitas, da ilha da Madeira. C.g.

2.3.1.11.3.  Francisco de Barbuda, bat. a 19.4.1643.

2.3.1.11.4.  D. Beatriz de Góis, bat. a 6.12.1645.

2.3.1.11.5.  Sebastião Barbosa, bat. a 29.1.1647.

2.3.1.11.6.  João Barbosa, bat. a 1.6.1651.

2.3.1.11.7.  D. Ângela, bat. 29.6.1653.

2.3.1.11.8.  Manuel Barbosa, bat. a 28.6.1656.

2.3.2.   Margarida de Anseres, que casou com Diogo da Rocha de Sá, filho de Fernão Ribeiro de Souza e de sua mulher D. Antónia de Menezes. C.g.

2.3.3.   Gaspar de Armas de Brum, documentado em 1650. Casou com D. Mónica Corte Real, filha de Guilherme Moniz Barreto e sua mulher de Maria de Souza da Fonseca. C.g.

2.3.4.   Marcos de Araújo de Brum, que casou a 1ª vez com D. Ângela de Eça, s.g. Casou a 2ª vez com sua prima D. Cecília da Fonseca, referida acima, filha de Catarina de Góis Paes e de seu marido o capitão Lucas da Fonseca Saraiva. C.g.

2.4.    Mariana de Góis.

2.5.    Clara de Góis, que foi «tão abstinente e tão inimiga de toda a vaidade do mundo e dos seus regalos» que se tratava como «a mais recolhida religiosa», segundo Frei Jaboatão, ib, que a diz «casada com Tomé Lobato de Pedroso, de quem teve filhos». Este Tomé Lobato Pedroso era irmão de suas cunhadas, portanto filho de Sebastião Pedroso Barbosa e sua 1ª mulher Leonor de Sequeira. S.g.

2.6.    Jorge de Araújo de Góis, cavaleiro fidalgo da Casa Real, foi escrivão da Santa Casa da Misericórdia da Baía com Francisco de Barbuda e Francisco de Crato, e reconstruiu-Ihe o património em 1626. N. na Baía cerca de 1585 (em 1624 declara ter 39 anos) e fal. a 28.11.1657, sendo sepultado em São Francisco, conforme consta em seu testamento que se acha no Cartório dos Órfãos da Baía. Casou com Ângela de Sequeira, irmã de sua cunhada, filha de Sebastião Pedroso Barbosa e sua 1ª mulher Leonor de Sequeira.

2.6.1.   D. Apolônia de Araújo de Góis, fal. a 15.8.1686 na Baia e sepultada na igreja do Carmo. Casou a 1ª vez em 1639 com o desembargador Dr. Gaspar Cerqueira de Brito. Nas Notas de Vários Tabeliães de Lisboa (III, p. 324) diz-se que havia em Lisboa «procurador do capitão Antonio de Queiroz Cerqueira e sua mulher Apolonia de Araújo Góes, viúva do Ldo. Gaspar Cerqueira de Brito, moradores na Bahia», em 1654. Está no arquivo do convento do Carmo, Livro 1 do Tombo, o traslado do testamento do Licenciado Gaspar Cerqueira Ribeiro, de 19.7.1651. Era da freguesia de São Veríssimo, vila do Amarante, e era irmão do Padre Frei Gonçalo de São Tomas, dominicano, e do secular Manuel Cerqueira Ribeiro, a quem deixava os bens herdados em Portugal. Deles se pagaria «a condenado crime do caso par que vim ao Brasil». Pedia que se acabasse a capela junto ao púlpito da parte direita do convento de Nossa Senhora do Carmo, onde queria ser sepultado; e que se dessem 20.000 reais para livros ao sobrinho, o padre jesuíta Antonio Pinto. Por não ter herdeiro forçado, mandou que vendidos os seus haveres se empregasse o dinheiro em casas de pedra e cal, dadas aos carmelitas, com a obrigação de porem o letreiro «Nossa Senhora do Carmo». Como estava impossibilitado de escrever, por ele o fez o cunhado João de Góis. Apolônia de Araújo de Góis casou a 2ª vez a 19.8.1652, ib, com António de Queiroz Cerqueira, referido acima. S.g. de ambos os matrimónios.

2.6.2.   Dr. João de Góis de Araujo, desembargador da Relação do Porto a 11.12.1666 (RGM, 8), desembargador extravagante da Relação da Baía a 19.10.1667 (RGM, 12, 306v), ouvidor geral do Cível da Relação da Baía a 1.4.1672 (RGM, 28, 1), cavaleiro da Ordem de Cristo, com 40.000 reais de tença a 16.1.1667, gastando-se sete anos nas diligências, todas favoráveis (RGM, 7, 240v; e